quinta-feira, 3 de maio de 2012

Elvis Morreu, mas Stalin vive

Confesso que volta e meia me vejo assistindo, pela tevê, às sessões do Senado Federal ou às da Câmara dos Deputados, embora esta últimas, não raro, se assemelhem a uma fila de telefone público mandando recados para o interior.

Pois foi num desses cateterismos televisivos através do coração da democracia brasileira que me deparei, na última quinta-feira, com a transmissão de uma sessão da Comissão de Relações Exteriores do Senado, sob do senador Fernando Collor. Na pauta, dois requerimentos apresentados por Eduardo Suplicy. O paulista, com sua retórica de hipnotizador, propôs o envio de duas moções. Uma ao governo dos Estados Unidos pedindo a desocupação de Guantánamo, a liberdade dos cinco agentes cubanos presos e condenados pela justiça norte-americana, e o fim do tal embargo comercial que ninguém respeita. A outra moção seria dirigida a Cuba, pedindo a libertação dos presos políticos e o levantamento das restrições às entradas e saídas de cidadãos cubanos no próprio país. Para quem não sabe, cubanos só saem de Cuba com beneplácito do governo ou dos tubarões. E o beneplácito do governo é o menos provável.

A primeira moção teve aprovação resoluta, unânime, indiscutível. A segunda abatumou. Os senadores Ranulfe Rodrigues, Vanezza Grazziotin, Fernando Collor e, principalmente, Delcídio do Amaral, entenderam inconveniente que o Brasil se imiscuísse em assuntos internos de Cuba. A moção foi rejeitada. Em vão Pedro Simon e Ana Amélia expressaram surpresa com a escancarada contradição. A maioria dos presentes não viu problemas em dar palpites à política norte-americana, mas fazer o mesmo em relação a Cuba, sim, constituiria grave intromissão em assuntos internos de uma nação soberana.

Exclame-se, amigo leitor. Xingue. Mas escolha adjetivos que correspondam a um diagnóstico político correto. Aquela turma conta muito com a ingenuidade alheia. Preza imensamente a ingenuidade alheia! Graças a essa ingenuidade, pela qual o ocorrido aponta direto para a rematada incoerência e para o absurdo, eles se dão o direito de fazer política segundo uma lógica própria, uma racionalidade disciplinada e obedecendo a um mínimo ético que é o máximo da malícia. As pessoas tendem a concluir assim: "Um peixinho de aquário perceberia tal contradição!". Sim, um peixinho de aquário e um senador stalinista. Então, entenda: qualquer deles, jamais votaria moção contra Cuba. Os repórteres que perguntaram à presidente Dilma e ao governador Tarso o que tinham a dizer sobre direitos humanos por lá, depois das recentes visitas à Ilha, proporcionaram a ambos oportunidade de tecer pesadas críticas aos Estados Unidos. Sem qualquer embaraço. Sobre Cuba, nada. Contradição? Não, apenas ética stalinista. Tudo pela causa, camaradas! Digam-me quando não foi assim. É por serem assim que tais autoridades, homens e mulheres, fazem um discurso sobre direitos humanos no Brasil, criam um Ministério da Mulher - e andam aos abraços com as autoridades iranianas.

Vou encerrar reproduzindo parte de um artigo no qual Eça de Queiroz, em 1871, expressou seu constrangimento ante o que via acontecer em seu Portugal. No caso, ele menciona a Espanha. Nós deveríamos colocar-nos, pelos mesmos e muitos outros motivos, também constrangidos diante do mundo. Diz ele: "O país não pode, em sua honra, consentir que os espanhóis o venham ver. O país está atrasado, embrutecido, remendado, sujo, insípido. O país precisa fechar-se por dentro e correr as cortinas. E é uma impertinência introduzir no meio de nosso total desarranjo, hóspedes curiosos, interessados, de luneta sarcástica".

Com a sociedade ingenuamente adaptada a uma crise moral de rosto sujo e cauda longa, podíamos, muito bem, passar sem ressuscitar entre nós e exibir ao mundo uma ética stalinista de malícia e conveniência que se impõe sobre tudo. Espere a incoerência e não se surpreenderá jamais.
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* Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

Um comentário:

stefan disse...

No ano de 1913, o déspota Stálin publicou os 10 mandamentos condutores ao comunismo, extremamente agressivo, porém não proporcionaram os resultados esperados.

Porém, o comunismo reformulou-se, reaparecendo em nova versão, disfarçadamente sob o nome de socialismo, vertente do mesmo, diferindo apenas nos métodos menos agressivos, preferindo o caminho da subversão doutrinária - o marxismo cultural - propagado pela conhecida Teologia(Heresia) da Libertação, TL, CEBs, asseclas e partidos socialistas.

Quando houver a oportunidade de golpe e o encampamento do poder, as forças de segurança de sobreaviso apoiarão o novo regime, e o resultado será: governo totalitarista, materialista, opressor e ateu e patrulhamento ideológico total. Ex.: Cuba, Coréia do Norte...

Ei-los com os procedimentos ardilosos de ação.
1.Desvirtue a juventude, facillitando o corrompimento ético-moral e sexual, atingindo a todos simultaneamente
2.Adquira e controle todos os meios de comunicação para propagar a nova doutrinação em massa.
3. Facilite todas divisões, discórdias e querelas na população, insuflando as discussões sobre assuntos sociais;
4.Defenda sempre o ESTADO DE DIREITO e enalteça a DEMOCRACIA sob todas formas possíveis e impossíveis, de forma contundente e a todo instante; por detrás o objetivo é o controle total e das liberdades individuais. A ordem é ser sutil.
5.Gaste ao máximo o dinheiro do erário público, contratando pessoas previamente doutrinadas e assumidas do novo modelo
6.Mostre sempre ao exterior imagem de país em sublevação, e provoque o pânico com explosões e todo tipo de inquietação na população e finja combater. Prendendo os autores, leis brandas propositais os liberarão pouco depois para reccomeçarem.
7. Promova greves justas e injustas e distúrbios forjados em todos os âmbitos; a ordem é causar transtornos à população e revoltá-la e os governantes fingirem que atenderão às reivindicações.
Mentir, mentir sempre; uma mentira insistida, com o passar do tempo e sempre ratificada, torna-se verdade.
9.Promova a extirpação dos valores ético-morais-religiosos, da honestidade e credibilidade aos governantes. Os agentes do partido infiltrados nos partidos democráticos acusarão os antisocialistas de irregularidades, colocando-os à opinião pública para execração, a não ser que se mudem a favor do socialismo.
10,Cadastre todos os possuidores de armas para as apreenderem em momento oportuno e não haver possiblidade de reação, tornando impossível qualquer resistência à causa, em caso de golpe.

Os relatos acima a situação atual não são meras coincidências; confira as admoestações dos últimos 10 S Padres de os católicos não votarem em candidatos e partidos socialistas, sob pena de exclusão automática da Igreja por apostasia.