sábado, 21 de abril de 2012

Aparecida: bispos enviam mensagem ao Papa




Aparecida (RV) – O primeiro documento aprovado pela Assembleia Geral da CNBB foi divulgado nesta sexta-feira: é uma mensagem ao Papa Bento XVI.

O texto começa informando o Santo Padre sobre o encontro: “Nós, Bispos do Brasil, estamos reunidos para a Assembleia Geral da nossa Conferência Episcopal, junto do Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Somos quase 300 bispos, reunidos para rezar, refletir e tomar decisões para o bom exercício da nossa missão episcopal e para o bem das nossas Comunidades Eclesiais".

A mensagem destaca também datas importantes que fazem parte dos debates. "Esta é a 50ª Assembleia Geral de nossa Conferência que, neste ano, comemora também o 60º aniversário de sua criação. Nesta reunião jubilar iniciamos as comemorações do 50º aniversário do Concílio Vaticano II, que se estenderão por quatro anos no Brasil; durante esse período, procuraremos ouvir de novo a voz do Espírito, que falou no Concílio Vaticano II, dando especial destaque ao Ano da Fé e ao precioso dom do Catecismo da Igreja Católica.

A seguir, os bispos informam Bento XVI sobre os objetivos da Assembleia. "No tema principal de nossa Assembleia Geral – ‘A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja’ – queremos acolher melhor em nossas Dioceses a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Verbum Domini, de Vossa Santidade. Somos ministros e servidores da Palavra de Deus para nossos irmãos e para o mundo".

O início do oitavo ano de Pontificado do Papa, comemorado nesta quinta-feira, também foi lembrado pelos bispos. "Santo Padre, ao recordamos o 7º aniversário de sua eleição, como Sucessor de Pedro, queremos expressar nossas especiais congratulações a Vossa Santidade. Nesta manhã, já oferecemos a Santa Missa em sua intenção, pedindo que o Senhor Ressuscitado o fortaleça e o conserve com saúde, para confirmar os irmãos na fé. Que o Espírito Santo o assista sempre no exercício do Ministério Petrino. Elevamos nossa ação de graças pelo dom que Deus fez à Igreja, ao chamar Vossa Santidade ao Pontificado neste momento particularmente exigente da vida da Igreja, no início do século XXI. A profundidade dos documentos que Vossa Santidade tem dado à Igreja, a clareza de seus pronunciamentos, a busca da comunhão que transparece em suas decisões, são inspiradoras para o exercício do nosso ministério pastoral e nos encorajam a continuarmos a ser sempre fiéis a Nosso Senhor e ao Evangelho, mesmo em meio a dificuldades, incompreensões e sofrimentos. Pedimos que o Espírito de Deus fortaleça e conforte o coração de Vossa Santidade e o recompense pelo valioso serviço prestado a toda a Igreja e à humanidade".

Por fim, a mensagem fala sobre a preparação para JMJ Rio 2013. "Temos a certeza de que esse novo encontro do Papa com os jovens do mundo inteiro trará muitos frutos para a nova evangelização e a transmissão da fé cristã. Ao manifestarmos nossa adesão e fidelidade ao Magistério do Sucessor de Pedro, invocamos para nós, para nossos fiéis e todo o povo brasileiro sua paterna Bênção Apostólica”.

Bispos eméritos 

A celebração dedicada aos bispos eméritos também marcou o terceiro dia da 50ª Assembleia Geral da CNBB. Presidida pelo Arcebispo emérito de São Paulo, Cardeal Claudio Hummes, em sua homilia salientou a presença de mais de 180 bispos eméritos brasileiros e a possibilidade de ajuda que esse grupo pode dar aos bispos na ativa. Recordou ainda que eles são fortes de experiência e vontade de ajudar a Igreja no Brasil.

Tema central dos trabalhos

O tema central dos trabalhos “A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja”, centralizou as atividades desta manhã com a apresentação do tema e dos trabalhos em grupo para a apresentação de emendas ao texto final do documento. Na parte da manhã foram apresentados informativos econômicos e também o tema da Doutrina da Fé no âmbito dos 20 anos do Catecismo da Igreja Católica.

Prêmio de Comunicação CNBB

A sexta-feira termina com uma celebração ecumênica. Às 20h30, no auditório da TV Aparecida, serão entregues os prêmios de comunicação da CNBB: “Margarida de Prata”(cinema), “Clara de Assis” (TV); “Microfone de Prata” (Rádio) e “Dom Helder Câmara” (Imprensa).

Do Santuário Nacional de Aparecida para a Rádio Vaticano, Silvonei José



Radio Vaticana

No Vaticano, cientistas estudam a "aspiração universal da humanidade"



Cidade do Vaticano (RV) - De 27 de abril a 1º de maio, a Pontifícia Academia das Ciências Sociais realizará sua XVIII Assembleia Plenária da Pontifícia Academia das Ciências Sociais. O tema desta sessão será: “A demanda global de ‘Tranquillitas Ordinis’”, inspirado nos 50 anos da encíclica Pacem in Terris, assinada por João XXIII em abril de 1963.

A Pontifícia Academia das Ciências Sociais foi criada para promover o estudo e o progresso das ciências sociais. Através de seu trabalho, oferece à Igreja elementos para o desenvolvimento da doutrina social e estuda os efeitos de sua aplicação na sociedade contemporânea.

Fundada em 1º de janeiro de 1994 pelo Papa João Paulo II, a instituição tem estudado fundamentalmente três temas: trabalho e desenvolvimento; democracia, e a dimensão social da globalização.

A sede da Academia se encontra na Casina de Pio IV, no coração dos Jardins Vaticanos.
A atual Presidente da Pontifícia Academia das Ciências Sociais é a professora de Direito na Faculdade de Jurisprudência da Universidade de Harvard, Mary Ann Glendon, nomeada em 19 de janeiro de 1994 por João Paulo II, tendo sido a primeira mulher a assumir a presidência de uma Academia Pontifícia.
(CM) - Radio Vaticana

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Bancada Evangélica ou Frente Parlamentar Evangélica

Bancada Evangélica: Saiba qual igreja cada um dos deputados da Frente Parlamentar Evangélica frequenta
Com os crescentes debates, no meio político brasileiro, de temas como casamento gay, kit homofobia, liberdade religiosa, aborto, e outros que atingem diretamente os princípios defendidos pelos cristãos, a chamada Bancada Evangélica da Câmara dos Deputados vêm ganhando grande notoriedade nacional.
Organizados em um órgão não reconhecido oficialmente pelo governo, chamado Frente Parlamentar Evangélica, esses deputados representam diversas denominações evangélicas brasileiras e afirmam defender os interesses dos cristãos brasileiros e os principios familiares.
Mesmo não sendo parte de um único partido político, o grupo, que cresceu mais de 50% nas últimas eleições (2010) e tem conseguido algumas vitórias em assuntos que suscitam polêmicas, já é considerado um dos mais influentes do cenário político nacional.
Confira na lista abaixo a igreja e partido a que faz parte cada um dos deputados da Bancada. Os dados são do site da Frente Parlamentar Evangélica.
Igreja Metodista
  • Walney Rocha – PTB/RJ
  • Áureo – PRTB/RJ
Igreja Presbiteriana
  • Lilian Sá – PR/RJ
  • Leonardo Quintão – PMDB/MG
  • Laéricio Oliveira – PR/SE
  • Edmar Arruda – PSC/PR
  • Edinho Araújo – PMDB/SP
  • Benedita da Silva – PT/RJ
  • Anthony Garotinho – PR/RJ
  • Vaz de Lima PSDB/SP
Igreja Maranata
  • Mannato – PDT/ES
Igreja Internacional da Graça
  • Dr. Grilo – PSL/MG
  • Dr. Adilson Soares – PR/RJ
  • Jorge Tadeu Mudalem DEM/SP
Igreja Nova Vida
  • Washington Reis – PMDB/RJ
Igreja Cristã Evangélica
  • Iris de Araújo – PMDG/GO
Igreja Mundial do Poder de Deus
  • Missionário José Olimpio – PP/SP
  • Francisco Floriano – PR/RJ
Igreja Brasil para Cristo
  • Roberto de Lucena – PV/SP
Igreja Cristã do Brasil
  • Bruna Furlan – PSDB/SP
Igreja Assembleia de Deus
  • Zequinha Marinho – PSC/PA
  • Takayama – PSC/PR
  • Sabino Castelo Branco – PTB/AM
  • Ronaldo Nogueira – PTB/RS
  • Ronaldo Fonseca – PR-DF
  • Paulo Freire – PR/SP
  • Pastor Eurico – PSB/PE
  • Pastor Marco Feliciano – PSC/SP
  • Lauriete – PSC/ES
  • João Campos – PSDB/GO
  • Fernando Frascisshini – PSDB/PR
  • Filipe Pereira – PSC/RJ
  • Fátima Pelaes – PMDB/AP
  • Erivelton Santana – PSC/BA
  • Costa Ferreira – PSC/MA
  • Antônia Lúcia – PSC/AC
  • Cleber Verde – PRB/MA
  • Anderson Ferreira – PR/PE
  • Lindomar Garçon – PV/RO
  • Marcos Rogério – PDT/RO
  • Nilton Capixaba – PTB/RO
  • Silas Câmara – PSC/AM
  • Zé Vieira – PR/MA
  • Marcelo Aguiar – PSC/SP
Igreja Universal Do Reino De Deus
  • Heleno – PRB/SE
  • Márcio Marinho – PRB/BA
  • Otoniel Lima – PRB/SP
  • Vitor Paulo – PRB/RJ
  • George Hilton – PRB/MG
  • Antonio Bulhões – PRB/SP
  • Jonathan De Jesus – PRB/RR
Igreja Do Evangelho Quadrangular
  • Jefferson Campos – PSB/SP
  • Mário de Oliveira – PSC/MG
  • Jusué Bengtson – PTB/PA
Igreja Sara Nossa Terra
  • Eduardo Cunha – PMDB/RJ
Comunidade Shamá
  • Henrique Afonso – PV/AC
Fonte: Gospel+

Aborto, debate: Dr. Cícero Harada versus advogadas favoráveis ao aborto

De “O Projeto Matar e o Projeto Tamar: o Aborto” a “Eu tenho medo” – Um breve histórico
Cícero Harada
Cícero Harada, advogado e Procurador do Estado de São Paulo, no artigo em defesa da vida, “O Projeto Matar e o Projeto Tamar: o Aborto”, demonstrou a incoerência que se criará no Brasil, caso se aprove o PL 1135/91 que visa a descriminalizar o aborto. É crime destruir um único ovo de tartaruga, no entanto, o aborto, que é e sempre será a destruição de uma vida humana, poderá ser permitido. Esta barbárie defendida por alguns grupos, muitos dos quais financiados por organizações estrangeiras, constitui situação afrontosa e inaceitável à razão e ao bom senso.
Tal artigo causou a fúria dos que lutam pela liberação do aborto no Brasil. A Dra. Profa. Heleieth Saffioti escreveu artigo repleto de distorções e inverdades, no qual, em vez de rebater os argumentos do Dr. Harada, ataca e agride pessoas e instituições. Desviou do assunto e disse o que quis: ela não contestou minimamente nenhum dos argumentos expostos. A professora tentou legitimar sua desconjuntada tese, com o argumento de autoridade, salientando que é doutora e autora de doze livros, mas nada refutou com lógica e seriedade. A réplica da Doutora Saffioti – apreciada, apoiada e defendida por pessoas e entidades simpáticas ao aborto –, ao não rebater os argumentos do artigo original, acaba por validar e chancelar a tese central a favor do direito à vida.
O Dr. Cícero Harada – ao ser agredido pessoalmente – utilizando-se do direito de resposta, apresentou tréplica (Tréplica de Cícero Harada). Nesta, responde aos absurdos da réplica e mostra que o direito à liberdade de quem quer que seja – e, portanto, também da mulher – não pode legitimar a destruição do direito à vida dos filhos não nascidos, ao assassínio de nascituros.
O Dr. Cícero Harada propôs, no site da OAB-SP, debate democrático de idéias. Porém, a Dra. Saffioti e suas correligionárias advogadas fugiram do debate democrático, apresentando uma carta aberta, entitulada “Eu tenho medo”, na qual elencam suas “fobias”. Essa carta, tal como a réplica, escapa do palco da sã argumentação. Tentam as subscritoras, taticamente, desviar o foco do assunto, posando de vítimas de uma suposta conspiração. Isso evidencia de modo claro e insofismável a gritante carência de argumentos.
Essa, infelizmente, a tática que tem funcionado em alguns países para a legalização do aborto: procuram insistir que as mulheres são injustiçadas pela sociedade e pelo Estado. Em decorrência disso, afirmam que elas lutam pelos direitos das mulheres (pró-aborto) e os homens lutam contra esse direito (pró-vida). Nada mais falso. Exemplo disso é a manifestação da Dra. Gisela Zilsch, que, comentando a réplica da Dra. Saffioti, mostra-se totalmente contrária à descriminalização do aborto, refletindo a opinião de 96% das mulheres do Brasil (conforme pesquisa do IBOPE, encomendada pela organização pró-aborto, Católicas pelo Direito de Decidir).
É essencial que todos que estamos preocupados com a VIDA, em todas as suas fases, desde a concepção até seu fim natural, tomemos conhecimento deste debate. Ele mostra claramente a completa falta de argumentos, os preconceitos e a truculência totalitária dos grupos que lutam pela descriminalização do aborto. É importante que todos considerem com seriedade e preocupação o absurdo a que poderemos chegar, em nosso país: ovos de tartaruga melhor protegidos do que a vida humana! Somos favoráveis ao projeto Tamar e, com muito mais razão, havemos de defender a vida humana em todas as suas fases. Por isso, somos contrários ao projeto matar, isto é, ao projeto de lei que busca liberar o aborto no Brasil. Pelo direito de nascer! Pelo direito à vida!
Cronologia do debate

FICHAS-LIMPAS NUM SISTEMA FICHA SUJA

Percival Puggina
Para quem não lembra, o projeto de lei que se tornou conhecido como da "Ficha Limpa" foi aprovado na Câmara dos Deputados com 412 votos a favor e nenhum contra. Depois, tramitou no Senado e saiu de lá consagrado com um placar de 76 votos a zero. Está bem, nem toda unanimidade é burra, mas nessa aí, obviamente, havia alguma coisa estranha. À época, pensando a respeito, deduzi que a porção menos virtuosa, menos seráfica, dos dois plenários votara convencida de que a lei não seria para valer. Ela não haveria de passar pelo rigoroso crivo do STF. De fato, para o pleito de 2010 não passou. Mas agora, em 2012, retornou às portas do Supremo e ... surpresa! Colheu a bênção de sete ministros. Esqueceram-se os fichas-sujas de que os membros da nossa corte constitucional às vezes fecham um olho para o texto e decidem segundo a própria testa e gosto. No caso, afortunadamente, em perfeita consonância com o anseio nacional. Mas cá entre nós, essa lei não é constitucional porque esteja de acordo com a Constituição, mas porque o Supremo declarou que está.

Porém - ah!, porém - como talvez dissesse o Paulinho da Viola, mesmo que os ministros escrevam em linhas direitas, os corruptos trafegam sobre linhas tortas. E eu temo que a Lei da Ficha Limpa produza como resultado apenas uma renovação dos quadros corruptos do país. Estaremos trocando corruptos de ficha encardida por corruptos com ficha novinha em folha. Quando digo isso, as pessoas me olham com incredulidade. Elas estão convencidas de que é a maldade humana que corrompe nossas primorosas instituições. A modelagem institucional do país não entra no foco de suas análises. O cidadão brasileiro, via de regra, pensa em nomes, em pessoas, em indivíduos. Quando avança um pouco mais pensa em ideias, princípios, valores. Mas raramente se detém a examinar nossas instituições. Por esse motivo, estamos sempre tentando consertar as consequências e desatentos às causas dos problemas. É como se proclamássemos: "Abaixo as consequências! Longa vida às causas!"

Se examinarmos a realidade nacional desde essa outra perspectiva, na perspectiva das causas, ficará mais fácil perceber que mantido o modelo institucional, são remotas, aleatórias, as possibilidades de que não convirjam para a cena política novos figurantes com motivações análogas às daqueles que serão substituídos. No pernicioso conjunto das fichas sujas, a mais suja de todas é a ficha do nosso modelo institucional, onde os bons frutos são verdadeiros lírios do pântano e onde os estadistas rareiam, deslocados que são para outras esferas de atuação por um sistema que os repele.

Trata-se de um conjunto de grandes males que parecem ter sido colhidos a pinça para produzir os efeitos que, em vão, tentamos combater: eleição proporcional de deputados tendo como circunscrição todo o território da unidade federada onde cada um reside; multipartidarismo que congestiona, que polui, pelo excessivo número de legendas e candidatos, toda a "vitrine eleitoral", impedindo o efetivo confronto entre candidatos e propostas; estímulo (pelo sistema proporcional) à representação política dos grupos de interesse, em flagrante contradição e agressão ao bem comum; atribuição, a uma só pessoa, das funções de chefia de Estado, de governo e da administração; escolha dessa pessoa pelo sistema majoritário, independentemente da maioria parlamentar, que precisa ser composta por arrendamento das funções de governo e administração, e mediante uma cesta de favores cada vez mais robusta. Soma-se a isso feixe de poderes políticos, econômicos e financeiros nas mãos da presidência da República. É uma convergência que vai no contrapelo da democracia e do federalismo. Concentração de poder é antônimo de ambos e exerce atração irresistível aos mal intencionados. Todo nosso aplauso, então, às exceções, aos fichas-limpas num sistema que vai continuar gerando fichas-sujas.

______________
* Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Bispos em Aparecida criticam decisão do STF sobre aborto em caso de anencefalia


Estadão - 18 de abril de 2012 | 18h 41
José Maria Mayrink, Enviado especial, APARECIDA

Em discurso, o arcebispo d. Dimas Lara Barbosa afirmou que os ministros optaram pela 'antropoligia reducionista, abrindo uma porta que pode ser escancarada para outras violências contra a vida'

O arcebispo de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, d. Dimas Lara Barbosa, e outros três bispos que participaram nesta quarta, 18, da entrevista coletiva à imprensa, por delegação da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do

Bispos na assembleia da CNBB dizem que voltarão a analisar o problema sob o ponto de vista pastoral - Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE
Bispos na assembleia da CNBB dizem que voltarão a analisar o problema sob o ponto de vista pastoral
Brasil (CNBB), na assembleia geral de Aparecida, criticaram duramente os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que aprovaram a interrupção da gestação no caso de fetos portadores de anencefalia.
"Os ministros optaram por uma antropoligia reducionista, abrindo para o aborto uma porta que pode ser escancarada para outras formas de violência contra a vida nascente", afirmou d. Dimas. "A eugenia é um horizonte que a humanidade experimentou em passado recente e que parece ter sido esquecido", acrescentou o arcebispo, depois de classificar como perigosa a decisão do STF.
O bispo de Camaçari, na Bahia, d. João Carlos Petrini, presidente da Comissão Episcopal e Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, advertiu que a decisão do Supremo tem "extraordinário poder de formar consciência coletiva", com sérias consequências no contexto da violência, levando à conclusão, por exemplo, de que "quem incomoda pode ser eliminado".
Para o bispo auxiliar do Rio de Janeiro, d.Augusto Dias Duarte, é preciso perguntar, depois da decisão do STF, se as mulheres que não quiserem abortar seus filhos portadores de meroencefalia terão ajuda do SUS, respeitando-se a sua consciência. 
Para d. Augusto, que é médico pediatra formado pela Universidade de São Paulo (USP), não se deve falar em anencefalia, mas sim em meroencefalia. Esse seria "o termo correto porque apenas parte do cérebro pode estar afetada". Isso explica, segundo o bispo, por que a criança pode sobreviver minutos, horas ou dias depois do nascimento.
D.Joaquim Mol Guimarães, bispo auxiliar de Belo Horizonte, advertiu que é preciso fazer valer o princípio do diálogo porque "por mais sábios que sejam (os ministros), eles não dominam todos os campos". Segundo ele, "o STF tomou para si a tarefa de legislar", disse.
Os bispos admitem que, embora se trate de uma questão resolvida no campo do Judiciário, a assembleia da CNBB voltará a analisar o problema sob o ponto de vista pastoral, para orientação dos católicos.