terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Padres pedófilos: "A Igreja vos condena sem apelo"

Bento XVI
A ira do Papa contra os padres pedófilos. "A Igreja vos condena sem apelo"

“Carta pastoral aos fiéis irlandeses para o tempo de Quaresma”. Salvo surpresas de última hora, será este o título da carta escrita por Bento XVI à Igreja da Irlanda abalada pelo escândalo dos padres pedófilos. Sacerdotes que – escreve Ratzinger – com a sua “conduta” traíram “o mandato evangélico” abalaram profundamente a vida de tantos jovens vítimas. Por isso “são merecedores” de uma “condenação sem apelo” por parte da Igreja e da justiça civil depois de serem devidamente julgados.

A reportagem é de Orazio La Rocca e publicada pelo jornal La Repubblica, 20-03-2010.

O Papa assinou a carta, ontem, na festividade de S. José, “custódio da Sagrada Família e padroeiro da Igreja universal”, como o próprio pontífice afirmara na audiência geral da última quarta-feira, ao anunciar a publicação da carta com a clara intenção de sublinhar a não causalidade do dia escolhido para assinar o documento, que vem sendo considerado o que causou mais sofrimento durante o seu pontificado.

Um texto no qual o Pontífice exprime todo o seu “desprezo” por tudo o que aconteceu nos últimos anos na Irlanda, onde – segundo duas investigações do governo – na diocese de Dublin quarenta meninos e meninas sofreram violências sexuais por parte de sacerdotes e religiosos. 

A carta – 11 páginas, traduzidas em várias línguas, inclusive o alemão – será distribuída nesta manhã, às 11h (horário de Roma) pela Sala de Imprensa da Santa Sé onde o diretor papal, padre Federico Lombardi, dará um breve briefing para responder às perguntas dos jornalistas.

Pelo que transpirou no dia de ontem no Vaticano, o Pontífice sintetiza no texto o que já disse sobre o dramático tema da violência sexual contra menores na Igreja católica durante as recentes viagens aos EUA e Austrália, e no decorrer das audiências concedidas no dia 11 de dezembro de 2009 e no dia 16 de fevereiro de 2010 aos bispos irlandeses. “Os abusos sexuais de menores – escreve Ratzinger – são um sinal contrário ao Evangelho da vida”, geram “dor na Igreja” e provocam “danos indescritíveis às vítimas e à comunidade...” E ainda: os abusos sexuais de menores “por parte de alguns sacerdotes geram vergonha” pois são atos de “grave traição da confiança”. As vítimas, para o Papa, nunca “esquecerão”. Quem sofreu violência deve receber “compaixão e cura”, enquanto os responsáveis de atos tão “abomináveis” devem ser “levados à justiça” para “serem condenados de modo inequívoco”.

As “feridas” provocadas por “tais atos” – escreve o Papa – “são profundas e é urgente restabelecer a confiança e a verdade do que aconteceu no passado para evitar que semelhantes danos se repitam no futuro”.

Aos católicos irlandeses – mas o apelo é estendido também aos países onde se deram casos semelhantes como EUA, Alemanha, Holanda, Áustria – Bento XVI recorda, contudo, que “o grande empenho da maioria dos sacerdotes e religiosos da Irlanda não deve ser obscurecido pelas transgressões e pelas traições de alguns dos seus co-irmãos...”.

Por último, Ratzinger pede à Igreja um compromisso maior na “defesa das crianças” e aos sacerdotes que se esforcem mais ainda “na oração e na santificação seguindo o caminho apontado por Jesus”.
Fonte: Unisinos

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