sábado, 5 de maio de 2012

UnB, aborto e desonestidade


Por Felipe Melo 
Felipe Melo cursa Administração
Hoje, dia 12 de abril, a Cultura da Morte conseguiu conquistar mais um pedaço do Estado brasileiro. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela descriminalização do aborto em caso de anencefalia do feto. A votação ainda está acontecendo, mas, em virtude da proporção de votos (7 a favor, e apenas 1 contra), não há possibilidade da decisão do STF ser revertida nesse julgamento.

Ontem,  dia 11, o STF começou a julgar a Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 54. Por ocasião do início do julgamento em si, houve uma grande mobilização de religiosos, sacerdotes e leigos católicos – muitos dos quais são ativistas do movimento pró-vida – diante do STF. Sua demanda é, por óbvio, que o aborto de crianças anencéfalas seja tido como crime, como prevê atualmente o Código Penal.
Em virtude da grande celeuma gerada em torno desse julgamento, o portal da Universidade de Brasília publicou dois textos que defendem, de maneira quase vergonhosa, o aborto de crianças anencéfalas: um deles, encabeçado pelo professor Alexandre Bernardino Costa (vulgo ABC), da Faculdade de Direito da UnB, intitula-se (complicadamente) “A descriminalização da interrupção da gravidez de feto anencefálico como uma possibilidade de efetivação do princípio da dignidade da pessoa humana”; o outro, intitulado “Uma escolha Severina”, é assinado pela professora Débora Diniz Rodrigues, do Departamento de Serviço Social da UnB. Os textos não serão aqui reproduzidos na íntegra (eles podem ser consultados através dos links disponibilizados acima), mas alguns trechos particularmente elucidativos serão pinçados para uma análise mais pormenorizada.
No texto elaborado pelo professor Costa e sua equipe, ele destaca um ponto curioso (grifos meus):
A controvérsia acerca da interrupção da gravidez de fetos anencefálicos resulta, em boa medida, da base eminentemente moral sobre a qual esta discussão precisa ser realizada. Uma vez que não há consenso sequer quanto aos fundamentos éticos ou mesmo médicos para se estabelecer um padrão sobre a essência da vida humana, é imprescindível reconhecer que o debate jurídico não pode se dar em torno da definição sobre em que momento começa a vida.
Deve, sim, balizar-se a partir do questionamento constitucional de fundo: o direito fundamental da mulher de eleger suas concepções morais acerca da existência ou inexistência de valores intrínsecos à vida pode ser regulado pelo Estado?
O que o professor Costa e sua equipe querem dizer é que, basicamente, Direito e Moral não se misturam, sobretudo nesse quesito. Permitam-me valer-me de um argumento de autoridade para contestar essa visão. Miguel Reale, um dos maiores juristas e filósofos brasileiros, na introdução do capítulo “Direito e Moral” de seu livro “Lições Preliminares de Direito” (REALE, 1993, p. 41), lembra-nos:
Ao homem afoito e de pouca cultura basta perceber uma diferença entre dois seres para, imediatamente, extremá-los um do outro, mas os mais experientes sabem a arte de distinguir sem separar, a não ser que haja razões essenciais que justifiquem a contraposição.
A teoria do mínimo ético, que nasceu do pensamento do filósofo utilitarista Jeremy Bentham, advogava que “o Direito representa apenas o mínimo de Moral declarado obrigatório para que a sociedade possa sobreviver”. Todavia, é fato que há regras do Direito que não podem ser consideradas dentro do campo da Moral – como, por exemplo, as normas que estabelecem o design das placas de trânsito –, de modo que a teoria do mínimo ético representa mais uma concepção ideal do que real da relação entre Moral e Direito. É certo dizer, entretanto, que há regras jurídicas que são estabelecidas de acordo com princípios morais. Um grande exemplo disso é a proteção à vida que permeia todo o nosso ordenamento jurídico – proteção essa que advém de concepções morais. Talvez o professor Costa e sua equipe não tenham tido o cuidado de ler uma obra tão básica para a formação acadêmica em Direito quanto “Lições Preliminares do Direito”, de Reale, mas isso não é de se estranhar em se tratando do professor Costa de um defensor incansável do Direito Achado na Rua, e de seu contumaz desprezo por qualquer pensador jurídico-filosófico “reacionário”.
Mais adiante, diz o texto do professor Costa (grifos meus):
Visto que vivemos em uma sociedade plural, e que, portanto, comporta a relativização das escolhas éticas, a melhor maneira de se lidar com questões que concernem a conflitos de valores é por meio do respeito à diferença e da possibilidade de expressão dos diversos posicionamentos que devem resultar de escolhas individuais.
Somente dessa maneira é possível pensar a democracia a partir de seus princípios fundadores e indissociáveis: a liberdade e a igualdade. A criminalização da conduta das gestantes que interrompem a gravidez de fetos anencefálicos é uma afronta a tais princípios, visto que significa a escolha, pelo Estado, dos valores que devem reger as condutas sociais. Como resultado, tem-se a frustração da liberdade de escolha moral dos indivíduos, bem como da desigualdade no tratamento das crenças.
A confusão entre Ética e Moral é algo bastante recorrente nos meios acadêmicos, e, em se tratando do texto em questão, seria apenas uma questão de tempo que os conceitos fossem metidos no mesmo balaio e misturados com zeloso vigor. Algo que talvez o professor Costa e sua equipe tenham tido grande dificuldade em compreender é há uma sensível diferença entre a determinação dos valores sociais pelo Estado (o que ocorre em regimes totalitários, como o comunismo, e pode é chamado usualmente de engenharia social) e a institucionalização dos valores sociais pelo Estado (o que ocorre, ou deveria ocorrer, em regimes de Estado de direito). A criminalização de gestantes que optam por abortar fetos anencéfalos é, decerto, uma afronta ao primeiro caso (claro, se o Estado refuta esse comportamento), mas é perfeitamente aceitável no segundo, uma vez que a norma que criminaliza o comportamento advém não do Estado, mas da sociedade, sendo por aquele absorvida do campo da Moral para o campo do Direito.
Continuemos (grifos meus):
Quando se trata de questões que transcendem à [sic] esfera jurídica e se deparam com valores morais e religiosos, como as que configuram o caso, a liberdade de escolher deve ser concedida e devidamente justificada com base na ordem constitucional, integrada pelos princípios regentes das relações sociais conforme os parâmetros da liberdade e da igualdade.
A democracia se configura como um regime de governo que não vislumbra possibilidade de existência sem a defesa dos direitos fundamentais, principalmente na concretude de momentos como estes – momento no qual se delineiam as principais nuances da contingência e historicidade de tais direitos. Mais do que soluções, direitos como a liberdade e a igualdade representam responsabilidades em relação aos indivíduos que constituem o hipotético consenso essencial para a afirmação de um Estado Democrático de Direito, o qual deve ser realizado, no caso em questão, com a viabilização do exercício da liberdade de credo pelas mulheres grávidas de fetos anencefálicos.
Ao criminalizar o aborto de fetos anencéfalos, o Estado não está criminalizando o exercício da liberdade de credo das gestantes. Liberdade de credo e liberdade de ação se encontram em campos distintos, ainda que haja – como no caso do Direito e da Moral – uma área em que se influenciam mutuamente. Exemplo: existem pessoas no Brasil que acreditam que mulheres que não respeitem as leis de pureza da Sharia, o ordenamento jurídico corânico, devam ser apedrejadas à morte. O Estado não criminaliza a liberdade de credo dessas pessoas: de fato, elas podem acreditar no que quiserem. No entanto, nenhuma dessas pessoas pode recorrer à “relativização das escolhas éticas” para apedrejar alguma mulher até a morte. A liberdade de crença é respeitada, mas não a liberdade de ação consoante a essa crença em termos que violam expressamente não apenas o ordenamento jurídico nacional, mas o próprio conjunto de normas morais que regem nossa sociedade.
Aliás, é justamente no campo da “relativização das escolhas éticas” que se insere o texto da professora Diniz. O texto recorre ao que chamamos, em retórica, de convencimento através do pathos: em um relato sentimentalista, o que se busca é obscurecer a situação concreta e, a partir de uma visão subjetiva (e subjetivista), realizar uma defesa aparentemente honesta do aborto de anencéfalos. Vejamos (grifos meus):
Severina e a corte [STF] se conheceram em 20 de outubro de 2004. Severina saiu de Chã Grande convencida de que passaria uma noite na maternidade em Recife. Estava grávida de 14 semanas de um feto com anencefalia, uma má-formação incompatível com a sobrevida fora do útero. A imagem transparente da ecografia não lhe deixou dúvidas: o feto não tinha cérebro. Rosivaldo exibia a ecografia como uma prova do que os olhos não viam. E, segundo os versos de Mocinha de Passira, repentista que cantou a história de Severina, não se vive “sem a peça genuína”. Sem cérebro, não há vida, só uma sobrevida de minutos, horas ou dias.
Severina não foi atendida no hospital. A liminar que autorizava a interrupção da gravidez foi cancelada pela mesma corte que hoje conhecerá em Brasília. Nesses oito anos, Severina não entende bem as razões de tanta espera. Não está claro para os ministros do STF que o feto não irá sobreviver? Não basta conhecer sua dor pelo filme que leva o seu nome para entender que o sofrimento involuntário não dignifica as mulheres?Ela sabe que não falará aos ministros, só ouvirá as razões que já sentiu como uma sentença no passado. Severina deu à luz um feto natimorto que, sem nome e registro de nascimento, foi enterrado em uma cova que ainda hoje desconhece o repouso no cemitério. Mas parece que ainda há dúvidas, senão sobre o diagnóstico letal e irreversível da anencefalia, sobre as razões éticas que levariam as mulheres ao aborto em caso de anencefalia fetal.
Aqueles que defendem o aborto de anencéfalos parecem ser incapazes de compreender é de que essa “má-formação incompatível com a sobrevida fora do útero” não transforma o feto instantaneamente em um cadáver. Não importa a possibilidade de sobrevida de um feto para se determinar se ele é ou não, dentro do útero materno, um ser vivo: a mera ocorrência da concepção o transforma em um ser vivo. A esse respeito, Jérôme Lejeune, geneticista responsável pela causa da Síndrome de Down, declarou certa vez que
a vida começa na fecundação. Quando os 23 cromossomos masculinos se encontram com os 23 cromossomos femininos, todos os dados genéticos que definem o novo ser humano já estão presentes. A fecundação é o marco da vida.
Ainda sobre esse assunto, Lejeune asseverou (BRANDÃO, 1999, p. 25):
Aceitar o fato de que, depois da fertilização, um novo ser humano começou a existir não é uma questão de gosto ou de opinião. A natureza humana do ser humano, desde a sua concepção até sua velhice não é uma disputa metafísica. É uma simples evidência experimental.
Decidir levar a termo uma vida humana antecipadamente em virtude da quase certeza de morte natural iminente não é um ato que se justifica. Se assim fosse, seria perfeitamente plausível que matássemos qualquer pessoa: se a probabilidade de morte iminente o justifica, a imprevisibilidade da morte (que pode vir a ocorrer em qualquer instante) apresenta-se como uma justificativa ainda maior – afinal, todos morreremos, certo?
Continua o texto da professora Diniz (grifo meu):
Severina se recusa a ser comparada aos nazistas. A escolha severina não é resultado da perversão de um Estado totalitário que oprime e ignora a autonomia das mulheres. Não há eugenia em um regime de liberdade de escolha. Eugenia é uma peça de uma engrenagem de opressão, segregação e discriminação. Nenhum médico forçou Severina a antecipar o parto. O padre de sua paróquia, em vão, tentou demovê-la da decisão, mas Severina estava convencida do que sua dor pedia. A verdade é que ela não tem as vantagens de quem pode prescindir da legalidade, por isso exibe as mãos com que trabalha a terra para demonstrar sua submissão à ordem democrática. Sem o direito ao aborto, sua vida se resumiu a uma longa espera.
O Dr. Dernival da Silva Brandão, médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia e membro titular da Academia Fluminense de Medicina, propõe uma visão bastante distinta daquela utilizada no texto sentimentalista da professora Diniz (BRANDÃO, 1999, p. 30):
É importante esclarecer que o aborto provocado para matar um nascituro doente não tem a conotação do denominado aborto terapêutico, e sim de aborto eugênico: como no caso da gestante que tenha contraído rubéola, mata-se a criança não nascida diante da possibilidade de que venha a nascer doente. [...] O diagnóstico pré-natal deve ser realizado enquanto possa servir ao bem da pessoa, e ser adequado à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento de enfermidades; e não para discriminar os portadores de genes patogênicos e defeitos congênitos. Senão aplicar-se-iam conhecimentos médicos não para tratar o doente, mas para eliminá-lo por ser doente. Seria preconizar a eugenia já usada e condenada no passado: a eliminação de toda uma população infantil porque não corresponde aos critérios que os eugenistas exigem para serem admitidos na comunidade humana.
No entanto estão a autorizar e a fazer abortos eugênicos, em casos de malformações, como por exemplo os anencéfalos, rotulando-os de “terapêuticos”. Caso essa prática nefanda venha a se tornar rotineira com os anencéfalos e estendida a outras malformações, não é difícil concluir que servirá de argumento (fato consumado) para legalização do aborto eugênico.
O Dr. Ives Gandra Martins – que, lembremos, teve sua condição de amicus curiae negada pelo STF menos de uma hora antes do início do julgamento da questão dos anencéfalos –, um dos maiores juristas brasileiros da atualidade, nos recorda (MARTINS, 1999, pp. 134-135):
O direito à vida, talvez, mais do que qualquer outro, impõe o reconhecimento do Estado para que seja protegido e, principalmente, o direito à vida do insuficiente. Como os pais protegem a vida de seus filhos após o nascimento, os quais não teriam condições de viver, sem tal proteção à sua fraqueza, e assim agem por imperativo natural, o Estado deve proteger o direito à vida do mais fraco a partir de teoria do suprimento.
Por esta razão, o aborto e a eutanásia são violações ao direito natural à vida, principalmente porque exercidos contra insuficientes. No primeiro caso, sem que o insuficiente possa se defender e no segundo, mesmo que com autorização do insuficiente, porque o insuficiente, levado pelo sofrimento, não raciocina com a lucidez que seria desejável. É violação ao direito à vida o suicídio, pois o suicida é também um insuficiente levado ao desespero do ato extremo, por redução da sua capacidade inata de proteção, constituída pelo intuito de preservação.
Finalizando seu texto, a professora Diniz arremata sua peça cheia de emoção assim (grifos meus):
Não sei se há outras dúvidas sobre a ética das mulheres que desejam antecipar o parto em caso de anencefalia fetal. Se não é eugenia, não é homicídio, tampouco genocídio, a pergunta é: por que obrigar uma mulher a se manter grávida contra sua vontade? Minha hipótese é que não há resposta legítima, por isso a Suprema Corte terá a oportunidade de corrigir um erro histórico que ignora os direitos reprodutivos das mulheres. Não há como reparar a dor vivida por Severina, mas há como cuidar das severinas ainda por vir. A todas elas garantiremos que a dignidade das mulheres não se resume à maternidade compulsória.
No mesmo texto supracitado, o Dr. Ives Gandra responde a essa questão (MARTINS, 1999, p. 135; grifos meus):
Os argumentos, que têm sido trazidos à discussão, de que o aborto não é atentado ao direito à vida, mas o exercício de um direito ao corpo que a mulher possui, não prevalece, visto que se a própria natureza feminina faz-lhe hospedeira do direito à vida de outrem, no momento em que a hospedagem se dá, já não é mais titular solitária de seu corpo, que pertence também a seu filho. E o egoísmo que a leva a assassiná-lo, para fazer dele uso exclusivo de seus apetites, caprichos, conforto ou qualquer outro motivo, representa tirar o direito a outrem que também é titular do corpo materno. Desde a concepção, o corpo feminino pertence a duas vidas e é dirigido por dois seres, a mãe e o filho, e a mãe não pode praticar homicídio para retirar ao filho um direito que possui ao corpo materno, qualquer que seja a conveniência ou o motivo. O corpo já não mais lhe pertence por inteiro e o aborto, em tal caso representa, em verdade, um latrocínio, visto que ao assassinato do filho junta-se o roubo da parte do corpo materno que de direito ao filho gerado pertencia.
A mera publicação desses artigos no portal da Universidade de Brasília não representa apenas a divulgação do pensamento de alguns membros da comunidade acadêmica, muito menos se configura apenas numa divulgação puramente jornalística. A Secretaria de Comunicação da Universidade de Brasília é um órgão de comunicação institucional, não uma central jornalística – ainda que, de maneira recorrente, tenha agido como um chinfrim tablóide esquerdista –, e a publicação de qualquer artigo de opinião através desse órgão pressupõe que o referido artigo se trata do posicionamento oficial da instituição acerca de um dado tema. Assim sendo, é estarrecedor o fato de que uma universidade assuma tal posicionamento, que, como vimos, carece do mais básico rigor acadêmico – isso sem contar na essência ideológica desse posicionamento.
Quando divulga-se que existe sim uma Cultura da Morte, que a implantação dessa cultura é um esforço em escala global financiado por organizações “filantrópicas” de grande porte, e que existem pessoas infiltradas em diversos setores da sociedade brasileira que recebem apoio dessas instituições para promover a Cultura da Morte no País, a opinião geral é de que se trata de uma teoria conspiratória quase apocalíptica, semelhante às visões tétricas de Nostradamus, que não merece um pingo de consideração. Esse pensamento auxilia muito pessoas como a professora Débora Diniz, que tem se valido de constante apoio financeiro da Fundação MacArthur – através de seu FLD (Fund for Leadership Development, ou Fundo para Desenvolvimento de Lideranças) – para promover a agenda abortista nos meios acadêmicos. A evidência é fornecida pela própria Fundação MacArthur.

A Cultura da Morte está avançando a passos largos no Brasil. O papel exercido pelas universidades para a sua implantação – de acordo com o cânone gramsciano-althusseriano – está aí, escancarado, exposto a quem quiser ver. Se cruzarmos os braços diante dessa situação abjeta e ultrajante, não poderemos culpar efetivamente os agentes da Cultura de Morte por fazerem seu serviço sujo: só poderemos culpar-nos a nós mesmos por não assumirmos a nossa responsabilidade de impedi-los. 
Felipe Melo edita o blog da Juventude Conservadora da UnB - Mídia sem máscara

As causas da aprovação do aborto pelo STF no Brasil

Entrevista com especialista em bioética, Padre Hélio

Por Thácio Siqueira

BRASILIA, quarta-feira, 18 de Abril de 2012 (ZENIT.org) – Diante da aprovação do STF sobre o aborto dos anencéfalos Zenit entrevistou o padre Hélio, expert da área de bioética, com a finalidade de refletir um pouco mais sobre as causas dessa aprovação.

O Pe. Hélio é sacerdote diocesano da diocese de Florianópolis (SC), graduado em odontologia pela UFSC, no Brasil, graduado em filosofia e teologia pela Universidade de Navarra, na Espanha, Mestrado em bioética pela mesma Faculdade; Mestrando em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz (PUSC), na Itália, doutorando em bioética pela Faculdade de Medicina do Campus Biomedico di Roma (UNICAMPUS), na Itália e Mebro da Comissão de Bioética da CNBB. Para contato: hélio_bioetica@hotmail.com

A seguir publicamos a entrevista:
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Thácio: O senhor acaba de retornar ao Brasil depois de um período de estudos na Europa. E chegou bem na hora em que o STF aprovava o aborto de bebês anencéfalos. Ainda que os Ministros Brasileiros tenham se sentido portadores de Novas idéias e Revoluções Éticas e Morais, o senhor não acha que estamos diante de pensamentos antigos, que pelo menos há uns dois ou três séculos invadiram o mundo Cristão Ocidental com mais força?

Pe. Hélio: Sem nenhuma dúvida. Toda essa “pseudo-revolução” atual no Brasil – liderada por “pseudo-intelectuais” – não é nada novo na história da humanidade. São ideias da Idade Moderna (séculos XV a XVIII), que foram redesenhadas na primeira metade do século XX e que agora, atrasadamente, chega ao Brasil com maquiagem de ideias pós-contemporâneas. Insisto que é um movimento liderado por “pseudo-intelectuais”, pois não representam de nenhum modo o pensamento e os valores defendidos pela sociedade brasileira. Estes “líderes” querem colocar em prática ideias da Revolução Francesa com o objetivo de “iluminar” o povo brasileiro – mesmo que seja necessário ir contra a vontade deste povo.Thácio: Para o senhor, que acaba de chegar ao Brasil, qual é a impressão que tem ao ver um país com maioria Católica aprovar algo que vai contra a Moralidade Cristã e até mesmo contra a Razão científica e médica? Pe. Hélio: Como você bem diz na pergunta, a decisão contra a vida das crianças anencéfalas não foi apenas uma decisão contra valores cristãos ou católicos. Foi uma aberração jurídica, científico-positiva, ética e moral. O Supremo Tribunal Federal não é competente para realizar a interpretação de uma lei de modo contrário à própria letra da lei, principalmente quando o texto está claramente redatado – este é um princípio básico de hermenêutica jurídica. A questão científica é clara: trata-se de uma vida, pois se a criança estivesse morta não haveria nada para ser julgado. Quanto à ética, é de uma lógica natural que não podemos matar a um inocente. Por fim vem a questão moral, que, baseada na ética, pode ir mais além, assumindo também valores próprios de uma religião, no caso do Brasil a religião Católica e de um modo mais geral as religiões cristãs. Ir contra esses valores não é proclamar a laicidade do Estado, mas fechar os olhos para os valores próprios e históricos de uma nação.Thácio: Será que mais do que uma aprovação do Aborto não se busca uma afirmação de um Governo Laicista que pretende mostrar o seu poder diante de tudo o que seja Religião, principalmente diante daquela instituição que tem maior presença como é a Igreja Católica?Pe. Hélio: Voltamos aqui à questão do modernismo/ Iluminismo. A intenção é fazer que o Estado assuma totalmente a função da religião e tentam fazer isso eliminando os valores próprios da Igreja, como se estes valores não tivessem base no próprio modo de ser humano e não constituíssem os valores e a identidade da Nação. Um Estado laico é necessário – a separação entre Igreja e Estado foi um grande avanço para ambas instituições – porém um Estado laicista, que, ao invés de independência da Religião tenta fazer-se contrário à mesma, é um Estado que desrespeita uma dimensão fundamental do homem – a religiosa. Porém, esquecem que é justamente através dessas manobras laicistas que despertarão “o Gigante brasileiro”, que possui “filhos que não fugirão à luta”.Thácio: As vezes parece que, na nossa "sociedade democrática", todos podem opinar, menos os cristãos e menos ainda os católicos. O senhor acha o mesmo?Pe. Hélio: Se por democracia entendemos um governo representativo dos valores da população, isso não deveria ser assim. Porém, se a interpretação de “sociedade democrática” for a mesma de “sociedade laicista”, o que haverá – e de fato há – será uma clara discriminação e preconceito a todos os tipos de valores não só religiosos, mas também éticos e morais. Hoje em dia o único preconceito válido é contra a Igreja e contra os sacerdotes – para este preconceito não existe lei nem punição. Thácio: Os argumentos utilizados para defender o aborto do bebê anencéfalo, às vezes, são comoventes e com histórias que parecem convincentes. Escuta-se muito por aí, até mesmo de católicos fervorosos e estudados, que seria muito melhor "interromper" a gestação e que esta interrupção não poderia ser chamada de aborto, já que o ser que estava no ventre materno não estava vivo e nem era uma pessoa. O que o senhor acha disso?Pe. Hélio: Se não fosse vivo não poderia ser cometido um aborto. Alguns dirão, é vivo, mas não seria humano. Essas pessoas teriam que explicar que espécie de vida seria então – Vegetal? Animal? Com DNA humano? Os argumentos nesses casos sempre exploram o “sentimentalismo” tão característico do povo brasileiro. Mas não são argumentos racionais e nem mesmo verdadeiros.Thácio: Não podemos negar que se trata de uma situação muito complicada para a mãe, pois sabe que o seu filho, que carrega no ventre, não viverá muito tempo. Porém sabemos que mesmo sentimentalmente as mães sofrerão muito mais por terem sido “carrascos” ou mandantes da morte do seu próprio filho do que pela perda natural do mesmo.
Por exemplo, em grandes cadeias de televisão do nosso Brasil mostraram casos de mães que foram "obrigadas" a levar a gestação adiante e que hoje agradecem o governo brasileiro por terem libertado as mães do Brasil desta escravidão, de terem que levar nos seus ventres uma "criatura morta" e sem vida, sem terem a ajuda legal para poder interromper a gestação, ou seja, abortar. O que o senhor acha disso?
Pe. Hélio: Infelizmente alguns meios de comunicação tem se esforçado por difundir ideias consideradas “politicamente corretas”, ainda quando contrárias à natureza própria do ser humano. A estratégia tem sido fazer acreditar que todo o Brasil está de acordo com essas ideias, sendo que o simples telespectador sente-se uma exceção.

Neste caso específico aproveitaram do sofrimento real dessas mães grávidas de anencéfalos para utilizá-las, estrategicamente. Porém não mostraram nenhum caso de mãe que tenha de fato abortado a seu filho anencéfalo, pois essa verdade não ajudaria na estratégia de aprovação.

Outra estratégia foi a de considerar anencéfalos somente os casos mais graves de anencefalia, desconsiderando – e consequentemente não mostrando – crianças anencéfalas já nascidas, como a menina Vitória, por exemplo, que já tem mais de dois anos e estava presente no julgamento do STF. Assim, a opinião pública foi induzida a acreditar que crianças anencéfalas não possuíam nem mesmo cabeça, ao mesmo tempo em que, na prática, se sabe que o diagnóstico de anencefalia é muito difícil de ser auferido e graduado. A partir de agora, todos os casos – inclusive o de crianças como a Vitória – tornaram-se passíveis de aborto.

Thácio: A lei está aí. Sabemos que lei não é sinônimo de moralidade, mas podem realmente existir leis que vão contra a moralidade?Pe. Hélio: A lei humana deve sempre responder ao bem do homem e ao bem comum da sociedade. Caso contrário, deixa de ser uma lei e torna-se uma violência contra o homem e a sociedade. Sendo assim, cada pessoa tem a obrigação de desobedece-la. 
O nosso dever agora é tentar frear o ativismo legislativo do Supremo Tribunal Federal que surgirá a partir desse juízo. Certamente, decorrente desse último juízo, não tardará a questão do aborto de crianças em outras situações graves. Além disso, de acordo com o voto de muitos dos juízes legitimando o aborto de anencéfalos pela incapacidade dessas crianças de vir a ter consciência plena, não duvidaria que o tema da eutanásia viesse a ser a seguinte polêmica.

Saúde para você!


                                    CF 2012 - Fraternidade para Saúde        

Dom Cristiano Krapf
O manual da Campanha deste ano comenta os serviços públicos de saúde. Elogia o objetivo do SUS de oferecer um atendimento de qualidade a todos e indica caminhos para superar as deficiências que ainda existem. Uma conquista importante foi a diminuição da mortalidade infantil, mas a situação ainda precisa melhorar. 
Também a criança ainda não nascida tem o direito de ter sua vida protegida desde o ventre materno que deveria ser o lugar mais seguro do mundo, pelo amor dos pais. 
A Igreja tem o direito e a obrigação de defender o direito à vida, o fundamento de todos os direitos humanos. Defensores do aborto chegam ao absurdo de justificar práticas abortivas em nome dos direitos da mulher. Só falta proibir que a Igreja diga que provocar aborto é pecado.  O caso complicado de anencéfalos serve de pretexto para aqueles que pretendem liberar a eliminação de crianças até a hora de nascer.  Alguns países chegam a tolerar também que sejam mortas crianças já nascidas com defeitos, e velhos doentes, como foi feito por nazistas e outros que querem selecionar uma raça humana “melhor”. Uma tendência infelizmente apoiada por setores da ONU.
Quanto às praticas homossexuais é até perigoso dizer que são pecados. Pelo menos não são atentados diretos contra a vida. A Igreja deve deixar bem claro que o pecado não está nos sentimentos. Ter uma tendência, adquirida ou de nascença, é uma coisa, deixar-se levar por ela para procurar os prazeres do sexo fora do contexto da família unida pelo amor e chamada a colaborar com o Criador é outra. Todos devem aprender a não ceder a desejos contrários à vocação espiritual que nos diferencia dos bichos.
Denunciar as falhas nos serviços de saúde do Governo pode contribuir para melhorar, mas a CF deste ano é para motivar cada um a fazer o que pode pela saúde dele mesmo e dos outros. Fraternidade requer conversão pessoal para participar na construção de um mundo melhor para todos.      
Convertei-vos, e fazei penitência!        Convertei-vos e crede no Evangelho
Algumas observações podem ajudar a pensar para melhorar
1)      Muitas doenças são causadas por comportamentos pouco saudáveis.
2)      Milhões de pessoas estão doentes por comida mal escolhida.
3)      Milhões de pessoas estão doentes por não ter o que comer.
4)      Milhões de pessoas estão doentes por comer demais.
5)      Outros milhões estão doentes por falta de água limpa.
6)      Outros milhões têm doenças causadas por cigarros e bebidas.
7)      Alguns milhões estão em hospitais por causa de motoristas que beberam.
Com a eliminação dessas sete causas de problemas, os recursos atuais do SUS dariam para oferecer ao povo brasileiro inteiro um bom serviço de saúde. O problema é este: Como conseguir tais mudanças de comportamentos e atitudes?
No nosso tempo que está chegando aos limites do esgotamento dos recursos naturais, as mudanças necessárias só vão acontecer na medida em que passamos a colocar o bem comum acima dos interesses pessoais. O caminho para conseguir água boa e alimentação saudável pra todos passa por uma distribuição melhor dos recursos da terra, coisa que requer mudanças radicais, não só das leis, mas das pessoas.   
Se Deus pode tudo e nos ama, por que não nos dá de presente muita saúde, muitos amigos, prosperidade e tudo mais que queremos para nossa felicidade? Olhando bem, podemos ver que a maior parte dos sofrimentos é resultado da desobediência nossa ou de outros aos ensinamentos de Deus. Ele nos indicou o caminho da felicidade.
O primeiro passo no caminho de um mundo mais saudável é cada um cuidar de sua própria saúde, evitar tudo que possa causar doenças e atrapalhar o convívio com os outros. Muitas doenças têm suas causas na própria pessoa. A doença do alcoolismo, por exemplo, é causada pelo vício da bebida. Diz a CF que um em quatro brasileiros bebe demais, e uma em dez brasileiras também.
Além das doenças causadas pela bebida, ela ainda contribui para 60% dos desastres no trânsito com todas as suas consequências. Coisa pior ainda são os estragos da bebida no convívio familiar.  A miséria de milhões de crianças é agravada por pais que gastam dinheiro com bebidas e amantes e trazem doenças com esses pecados.
Está na hora de bolar uma campanha para valer contra o alcoolismo, algo parecido com a campanha contra os males do cigarro. Será mais difícil, porque os interesses envolvidos são maiores.     Um primeiro passo seria cobrar impostos mais pesados sobre bebidas e artigos de luxo.  Para não pressionar a inflação, fazer outra coisa importante: Eliminar impostos sobre alimentos básicos e serviços essenciais.
Outros estragos são causados por outras drogas que costumam ter seu início no vício da bebida e da maconha. O Governo deve entrar mais pesado contra traficantes, com a colaboração do povo que precisa estar atento e perder o medo de denunciar aqueles que estragam o futuro de tantos jovens para ganhar seu dinheiro. Mas a nossa missão mais importante não é reprimir, mas prevenir. Devemos educar os jovens para resistir às tentações dos vendedores de ilusões.
A humanidade já não tem mais muito tempo para desistir do caminho sem volta da exploração predatória dos recursos naturais.  A terra não consegue oferecer a todos uma vida de rico. Sem mudanças radicais de mentalidades e atitudes teremos conflitos piores que todas as guerras do passado. Devemos aprender a colocar o bem comum da humanidade inteira acima dos interesses de cada pessoa, ou de classes ou nações.
Estamos num tempo de pregadores milagreiros que prometem cura e prosperidade para seus adeptos, numa volta à mentalidade do Antigo Testamento que esperava de Deus prêmios terrenos para os fiéis e castigos para os outros. Falsos profetas ensinam que ter fé seria esperar de Deus a solução dos problemas, em vez de cada um fazer a sua parte para colaborar com Deus na construção de um mundo melhor para todos.
 Quanto aos que acham que Deus deveria fazer mais intervenções diretas do seu poder divino para resolver as dificuldades dos crentes e evitar doenças e desastres, vão aqui algumas dicas com perguntas para pensadores:
Quanto à saúde: Se não existissem doenças, quem daria valor à saúde?
Quanto ao problema da morte:  Será que a vida nesta terra seria melhor se ninguém pudesse morrer?    
Se a sua felicidade está em ter tudo que quer, ofereço uma pista para conseguir o que deseja: Para ter tudo que quer, é só querer apenas o que pode ter.
Bons serviços de saúde para todos!        Água limpa para todos!

fevereiro 29th, 2012 - Texto modificado e aumentado em 12 de abril

Dom Cristiano Krapf
Bispo de Jequié

Cirurgiões britânicos criam novo crânio para menino

05/05/2011 - 10h50 - Nick Dwyer - Especial para BBC
Foram doze longos meses de espera para Finley e sua família até a cirurgia
  • Foram doze longos meses de espera para Finley e sua família até a cirurgia
Em um dos lados da sala de cirurgia, o menino Finley, com um ano de idade, está inconsciente.  O crânio do paciente foi removido e seu cérebro está exposto.
  • Finley nasceu com uma rara doença genética conhecida
    como Síndrome de Apert
Do outro lado da sala, o especialista em cirurgias plásticas de reconstrução David Johnson corta, serra e separa as diversas partes do crânio de Finley antes de juntá-las novamente para criar um crânio com novo formato.
Dentro de 30 minutos, o médico começará a colocar o crânio remodelado sobre o cérebro de Finley, costurando o couro cabeludo do paciente, em zigue-zague, de uma orelha até a outra.
No andar de cima, na sala de espera do John Radcliffe Hospital, em Oxford, na Inglaterra, os pais de Finley aguardam, ansiosos, pela notícia de que a operação correu bem e de que seu bebê está seguro.
Foram doze longos meses de espera para o casal Diane e Lee Amey.
Diferente
Quando Finley nasceu, em Salisbury, na Inglaterra, seus pais logo notaram que ele era diferente. "Sua cabeça tinha um formato estranho, com um chifre, como um rinoceronte", disse o pai. "Suas mãos estavam grudadas e seus olhos eram esbugalhados".
A família foi vista pela Unidade Craniofacial do John Radcliffe Hospital e os médicos constataram que Finley sofria de uma rara condição genética chamada Síndrome de Apert.
Crianças que sofrem desta síndrome apresentam vários problemas associados ao crescimento. Todos nós temos suturas em nossos crânios, elas permitem que o cérebro em crescimento empurre as placas do crânio para que ele se expanda. Em crianças com Síndrome de Apert, no entanto, as suturas são coladas. Isto explica o formato distorcido do crânio de Finley e os olhos esbugalhados.
Na medida em que o cérebro cresce, a pressão pode aumentar dentro do espaço restrito no interior do crânio da criança e isto pode ser perigoso. O hospital faz complexas cirurgias para remodelar o crânio dos bebês, criando espaço para que o cérebro cresça.
É uma cirurgia extraordinária.
"É como carpintaria em 3D", disse David Johnson. "Muitas das técnicas que usamos são similares (às da carpintaria), porém o material com que trabalhamos é osso".
Após quatro ou cinco horas, a cirurgia de Finley é concluída e ele é levado para a UTI. Os pais veem um bebê que parece diferente após a cirurgia e que é capaz, pela primeira vez, de fechar seus olhos.  No entanto, esta não é a última cirurgia a que o menino terá de ser submetido.
Síndrome de Apert
Bebês que sofrem da Síndrome de Apert nascem com os dedos das mãos e dos pés colados, então Finley será submetido a outras cirurgias para que consiga usar suas mãos.
E embora o problema com seu crânio tenha sido resolvido, sua face não crescerá em proporções normais. Dentro de alguns anos, uma outra operação vai separar os ossos de seu rosto. Depois, ao longo de alguns meses, uma estrutura de metal colocada em sua cabeça irá empurrar os ossos de sua face para a frente.
A equipe do John Radcliffe Hospital faz três grandes cirurgias de cabeça por semana. No entanto, apenas 20% dos pacientes com Síndrome de Apert têm uma alteração genética que requer várias operações.
Na maioria dos casos, os bebês nascem com uma das suturas da cabeça colada, normalmente em consequência de pressão mecânica no útero. Nesses casos, apenas uma operação para remodelar seus crânios é necessária.
Além dos cirurgiões plásticos, as crianças são vistas por neurocirurgiões, fonoaudiólogos, optometristas e psicólogos. Os terapeutas oferecem suporte aos pais durante períodos de estresse e também os auxiliam a lidar com o estigma associado à síndrome.
"O mais difícil são as pessoas olhando para ele", disse o pai de Finley, Lee Amey. "No começo, achava isso muito difícil, mas hoje incentivo as pessoas a fazer perguntas para que eu possa explicar o que aconteceu".
"Finley não é diferente de ninguém. Ele apenas parece diferente".
Fonte - em Inglês - BBC

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Nova Evangelização e "Evangelii Nuntiandi": anunciadores do Evangelho, servidores da verdade



Amigo ouvinte/leitor, chegamos ao nosso encontro semanal dedicado à nova evangelização, tendo em vista a XIII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, a realizar-se, no Vaticano, de 7 a 28 de outubro próximo com o tema "A nova evangelização para a transmissão da fé cristã".

Nesse sentido, demos continuidade à nossa revisitação à "Evangelii Nuntiandi", Exortação Apostólica de 1975, em que o Papa Paulo VI nos fala, dentre outros, sobre os tempos novos da evangelização, prefigurando a nova evangelização – questão prioritária para a Igreja em nossos dias.

Em nossa revisitação encontramo-nos no VII e último capítulo do importante documento magisterial, capítulo este dedicado ao espírito da Evangelização, no qual o Papa Montini discorre sobre as "disposições interiores que hão de animar os obreiros da evangelização". De fato, trouxemos o tema "Sob a inspiração do Espírito Santo" (n. 75); "Testemunhas autênticas" (n. 76); e "Artífices da unidade" (n. 77) – este último, do qual nos ocupamos na edição passada.

Nele, o Paulo VI afirma que "a sorte da evangelização está ligada ao testemunho de unidade dado pela Igreja", insistindo sobre "o sinal da unidade entre todos os cristãos como via e instrumento da evangelização", e exortando a que se colabore com maior empenho com os irmãos cristãos com os quais ainda não se alcançou uma comunhão perfeita, a fim de se dar "mais amplo testemunho comum de Cristo diante do mundo".

Mas passemos agora ao nº 78 da Exortação Apostólica, número este em que nos fala, de modo eloqüente, sobre os anunciadores do Evangelho como "Servidores da verdade". Diz o texto:

78. "O Evangelho de que nos foi confiado o encargo é também palavra da verdade. Uma verdade que torna livres(126) e que é a única coisa que dá a paz do coração, é aquilo que as pessoas vêm procurar quando nós lhes anunciamos a Boa Nova. Verdade sobre Deus, verdade sobre o homem e sobre o seu misterioso destino e verdade sobre o mundo. Difícil verdade que nós procuramos na Palavra de Deus e da qual nós somos, insistimos ainda, não os árbitros nem os proprietários, mas os depositários, os arautos e os servidores.


Espera-se de todo o evangelizador que ele tenha o culto da verdade, tanto mais que a verdade que ele aprofunda e comunica, outra coisa não é senão a verdade revelada; e, por isso mesmo, mais do que qualquer outra, parcela daquela verdade primária que é o próprio Deus. O pregador do Evangelho terá de ser, portanto, alguém que, mesmo à custa da renúncia pessoal e do sofrimento, procura sempre a verdade que há de transmitir aos outros. Ele jamais poderá trair ou dissimular a verdade, nem com a preocupação de agradar aos homens, de arrebatar ou de chocar, nem por originalidade ou desejo de dar nas vistas. Ele não há de evitar a verdade e não há de deixar que ela se obscureça pela preguiça de a procurar, por comodidade ou por medo; não negligenciará nunca o estudo da verdade. 

Mas há de servi-la generosamente, sem a escravizar.


Enquanto Pastores do povo fiel, o nosso serviço pastoral obriga-nos a preservar, defender e comunicar a verdade, sem olhar a sacrifícios. Tantos e tantos Pastores eminentes e santos nos deixaram o exemplo, em muitos casos heróico, deste amor à verdade. E o Deus da verdade espera de nós precisamente que sejamos os defensores vigilantes e pregadores devotados dessa mesma verdade.
Quer sejais doutores, teólogos, exegetas ou historiadores, a obra da evangelização precisa de todos vós, do vosso labor infatigável de pesquisa e também da vossa atenção e delicadeza na transmissão da verdade, da qual os vossos estudos vos aproximam, mas que permanece sempre maior do que o coração do homem, porque é a mesma verdade de Deus.
Pais e mestres, a vossa tarefa, que os múltiplos conflitos atuais não tornam fácil, é a de ajudar os vossos filhos e os vossos discípulos na descoberta da verdade, incluindo a verdade religiosa e espiritual."

De fato, nesse contexto das disposições interiores que hão de animar os obreiros da evangelização, o Papa Paulo VI conclui com uma premente exortação aos pais e mestres, exortação esta que, à distância de quase 40 anos, conserva toda a sua atualidade.

Amigo ouvinte/leitor, por hoje nosso tempo já acabou. Semana que vem tem mais, se Deus quiser! (RL) - 
Cidade do Vaticano (RV)  Cultura e sociedade; 30/04/2012 16.12.03 

Ninguém nasce homossexual, diz Luiz Mott

A questão da ideologia homossexual já está bastante esclarecida na aba homossexualismo de nosso blog.  Lá, podemos verificar que o Relatório Kinsey, fundamento da ideologia homossexual, é uma pesquisa viciada, baseada em informações falsas

Luiz Mott, líder do movimento homossexual do Brasil, afirmou em rede nacional de televisão que ninguém nasce homossexual e que as pessoas podem mudar.


Numa participação no "Programa do Jô", na Rede Globo, Luiz Mott disse ao apresentador que ele é um “ex-heterossexual”: 

“Eu sou um ex-heterossexual como existem ex-gays, pessoas que não eram 100% homossexuais”, disse Mott. “Eles tiveram algumas experiências, não gostaram e daí passaram para o outro lado”.

Embora Mott tenha atribuído a mudança às pessoas que não eram “100% homossexuais”, ele explicou para o apresentador Jô Soares que  a sexualidade humana é cultural. Disse acreditar que “todos os seres humanos têm, como Freud diz, um desejo bissexual”, e que a preferência sexual é algo flexível e mutável. 

“Felizmente, a sexualidade humana é cultural, é construída e pode mudar. Eu acho que não vou mudar mais porque já to muito acostumado e feliz”, ele disse para Soares.

Homossexualismo não gera vida humana.  Ciente dessa lei natural, o líder homossexual pede aos heterossexuais que tenham filhos, para serem transformados em "novos gays", "novas lésbicas": 


"Nós precisamos de vocês heterossexuais para que produzam filhos que se tornem novos gays, novas lésbicas."  - "Programa do Jô", aqui


Parece-nos que não é preciso dizer mais nada!
Dom Luiz Gonzaga Bergonzini
 Bispo Emérito de Guarulhos
     Jornalista MTb 123
www.domluizbergonzini.com.br

Jovens de Papua Nova Guiné prontos para a JMJ no Rio



Port Moresby (RV) – Os jovens da Papua Nova Guiné estão entusiasmados e prontos para participar da Jornada Mundial da Juventude que se realizará no Rio de Janeiro em 2013.

"Muito dependerá deles, de como cuidarão de sua formação e o tempo de preparação", declarou à Agência Fides Pe. Shanthi Puthussery, coordenador nacional da Pastoral juvenil. Ele recorda que a participação dos jovens na JMJ teve início com a edição de Sidney em 2008. Depois, alguns foram também a Madri, na Espanha, em 2011. Para muitos dos participantes, foi realmente uma experiência significativa, sobretudo para sua vida espiritual no caminho de fé. Mas, afirma o sacerdote, "havia alguns pontos fracos: algumas dioceses na realidade não tinham selecionado e preparado bem os jovens".

Por isso, hoje é importante "cuidar da formação, da preparação e da seleção de jovens engajados e motivados. A JMJ é uma peregrinação de fé para aqueles que já estão envolvidos na vida da Igreja local e em caminho espiritual pessoal".

A Pastoral juvenil difundiu nas dioceses e centros juvenis católicos de Papua Nova Guiné e Ilhas Salomão um livreto que "permitirá aos jovens iniciar a ler a Escritura, em especial o Evangelho de Mateus, com uma introdução sobre a Eucaristia, e a história da Igreja local desde o período em que foi instituída pelos missionários".

Outro livreto é intitulado "A transmissão da Fé", sobre os atuais obstáculos em transmitir a fé cristã de uma geração a outra. "Um texto pensado para o apostolado dos leigos, mas que se aplica perfeitamente aos jovens", declarou Pe. Puthussery. (BF)

Radio Vaticana - Home > Igreja > 30/04/2012 14.36.20 

As “novinhas” do funk e a apologia da pedofilia

Por Everth Queiroz Oliveira
Já há algum tempo queria escrever sobre este assunto – a apologia da pedofilia estampada nas músicas de funk. Só agora arranjei tempo para fazer um artigo em cima deste tema, e já aproveito para manifestar o desejo de analisar também outras letras de música, não só as de funk. A modernidade conseguiu produzir um verdadeiro “lixo musical”, trazendo composições asquerosas, que beiram a irracionalidade. O próprio ritmo das canções é organizado a fim de permitir a licenciosidade, a “baixaria”, a promiscuidade.
Escrevi, há alguns dias, um texto comentando as profecias do Papa Paulo VI sobre as consequências que experimentaria o Ocidente ao aceitar a mentalidade contraceptiva. Deixe-me retomar trecho da declaração do Santo Padre, a fim de orientar melhor esta reflexão. Ele fala, por exemplo, de “infidelidade conjugal” e “degradação da moralidade”; prevê a interferência do Estado em questões éticas que deveriam ser resolvidas pelo núcleo familiar; e, por fim – e este é o ponto principal a ser tratado neste texto -, alerta para o perigo de que se “acabe por perder o respeito pela mulher”. Destaco:
“É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada.”Humanae Vitae, n. 17
Normalmente, quando o Papa se manifesta, as pessoas agem com indiferença, não dão muita credibilidade ao que é dito. Os homens fazem-se “senhores de si mesmos” e tendem a interpretar qualquer expressão que lhes contrarie como mentira, exagero ou algo do tipo. Mas, eis que as profecias de Montini se cumpriram… Mais uma vez, o velho senhor de batina branca está certo. O “respeito pela mulher” foi totalmente perdido. São raríssimas as letras compostas nos últimos anos que apelam para a valorização da personagem feminina, de sua beleza, de seu charme e de outras de suas qualidades. Nas canções hodiernas, a mulher fica reduzida a um “simples instrumento de prazer egoísta”.
Isto pode ser facilmente notado de modo especial nas letras das músicas do que hoje se chama de “sertanejo universitário” – que muitas vezes se manifesta como uma “vulgarização” da autêntica música sertaneja – e também nas letras do ritmo funk. E é sobre esta última música que falaremos, especificamente.
Ultimamente, as letras deste ritmo estão usando muito o termo “novinha”.  Procuro o termo no Letras.com.br e encontro até bandas (!) com a expressão em seus nomes.  Afinal, quem são estas “novinhas” do funk?  Partamos à análise de algumas letras, a fim de descobrirmos quem são estas personagens. A primeira música é “Novinha, vê se me escuta”, cantada por Mc Deeh e Mc Geovane:
Aos 15 anos de idade a novinha saía a curtir baile funk,
fexava com Mc Deeh e também com Mc Geovane,
Quando nóis chegamo no baile as novinha já tudo se assanha,
no baile funk bombando, o Geovane e o Deeh, os muleque piranha…”
A primeira letra já enuncia de que faixa etária estamos falando. “Novinha” diz respeito à idade da mulher. Neste caso, quem dança com sensualidade é a menina de “15 anos de idade”. Mas não fica só nisso porque, no decorrer do baile, os funkeiros partem pra cima da garota e têm relações sexuais com ela (“nóis leva as novinha pro canto, dá uma letrinha, que ela se entrega”).
Em outra música, de Mc Frank, de nome“Vai novinha” (sic), a referência ao sexo é ainda mais explícita (“eu vou te deixar maluca, tu vai ficar suadinha”). No fim da música, o sujeito diz claramente o que vai fazer com a “novinha”, falando de modo direto como será feito o sexo – não reproduzo o trecho aqui por ser altamente obsceno. Da mesma forma acontece na música “Novinha, tu tá sentindo” (sic), de Mc Smith; ali, ele leva a “novinha” para um lugar reservado justamente para, novamente, ter sexo com ela.
A segunda letra que analisamos é “14 e 37” – outra menção à idade das mulheres -, na qual Mc Dido e Digão discutem qual a melhor escolha: se são as garotas mais jovens – isto é, as “novinhas” – ou as mulheres mais velhas – que na música são chamadas carinhosamente de “velha[s] de bunda fraca”. Abaixo, o trecho no qual Mc Dido defende o uso das “novinhas” para a obtenção de seu prazer sexual.
“Mas escuta mano Digão, você tá de palhaçada
 trocando as novinha pras velha de bunda fraca
Sem neurose eu dou-lhe o papo, sou Dido, canto e não minto
Não esqueça das novinha, esquece as velhas de peito caído
Olha eu vou te dar o papo, Digão, vê se me escuta, vê se larga
Essas velhas, velha da [CENSURADO] murcha, mas eu vou te dar o papo
Tranquilão não faço pose, que se dane as de 37 eu prefiro as de 14…”
A faixa etária destas meninas é de 14 anos! Considerando a idade daqueles que mantêm relações sexuais com elas, configura-se, aqui, crime de pedofilia. Mas, afinal, para que respeitar a Lei? Em outra letra, de Mc Kelvin, de nome“Novinha safada”, o indivíduo comemora a revogação do art. 214 do Código Penal, que era, como informou o Jefferson Nóbrega, “o artigo que caracterizava o atentado violento ao pudor”. Nessa música, o moleque se mostra aberto ao relacionamento com “novinhas” de outras idades, além das já expostas (“17, 16, vem de 15 e 14, não posso me esquecer das de 13 e as de 12…”).
Está clara a defesa que estes homens do funk fazem da pedofilia, mostrando a que ponto chegou a “degradação da moralidade” no nosso século. Ao lado deste uso da mulher como objeto sexual, ao lado deste desrespeito à sua dignidade, caminha a própria violência. Para encerrar este post, trago aqui trecho da letra “Novinha”, de Mc Martinho. Mais que sexo, o que este último quer mesmo é matar com violência a garota que dança.
“Eu vim te falar do meu proceder
Descubra você todo meu sentimento
Mais se debochar,  logo avisar
Que duas pistola é meu fundamento
É melhor não faltar com respeito
Sujar o meu nome perante a favela
Que eu te deixo esticada no chão
Dou tiro na sua mão e quebro suas pernas
Eu vou te levar pro microondas, mas antes eu rasgo
Seu corpo na bala

Pra família te reconhecer, só mesmo no exame da arcada dentária.”
Essas letras criminosas tocam em bailes funk e as pessoas dançam e cantam como se nada de mais estivesse acontecendo, como se fosse apenas uma canção ou um ritmo que as pessoas “curtem”. O fato é que composições como as vistas acima não podem ser encaradas nem como legítimas manifestações culturais, posto que uma cultura que degrada e rebaixa a mulher à vileza, à violenta submissão e à condição de objeto, uma cultura que exalta a pedofilia e a pornografia infantil, uma cultura que perdeu a própria noção de decência, é dotada de um permissivismo que coloca em xeque os próprios fundamentos da nossa Civilização. Quantas crianças não são cruelmente jogadas neste “lixo” que é produzido todos os dias ao redor deste Brasil? Quantos pais não ensinam seus filhos a ouvirem e dançarem estas aberrações, formando para o futuro “novinhas” prontas para ser assediadas por esses sujeitos indecentes?
Pior do que não crer no inferno é fazer, já da vida neste mundo, um verdadeiro inferno para as famílias e para a toda a sociedade. E é esta a contribuição do funk para o nosso tempo.
Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!
* * *
Esta postagem foi escrita com o apoio indispensável do artigo Quem são “as novinhas” do funk? A apologia à pedofilia e a erotização precoce, do blog O Candango Conservador.