domingo, 11 de março de 2012

PICHARAM A CATEDRAL - Dom Aldo Pagotto

Dom Aldo Pagotto
Dia internacional da mulher, 08 de março. Nossa Catedral Basílica (recém-pintada) amanheceu pichada com jargões: legalização do aborto; machismo mata. Quem pratica esse tipo de barbarismo? Algum grupo de pressão pró-aborto? Enquanto essa gente utiliza o expediente do terrorismo emocional, pichando o templo religioso, milhares de voluntárias da Pastoral da Criança promovem a vida e a esperança, assumindo práticas de saúde preventiva às gestantes, aos nascituros, à mãe, à criança, bem como às pessoas idosas, envolvendo as famílias nas políticas de proteção à vida. Nossas voluntárias não saem às escondidas para reivindicar a morte de inocentes. Nossas lideranças trabalham incansavelmente à luz do dia visitando as famílias que vivem em condições precárias nos bolsões de pobreza. Nosso objetivo é salvar vidas e não eliminá-las arbitrariamente. Semelhante trabalho de proteção à vida realiza a Pastoral da Pessoa Idosa.

Uma característica de fidelidade Mestre é o martírio, o testemunho dos valores contidos no Evangelho de Jesus. A propósito, a rejeição ao aborto no Brasil aumentou em 17 anos. De acordo com a pesquisa Datafolha no final de 2011, 71% da população afirma que a legislação brasileira sobre o tema deve ficar como está. Somente 7% diz que a prática deveria ser descriminalizada. Desde 1993 a porcentagem dos que defendem que a lei continue como está subiu 17 pontos percentuais (de 54% a 71%). Quem defende a ideia de que o aborto seja permitido em mais situações caiu de 23% para 11%. Os que apoiam a descriminalização caiu de 18% para 7%. Por isso os projetos pró-aborto tramitam há tempo na Câmara e não conseguem adesão dos parlamentares, com medo de perda de votos.


Nosso povo não aceita a imposição do aborto, em nome da bandeira de grupos de pressão feminista ou de outras siglas ideológicas de gênero. Por falar em siglas, a Liga Brasileira de Lésbicas conseguiu com que Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) retirasse os crucifixos e outros símbolos religiosos das repartições da Justiça do Estado com a justificativa de que o estado é laico. 

Grupos de pressão apregoam a tolerância, entretanto, demonstram a sua absoluta intransigência ao marcar uma posição fundamentalista pela eliminação dos símbolos cristãos. Não toleram quem contrarie sua ideologia de gênero. Contradição de complexadas incontroláveis. Ora, o Estado brasileiro é laico, porem, o povo não é ateu. Nosso povo aceita a autonomia das realidades temporais. Nem o Estado que igrejas a reboque e vice-versa. O povo não pratica nem aceita a imposição do ateísmo.

Nosso povo em sua maioria cristã, praticante ou não, rejeita aqueles/as que insistem em agredir os valores e símbolos que traduzem fé, amor, verdade, vida. Por isso também não aceita uma lei que legalize o aborto provocado livremente. 

A “res pubblica” significa a salvaguarda dos bens da coletividade, bens públicos. Entre as várias dimensões dos bens se encontra a liberdade de expressão religiosa. A República brasileira nem se apropria de instituições que professam determinado credo, nem persegue pessoas que professam valores de fé, desde que não prejudique os direitos dos outros e a tranquilidade da ordem pública.
10.03.2012
Dom Aldo Pagotto
Arcebispo Metropolitano da Paraíba

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