segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Igreja na era dos iPadres

Por Jornal Pioneiro
Diário de Integração da Serra
Jornalista: Itamar Melo


Estimulados pelo Papa, bispos e padres pregam a mensagem de Jesus por meio das redes sociais

A Igreja Católica ingressou na era dos iPadres e dos facebispos. Instigados pelo Papa, que lançou uma conta no Twitter e exortou seus comandados a marcar presença na internet, os sacerdotes brasileiros agora pregam o Evangelho a partir de smartphones e tablets e usam as redes sociais para orientar o rebanho ou conquistar novos fiéis. O bispo de Frederico Westphalen, Dom Antonio Carlos Rossi Keller, tem seis perfis no Orkut e outros dois no Facebook, uma forma de driblar o limite máximo de contatos imposto pelos sites. Keller tem mais de 5 mil amigos em cada um dos serviços. São pessoas que o adicionaram em busca de informações da Igreja, de mensagens de conforto, de orações ou até mesmo de orientação. "A internet é um trabalho de presença, de estar junto para que as pessoas tenham alguém que as escute e com quem possam desabafar", afirma.

Sob Bento XVI, pastores tecnológicos como Keller são apontados como modelos a seguir. Nos últimos anos, a Santa Sé tem publicado com assiduidade documentos sobre o assunto e já promoveu encontros para discutir ferramentas como o YouTube, o Flickr e o Facebook. "Está aberta uma nova era: a da evangelização na internet", explicitou o Papa, no ano passado.

Por trás dessa mobilização está a percepção de que, no Twitter, um sacerdote pode arrebanhar com facilidade muito mais seguidores do que os 12 de Jesus Cristo. Que o diga o padre cantor Fábio de Melo, um dos fenômenos do microblog, com 300 mil discípulos. Com números mais modestos, chegam às centenas os padres que tuítam sua fé. Cesar Leandro Padilha, da Paróquia Nossa Senhora da Saúde de Porto Alegre tem 1,6 mil seguidores. "Estar na internet hoje é uma exigência, e cada vez mais os padres vão seguir esse caminho", diz Padilha.

Proprietário de um iPhone, o bispo Keller costuma levar o aparelho até mesmo para o altar para consultar no visor o roteiro do sermão. Outro que adotou o smartphone é Dom Alessandro Ruffinoni, bispo diocesano de Caxias do Sul. Ele aposentou quatro volumosos cartapácios com as orações que todo padre deve fazer diariamente e hoje reza por intermédio de um aplicativo no celular. "No iPhone é mais gostoso. As pessoas podem até se escandalizar, porque dá a impressão de que estou consultando chamadas, mas é muito mais prático".

Seis meses atrás, quando viu um grupo de jovens usando o Twitter em seus celulares e tablets, percebeu que precisava se misturar a eles para não se distanciar. "Ensinem para mim, que quero me comunicar com vocês." 


Desde então, mantém uma conta no microblog. Quando depara com alguma ideia ou mensagem que considera inspiradora, divide-a com seus seguidores. "A cada dois, três dias, mando uma frase. Pelas respostas que recebo, acho que alguma coisa boa vai ficar no coração dos jovens. Aprendi que internet, Facebook, Twitter e Skype são úteis para lançar sementes no mundo".

Até os mais velhos tratam de se atualizar. Aos 74 anos e com quatro décadas de sacerdócio, o padre de Farroupilha Alcindo Trubian decidiu frequentar aulas de informática. Aprendeu a usar o e-mail e criou uma conta no Facebook.

Web pode mudar Igreja

Na condição de padre e doutor em comunicação, Paulo Roque Gaspareto vaticina: "A internet vai mudar a religião". Autor do livro Midiatização da Religião, recém-lançado pela Editora Paulinas, o sacerdote de Farroupilha acrescenta que está com os dias contados o processo tradicional em que a Igreja fala e o fiel escuta. "Está surgindo uma nova forma de fazer religião, diferente daquela a que a Igreja se acostumou ao longo de 2 mil anos. As novas gerações, criadas com novas tecnologias, não querem simplesmente transmissão de conteúdo, querem interação. A nossa dificuldade como Igreja é compreender essa nova linguagem", observa Gasparetto.

O atual entendimento do Vaticano é que a Igreja está atrasada em dominar a nova forma de comunicação. Há poucas semanas, em Portugal, o arcebispo Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais, lembrou que apenas metade das 8,4 mil dioceses do mundo tem página na rede. Para piorar, são sites ultrapassados, que se limitam a publicar nomeações de padres e sermões. "É uma web 1.0 numa altura em que o mundo já pensa em se mover na web 3.0. 


O bispo mais ativo e senvível publica no seu site diocesano as suas homilias. Eu pergunto, sorrindo: quem vai ler? Um jovem de hoje não vai ler um texto de 15 páginas", alertou Celli.

Postado por Daiane Bristot Frare - CNBB SUL-3
Em 25 de novembro de 2011, às 11h 30min

Nenhum comentário: