quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Nossa Senhora da Ternura ou do Beijo Doce

Nossa Senhora da Ternura ou Nossa Senhora do Doce Beijo
Liturgia: 23 de junho
Nossa Senhora da Ternura de Vladmir

Maria, recebeu este título do povo russo, por sua devoção a um ícone de Nossa Senhora, de origem grega, pintado por um artista anônimo do século XII. Começou a ser venerado e contemplado no convento de Vzshgorod, em Kiev.

Em 1160 foi levado para a catedral da Assunção de Vladmir. Permaneceu, por muito tempo, na cidade de Vladimir; por este motivo leva o nome de "A Virgem de Vladimir", ou "A Virgem da Ternura de Vladimir".

A contemplação desse ícone nos conduz a uma experiência espiritual profunda. Leva-nos a seguir um movimento que parte dos olhos da Virgem em direção às suas mãos. Passa das mãos de Maria para a criança e da criança novamente para os olhos de Maria.

Os olhos da Virgem
Seus olhos olham para dentro e para fora ao mesmo tempo. Olham para dentro, para o coração de Deus e para fora, para o coração do mundo, revelando, assim, a unidade inescrutável entre o Criador e a criação. Seus olhos contemplam os espaços infinitos do coração, onde alegria e tristeza não são mais emoções contrastantes, mas transcendidas na unidade espiritual.

O olhar de Maria é acentuado pelas estrelas que brilham em sua testa e em seus ombros. Elas fala da presença divina que permeia seu ser. Maria está completamente aberta ao Espírito, que torna seu ser mais interiorizado e completamente atento ao poder criador de Deus. Orando à Virgem de Vladimir, constamos que ela nos vê com os mesmos olhos com que vê Jesus.

As mãos da Virgem
É impossível rezar durante muito tempo contemplando o ícone sem sentir-nos atraídos por suas mãos. Uma das mãos sustenta a criança, enquanto a outra permanece livre, num gesto aberto de convite.

Maria é a mãe de Jesus. Todo o seu ser é Jesus. Sua mão não ensina, nem explica e nem pede. Simplesmente oferece o seu filho como o Salvador do mundo a todos os que estão abertos a ver Jesus com os olhos da fé.

A mão de Maria ocupa o coração do ícone. É indescritivelmente bela. Sua centralidade resume o ícone inteiro. Transforma a imagem expressão do cântico de Maria: "Minha alma exalta o Senhor e meu espírito exulta de júbilo em Deus, meu Salvador" (Lc 1, 46).

Enquanto nossa atenção vai dos olhos para as mãos de Maria, lentamente, percebemos sua profunda paciência. Ela é a mãe paciente que espera a hora do nosso "sim". Sua mão está sempre ali, no âmago do mistério da Encarnação, convidando-nos a ir a Jesus.

O filho da Virgem
Ao olha longamente o ícone percebe-se o significado de tudo o que o rodeia. É fácil notar que o filho não é um bebê. É um sábio vestido com roupas de adulto. O rosto iluminado e a túnica dourada indicam que o sábio é verdadeiramente o Verbo de Deus, cheio de majestade e esplendor. É o verbo feito carne, Senhor de todos os tempos, fonte de toda a sabedoria, princípio e fim da criação.Tudo fica claro dentro e ao redor do filho. No filho não há escuridão.

Contemplando o rosto da criança percebemos uma luz esplêndida que cai no lado direito do ícone, tocando delicadamente o nariz da Virgem e iluminando o rosto do filho. Mas a luz vem também de dentro. É um brilho interior que se projeta para fora e aprofunda a intimidade entre mãe e filho, revelada no abraço carregado de ternura.

A criança está se dando completamente à Virgem. O braço envolve afetuosamente mãe e filho. Os olhos da criança estão fixos nos olhos dela. A atenção é plena. Sua boca está próxima à da mãe, oferecendo-lhe seu sopro divino. Jesus oferece sua sabedoria divina à Mãe da humanidade.

Os olhos da Virgem chamam nossa atenção para suas mãos; suas mãos chamam nossa atenção para a criança; e a criança nos reconduz a ela, que fala ao Filho em nome de toda a humanidade.

Trata-se de um ícone da escola cretense do século XVII. A Virgem da Ternura era um tipo de ícone que tinha uma popularidade especial nos Bálcãs, nas regiões gregas e italo-bizantinas.

Salta aos olhos as expressões de carícias dos dois rostos. Sensibiliza-nos, especialmente, a disposição das mãos: a do Menino Jesus está apoiada num confiante abandono sobre a mão direita da Mãe, enquanto que com a sua mão esquerda Ela o segura e ao mesmo tempo parece acariciá-lo. O vermelho é delicado e muito claro com relação aos demais ícones: a escola cretense acolhia elementos derivados da pintura retratística ocidental.

As vestes - feitio, coloridos, pregas - são as tradicionais: o 'mafórion' da Santíssima Virgem cereja-escuro sobre a veste azulada com mangas bordas. Jesus se veste como adulto e tem os pezinhos descalços, a mãozinha direita, apoiada sobre o joelho, aperta o rolo da Escritura, os traços do rosto mostram ser verdadeiro menino.

A auréola em torno da cabeça da Mãe de Deus delimita uma parte do fundo dourado escuro e vem tipicamente trabalhada: sobre o fundo dourado escuro e vem tipicamente trabalhada: sobre o fundo preparado com gesso antes da pintura (sempre necessário para ser verdadeiro ícone), foram incisos pequenos buraquinhos redondos ligados ao desenho, os quais depois da douração de fundo mantêm um efeito visível.

Este ícone da Virgem da Ternura mede 49x64 cm e pertence ao Pontifício Colégio Grego de Roma.
Que Nossa Senhora, a Mãe da Ternura, o único ser que 'abraça Aquele que todo o Universo não pode conter' (Santo Éfrem), desperte em nossos corações sentimentos de bondade e ternura para com todos! Amém.
Fonte: Irmã Maria Donadeo, em 'Ícones da Mãe de Deus', Ed. Paulinas, 1997, pp. 144-147.

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