segunda-feira, 30 de abril de 2012

Nossa Senhora da Anunciada - Setúbal - Portugal

NOSSA SENHORA ANUNCIADA
Liturgia: 25 de março

Em Setúbal, Portugal, surgiu a devoção a Maria com o título de Anunciada. Este nome, segundo a tradição, nasceu a partir do "anúncio" que uma senhora fez ao deparar com pequena imagem representando a Mãe de Deus.

Uma pobre mulher costumava ir à praia procurar lenha para cozinhar ou para se esquentar. Numa das vezes, ao acender o fogo, quando colocava os gravetos para alimentar as chamas, um deles saltou dali para o meio da casa. Sem nada suspeitar, a anciã recolocou-o no fogão. Novamente o graveto saltou longe, jogado por uma força invisível. Isto aconteceu por umas três vezes, o que despertou a curiosidade daquela senhora. Ela pegou o graveto, para examinar de perto o que o forçava saltar. Observou tratar-se não de um cavaco qualquer, mas, de uma pequena imagem da Mãe de Deus. Estava incrustada naquele pau miúdo, medindo, aproximadamente, "um terço de palmo" conforme relato de José Custódio Vieira da Silva, em Setúbal, 1990. Espantada, a senhora gritou: "Virgem Anunciada"! Saiu às pressas, "anunciar" às vizinhas o fato prodigioso. Daí a origem do nome. As piedosas companheiras foram ver a Senhora Anunciada. Todo o povo de Setúbal e alguns padres foram conferir o acontecido. Os eclesiásticos deliberaram que se colocasse a santa imagem em lugar conveniente.

Esta tradição que vem de pais para filhos, encontra-se registrada no "Cartório" da Confraria de Nossa Senhora da Anunciada. Ocorreu no tempo dos reis Dom Sancho II ou Dom Afonso III, por volta dos anos 1235 a 1250.

Entre os acontecimentos mais notórios ocorridos por intercessão de Nossa Senhora da Anunciada, foi a chuva abundante que caiu, imediatamente quando terminou uma procissão de penitência. A seca vinha a dois anos sacrificando toda a região, reduzindo as terras em seixos, secando os poços, fontes e rios, causando muito incômodo a todos os seres vivos. Tanta repercussão causou esse "milagre" que muitas celebridades solicitaram o ingresso na Irmandade. Entre elas D. João III e Dom Sebastião. A imagem recebeu outros nomes: "Senhora da Água; Senhora Pequenina; Senhora Angelical". O mais conhecido é Anunciada. Em dias determinados, a imagem era exposta à veneração dos fiéis, em agradecimento pelo generoso amparo com a chuva abundante.
Celebra-se em 25 de março.
Oração a Nossa Senhora da Anunciada
Maria, Mãe de Deus!
Humildemente imploramos a vossa intercessão
para alcançarmos a graça de compreender que,
vosso Filho Jesus é a fonte de todo eterno bem,
infinitamente maior que a mais abundante chuva,
símbolo da vossa bondade.
Amém.
Nossa Senhora Anunciada,
rogai por nós!
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Em Portugal, a Freguesia de Nossa Senhora Anunciaqda foi criada em 14 de Março de 1553, por desanexação da Freguesia de S. Julião, no entanto, a ocupação humana desta área, denominada Troino, remonta à Antiguidade, com particular incremento durante período romano.
Os romanos que se estabeleceram nesta zona, a partir de finais do século I a.C., dotaram, também, este núcleo urbano de complexos industriais de salga de peixe, na Comenda, junto à margem esquerda da Ribeira da Ajuda.
Após o estabelecimento da Ordem de Santiago nas vizinhas povoações de Alcácer do Sal e Palmela, no século XIII, Setúbal foi repovoada progressivamente pela zona baixa que se estende até ao Troino, contribuindo para o desenvolvimento de actividades ligadas à pesca, exploração e comércio de sal.
Conta-se que, por volta de 1250, a imagem de Nossa Senhora apareceu a uma pobre mulher que procurava fragmentos de madeira para a fogueira, dando origem, em 1368, à criação da Confraria da Anunciada.
A crença neste milagre e a devoção à santa levaram à construção da Igreja da Confraria, no local onde, supostamente, aconteceu o milagre, e que mais tarde serviu de igreja paroquial.
Muitas construções foram crescendo, entre os séculos XIV e XVI, como a Torre do Outão, em 1390, para protecção do porto, os conventos de S. Francisco, em 1410, e o de Jesus, em 1490, e, cem anos mais tarde, o Forte de S. Filipe.
O Troino desenvolveu-se ao longo dos séculos XV e XVI, estendendo-se, junto ao mar, desde o Sapal de Troino, actual Largo de Jesus, até à Fonte Nova.
Sofreu grandes alterações com o terramoto de 1755, tendo a igreja paroquial ficado destruída. A paróquia passou para a capela do Outeiro da Saúde, onde se manteve até 1878.
Porém, um novo abalo sísmico veio a assolar a população, em 25 de Novembro de 1858, reduzindo a escombros casas e bens.
indústria conserveira trouxe, entre meados do século XIX e início do século XX, grande empregabilidade às gentes de Troino, resultado do aumento do número de fábricas de conserva de peixe.
Com o aumento da população, que procurava trabalho nestas fábricas, a Câmara Municipal aprovou, em 1886, um projecto de construção de um novo bairro, na Praia do Penedo, para albergar os pescadores.
Os industriais construíram moradias na nova artéria da cidade, a Avenida Luísa Todi, e nos largos limítrofes, como o Palácio Feu Guião, no Largo da Fonte Nova, e o Palácio Botelho Moniz, no Outeiro da Saúde.




PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA ANUNCIADA

NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Fundo Fundo
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/ADSTB/PRQ/PSTB01
DATAS DE PRODUÇÃO
1581 A data é certa a 1910 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE
304 liv.; papel
EXTENSÕES
304 Livros
ENTIDADE DETENTORA
Arquivo Distrital de Setúbal
PRODUTOR
Paróquia de Nossa Senhora da Anunciada
HISTÓRIA ADMINISTRATIVA/BIOGRÁFICA/FAMILIAR
Paróquia de Nossa Senhora da Anunciada, Setúbal, diocese de Lisboa, actualmente de Setúbal. Priorato da Ordem de São Tiago. Por Decreto nº 1345, de 23/02/1915, passou a designar-se freguesia de Marquês de Pombal. Por decreto de 19/10/1850 foi anexada a esta freguesia a de Nossa Senhora da Ajuda que era capelania e curato da apresentação da Mesa da Consciência. Ficava extra-muros, no sítio da Rasca, não havendo notícia de qualquer documentação, que se presume tenha desaparecido por força de um terramoto.
HISTÓRIA CUSTODIAL E ARQUIVÍSTICA
O acervo documental esteve na posse da igreja paroquial até à criação do Registo Civil (D.G nº 41 de 20/02/1911), data em que são obrigadas a entregar os livros de registo paroquial nas repartições do Registo Civil.


Segundo o decreto nº 19952 de 27/06/1931 toda a documentação das conservatórias passa para a custódia do Arquivo Nacional da Torre do Tombo até à criação do Arquivo Distrital de Setúbal, por decreto nº 46350 de 22 de Maio de 1965. A documentação referente a esta paróquia esteve na posse dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo até dar entrada neste Arquivo Distrital em 7/7/1969.
FONTE IMEDIATA DE AQUISIÇÃO OU TRANSFERÊNCIA
Incorporações provenientes da Conservatória do Registo Civil de Setúbal em 1982, 1988, 1992, 1993 e 2001
ÂMBITO E CONTEÚDO
Este fundo é composto por livros de registo de baptismos, casamentos, óbitos e reconhecimentos e legitimações. O número total de livros inclui originais e duplicados.
INGRESSOS ADICIONAIS
Incorporações periódicas, em cumprimento do estabelecido no art.º 38 do Código do Registo Civil, que determina que de cinco em cinco anos sejam incorporados os livros com mais de cem anos, contados a partir da data do último assento.
SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO
Organização funcional. Ordenação cronológica dentro das séries.
IDIOMA E ESCRITA
Português
INSTRUMENTOS DE PESQUISA
PORTUGAL. Arquivo Distrital de Setúbal-DigitArq [Em linha].Setúbal: ADSTB, 2009- .[Consult. 12 jan. 2012]. Atualização diária. Disponível em WWW:URL:http://adstb.dgarq.gov.pt
EXISTÊNCIA E LOCALIZAÇÃO DE CÓPIAS
Fundo disponível em microfilme:175 a 193;283;288;429
UNIDADE DE DESCRIÇÃO RELACIONADAS
Confraria de Nossa Senhora da Anunciada


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