sábado, 11 de fevereiro de 2012

Celibato: É melhor prevenir do que remediar - México

Com muita frequência,  ouvimos perguntas sobre o celibato. Principalmente, onde está escrito na Bíblia. O celibato é uma lei eclesiástica. Quem escolhe o sacerdócio, por livre e espontânea vontade, deve ser celibatário. 

Jesus Cristo orienta o celibato no Evangelho de Mateus (19, 10-12) e São Paulo o faz na Primeira Carta aos Coríntios (7, 32-34)

"Os discípulos disseram a Jesus::"Se a situação do homem com a mulher é assim, então é melhor não se casar." Jesus respondeu: "Nem todos entendem isso, a não ser aqueles a quem é concedido. De fato, há homens castrados, porque nasceram assim; outros, porque os homens o fizeram assim; outros, ainda, se castraram* por causa do Reino do Céu. Quem puder entender, entenda." (Mt: 19,10-12) 
 * castraram, no sentido figurado
Irmãos: 32Eu gostaria que estivésseis livres de preocupações. O homem não casado é solícito pelas coisas do Senhor e procura agradar ao Senhor.33O casado preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar à sua mulher 34e, assim, está dividido. Do mesmo modo, a mulher não casada e a jovem solteira têm zelo pelas coisas do Senhor e procuram ser santas de corpo e espírito. Mas a que se casou preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar ao seu marido. 35Digo isto para o vosso próprio bem e não para vos armar um laço. O que eu desejo é levar-vos ao que é melhor, permanecendo junto ao Senhor, sem outras preocupações. (I Cor: 7, 32-34)

Dom Felipe Arizmendi Esquivel, Bispo de San Cristóbal de las Casas, México, comentou que o sacerdote pode e deve viver a alegria no celibato.  


Discernimento e boa formação para os futuros sacerdotes SAN CRISTÓBAL DE LAS CASAS, segunda-feira, 16 de janeiro de 2012 (ZENIT.org


Neste artigo, nosso habitual colaborador do espaço “Fórum”, o bispo de San Cristóbal de las Casas, México, Dom Felipe Arizmendi Esquivel, reflete sobre duas vocações que, na Igreja católica do ocidente, devem coincidir: a vocação sacerdotal e a vocação ao celibato. A imensa maioria dos sacerdotes vive o celibato com alegria e com fecundidade espiritual. Uma sólida orientação vocacional e um acompanhamento educativo evitarão casos tão lamentáveis como o do bispo auxiliar de Los Angeles, tornado público recentemente.

Dom Felipe Arizmendi Esquivel

Fatos

Veio à tona nos últimos dias que um homem que era bispo auxiliar desde 1994 na arquidiocese de Los Angeles, nos Estados Unidos, de origem mexicana, teve que apresentar a sua renúncia porque reconheceu ter procriado dois filhos, já adolescentes nos dias de hoje. O papa não hesitou em lhe pedir que se afaste, assuma a sua responsabilidade e não cause mais danos aos fiéis. É um caso que envergonha e nos dói, que nunca deveria ter acontecido. É uma desonestidade não ter saído a tempo. É fruto da frouxidão moral promovida pela cultura moderna, da libertinagem sexual que se difunde com tanta profusão na sociedade e nos meios de comunicação. Há quem pense que é de outras épocas querer educar os filhos e os jovens na castidade e na virgindade. Há quem pense que é antinatural nos formarmos no autocontrole sexual. Há quem pense que tudo se resolve com preservativos e com métodos anticoncepcionais. Os libertinos riem quando insistimos em dizer que é necessária uma moral sexual, privada e pública, e agora se escandalizam quando um clérigo falha; ou se regozijam, porque assim se legitimam nos seus próprios vícios.

O que fazer para que não ocorram esses casos? Como evitar que sacerdotes vivam uma vida dupla, traindo os compromissos sagrados que livremente assumiram? É claro que devemos revisar a formação desde os seminários; mas conseguir a maturidade afetiva e sexual é um processo que dura a vida inteira. Não se deve dizer que o celibato é desumano, pois demonstram o contrário aqueles de nós que o vivem com serenidade, com alegria e com fecundidade espiritual.

Critérios

As Normas Básicas para a Formação Sacerdotal no México, aprovadas em nossa última assembleia plenária, indicam: “Cultivem-se os elementos necessários para uma progressiva maturidade afetiva dos seminaristas, que abranja, principalmente, a educação no amor e na liberdade, na reta consciência moral, na sexualidade bem integrada, na verdadeira amizade e na castidade. Para isto, promova-se o acompanhamento pessoal e frequente do seminarista por parte da comunidade dos formadores, especialmente do seu diretor espiritual, bem como o relacionamento afetivo com a própria família e a sadia e realmente proveitosa convivência com rapazes e com moças da sua idade, a fim de que eles possam assumir, na perspectiva da fé, o valor e a dignidade do amor humano, e ir discernindo paulatinamente a própria vocação ao sacerdócio, que implica o celibato”.

A norma é muito clara: “Sejam oportunamente orientados a abraçar outro estado de vida aqueles candidatos que, no parecer do reitor e da sua equipe formativa, e de acordo com o bispo, não forem considerados como idôneos para o ministério sacerdotal”.

Exige-se ainda:“O seminarista que terminou a etapa filosófica deverá ter consolidado uma personalidade masculina íntegra e equilibrada, madura, responsável e livre, consciente dos seus alcances e dos seus limites, comprometida no desenvolvimento harmônico e hierarquizado das suas potencialidades e das diversas dimensões da sua pessoa, capaz de estabelecer relações interpessoais sadias, construtivas e duradouras e de comprometer-se estavelmente com responsabilidades e projetos. Ao concluir a etapa teológica, o candidato ao sacerdócio deverá ter consolidado a sua personalidade e amadurecido na vivência de sua afetividade e sexualidade, de modo a ser capaz de viver serena e fecundamente no celibato a fidelidade a Deus, à Igreja e à vocação recebida, mediante um amor oblativo que se expressa no serviço, numa espiritualidade manifesta de comunhão e numa conduta de respeito pela dignidade humana, pela vida e pela justiça”.

Propostas

Ainda no seminário, é preciso formar responsavelmente os jovens para um celibato convicto e feliz. Mas também deve haver ajuda por parte das famílias, dos grupos de jovens, das paróquias e da comunidade eclesial, criando um ambiente que ajude os seminaristas a amadurecer na sua relação com todo tipo de pessoas e a discernir quem é idôneo para o sacerdócio e quem não é, para que estes, a tempo, procurem outra opção vocacional.

Fonte: ZP12011606 - 16-01-2012 - Permalink: http://www.zenit.org/article-29496?l=portuguese

Um comentário:

Fidelis disse...

Dom Luiz
gostei muito do artigo. Postei no meu blog as declarações a favor do celibato de um padre anglicano que se converteu ao Catolicismo e se ordenou, já sendo casado:
http://missaaosdomingos.blogspot.com/2012/02/sou-um-padre-casado-mas-defendo-o.html
abs
Fidelis