sábado, 19 de maio de 2012

Mãe com câncer terminal comove o Papa com sua história

Chiara, uma jovem mãe romana comoveu com sua história o Papa Bento XVI.  Doente de câncer preferiu não submeter-se ao tratamento para não afetar a saúde do seu terceiro filho Francesco, cujos dois irmãos morreram há pouco: Maria, que sofria de anencefalia e viveu apenas 30 minutos; e David, que nasceu sem pernas e com problemas nos órgãos internos o que lhe causou a morte horas depois do parto.
Chiara, de 28 anos de idade, chegou a cumprimentar o Santo Padre ao final da audiência geral desta quarta-feira, acompanhada de seu marido Enrico de 33. No caso dos dois primeiros filhos já falecidos, rechaçaram a possibilidade de abortá-los logo depois de saber, pelas análise pré-natais realizadas, de suas graves enfermidades.

Conforme assinala o jornal vaticano L’Osservatore Romano (LOR), os esposos chegaram a ver Bento XVI "sorrindo, com serenidade". "O Papa, visivelmente comovido, acariciou-os afavelmente", assinala LOR.

Este casal de esposos afirma ser parte da chamada "Geração Wojtyla", tendo transcorrido seus primeiros anos da fé em uma paróquia sob a espiritualidade franciscana.

Chiara foi diagnosticada com um carcinoma enquanto estava grávida do pequeno Francesco. Por isso recusou seguir o tratamento para não afetar o seu pequeno, e iniciá-lo uma vez que desse à luz. Mas, já era muito tarde. O avançou com uma violência tal que agora já não há lugar para a esperança de cura, assinala o LOR.

O projeto da família é exposto por Chiara dirigindo-se a Enrico: "quando eu já não estiver aqui me ocuparei de Maria e David, você que fica, cuide bem do Francesco".

Ambos afirmam ter como mestre de vida no sofrimento o Papa João Paulo II.
"O Papa de sua infância e adolescência (…) Sob sua escola, explicam, confiam-se cotidianamente à consagração a Maria, com a espiritualidade do Totus tuus e rezam o Rosário todas as quintas-feiras com outras famílias amigas", conclui o jornal vaticano.

Roma, 04 Mai. 12 / 07:30 am (ACI/EWTN Noticias)

A Igreja tem papel essencial em universidades, diz Papa

papa no brasil Redação A12 com ACI/Digital

Ao reunir-se na última segunda-feira (7) em audiência com os Bispos dos Estados Unidos, que estão em Roma em Visita Ad Limina, o Papa Bento XVI exortou às instituições católicas a ajudar com o magistério da Igreja a superar a atual crise que vivem algumas universidades.

No seu discurso, o Santo Padre indicou que o reconhecimento da fé, da unidade essencial de conhecimento, cria uma fortaleza contra a alienação e a fragmentação que se verifica quando o uso da razão fica de lado na busca da verdade, e neste sentido, as instituições católicas têm o papel especial de ajudar a superar a crise atual das universidades.

“Todo intelectual cristão e toda instituição educativa católica devem estar convencidos e desejosos de convencer a outros de que nenhum aspecto da realidade permanece alheio ou não afetado pelo mistério da redenção do Senhor”, adicionou.

Bento XVI chamou os bispos a reforçar a formação dos corações dos norte-americanos, e assinalou que o desafio mais urgente que devem enfrentar as comunidades católicas no seu país é formar uma sólida educação de fé na juventude.

“A tarefa essencial de uma autêntica educação a todos os níveis é a transmissão do conhecimento, mas também formar os corações”, indicou.

O Santo Padre assinalou que muitas vezes, parece que as escolas católicas e os colégios falharam em exortar aos estudantes a apropriar-se de sua própria fé como parte de seu próprio crescimento intelectual. E está comprovado que muitos estudantes estão ligados à família, à escola e à comunidade, que antes facilitava a transmissão da fé.

"Portanto, se pede às instituições católicas que criem uma rede de apoio ainda maior”.

Bento XVI afirmou que os estudantes devem ser alentados a desenvolver uma visão de harmonia entre fé e razão que possa guiar a vida. É essencial o papel desenvolvido pelos professores que inspiram a outros com seu amor evidente a Cristo.

“Existe a necessidade constante de equilibrar o rigor intelectual em comunicar a riqueza da fé da Igreja através da formação dos jovens no amor de Deus, a prática da moral cristã, a vida sacramental e a oração pessoal e litúrgica”.

O Papa adicionou que a questão da identidade católica, mais além do âmbito universitário, requer muito mais do que o ensino da religião ou a simples presença de uma Pastoral nos campus.

Bento XVI sublinhou que o maior desafio intelectual e cultural da sociedade norte-americana é a Nova Evangelização e a formação na fé das próximas gerações.


Da ACI/Digital
Foto: Imprensa/Santuário Nacional

Papa envia mensagem aos católicos alemães: "a nova evangelização é irrenunciável"



Cidade do Vaticano (RV) - “A contribuição de todos os batizados à nova evangelização é irrenunciável”: é o que afirma Bento XVI em uma mensagem ao 98º Kahtolikentag, endereçada ao Arcebispo de Friburgo, Alemanha, Dom Robert Zollitsch, aos bispos, aos sacerdotes e a todos os presentes. De fato, numerosos católicos alemães estão reunidos desde esta quarta-feira até o dia 20 de maio em Mannheim para refletir sobre o tema: “Ousar começar novamente”.

A renovação, o início, dado por Deus deve sempre ser uma partida pessoal que leva a Deus. Desse modo inicia a mensagem de Bento XVI ao Khatolikentag. Aos católicos alemães o Papa recorda que o início de cada batizado é ao mesmo tempo de início na Igreja e com ela. E precisamente o testemunho de fé dos santos e do grande número de cristãos que anunciaram o Evangelho pode encorajar a um novo início: o verdadeiro início consiste, como nos demonstram, na obediência e na confiança para com as indicações e o chamado de Deus.

Bento XVI recorda em seguida o jesuíta alemão mártir, Alfred Delp, filho de Mannheim, uma cidade onde se encontram multiplicidades de ideias e de religiões. A aventura de um novo início neste âmbito, significa reconhecer as oportunidades e os perigos e criar os espaços para uma convivência autêntica. Somente uma humanidade na qual reina “a civilização do amor” poderá gozar de uma paz verdadeira e duradoura.

O Papa prossegue sublinhando que como Igreja temos a tarefa de anunciar o Evangelho de modo aberto e claro. Coração de sua mensagem é portanto a evangelização: a contribuição de todos os batizados à nova evangelização é irrenunciável. Também o nosso país tem necessidade de um novo início missionário, apostólico, escreveu o Papa.

Também aos jovens Bento XVI dirige o convite a anunciar o Evangelho e recorda que o 98º Khatolikentag constitui, de certo modo, um prelúdio para o Ano da Fé que iniciaremos em breve, por ocasião dos 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II. O auspício é que estes dias ajudem a redescobrir a fé da Igreja na sua beleza e frescor e a anunciá-la em um tempo novo. (SP)

Fonte: Radio Vaticana

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Ascensão e Comunicação - Dom Paulo Mendes Peixoto

Dom Paulo Peixoto
Uberaba (RV) - O Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado neste dia 20 de maio, com o tema “Silêncio e Palavra: Caminho de Evangelização” coincide com a Festa da Ascensão do Senhor. Na Ascensão acontece a plenitude da comunicação do Criador com sua criatura, selando definitiva e evidentemente o cumprimento da Aliança de Deus com o seu povo.

A comunicação supõe anúncio de palavras, portanto de vibração de sons, de barulho, mas também exige momentos de silêncio. Às vezes a capacidade de ouvir fala mais alto do que as palavras. A cultura dos ruídos impede uma boa comunicação e dificulta muito o diálogo. Com isto dizemos que o silêncio faz parte integrante da comunicação entre as pessoas.

Ao voltar à Casa do Pai, Jesus comunica aos Apóstolos a missão de anunciadores da Palavra de Deus. Para isto deveriam ser testemunhas de sua ressurreição. Assim dizemos que a Ascensão é a Festa da Comunicação, do encontro e do diálogo entre o humano e o divino, o cumprimento da Aliança de relacionamento entre Deus e àqueles que o reconhecem como Deus.

Na Ascensão Jesus promete enviar, aos Apóstolos e à Igreja toda, o Espírito Santo comunicador, confirmando sua presença definitiva na vida das comunidades cristãs. A grande comunicação confiada a todos nós é que anunciemos o fato de que Jesus ressuscitou e não morreu. Ele continua vivo entre nós.

O poder da comunicação está apoiado, de forma bem determinada, na autenticidade de quem comunica. Jesus foi modelo, com uma comunicação simples, mas com palavras munidas de vida, de coerência e sadia intenção. Ele transfere esse poder para os discípulos, devendo agir nos princípios determinados pelo Mestre.

Devemos saber a linguagem da comunicação de Deus. Ela vem acompanhada de certeza e não de uma nova língua, de um novo idioma, mas um novo modo de comunicar o caminho de libertação, de ascensão e da vida nova do Reino de Deus. É uma linguagem propriamente de evangelização e de ação transformadora do mundo, que tem como base atitudes concretas e de fidelidade à fé.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

NÃO PRECISA EXPLICAR...

Percival Puggina
Usando as palavras do macaco Sócrates no extinto programa humorístico Planeta dos homens: ... eu só queria entender.

No infinito conjunto das diferenças que permitem tornar distinguíveis entre si bilhões e bilhões de pessoas só há uma coisa em que todas são rigorosamente iguais - a dignidade natural. Da rainha Elizabeth ao selvagem txucarramãe, todo ser humano é portador da mesma e eminente dignidade. Desse ensinamento, nascido da tradição judaico-cristã, derivou o que de melhor se pode colher no pensamento ocidental para inspirar a busca da harmonia em meio às diversidades. Constatar que as diversidades existem, reconhecer méritos e deméritos, são alguns dos inúmeros atos cotidianos que podem implicar diferenciação e discernimento sem, contudo, representarem agressão a alguém. Mas nem sempre é assim.

Todos já presenciamos discriminações ofensivas à dignidade humana em virtude, por exemplo, de pobreza, raça, defeitos físicos, deficiências mentais, sexo e inclinação sexual, religião, posição social. Quem barra o negro por ser negro, segrega o índio por ser índio, vira as costas ao pobre por ser pobre, ridiculariza o feio por ser feio, abandona o enfermo por ser enfermo, impede o crente de se manifestar por ser crente, ou agride o homossexual por ser homossexual, comete transgressão que pode, conforme o caso, caracterizar delito sujeito às penas da lei. São muitas as formas em que se manifesta essa discriminação viciosa, quando não criminosa. Em todos os casos, quem resulta afrontada é a pessoa humana em sua dignidade, em sua integridade e em seus direitos. Ponto. Submeter alguém a trabalho escravo, por exemplo, é ofensa à dignidade de um ser humano e não a um ser humano branco, ou negro, ou pobre, ou mestiço. Essa ideia de classificar as pessoas segundo o que as distingue é coisa de marxista. E leva à clássica simplificação a que chegam os totalitarismos nos quais as pessoas ou são companheiras ou são inimigas.

Um dos resultados dessa reclassificação da humanidade por classe, gênero, ordem, espécie, como se fôssemos insetos, leva aos atuais absurdos. Determinados grupos sociais que se têm como objetos de discriminação, passam a exigir agravamento de penas para os delitos praticados contra indivíduos do respectivo grupo ou subgrupo e/ou reclamam tratamento privilegiado em determinadas circunstâncias do cotidiano social. Denominam a isso de discriminação positiva. Tal expressão e as respectivas práticas nasceram nos Estados Unidos com o nome de "positive discrimination", recentemente substituído por "affirmative actions" como forma de contornar o peso negativo da palavra discriminação que é inerente a essas políticas. É como se os respectivos indivíduos e grupos emergissem para um estamento social superior ao dos demais, catapultados por presumíveis créditos coletivos.

São ideias que me vêm à cabeça quando vejo, por exemplo, um advogado de 35 anos sendo indenizado por ter nascido em Londres. E o que é pior: recebendo a indenização. Esse rapaz era neto de um fazendeiro riquíssimo, chamado João Belchior Marques Goulart. Na condição de descendente de um avô exilado, passou pelo terrível constrangimento de nascer e viver alguns anos na Europa. Querem outro exemplo? Duas colegas e amigas, egressas do mesmo curso superior, prestam concurso público. Uma é branca e a outra, negra. Durante as provas, amigas que são, acompanham os respectivos desempenhos. A moça branca sai-se melhor. No entanto, a amiga, que se inscreveu como cotista, conseguiu aprovação e nomeação, ao passo que a outra, embora com melhores notas, ficou de fora. Não se tratava, aqui, de franquear a alguém o ingresso num curso universitário alargando-lhe a porta do vestibular. O que também seria abusivo. Não. Ambas já haviam superado essa fase. Ambas portavam idêntico diploma do mesmo curso superior. A que foi aprovada no concurso não obteve sucesso pela produtividade intelectual, mas pela produtividade de melanina.

Não existe melhor maneira de uma sociedade enredar-se num novelo de injustiças e contradições do que desconhecer a igual dignidade de todos os seus membros.
_____________
* Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

O PREÇO DO POPULISMO DEMAGOGO

Francisco Vianna
Os países da América latina, desde o início de seus processos históricos de independência política de seus colonizadores europeus e principalmente desde que se tornaram repúblicas, não conseguem evitar o engodo imediatista do populismo demagógico de agirem contra as normas e as leis internacionais em vigor desde sempre, mas principalmente deste Breton Woods. Pagam, por isso, um preço social exorbitante no médio e no longo prazo.

Não vamos aqui descrever o comportamento, quase sempre irresponsável e histriônico, dos líderes de todos esses países, mas, como exemplo do que afirmo, vamos considerar apenas o caso do Brasil e da Argentina, pela importância e volume de suas economias no subcontinente.

Desde o final do século XIX, os maus governos republicanos que se estabeleceram, tanto pelo voto popular como pela força das armas, nesses dois países, buscaram acima de tudo e com raras exceções obter uma popularidade imediata junto à opinião pública, sem se importarem com os altos custos que tal atitude cobraria de seus povos no médio e no longo prazo. Foi o que se viu na Argentina e no Brasil, respectivamente a partir da era Perón e da era Vargas.

Esses dois caudilhos implantaram em seus países culturas patrimonialistas, oportunistas, imediatistas, e profundamente populistas e demagógicas, cujas origens estão enraizadas no modo como foram colonizados por Espanha e Portugal, levando seus povos a se imaginarem viver numa espécie de países fantasiosos que desejavam ter um dia, mas cuja na realidade sabem não ser essa. Também não vamos aqui nos delongar em citar múltiplos exemplos de como tais condutas políticas acarretam prejuízos imensos para os dois países ao longo do tempo. Escolho citar apenas a questão do petróleo.

Não há nada pior para a economia dos povos do que a existência de monopólios e a proliferação de oligopólios. A força desses grupos estabelece dependências importantes das suas soberanias aos interesses comerciais e de poder típicos das grandes concentrações produtivas, sejam elas privadas ou estatais. E foi exatamente com base nessa soberania, xenofobicamente a ser defendida do “capital estrangeiro”, que Brasil e Argentina criaram respectivamente o monopólio estatal da PETROBRAS e o oligopólio público-privado da YPF-REPSOL, ambos profundamente dependentes dos investimentos externos, principalmente no tocante às necessárias prospecções e extrações de suas reservas conhecidas.

Nunca importou a eles o quanto o consumidor final iria pagar pelo combustível nos postos, mas sim o histrionismo de garantir a “máxima populista” de Vargas, de que “o petróleo é nosso”. Infelizmente não é, pelo menos, como deveria ser. A Petrobrás é hoje o monopólio estatal que a transformou numa gigante internacional sustentada pelo consumidor brasileiro que paga na bomba, pelo menos, o dobro do que paga o consumidor norteamericano. Isso sem falar em outros engodos governamentais não menos populistas e demagógicos, tais como os do álcool e outros ‘biocombustíveis’. Administrada por governos imediatistas e populistas, a gigante estatal brasileira é hoje a cornucópia generosa para todo o tipo de malversação de seus recursos em prol do continuísmo da restrita minoria da burguesia do politburo estabelecido pelo conluio petista-peemedebista e sua ‘base alugada’ no poder.

Na Argentina, o oligopólio hispano-portenho REPSOL-YPF, na prática, não era tão ‘eficiente’ nesse mister quanto o gigantesco monopólio de seu grande vizinho do norte. Os peronistas, modernamente encarnados como ‘kischneristas’, viam com profunda inveja a capacidade dos dirigentes ‘hermanos’ de Brasília em usar e abusar dos resultados financeiros da estatal verde e amarela em suas miríades de falcatruas. A farra com o dinheiro é tanta que o ex-presidente Lula usou do mais cínico proselitismo quando o índio cocaleiro da Bolívia, seguindo o exemplo de seis ‘muy amigos’ mestres e inspiradores, resolveu confiscar os ativos da Petrobras na Bolívia. E tal proselitismo custou ao brasileiro o pagamento pelo dobro do preço do GLP que importamos de lá. Ora, que se dane o gás se temos abundância de biocombustíveis, e “somos autossuficientes em petróleo”, não é mesmo?

Tais tiradas populistas e enganosas causam um fascínio ainda não suficientemente desmascarado junto à população sulamericana, apesar dela, aos poucos estar aprendendo, ao custo de muita pobreza e sofrimento, a ver a dura realidade a que esse comportamento governamental leva e o quanto tais monopólios e oligopólios são, no médio e no longo prazo, tão deletérios às suas economias.

Recentemente, a decisão populista e demagógica de estatizar a YPF desapropriando 51% das suas ações no maior oligopólio energético argentino, tirando da empresa espanhola REPSOL o seu controle acionário, segue a regra populista e demagógica estabelecida pelos principais governantes da América latina. Além do mais, acrescida do protecionismo e a desconsideração pelos credores externos – dos quais em grande parte dependem – a medida da Presidente Cristina Fernández de Kirchner deixa a Argentina na iminência de ser considerada, no plano internacional, como uma nação pária e sem lei.

De fato, o resultado dessa decisão de Cristina Kirchner faz com que a Argentina mergulhe numa espécie de ostracismo no âmbito dos mercados financeiros e energéticos internacionais e se torne incapaz de conseguir tanto investimentos como recursos tecnológicos indispensáveis, para desenvolver as reservas petrolíferas assim incorporadas à posse da YPF, por decreto. A medida suscitou, como planejado, uma onda de falso nacionalismo na Argentina, na verdade, um aumento da xenofobia de um povo que desconhece que o capital pertence ao local onde é investido e que o reinvestimento dos seus lucros nesse local depende quase que unicamente da segurança jurídica que garante que esse lucro se concretize numa base de mercado. O resultado, no médio e no longo prazo, é o povo argentino que sentirá no bolso, quando tiver que pagar o dobro do que paga atualmente pelo combustível na bomba, como ocorre com seu “rico” e “autossuficiente” vizinho do norte.

Esse vácuo operacional criado pela expulsão forçada da empresa espanhola vai obrigar a Casa Rosada a convidar as grandes multinacionais a participar da exploração de suas reservas expropriadas da REPSOL se não quiser cair da armadilha da queda de produção e do desabastecimento interno e ter que contar com a gasolina barata que a Petrobrás lhe vende a pouco mais de cinquenta centavos de real o litro. Acontece que, mesmo essas multinacionais, não terão ânimo suficiente para embarcar em tais aventuras, levando-se em conta as pífias garantias jurídicas de tais negócios.

A presidente argentina, em vista disso, chegou a convidar publicamente a Petrobrás a expandir a sua produção na Argentina e a aumentar seus investimentos no país. Todavia, levando em conta essa mesma falta de segurança jurídica e também os interesses globalizados do monopólio brasileiro, a Petrobrás, em sã consciência, não poderia jamais aceitar tal convite, principalmente numa ocasião em que tanto se esforça para obter financiamento e atrair capitais externos para iniciar a exploração de suas imensas reservas de petróleo do pré-sal do Brasil.

A Reuters recentemente divulgou as declarações de uma fonte anônima ligada à SINOPEC, a segunda maior empresa petroleira da China – que alegadamente se preparava para adquirir parte substancial dos ativos da REPSOL na Argentina – em face de todas as negociações nesse sentido tenham terminado: “esta é uma realidade altamente desestimulante para qualquer empresa, ima vez que em função da medida adotada pelo governo argentino, equivale a um suicídio político e comercial permitir que doravante uma empresa chinesa venha a ambicionar e adquirir o controle acionário da YPF agora estatizada. Não temos muita experiência ainda em capitalismo, mas não somos tão trouxas assim”...

Já a Petrobrás, sendo um monopólio estatal – com todos os agravos que isso significa para o povo brasileiro –, dada a política de compadrio e cumplicidade em vigor na América latina, como aconteceu na Bolívia de Evo Morales, é possível que aceite o convite feito pela Casa Rosada, mesmo que isso, de novo, contrarie os melhores interesses comerciais do Brasil e da própria estatal.

Independente do pouco que a Espanha possa fazer em âmbito internacional para reaver o seu patrimônio e capital empregado em terras portenhas, a medida populista e demagógica de Cristina Kirchner só não representará um tiro no próprio pé se houver um aumento da produção de combustíveis na Argentina, coisa difícil de ser avistada no turvo horizonte sulamericano, a não ser que a mandatária resolva injetar doses maciças de seus parcos recursos fiscais na agora estatal YPF, em detrimento de uma série de outras necessidades urgentes a serem acudidas. Portanto, como essa possibilidade parece improvável, as perspectivas no médio e longo prazo levam os analistas a considerar como inevitáveis futuras crises no abastecimento interno de combustíveis. Mas, e daí? O que interessa – na ótica populista – é o aqui e o agora, o imediatismo que tal medida acarreta junto à opinião pública parcamente informada do país vizinho.

O petróleo é ainda o ponto chave de todas as teorias conspirativas que brotam no seio da opinião pública de um povo. Há uma crença férrea de que essa riqueza está sempre ameaçada pelo roubo planejado de outras nações e tal é, paradoxalmente, a razão pela qual os governos se antecipam e, eles mesmos, passem a roubá-lo de suas próprias gentes.

Os países que têm as maiores reservas de petróleo são os que mais lançam mão de um nacionalismo irracional para tentar centralizar as decisões e a manipulação dos resultados econômicos e financeiros de sua exploração. A Venezuela é o maior exemplo disso, sendo o quinto maior exportador da mercadoria e tendo um povo que sofreu o maior empobrecimento registrado no mundo na última década.

São poucos os países que tratam o assunto dentro da lógica fria e direta do comércio internacional com base nas simples, eficientes, e realistas leis de mercado. O uso político dessa mercadoria acaba gerando guerras e a construção de estados gigantes com pés de barro, como soe acontecer na América latina e no Oriente Médio, por exemplo.

Para o populismo demagógico dos governantes, que não estão nem aí para o futuro de seus países, mas apenas para os possíveis resultados imediatos em termos de popularidade junto às suas opiniões públicas propositalmente mal formadas de suas gentes, o que interessa é, pois, usar o “ouro negro” como um recurso facilmente acessível para manipular a imaginação popular com teorias de conspiração e de ondas fabricadas por marqueteiros de falsos arroubos patrióticos.

Tais decisões, como essa da Casa Rosada, capazes de criar de forma imediata uma onda de ufanismo patriótico junto ao povo, acabam, invariavelmente por produzirem resultados catastróficos no médio e no longo prazo e o governo de Cristina Fernandes de Kirchner (CFK, que alguns na Argentina dizem significar ‘ConFisKa’) continua a dar sinais de sua disposição de manter seu comportamento errático, populista e demagógico, o que, quase sempre leva a economia ao caos e acaba marginalizando o país como um pária da comunidade internacional.

É lamentável que a Argentina, na sua ânsia de mimetizar seus vizinhos, tenha se enveredado por esse pântano de erros e enganos grosseiros. Outrora um florescente país, acabou por permitir que seu povo deixasse de ser visto como sofisticado e altamente progressista para se transformar em boiada de gado marcado a caminho do abatedouro. O Brasil, por sua vez, não muito diferente – só maior – não parece ver a gravidade de ter um vizinho em queda livre, como a Argentina, useira em se afastar das normas internacionais e em se aventurar perigosamente nas turvas águas do atraso e do empobrecimento, em grande parte porque também está tomado dessa onda falsamente nacionalista e estatizante em seus próprios domínios.

As vendas que cobrem os olhos de brasileiros e argentinos, no frigir dos ovos, são as mesmas.

Quinta feira, 17 de maio de 2012
Francisco Vianna

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Princesa Isabel: documentos confirmam sinais de santidade

maio 14, 2012 por Wagner Moura
Arquidiocese do Rio de Janeiro intensifica estudos com objetivo de abrir processo de beatificação da Princesa Isabel

Equipe do Arquivo Histórico do Museu Imperial disponibiliza documentos para a pesquisa sobre a princesa Isabel. A partir da esquerda: Alessandra Fraguar, Thaís Cardoso, Neibe Machado, Hermes Rodrigues Nery e Athos Barbosa.

Cerca de 80.000 documentos começaram a ser analisados numa pesquisa que visa oferecer à Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, subsídios para a abertura do processo de beatificação da Princesa Isabel (1846-1921). De acordo com o professor Hermes Rodrigues Nery, propositor do pedido feito a Dom Orani João Tempesta, em outubro do ano passado, os documentos pesquisados até o momento confirmam os sinais de santidade da princesa, que foi três vezes regente do Brasil, associando-se de modo ativo no movimento abolicionista, tendo protagonizado a libertação dos escravos no Brasil, há exatos 124 anos.

Na semana passada o professor esteve em Petrópolis, para aprofundar os estudos da vasta documentação existente no Arquivo Histórico do Museu Imperial. Ele afirmou ao Instituto Cultural Dona Isabel I a Redentora que “escritos da Princesa D. Isabel (cartas, diários e apontamentos) dão uma dimensão exata da sua fé católica solidíssima, e de como viveu de modo exemplar a coerência dos princípios e valores do Evangelho, tanto na vida pessoal quanto pública. Suas opções e decisões estavam pautadas no humanismo integral, e deixou a melhor impressão de sua vida virtuosa em todos que conviveram com ela, tendo o respeito inclusive de seus adversários.”

A Princesa Isabel se correspondia constantemente com Papa de sua época, Leão XIII, e com São João Bosco, a quem ela encontrou pessoalmente em Milão, em 1880. Pela amizade com o fundador dos Salesianos, ela auxiliou na construção do Liceu Coração de Jesus, em São Paulo, construído em 1885, com objetivo de oferecer aos negros libertos a oportunidade de estudar lá, gratuitamente.
“Escritos de intelectuais e autoridades da época e mesmo durante o século XX (apesar do patrulhamento ideológico e da conspiração do silêncio que sofreu), atestam suas inúmeras qualidades e virtudes, e o quanto a sua firme adesão à fé foi um dos elementos que fizeram tantos temerem o 3º Reinado. Há relatos também do povo, de quem conheceu D. Isabel e recebeu dela acolhida e apoio, e muitos gestos concretos de quem s oube exercer com elevada consciência a caridade cristã”, acrescentou o professor em rentrevista ao Instituto.

A vida da princesa é muito bem documentada, desde seu nascimento até sua morte (no exílio em Paris), daí a riqueza de informações que estão ajudando os especialistas a reverem inclusive aspectos da história brasileira, e a atuação da princesa Isabel enquanto modelo de fé e política, a partir dos princípios e valores cristãos.

A admiração pela história da princesa contagiou o bispo-auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Antonio Augusto Dias Duarte que, em entrevista ao site da Arquidiocese, conta que “conhecendo com mais detalhes a vida dessa regente do Império brasileiro e conversando com várias pessoas sobre a sua possível beatificação e canonização num futuro próximo, fico admirado com suas qualidades humanas e sua atuação política, sempre inspirada pelos princípios do catolicismo, e, paralelamente, chama-me atenção o desconhecim ento que há no nosso meio cultural e universitário sobre a personalidade dessa princesa brasileira.”

Dom Antonio continua, afirmando que “inseparáveis no coração de mulher, de mãe e de regente, esses amores, vividos com fidelidade e heroísmo, constituíram o núcleo mais profundo de seu caráter feminino, sempre presente na presença régia dessa mulher – esposa, mãe, filha, irmã, cidadã – e, sobretudo, na sua função de uma governante incansável na consecução de uma causa que se arrastava lentamente no Império desde 1810: a libertação dos escravos pela via institucional, sem derramamento de sangue.”

Em dezembro de 2011, assessores do Vaticano estiveram com o Vigário Episcopal para a Vida Religiosa da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Roberto Lopes, OSB, o professor Hermes Rodrigues Nery e dom Antonio de Orleans e Bragança, e receberam dados sobre a vida da princesa Isabel a justificar a abertura do processo de dua beatificação.

Na época eles solicitaram um primeiro retrato biográfico para viabilizar os procedimentos visando oficializar o processo. O estudo ficou ao encargo do professor Hermes Rodrigues Nery.
Homenagem na Catedral de Petrópolis

13 de maio: José Paulino Barbosa, Pe. Jaque, Hermes Nery e sua mãe, Idalina

No domingo, 13 de maio, após a celebração do dia das mães, às 11h30, houve uma homenagem no Mausoléu que abrigam os corpos de D. Pedro II, D. Thereza Cristina, D. Isabel e o Conde D’Eu, entre outros.

O evento contou com a presença do pároco da Catedral, padre Jaque, e um descendente de escravos, José Paulino Barbosa (lavrador e compositor), que trouxe de sua cidade, Desterro do Mello – MG), 124 rosas doadas por ele e que foram depositadas no túmulo da princesa Isabel. A seguir, na íntegra, o pronunciamento do professor Hermes Rodrigues Nery, que também é coordenador do Movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté.

Caríssimos amigos,
Com alegria cumprimento a todos que neste feliz domingo, dia das Mães, nos reunimos para esta celebração na Catedral de Petrópolis, onde repousam os corpos dos imperadores D. Pedro II e D. Thereza Cristina, e também o da diletíssima princesa Isabel e de seu esposo o conde d’Eu. E de modo ainda muito mais especial o dia de hoje, 13 de maio, recorda o momento magno da vida de d. Isabel, quando há exatos 124 anos, assinou a Lei Áurea com a pena de ouro que se encontra aqui próximo, no Museu Imperial. Abolida definitivamente a abolição da escravatura, coroou um capítulo excelso da nossa história, cujo êxito foi possível com a vitória do abolicionismo católico defendido pela princesa Isabel, visando a emancipação dos negros num processo gradual e pacífico, evitando portanto a via da violência. Os dias festivos que sucederam em todo o país, com a assinatu ra da Lei Áurea, foram de celebrações inesquecíveis, legitimando o título justíssimo que ela recebeu, em vida, de A Redentora.
Ainda naqueles dias, em 20 de maio de 1888, em missa para celebrar o grande feito, expressou em pronunciamento profético o Barão de Paranapiacaba: “Oxalá veja um dia o mundo católico a vossa beatificação e a Igreja acolha também em seu seio a Santa Izabel brasileira”. E lembrou naquela mesma ocasião de que o júbilo não era completo, pois que seu pai, o Imperador d. Pedro II encontrava-se muito enfermo, em Milão. “Mas senhora, quando não fossem vossas virtudes que fazem de vosso coração um sacrário a grandiosa obra da redenção, com que vos imortalizastes na terra, dar-vos-ia direito a serem vossas orações atendidas”. Ao que, quando d. Pedro II recebera em seu leito, o telegrama anunciando a libertação dos escravos, por decisão de sua filha, teve súbita melhora, podendo ainda retornar ao Brasil e constatar o amor e a devoção do povo brasileiro àquela q ue por fidelidade à Igreja perdeu o trono e sofreu as dores de seu longo exílio.
Em 1857, escreveu sua mãe, D. Thereza Cristina, à filha Isabel: Muito rezei a Deus e a SS. Virgem para que te conserve com boa saúde sempre e te faça feliz como uma mãe pode desejar a seus filhos que tanto ama”. As orações constantes de sua mãe, o modelo de fidelidade e sentido de família, fez da princesa Isabel muito mais do que a filha, irmã, esposa, mãe, amiga e avó exemplar; como ainda um modelo de fé e política como governante cristã. Pela sua coerência de vida e adesão efetiva ao Evangelho, é possível que num futuro próximo, os brasileiros poderão honrá-la no altares. Que a Virgem Maria Santíssima, mãe de Deus, e juntamente com Santa Isabel de Portugal e Santa Isabel da Hungria, a quem ela tinha profunda devoção, intercedam para que a Igreja reconheça suas virtudes e muito proximamente possamos chamá-la Santa Isabel do Brasil.

Dom Franklim realça cultivo de virtudes no dia consagrado a Fátima



Angop
Dom Franklim durante a tradicional homilia e a celebração do `13 de Maio´
               Dom Damião Franklim 

Luanda - O arcebispo dom Damião Franklim exortou hoje, domingo, em Luanda, os crentes e a sociedade no geral, no sentido de primarem pela promoção de virtudes que influenciam uma convivência pacifica entre os irmãos.
 
Durante a tradicional homilia do 6º domingo da Páscoa e a celebração do "13 de Maio", Dia em que os católicos celebram a aparição da Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhas, disse que nesta data a sua mensagem apela o reforço da oração e a uma melhor "sintonia" com Deus.
 
Para o arcebispo, os cristãos e não só, devem mais do que nunca aplicar a palavra de Deus, para que os comportamentos diários menos dignos contra outrem sejam ultrapassados.
 
Nesta data em que inicia as comemorações do cinquentenário da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, onde decorreu a homilia, o prelado realçou a necessidade de se imitar cada vez mais o modo de viver que teve Maria, mãe de Jesus e de todos, suas virtudes de 
esperança, amor ao próximo, solidariedade e serenidade.
 
Perante o Cardeal Dom Alexandre de Nascimento, o arcebispo de Luanda chamou ainda atenção para com as responsabilidades baptismais e outros sacramentos, ao referir-se sobre os casos de aborto que se registam em todo mundo, sem no entanto avançar detalhes.
 
Por outro lado, falou da prática da arrogância por parte de muitos cidadãos, lembrando que tal atitude muitas as vezes leva a maus caminhos que acabam sempre por ferir outrem.
 
Dom Franklim em nome da igreja felicitou o frei Maiato, que neste dia completou 90 anos, período em que se manteve firme para com a sua vocação e a São Francisco de Assis, patrono dos capuchinhos.
 
"Apesar da sua idade com muito espírito de fé, está sempre disponível a partilhar experiências e atender todos aqueles que precisam do seu auxílio", reconheceu o arcebispo.

Angola - 13-05-2012 12:56

Gastos em saúde crescem, mas Brasil continua abaixo da média do mundo

Parcela do orçamento investida é inferior à média dos países africanos, aponta estudo da OMS

Jamil Chade - O Estado de S. Paulo -  16 de maio de 2012 | 5h 00

GENEBRA - O Brasil pode ser a sexta maior economia do mundo, mas em termos de gastos com a saúde, o governo brasileiro ainda se equipara à realidade africana e destina ao setor menos do que a média dos governos pelo mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertam que não faltam médicos no País. Ainda assim, a proporção de leitos é inferior à média mundial e comparável a vários países africanos. O Brasil é ainda um dos 30 países onde a população paga de seu próprio bolso mais de 50% dos gastos de saúde.
Brasil conta em média com 26 leitos para cada 10 mil pessoas - está atrás de outros 80 países - Werther Santana/AE
Werther Santana/AE
Brasil conta em média com 26 leitos para cada 10 mil pessoas - está atrás de outros 80 países
Os números mostram que, na última década, as autoridades brasileiras incrementaram o orçamento destinado aos serviços de saúde. Este incremento, no entanto, não é suficiente nem mesmo para que o País chegue ao patamar da média mundial. A distância entre o que se gasta no Brasil com a saúde e o que se gasta nos países ricos é ainda ampla.
Segundo a OMS, em 2000 o governo brasileiro destinava 4,1% de seu orçamento para a saúde. Dez anos depois, a taxa subiu para 5,9%. A média mundial é de 14,3% e a taxa brasileira chega a ser inferior à média africana. Do total que se gasta no País com a saúde, 56% vem do bolso dos cidadãos e não dos serviços do Estado. Apenas 30 de 193 países vivem essa situação. Em 2000, a taxa era ainda pior, com 59% dos custos da saúde vindo do bolso do cidadão. Desta forma, a taxa de 56% está distante da média mundial, de 40%. Nos países ricos, apenas um terço dos custos da saúde são arcados pelos cidadãos.
Em uma década, o governo triplicou o gasto por habitante. Mas ainda assim destina a cada brasileiro apenas uma fração do que países ricos destinam a seus cidadãos. No Brasil no ano de 2000, o governo destinava em média US$ 107 pela saúde de cada brasileiro por ano. Em 2009, ao final da década, a taxa havia sido elevada para US$ 320,00. O valor é inferior aos US$ 549,00 que em média um habitante do planeta recebe em saúde de seus governos.
Nos países europeus, os gastos médios dos governos com cada cidadão chega a ser dez vezes superior aos do Brasil. Em alguns casos, como Luxemburgo, gasta-se mais de US$ 6,9 mil por cidadão, quase 25 vezes o valor no Brasil. Na Noruega, o gasto é similar, enquanto a Dinamarca destina 20 vezes mais a cada cidadão em saúde que no Brasil. Mesmo na Grécia, quebrada e hoje sem governo, as autoridades destinam seis vezes mais recursos a cada cidadão que no Brasil. Os dados, porém, são do início da crise.
Governos como os da Romênia, Sérvia, Arábia Saudita ou Uruguai também destinam mais recursos por habitantes que no Brasil.
Outro dado preocupante: o País conta em média com 26 leitos para cada 10 mil pessoas. Os indicadores se referem ao período entre 2005 e 2011. 80 países tem um índice melhor que o do Brasil, que está empatado com Tonga e Suriname. A média mundial é de 30 leitos por cada 10 mil habitantes. Na Europa, a disponibilidade é três vezes superior a do Brasil.
Em termos de médicos, o Brasil vive uma situação mais confortável. Segundo a OMS, são 17,6 médicos para cada 10 mil habitantes, acima da média mundial de 14 por 10 mil. Mas ainda assim a taxa é a metade do número que se registra Europa. Já na África, são apenas dois médicos para cada 10 mil pessoas.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Mentalidade atrasada (bolsa família)

Dom Aldo Pagotto
Cresce o setor têxtil no Ceará contribuindo substancialmente para a economia do Estado e para o desenvolvimento da população. A indústria têxtil gera inclusão social pela qualificação profissional de costureiras, aportando divisas para o Estado. A demanda por mão-de-obra especializada na indústria têxtil levou o Sinditextil a oferecer um curso de especialização para 500 mulheres que recebem Bolsa Família. A celebração de convênios de natureza profissional respeitou certas atribuições: caberia ao Governo garantir recursos; ao Senai a formação profissional das costureiras, com um curso de 120 horas/aula; ao Sinditêxtil o compromisso de cadastrar as mulheres formadas às inúmeras indústrias do setor, gerando emprego às costureiras. O curso foi concluído. Os cadastros das costureiras formadas foram enviados para as empresas, prontas para efetivar as contratações.

O número de contratações foi zero. As costureiras incluídas na Bolsa Família negaram-se a trabalhar com carteira assinada. Na cabeça das 500 costureiras profissionalizadas prevaleceu a ideia de que o “benefício” da Bolsa Família não deve ser perdido, a menos que elas recebessem por fora, na base da informalidade, portanto, da ilegalidade em relação às empresas. Estas se obrigaram a respeitar as leis trabalhistas, negando-se a adotar um expediente escuso. Nenhuma costureira foi contratada. De quem é a culpa ou a responsabilidade? O fato revela uma mentalidade atrasada, atrelada à dependência e ausência de iniciativa. Luiz Gonzaga dizia que “esmola a um homem sadio vicia o cidadão ou o mata de vergonha”.

“Dar pão e circo” é velho jargão utilizado por políticos para alienar o povo, de barriga cheia e de mente vazia. No relato da multiplicação dos pães consta que Jesus passou um carão no povo de barriga cheia que correu atrás dele para fazê-lo “rei”. Nada de bom cai na mão da gente se não for garimpado com amor e sacrifício. Sem trabalho o pão não vem para casa. Pai que não ensina filho a trabalhar deforma-o, cria um vadio, dependente, inseguro, ou um marginal. No Brasil cresce a demanda de mão-de-obra qualificada, entanto, insuficiente para atender às dimensões básicas da sociedade. Estão aí as áreas da construção civil, da agricultura familiar, do agronegócio. Há espaço para todos, desde as profissões tradicionais às que requerem aprimoramento científico e tecnológico.

Os brasileiros dormiram em berço esplêndido. Atrasou-se por 4 décadas, em relação aos países que, com a visão de futuro, priorizaram a formação dos seus filhos e neles investiram os recursos do erário. A educação para o trabalho é valor prioritário para um povo. Não se promove o pobre, não se supera a pobreza, a miséria e a fome combatendo os que produzem riquezas com honestidade, com o suor do próprio rosto. Ante o nosso atraso não temos outro caminho a seguir senão alavancando recursos para viabilizar políticas de desenvolvimento. Nossa reconciliação assemelha-se à fábula da cigarra e da formiga. Precisamos aprender a trabalhar, pois “forró e cachaça” já temos demais!

Dom Aldo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba
Artigo de Dom Aldo para o Correio da Paraíba (22/04/2012)
Fonte: Arquidiocese da Paraíba

A análise de conjuntura eclesial de frei Luiz Carlos Susin, OFMCap

Edson Luiz Sampel
             Frei Luiz Carlos Susin, OFMCap, elaborou uma análise de conjuntura eclesial para a CNBB. O texto do frade capuchinho chegou às minhas mãos no dia 11/5/2012, pela Internet. Gostaria de externar minhas ideias a propósito da aludida análise.

            A reflexão de frei Susin, OFMCap, contém decerto vários pontos positivos e assaz lúcidos. No entanto, em minha opinião, a análise de conjuntura em apreço traz outrossim seriíssimas distorções, as quais desejo examinar neste artigo. Adotando o mesmo método do capuchinho, não demonstrarei a fundamentação doutrinal ou escriturística das minhas asserções, porquanto, no meu caso, procuro estribar-me no magistério eclesiástico e cuido seja despiciendo ensinar o padre-nosso ao vigário, como se diz no calão popular.

            Declinarei o que entendo problemático na mencionada análise de conjuntura, a partir de transcrições de excertos, seguidas de um breve comentário.

Pontos negativos da análise de frei Susin, OFMCap

1) “Mas afirmar que só a Igreja tem poder de interpretar corretamente a Palavra não tem plausibilidade em nosso mundo rico de hermenêutica.”


Comentário. Sim, nosso mundo é realmente rico de hermenêutica, entretanto, nem todas são hermenêuticas saudáveis. Basta que prestemos atenção à “hermenêutica” de certas seitas, como as dirigidas pelo “apóstolo” Valdomiro Santiago e pelo “bispo” Edir Macedo. Tantas seitas quantas “hermenêuticas”, desde a reforma protestante! Contudo, se nos restringirmos ao próprio grêmio da Igreja católica, deparar-se-nos-ão hermenêuticas dúbias e outrossim deletérias, como a que suscitou a intervenção da CNBB (Doc. 54) a propósito de algumas teses perfilhadas e praticadas pela Renovação Carismática Católica (RCC). Recentemente, a obra do pe. Queiruga foi objeto de uma notificação da Congregação para a Doutrina da Fé. Por quê? Porque a hermenêutica desse teólogo não foi considerada tão boa assim. Em suma, há hermenêutica e hermenêutica. No caso da Igreja católica, fundada por Jesus, a última palavra sobre a interpretação autêntica é do magistério. Trata-se de uma prática bimilenar que, malgrado a reforma, não teve, até hoje, solução de continuidade. Outro problema levantado pelo excerto acima diz respeito ao termo “Palavra”. Ora, ao lume da doutrina católica, “Palavra” não é só a bíblia. Neste diapasão, a sã exegese tem por alvo tanto a sagrada tradição quanto a sagrada escritura.

2) “Formação bíblica para os católicos é uma prioridade, uma urgência, uma esperança essencial.”


Comentário. A Igreja católica é pré-bíblica. Será que os primeiros cristãos, tão próximos do Senhor, dos apóstolos e de seus sucessores imediatos sentiam essa prioridade, essa urgência e “esperança essencial”? A única “esperança essencial” é a virtude teologal da esperança! É óbvio ululante que a assim chamada “formação bíblica” é deveras importante, todavia, mais relevante ainda para o mundo atual é uma formação doutrinal completa e a conscientização dos leigos (99% dos fiéis) de que devem animar e aperfeiçoar a ordem temporal com o espírito do evangelho (cânon 225, § 2.º), conforme a ensinança clarividente do Concílio Vaticano II.

3) “Ao lado do colegiado episcopal multiplicaram-se as instâncias colegiadas na área diocesana, presbiteral, paroquial, com a participação dos leigos.” (negritos do frade)


Comentário. Esta é uma visão harto conservadora, para não dizer retrógrada. O Concílio emancipou o leigo. Explicitou o verdadeiro papel apostólico do laicato: a transformação do mundo a partir do evangelho. Sem embargo, a análise de conjuntura ora comentada em nenhum momento propugna pela liberdade e libertação do leigo, mas parece quer vê-lo clericalizado nas estruturas de poder hierárquico.

4) “Mais democracia ou participação na Igreja? Escuta-se (sic) com frequência discussões em torno do exercício de democracia na Igreja.” (negritos do frade)


Comentário. Em grande parte dos Estados modernos, o poder emana do povo. Aliás, a Igreja católica, por intermédio da sua doutrina social, é a entidade societária que mais enaltece o regime democrático. Nada obstante, o poder na Igreja emana de Deus. Outra coisa: o poder na Igreja é serviço.  Se se trata de uma democracia conforme a que dom Paulo Evaristo implantava na Arquidiocese de São Paulo, com a oitiva do povo de Deus relativamente às prioridades pastorais (saúde, moradia, trabalho), então, é mister recrudescer e incentivar essa forma democrática de pastorear os fiéis.

5) “Ainda que se advoguem razões de revelação e de direito divino para agir de modo diferente, o poder e a autoridade arriscam ficar sem plausibilidade e sem eficácia quando utiliza (sic) o mecanismo ‘exteriorista’ de tipo ‘manda quem tem o poder e obedece quem tem o dever.’” (negritos do frade)


Comentário. Advogar uma tese é defender uma opinião entre tantas. No caso do direito divino positivo, espera-se a atitude obsequiosa com fé católica, porquanto, muita vez, estamos diante de dogmas. Se compulsarmos o código canônico com olhos de ver, certamente notaremos que se trata de uma lei libertadora, um facilitador da caminhada do povo de Deus, como soia dizer um antigo professor. As instâncias de poder constituem-se, na verdade, em operacionalização do serviço e da graça sacramental, da qual a Igreja católica é fiel depositária.

6) “(...) oportunidade [para os leigos] de participação nas instâncias de governo da Igreja”.


Comentário. A análise de conjuntura de novo faz eco a ramerrão tão desgastado e panfletário: “participação nas instâncias de governo da Igreja”. Olvida-se o modo como o Concílio Vaticano II compreende a atuação laical. Quando o leigo assume seu batismo em meio às atividades seculares, não o faz isoladamente, mas na condição de membro da Igreja. De acordo com a estrutura que Jesus dotou a Igreja católica, quando fundou-a há dois mil anos, o poder de regime ou de jurisdição está destinado a varões, membros do clero. Este poder, no entanto, é, como escrevi acima, um autêntico serviço ao povo da nova aliança.

Edson Luiz Sampel
Doutor em Direito Canônico 
pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano

Nossa Senhora de Sheshan - China

Nossa Senhora de Sheshan - China
Liturgia: 24 de maio
PAPA BENTO XVI
ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DE SHESHAN
Virgem Santíssima, Mãe do Verbo encarnado e Mãe nossa,
venerada com o título de «Auxílio dos cristãos» no Santuário de Sheshan,
para o qual, com devoto afecto, levanta os olhos toda a Igreja que está na China,
vimos hoje junto de Vós implorar a vossa protecção.
Lançai o vosso olhar sobre o Povo de Deus e guiai-o com solicitude materna
pelos caminhos da verdade e do amor, para que, em todas as circunstâncias, seja fermento de harmoniosa convivência entre todos os cidadãos.
Com o «sim» dócil pronunciado em Nazaré, Vós consentistes
que o Filho eterno de Deus encarnasse no vosso seio virginal
e assim desse início na história à obra da Redenção,
na qual cooperastes depois com solícita dedicação,
aceitando que a espada da dor trespassasse a vossa alma,
até à hora suprema da Cruz, quando no Calvário permanecestes
de pé junto do vosso Filho, que morria para que o homem vivesse.
Desde então tornastes-Vos, de forma nova, Mãe
de todos aqueles que acolhem na fé o vosso Filho Jesus
e aceitam segui-Lo carregando a própria Cruz sobre os ombros.
Mãe da esperança, que na escuridão do Sábado Santo caminhastes,
com inabalável confiança, ao encontro da manhã de Páscoa,
concedei aos vossos filhos a capacidade de discernirem em cada situação,
mesmo na mais escura, os sinais da presença amorosa de Deus.
Nossa Senhora de Sheshan, sustentai o empenho de quantos na China
continuam, no meio das canseiras diárias, a crer, a esperar, a amar,
para que nunca temam falar de Jesus ao mundo e do mundo a Jesus.
Na imagem que encima o Santuário, levantais ao alto o vosso Filho,
apresentando-O ao mundo com os braços abertos em gesto de amor.
Ajudai os católicos a serem sempre testemunhas credíveis deste amor,
mantendo-se unidos à rocha de Pedro sobre a qual está construída a Igreja.
Mãe da China e da Ásia, rogai por nós agora e sempre. Amen.
© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana



HISTÓRIA DE NOSSA SENHORA DE SHESHAN

A 50 km de Sanghai, na China, encontra-se Sheshan. Graças à beleza da paisagem e ao clima temperado, a colina de Sheshan é um lugar de grande atração turística. No século XVIII, dois imperadores saíram de Pequim especialmente para visitar esta localidade. Um deles, o famoso Kangxi, deu-lhe o nome de "Montanha do bambu verde". Título muito apropriado, pois a colina vive coberta desta vegetaço. A pintura chinesa de todas as épocas a reproduz tão graciosamente e os brotos do bambu são particularmente apreciados neste antigo povoado.

A evangelização chegou a Sheshan em 1844. Os primeiros missionários alí construíram uma casa com cinco cômodos, reservando um deles como capela e os outros como locais de descanso. Em 1864, um religioso chinês construiu sobre a colina um quiosque hexagonal, no qual depositou uma imagem da Virgem Maria pintada por ele e venerada como "Auxiliadora dos Cristãos". A devoção à Virgem de Sheshan, "Auxiliadora dos Cristãos", difundiu-se então por toda a região sendo celebrada anualmente no dia 24 de maio.

Atualmente há em Sheshan duas igrejas: uma, no meio da colina e outra, no alto. Esta última foi construída em 1873 e reconstruída em 1925. Possui uma torre de 33 metros de altura, em cuja parte superior havia uma estátua da Virgem que segurava o Menino Jesus. O Filho, com os braços abertos em atitude de benção formava, no conjunto, a idéia de uma grande cruz elevada sobre a China.
A igreja situada na metade da colina foi construída em 1894. Nas laterais da entrada há duas inscrições. Uma diz: "A capelinha encontra-se à metade da colina; façamos uma parada para acrescentar nosso afeto filial à Virgem". A outra inscrição reza: "A igreja maior encontra-se no alto da colina; subamos para implorar a benção da Mãe afetuosa".

Há muitos canais na região de Sheshan. Os numerosos pescadores que vivem em suas embarcações são em sua maioria piedosos católicos. Anualmente, no mês de maio os pescadores vão em peregrinação ao santuário e a eles se unem outros peregrinos de diversas partes da China. A revista "Ave Maria" publicou em sua edição de 15 de setembro de 1981, uma matéria anônima intitulada "China - depois de trinta anos, grandiosa Romaria Mariana", traduzida da revista italiana "Madre di Dio", que reproduzimos abaixo. No texto, Nossa Senhora de Sheshan é chamada de "Nossa Senhora de Zozé" que pela descrição, trata-se do mesmo título mariano. "Os protagonistas deste acontecimento, que provocou muito barulho, não somente na China, mas em todo mundo, foram os pescadores da região de Shangai que, com uma pitoresca marcha sobre barcas, deram vida novamente ao Santuário de Zozé.



Nossa Senhora da China

Nossa Senhora da China
Liturgia: 12 de maio


Cerca de 10 mil fiéis no santuário mariano de Hu Xian para a festa de Nossa Senhora da China 

Cerca de 10 mil fiéis provenientes de todas as partes da China foram, em peregrinação, ao Santuário mariano de Hu Xian, na província de Shaan Xi, para festa de Nossa Senhora da China celebrada em 12 de maio, em preparação para o Dia Mundial de Oração pela Igreja na China, em 24 de maio. 

Segundo o quanto referido à Agência Fides por Faith de Hebei, cerca de 60 sacerdotes participaram da celebração da missa no santuário. Todos salientaram a importância da oração para a Igreja na China, como foi recomendado pelo Santo Padre Bento XVI, invocando a proteção de Maria, "a fim de que com a intercessão de Nossa Senhora, possamos vencer todo mal e dificuldades, com sabedoria, coragem e força": "para que os não cristãos possam se aproximar da Igreja e conhecer a Cristo".

Mais de 20 mil fiéis participaram da peregrinação que teve lugar no domingo, 13 de maio, no santuário mariano da Diocese de Cang Zhou, província de Hebei, presidida por Dom Giuseppe Li Lian Gui. (NZ) (Hu Xian - Agência Fides 2012/05/14)

História de Nossa Senhora da China

A devoção à Nossa Senhora na China, começou na aldeia de Dong Lu, em 1900. Todos os anos, centenas de milhares de peregrinos vêm rezar diante de Nossa Senhora de Dong Lu. Durante o mês de maio de 1994 todas as estradas que conduziam a Dong Lu foram fechadas pelo governo. Em todas as vias de acesso para Dong Lu e cidades vizinhas foram colocadas barreiras. Ali só podia passar quem era identificado pelas autoridades como "não-católico". Assim mesmo vieram pessoas de todas as partes do país. Chegaram a pé, em bicicletas, automóveis e caminhões, através de caminhos pouco conhecidos para evitar a repressão do governo.

Vieram à " Colina da Mãe " para rezar. Nos lados da estátua escreveram dois versos. Em um dos lados: "A cabeça da serpente é esmagada. Debaixo de que pés foi derrotada "? No outro lado da estátua lê-se: " Meu filho, por que você está amedrontado? Sua mãe está a seu lado". Em outra parede, havia um enorme aviso anunciando o atentado sofrido pelo Papa na praça São Pedro, em Roma e pedindo orações e sacrifícios pela recuperação dele.

Dezenas de milhares de pessoas ajoelharam-se diante da imagem com as mãos colocadas sobre o peito. Depois de uma longa repressão do governo comunista, os católicos não puderam controlar a emoção despertada pelo seu amor à Maria Santíssima. Muitos choraram copiosamente porque finalmente podiam ajoelhar-se aos pés da Mãe Santíssima, após quarenta anos de perseguições. E suplicaram: Querida Mãe, conceda-nos coragem para prosseguir nossa luta. Nós te pedimos: cuida da Igreja na China e salva-nos".

Muitos tocaram a imagem com seus rosários e quadros de santos. Estes objetos religiosos se transformaram em algo de valor inestimável. Jovens, anciãos, inválidos, fracos e fortes, todos unidos no amor à Mãe de Jesus. Havia pessoas de todas as idades. Era possível ver-se um mar de gente ajoelhada e rezando, ninguém distraído ou conversando. Uma senhora e uma criança ajoelham-se diante da imagem. Abraçada a seu filho, a mulher chora. Próximo dela um senhor de meia idade. Ele também rezava e chorava. Depois de tantas perseguições eles encontravam consolo em Maria. Ofereciam seus sacrifícios para o futuro da Igreja Católica Romana na China, pelo Santo Padre e pela Igreja Universal. Eles estavam muito felizes por terem chegado à Colina de Maria mesmo com tantos riscos pessoais e sacrifícios financeiros.

O dia 24 de maio é o dia da festa mariana mais importante da China. Nesse dia, o céu estava nublado. Começou a chuviscar. A Igreja subterrânea, como é chamada a Igreja Católica na China, não tem nenhuma igreja em Dong Lu. A Missa era ao ar livre. Por volta das oito horas da manhã, a procissão para a Missa Santa estava começando. Quatro bispos e aproximadamente 120 padres que chegaram das dioceses subterrâneas da China concelebraram a Missa, que teve como celebrante principal Dom Su Chi-Min, bispo auxiliar de Baoding. A procissão também incluiu mais de 100 seminaristas, 200 freiras, muitos diáconos e seminaristas do curso secundário.

Os chuviscos se tornam uma chuva pesada,mas a procissão continuou. Nada poderia parar a devoção deste povo para com sua santa Mãe. Havia mais de cinquenta mil peregrinos. Poucos traziam guarda-chuvas. Em poucos minutos todos estavam molhados e empapados. Mas, andavam e cantavam na chuva. Eles estavam empapados no amor de Nossa Senhora e na graça de Deus. Esta chuva limpou-lhes a alma. Com vigor renovado e determinação, unidos como Igreja clandestina e leal, eles marchavam contra a tempestade de perseguições. Nenhuma tempestade poderia detê-los na marcha. Nenhuma perseguição poderia esmagá-los. Após a tempestade virão dias ensolarados.

A Missa começou. Todos se ajoelharam na lama, ao som de hinos e orações. Na história da Igreja na China, perseguição da Igreja na dinastia de Qing, o regime comunista atual, a Associação Patriótica cismática, o encarceramento e tortura de bispos, padres, freiras, e fiéis, os milhares dos mártires, a destruição e confisco das propriedades da Igreja, a proibição para atividades religiosas! Todos ali testemunhavam que a Igreja católica romana está gemendo debaixo da perseguição do governo comunista, suplicando a misericórdia de Deus.