sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

EDUCAR OS JOVENS PARA A JUSTIÇA E PAZ - 1.1.2012 - DIA MUNDIAL DA PAZ

1. INÍCIO DE UM NOVO ANO, dom de Deus à humanidade, induz-me a desejar a todos, com grande confiança e estima, de modo especial que este tempo, que se abre diante de nós, fi que marcado concretamente pela justiça e a paz.


Com qual atitude devemos olhar para o novo ano? No salmo 130, encontramos uma imagem muito bela. O salmista diz que o homem de fé aguarda pelo Senhor « mais do que a sentinela pela aurora »(v. 6), aguarda por Ele com firme esperança, porque sabe que trará luz, misericórdia, salvação. Esta expectativa nasce da experiência do povo eleito, que reconhece ter sido educado por Deus a olhar o mundo na sua verdade sem se deixar abater pelas tribulações.

Convido-vos a olhar o ano de 2012 com esta atitude confiante. É verdade que, no ano que termina, cresceu o sentido de frustração por causa da crise que aflige a sociedade, o mundo do trabalho e a economia; uma crise cujas raízes são primariamente culturais e antropológicas. Quase parece que um manto de escuridão teria descido sobre o nosso tempo, impedindo de ver com clareza a luz do dia.

Mas, nesta escuridão, o coração do homem não cessa de aguardar pela aurora de que fala o salmista.
Esta expectativa mostra-se particularmente viva e visível nos jovens; e é por isso que o meu pensamento se volta para eles, considerando o contributo que podem e devem oferecer à sociedade.


Queria, pois, revestir a Mensagem para o XLV Dia Mundial da Paz duma perspectiva educativa: « Educar os jovens para a justiça e a paz », convencido de que eles podem, com o seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperança ao mundo. 

A minha Mensagem dirige-se também aos pais, às famílias, a todas as componentes educativas, formadoras, bem como aos responsáveis nos diversos âmbitos da vida religiosa, social, política, econômica, cultural e mediática. Prestar atenção ao mundo juvenil, saber escutá-lo e valorizá-lo para a construção dum futuro de justiça e de paz não é só uma oportunidade mas um dever primário de toda a sociedade.

Trata-se de comunicar aos jovens o apreço pelo valor positivo da vida, suscitando neles o desejo de consumá-la ao serviço do Bem. Esta é uma tarefa, na qual todos nós estamos, pessoalmente, comprometidos.

As preocupações manifestadas por muitos jovens nestes últimos tempos, em várias regiões do mundo, exprimem o desejo de poder olhar para o futuro com fundada esperança. Na hora atual, muitos são os aspectos que os trazem apreensivos: o desejo de receber uma formação que os prepare de maneira mais profunda para enfrentar a realidade, a dificuldade de formar uma família e encontrar um emprego
estável, a capacidade efectiva de intervir no mundo da política, da cultura e da economia contribuindo para a construção duma sociedade de rosto mais humano e solidário.

É importante que estes fermentos e o idealismo que encerram encontrem a devida atenção em todas as componentes da sociedade. A Igreja olha para os jovens com esperança, tem confiança neles e encoraja-os a procurarem a verdade, a defenderem o bem comum, a possuírem perspectivas abertas sobre o mundo e olhos capazes de ver « coisas novas » (Is 42, 9; 48, 6).

Os responsáveis da educação
2. A educação é a aventura mais fascinante e difícil da vida. Educar – na sua etimologia latina educere– significa conduzir para fora de si mesmo ao encontro da realidade, rumo a uma plenitude que faz crescer a pessoa. Este processo alimenta-se do encontro de duas liberdades: a do adulto e a do jovem. Isto exige a responsabilidade do discípulo, que deve estar disponível para se deixar guiar no conhecimento da realidade, e a do educador, que deve estar disposto a dar-se a si mesmo. Mas, para isso, não bastam meros dispensadores de regras e informações; são necessárias testemunhas autênticas, ou seja, testemunhas que saibam ver mais longe do que os outros, porque a sua vida abraça espaços mais amplos. A testemunha é alguém que vive, primeiro, o caminho que propõe.

E quais são os lugares onde amadurece uma verdadeira educação para a paz e a justiça? Antes de mais nada, a família, já que os pais são os primeiros educadores. A família é célula originária da sociedade. « É na família que os filhos aprendem os valores humanos e cristãos que permitem uma convivência construtiva e pacífica. É na família que aprendem a solidariedade entre as gerações, o respeito pelas regras, o perdão e o acolhimento do outro ». Esta é a primeira escola, onde se educa para a justiça e a paz.

Vivemos num mundo em que a família e até a própria vida se vêem constantemente ameaçadas e, não raro, destroçadas. Condições de trabalho frequentemente pouco compatíveis com as responsabilidades familiares, preocupações com o futuro, ritmos frenéticos de vida, emigração à procura dum adequado sustentamento se não mesmo da pura sobrevivência, acabam por tornar difícil a possibilidade de assegurar aos filhos um dos bens mais preciosos: a presença dos pais; uma presença, que permita compartilhar de forma cada vez mais profunda o caminho para se poder transmitir a experiência e as certezas adquiridas com os anos – o que só se torna viável com o tempo passado juntos. Queria aqui dizer aos pais para não desanimarem! Com o exemplo da sua vida, induzam os filhos a colocar a esperança antes de tudo em Deus, o único de quem surgem justiça e paz autênticas.

Quero dirigir-me também aos responsáveis das instituições com tarefas educativas: Velem, com grande sentido de responsabilidade, por que seja respeitada e valorizada em todas as circunstâncias a dignidade de cada pessoa. Tenham a peito que cada jovem possa descobrir a sua própria vocação, acompanhando-o para fazer frutificar os dons que o Senhor lhe concedeu. Assegurem às famílias que os seus filhos não terão um caminho formativo em contraste com a sua consciência e os seus princípios religiosos.

Possa cada ambiente educativo ser lugar de abertura ao transcendente e aos outros; lugar de diálogo, coesão e escuta, onde o jovem se sinta valorizado nas suas capacidades e riquezas interiores e aprenda a apreciar os irmãos. Possa ensinar a saborear a alegria que deriva de viver dia após dia a caridade e a compaixão para com o próximo e de participar ativamente na construção duma sociedade mais humana e fraterna.

Dirijo-me, depois, aos responsáveis políticos, pedindo-lhes que ajudem concretamente as famílias e as instituições educativas a exercerem o seu direito--dever de educar. Não deve jamais faltar um adequado apoio à maternidade e à paternidade. Atuem de modo que a ninguém seja negado o acesso à instrução e que as famílias possam escolher livremente as estruturas educativas consideradas mais idôneas para o bem dos seus filhos. Esforcem-se por favorecer a reunificação das famílias que estão separadas devido à necessidade de encontrar meios de subsistência. 

Proporcionem aos jovens uma imagem transparente da política, como verdadeiro serviço para o bem de todos. Não posso deixar de fazer apelo ainda ao mundo dos media para que prestem a sua contribuição educativa. Na sociedade atual, os meios de comunicação de massa têm uma função particular: não só informam, mas também formam o espírito dos seus destinatários e, consequentemente, podem concorrer notavelmente para a educação dos jovens. É importante ter presente a ligação estreitíssima que existe entre educação e comunicação: de fato, a educação realiza-se por meio da comunicação, que influi positiva ou negativamente na formação da pessoa.

Também os jovens devem ter a coragem de começar, eles mesmos, a viver aquilo que pedem a quantos os rodeiam. Que tenham a força de fazer um uso bom e consciente da liberdade, pois cabe-lhes em tudo isto uma grande responsabilidade: são responsáveis pela sua própria educação e formação para a justiça e a paz.

Educar para a verdade e a liberdade 
3. Santo Agostinho perguntava-se: « Quid enim
fortius desiderat anima quam veritatem – que deseja o homem mais intensamente do que a verdade? ». O rosto humano duma sociedade depende muito da contribuição da educação para manter viva esta questão inevitável. De fato, a educação diz respeito à formação integral da pessoa, incluindo a dimensão moral e espiritual do seu ser, tendo em vista o seu fim último e o bem da sociedade a que pertence.


Por isso, a fim de educar para a verdade, é preciso antes de mais nada saber que é a pessoa humana, conhecer a sua natureza. Olhando a realidade que o rodeava, o salmista pôs-se a pensar: « Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que Vós criastes: que é o homem para Vos lembrardes dele, o fi lho do homem para com ele Vos preocupardes? » (Sal 8, 4-5). Esta é a pergunta fundamental que nos devemos colocar: Que é o homem?


O homem é um ser que traz no coração uma sede de infinito, uma sede de verdade – não uma verdade parcial, mas capaz de explicar o sentido da vida –, porque foi criado à imagem e semelhança de Deus. Assim, o fato de reconhecer com gratidão a vida como dom inestimável leva a descobrir a dignidade profunda e a inviolabilidade própria de cada pessoa.


Por isso, a primeira educação consiste em aprender a reconhecer no homem a imagem do Criador e, consequentemente, a ter um profundo respeito por cada ser humano e ajudar os outros a realizarem uma vida conforme a esta sublime dignidade. É preciso não esquecer jamais que « o autêntico desenvolvimento do homem diz respeito unitariamente à totalidade da pessoa em todas as suas dimensões », incluindo a transcendente, e que não se pode sacrificar a pessoa para alcançar um bem particular, seja ele econômico ou social, individual ou coletivo.


Só na relação com Deus é que o homem compreende o significado da sua liberdade, sendo tarefa da educação formar para a liberdade autêntica. Esta não é a ausência de vínculos, nem o império do livre arbítrio; não é o absolutismo do eu. Quando o homem se crê um ser absoluto, que não depende de nada nem de ninguém e pode fazer tudo o que lhe apetece, acaba por contradizer a verdade do seu ser e perder a sua liberdade. De fato, o homem é precisamente o contrário: um ser relacional, que vive em relação com os outros e sobretudo com Deus. A liberdade autêntica não pode jamais ser alcançada, afastando-se d’Ele. A liberdade é um valor precioso, mas delicado: pode ser mal entendida e usada mal. 


« Hoje um obstáculo particularmente insidioso à ação educativa é constituído pela presença maciça, na nossa sociedade e cultura, daquele relativismo que, nada reconhecendo como definitivo, deixa como última medida somente o próprio eu com os seus desejos e, sob a aparência da liberdade, torna-se para cada pessoa uma prisão, porque separa uns dos outros, reduzindo cada um a permanecer fechado dentro do próprio “eu”. Dentro de um horizonte relativista como este, não é possível, portanto, uma verdadeira educação: sem a luz da verdade, mais cedo ou mais tarde cada pessoa está, de fato, condenada a duvidar da bondade da sua própria vida e das relações que a constituem, da validez do seu compromisso para construir com os outros algo em comum ».


Por conseguinte o homem, para exercer a sua liberdade, deve superar o horizonte relativista e conhecer a verdade sobre si próprio e a verdade acerca do que é bem e do que é mal. No íntimo da consciência, o homem descobre uma lei que não se impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer e cuja voz o chama a amar e fazer o bem e a fugir do mal, a assumir a responsabilidade do bem cumprido e do mal praticado. Por isso o exercício da liberdade está intimamente ligado com a lei moral natural, que tem caráter universal, exprime a dignidade de cada pessoa, coloca a base dos seus direitos e deveres fundamentais e, consequentemente, da convivência justa e pacífica entre as pessoas.

Assim o reto uso da liberdade é um ponto central na promoção da justiça e da paz, que exigem a cada um o respeito por si próprio e pelo outro, mesmo possuindo um modo de ser e viver distante do meu. Desta atitude derivam os elementos sem os quais paz e justiça permanecem palavras desprovidas de conteúdo: a confiança recíproca, a capacidade de encetar um diálogo construtivo, a possibilidade do perdão, que muitas vezes se quereria obter mas sente-se dificuldade em conceder, a caridade mútua, a compaixão para com os mais frágeis, e também a prontidão ao sacrifício.

Educar para a justiça
4. No nosso mundo, onde o valor da pessoa, da sua dignidade e dos seus direitos, não obstante as proclamações de intentos, está seriamente ameaçado pela tendência generalizada de recorrer exclusivamente aos critérios da utilidade, do lucro e do ter, é importante não separar das suas raízes transcendentes o conceito de justiça. De fato, a justiça não é uma simples convenção humana, pois o que é justo determina-se originariamente não pela lei positiva, mas pela identidade profunda do ser humano. É a visão integral do homem que impede de cair numa concepção contratualista da justiça e permite abrir também para ela o horizonte da solidariedade e do amor. 

Não podemos ignorar que certas correntes da cultura moderna, apoiadas em princípios econômicos racionalistas e individualistas, alienaram das suas raízes transcendentes o conceito de justiça, separando-o da caridade e da solidariedade. Ora « a “cidade do homem” não se move apenas por relações feitas de direitos e de deveres, mas antes e sobretudo por relações de gratuidade, misericórdia e comunhão. A caridade manifesta sempre, mesmo nas relações humanas, o amor de Deus; dá valor teologal e salvífico a todo o empenho de justiça no mundo ».

« Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados » (Mt 5, 6). Serão saciados, porque têm fome e sede de relações justas com Deus, consigo mesmo, com os seus irmãos e irmãs, com a criação inteira.

Educar para a paz
5. « A paz não é só ausência de guerra, nem se limita a assegurar o equilíbrio das forças adversas. A paz não é possível na terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos e a prática assídua da 
fraternidade». 


A paz é fruto da justiça e efeito da caridade. É, antes de mais nada, dom de Deus. Nós, os cristãos, acreditamos que a nossa verdadeira paz é Cristo: n’Ele, na sua Cruz, Deus reconciliou consigo o mundo e destruiu as barreiras que nos separavam uns dos outros (cf. Ef 2, 14-18); n’Ele, há uma única família reconciliada no amor.

A paz, porém, não é apenas dom a ser recebido, mas obra a ser construída. Para sermos verdadeiramente artífices de paz, devemos educar-nos para a compaixão, a solidariedade, a colaboração, a fraternidade, ser ativos dentro da comunidade e solícitos em despertar as consciências para as questões nacionais e internacionais e para a importância de procurar adequadas modalidades de redistribuição da riqueza, de promoção do crescimento, de cooperação para o desenvolvimento e de resolução dos conflitos. 

« Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus » – diz Jesus no sermão da montanha (Mt 5, 9). A paz para todos nasce da justiça de cada um, e ninguém pode subtrair-se a este compromisso essencial de promover a justiça segundo as respectivas competências e  responsabilidades. De forma particular convido os jovens, que conservam viva a tensão pelos ideais, a procurarem com paciência e tenacidade a justiça e a paz e a cultivarem o gosto pelo que é justo e verdadeiro, mesmo quando isso lhes possa exigir sacrifícios e obrigue a caminhar contracorrente.

Levantar os olhos para Deus
6. Perante o árduo desafi o de percorrer os caminhos da justiça e da paz, podemos ser tentados a interrogar-nos como o salmista: « Levanto os olhos para os montes, de onde me virá o auxílio? » (Sal 121, 1). A todos, particularmente aos jovens, quero bradar: « Não são as ideologias que salvam o mundo, mas unicamente o voltar-se para o Deus vivo, que é o nosso criador, o garante da nossa liberdade, o garante do que é deveras bom e verdadeiro (…), o voltar-se sem reservas para Deus, que é a medida do que é justo e, ao mesmo tempo, é o amor eterno. E que mais nos poderia salvar senão o amor? ». O amor rejubila com a verdade, é a força que torna capaz de comprometer-se pela verdade, pela justiça, pela paz, porque tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (cf. 1 Cor 13, 1-13).
Queridos jovens, vós sois um dom precioso para a sociedade. 


Diante das dificuldades, não vos deixeis invadir pelo desânimo nem vos abandoneis a falsas soluções, que frequentemente se apresentam como o caminho mais fácil para superar os problemas. Não tenhais medo de vos empenhar, de enfrentar a fadiga e o sacrifício, de optar por caminhos que requerem fidelidade e constância, humildade e dedicação. Vivei com confiança a vossa juventude e os anseios profundos que sentis de felicidade, verdade, beleza e amor verdadeiro. Vivei intensamente esta fase da vida, tão rica e cheia de entusiasmo. 

Sabei que vós mesmos servis de exemplo e estímulo para os adultos, e tanto mais o sereis quanto mais vos esforçardes por superar as injustiças e a corrupção, quanto mais desejardes um futuro melhor e vos comprometerdes a construí-lo. Cientes das vossas potencialidades, nunca vos fecheis em vós próprios, mas trabalhai por um futuro mais luminoso para todos. Nunca vos sintais sozinhos! 


A Igreja confia em vós, acompanha-vos, encoraja-vos e deseja oferecer-vos o que tem de mais precioso: a possibilidade de levantar os olhos para Deus, de encontrar Jesus Cristo – Ele que é a justiça e a paz. Oh vós todos, homens e mulheres, que tendes a peito a causa da paz! Esta não é um bem já alcançado mas uma meta, à qual todos e cada um deve aspirar. Olhemos, pois, o futuro com maior esperança, encorajemo-nos mutuamente ao longo do nosso caminho, trabalhemos para dar ao nosso mundo um rosto mais humano e fraterno e sintamo-nos unidos na responsabilidade que temos para com as jovens gerações, presentes e futuras, nomeadamente quanto à sua educação para se tornarem pacíficas e pacificadoras! Apoiado em tal certeza, envio-vos estas reflexões que se fazem apelo: 


Unamos as nossas forças espirituais, morais e materiais, a fim de «educar os jovens para a justiça e a paz».

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A IGREJA NA AMÉRICA, ÍCONE CONTRA A CORRUPÇÃO

Entrevista com o Cardeal de Santo Domingo sobre a próxima visita do Papa

ROMA, quinta-feira, 15 de dezembro de 2011(ZENIT.org) – A visita do Papa a América Latina além de motivo de alegria, recorda o compromisso da Igreja pelos direitos humanos e sua posição clara e firme diante de alguns fatores negativos, como a violência e o narcotráfico, pois em geral a Igreja é a única instituição que não foi infiltrada pelo narcotráfico e a corrupção.
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Falou ao ZENIT o Cardeal de Santo Domingo Nicolás de Jesús López, em entrevista concedida depois da celebração de Bento XVI, na basílica de São Pedro em honra à Virgem de Guadalupe.
Bento XVI, em sua homilia na missa pela festividade da Virgem de Guadalupe, confirmou sua viagem: “Sustentado pelo auxílio da providência divina, tenho a intenção de realizar uma viagem apostólica antes da santa Páscoa ao México e a Cuba, para proclamar ali a Palavra de Cristo”, disse. Neste momento, os milhares de latino americanos que se encontravam na basílica o interromperam de pé com um caloroso aplauso.
A viagem do Papa em março, apesar de ser apenas para dois países dos 32 da região, é sentido por toda a América Latina como se fosse “em casa”. Por isso perguntamos ao cardeal Nicolás de Jesús, o impacto que terá na região.
Depois de cinco anos que a América Latina parecia ter sido esquecida, agora começam a abrir-se uma série de visitas do Papa, a da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro em 2013, em março na América Latina.
Cardeal De Jesus: É isso, indiscutivelmente a visita do papa Bento XVI, bem como as 18 que fez João Paulo II, é um motivo de alegria sentido por todos os nossos países. Esta visita acontece no contexto do bicentenário e sem dúvidas, também tem uma razão. Estes povos nasceram, podemos dizer, nos braços da Igreja, e certamente temos que dizer: os missionários assim que chegaram, defenderam os direitos dos indígenas.
Poderia nos explicar alguma coisa a mais sobre a defesa dos direitos dos indígenas?
Cardeal De Jesús: Recentemente foi realizada na minha cidade, a apresentação de um livro escrito na Espanha sobre os direitos humanosem Santo Domingo.Nãoqueremos entrar em discussão com as Nações Unidas que invocou os direitos humanos como nascidos com a revolução francesa. Entretanto, estes professores da Complutense disseram: andem a San Ferín  e ali, antes de 1511, os direitos humanos foram defendidos da forma mais brilhante e coerente.
E no que se refere ao bicentenário da independência de diversos países da América Latina?
Cardeal De Jesús: Para mim, com certeza, é motivo de alegria que o Santo Padre tenha aceitado a sugestão de celebrar esta missa por ocasião do bicentenário. Porque a Igreja católica não esteve alheia a estes eventos. Inclusive Simon Bolívar enviou uma carta muito bonita ao Papa, pedindo-lhe para nomear bispos nativos da América, porque a separação destes países da Espanha não queria dizer que eles o fizeram da igreja católica. Muito significativa a existência desta carta. Por isso eu digo, estamos muito contentes com esta celebração, e espero que a visita de Bento XVI confirme as solicitações dos papas para a América.
A primeira evangelização foi na América Latina, agora surge uma nova evangelização. Qual é a maior dificuldade para aceitar a fé, que é o que o Papa vai despertar?
Cardeal De Jesús: Acho que existe uma série de problemas universais. Indiscutivelmente existe um novo contexto cultural que influencia: Europa, Estados Unidos, etc. Mas existem outras realidades que preocupam muito os latino americanos, como a violência na América Latina, o narcotráfico e mesmo a corrupção que é algo que atinge a consciência latino americana, eu acredito que são fenômenos registrados por todas as partes. A Igreja reage frente a violência e a corrupção?
Cardeal De Jesús: O problema tem raízes profundas. Estas pessoas têm a capacidade, a habilidade de penetrar através do dinheiro em diversas camadas. Estes dias, eu ouvi dizer que a igreja católica era a única instituição que até agora não foi penetrada pelo narcotráfico na América Latina. Creio que é possível afirmar issoem geral. Além disso, é difícil dizer, mas temos que reconhecer que o dinheiro corrompe e está prejudicando muitas consciências.
Diante disso qual é a mensagem da Igreja?
Cardeal De Jesús: Neste sentido a Igreja deve manter uma posição muito clara, exatamente em defesa da verdade, da justiça, da paz, do respeito a todas as pessoas e inclusive por aqueles que não têm fé alguma, respeito por todos. E, é claro, estamos abertos ao diálogo, até mesmo com os diversos grupos religiosos.
Por H.Sergio Mora

Cultura da vida e da família - Canadá

Iniciativa dos bispos do Canadá dedicada à vida e à família


Ottawa (RV) – Em preparação do próximo Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização e o Ano da Fé 2012-2013, proclamado por Bento XVI, os Bispos do Canadá lançarão em 2012 um especial programa pastoral dedicado à vida e à família.


Com título “Construir uma cultura da vida e da família no Canadá”, o programa prevê em 2012 um ano de preparação em que serão distribuídos material subsídios.

A decisão é fruto de uma longa reflexão realizada nestes dois anos pelo Episcopado canadense com a contribuição do Organismo católico pela Vida e a Família (OCVF) e cujas conclusões foram amplamente discutidas na última assembléia plenária anual da Conferência episcopal (Cecc/Cccb) em Cornwall. Da reflexão foi amadurecendo a convicção - destaca o último presidente da Cecc/Cccb -, Dom Pierre Morisette, que a família e a Nova Evangelização são desafios unidos entre si.

No dia 8 de dezembro, Festa da Imaculada, o novo presidente do Episcopado, Dom Richard Smith, escreveu uma carta a todos os Bispos do País, convidando-os a preparar também com a ajuda do Organismo católico pela Vida e a Família, um programa pastoral pela Vida e a Família em suas Dioceses, adaptando-o às específicas exigências de cada uma.

Na carta, Dom Smith lembra, entre outras coisas, que a estreita relação entre Família e Nova Evangelização, foi novamente lembrado no dia 1º de dezembro pelo Santo Padre no discurso à Assembleia plenária do Pontifício Conselho para a Família. Naquela ocasião, o Papa afirmou em particular que “a nova evangelização é inseparável da família cristã. Ela, de fato, é o itinerário da Igreja porque é ‘espaço humano’ do encontro com Cristo. A família alicerçada sobre o sacramento do Matrimônio – acrescentara o Papa – é atuação particular da Igreja, comunidade salva e salvadora, evangelizada e evangelizadora. Como a Igreja, a família é chamada a acolher, irradiar e manifestar no mundo o amor e a presença de Cristo”. (SP)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ONU: Assembleia Geral adota novo protocolo para Convenção sobre os Direitos da Criança

20 de dezembro de 2011 · Notícias
A Assembleia Geral adotou na última segunda-feira (19/12) um novo protocolo para a Convenção sobre os Direitos da Criança. Esse protocolo busca encorajar Estados a desenvolver um mecanismo de atendimento às queixas de crianças cujos direitos foram violados. Ele entrará em vigor três meses após adquirir ratificação e adesão de dez países.
Esse documento é o terceiro da Convenção, que já tem protocolos sobre o tráfico de crianças, prostituição infantil e pornografia infantil. “Estou confiante que a adoção do protocolo será seguida por um rápido processo de ratificação e suas disposições ajudem a por fim na invisibilidade e no silêncio em torno da violência contra as crianças”, defendeu a Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência contra Crianças, Marta Santos Pais.
Estabelecida em 1989,  a Convenção dos Direitos da Criança é o primeiro instrumento legal internacional que incorpora toda a gama de direitos humanos – civil, cultura, econômico, politico e social – para menores de 18 anos.
Para conferir o protocolo em inglês, clique aqui.

Combate à corrupção na sociedade e na Igreja: o compromisso dos religiosos - India


Nova Délhi (Agência Fides) - A transparência, a moralidade na vida pública e privada e o combate à corrupção estão no Dna do compromisso dos religiosos e de todos os cristãos na sociedade e na Igreja: é o que afirmou um Seminário realizado nos últimos dias em Jansui (no estado de Uttar Pradesh, norte da Índia), que teve o tema: "A nossa resposta à corrupção na sociedade e na Igreja". 

Como informam fontes da Fides, o Seminário, organizado pela Conferência dos Superiores Maiores da Índia reuniu mais de 60 delegados de institutos religiosos masculinos e femininos de diversas dioceses, e debateu a questão da corrupção, planejando estratégias para combatê-la. 

A luta à corrupção voltou ao auge no país depois da grande campanha pública lançada no início de 2011 pela líder Anna Hazare, que congregou a sociedade civil indiana e conseguiu levar uma proposta de lei ao Parlamento. 

A proposta, porém, ainda não foi examinada e o movimento está insistindo. "É necessário ter coragem para falar e tomar posição na vida real" - frisou em seu pronunciamento Irmã Deepa, da Congregação de Jesus, descrevendo as dimensões da corrupção na Índia e explicando que "nós também somos vítimas deste grande mal". "Precisamos nos libertar deste mal para desempenhar um papel profético na sociedade" - disse, assinalando que "existem membros do pessoal eclesial corruptos. Urge erradicar esta ameaça de nossas próprias comunidades". 

Notando que muitas vezes também os religiosos "não têm coragem de denunciar práticas corruptas, tornando-se de certo modo cúmplices, os participantes do seminário elaboraram uma lista de "ações comuns" necessárias para erradicar a corrupção. 

Ficou decidido de se trabalhar em dois planos concretos. O primeiro passo é compartilhar com os membros da comunidade de proveniência estes problemas, sensibilizando e criando a "consciência comum". Tal consciência deve ser, em seguida, levada a escolas, paróquias e associações juvenis, através de debates e assembleias. (PA) (Agência Fides 17/12/2011)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A SAGRADA FAMÍLIA

Para muitos, no dia 26 de dezembro o Natal já passou e a vida retorna às atividades normais. A Igreja, no entanto, observa uma Oitava do Natal até 1º de janeiro (seguindo a prática judaica de 8 dias de celebrações) e um período de Natal estendido até dia 6 de janeiro, a Festa da Epifania (atualmente celebrada no domingo entre 2 e 8 de janeiro).

No domingo entre o Natal e 1º de janeiro, a Igreja celebra a Sagrada Família. Esta festa é especialmente
importante hoje, quando muitas famílias enfrentam lutas e desafios para viver sua Fé.

A Família de Belém é o reflexo mais puro da Santíssima Trindade, que – não nos cansaremos de repetir com João Paulo II – “não é uma solidão, mas uma família, já que traz em si mesma a paternidade, a filiação e a essência da família, que é o amor”. Por isso também se chamou a Jesus, Maria e José “a Trindade da terra”. E um dos clássicos castelhanos pôs-lhes o título de “os Três Sóis”.

Temos em nossas missas a canção que diz “que bom seria se as mães fossem Maria e se os pais fossem José... e se a gente parecesse com Jesus de Nazaré”. A Sagrada Família é nosso modelo, nossa lição de vida familiar: respeito mútuo, diálogo, compreensão e união, oração: nessa Família se está reunido no amor de Deus, e aí Ele reina.

Na Sagrada Família, Jesus é o Sol dos sóis: a Luz do mundo!

A Virgem Maria é um sol que ilumina sem ofuscar; sem fazer milagres na terra, limita-se a ser Mãe. Assim como dá à luz o seu Filho em Belém, no Calvário dá à luz espiritualmente a todos nós, que somos irmãos do seu Filho, tornando-se, na figura de João, a Mãe de cada um de nós.

José, homem escolhido desde a eternidade para ser o patriarca da Família do Filho de Deus, e de todos os filhos de Deus que por dom gratuito somos, é um homem justo, no sentido bíblico da palavra, isto é, santo, cheio de graça santificante e de todas as virtudes necessárias para cumprir perfeitamente a sua missão de pai adotivo de Deus feito carne. Ele é um sol de justiça, que brilha sem magoar os olhos: sempre escolhe – livremente, prontamente e com iniciativa – o que se lhe apresenta como a Vontade de Deus, por mais sacrifícios que lhe custe.

Quando esses três Sóis brilham numa família, essa família resplandece. Reina nela uma comunhão delicada de pessoas que exclui a solidão, essa falta de luz, de carinho e de paz.

Na terra, a luz não se difunde sem tropeçar com obstáculos. Os Três Sóis conheceram essas trevas...  Mal nasceu o Sol dos sóis, começou a perseguição dos poderes das trevas, culminando com a Paixão e
morte de Jesus na Cruz. Mas a luz ia por dentro.

Nunca faltou o sentido de orientação, a plena confiança na Providência divina, a consciência de que, no
meio e por meio de todos os horrores e vilanias, o Deus Uno e Trino é o salvador da humanidade.

Quem acolher na sua vida a luz dos Três Sóis não terá de temer nenhuma escuridão, porque essas trevas
só poderão ser temporárias e externas. Os Três Sóis gostam de habitar no espaço íntimo dos corações, mais do que na superfície do mundo. Chegará o dia em que – como diz a Escritura – a cidade não necessitará nem de sol nem de lua para a iluminar, pois será iluminada pela glória de Deus e a sua luz será o

Cordeiro (...). Não haverá noite (Apoc 21,23-25).

(Fontes: Os Três Sóis, de Antonio Orozco; Eternal Word Television Network – http://www.ewtn.org/)