terça-feira, 1 de maio de 2012

Evangelizando no G+ com Ubuntu


Por Pe. Marcelo Galbert Masi

Recentemente ingressei no Google Plus, serviço que integra os demais serviços do Google ao modo de rede social. Uma experiência muito boa, seja pela descoberta de pessoas legais, seja pela oportunidade de evangelizar e mesmo de formar e ser formado. É também um ambiente bom para uma metalinguagem da comunicação digital, no meu caso, auxiliando a priorização que faço do Ubuntu.
Eu tinha conta no Windows Live, muito útil para quem usa Windows original. O sistema operacional é que determinava a partir de quais sites faria a comunicação na internet. Mantinha Orkut, com o qual retomei o contato com familiares que só vira até a adolescência. Fiz um "blogspot" para me expressar, que era outro que não este. Então aventurei-me a conhecer os serviços do Windows Live. Levado pela integração com o sistema que usava, descobri que podia ter um Windows Live Space, um outro blog. Mudei-me. Bom tempo em que aproveitei o Messenger para também conversar com familiares, em alguns casos com webcam. Mas surgiu a necessidade de gradativamente mudar a máquina que usava. Foi quando, ao mexer num notebook novinho, só que com Satux, num clique deixei-o sem sistema operacional. Não tinha o costume de mexer no Linux, embora já o tivesse utilizado. O técnico formatou e a pirataria se evidenciou. Cinquenta reais e dois dias perdidos em 2010 que me causaram desgosto. Foi quando fiz várias experiências com diversas distros, das quais o Ubuntu revelou-se a mais adequada. O notebook que uso na elaboração deste artigo é aquele mesmo, que precisou sofrer a instalação de um Windows original por conta do software específico para administrar a paróquia. Eu é que não vou manter um Windows sem possibilidade de atualizações de segurança, nem quero ser criminoso. O retorno ao Blogger deveu-se ao excesso de spam e vírus no hotmail e, posteriormente, ao fim do Windows Live Spaces. Com todos os serviços ligados à mesma empresa, praticamente na mesma conta, fiquei por aqui.
Dito por quais caminhos cheguei ao meios que uso para minha comunicação na rede, seja online, seja quanto ao software - uso Windows com Ubuntu instalado ao modo de programa, pelo Wubi - posso falar agora sobre o meu xodó diário de comunicação, seja como emissor, seja como receptor. Com um navegador Google Chrome, ora no Windows, como no momento, ora no Ubuntu, tendo por home page a página brasileira do Google, percebo em vermelho - cor do meu querido Inter - quantas atualizações tenho no G+, ou seja, se alguém me adicionou, se comentaram uma postagem, se positivaram algo que compartilhei, se mencionaram meu nome ao modo de link. Mantenho circulados de quatro mil e novecentos a cinco mil pessoas, deixando de lado as páginas, sendo o último o número máximo de pessoas no total de círculos. No stream, que às vezes é difícil de se acompanhar pela tão veloz atualização, se tem pornografia, xingamento, futilidade excessiva ou uso para marketing, removo o infrator de meus princípios, bloqueando caso eu esteja circulado pela pessoa, afinal, se o que publica é tão oposto ao que eu publico, não quero ocupar o espaço de outro que mais lhe agrade: são até cinco mil! E assim o stream que, quando se faz a adição de centenas de cada vez pra ver no que vai dar, pode ter muita baixaria, fica um ambiente agradável e até sadio, embora não perfeito. E é nessa imperfeição que acontece a evangelização e o compartilhamento de conteúdo mais nobre. Com ter conteúdo? Google Reader como agregador de "feeds". É daí que também compartilho no blog paroquial, no Orkut e pelo e-mail. Uns cem artigos diários para escolher. Nunca experimentei o "hangout" e bloqueei o "messenger" do G+, pois bate-papo com taciturno não dá certo. Mas já conversei com vietnamita nos comentários, afinal, é só instalar uma extensão adequada no navegador.
Disse que o ambiente fica bom, mas não perfeito. No G+ encontro por vezes quem tenha o senso comum equivocado sobre a Igreja Católica, inclusos filhos de bons católicos levados pelo papo-furado de quem não pesquisa ou limita a pesquisa a uma vertente de opinião. É quando posso cobrar fontes históricas para determinadas afirmações, quando posso dizer que ninguém é obrigado a apoiar o movimento LGBT, quando posso também interagir com pessoas que não são católicas, mas que tampouco aceitam afirmações levianas. Se um protestante agradece a Deus, compartilho seu agradecimento; não é o espaço adequado para uma discussão teológica, mas um ponto-de-encontro de amigos, onde o acolhimento pode gerar um olhar menos desconfiado sobre o outro. E vou publicando o que bons bispos dizem sobre a vida inocente, sobre a Liturgia. Mas publico também sobre Linux, curiosidades, artigos sobre economia, filosofia, enfim, tanta coisa que, religiosa ou não, edifica, às vezes algo bem trivial, como o compartilhamento da singela e significativa informação de que vou ali na cozinha preparar um café bem cheiroso.
Hoje mesmo um paroquiano disse que tinha visto o compromisso de uma determinada atividade no blog da paróquia, onde, ao final da página está compartilhada a agenda paroquial. Então percebo que mesmo no sertão isolado da Bahia a comunicação segue cada vez mais um padrão online, de modo que temos que, talvez inspirados em São Maximiliano Maria Kolbe e no "Inter mirifica", aproveitar tais meios para uma comunicação de qualidade, com menos "abobrinhas" e baixarias. Inspirarmo-nos em bons comunicadores, como Pe. Paulo Ricardo, Dom Bergonzini, Dom Keller e Dom Krapf, este último meu bispo. Pode ser em outra rede, pois outros preferirão o Facebook, o Twitter e o Wordpress. Mas o jeito de ir pelo mundo pregar o Evangelho agora passa cada vez mais pela rede que não é de pesca de peixes, mas de pesca de seres humanos, com malha virtual, sem náilon, talvez com "wireless".

2 comentários:

Pe. Marcelo Gabert Masi disse...

Grato pelo compartilhamento. A bênção e orações de V. Exa. por mim, meus paroquianos e pela saúde de meu bispo, Dom Cristiano Krapf.

oandarilho01 disse...

É sempre bom ver padres acompanhando de maneira sadia a modernidade :)
E de fato, precisamos de bons padres para nos ajudar na batalha diária da defesa da fé. Conheci recentemente um fórum de discussões sobre os cristianismo e a Igreja Católica bastante interessante: http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com
Inclusive o software utilizado, phpBB, é software livre (eu mesmo já gerenciei um destes :) )

Paz e Bem
Bruno Linhares
http://oandarilho01.wordpress.com