sábado, 14 de janeiro de 2012

Bem-vindo jornalista Ernesto Zanon

Caríssimo jornalista e irmão Ernesto Zanon

Ernesto Zanon
Foi com imensa alegria que tomamos conhecimento de sua Carta aberta a dom Luiz Bergonzini, que divulgamos em nosso blog.  A coragem do senhor é ímpar. Hoje, as pessoas são quase proibidas de dizerem que acreditam em Deus.  Um jornalista dizer que está voltando para a Igreja Católica é quase crime perfeito,  com condenação certa e patrulhamento garantido até fora do Brasil.  


As ideologias propagadas por diversos organismos querem obrigar as pessoas a serem sem religião, ou “laicistas”, como dizem eles. Precisamos lutar contra essa cristofobia ou discriminação religiosa.

O senhor comenta que estou em vias de “pendurar” a batina.  No caso dos bispos, não acontece a “aposentadoria”.   Os bispos continuam bispos, subordinados ao Papa.   Apenas deixam de responder pela burocracia de uma Diocese e ficam mais livres para a ação pastoral. O sacerdócio que assumimos continua para sempre, até o dia de nossa morte. 

Em 1996, fui agraciado com o título de “Cidadão Guarulhense”  e  Guarulhos é a cidade do meu coração.  A cripta onde serei enterrado já está preparada na Catedral Nossa Senhora da Conceição.  Não sairei daqui nem morto!

Somos jornalista (MTb 123) e encontramos um meio de comunicação extraordinário na Internet.  Hoje, festejamos um ano de existência de nosso blog, que é visitado por milhares de brasileiros e internautas de dezenas de países mundo afora.  Durante esse tempo, respondemos todos os emails identificados que nos foram enviados, mesmo os mais agressivos, tirando muitas dúvidas. Percebemos que muitas pessoas tem informações superficiais ou se baseiam em informações que são distorcidas por parte da imprensa. Temos observado que os jovens querem um mundo novo.  Veja o que ecreveu o jornalista Marcelo Musa Cavallari:  
"Falando da última Jornada, realizada em agosto na Espanha, o papa Bento XVI disse: "A Jornada Mundial de Madri foi uma estupenda manifestação de fé para Madri e para o mundo".

Manifestação, aqui, em sentido forte. Manifestação como a categoria a que pertencem, por exemplo, os movimentos pacíficos que derrubaram as ditaduras do Egito e da Tunísia na "primavera árabe" deste ano. Manifestação da força e do peso de um grupo que comunga uma determinada visão sobre o mundo.
Milhões de jovens - em Madri havia entre 1,5 milhão e 2,3 milhões na missa final do papa, segundo diferentes cálculos - reivindicam, nas Jornadas Mundiais da Juventude, o direito de ver sua fé católica como parte da esfera pública, como parte, portanto, do debate público sobre os destinos da humanidade. Gente jovem que estará aí por muitos anos ainda e quer ser vista publicamente como católica. Mesmo numa Europa extremamente secularizada. Mesmo na capital de uma Espanha governada pelo socialista José Luis Rodríguez Zapatero, que fez da defesa de um secularismo imposto pelo Estado a marca do início de seu mandato, sete anos atrás. Manifestação, portanto - visível na alegria com que os milhões de jovens tomaram as ruas de Madri, por exemplo -, da vitalidade que a Igreja Católica, cuja desaparição vem sendo anunciada pelo menos desde o século 16, mostra no século 21." (AQUI)
Com muita alegria, continuaremos exercendo nossas funções pastorais de Bispo, auxiliando Dom Joaquim Justino Carreira no que ele nos pedir e tivermos capacidade de realizar, e defendendo o Evangelho, a Igreja Católica e o Papa Bento XVI até o dia de nossa morte.       

O senhor comenta que o conhecimento o afastou da Igreja.  Jesus Cristo mudou o mundo.  O tempo da humanidade foi dividido em AC (antes de Cristo) e DC (depois de Cristo), de tão relevante e fundamental que Ele foi para a vida humana. Há, nas universidades, uma campanha contínua contra a Igreja Católica. Muitos mestres universitários desconhecem que a Igreja Católica é a mãe da civilização moderna, criou as primeiras universidades e a sua Academia de Ciências é a mais antiga do mundo e tem o maior número de ganhadores do Prêmio Nobel.  Precisamos mostrar esse lado aos universitários. 

É uma alegria saber que o senhor está retornando à Igreja.  O senhor pensa que está voltando tardiamente.  O tempo de Deus não é o nosso tempo.  Nunca sabemos quais são os desígnios de Deus para nossas vidas.  
"Então, os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: "Senhor, é agora que vais restaurar o Reino para Israel?" Jesus respondeu: "Não cabe a vocês saber os tempos e as datas que o pai reservou para a sua própria autoridade.  Mas o Espírito Santo descerá sobre vocês, e dele receberão força para serem as minhas testemunhas  em Jerusalém, em toda a  Judeia e Samaria,  e até aos extremos da terra." (Atos 1:6-8)
Na sua juventude, o senhor já fez muito pela Igreja de Jesus Cristo e fará muito mais agora. Temos certeza que o senhor terá muitas missões evangelizadoras,  até aos extremos da terra.  Estamos jubilosos pelo seu retorno à Igreja de Jesus Cristo. 
Jesus Cristo - o caminho, a verdade e a vida - sempre esteve de braços abertos e está muitíssimo feliz com seu retorno. 
Seja bem-vindo!
Deus abençoe o senhor e sua família.
Dom Luiz Gonzaga Bergonzini       

Nossa Senhora da Paz - Padroeira de El Salvador


Nossa Senhora da Paz - Padroeira de El Salvador
Liturgia: 09 de julho

No ano de 1682, EI Salvador era assolada por uma violenta guerra fratricida. Foi naqueles dias que alguns mercadores, passando pelas praias do Mar do Sul, encontraram uma grande caixa de madeira e ficaram muito intrigados. Tentaram abri-Ia mas foi em vão. Resolveram então levá-Ia ao centro da cidade para as autoridades, pois julgaram tratar-se de algum tesouro à deriva depois de um assalto pirata.

Com muito custo, pois a caixa era muito pesada, chegaram à pequena Vila de São Miguel, e eis que, em frente à igreja paroquial, o burrico que carregava a preciosa carga empacou. Acharam melhor abrir ali mesmo a caixa. Qual não foi a surpresa de todos ao encontrar a linda imagem da Virgem, em tamanho natural, vestida de rainha, com o Menino Jesus em seu braço esquerdo.

A notícia do encontro da imagem correu rápido por todos os cantos do país, chegando até aos campos de batalha.

E o primeiro prodígio aconteceu. Soldados e civis, tocados pela doce ternura da Virgem, depuseram as armas e a paz reinou em todo o país. Passaram então a chamá-la Nossa Senhora da Paz. E ficaram no ar sem respostas as dúvidas a seu respeito: Para onde estaria indo a imagem da Virgem da Paz? Teria seu navio sido vítima de um naufrágio? Por que o burrico empacou justamente diante da igreja, na praça principal?

O certo é que ali mesmo construíram o primeiro altar a Nossa Senhora da Paz, de onde manifestaram-se muitos favores e bênçãos ao povo salvadorenho. Guerras são evitadas, tremores de terra, tempestades, vulcões são neutralizados sempre com a intercessão da querida Virgem da Paz.
Em 23 de novembro de 1966 ela foi proclamada Padroeira de EI Salvador, pelo Papa Paulo VI. Sua festa oficial acontece no dia 9 de julho.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Anarquia sexual: o legado de Kinsey

Dra. Judith A. Reisman e Dra. Mary E. McAlister
24 de agosto de 2011 (Notícias Pró-Família) — Nossas crianças estão sob ataque de um inimigo pérfido e perigoso.
Alfred Kinsey, o homem que encabeçou a engenharia social que criou o movimento de anarquia sexual
Em 17 de agosto de 2011, mais de 50 ativistas participaram de uma conferência para “indivíduos que sentem atração por menores de idade”, isto é, pedófilos. O propósito da conferência foi eliminar o “estigma” ligado à pedofilia e redefinir a pedofilia como “orientação sexual” normal. O Ministério da Justiça dos Estados Unidos apurou que 64 das vítimas de estupro anal violento são meninos com menos de 12 anos e que 58.200 crianças foram raptadas por indivíduos não parentes em 1999.
Os tão chamados “especialistas” no campo da sexualidade humana afirmam que as crianças são sexuais não só desde o nascimento, mas até mesmo no útero e são participantes voluntárias de atos sexuais com adultos.
Crianças são incentivadas a ter experiências sexuais cedo e muitas vezes e a se envolver sexualmente com membros do mesmo sexo bem como do sexo oposto. As doenças sexualmente transmissíveis entre adolescentes estão aumentando em proporções epidêmicas, e variedades novas e às vezes fatais de doenças estão sendo registradas. Mais de 50.000 adolescentes contraíram o HIV que avançou para AIDS total e já em 1992 mais de 7.000 meninos e 1.500 meninas morreram de HIV/AIDS.
Como foi que chegamos a esse ponto? Como é que podemos deter essa loucura antes que percamos uma geração inteira?
A pergunta de como chegamos a esse ponto pode ser respondida com duas palavras: Alfred Kinsey. Mesmo 55 anos depois de sua morte. O Dr. Alfred C. Kinsey continua a afetar profundamente a cultura americana. Dois de seus apoiadores mais ardentes, a Dra. Carol Vance, ativista lésbica e antropóloga da Universidade de Columbia, e o Dr. John Money, um defensor assumido da pedofilia e pioneiro de cirurgia transgênera na Universidade de Johns Hopkins, resumiram de forma convincente o legado do Dr. Kinsey — um legado que eles consideram “progresso” sexual, mas é em realidade anarquia sexual.
Falando num congresso sobre Kinsey em 1998 de companheiros sexólogos da Universidade Estadual de San Francisco, a Dra. Vance disse: “O campo de batalha é a biografia”. [1] Se Kinsey for desacreditado, ela alertou, “200 anos de progresso sexual poderão ser arruinados”.
As declarações da Dra. Vance ecoam comentários feitos em 1981 pelo Dr. Money no 5º Congresso Mundial de Sexologia em Israel. Eles também concordaram que as informações contidas na Tabela 34, abaixo, e os outros dados que registram os abundantes abusos de crianças de Kinsey e sua equipe, descritos em detalhe no estudo de Kinsey de 1948 sobre a sexualidade masculina, seriam a destruição das “eras pré- e pós-Kinsey” globalmente e nos EUA.
Aliás, o Dr. John Bancroft, diretor do Instituto Kinsey, disse na conferência de 1998, que comemorou o aniversário de 50 anos dos estudos de Kinsey, que ele “rezava” para que um programa de televisão britânico, “Secret History: Kinsey Paedophiles” (História Secreta: Os Pedófilos de Kinsey), jamais fosse exibido nos Estados Unidos porque o público não compreenderia a “ciência” que Kinsey usou quando publicou as tabelas 30-34. Ele compreendia que se essas tabelas fossem amplamente divulgadas nos Estados Unidos, então o campo inteiro da sexualidade humana e da educação sexual humana seria destruído.
Esse campo da sexualidade humana e da educação sexual humana e 200 anos de “progresso sexual” que esses “cientistas” de elite estavam tão preocupados que seriam destruídos são descritos de forma melhor como anarquia sexual. Essa anarquia sexual que deu a esses cientistas e seus seguidores prestígio, dinheiro, credibilidade e controle sobre a desconstrução da sociedade civil judaico-cristã foi fabricada pelo Dr. Kinsey.
Kinsey
Como zoólogo de vespas na Universidade de Indiana de 1920 até sua morte em 1956, o Dr. Kinsey é famoso por seus livros de grande impacto, Sexual Behavior in the Human Male [Conduta Sexual no Homem] (1948)[2] e Sexual Behavior in the Human Female [Conduta Sexual na Mulher] (1953),[3] financiados pela Universidade de Indiana e pela Fundação Rockefeller. O Dr. Kinsey disse que sua missão era eliminar o legado legal e comportamental sexualmente “repressivo” do Cristianismo e Judaísmo. Ele afirmava que esse legado sexual “repressivo” era responsável por males socio-sexuais como o divórcio, estupro, filhos ilegítimos, doenças venéreas, delinquência juvenil, promiscuidade sexual, homossexualidade, adultério e abuso sexual de crianças.
Além disso, ele argumentava que se nós americanos admitíssemos que estávamos realmente engajados em condutas devassas generalizadas, em vez de negar hipocritamente, então esses males socio-sexuais seriam dramaticamente reduzidos.
Em grande medida, a missão do Dr. Kinsey foi cumprida, na maior parte depois de sua morte, por sua legião de verdadeiros crentes — elitistas que fizeram lavagem cerebral sistemática em seus colegas das elites intelectuais para adotar a cosmovisão secular pansexual e jogar no lixo a cosmovisão judaico-cristã sobre a qual este país foi fundado e prosperou.
O resultado da missão do Dr. Kinsey foi totalmente o contrário da utopia que ele predisse. Em vez de reduzir os males socio-sexuais que ele afirmava eram desenfreados nos Estados Unidos antes de Kinsey, a implementação da cosmovisão de Kinsey vem aumentando o existente trauma sexual global e ao mesmo tempo vem introduzindo um exército de novos males que são objetivamente definidos como anarquia sexual. Como um câncer se espalhando em todo o corpo, a anarquia sexual se espalhou em toda a estrutura da sociedade, afetando todos os aspectos da vida americana e todo homem, mulher e criança.
De acordo com o “estudo” de Kinsey financiado pelos Rockefellers, a “ciência” dele demonstrou que os seres humanos desde o início viviam copulando como insetos ou macacos, mas de modo sistemático e hipócrita viviam mentindo sobre suas condutas. Os adultos afirmavam que eram virgens, ou matrimonialmente fiéis, mas, de acordo com Kinsey, a verdade era que a maioria das pessoas era promíscua e a generalizada promiscuidade sexual não havia provocado nenhum dano à sociedade civil.
Portanto, disse Kinsey, todas as leis que restringem a conduta sexual — as leis que haviam favorecido e protegido mulheres, crianças e a família durante gerações — eram simplesmente sobras antiquadas deixadas por uma era desinformada e hipócrita. Tais leis sexuais não eram mais válidas numa “era sexualmente iluminada e honesta”.
Depois, apareceu “o propagandista de Kinsey”: Hugh Hefner e sua revista Playboy. Por insistência de Kinsey, as leis dos Estados Unidos foram esvaziadas para se assemelharem ao estilo de vida de sexo livre que Kinsey alegava que os americanos estavam vivendo desde o começo, e pudessem finalmente viver publicamente com um espírito aberto e livre — sem mais mentiras e fingimento. Portanto, o Código Penal Modelo do Instituto de Direito Americano em 1955 jogou no lixo os padrões sexuais do “direito comum” que eram baseados na autoridade e precedente da Bíblia para ficar com a “lei científica” baseada nos “dados alegadamente objetivos” de Kinsey.
O Instituto de Direito Americano (IDA) recomendou leis que trivializavam o estupro e permitiam a fornicação, a coabitação, a sodomia e o adultério. Logo depois, a fornicação, a coabitação e o adultério foram descriminalizados de modo que se tornariam comuns, normais e inofensivos, conforme Kinsey disse que haviam sido desde o começo. Em 1957, o Ministério da Defesa dos Estados Unidos usou Kinsey e sua equipe para concluir que os homossexuais não representam um risco de segurança.
O IDA também recomendou mudar a definição de obscenidade, o que o Supremo Tribunal fez em 1960. Naquele mesmo ano, a alegação de Kinsey de que de 10% a 37% da população masculina são pelo menos às vezes homossexuais foi usada para promover “direitos gays” nas profissões das elites, tais como medicina, psiquiatria, assistência social, educação, etc.
Em 1961, Illinois se tornou o primeiro estado a legalizar a sodomia heterossexual. Em 1962 Ralph Slovenko escreveu na revista Vanderbilt Law Review (Análise do Direito na Universidade Vanderbilt) que crianças de quatro ou cinco anos são provocativas: “Até mesmo com a idade de quatro ou cinco anos, essa sedução pode ser tão potente a ponto de oprimir o adulto e levá-lo a cometer o crime”.
Naquele mesmo ano, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos declarou que a oração em escolas públicas era inconstitucional [4] e no ano seguinte declarou que a leitura da Bíblia nas escolas públicas era inconstitucional. [5] 


A cosmovisão judaico-cristã foi eliminada das salas de aula. As escolas não mais poderiam ensinar que a fornicação, o adultério ou a coabitação eram ilegais, e os professores de saúde não mais poderiam indicar que o sexo deveria ser confinado ao casamento porque isso refletiria uma cosmovisão “religiosa”, portanto, alegadamente sem base científica.
A única possibilidade que restava para ensinar a reprodução humana era a cosmovisão “científica” de Kinsey.
Em 1968, mais de 51.000 profissionais sexuais haviam sido treinados pelo não autorizado IEASH (Instituto para o Estudo Avançado da Sexualidade Humana) para ensinar a sexualidade, conforme Kinsey, nas escolas e faculdades médicas e a projetar currículos de educação sexual para as escolas. Em 1975, o IEASH começou a credenciar educadores sexuais em “sexo seguro” com o nível de doutorado.
A contracepção se tornou uma necessidade em face das mudanças radicais no cenário sexual, e assim é que foi legalizada em 1965.[6]
Tabela 34, uma das cinco tabelas que documentam que o protocolo de abuso sexual da equipe de Kinsey no livro Conduta Humana no Homem (1948).
À medida que a evidência de falta de “consentimento” se tornou o único critério para crimes sexuais, as alegadas vítimas de estupro eram comumente desafiadas como “gostando” do sexo brutal e como dando consentimento para a atividade sexual. A prostituição e o estupro foram cada vez mais mencionados como “crimes sem vítimas” nos tribunais e nos meios de comunicação.
Portanto, o direito de ter sexo para “diversão” e lucro se tornou a justificativa para uma indústria sexual, inaugurada pelo propagandista de Kinsey, Hugh Hefner, que inclui pornografia infantil e adulta, exibicionismo, prostituição e clubes de strip-tease, para mencionar somente uns poucos. 


Essa indústria cresceu tanto que virou um mercado multibilionário, dando a seus fornecedores os recursos e poder político para negociar verbas para organizações de pesquisa na área de sexologia e organizações que criam currículos de educação sexual para as escolas dos EUA, bem com o acesso a grupos de pressão política e, comprovadamente, a legisladores estaduais e federais para continuarem a mudar a lei para favorecer os interesses da indústria sexual.
Playboy e outras revistas pornográficas têm também financiado a Federação de Planejamento Familiar, o Conselho de Informações e Educação Sexual dos Estados Unidos (conhecido pela sigla em inglês SIECUS), o Instituto Kinsey e outras instituições de “sexologia”. Em 1967, a Playboy concedeu a primeira de muitas verbas para a [organização esquerdista de pressão política] ACLU para apoiar o uso de drogas, a pornografia, o aborto, a homossexualidade, a [des]educação sexual nas escolas e a eliminação ou redução das penas para os criminosos sexuais. Começando em 1970, a Playboy oficialmente concedeu financiamentos para a ONRLM, Organização Nacional para Revogar as Leis contra a Maconha.
O ano de 1969 trouxe eventos importantes relacionados à campanha sistemática para normalizar a homossexualidade conforme era promovida com sucesso por Kinsey 21 anos antes. A Frente de Liberação Gay foi formada na Universidade Alternativa de Nova Iorque. A Associação Americana de Sociologia oficialmente declarou que a homossexualidade é normal, citando a “pesquisa” de Kinsey. A Força-Tarefa sobre Homossexualidade dos Institutos Nacionais de Saúde Mental recomendou legalizar atos homossexuais (sodomia) consensuais privados citando os “dados” de Kinsey. [7] Em 1972, essa força-tarefa, liderada por discípulos de Kinsey, recomendou insistentemente que a homossexualidade fosse ensinada como variação sexual normal nas escolas dos EUA.
Uma lei de divórcio “sem determinação de culpabilidade” foi solenemente introduzida na Califórnia em 1970. Em 1985, leis de divórcio “sem determinação de culpabilidade” estavam em vigor em 49 estados. Isso ocasionou um aumento enorme no índice de divórcio e o empobrecimento de mulheres e crianças, aumentando a necessidade para assistencialismo estatal e aborto, sendo que o aborto foi legalizado em 1973.[8]
A ausência de pais no lar reduziu a vida doméstica econômica, social, emocional e espiritual, o que provocou uma epidemia de abusos sexuais contra as crianças, mais promiscuidade sexual, mais criminalidade — inclusive estupro e prostituição — mais doenças venéreas e esterilidade em moças


Sem nenhum pai no lar, os filhos estavam de modo significativo mais vulneráveis a abusos por parte de crianças mais velhas, o que era redefinido por Kinsey como “inofensivas” brincadeiras sexuais entre colegas. Essas “inofensivas” brincadeiras sexuais levaram a índices elevados de doenças venéreas, promiscuidade sexual, identidade homossexual assumida e suicídio.
Essas desordens então abriram a porta para formas adicionais e mais perigosas de [des]educação sexual compulsória mascaradas como “orgulho” da própria “orientação” sexual, leis contra bullying, prevenção à AIDS e mais orientações em “sexo seguro”, inclusive masturbação mútua, sodomia oral e anal e ver pornografia.
Em 1981 a Dra. Mary Calderone, presidente do SIECUS e ex-diretora médica da Federação de Planejamento Familiar, radicalizou mais do que Kinsey, afirmando que as crianças são sexuais no útero (Kinsey dissera que as crianças eram sexuais desde o nascimento).
Calderone anunciou que a conscientização da sexualidade infantil era a meta principal de sua organização. Isso marcou o padrão “científico” para a distribuição de camisinhas para crianças na nação inteira. Intervenções terapêuticas foram instituídas para ajudar os jovens que estavam agora cada vez mais traumatizados. 


Intervenções farmacológicas também aumentaram, inclusive vacinas compulsórias de Hepatite B para bebês e vacinas do HPV para crianças em idade do ensino fundamental como “proteções” contra DSTs. Ambas as vacinas foram promovidas num manifesto pedófilo de 1977 chamado “Direitos da Criança”.
Dava para se escrever centenas de páginas sobre essas questões e os efeitos colaterais adversos da bem-sucedida propaganda de promiscuidade de Kinsey que fizeram os EUA cair num estado de anarquia sexual.
Precisamos colocar toda nossa atenção agora no modo como podemos deter toda essa loucura — não ignorando o problema ou desistindo de tudo em desespero. Deus está do nosso lado, exatamente como Ele estava do lado daqueles que fundaram este país. Deus usou 56 homens tementes a Deus para enfrentar a maior potência imperial do mundo livre e dar nascimento a esta grande nação. Ele pode nos usar para enfrentar o atual estado de anarquia sexual, retornar esta nação às nossas raízes judaico-cristãs e resgatar nossos filhos do inimigo que busca roubar, matar e destruir. Como beneficiários da ação miraculosa de Deus que criou os Estados Unidos, não podemos fazer menos que isso. Kinsey e seus discípulos no Instituto Kinsey por mais de 60 anos estão remoldando a cultura americana. Com as décadas de pesquisas da Dra. Reisman, temos as armas para prevalecer, e precisamos nos unir para criar uma resposta judaico-cristã para o Instituto Kinsey. Temos o apoio do Deus do universo. Podemos e temos de ganhar esta batalha.
Notas:
1.“O campo de batalha se tornou a biografia à medida que conservadores morais como a Dra. Judith Reisman se esforçam para desacreditar Alfred Kinsey a fim de rever outra era americana”, alertou a professora Carole Vance. Outro infame sexólogo declarou: “Tenho alguns problemas, e estou certo de que vários de nós têm, com o uso da palavra ‘normal’. Se considerarmos o abuso sexual de crianças, o problema para defini-lo, até que ponto estamos falando dos aspectos da conduta que chamaríamos errada… não sabemos realmente até que ponto essas experiências são danosas…” (6 de novembro de 1998, seminário da Universidade Estadual de San Francisco “Kinsey At 50: Reflections On Changes In American Attitudes About Sexuality Half A Century After The Alfred Kinsey Studies”, celebrando Kinsey e tratando de estratégias de anarquia para uma novo futuro sexual global).
2.No mesmo ano, a Fundação Carnegie financiou o Comitê de Educação Legal da Associação de Advogados, Juristas e Magistrados dos EUA e do Instituto de Direito Americano. Outros livros pró-Kinsey foram publicados pedindo reformas nas leis sexuais e complacência para os criminosos.
3.Naquele ano, a comissão parlamentar Reece foi proibida de investigar os dados de Kinsey. Além disso, a Federação de Planejamento Familiar foi fundada em Washington, D.C.
4.Engel v. Vitale, 370 U.S. 421 (1962).
5.Abington School District v. Schempp, 372 U.S. 203 (1963).
6.Griswold v. Connecticut, 381 U.S. 479 (1965) (casais casados), Eisenstadt v. Baird, 405 U.S. 438 (1972)
(casais amigados).
7.O Supremo Tribunal manteve a criminalização da sodomia na decisão Bowers versus Hardwick, 478 U.S. 186 (1986), mas então revogou essa decisão e resolveu que a sodomia homossexual não mais poderia ser criminalizada, na decisão Lawrence versus Texas, 539 U.S. 558 (2003). Essa última decisão foi em grande parte baseada no Código Penal Modelo do IDA, o qual era amplamente mencionado como um documento de Kinsey.
8.Roe versus Wade, 410 US 113 (1973). Conforme o juiz Kennedy observou na opinião da decisãoLawrenceGriswold e Eisenstadt eram parte do campo de batalha para a opinião em Roe. Lawrence, 539 U.S. at 565. Isso ilustra como o legado de Kinsey tem permeado todos os aspectos da sociedade.

Desafiando a medicina e a adversidade física

Stephen Hawking completa 70 anos e mostra triunfo sobre a adversidade

Claudia Rahola - 08/01/2012 - 07h00 - Em Londres
  • Hawking atribui sua fama à doença com a qual convive desde os 21 anos e que abalou progressivamente suas funções motoras
    Hawking atribui sua fama à doença com a qual convive desde os 21 anos e que abalou progressivamente suas funções motoras

Quando foi diagnosticado com a doença neurodegenerativa há quase meio século, ele recebeu uma previsão de poucos anos de vida, mas Stephen Hawking, um dos cientistas mais famosos do mundo, está pronto para celebrar 70 anos hoje (8) desafiando todas as adversidades.

Paralisado, obrigado a utilizar uma cadeira de rodas e a falar por meio de um computador, Hawking continua trabalhando incansavelmente para revelar os mistérios do universo e tornar acessíveis ao maior público possível os complicados conceitos da física.


"As pessoas diagnosticadas com esta doença, uma forma atípica de esclerose lateral amiotrófica, morrem em média 14 meses após o diagnóstico. Obviamente, Stephen Hawking é excepcional pela quantidade de tempo que vive com ela", explicou à AFP Elaine Gallagher, da Associação de Doenças Neurodegenerativas.


O próprio astrofísico atribui sua fama à doença com a qual convive desde os 21 anos e que abalou progressivamente suas funções motoras.

"As pessoas são fascinadas pelo contraste entre minhas capacidades físicas extremamente limitadas e a imensidade do universo com o qual trato", explica com modéstia e humor em seu site o autor de "Uma Breve História do Tempo" (1988), um livro de divulgação científica que vendeu milhões de exemplares em todo o mundo.

A fama do cientista é tamanha que inclui participações especiais em séries de TV como "Star Trek" e "Os Simpsons", no qual em uma discussão de bar ameaça roubar de Homer Simpson a curiosa tese sobre o universo na forma de donut.

Para o astrônomo real Martin Rees, que o conheceu quando ambos cursavam doutorados na Universidade de Cambridge, Hawking "se tornou possivelmente o cientista mais famoso do mundo, aclamado por suas pesquisas brilhantes, por seus livros best-sellers e, acima de tudo, por seu assombroso triunfo ante a adversidade".

Ele destaca, no entanto, que o sucesso entre o grande público não deve ofuscar as importantes contribuições de Hawking ao mundo da ciência pura, em particular nas áreas dos buracos negros, relatividade e gravidade.

"Indubitavelmente ele fez mais que qualquer um desde Einstein para melhorar nosso conhecimento sobre a gravidade", declarou o ex-presidente da Royal Society, uma das instituições científicas mais antigas e prestigiosas do mundo, na qual Hawking foi admitido em 1974, com apenas 32 anos.

"Seu grande 'momento eureca', em 1974, revelou um profundo e inesperado vínculo entre a gravidade e a teoria quântica", completou.

Para o dia em que completa 70 anos, o Centro de Cosmologia Teórica da Universidade de Cambridge, dirigido por Hawking, organizou um evento público para o qual os ingressos estão esgotados há semanas.

O simpósio sobre "O Estado do Universo" será precedido por uma conferência na qual cientistas de prestígio mundial examinarão a atual situação em tópicos como buracos negros, cosmologia e física fundamental, áreas abordadas nos trabalhos de Hawking.

O Museu da Ciência de Londres também organizou para a ocasião uma mostra de fotografias que celebram a vida e a obra do astrofísico, que o público poderá visitar a partir de 20 de janeiro.

Nascido na cidade inglesa de Oxford em 8 de janeiro de 1942, no tricentenário da morte de Galileu, Hawking sempre acreditou que a ciência era seu destino e, aconselhado pelos médicos, concentrou todas as energias no estudo da cosmologia.

"Quando Stephen não podia mais fazer uso das mãos e manipular equações no papel, compensou com o treinamento para manipular formas e topologias complexas em sua mente a grande velocidade. Esta capacidade permitiu que ele encontrasse soluções para problemas físicos difíceis que ninguém conseguia resolver e que, provavelmente, ele mesmo não teria sido capaz de fazê-lo sem esta nova habilidade", afirmou o físico teórico americano Kip Thorne, um colaborador habitual do britânico.

Durante a longa carreira, Hawking recebeu vários reconhecimentos e ocupou durante 30 anos a Cátedra Lucasiana de Matemáticas de Cambridge, três séculos depois do "pai" da gravidade Isaac Newton.

Na vida privada, Hawking foi casado duas vezes e tem três filhos. Fora dos trabalhos científicos, ele confessou que as mulheres são o enigma que ainda não conseguiu desvendar.

"São um mistério completo", declarou à revista New Scientist.

Fonte: Notícias Uol

Nossa Senhora do Carmo de Maipu - Padroeira do Chile

Nossa Senhora do Carmo de Maipu - Padroeira do Chile
Liturgia: 16 de julho

No dia 16 de junho de 1251, a Virgem do Carmo aparece a São Simão Stock e entrega-lhe o Escapulário com muitas promessas. A Ordem do Carmo, na ocasião lutando com dificuldades, começa a viver uma renovação extraordinária. A partir dali os Carmelitas se expandem pelo mundo todo, principalmente Portugal e Espanha. Com facilidade encontram terreno fértil em toda a América Latina, e de modo especial no Chile.

As raízes da devoção mariana começam no início da evangelização da América Latina.

Até hoje podemos ver no convento de São Francisco de Assis, em Santiago, a primeira imagem de Nossa Senhora do Carmo, trazida pelo primeiro conquistador espanhol que veio ao Chile (D. Pedro de Valdívia). 

As primeiras manifestações da devoção a Nossa Senhora do Carmo datam do século XVI, com a construção da Igreja "La Tirana", mais ao norte do país. Ainda hoje lá acontece a manifestação religiosa popular do país: os bailes religiosos. A primeira Confraria do Carmo foi fundada, na Igreja dos Agostinianos, em 1643.

Vários acontecimentos históricos envolvem a participação benigna da Virgem do Carmo: nas lutas pela independência, ela foi proclamada Patrona e Generala do exército andino. Em seu santuário nacional, na cidade de Maipu, estão sepultados os soldados que lutaram pela pátria. Na bandeira do Chile foi colocada uma estrela branca no céu azul simbolizando a Virgem do Carmo, Patrona do Exército.

A Cruz de Maipu, símbolo da religiosidade e da luta do povo chileno, é ostentada em todas as dioceses do país, trazendo sobre as cores vermelho e azul, a estrela branca de Maria. Em cada lar daquele país são encontradas as mais diversas formas de representação da "Carmelita", como é carinhosamente conhecida no Chile.


Tudo parecia indicar que tinham sido vãs as tentativas de emancipação, empreendida por patriotas do Chile, quando em 05 de janeiro de 1817 o exército dos Andes principiava a atravessar a cordilheira. As forças militares tinham como "general"  das tropas libertadoras a Virgem do Carmo. Depois de atravessar a barreira de montanhas em vésperas do combate, os combatentes pediram o auxílio da Imagem Sagrada. 

Um ano mais tarde, em Maipu, houve uma batalha final que esteve a cargo do supremo diretor O'Higgins.  Os combatentes se reuniram na Catedral, renovando o juramento de ter por Padroeira a  VIRGEM DO CARMO. Prometeram que, caso se consolidasse a vitória, construir-lhe-iam um templo no mesmo campo de batalha. E assim foi feito em muitos anos, sendo consagrado apenas em 05 de abril de 1892. Nossa Senhora do Carmo de Maipu foi coroada solenemente como Padroeira do Chile, em 1923.


Chile: Santuário Nacional

Nossa Senhora do Carmo - Inglaterra


Nossa Senhora do Carmo - Inglaterra
Liturgia - 16 de julho 

Pelo ano de 1222, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra, alguns Carmelitas que habitavam o Monte Carmelo. Um homem penitente, austero, logo se uniu a eles. Era Simão Stock. Consta que tivesse ele recebido um aviso de Nossa Senhora que viriam da Palestina Monges devotos de Maria e que deveria unir-se a eles. Vieram depois tantos Carmelitas para a Europa que foi preciso nomear um Superior Geral para os mesmos. 

Em 1245, foi ele eleito para desempenhar este cargo. Encontrou ele dificuldades quase insuperáveis. Mandou que os Carmelitas estudassem: isto gerou uma discórdia interna, pois não queriam os mais velhos que contemplativos estudassem. O clero secular revoltou-se contra eles e pediu a Roma sua supressão. 

Diante de tanta oposição, Simão Stock, com seus 90 anos, retirou-se para o mosteiro de Cambridge, no Ducado de Kent, e pedia a proteção de Maria. Orava ele em sua cela, quando viu um clarão, na noite de 16 de julho de 1251. Rodeada de anjos, Maria Santíssima entregou-lhe o Escapulário, dizendo-lhe: "Recebe, filho queridissimo, este Escapulário de tua Ordem: isto será para ti e todos os Carmelitas um privilégio. Quem morrer revestido dele não sofrerá o fogo eterno".

Desde aquele 16 de julho de 1251, Nossa Senhora do Carmo jamais deixou de amparar seus devotos, revestidos do Escapulário. Passaram sete séculos, Milhões de cristãos, trouxeram o Escapulário de Maria.

É verdade que aqui e acolá surgem vozes, negando a aparição e, por consequência, a devoção devida a Maria.

O maior inimigo do Escapulário do Carmo foi o Anglicano Launoy, dizendo que é uma lenda. O livro de Launoy foi colocado no Índice dos Livros Proibidos. O papa Bento XIV, um dos mais sábios teólogos de todos os tempos, não se limitou apenas a condenar Launoy, mas disse claramente que só um desprezador da Religião podia negar a autenticidade da Visão do Escapulário. Apesar disto, o livro de Launoy continuou a ser citado e as dúvidas persistiram. Foi devido aos ataques que se fez um estudo mais apurado e se descobriu o livro, denominado "Viridarium", escrito em 1398 por Frei João Grossi, Superior Geral dos Carmelitas. Era um homem santo e letrado, célebre na Igreja pela atividade exercida para terminar com o Grande Cisma do Ocidente. Consultou os companheiros que conviveram com S. Simão Stock. Apresenta ele um Catálogo dos santos Carmelitas, dizendo que o nono é S. Simão Stock, o sexto superior geral da Ordem. Descreveu como aconteceu a aparição, a 16 de julho de 1251. Contou que São Simão Stock morreu em Bordeus, na França, quando visitava a Província de Vascônia em 1261.

Infelizmente, a biblioteca de Bordeus foi queimada um século depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, por funcionários municipais, por causa de uma peste, com medo da propagação do contágio.

Henrique VIII, rei da Inglaterra, ao se separar de Roma e, ao fundar a Igreja anglicana, mandou arrasar as bibliotecas católicas.

Um carmelita contemporâneo de São Simão Stock, que vivia na Palestina, escreveu um livro intitulado: "De multiplicatione Religionis Carmelitarum per Provinciais Syriae et Europae; et de perditione Monasteriorum Terrae Sanctae". Nesta obra, contava as terríveis perseguições e dissenções que arruinavam a Ordem do Carmo, antes da aparição de Nossa Senhora . Opinava ele que eram fomentadas por Satanás. Declarava ele que a Santíssima Virgem apareceu ao Prior Geral, São Simão Stock e que, após a Visão de Nossa Senhora do Carmo, o Papa não só aprovara a Ordem, mas ordenara que se empregassem censuras eclesiásticas contra todo aquele que, daí em diante, fosse contra os Carmelitas. O Papa mandou cartas a todos os Arcebispos e Bispos, exortando-os a tratar com mais caridade e consideração os seus amados irmãos Carmelitas e permitissem a construção de mosteiros adequados.

Um ano depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, o Rei da França, Henrique III, em 1252, publicou diplomas de proteção real à Ordem recentemente transplantada para o seu reino.

Em 1262, um ano após a morte de São Simão Stock, o Papa Urbano IV concedeu privilégios aos membros que compunham a Confraria do Carmo. Ora o Papa só dá privilégios a associações bem constituídas.

Quinze anos depois da morte de S. Simão Stock, ocorrida em 1261, foi sepultado em Arezzo, a 10 de janeiro de 1276, o Papa Gregório X, que governou a Igreja, desde 1271. Consta que antes de ser Papa usava o Escapulário. Em 1830 quando foi exumado seu corpo para ser colocado num relicário de prata, foi encontrado intacto o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, de seda de carmezim, com precioso bordado a ouro, como convinha ao Papa. Encontra-se, hoje, no museu de Arezzo, como um dos tesouros. Este é o primeiro Escapulário pequeno conhecido na História.

Em 1820, numa Assembléia, em florença, Itália, os 40 Carmelitas reunidos falam do Escapulário, ocorrendo o mesmo, em julho de 1287, em Montpelier, França.

As constituições de 1324, 1357 e 1369 dizem que o Escapulário é o hábito especial da Ordem e que os Carmelitas devem usá-lo.

Diante disto, John Haffert diz: "Conclui-se, portanto, que a aparição da Santíssima Virgem a S. Simão Stock é, historicamente, ceríssima".

Uma vez demonstrada a historicidade da aparição de Nossa Senhora do Carmo, John Haffert analisa o cumprimento da Promessa de Maria, através dos sete séculos. Conta ele fatos e mais fatos ocorridos com o que, na vida, trouxeram o Escapulário de Nossa Senhora.
Artigo escrito por Dom Pedro Fedalto, Arcebispo de Curitiba para o Jornal Gazeta do Povo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

JMJ - História da cruz de João Paulo II e a fé dos jovens


O artigo do jornalista Marcelo Musa Cavallari conta a história da origem da cruz da JMJ. E analisa a imensurável fé da juventude demonstrada em Madri.  Marcelo sentencia: a JMJ não é uma ótima oportunidade de "evangelizar os jovens".  


A JMJ é uma "Manifestação, aqui, em sentido forte. Manifestação como a categoria a que pertencem, por exemplo, os movimentos pacíficos que derrubaram as ditaduras do Egito e da Tunísia na "primavera árabe" deste ano. Manifestação da força e do peso de um grupo que comunga uma determinada visão sobre o mundo."  


Temos certeza que na JMJ Rio 2013 os jovens brasileiros e estrangeiros presentes surpreenderão o mundo! Bote fé! 


A seguir o artigo de Marcelo Musa Cavallari

MARCELO MUSA CAVALLARI - JORNALISTA - O Estado de S.Paulo -  24 de setembro de 2011 | 3h 07

Uma cruz a caminho do Rio
O regime comunista polonês orgulhava-se de ter criado, com Nowa Huta - distrito operário próximo a Cracóvia planejado como modelo de sociedade marxista -, a "primeira cidade sem Deus" da Polônia. Na verdade, era apenas uma cidade sem igreja. Sem o prédio de uma igreja. Por isso os operários levados para povoar Nowa Huta ergueram uma simples cruz de madeira no meio da cidade. E se revezavam montando guarda a essa cruz, enquanto esperavam que sua cidade se tornasse uma paróquia.

Em 1963, o jovem bispo de Cracóvia decidiu aumentar a pressão sobre o governo comunista para que finalmente fosse permitido aos católicos de Nowa Huta erguer sua igreja. Na noite de Natal, debaixo de chuva e sob temperaturas negativas, Karol Wojtyla rezou a missa do galo em Nowa Huta pela primeira vez.  Muito antes da queda do comunismo na Polônia, Nowa Huta ganhou sua igreja. Para o então futuro papa ficou uma lição que ele levaria para o seu pontificado de mais de 25 anos: a Igreja não é um edifício. Também não é a hierarquia sozinha. A Igreja é a presença dos fiéis cristãos. Onde quer que eles estejam, ali estará a Igreja. Mesmo que seja em torno de uma simples cruz de madeira em Nowa Huta.  E foi confiando nisso que João Paulo II pôs a Igreja de volta no centro da discussão dos destinos da humanidade no final do século 20.

Uma cruz igualmente simples e profundamente simbólica está no Brasil. Ela é uma criação de João Paulo II e, de certa forma, é filha direta da cruz de Nowa Huta. Trata-se da Cruz dos Jovens, que iniciou em São Paulo, no domingo, dia 18, uma grande peregrinação por dioceses da América do Sul a caminho do Rio de Janeiro, sede da próxima Jornada Mundial da Juventude, em 2013. Há quem veja, mesmo dentro da Igreja, as Jornadas Mundiais como pouco mais do que uma celebração. Ou uma ótima oportunidade de "evangelizar os jovens", como gosta de dizer parte do clero. Uma espécie de grupo de jovens da paróquia em larga escala. Mas é muito mais do que isso.

Falando da última Jornada, realizada em agosto na Espanha, o papa Bento XVI disse:

 "A Jornada Mundial de Madri foi uma estupenda manifestação de fé para Madri e para o mundo". 

Manifestação, aqui, em sentido forte. Manifestação como a categoria a que pertencem, por exemplo, os movimentos pacíficos que derrubaram as ditaduras do Egito e da Tunísia na "primavera árabe" deste ano. Manifestação da força e do peso de um grupo que comunga uma determinada visão sobre o mundo.

Milhões de jovens - em Madri havia entre 1,5 milhão e 2,3 milhões na missa final do papa, segundo diferentes cálculos - reivindicam, nas Jornadas Mundiais da Juventude, o direito de ver sua fé católica como parte da esfera pública, como parte, portanto, do debate público sobre os destinos da humanidade. Gente jovem que estará aí por muitos anos ainda e quer ser vista publicamente como católica. Mesmo numa Europa extremamente secularizada. Mesmo na capital de uma Espanha governada pelo socialista José Luis Rodríguez Zapatero, que fez da defesa de um secularismo imposto pelo Estado a marca do início de seu mandato, sete anos atrás. Manifestação, portanto - visível na alegria com que os milhões de jovens tomaram as ruas de Madri, por exemplo -, da vitalidade que a Igreja Católica, cuja desaparição vem sendo anunciada pelo menos desde o século 16, mostra no século 21.

Não há nada nem ninguém no mundo, além da Igreja e do papa, que consiga reunir o tipo de multidão que a Jornada Mundial da Juventude reúne. É um evento maior do que a Copa do Mundo de Futebol, do que os Jogos Olímpicos, do que qualquer festival de música. Esses jovens mostram uma impressionante diversidade: eles vêm do mundo inteiro - em Madri havia gente de 193 países -, são leigos, religiosos, sacerdotes, membros de todo tipo de grupo ou movimento católico. Todos se reconhecem, no entanto, membros da mesma Igreja e querem manifestar nas Jornadas sua adesão ao ideário que formou o Ocidente e, daí, se espalhou e formou o mundo moderno. Ideário que esses milhões de jovens acreditam ter o direito de defender na esfera pública, e não apenas como uma escolha pessoal que nada tem que ver com o destino comum de todos.

A ideia da Jornada Mundial da Juventude começou a se delinear na mente do beato João Paulo II ao fim do Ano Santo de 1984.  A grande cruz de madeira que ficou durante todo o ano na Basílica de São Pedro foi confiada aos jovens por ele. A tarefa, disse João Paulo II, era "levá-la para todo o mundo". Ainda não estava claro o que isso viria a significar. Os jovens levaram cruz a eventos católicos e, aos poucos, ela foi ganhando importância como símbolo. Até que o papa enviou os jovens, com sua cruz, para Praga, então parte da Checoslováquia ainda sob domínio comunista, de onde era arcebispo o cardeal Tomasek, preso pelo regime comunista nos anos 1950.

Aí, com a Cruz dos Jovens no mesmo papel da cruz de Nowa Huta, nasceu a ideia das Jornadas Mundiais da Juventude. A simples, mas eloquente, cruz de madeira seria levada pelos jovens, com a audácia e a coragem típicas da idade, a qualquer lugar do mundo. Mesmo onde não a quisessem. Fosse uma cidade além da Cortina de Ferro, como Praga, fosse para capitais de uma Europa pós-cristã, como Paris.

No pontificado de Bento XVI, o comunismo - a mais duradoura e das sanguinárias experiências de engenharia social que marcaram o catastrófico século 20 - já é um monstro derrotado. O perigo, aponta o papa, é o relativismo moral que aceita apenas o cálculo de satisfações como critério e insiste em usar o poder do Estado para manter a visão religiosa dos cidadãos fora do debate público. Esse é o sentido profundo das Jornadas Mundiais da Juventude. É preciso levar a sério a análise do papa de que os jovens são os protagonistas da Jornada. Elas não servem para os padres e bispos evangelizarem os jovens. Elas servem, isso sim, para os jovens evangelizarem o mundo.


Colaboração Paulo Kons - Fonte: Estadão

Pedofilia: conferência nos EUA provoca horror nos participantes

Proeminente conferência pró-pedofilia provoca horror nos participantes
BALTIMORE, MD, EUA, 23 de agosto de 2011 (Notícias Pró-Família) — Líderes pró-família que estiveram numa polêmica conferência pró-pedofilia na cidade de Baltimore na semana passada dizem que ficaram profundamente abalados com o que viram e ouviram.
“Como ex-agente policial lidei com situações envolvendo suicídio, homicídio e outros tipos de violência. Mesmo assim, nunca senti o nível de malignidade e opressão espiritual que senti naquela sala”, Matt Barber, vice-presidente do  Liberty Counsel Action, disse para LifeSiteNews.
Nunca senti o nível de malignidade e opressão espiritual que senti naquela sala”, Matt Barber, vice-presidente do  Liberty Counsel Action, disse para LifeSiteNews.
“Esses ‘profissionais’ de saúde mental, e ativistas que se descrevem como pedófilos e ‘gays’ tiveram, não sei como, condições de discutir arrogantemente, de um modo quase indiferente, a ideia de estupro contra uma criança”, disse Barber. “Eles usaram termos psicológicos baratos, de modo elegante e eufemístico, para dar acobertamento quase científico para uma discussão acerca do pior tipo de perversão”.
A organização B4U-ACT patrocinou o evento em Baltimore na semana passada, no qual estiveram presentes profissionais de saúde mental e ativistas pró-pedofilia. A conferência examinou as maneiras em que “indivíduos que sentem atração por menores” podem se envolver numa revisão da classificação que a Associação Americana de Psicologia (AAP) faz da pedofilia.
Os líderes da conferência incluíam Fred Berlin da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, Renee Sorentino da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, John Sadler do Centro Médico Sudoeste da Universidade do Texas, e John Breslow da Escola Londrina de Economia e Ciência Política.
Os palestrantes falaram para os 50 participantes presentes sobre temas que variavam desde a noção de que pedófilos são “injustamente estigmatizados e demonizados” pela sociedade até a ideia de que “as crianças não são inerentemente incapazes de dar consentimento” para fazer sexo com um adulto. Na discussão também houve argumentos de que o desejo de um adulto de ter sexo com crianças é “normativo” e que o Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais (MDEDM) ignora o fato de que os pedófilos “têm sentimentos de amor e romance por crianças” do mesmo jeito que adultos heterossexuais e homossexuais têm sentimentos românticos uns pelos outros.
Numa entrevista para Notícias Pró-Família/ LifeSiteNews (LSN), Judith Reisman, professora convidada da Universidade Liberty, disse, depois de estar na conferência, que “após a decisão ‘histórica’ Lawrence versus Texas [do Supremo Tribunal] em 2003, parafraseando o juiz Antonin Scalia, vale tudo”.
“Trato desse assunto em detalhe no meu último livro, ‘Sexual Sabotage’ (Sabotagem Sexual)”, disse ela. “Depois de Alfred Kinsey, os sexólogos começaram a ocupar nossas escolas, de modo que profissionais formados têm em grande parte sido treinados para ser uma forma de anarquistas sexuais”.
“Embora a estupidez de promover uma inofensiva sexualidade sem moral nos deixe diariamente chocados, nossas arrogantes populações ‘cultas’ dizem que a moralidade não tem lugar em nossas vidas sexuais”, disse Reisman. “Exatamente como a AIDS é uma consequência natural da educação sexual e meios de comunicação sem valores morais, assim também são os abusos sexuais contra crianças. Estamos criando um novo caráter humano e o abuso sexual contra crianças é cada vez mais parte desse caráter”.
“Eu, por minha parte, já estou farto”, Barber disse para LifeSiteNews. “Esses anarquistas sexuais, qualquer que seja a classe de sua perversão, precisam parar de incomodar nossos filhos e deixarem as crianças serem crianças”.
“Eles sabem que para possuir o futuro, eles precisam possuir a mente das crianças”, disse ele. “Daí, grupos como B4U-ACT, a Rede de Educação Gay, Lésbica e Hetero, a Federação de Planejamento Familiar e organizações semelhantes, utilizam as instituições acadêmicas, desde as pré-escolas até as faculdades de pós-graduação, para fazer lavagem cerebral e doutrinar”.
Conforme foi noticiado antes por LSN, B4U-ACT classifica a pedofilia como simplesmente outra orientação sexual e condena o “estigma ligado à pedofilia”. Howard Kline, diretor de ciência de B4U-ACT, criticou a definição de pedofilia usada pela Associação Americana de Psicologia, descrevendo seu tratamento de “pessoas que sentem atração por menores de idade” como “impreciso” e “equivocado”.
Semelhantes pressões políticas, então por ativistas homossexuais, levaram à desclassificação da homossexualidade como uma desordem mental em 1973 no MDEDM. Como consequência da desclassificação do MDEDM, o debate sobre a homossexualidade e os muitos danos documentados associados com o estilo de vida homossexual tem sido totalmente censurado nos círculos psicológicos acadêmicos.

50 mil cristãos presos em campos de concentração na Coreia comunista

CORÉIA DO NORTE - Apelo das ONGs: "Liberdade religiosa e libertação de 50 mil cristãos", mobilização na internet

Nova York (Agência Fides) - Deter os crimes contra a humanidade, pleno respeito pelos direitos humanos, proteção da liberdade religiosa: é o apelo lançado pelas Organizações não-governamentais de inspiração cristã como "Christian Solidarity Worldwide" (CSW) e "Open Doors", ao novo líder da Coréia do Norte, Kim Jong-un. As duas ONGs trabalham para a defesa da liberdade religiosa no mundo e promovem projetos de assistência às comunidades cristãs que sofrem.


"Open Doors", com sede nos EUA, publica a cada ano uma classificação dos países baseada no respeito pela liberdade religiosa, onde a Coreia do Norte é "camisa preta". Hoje, conforme revela uma nota enviada à Agência Fides, a ONG organizou uma mobilização na internet, através de redes sociais e blogs, para chamar a atenção internacional para a questão da liberdade religiosa na Coreia do Norte, país em que mais de 50 mil cristãos estão presos nos campos de concentração. 

"Open Doors" convida o novo líder a "por fim ao ciclo desumano da ditadura" e espera que "exista um aumento da oportunidade de anunciar Jesus, sem medo de punições, para aqueles que estão tristes e se sentem incertos em relação ao futuro."

No convite de plena liberdade religiosa, Open Doors espera que "os cristãos coreanos obtenham nova determinação e sabedoria", para que "no dia de Natal a luz de Cristo penetra em cada casa e cada coração 
 na Coreia do Norte" a fim de restaurar a esperança a uma nação hoje oprimida e faminta.

Atualmente, observa a "Korean Church Coalition for North Korea Freedom" na Coreia do Norte existem várias "comunidades cristãs subterrâneas" e "missionários clandestinos" que, se pegos, são executados publicamente.

Num relatório enviado à Fides, CSW insta o regime norte-coreano "a fechar os campos de prisioneiros, deter as execuções, respeitar a liberdade religiosa e libertar todos os presos de consciência", convida a comunidade internacional "a pressionar a fim de promover essas mudanças". CSW lembra que "mais de 200 mil pessoas estão nos campos, sujeitas às piores formas de tortura, onde os cristãos são presos apenas por causa de suas crenças". CSW ajudou a instituir a "Coalizão Internacional para deter os crimes contra a humanidade na Coreia do Norte" (ICNK) que conta 40 ONGs internacionais. (PA) (Agência Fides 20/12/2011)

Nossa Senhora de Copacabana - Padroeira da Bolívia


Nossa Senhora de Copacabana - Padroeira da Bolívia
Liturgia 02 de agosto

As margens do Titicaca, o lago mais alto do mundo, na pequena cidade de Copa cabana, situa-se o principal santuário mariano da Bolívia. Habitada pelos incas, com suas tradições religiosas, esta foi uma das primeiras regiões a beneficiar-se com a evangelização dos missionários católicos que ali chegaram com as tropas espanholas.

Dom Francisco Tito Yupanqui, nobre descendente da família real, convertido ao cristianismo, fez voto de conseguir uma imagem da mãe de Deus que viria tirar do paganismo seus irmãos de Copacabana.

Certo dia, em seu quarto, tem a visão de uma senhora coberta por longo manto. Sustentava no braço direito um Menino reclinado sobre seu peito e na mão esquerda uma vela acesa. Yupanqui logo teve a certeza de que assim deveria ser a representação da Virgem. Sem talento para a arte, fez jejuns e orações pedindo à Virgem que o ajudasse a fazer uma imagem sua.

Depois de várias tentativas, primeiro em barro, depois em madeira, conseguiu esculpir uma imagem que estava muito longe da beleza original de sua visão. Prestes a desistir, tem uma inspiração divina, consegue retocar a imagem tornando-a belíssima, com uma expressão tão forte no olhar que comovia a quantos a contemplavam. Diz a lenda que naquela noite dois anjos vieram dourá-Ia envolvendo-a num belíssimo resplendor.

A estátua original, de um metro de altura, ocupa o altar principal do santuário da cidade de Copacabana. Em 2 de agosto de 1925 Nossa Senhora de Copacabana foi proclamada padroeira da nação boliviana. Sua devoção superou fronteiras e hoje encontram-se igrejas a ela dedicadas em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O aborto e a sacralidade da vida - Prof. Dr. Ivanaldo Santos

REVISITANDO A RELAÇÃO ENTRE A SACRALIDADE DA VIDA E O ABORTO]
(Reviewing the relationship between sacredness of life and abortion)

RESUMO

O objetivo desse artigo é realizar uma revisitação, ou seja, uma tentativa de construir um diálogo entre o princípio da sacralidade da vida e o aborto. São apresentados quatro motivos para realizar esse diálogo. O primeiro é o fato de constantemente o cristianismo e especialmente a Igreja Católica ser acusada de ter criado o princípio da sacralidade da vida. O segundo é o fato de que fundações multibilionárias planejam impor o aborto ao mundo até o ano de 2025. O terceiro é que em muitos países o aborto foi legalizado por meio de medida judicial. O quarto é o fato de o Estado possuir uma taxa de nascimentos ideal. Após essa apresentação, são construídas três reflexões sobre o tema. A primeira é que o princípio da sacralidade da vida não é uma construção ou invenção da Igreja Católica. A segunda é a dimensão da dignidade humana dentro das atuais pré-ocupações do Estado. A terceira é a crise do indivíduo.Por fim, afirma-se que a vida continua sendo um mistério para o ser humano. E este mistério carrega, em seu ventre, grande parcela do sagrado. A atual ideologia que propaga o aborto, como forma terapêutica do homem resolver seus problemas, não passa de pura alienação que nega a sacralidade da vida e, em seu lugar, deixa apenas um homem descarnado de sua própria dignidade.
Palavras-chave: sacralidade, vida e aborto. 

ABSTRACT 

The aim of this paper is conducting a review, that is, an attempt to build a dialogue between the principle of the life sacredness and abortion. They are presented four reasons for such a dialogue. The first is the fact that the constantly Christianity and especially the Catholic Church is accused of having established the principle of the sacredness of life. The second is that multibillionaire organizations plan imposes abortion to the world by the year 2025. The third is that in many countries abortion was legalized by judicial measure. The fourth is the fact the state has an ideal birth rate. After the presentation are built three observations on the subject. The first is that the principle of the sacredness of life is not an invention or construction of the Catholic Church. The second is the dimension of human dignity within the current concerns of state. The third is the crisis of the individual. Finally, it is said that life remains a mystery to humans. And this mystery carries in her womb large part of the sacred. The current ideology that has propagated abortion as a therapeutic form of man to solve his problems is nothing more than pure alienation that denies the sacredness of life and in his place let inhuman man only of his own dignity.
Keywords: Sacredness, Life and Abortion


INTRODUÇÃO

O aborto é um dos temas que está no centro das discussões éticas, teológicas, políticas e jurídicas. De um lado, tem-se a Igreja e entidades de direitos humanos que lutam pela dignidade da vida e, por conseguinte, para garantir o direito do nascituro. Do outro lado, tem-se uma série de organizações, grupos de pressão política e posições ideológicas que, nem sempre tendo consciência do teor da discussão, defendem a legalização do aborto. Dentro dessa discussão emerge, entre outros, o argumento que a sociedade
contemporânea é secular e leiga, logo é uma sociedade que abandonou ou rejeitou o princípio da sacralidade da vida. E, sem esse princípio, é possível se pensar na legalização da prática abortiva.

É por causa dessa discussão que o objetivo desse artigo é realizar uma revisitação, ou seja, uma tentativa de construir um diálogo entre o princípio da sacralidade da vida e o aborto. Para isso, são apresentados quatro motivos para realizar esse diálogo. O primeiro é o fato de constantemente o cristianismo e especialmente a Igreja Católica ser acusada de ter criado o princípio da sacralidade da vida. O segundo é o fato de que fundações multibilionárias planejam impor o aborto ao mundo até o ano de 2025. O terceiro é que em muitos países o aborto foi legalizado por meio de medida judicial. O quarto e último é o fato de o Estado possuir uma taxa de nascimentos ideal. Após essa apresentação, são construídas três reflexões sobre o tema. A primeira é que o princípio da sacralidade da vida não é uma construção ou invenção da Igreja Católica. A segunda é a dimensão da dignidade humana dentro das atuais preocupações do Estado. A terceira e última é a crise do indivíduo. Por fim, afirma-se que a vida continua sendo um mistério para o ser humano. E este mistério carrega, em seu ventre, grande parcela do sagrado. A atual ideologia que propaga o aborto, como forma terapêutica do homem resolver seus problemas, não passa de pura alienação que nega a sacralidade da vida e, em seu lugar, deixa apenas um homem descarnado de sua própria dignidade.

1. O PRINCÍPIO DA SACRALIDADE DA VIDA

Durante muitos séculos a vida social no Ocidente desfrutou de certa tranquilidade ética. E essa tranquilidade foi produzida, em grande parte, pelo princípio da sacralidade da vida. De acordo com Brustolin, este princípio afirma que a vida é propriedade de Deus e, por isso, o ser humano é um mero administrador (2006, p. 446). O princípio da sacralidade da vida vê a vida como um presente de Deus ao ser humano e que este não dispõe absolutamente da vida, mas deve preservá-la, resguardá-la desde a concepção até a morte natural.

O Papa João Paulo II, na encíclica Evangelium Vitae – que será citada por meio da sigla EV – apresenta, com grande fundamentação filosófica e teológica, o princípio da  sacralidade da vida. Para ele, a vida humana é uma realidade sagrada (EV, n. 2.22), pois desde a sua origem, supõe a ação criadora de Deus e mantém-se para sempre numa relação especial com o criador, seu único fim (EV, n. 53). Por isso, a vida humana é inviolável em cada momento da sua existência, inclusive na fase inicial que precede o nascimento (EV, n. 40.61.71). Entretanto, a dignidade da vida humana não está ligada apenas às origens, à sua proveniência de Deus, mas também ao seu fim, ao seu destino de comunhão com Deus no conhecimento e no amor dele (EV, n. 38).

A partir do século XVIII, o princípio da sacralidade da vida começa a ser questionado no Ocidente. Esse questionamento se deu principalmente por meio do movimento filosófico conhecido como Iluminismo, o qual colocava a razão como centro da vida humana; e todas as demais questões (arte, poesia, vida religiosa, etc.) seriam periféricas.

A centralização da razão conduziu o homem a aprimorar a ciência moderna e a dominar a natureza. Entretanto, a razão produzida pelo Iluminismo trouxe uma série de consequências negativas. Sobre essas consequências Zilles (2007) afirma: Nos últimos séculos, o homem apostou no cultivo sem limites da racionalidade e objetividade científicas para desenvolvimento da tecnociência e assenhorar-se da natureza. Desvendou os segredos do genoma humano, capacitandose para manipular o código do princípio genoma. Assumiu a dialética do senhor e do escravo, reduzindo seu ser à razão instrumental para dominar o mundo. Esqueceu que ele mesmo não é apenas razão e que sua razão não é apenas instrumental, pois também é coração, sentimento e emoção. (ZILLES, 2007, p. 338).

No século XIX, o que antes era uma extravagância de filósofos passou a ser uma postura adotada pela elite econômica e cultural. Com isso, a razão produzida pelo iluminismo se tornou quase que a única forma do homem ocidental formular seus pensamentos. A consequência desse processo é que o questionamento sobre o princípio da sacralidade da vida aumentou e tornou-se uma política oficial da elite dirigente do Ocidente. Já no século XX, especialmente na segunda metade desse século, as diversas facções que compõem a classe média incorporaram em seu estilo de vida a razão produzida pelo Iluminismo e, por conseguinte, o questionamento sobre o princípio da sacralidade da vida tornou-se quase um lugar comum na sociedade ocidental. Nedel afirma que a partir da década de 1970 o princípio da sacralidade da vida perde consenso e que, por isso, [...] viu-se que era possível propor outras cosmovisões (2000, p. 38-39). É por causa dessa possibilidade que se torna necessário revisitar a relação entre o princípio da sacralidade da vida e o aborto.

2. REVISITANTO A RELAÇÃO ENTRE O PRINCÍPIO DA SACRALIDADE DA VIDA E O ABORTO

Atualmente, o princípio da sacralidade da vida é questionado em diversos ambientes sociais, como, por exemplo, na mídia, na escola, na universidade e demais centros de ensino superior, no direito, na medicina, na ciência, na tecnologia e até mesmo em ambientes religiosos. Com frequência afirma-se que este princípio está ligado apenas a uma interdição puritana cristã (ROCHA, 1998, p. 167) ou simplesmente a preconceitos religiosos (GOMES; MENESES, 2008, p. 7).

Constantemente, afirma-se que a sociedade racional construída pelo Iluminismo é secular, e até mesmo pós-religiosa. Que Deus é apenas um mito ou um folclore primitivo construído pelo ser humano. Dessa forma, qualquer prática ou princípio religioso não passa de comportamento social primitivo ou alguma forma de saudosismo da vida social anterior ao advento da racionalidade instrumental.
Como bem salienta Brustolin, a secularização fez com que a vida deixasse de ser concebida como sagrada e intocável (2006, p. 446).

A consequência da secularização e, por conseguinte, do fato da vida ter deixado de ser concebida como sagrada é que a percepção da dignidade sagrada da vida foi excluída, exilando no plano da subjetividade, as concepções sacrais sobre o direito de nascer, de viver e de morrer (BRUSTOLIN, 2006, p. 445). Com isso, está aberto o caminho para a aceitação e a prática do aborto. Como afirma Mori: Quem [...] abandona o princípio da sacralidade da vida pode defender a liceidade do aborto, pelo menos por princípio (1997, p. 83). Chega-se ao ponto de se construir uma relação entre aborto e qualidade de vida (ROCHA, 19988, p. 165-166), onde o aborto é posto como um fator determinante da qualidade de vida da sociedade contemporânea.

Discutir a relação entre sacralidade da vida e o aborto é visto atualmente como uma reminiscência, uma lembrança saudosa da sociedade pré-iluminista e pré-razão instrumental. Dentro do século XXI – um século dominado pela tecnociência – onde é possível comprar remédios que provocam o aborto até mesmo na internet, o indivíduo que desejar discutir essa relação é visto como fora de moda, iletrado e desinformado.

Com relação ao fato de ser possível comprar pela internet remédios que provocam o aborto, a jornalista Adriana Dias Lopes, em reportagem intitulada Aborto on-line (Veja, 06/08/2008), afirma que, por exemplo, a ONG da Holanda Women on web vende um coquetel abortivo conhecido como aborto medicinal livremente para 70 países no mundo, incluindo o Brasil, por 70 euros. As restrições legais, penais e morais contra o aborto são sumariamente ignoradas tanto pela ONG holandesa como também pelos internautas interessados em adquirir de forma rápida o quite de 7 compridos que compõe o chamado aborto terapêutico ou medicinal.

Entretanto, são apontados quatro motivos para se discutir a relação entre sacralidade da vida e o aborto: O primeiro motivo é o fato de constantemente o cristianismo e especialmente a Igreja Católica ser acusada de ter criado o princípio da sacralidade da vida. Pesquisadores, como, por exemplo, Gomes e Menezes (2008), Duarte e Giumbelli (1994) reiteram que foram os cristãos e sua respectiva moral que criaram esse princípio. Ele foi criado como forma de haver uma diferenciação entre os cristãos e a sociedade pagã. Em última
instância este princípio foi desenvolvido pela Igreja durante a Idade Média, como forma de fortalecer e consolidar seu poder temporal. Como a Idade Média é uma época histórica, que sofre certo grau de preconceito dentro dos círculos de intelectuais no Ocidente, a consequência é que passa a existir uma tendência de rejeitar esse princípio como uma derivação da cultura que – na visão da razão instrumental – era baseada no misticismo, no atraso tecnológico, na superstição e na irracionalidade. Entretanto, é preciso questionar: realmente foram os cristãos os criadores do princípio da sacralidade da vida? Esse princípio realmente está associado à cultura medieval?

O segundo é o fato de que fundações multibilionárias, como, por exemplo, Rockefeller, Ford, MacArthur, Carnegie, Bill & Mellinda Gates e a Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF por sua sigla em inglês: International Planned Parenthood Federation) planejam impor o aborto ao mundo até o ano de 2025. Fala-se atualmente de democracia cultural e de respeito às diferenças culturais. Entretanto, quando se trata do aborto parece que não existe democracia cultural e respeito às diferenças culturais, pois se deseja e planeja-se legalizar o aborto no mundo inteiro até 2025, sem levar em conta qualquer diferença cultural. Há uma grande contradição: falase em respeito às diferenças, mas diante do aborto não há diferenças. É como se 
vivêssemos em um mundo planificado pela razão instrumental. Deve-se aceitar o aborto porque é um ato racional, terapêutico e pragmático. As diversas populações contrárias ao aborto são vistas simplesmente como primitivas, conservadoras e, acima de tudo, presas ao superado princípio da sacralidade da vida.

O terceiro motivo é que em muitos países, como por exemplo, os EUA, a Colômbia e a Turquia, o aborto foi legalizado por meio de medida judicial. Apesar da maioria esmagadora da população desses países serem contrárias ao aborto, ele foi legalizado por meio de uma intervenção do poder judiciário.

A sociedade não é democrática? Então, porque a população desses países não foi consultada? Parece que quando se trata do aborto existe uma limitação dentro da democracia. A sociedade é democrática menos para a questão do aborto. Este assunto é um privilégio para especialistas, ativistas e militantes de algum movimento pró-aborto. O resto da população é vista como pessoas atrasadas, presas a alguma moral pré-iluminista e pré-racional, especialmente ao princípio da sacralidade da vida. 

O quarto e último motivo é o fato do Estado ter uma taxa de nascimentos arbitrada como ideal (ROCHA, 1998, p. 153-154). Um fato bastante conhecido, mas muito questionado, é a jurisprudência do Estado na vida social e individual. Na sociedade moderna, o Estado administra os bens coletivos (saúde, educação, previdência social, etc.) e orienta a vida individual. Entretanto, em muitos setores essa orientação chega ao
nível do controle físico e até mesmo do controle da mente. Ele termina sendo quase que um ente político absoluto, inquestionável, todo poderoso. Uma espécie de deus da sociedade moderna, que tudo pode e tudo controla. Nessa perspectiva, a taxa de Natalidade também é controlada pelo Estado. Ele decide quem nasce e quem não vai nascer.

Para poder exercer de forma mais eficiente e rápida seu poder de decidir quem nasce e quem não vai nascer, o Estado apresenta-se à sociedade como sendo secular, racional e desvencilhado de doutrinas religiosas. Ele afirma que o princípio da sacralidade da vida está ligado apenas a crenças religiosas e que especificamente no tocante ao aborto a sociedade leiga e secular pode legalizá-lo, incentivá-lo e praticá-lo livremente sem qualquer constrangimento de ordem moral, pois a moral que, de alguma forma, aponta a dimensão antiética do aborto é apenas uma reminiscência do princípio da sacralidade da vida. Entretanto, questiona-se: de fato esse discurso do Estado é correto? Ou estamos diante de um discurso autoritário que tem por objetivo impor à população algo que, em si mesmo, é antiético e que trará sérios problemas à vida social e individual?

Não é intenção desse pequeno artigo dar uma resposta definitiva para os questionamentos que surgiram com a apresentação dos quatro motivos apontados anteriormente. Todavia, pensa-se que é possível construir uma reflexão sobre os mesmos. Essa reflexão será edificada por meio de um processo de revisitação, ou seja, uma tentativa de construir um diálogo entre a sacralidade da vida e o aborto. Essa tentativa será apresentada por meio de três reflexões.

A primeira reflexão é que o princípio da sacralidade da vida não é uma construção ou invenção da Igreja Católica. Muito menos um princípio que surgiu na Idade Média. Este princípio surgiu na antiguidade grega, muito antes do advento do cristianismo. Sobre essa questão, Rocha (1998), esclarece: A noção de sacralidade provém da tradição grega. Esta resultou da observação contemplativa do Universo. Maravilhado com a constatação da complexidade dos mecanismos de que dispõem os seres vivos e a eficiência com que desempenham suas funções, e ainda tocados pelo sentimento estético de beleza que eles despertam, os pensadores inferiram que a vida é sagrada. Daí decorre a proibição de tirar a vida, por ser moralmente errado. (ROCHA, 1998, p. 161).

O princípio da sacralidade da vida e, por conseguinte, o imperativo ético que afirma Não abortarás é anterior ao cristianismo e está presente em quase todas as manifestações religiosas presentes na humanidade. Este mesmo princípio e o respectivo imperativo ético se encontram, por exemplo, no budismo, no espiritismo, no taoísmo, nas religiões tribais e animistas.

A tentativa de associar à crítica a prática, difusão e legalização do aborto apenas a perspectiva cristã da sacralidade da vida tem um duplo objetivo. De um lado, essa postura funciona como um álibi, uma desculpa, para esconder diversos e poderosos interesses econômicos e políticos que estão por trás da discussão atual em torno da legalização do aborto, como por exemplo, o interesse de eliminar grupos sociais classificados como indesejados (pobres, habitantes do terceiro mundo, etc.) e de estabelecer uma nova eugenia, criando com isso alguma raça ou tipo humano considerado perfeito. 

Do outro lado, é uma forma da elite econômica e intelectual da sociedade contemporânea apresentar, sem grandes constrangimentos éticos, seu preconceito contra toda forma de organização religiosa e especialmente o cristianismo. No atual modelo de sociedade, a religião emerge como sendo a grande estrutura social que sofre preconceito social. Atualmente o indivíduo que professar uma fé religiosa poderá sofrer algum tipo de constrangimento social. Nesse contexto, o discurso que afirma defender o nascituro, o bebê ainda no ventre da mãe, é de origem religiosa, é um discurso que tenta eliminar da vida social a participação da religião.

Além disso, a questão do aborto não é uma questão puramente religiosa. Reduzir a discussão, em torno do aborto, apenas a dimensão religiosa é reduzir drasticamente um problema que é da humanidade, incluindo as pessoas ou grupos sociais que não possuem uma religião definida. Sobre essa questão, Zilles (1990) ressalta:
A questão do aborto não é, e nunca foi apenas uma questão religiosa, senão na medida em que é questão humana e da natureza humana. Para repudiar a prática e a despenalização do aborto não necessariamente se tem que apelar a princípios religiosos. É uma postura que, no mínimo, goza da mesma plausibilidade racional que a posição contrária. (ZILLES, 1990, p. 307).

É preciso ter consciência de que a perspectiva da sacralidade da vida não está necessariamente vinculada a uma cosmovisão religiosa (NEDEL, 2000, p. 36) e que é possível falar de uma sacralidade da vida sem referir-se ao contexto religioso-sacral antigo [...]. Existe uma sacralidade leiga que aparece, por exemplo, no movimento ecológico (JUNGES, 1999, p. 115).

Um pequeno, mais significativo, exemplo da sacralidade leiga da vida é o livro Ontologia da realidade do biólogo Humberto Maturana. Neste livro Maturana defende a tese de que a origem do ser humano (Homo Sapiens) não se deu por competição, como afirmam as teorias evolucionistas tradicionais, mas por cooperação. A espécie humana é por natureza uma espécie que necessita, busca e procura a cooperação. Por isso, os indivíduos dessa espécie tendem a preservar a vida contra todas as ameaças.

A segunda reflexão é a dimensão da dignidade humana dentro das atuais preocupações do Estado. Atualmente, ele tem uma grande agenda a cumprir que vai desde a preservação de espécies animais em extinção, passando pela organização da vida social até o crescimento da economia. Apesar de o Estado moderno ser secular, desvencilhado de doutrinas religiosas e, por conseguinte, não é orientado pelo princípio clássico da sacralidade da vida, ele é orientado pelo princípio leigo, ou seja, não religioso, da sacralidade da vida. Um exemplo disso é que ele desenvolve importantes políticas e ações para proteger e salvar espécies animais em extinção. Inclusive Bobbio (1992) ressalta que atualmente o ser humano vive a era dos direitos, onde o Estado deve estar sempre alerta para atender as diversas demandas que emanam dos cidadãos. Por sua vez Castro (2008) demonstra que a dignidade da pessoa humana é o fundamento do Estado democrático de direito.

Apesar da discussão otimista apresentada por Bobbio (1992) e Castro (2008) parece que há uma categoria humana que não é contemplada com a era dos direitos e com o Estado democrático de direito. Essa categoria é justamente os não nascidos, ou seja, o bebê  ainda no ventre da mãe. Vive-se uma grande contradição. De um lado, o Estado é o grande promotor da democracia, da igualdade e dos direitos sociais. Do outro lado, a vida nascedoura é sumarimente negligenciada. O feto, o não nascido, é o grande excluído. Ele não consta de nenhum projeto oficial do Estado, não há políticas públicas específicas e muito menos alguma legislação que garanta seus direitos e sua dignidade humana. Para a vida nascedoura a única alternativa que o Estado disponibiliza é o infanticídio por meio do aborto.

Todavia, é preciso perceber que essa contradição pode mudar. Apesar do atual modelo de Estado ser dominado por uma política anti-vida, o próprio Estado pode se utilizar do princípio secular ou leigo da sacralidade da vida e implementar políticas e ações que garantam realmente os direitos dos não nascidos, do bebê ainda no ventre da mãe. Para isso, ele já dispõe de toda uma rede hospitalar e social, da experiência em atividades estratégicas delicadas, como por exemplo, a preservação de espécies animais em extinção. Toda essa estrutura e experiência podem estar a serviço da dignidade dos não nascidos e, por conseguinte, de toda a humanidade. Visto que só há humanidade se antes houver os não nascidos, o bebê ainda no ventre da mãe.

A terceira e última reflexão é a crise do indivíduo. O indivíduo humano não é apenas uma estrutura biológica. Ele é uma complexa rede formada, entre outras coisas, pela linguagem, pelo trabalho, pela religião, pelas tradições e relações culturais. Entretanto, atualmente toda essa complexa rede é menosprezada. O homem contemporâneo é um ser pobre, reduzido quase que unicamente a tecnociência. Na ânsia de ser racional, secular e pós-religioso, o homem contemporâneo está gradativamente esquecendo a essência e o valor da vida.

Mas nem tudo está perdido. Há um retorno – mesmo que de forma tímida – a consciência do sagrado em relação à vida, questionando radicalmente a atitude do homem da tecnociência em relação à natureza (ZILLES, 2007, p. 341). Esse questionamento abre espaço para o ser humano voltar a ter consciência de que a vida é o bem fundamental e básico em relação aos demais bens e valores da pessoa (BRUSTOLIN,
2006, p. 445).

E à medida que o ser humano voltar a ter consciência de que a vida é o bem fundamental, sem o qual nenhum outro bem ou valor é possível, então deixará de existir a dicotomia entre o princípio da sacralidade da vida e os valores sociais contemporâneos. É preciso ter consciência de que a sacralidade e a qualidade da vida não devem ser vistas como mutuamente excludentes (NEDEL, 2000, p. 41) e que a valorização da vida supõe atenção à sacralidade e à qualidade da vida das pessoas (BRUSTOLIN, 2006, p. 447).

CONCLUSÃO

Dentro das atuais estruturas sociais é possível pensar uma relação entre sacralidade e a vida humana. Mesmo que essa sacralidade seja secular ou leiga como é o caso da sacralidade presente no movimento ecológico. Além disso, a sacralidade clássica, oriunda do pensamento filosófico grego e da religião, não está superada ou descartada.

Ela ajudou a construir as bases culturais e éticas do Ocidente e, atualmente, pode contribuir decisivamente para que o ser humano recupere a dimensão da amplitude da existência e da dignidade humana.

Essa recuperação é fundamental para que novamente o homem possa ter consciência de que o aborto não é um ato racional, terapêutico ou fruto de algum processo de aperfeiçoamento social, mas é apenas – e somente isso – um ato violento onde sempre morre alguém (ZILLES, 1990, p. 303). E o indivíduo que morre é justamente o ser mais frágil e indefeso, o bebê ainda no ventre da mãe.

Por fim, é preciso afirmar que, apesar de todo o domínio da vida social, instaurado pela racionalidade instrumental e de toda negação do sagrado que este domínio acarretou, é preciso ver que a própria razão não foi capaz de construir a vida. O que a razão faz é comentar e, quando possível, construir algum tipo de tecnologia que possibilita ao ser humano prolongar a vida. A vida continua sendo um mistério para o ser humano. E este mistério carrega em seu ventre grande parcela do sagrado. A atual ideologia que propaga o aborto como forma terapêutica do homem resolver seus problemas não passa de pura alienação que nega a sacralidade da vida e em seu lugar deixa apenas um homem descarnado de sua própria dignidade.

AUTOR

Professor Dr. Ivanaldo Santos 
Doutor em estudos da linguagem pela UFRN 
Professor do Departamento de Filosofia e do  
Programa de Pós-Graduação da UERN.  
E-mail: ivanaldosantos@yahoo.com.br.  

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Artigo recebido em 20/06/2011 - Artigo aprovado em 15/07/2011 - Publicado na 
Revista Eletrônica Espaço Teológico   ISSN 2177-952X.    Vol. 5, n. 8, jul/dez, 2011, p. 17-25 - http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo