segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sangue dos inocentes

Cidade do Vaticano (RV) - Os cristãos continuam a morrer em todo o mundo. Bastar abrir os jornais, ligar a televisão ou o rádio para ficar informado sobre as novas chacinas de cristãos em vários países, principalmente no continente africano nos últimos dias. Repete-se o mesmo ritual fanático e terrorístico, o assassinato em massa de fiéis inermes e alegres que participam da missa.

O século XXI, podemos constatar todos os dias, continua a ser, como o século XX, um período de martírio para os cristãos e em particular para os católicos. Basta olhar para a faixa sub-sahariana, (Norte da África), da Nigéria à Somália e ao Quênia, enquanto nos países árabes da chamada “primavera” ainda deve ser enquadrada. E os episódios de violência e de morte percorrem também a Ásia, do Paquistão à mesma Índia.

As reações oficiais são comedidas: sobre isso falara o Papa Bento XVI ao Corpo diplomático, no início deste ano, depois das chacinas do Natal. O Secretário de Estado, Cardeal Bertone, diante das mortes de Kano, na Nigéria, e de Nairóbi, no Quênia, na última semana, afirmou que “os cristãos nas trincheiras do mundo, nos países africanos, no Oriente Médio, são um fator de equilíbrio e de reconciliação, não de conflito. Portanto, parece estranho que possa haver intolerância, agressividade tão fortes contra aqueles que dão uma contribuição à reconciliação, à paz, à justiça e à solidariedade”.

É preciso reagir, os fiéis devem reagir com força, mas sem vontade de vingança, sem fomentar uma espiral de violência. A questão das chacinas dos cristãos é ja uma emergência de política internacional e como tal deve ser vista e colocada na agenda dos grandes. Levantar a questão não vai contra o pluralismo e a laicidade das instituições de países ocidentais, mas torna-se um ato de justiça.

Permanece a realidade do testemunho inerme e inconsciente de tantos cristãos que pagam com a vida uma verdade que deve ser reafirmada: no mundo, hoje, o cristianismo é um foco de liberdade, uma garantia de pluralismo, uma reserva de humanidade, um impulso ao progresso.

Mas é certo também que as razões da liberdade e da verdade nunca podem ser completamente espezinhadas e que a violência não pode prevalecer. O sangue destes novos mártires confirma com força este singular paradoxo, certificado por séculos de história. (Silvonei José)
  Radiovaticana

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