quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos - Prouille - França

Nossa Senhora do Rosário
Liturgia:  primeiro domingo de outubro

A origem do Terço do Rosário é muito antiga: Remonta aos anacoretas orientais, que usavam pedrinhas para contar as suas orações vocais.

O Venerável Beda sugerira aos Irmãos leigos, pouco familiarizados com o Saltério latino, que se utilizassem grãos de sementes, enfiados num barbante, na recitação dos Pai-Nossos e Ave-Marias.

Segundo a crônica, em 1328, Nossa Senhora apareceu a S. Domingos de Gusmão, recomendando-lhe a recitação do Rosário para a Salvação do mundo.

Rosário significa coroa de rosas, oferecidas a Nossa Senhora


Os principais promotores e divulgadores da devoção do Rosário,no mundo inteiro, foram os Dominicanos.
Os devotos são convidados a meditar sobre os Mistérios de Cristo Jesus, associando-nos, como Maria Santíssima, à Encarnação, Paixão e Gloriosa Ressurreição do Filho de Deus.

Santo Rosário: antídoto eficaz contra a heresia

São Domingos recebido no Céu por Jesus Cristo e Nossa Senhora
Em 1207, em Prouille, São Domingos preocupou-se com a sorte de várias donzelas que seus pais não podiam sustentar, por causa da carestia que assolava a região, e reuniu-as no primeiro mosteiro dominicano da Ordem Segunda, a das monjas. Narram alguns dos biógrafos do Santo que foi na capela desse convento que Nossa Senhora apareceu a São Domingos e lhe disse que, “como a saudação angélica tinha sido o princípio da redenção do mundo, era necessário também que essa saudação fosse o princípio da conversão dos hereges; que assim, pregando o Rosário que contém cento e cinqüenta Ave Marias, ele veria um sucesso maravilhoso em seus trabalhos e os mais empedernidos sectários se converterem aos milhares”.(3)

Prouille ou Prouilhe (do occitano : Prolha ), "berço dos dominicanos", onde o primeiroDominicana casa, um convento , foi fundada em 1206 ou início de 1207 , é um vilarejo noLanguedoc , França, situada entre Fanjeaux e Bram (agora no departamento de Aude ), no ponto onde a estrada de Castelnaudary de Limoux atravessa a estrada de Bram para Mirepoix 



A santidade de Domingos, seu rigoroso ascetismo, seu zelo inflamado, sua inalterável doçura, sua convincente eloqüência, começaram a produzir frutos esplêndidos. Muitas conversões se operaram, e em torno dele foi se juntando um grupo de jovens para receber sua direção e imitar seu exemplo. Esse foi o núcleo inicial do que seria depois a Ordem dos Predicadores ou Dominicanos.

Aqui ressaltaremos os Dominicanos, porque foram eles que por volta do ano 1200 introduziram a devoção a Nossa Senhora do Rosário. Por inspiração da Virgem Maria, São Domingos de Gusmão cria o rosário utilizado até hoje pelos católicos nas orações à Nossa Senhora.
Esta prática de fé dos religiosos Dominicanos alcança os leigos. Em 1408 surge na Alemanha a primeira Irmandade de Nossa Senhora do Rosário.
A tradição européia chega ao Reino do Congo na África por meio dos portugueses e Dominicanos.
A região do Congo foi uma das principais alimentadoras do tráfico de escravos para o Brasil. Dessa forma os bantus (como são denominados o conjunto de povos provenientes dessa localidade do território africano), foram introduzidos no país a partir do século XVI e muitos deles já eram irmãos do Rosário. E logo a devoção a Nossa Senhora do Rosário ficara atrelada a Irmandade dos Homens Pretos.
No período colonial as Irmandades eram organizações sociais de leigos católicos fundamentas também na prática da fé e da caridade. A Irmandade do Rosário era composta da seguinte forma hierárquica: Mesa Administrativa, o Conselho de Irmãos, a Coorte e o Estado Maior com suas Guardas.
No geral o ápice das atividades das Irmandades eram as festas que realizavam em homenagem aos seus santos de devoção. Cada Irmandade tinha o seu santo padroeiro. As Irmandades dos Homens Pretos comumente têm Nossa Senhora do Rosário como santa de devoção, mas também existem Irmandades dos Homens Pretos de São Benedito, de Santa Ifigênia, de São Sebastião, etc. São os famosos santos de congado.
Negros livres e escravos se reuniam em torno da devoção a Nossa Senhora do Rosário. Para rezar eles faziam terços com sementes de um capim depois batizado de “Lágrimas de Nossa Senhora”.
Fora as festas as Irmandades tinham outras obrigações onde podemos destacar: os sepultamentos (os cemitérios naquele período era exclusividade dos cristãos), orientação espiritual, ajuda mútua aos irmãos, como empréstimos e compra de alforrias.
As Irmandades dos Homens de Pretos foram de suma importância no movimento abolicionista do Brasil, porque além da compra de alforrias, fomentavam as articulações do movimento e auxiliavam os libertos na inserção social.
Pode-se afirmar que as Irmandades dos Homens Pretos foram um berço de preservação da cultura afro-brasileira, pois nesses espaços os negros puderam praticar (até determinado período) a sua música, conduzida pela percussão dos atabaques, puderam praticar a sua dança e ainda vestirem-se como príncipes e princesas nas festas organizadas em homenagens aos santos de devoção. No Brasil colônia o negro não tinha a menor possibilidade de encontrar outro local semelhante a este para manifestar os seus valores culturais.
As festas organizadas pelas irmandades remetiam a um catolicismo popular que desentoava da ortodoxia exigida pela Igreja.
Na festa dos Homens Pretos havia uma parte folclórica que se misturava a parte religiosa da devoção aos santos. O ritual folclórico incluía a coroação do Rei do Congo, em cortejo os negros iam até a igreja para o padre abençoar o “rei coroado”, de lá seguiam cantando e dançando ao som de batuque pelas principais ruas da cidade.
Depois do Concilio de Trento a Igreja Católica aqui no Brasil buscou uma maior aproximação com Roma e por conta disso passou a proibir as festas organizadas pelas irmandades por elas serem consideradas profanas, sobretudo, as festas negras, que além de muita comida, tinha batuque e muita dança.
Muitas Irmandades de Homens Pretos romperam com a Igreja Católica nesse período, se aproximando das religiões de matrizes africanas. Recentemente, com a criação da Pastoral Afro-Brasileira (a partir de 1988), a Igreja vem buscando uma reaproximação com as Irmandades de Homens Pretos.
   Igreja Nossa Senhora dos Homens Pretos do Pelourinho
Localizada no Pelourinho a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos integra o conjunto Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico da Cidade de Salvador tombado pelo Iphan e é considerado “Patrimônio da Humanidade” pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Por iniciativa do Governo do Estado da Bahia e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) cerca de R$ 2,7 milhões estão sendo investidos nas obras de restauração do templo histórico. A obra de restauração prevê a recuperação do teto, das esquadrias, do altar, das imagens e de todo o acervo da Igreja.
A nave da igreja é toda em mármore e as paredes são revestidas de azulejos bicolores que relatam os episódios da vida de São Domingos (o santo da devoção do Rosário). Uma imagem de São Benedito está no altar ao lado da epístola e no outro lado, a imagem de Santo Antônio de Cartigerona, o Santo Antônio africano, os santos negros da igreja. No altar-mor está situada a imagem de Nossa Senhora do Rosário.
Há registros que a devoção a Nossa Senhora do Rosário surgiu na Bahia por volta do ano de 1604, porém somente em 1704 os malungos (como eram denominados os irmãos do rosário) começam a construção da sua Igreja no Pelourinho, a mesma demorou quase um século para ser concluída (1796).
A maioria das Igrejas do Rosário foram erguidas no período colonial, pois nessa época havia restrições para os negros freqüentarem a mesma igreja dos seus senhores brancos e para praticarem a sua fé os negros construíam os seus próprios templos por meio de arrecadações das Irmandades dos Homens Pretos. Hoje muitas dessas igrejas são tombadas como patrimônio histórico por preservarem a arquitetura barroca que é considerada um símbolo do Brasil colonial.
Todavia a Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da cidade de São Paulo, por questões urbanísticas, foi impedida de preservar parte de sua história. Sua primeira Igreja construída pelos malungos em 1725 na Praça Antônio Prado teve que ser demolida por conta de um projeto de urbanização da Província. Como indenização a prefeitura concedeu um terreno no Largo do Paissandu onde foi construída a nova igreja no ano de 1906.

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