sábado, 5 de maio de 2012

Saúde para você!


                                    CF 2012 - Fraternidade para Saúde        

Dom Cristiano Krapf
O manual da Campanha deste ano comenta os serviços públicos de saúde. Elogia o objetivo do SUS de oferecer um atendimento de qualidade a todos e indica caminhos para superar as deficiências que ainda existem. Uma conquista importante foi a diminuição da mortalidade infantil, mas a situação ainda precisa melhorar. 
Também a criança ainda não nascida tem o direito de ter sua vida protegida desde o ventre materno que deveria ser o lugar mais seguro do mundo, pelo amor dos pais. 
A Igreja tem o direito e a obrigação de defender o direito à vida, o fundamento de todos os direitos humanos. Defensores do aborto chegam ao absurdo de justificar práticas abortivas em nome dos direitos da mulher. Só falta proibir que a Igreja diga que provocar aborto é pecado.  O caso complicado de anencéfalos serve de pretexto para aqueles que pretendem liberar a eliminação de crianças até a hora de nascer.  Alguns países chegam a tolerar também que sejam mortas crianças já nascidas com defeitos, e velhos doentes, como foi feito por nazistas e outros que querem selecionar uma raça humana “melhor”. Uma tendência infelizmente apoiada por setores da ONU.
Quanto às praticas homossexuais é até perigoso dizer que são pecados. Pelo menos não são atentados diretos contra a vida. A Igreja deve deixar bem claro que o pecado não está nos sentimentos. Ter uma tendência, adquirida ou de nascença, é uma coisa, deixar-se levar por ela para procurar os prazeres do sexo fora do contexto da família unida pelo amor e chamada a colaborar com o Criador é outra. Todos devem aprender a não ceder a desejos contrários à vocação espiritual que nos diferencia dos bichos.
Denunciar as falhas nos serviços de saúde do Governo pode contribuir para melhorar, mas a CF deste ano é para motivar cada um a fazer o que pode pela saúde dele mesmo e dos outros. Fraternidade requer conversão pessoal para participar na construção de um mundo melhor para todos.      
Convertei-vos, e fazei penitência!        Convertei-vos e crede no Evangelho
Algumas observações podem ajudar a pensar para melhorar
1)      Muitas doenças são causadas por comportamentos pouco saudáveis.
2)      Milhões de pessoas estão doentes por comida mal escolhida.
3)      Milhões de pessoas estão doentes por não ter o que comer.
4)      Milhões de pessoas estão doentes por comer demais.
5)      Outros milhões estão doentes por falta de água limpa.
6)      Outros milhões têm doenças causadas por cigarros e bebidas.
7)      Alguns milhões estão em hospitais por causa de motoristas que beberam.
Com a eliminação dessas sete causas de problemas, os recursos atuais do SUS dariam para oferecer ao povo brasileiro inteiro um bom serviço de saúde. O problema é este: Como conseguir tais mudanças de comportamentos e atitudes?
No nosso tempo que está chegando aos limites do esgotamento dos recursos naturais, as mudanças necessárias só vão acontecer na medida em que passamos a colocar o bem comum acima dos interesses pessoais. O caminho para conseguir água boa e alimentação saudável pra todos passa por uma distribuição melhor dos recursos da terra, coisa que requer mudanças radicais, não só das leis, mas das pessoas.   
Se Deus pode tudo e nos ama, por que não nos dá de presente muita saúde, muitos amigos, prosperidade e tudo mais que queremos para nossa felicidade? Olhando bem, podemos ver que a maior parte dos sofrimentos é resultado da desobediência nossa ou de outros aos ensinamentos de Deus. Ele nos indicou o caminho da felicidade.
O primeiro passo no caminho de um mundo mais saudável é cada um cuidar de sua própria saúde, evitar tudo que possa causar doenças e atrapalhar o convívio com os outros. Muitas doenças têm suas causas na própria pessoa. A doença do alcoolismo, por exemplo, é causada pelo vício da bebida. Diz a CF que um em quatro brasileiros bebe demais, e uma em dez brasileiras também.
Além das doenças causadas pela bebida, ela ainda contribui para 60% dos desastres no trânsito com todas as suas consequências. Coisa pior ainda são os estragos da bebida no convívio familiar.  A miséria de milhões de crianças é agravada por pais que gastam dinheiro com bebidas e amantes e trazem doenças com esses pecados.
Está na hora de bolar uma campanha para valer contra o alcoolismo, algo parecido com a campanha contra os males do cigarro. Será mais difícil, porque os interesses envolvidos são maiores.     Um primeiro passo seria cobrar impostos mais pesados sobre bebidas e artigos de luxo.  Para não pressionar a inflação, fazer outra coisa importante: Eliminar impostos sobre alimentos básicos e serviços essenciais.
Outros estragos são causados por outras drogas que costumam ter seu início no vício da bebida e da maconha. O Governo deve entrar mais pesado contra traficantes, com a colaboração do povo que precisa estar atento e perder o medo de denunciar aqueles que estragam o futuro de tantos jovens para ganhar seu dinheiro. Mas a nossa missão mais importante não é reprimir, mas prevenir. Devemos educar os jovens para resistir às tentações dos vendedores de ilusões.
A humanidade já não tem mais muito tempo para desistir do caminho sem volta da exploração predatória dos recursos naturais.  A terra não consegue oferecer a todos uma vida de rico. Sem mudanças radicais de mentalidades e atitudes teremos conflitos piores que todas as guerras do passado. Devemos aprender a colocar o bem comum da humanidade inteira acima dos interesses de cada pessoa, ou de classes ou nações.
Estamos num tempo de pregadores milagreiros que prometem cura e prosperidade para seus adeptos, numa volta à mentalidade do Antigo Testamento que esperava de Deus prêmios terrenos para os fiéis e castigos para os outros. Falsos profetas ensinam que ter fé seria esperar de Deus a solução dos problemas, em vez de cada um fazer a sua parte para colaborar com Deus na construção de um mundo melhor para todos.
 Quanto aos que acham que Deus deveria fazer mais intervenções diretas do seu poder divino para resolver as dificuldades dos crentes e evitar doenças e desastres, vão aqui algumas dicas com perguntas para pensadores:
Quanto à saúde: Se não existissem doenças, quem daria valor à saúde?
Quanto ao problema da morte:  Será que a vida nesta terra seria melhor se ninguém pudesse morrer?    
Se a sua felicidade está em ter tudo que quer, ofereço uma pista para conseguir o que deseja: Para ter tudo que quer, é só querer apenas o que pode ter.
Bons serviços de saúde para todos!        Água limpa para todos!

fevereiro 29th, 2012 - Texto modificado e aumentado em 12 de abril

Dom Cristiano Krapf
Bispo de Jequié

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