sábado, 10 de março de 2012

Aborto não é uma opção, diz Dom Joaquim Justino Carreira

Quarta-feira, 07 de março de 2012, 11h47

Dádiva de Deus: durante toda vida mulher se prepara para ser mãe

Nicole Melhado
Da Redação


Montagem sobre fotos / Arquivo
De cima para baixo, ginecologista Elizabeth Kipman Cerqueira e juíza Miriana Lima Maciel. Ambas defendem a vida do nascituro
Desde sua formação genética e ao longo da vida, a mulher se prepara fisica e psicologicamente para ser mãe. Quando menina brinca de boneca e tem em si o instinto natural de cuidar e proteger. Já na adolescência, seu corpo se prepara para gerar uma vida dentro de si.

Todas as características femininas “desde a conformação do esqueleto, músculos, órgãos reprodutores, ação sobre outras diferentes glândulas” preparam a mulher para a maternidade, explica a médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Elizabeth Kipman Cerqueira.

"A maternidade implica desde o início uma abertura especial para a nova pessoa: e precisamente esta é a 'parte' da mulher. Nessa abertura, ao conceber e dar à luz o filho, a mulher 'se encontra por um dom sincero de si mesma'”, escreve o Papa João Paulo II, em sua Encíclica Mulieris dignitatem.

O assessor da Comissão Episcopal para Vida e Família, padre Rafael Fornasier, salienta que tanto a mulher quanto o homem precisam entender sua vocação como colaboradores de Deus. "Só se entende plenamente a própria identidade e vocação na alteridade, na relação com o diferente”, completa.

Para a jovem Thamyê Rada Bloes a notícia de sua primeira gravidez foi um susto. Aos 24 anos ela estava morando na Irlanda, não estava casada e longe de sua família e sua pátria.

 “Apesar do medo, a alegria contagia a gente. Não tem como não ficar feliz quando a gente imagina como será, se será menino ou menina e tudo mais”, conta.

Embora estando num país onde o aborto é legalmente permitido, isso nunca foi uma opção para Thamyê. A educação que ela recebeu da família e na própria escola primária construíram sua consciência quanto a importância da vida.


Montagem sobre fotos / Arquivo
De cima para baixo, Dom Joaquim Justino Carreira e padre Rafael Fornasier da Comissão para Vida e Família da CNBB
Aborto não é uma opção

Para a Igreja Católica, independente de ser planejado ou não, um filho é sempre uma benção de Deus. Desde a concepção já existe um novo ser que deve ter seus direitos tutelados, assim, o aborto não deve ser praticado.

"A vida é um dom de Deus, que tem início na concepção e seu fim natural no dia da morte da pessoa. Portanto, abortar significa matar um ser humano, indefeso, sem voz e nem vez. Toda ameaça à dignidade e à vida da pessoa humana, não pode deixar de repercutir no coração e na missão da Igreja", reforça o Bispo de Guarulhos e membro da Comissão para Vida e Família da CNBB, Dom Joaquim Justino Carreira.

Esta é uma reflexão não só de católicos, de cristãos, de diversos grupos religiosos, mas também de profissionais da saúde e de legisladores.

“Todos os livros de medicina, biologia e fisiologia registram que uma nova vida humana se inicia com o encontro do óvulo e espermatozóide. As discussões surgiram a partir da proposta de liberação do aborto e da busca por liberdade em experimentações com embriões gerados em laboratório”, esclarece a médica  Elizabeth Kipman.

O Código Penal, por sua vez, visando garantir o direito à vida, consta no Título I (crimes contra a pessoa), um capítulo em que pune os crimes contra a vida (artigos 121 ao 128).

"Como a finalidade da criação do Estado é a própria garantia da proteção à vida, em outras palavras, com a punição ao aborto, garante-se a vida também àquele que sequer possui qualquer meio de defesa, posto ainda estar em desenvolvimento intra-uterino", salienta a juíza Miriana Lima Maciel.


Mudanças depois do nascimento

Fisicamente, há uma linda harmonia no organismo que se prepara para proteger e promover o desenvolvimento do pequeno ser recém-nascido. Psicologicamente, mesmo que o esforço exigido seja grande, a ligação afetiva se faz imediatamente e se desenvolve cada vez mais.

“É importante lembrar o que muda espiritualmente: a mulher experimenta de modo único, o apelo para transcender suas dificuldades e se abrir ao amor. O apelo de sair de si em direção ao outro que é seu filho e de acolhê-lo em seu coração”, destaca a médica.

Não há como não acreditar em Deus tendo uma vida crescendo dentro de si. No quinto mês de gestação, Thamyê espera agora ansiosa para o casamento e para conhecer a face de sua filha, aquela que será seu maior amor sobre a Terra, a revelação de Deus para si.

“Eu espero que tudo corra bem no parto e que ela cresça com saúde. Quero que ela cresça bem e feliz e que aprenda os valores que meus pais me ensinaram. Vou me esforçar bastante para ser uma boa mãe”, conclui a jovem.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Dom João Wilk, Bispo de Anápolis, apoiou vereadores da Câmara Municipal de Anápolis, que aprovou lei que proibiu a realização de abortos em hospitais públicos municipais

Bispo de Anápolis encaminha carta em favor à emenda da Loma (Lei Orgânica Municipal de Anápolis)
SEX, 24 DE FEVEREIRO DE 2012 21:58 NARA DELMONICO
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Em virtude da votação da emenda à Lei Orgânica do Município de Anápolis (Loma), proposta pelo vereador Pedro Mariano (PP), ocorrida na última quarta-feira (22), o bispo diocesano de Anápolis, Dom João Wilk, encaminhou à Câmara Municipal uma carta em apoio à matéria.
O desejo do bispo era que os membros da Casa votassem em favor do documento que solicitou a revogação do parágrafo único do inciso X do artigo 228 da Loma que discorre sobre o seguinte assunto: “caberá a rede pública de saúde, pelo seu corpo clínico, o atendimento médico para a prática do aborto nos casos previstos no código
penal”.
Junto com a carta do sacerdote, também foi encaminhado aos vereadores, exemplares do periódico “Aborto! Faça alguma coisa pela vida!”, produzido pela entidade Pró-Vida de Anápolis. Durante a votação da emenda, fieis católicos e alguns padres compareceram ao Plenário para uma manifestação contra o aborto.
A legislação federal em vigor não prevê punição para o ato via rede pública em dois casos: gravidez provocada por estupro ou caso apresente risco à saúde da mãe. Os 14 vereadores presentes na sessão foram a favor da emenda.

OAB de Goiás diz que vai ajuizar ação judicial

Brasília, 07/03/2012 -  A Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil de Goiás (OAB-GO) estuda medidas  judiciais contra a emenda à Lei Orgânica do Município de Anápolis (GO), a 160 km de Brasília,  que suprimiu a previsão de realização do aborto legal  - quando a gestação ocorreu por estupro ou se a mãe corre risco de morte - pelos hospitais públicos. A informação é do presidente da OAB-GO, Henrique Tibúrcio.  A mudança na Lei Orgânica (Loma) teve o apoio dos 15 vereadores de Anápolis, incluindo o autor do projeto, Pedro Mariano (PP). Por se tratar de uma alteração na Loma, não é necessária a sanção do Executivo. Portanto, a norma vale desde a noite de segunda-feira, quando houve a votação em segundo turno. A OAB-GO, que já havia notificado os parlamentares depois da primeira votação, em fevereiro, sobre a inconstitucionalidade da medida, estuda a melhor forma de derrubar a nova lei - que chegou às vésperas do Dia da Mulher, comemorado amanhã.

"Essa norma é inconstitucional na medida em que dificulta o acesso a um atendimento que já está garantido, independentemente de o poder público concordar ou não com o aborto nessas condições. Vamos recorrer à Justiça para anular os efeitos dessa lei ou para deixar claro que o município, embora tenha suprimido o trecho da lei orgânica que tratava do assunto, continua obrigado a prestar o atendimento", afirmou o  presidente da OAB-GO, Henrique Tibúrcio.  Além do direito à saúde, presente na Constituição Federal, o artigo 28 do Código Penal determina que não se pune aborto praticado por médico caso não haja outro meio de salvar a vida da gestante ou se a gravidez resulta de estupro, havendo consentimento da gestante.

O  vereador Pedro Mariano, entretanto, refuta os argumentos jurídicos, baseando-se na religião para fundamentar a nova lei. "Sou radicalmente contra o aborto. O senhor da vida é só Deus. Se a OAB entrar na Justiça, continuarei defendendo minha ideia, até a morte", declara o parlamentar. Ele se diz orgulhoso por ter sido o autor do projeto. "Plantamos uma sementinha em Anápolis que pode se espalhar por outras cidades e até pelo país inteiro", aposta. Questionado sobre os direitos da mulher vítima de um estupro ou com risco de morrer, Mariano defende que em nenhum caso o feto pode ser sacrificado. "A criança não tem nada a ver (com o estupro). Se a mulher quiser, vai ter que procurar a Justiça, mas não poderá se amparar mais na lei orgânica do município", afirma o vereador.

A Igreja Católica trabalhou pela aprovação da matéria. O bispo diocesano Dom João Wilk, de Anápolis, que chegou a encaminhar à Câmara Municipal uma carta de apoio à matéria, afirmou que o aborto não pode ser uma "obrigação do poder público". "A vida é suprema, de modo que precisa ser salva", afirma. Ele vai na mesma linha de raciocínio de Mariano ao defender que não se pode interromper a gestação porque a mãe foi violentada. "A criança não tem culpa do crime. Quem tem de ser punido é o criminoso", ressalta o bispo Wilk. Na outra carta recebida pelos parlamentares depois da votação em primeiro turno, a OAB ressaltava os problemas jurídicos e sociais da medida. O embate de ideias nem teve vez, visto que a aprovação foi unânime na Câmara Municipal. "Alertamos sobre o risco de desassistir exatamente a parcela da população mais pobre e que, portanto, mais necessita do serviço", conta Tibúrcio. (Com informações do Correio Braziliense, em matéria de Renata Mariz)

quinta-feira, 8 de março de 2012

O demônio fechou o quadrado: Dilma Rousseff, PT, Eleonora Menicucci e Edir Macedo

Cruz de São Bento
Otimismo. Não queríamos chegar a esse ponto, pois esperávamos que as pessoas refletissem e tivessem o bom senso recobrado. Mas, infelizmente, isso não aconteceu! Pensando bem, foi otimismo demais de nossa parte, pois, há mais de 20 anos,  o PT está tentando liberar o aborto no Brasil, com vários projetos de lei, a começar pelo famoso 1135/91 na Câmara Federal e no Senado em 2011, e não pode desistir desse compromisso assumido com os abortistas. 

Propostas macabras. O aborto, a liberação do uso de drogas, a propagação da ideologia homossexual, a eutanásia, e outras propostas macabras que estão querendo impor às pessoas, são obras demoníacas e só causam o mal para o ser humano,  antes de nascer, em vida ou na velhice. Perguntamos:   Por quê  o bebê  deve ser morto antes de nascer e sua mãe transformada em assassina?  Por quê liberar o vício devastador das drogas, que causa sofrimento para a pessoa e acaba  conduzindo-a para a prática de crimes contra a família e a sociedade?  Se não for morta antes de nascer e,  se conseguir sobreviver às drogas, esses grupos pregam o assassinato das pessoas idosas, com a eutanásia ou ortotanásia. Esses grupos propõem assassinatos e sofrimento para as pessoas, famílias, parentes, amigos e para a sociedade. O mal nunca produz o bem.  

Eleições de 2010. Há muito tempo vimos combatendo o aborto, o que pode ser verificado em nosso blog, na aba PT e Eleições, que inclui recomendações desde 2006. Em 2010, parte da imprensa quis nos vincular à campanha eleitoral do PSDB ou ao candidato José Serra. Como todos sabem, a tentativa de vinculação de nosso nome a qualquer partido ou candidato fracassou. A nossa campanha em defesa da vida não teve, não tem e não terá  nenhuma ligação com partidos ou candidatos, como ficou provado na ação criminal movida pela candidata Dilma Rousseff e sua coligação, no TSE. Provamos que mentiras foram usadas para apreender o documento da Igreja Católica, denominado "Apelo a Todos os Brasileiros e Brasileiras".  O Ministério Público Federal afirmou que não existiu crime e esclareceu que 
"Aliás, é natural e saudável que temas como esse sejam debatidos durante o período eleitoral, pois isso permite que os candidatos se posicionem, assumam compromissos, esclareçam suas ideias e pactuem com seus eleitores os termos de sua ação política. Em uma sociedade verdadeiramente democrática e plural, o período eleitoral deveria ser justamente o ápice desse tipo de discussão”. (aqui)   O Tribunal Superior Eleitoral determinou a devolução do material, apelidados maldosamente de "panfletos". (aqui)

Partidos e ONGs. "Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância."(Jo 10,10).  Afirmei, várias vezes, que o estatuto de meu partido é o Evangelho e o candidato único Jesus Cristo. Dediquei a minha vida, desde os 10,5 anos de idade a Jesus Cristo. Meu lema episcopal é "Oportet Illum Crescere", traduzido "É necessário que Ele(Jesus) Cresça".  Alguns partidos políticos, ONGs e pessoas, que se autocaracterizam de esquerda, fazem qualquer coisa para atingir seus objetivos macabros. À falta de argumentos sólidos, atacam a Igreja Católica, por ser a defensora da vida.  Consideram-se acima da ética e da moral.  Adotam o método "os fins justificam os meios".  Hitler e Stalin  mataram milhões de pessoas (meios) para criar uma raça pura ou hegemônica ou justificar uma revolução (fins).  Nosso trabalho, em defesa da vida, é contínuo, antes, durante e depois das eleições. Não temos nenhuma vinculação com partidos políticos ou candidatos. Aquelas pessoas, ONGs e partidos defensores dessas propostas macabras devem assumir a responsabilidade por seus atos.

Abortistas. Antes e durante as eleições de 2010, identificamos pessoas e grupos posicionados a favor do aborto, em especial: o PT, há mais de 20 anos;  a candidata Dilma Rousseff e o  dono da Igreja Universal, Edir Macedo, que até  publicou vídeos. A presidente Dilma, coincidentemente, nomeou o sobrinho de Edir Macedo, o senador Marcelo Crivella, para o Ministério da Pesca. Os analistas políticos dizem que seria uma intervenção política, para reforçar a campanha do PT nas eleições da cidade de São Paulo. Nós interpretamos de outra forma: é o final da montagem da operação para aprovar o aborto.

Conferência das Mulheres. Algumas pessoas pensavam que a campanha a favor do aborto havia terminado, porque a presidente se dissera contra. Mas, em março de 2011, a presidente Dilma Rousseff convocou e financiou com dinheiro do povo a Conferência de Políticas para as Mulheres, realizado nos dias 15 a 18 de dezembro de 2011. Nessa Conferência, foi aprovada uma resolução específica para liberar o aborto, a de n. 58:

"58. Revisão da legislação punitiva do aborto no Brasil, assegurando a descriminalização e a legalização do aborto e o atendimento humanizado na Rede de Saúde Pública do SUS, para que seja garantida a autonomia da mulher e que nenhuma mulher seja punida, maltratada ou humilhada por ter feito um aborto e não corra o risco de morrer."

TJ-SP - Audiência Pública. No dia 24 de fevereiro, foi realizada uma audiência pública no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, sobre a reforma do Código Penal, conduzida por uma Comissão do Senado Federal. Os relatos sobre essa audiência são os piores possíveis: 1) o aborto foi o principal e único assunto; 2) não houve um critério ético na seleção dos palestrantes, mas um critério discriminatório, pois permitiram a inscrição de 50 favoráveis ao aborto e somente 5 contrários; 3) o propósito dessa Comissão é aprovar a liberação do aborto, mesmo que viole a Constituição Federal e o Pacto Internacional de São José da Costa Rica.

Eleonora Menicucci, a "avó do aborto". Os atos praticados pelas pessoas têm significados, que podem dizer o contrário do que elas falam. O PT e a presidente Dilma Rousseff  sempre vão dizer que são contra o aborto. Porém, o ato da nomeação da ministra Eleonora Menicucci tem o significado contrário ao que dizem. Ela é uma antiga defensora do aborto, disse que já matou crianças que estavam em seu útero e fez curso para praticar abortos em outras mulheres. Com a nomeação dessa pessoa,  o ato da presidente Dilma Rousseff  indicou aos parlamentares a sua posição favorável à liberação do aborto. Se o recado a ser dado fosse a favor da vida e contra a liberação do aborto,  ela teria nomeado uma mulher a favor da vida e totalmente contrária à liberação do aborto.

Edir Macedo. É notório que o senhor Edir Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus, é a favor do aborto. Há declarações, vídeos na Internet e escritos dele com esse posicionamento. Em interpretação teológica absurda, ele tenta usar a Bíblia para justificar sua posição. Onde entra o senhor Edir Macedo nessa conjunção macabra ? A presidente Dilma Rousseff já contava com o PT, seu partido, alguns partidos comunistas e com os abortistas financiados por bilionários americanos, para aprovar a liberação do aborto. Faltava mostrar que também tem o apoio de uma igreja, para dizer ao povo que até igrejas apóiam essa insanidade do aborto.  E, o senhor Edir Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus,  seria o indicador do apoio de uma igreja evangélica para a liberação do aborto.

Quadrado. Em 2010, o deputado estadual Adriano Diogo, foi escalado pelo PT para vir a Guarulhos nos acusar de criminoso, por meio  de jornal local. Disse ele que havia uma demonização do assunto aborto. Somos obrigados a concordar com ele.  Somente o demônio poderia conduzir um processo tão insidioso, para matar ou fazer as pessoas sofrerem.  No caso do aborto, a presidente Dilma Rousseff representa o executivo,  o PT  representa o legislativo,  Eleonora Menicucci representa as feministas e abortistas e o sobrinho de Edir Macedo representaria uma igreja  evangélica.

Mulher e Povo. A mulher é o símbolo da vida humana. Recebeu de Deus  a sagrada dádiva de gerar a vida. O aborto é a cultura da morte.  82% dos brasileiros são contra a liberação do aborto.  Os abortistas e juristas não representam o povo brasileiro.


Vida e morte. O demônio fechou o quadrado para tentar aprovar o aborto.  Mas estamos preparados, com Jesus Cristo,  para impedir esse genocídio e discriminação contra os filhos de mulheres pobres ou negras.  Há muito, o Senhor da Vida já nos ensinou: “...ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade.” (Dt. 30,19).  



Dom Luiz Gonzaga Bergonzini
Bispo Emérito de Guarulhos
    Jornalista MTb 123
www.domluizbergonzini.com.br

Cristofobia - "Num momento em que o cristianismo é a religião mais perseguida do mundo, TJ do RS decide cassar e caçar os crucifixos. Os cristãos podem se preparar: vem uma onda por aí! Com o crucifixo, TJ expulsa também um pouco da Justiça!"

07/03/2012 -  às 7:01

Não sou gaúcho. Modestamente, apenas brasileiro. Fosse, estaria ainda mais envergonhado do que estou com a decisão tomada pelo Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), que acatou um pedido da Liga Brasileira de Lésbicas e de algumas outras entidades para que sejam retirados todos os crucifixos e outros símbolos religiosos das repartições da Justiça do Estado. Justificativa: o estado é laico. Publiquei uma pequena nota na noite de ontem, e muito gente apoiou a decisão. Publiquei, diga-se, as opiniões que não vieram acompanhadas de boçalidades anti-religiosas. Vamos lá.
O estado brasileiro é laico, sim, mas não é oficialmente ateu ou anti-religioso. E vai uma grande diferença entre uma coisa e outra. A República brasileira não professa um credo, mas não persegue crenças e crentes. Que dias estes que estamos vivendo! O cristianismo está profundamente enraizado na história e na cultura do Brasil. Os crucifixos não estão em tribunais e outras repartições para excluir, humilhar, discriminar, impor um valor ou qualquer coisa do gênero.
 Ao contrário até: basta ater-se aos fundamentos dessa fé, mesmo quem não tem fé, para constatar que os valores éticos que ela reúne constituem o fundamento — eis a verdade — da moderna democracia. Sim, meus queridos, foi o cristianismo que inventou a igualdade entre os homens. E não, isso não quer dizer que sua história tenha sido sempre meritória.
Por que a Liga Brasileira das Lésbicas  —  E ME FAÇAM O FAVOR DE NÃO CONFUNDIR ESSE GRUPO MILITANTE COM MULHERES LÉSBICAS, TOMADAS NA SUA INDIVIDUALIDADE — não pede a demolição da Catedral de Brasília, plantada na Praça Três Poderes? Por que não pede que o Rio ponha abaixo o Cristo Redentor? Urge mudar o nome de São Paulo, de Santa Catarina, do Espírito Santo, de São Luís, de centenas de cidades brasileiras que refletem a óbvia importância que o cristianismo, especialmente o catolicismo, teve entre nós.
Os que entraram com essa ação ridícula, acatada pelo Conselho da Magistratura, agem à moda do Taliban, que destruiu, em 2001, os Budas de Bamiyan, no Afeganistão, que datavam, no mínimo, do século 7 porque consideraram que eles ofendiam a fé islâmica. No Brasil, cuida-se agora de outro fundamentalismo.
Notem bem: se alguém propusesse uma lei que obrigasse repartições públicas a exibir o crucifixo, eu estaria entre os primeiros a protestar. Retirar, no entanto, os que foram herdados de uma tradição cultural, religiosa e civilizacional, bem, isso é um crime contra a nossa história, cometido para satisfazer vocações fundamentalistas. Os doutores e a tal liga das lésbicas que me perdoem, mas estão jogando no lixo ou mandando para o armário valores como igualdade entre os homens, caridade e… justiça! O cristianismo, prova-o a história, é também umas das primeiras correntes de pensamento realmente influentes a proteger a vida e os direitos das mulheres — à diferença do que pretende essa militância boçal.
Isso nada tem a ver com laicismo do estado. O que se caracteriza, aí sim, é perseguição religiosa. Não tenho dúvida de que muitos dos defensores dessa medida não hesitariam um segundo em defender também o “direito” de tribos indígenas brasileiras que praticam o infanticídio. E o fariam sob a justificativa de que se trata de uma tradição cultural…
O que mata e o que dá vida A tal liga tem agora de avançar contra a Constituição Brasileira. Afinal, Deus está lá. Vejam que sociedade de iniqüidades se construiu nos Estados Unidos, onde as pessoas ainda juram com a mão posta sobre a Bíblia. Que país ridículo é aquele capaz de cantar em seu hino: “In God is our trust”, discriminando ateus e agnósticos? O paraíso da liga é a Coréia do Norte, de onde a religião foi banida. Ou a China. Boa era a antiga União Soviética. Igualitários e sem preconceitos eram os países da Cortina de Ferro. Bacana é Cuba, sem essas frescuras com o Altíssimo… Como dizem alguns ateus do miolo mole, as religiões matam demais! Os regimes laicos, especialmente os comunistas, é que souberam proteger os homens, não é mesmo?
Sim, sinto-me bastante envergonhado por aquela gente toda — as que pediram o fim dos crucifixos e as que aceitaram o pleito. O cristianismo é hoje a religião mais perseguida do mundo. Um iraniano foi condenado à morte por se converter. Começamos a assistir a uma variante da perseguição religiosa em nosso próprio país.
Não duvidem! Se as confissões cristãs aderissem à pauta da Liga Brasileira de Lésbicas — seja ela qual for —, o pedido não teria sido encaminhado. Como isso não aconteceu nem vai acontecer, elas resolveram que um símbolo, que tem valor para mais de 90% dos brasileiros (entre católicos, protestante tradicionais e evangélicos), tem de desaparecer. A desculpa? O laicismo do estado.
Eis aí mais um exemplo do fascismo de minorias. Uma leitora relatou aqui a sua participação num fórum que debateu a legalização do aborto. Um grupo de feministas defendeu de modo muito enfático que o combate ao aborto seja considerado um crime. Afinal, argumentaram, é uma questão de direitos humanos e de direitos da mulher… Em breve, será crime simplesmente não concordar com “eles”.
Os doutores do Rio Grande do Sul confundiram laicismo do estado com o ateísmo militante do estado. Mandaram para o lixo mais de 2 mil anos de cultura ocidental e mais de 500 da história do Brasil. Afinal, a Liga das Lésbicas ficava muito ofendida ao ver na parede aquele signo. O signo que está na raiz das idéias de igualdade no Ocidente.
Para encerrar: lembrem-se que essa era uma das propostas do “Plano Nacional-Socialista de Direitos Humanos”. Não vingou porque a sociedade reagiu. Os militantes não se conformaram e foram à luta. Encontraram os doutores que lhes deram guarida.
O crucifixo está sendo expulso dos tribunais do Rio Grande do Sul. Como isso afronta os valores da esmagadora maioria do povo gaúcho SEM QUE SE GANHE UMA VÍRGULA NA ESFERA DO DIREITO, uma parte da justiça está necessariamente sendo expulsa com ele.
A esmagadora maioria do povo acredita em Deus, mas as elites militantes não acreditam no povo. Tampouco exercem o poder em seu nome. Ponto!
Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 7 de março de 2012

Eleições 2012- Pronunciamento dos Bispos do Regional Nordeste IV da CNBB

               Os Bispos do Piauí, membros da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - Regional Nordeste IV, na qualidade de pastores de suas comunidades, desejam iluminar o cenário das próximas eleições municipais oferecendo pensamentos e reflexões que possam contribuir para o aprimoramento do processo eleitoral.


               Reafirmamos nossa convicção no valor e importância da atividade política como serviço ao nosso povo, amparados sobretudo no testemunho de Jesus Cristo: " O Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir, e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos." (Mt 20,28)                                          


               No exercício da atividade política, justifica-se a organização partidária que se reveste de princípios e visa alcançar o poder para transformá-lo em serviço eficaz ao povo. Nossa prática tem demonstrado, infelizmente, vícios e distorções que obscurecem o brilho de setor tão fundamental para nossas vidas.                  


                Níveis altos de desobediência às leis, como compra de votos, conchavos interesseiros, uso de dinheiro público em campanhas eleitorais, levaram a sociedade a se movimentar pala aprovação da Lei da "Ficha Limpa", recentemente aprovada pelo Supremo Tribunal Federal.  Nada mais justo, pois, do que batalhar por uma eleição limpa, confiável e que devolva esperança ao povo. E apostamos na possibilidade de termos militantes políticos com ficha limpa. Ao contrário, com o povo, sobretudo os pobres, desaprovamos os corruptos e aproveitadores. 


               Recomendamos vivamente à sociedade organizada a implantação de Comitês contra a corrupção eleitoral, de acordo com a Lei 9840/99, como contribuição para uma eleição transparente e limpa. 


               Preservando nossa identidade católica, queremos externar nossa rejeição a candidatos que não primam pelo bem comum, não defendem o direito e a justiça, não promovem nem defendem a vida, e ainda, aprovam o aborto e a eutanásia, em frontal desrespeito aos valores humanos e cristãos. O bom político estará sempre em sintonia com o povo que representa. Além disso, somos parte de uma sociedade cuja maioria valoriza a família e a vida. 


               Por fim, reafirmamos nossa confiança e concitamos mesmo os leitos a ocupar seu lugar numa autêntica militância que nos leve a "novos tempos" (CF. DAp 505-507). "O vasto e complexo mundo da política, da realidade social e da economia, é campo próprio dos leigos" (DEN 70).  "Os sacerdotes devem permanecer afastados de um engajamento pessoal na política, a fim de favorecerem a unidade e a comunhão de todos os fiéis e assim poderem ser uma referência para todos" (Bento XVI, Visita ad limina 2009). Reiteramos o nosso pronunciamento publicado referente as eleições de 2008.


               Acompanharemos a todos com nossas orações, como cidadãos e Pastores. 
               Terezina, 22 de fevereiro de 2012. 
Dom Alfredo Schaffler                                              Dom Valdemir Ferreira dos Santos
Bispo de Parnaíba                                                               Bispo de Floriano
Presidente da CNBB - Regional NE-IV


Dom Juarez Souza da Silva                                       Pe. Cláudio José Boechat Moreno
Bispo de Oeiras                                                        Administrador Diocesano de São Raimundo Nonato
Vice-Presidente da CNBB - Regional NE-IV


Dom Plínio José Luz da Silva                                    Pe. Tony Batista
Bispo de Picos                                                         Administrador Diocesano de Teresina
Secretário da CNBB - Regional NE-IV


Dom Eduardo Zielski                                                Dom Celso José Pinto da Silva
Bispo de Campo Maior                                             Bispo Emérito de Teresina


Dom Ramon Lopez Carrozas                                     Dom Miguel Fenelon Câmara Filho
Bispo de Bom Jesus do Gurguéia                               Arcebispo Emérito de Teresina

terça-feira, 6 de março de 2012

Padre Marcelo Rossi, o fenômeno da evangelização


O padre Marcelo Rossi foi capa da revista Veja, de 25.02.2012. Ele tornou-se um fenômeno de evangelização e o escritor brasileiro que mais vendeu livros em um ano, de todos os tempos.  O livro Ágape vendeu 7,5 milhões de exemplares.  O livro será publicado em Portugal e outros países.  Com o dinheiro da venda do livro, o padre Marcelo Rossi conseguirá concluir as obras do Santuário Mãe de Deus -Theotokos, que poderá receber 100 mil pessoas. A seguir, entrevista de abril de 2011.    




Entrevista: Marcelo Rossi

ADRIANA DIAS LOPES

Confissões de um padre

Depois de um período de introspecção, o líder da Renovação Carismática diz ter sido boicotado durante a visita do papa Bento XVI e critica os padres que não usam batina



O padre Marcelo Rossi continua a ser o maior fenômeno do catolicismo brasileiro. No fim da década de 90, ele levava milhões às suas missas alegres, cheias de cantoria e coreografias festivas. Em dezesseis anos de sacerdócio, vendeu 10 milhões de cópias de oito CDs e quatro DVDs. Aos 43 anos, o padre está mais introspectivo. As missas-show estão mais raras. Há um ano, depois de sofrer um acidente na esteira ergométrica, ele se machucou e entrou em um estado de “tristeza profunda”. Das dores do corpo e da alma, emergiu seu primeiro livro, Ágape – com 3 milhões de cópias vendidas desde que foi lançado, há oito meses. Aos poucos, os números grandiosos voltam à vida de Marcelo Rossi. Em 10 de dezembro, ele pretende inaugurar o novo santuário Mãe de Deus, em São Paulo, um megaprojeto assinado pelo arquiteto Ruy Ohtake, com capacidade para 100.000 fiéis. Grisalho, um pouco mais gordo, de bengala (ainda por causa do acidente), ele recebeu VEJA para a seguinte entrevista:

O senhor despontou no fim dos anos 90 como um fenômeno religioso que atraía multidões. Nos últimos anos, porém, tem feito poucas missas grandiosas. O que aconteceu? Em meados de 2007, decidi reduzir as evangelizações em massa. Meu último grande espetáculo de fé, vamos chamar assim, ocorreu em 2008, para a gravação do meu DVD, Paz Sim, Violência Não, que reuniu 3 milhões de pessoas no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Cheguei a fazer três desse tipo por ano. Mas chega uma hora em que precisamos descansar. Em 2007, às vésperas de completar 40 anos, concluí que deveria cuidar da saúde. O desgaste com a maratona de compromissos alterou minha pressão arterial. Tive picos de 19 por 16. Hoje, sou obrigado a tomar betabloqueadores para controlar a pressão alta. Eu estava esgotado, mas não foi só isso que me levou a mudar minha rotina. No início de 2007, passei por um tremendo baque durante a visita de Bento XVI ao Brasil. Eu tinha um sonho na vida: cantar para o papa na minha terra. Nunca escondi isso de ninguém. Mas me colocaram para fazer um espetáculo às 5h40 da manhã, no dia da cerimônia de canonização de Frei Galvão, no Campo de Marte, em São Paulo. Ou seja, em um horário em que não havia quase ninguém – muito menos o papa. Fui vítima de boicote. E isso não aconteceu só comigo. Com o padre Jonas Abib (fundador da Comunidade Canção Nova) também ocorreu coisa semelhante.

Quem o boicotou? Integrantes da Arquidiocese de São Paulo. Alguns organizadores da visita do papa ao Brasil. Eles capricharam na humilhação. Além de nos colocarem para cantar de madrugada, eu e o padre Jonas fomos barrados. Na entrada, fomos informados por um agente da Polícia Federal de que, com o nosso tipo de crachá, não teríamos acesso ao palco, mas apenas à plateia, apesar de escalados para fazer uma apresentação. Ficamos lá, esperando num frio danado, de madrugada, com a garganta doendo, até sermos liberados. Mas, durante todo o tempo, agi humildemente. Depois de me liberar, o agente que nos barrou ainda pediu para tirar uma foto minha para mandar para a mãe. Se eu fosse arrogante, faria um escândalo. Um amigo me disse que eu não deveria nem ter me apresentado. Um padre, contudo, tem de agir com humildade. Posei para a foto do policial, cantei minhas duas músicas e tudo bem. Mas ser impedido de me aproximar do papa, de pedir sua bênção, me magoou profundamente. Faço tanto pela Igreja e fui jogado de lado.

Mas, no ano passado, o senhor ganhou um prêmio das mãos do papa, o Van Thuân, que condecora os “evangelizadores modernos”. Esse prêmio foi muito especial. A confirmação de que estou no caminho certo. Interpreto como um cala-boca na Arquidiocese de São Paulo. Jamais esquecerei as palavras do papa ao me entregar o prêmio: “Continue assim”. Sabe quantos padres me ligaram para me cumprimentar pela condecoração? Um. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil até agora não me procurou. E olhe que havia muito tempo um padre brasileiro não recebia essa condecoração.

Qual seria o motivo desse desdém? No fundo, no fundo? (Ele faz o gesto que indica dor de cotovelo). Mas aprendi, com o sofrimento, a não remoer mágoas. Minha missão é buscar ovelhas, não é agradar a padres.

O senhor chegou a ter depressão por causa desses episódios? Não sei se posso chamar de depressão. Mas, em 2010, passei por um período de tristeza profunda. Hoje, percebo que o gatilho para esse estado foi o fato de ter sido impedido de ver o papa em 2007. No dia 29 de abril do ano passado, enquanto corria na esteira ergométrica, perdi o passo e me estatelei no chão. Foi feio: distendi três tendões e tive uma fissura em um osso do pé esquerdo. No momento da queda, o boicote veio à minha mente. Três dias antes, eu havia sido avisado de que, em outubro, receberia o Van Thuân das mãos do papa. Fiquei apavorado com a possibilidade de ser impedido de ver o papa mais uma vez. Nos catorze primeiros dias, não podia colocar o pé no chão. Passei dois meses em uma cadeira de rodas. Só tomava banho com lencinhos umedecidos. Imagine isso para uma pessoa como eu, ansiosa e agitadíssima. Era a morte! Acordava no meio da noite de tanta dor. Tomei uma batelada de analgésicos e anti-inflamatórios. Durante um mês, só conseguia dormir com benzodiazepínico. Engordei 14 quilos. Ia à missa chorando de dor. Não dividi minha angústia com ninguém, além do meu bispo. Nem para minha mãe contei como estava mal. Sou um padre, e minha missão é ouvir. Não é falar de mim.

O senhor se sentiu abandonado por Deus? Vou tentar lhe responder com um trecho de uma oração, que está no livro Ágape, fruto dos meus pensamentos naquele momento. “Senhor, tenho medo da dor. Senhor, eu já chorei, já sofri e continuo triste. Que os meus dias possam ser iluminados pela alegria. Que a tristeza não fique por muito tempo. Nas perdas, que eu ganhe aprendendo.” Senti-me sozinho e desamparado por Deus. Mas foi apenas por um instante. Senti-me como Cristo no Horto das Oliveiras, quando ele se achou abandonado e pediu a Deus para afastar de si o cálice de sangue.

Nessa passagem do Evangelho, Jesus sofre ao antever a via-crúcis... A meu ver, esse foi o momento de dor mais profunda de Jesus. Como Jesus, que aceitou o desígnio de Deus, eu também aceitei. Jamais pensei em abandonar o sacerdócio. Ao contrário, o sofrimento me fortaleceu. Minha dor se transformou no livro. Ágape foi minha redenção. Comecei a me recuperar no momento em que comecei a escrever. Eu transcrevia trechos do Evangelho e, depois, os interpretava. Em Ágape, não trato diretamente do meu sofrimento. Mas, em diversos momentos, falo de dor e recuperação. Passar por tudo isso me aproximou ainda mais dos fiéis.

Muitos cultivam verdadeira devoção pelo senhor. Como lida com isso? Fui abençoado com o que chamam de carisma. Tenho um dom especial. Deus me mostra algumas coisas quando eu toco nas pessoas. Não sou vidente nem médium – nada disso. Mas, muitas vezes, quando toco em uma grávida, sei o sexo do bebê. Na confissão, consigo prever um pecado antes de ele ser revelado. Se alguém me diz que sou santo, corto a conversa na hora. Não faço milagres. Sou apenas um instrumento do Espírito Santo.

O Vaticano, em especial o papa Bento XVI, é resistente ao estilo das missas da Renovação Carismática. O que o senhor acha disso? Se o papa fosse de fato contrário, não me premiaria pelo modo como evangelizo. O papa Bento XVI é inteligente. Ele prega a união da Igreja Católica – e, para ter unidade, não é necessário que haja uniformidade em todos os aspectos da missa, embora a liturgia tenha de ser preservada.

No fim dos anos 90, com suas missas grandiosas, o senhor incomodou muito os evangélicos. Como é hoje a sua relação com os líderes dessas igrejas? Até hoje, eles viram o rosto para mim. Mas há evangélicos e evangélicos. Eu respeito os que têm uma doutrina, como a Assembleia de Deus. Outros, eu chamo de seita. Seita, para mim, é a Renascer e aquela lá do “bispo” Edir Macedo. O Gugu, que é meu amigo, certa vez me chamou para ir ao programa dele, na Record (do “bispo” Edir Macedo, chefe da Igreja Universal do Reino de Deus). Record não dá, não é? Deus abençoe o Edir Macedo, mas eu não concordo com nada do que ele prega e veicula. Essas seitas primam pela ignorância em relação à história milenar da Igreja Católica. O que mais me assusta é que, como alguns desses líderes de seitas têm carisma, fica mais fácil aproveitar-se de gente pobre e honesta. Se eu, por exemplo, falar para um fiel que água é vinho, ele pode acreditar. Ter carisma implica responsabilidade.

Ao contrário de outros padres que também cantam, o senhor sempre aparece de batina. Por quê? A batina é a maior identidade sacerdotal. Acho um perigo não usá-la. A batina impõe respeito, é uma proteção – inclusive contra o assédio das mulheres. Você não imagina a quantidade de besteiras que eu ouço.

O senhor é muito assediado? Algumas mulheres conseguem até o número do meu celular. Já alertei o Fábio (o padre-cantor Fábio de Melo) para que não deixasse de usar batina. E ele está usando, por acaso? Bem se vê que eu não tenho influência sobre ele.

Qual é a sua opinião sobre os padres que usam roupas de grife e carros importados? Fico chateado. O padre tem de ter um carro apenas para locomoção. Não precisa ser um carro velho, que o coloque em perigo, mas não precisa ser o carro do ano. Roupa cara, nem pensar! Não preciso estar na moda para servir a Jesus.

O senhor não tem nenhuma vaidade? Só tomo o remédio finasterida, para não ficar careca. Um amigo me avisou que só tinha um problema: o medicamento aumenta o risco de impotência. Para um padre que observa fielmente o celibato, não se trata de um problema.

O que o senhor faz com os rendimentos do livro, dos CDs e dos DVs? Doo a comunidades carentes, mas, hoje em dia, a maior parte é destinada ao novo santuário que estou ajudando a erguer desde 2002. O projeto é primoroso, tem a assinatura do arquiteto Ruy Ohtake. O empreendimento terá 6000 metros quadrados de área interna e 25000 de externa. O vão tem 120 metros de comprimento e não haverá uma só coluna na parte de dentro – para que os fiéis possam ver o altar de qualquer ponto da igreja, sem empecilhos. Graças ao que ganhei com meu novo livro, o santuário tem finalmente data de inauguração: 1.º de dezembro de 2011.

Então o senhor pretende voltar a pregar para as multidões. Eu sempre estarei ligado às multidões. Mesmo se quisesse, jamais conseguiria celebrar uma missa para quarenta pessoas. Minha missa, às quintas-feiras, atrai 20000 fiéis. Em apenas uma noite de autógrafos do meu novo livro, costumo reunir 10000 pessoas. Muitas chegam a ficar dez horas esperando por uma dedicatória minha. Por vezes, minha mão incha tanto que tenho de parar e propor uma bênção em vez de autógrafo.

É difícil ser o padre Marcelo? Sinto-me preso às vezes em minha imagem pública. Hoje, passo minhas férias em casa ou na casa dos meus pais, em Itupeva, interior de São Paulo. Adoro praia, mas não dá para ir. Certa vez, decidi passar uns dias no litoral de São Paulo. Fui disfarçado. Vesti um boné que cobria uma parte do rosto e fui andar na areia, cercado de padres antigos. Mesmo assim, uma criança de 5 anos me reconheceu e começou a gritar: “É o padre Marcelo!”. Ela havia me identificado pelas minhas orelhas pontudas. Juntou um monte de gente. De vez em quando, passava férias na Europa, em peregrinações religiosas, mas era obrigado constantemente a interromper a caminhada por causa de turistas brasileiros. Hoje em dia, meu maior tormento é o aeroporto. Depois que inventaram celular com câmera, minha vida virou uma loucura. Uma tortura, na verdade: tenho 1,92 metro de altura, e a maioria das pessoas bate, portanto, na minha cintura. Na primeira foto, a cabeça delas sempre sai cortada. Ou seja, é preciso repetir a pose duas, três vezes por pessoa. Jamais, no entanto, neguei o pedido de um fiel. Sou um padre. ●


Fonte: Veja/Amarelas, 20/04/2011, páginas 19/23.

segunda-feira, 5 de março de 2012

CUBA - Os Bispos convidam "todo o povo de Cuba" a acolher o Papa Bento XVI, preparando-se com três dias de oração e missão

Havana (Agência Fides) - "Que Nossa Senhora da Caridade do Cobre guie e acompanhe os passos do Papa entre nós": assim, os bispos cubanos saúdam Bento XVI, numa declaração de boas-vindas faltando poucos dias para a visita do Pontífice à Ilha. Este evento, que terá início no dia 26 de março, afirmam os bispos, está sendo vivido com entusiasmo especial nas comunidades e nas paróquias, pois a visita realiza o desejo que por longo tempo esteve vivo no coração dos católicos e de muitos cubanos. 


"O Papa vem a nosso país como Peregrino da Caridade. Como sabemos, Caridade é o nome que nós cubanos damos a Nossa Senhora, e com este nome acompanhou, protegeu e aliviou o nosso povo em todos os momentos da nossa história, há 400 anos" - escrevem os bispos. Portanto, a visita do Papa se reveste de relevância particular, pois se realiza no Ano Jubilar Mariano, para o qual milhões de cubanos se preparam há meses através, inclusive através da peregrinação da imagem por todos os rincões da Ilha. Com sua presença e sua palavra, Bento XVI confirmará essa experiência de fé, e alentará sentimentos e atitudes de amor cristão, misericórdia, gratidão e reconciliação entre todos os cubanos. "Com esses sentimentos e aspirações, nós Bispos de Cuba queremos convidar todo o povo a receber o Santo Padre com o carinho e o entusiasmo de quem vem em nome do Senhor." 


A Igreja cubana convida todos a participarem das celebrações presididas por Bento XVI seja em Santiago, sua primeira etapa, seja em Havana. Em preparação à chegado do Pontífice, os bispos propõem três dias à oração e à missão: no dia 15, quinta-feira, um dia dedicado à oração eucarística em todas as comunidades, na sexta, 16, um dia dedicado ao jejum e sábado, 17, um dia para realizar obras de misericórdia.


"Que Nossa Senhora da Caridade do Cobre guie e acompanhe os passos do Papa entre nós, a quem com filial afeto recebemos como Peregrino da Caridade, para que ele nos confirme na fé, nos anime na esperança e nos faça solícitos no amor", conclui-se a carta. (CE) (Agência Fides, 02/03/2012)