sábado, 12 de novembro de 2011

PARAGUAI - "A Igreja está imersa na sociedade e não pode deixar de se envolver em tudo o que acontece": os Bispos analisam a realidade do país

Assunção (Agência Fides) - A Conferência Episcopal do Paraguai (CEP) se prepara para analisar a realidade nacional e eclesial no contexto da próxima reunião ordinária de 2011, de segunda 7 a sexta, 11 de novembro. Os trabalhos serão abertos pelo Núncio Apostólico.

Na ordem do dia, constam a avaliação das atividades realizadas no ano, o relatório das comissões e grupos de coordenação, a Universidade Católica e o Seminário maior nacional. Também deverá ser eleita a nova Presidência da CEP. Atualmente, o Presidente da Conferência Episcopal é Dom Pastor Cuquejo, Arcebispo de Assunção, que entregará o cargo a seu sucessor, escolhido por votação.

Para realizar uma análise da realidade nacional, os Bispos desejam estar bem informados sobre os problemas existentes no campo social e aprofundar aspectos econômicos e políticos, e para isso, segundo informações recebidas pela Agência Fides, pediram o parecer de alguns especialistas de inspiração católica bem inseridos na realidade nacional. Depois de ouvir os especialistas, os Bispos vão debater sobre a situação do país, informou o Bispo de Cacupé, Dom Claudio Giménez, Vice-presidente da Conferência Episcopal.

O mesmo Bispo expressou preocupação pelo governo do Presidente Fernando Lugo, reconhecendo a ineficiência do Estado.

"Sempre nos preocupamos com a situação do país - disse o Bispo. Nós nos relacionamos com pessoas de todo tipo em nossas dioceses, e isso se repercute na vida social e na vida da Igreja, porque a Igreja está imersa na sociedade e não pode não se envolver nas coisas que acontecem".

A Igreja do Paraguai aguarda a nomeação de diversos Bispos por parte do Santo Padre e a criação de novas circunscrições eclesiásticas.
(CE) (Agência Fides, 4/11/2011)

Japão: bispos dizem não à energia nuclear

JAPÃO - Os Bispos dizem "Não ao nuclear, sim às energias alternativas, obrigação moral para o futuro"

Sendai (Agência Fides) - "É preciso olhar ao futuro e pensar com responsabilidade nas próximas gerações: temos a obrigação ética e moral de proteger o meio ambiente e a própria vida". Por isso, é urgente deter a energia nuclear e investir em fontes de energia alternativas: é o que declara à Agência Fides Dom Isao Kikuchi, SVD, Bispo de Niigata e Presidente da seção Ásia da Caritas Internacional, apresentando o novo documento publicado hoje pela Conferência Episcopal do Japão, intitulado "Por fim na energia nuclear agora: avaliar o desastre do trágico incidente Fukushima".

O documento foi publicado na conclusão dos trabalhos da Assembleia da Conferência Episcopal do Japão, realizada nos últimos dias em Sendai, a diocese mais atingida pelo terremoto e pelo tsunami de março passado, em cujo território se encontra a Usina de Fukushima.

Dirigindo-se ao governo e a todos os cidadãos nipônicos, os bispos pedem no documento "o fim imediato da produção de energia nuclear", convidando a desenvolver "meio alternativos para produzir energia segura", para cobrir o eventual déficit energético que a nação deverá enfrentar. A mensagem recorda que no país existem 54 usinas nucleares e em todas elas existe o risco "de outro incidente enorme como o de Fukushima", e faz um apelo à "cultura e sabedoria características do povo japonês".

Dom Kikuchi explica à Fides: "Depois do desastre de Fukushima era necessária uma reflexão. Pedimos a nossos cidadãos que mudem e simplifiquem seu estilo de vida. Hoje, a maioria da população teme os efeitos negativos da energia nuclear. Alguns pensam que mudar a vida de todo o país seja impossível, e que portanto, as usinas não devem ser fechadas. Nós, Bispos, discutimos sobre isso; talvez sejamos criticados, mas a realidade é que o maior bem é a tutela da vida e a salvaguarda da Criação. Temos o dever de dizê-lo".

O Bispo conclui: "Pedimos ao governo que invista mais em novas fontes energéticas, como a solar. Claro, nosso documento não quer ser político, mas de natureza religiosa e social. Confiamos no apoio dos fiéis de todas as religiões".
(PA) (Agência Fides 10/11/2011)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Abusos sexuais: Promotor de Justiça da Igreja apela à colaboração com autoridades civis

Promotor de justiça da Congregação para a Doutrina da Fé apela à colaboração com autoridades civis em casos de abusos sexuais. Análise do passado deve ajudar a corrigir respostas desadequadas das instituições, incluindo a Igreja


(4/11/2011) O promotor de justiça da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) afirmou que a Igreja deve cooperar com a “autoridade civil” nos casos de abusos sexuais de menores por membros do clero ou em instituições eclesiais.


Monsenhor Charles Scicluna assinala que “o abuso sexual de menores não é apenas um delito canónico ou a violação de um código de conduta interno de um instituto, religioso ou não”.

O responsável pelo ministério público do tribunal da CDF, organismo da Santa Sé, falava num seminário internacional sobre a proteção de menores, em Roma.

Neste contexto, foi citada a carta circular da Congregação, publicada em maio deste ano, na qual se determinava o seguimento das “prescrições das leis civis no que toca o remeter os crimes às autoridades competentes, sem prejudicar o foro interno sacramental”.

“É evidente que esta colaboração não se refere só aos casos de abuso cometidos por clérigos, mas diz respeito também aos casos de abuso que implicam o pessoal religioso ou leigo que trabalha nas estruturas eclesiásticas”, indicava a CDF.

Monsenhor Charles Scicluna falou também na importância de “revelar os abusos” que possam ter acontecido, denunciando-os às “autoridades superiores”.

“Quando a denúncia diz respeito a ministros religiosos, a divulgação pode ser dificultada por considerações erróneas e deslocadas de lealdade e pertença”, referiu o responsável.
A intervenção apelou a uma “análise honesta” para “perceber o que não funcionou nos trágicos casos nos quais não se geriu a situação e nos quais a resposta aos abusos de menores foi desadequada, por causa de uma preocupação mal entendida pelo bom nome das instituições”.

Para o promotor de justiça da CDF, qualquer caso que envolva membros do clero “desacredita o sacerdócio ministerial e lança a sombra da delinquência, do crime e do comportamento errado sobre incontáveis representantes do clero e agentes pastorais inocentes”.

“Todos devemos reconhecer com honestidade intelectual e ter consciência do facto de que o abuso de um menor é uma trágica ferida para a dignidade da própria família humana”, prosseguiu.

Monsenhor Charles Scicluna considera que a Igreja Católica “sabe bem que todas as vezes que um dos seus ministros – seja um bispo, um sacerdote, um diácono ou um agente pastoral leigo – abusa sexualmente de um menor, uma trágica ferida é infligida à comunidade”, para lá do “indescritivelmente repugnante causado à criança”.

“As instituições, incluindo as Igrejas, fariam bem em mostrar a sua abertura à pesquisa e ao desenvolvimento no campo da prevenção dos abusos sobre menores”, observou.

Radio Vaticana

Ministério Público divulga oposição ao aborto de anencéfalos

Dra. Maria de Fátima R.T. Cordeiro
Pela primeira vez o tema “Anencefalia e Direito à Vida” foi abordado a partir do Maranhão para todo Brasil, por meio de videoconferência, na última terça-feira, 1º de novembro, com a procuradora-geral de Justiça, Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro. A iniciativa foi fruto de um convite do II Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida, promovido pela Human Life International (HLI), organização presente em 105 países, que desenvolve ações pela promoção da vida humana.

A videoconferência, com duração de 45 minutos, foi transmitida pelo canal oficial de vídeos do congresso, www.livestream/congressoprovida, e contou com a participação dos espectadores por meio de chat. Na ocasião, a procuradora-geral de Justiça do Maranhão comentou sobre a importância da atuação do MP na defesa do direito à vida e argumentou sobre a inconstitucionalidade do aborto de fetos anencefálicos, uma vez que o Brasil é signatário do Pacto de São José da Costa Rica, o qual garante a proteção à vida humana desde a concepção.

Fátima Travassos lembrou que o Brasil já foi punido por violar pactos internacionais de Direitos Humanos. Em 2005, com o caso dos “meninos emasculados”, no Maranhão, o Brasil respondeu pelo Pacto formado na Convenção Americana de Direitos Humanos, ratificada em 1992. O acerto, estruturado em quatro pontos, exigiu: julgamento e punição dos responsáveis, reconhecimento de responsabilidade, reparação dos danos e elaboração de políticas públicas para que violações de direitos dessa natureza não se repitam.

No caso do aborto de anencéfalos, a procuradora foi enfática: “A vida humana precisa ser defendida! E o Ministério Público é um órgão que está comprometido em fazer valer o direito dos cidadãos, principalmente por ocasião da concepção, direito inalienável a todos”. Durante a videoconferência, moderada pela assessoria de comunicação do congresso, o canal do evento contou com a maior audiência desde o último sábado, 29, quando foram debatidas questões relacionadas à morte cerebral.

Entenda a discussão

Na segunda metade de junho de 2004, foi promovida a ação ADPF/54 – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54-DF. Promovida perante o Supremo Tribunal Federal, requeria autorização em todo o território nacional, para a prática do aborto, em qualquer período da gestação, nos casos de fetos com anencefalia (ausência de parte variável do encéfalo). A ação foi pedida em nome da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde. Ainda não foi preferida a decisão do STF.

Como o Supremo Tribunal Federal não tem autoridade para derrogar leis ou abrir novas exceções às proibições legais, o autor da ação pede que o STF interprete que a antecipação do parto de uma gestação de um anencéfalo, com a conseqüente morte do concepto, não se considere como prática de aborto. "Uma decisão favorável a esta ação pode abrir um precedente jurídico para a legalização do aborto no Brasil que, de acordo com o código penal, é crime em qualquer situação, porém não é punido nos casos de estupro e de risco de vida para a mãe", declarou a procuradora-geral de Justiça.

Para Fátima Travassos, o feto anencefálico não é um natimorto por natureza. "Colocar em pauta os abortos de anencéfalos é inconstitucional, pois fere o direito natural à vida”, explicou a chefe do MPMA, que se colocou, durante a videoconferência, contra todo e qualquer aborto, baseando-se na Constituição Federal e no Pacto Internacional de São José da Costa Rica.

Para o jornalista pró-vida Wagner Moura, um dos colaboradores do II Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida, “o tema é atual, uma vez que está na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá a respeito da constitucionalidade do aborto de anencefálicos”, explicou pontuando o motivo do tema na videoconferência.

Expectativa de vida

Em sua videoconferência, Fátima Travassos, citou o caso da menina nascida em Patrocínio Paulista (SP), Marcela de Jesus, diagnosticada com anencefalia. O bebê viveu durante um ano, oito meses, e 12 dias, contrariando todas as expectativas médicas, pois, em geral, crianças anencefálicas têm uma breve vida extra-uterina.

Enquanto Marcela esteve viva a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54 (ADPF 54), que pretende que o Supremo Tribunal Federal declare “atípico” o aborto de anencéfalos, ficou paralisada.

A respeito da expectativa de vida dos fetos anencefálicos, uma comissão de especialistas gravou o documentário “Quantos eu te amo eu poderia ter escutado em 15 min”, disponibilizado para as redes sociais de vídeo.

A videoconferência da procuradora-geral de Justiça será disponibilizada em DVD para pesquisa e aprofundamento do tema, na biblioteca do MPMA. Além disso, está disponível (sem edição) a todos no site www.livestrem/congressoprovida. Como fruto da ocasião, a procuradora comprometeu-se ainda em motivar grupos de estudos e defesa sobre casos de anencefalia e sobre o direito à vida.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

HUMAM LIFE INTERNATIONAL - Declaração do II Congresso pela Vida em São Paulo -Brasil


Declaração Final do 2º Congresso Internacional pela vida

Human Life International

A Human Life International e o comitê organizador do II Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida, realizado na cidade de São Paulo entre os dias 03 e 06 de novembro de 2011, agradece a Deus pela conclusão das jornadas de trabalho deste evento, com a participação de 8 bispos e um grupo de mais de 140 sacerdotes, seminaristas e religiosos de várias partes do Brasil e cerca de 350 leigos.

Consideramos importante apresentar-lhes as conclusões adotadas neste congresso, que servirão para uma ação pastoral na linha da defesa da vida:

• Diante da crescente cultura de morte, denunciamos seu avanço na América Latina, especialmente no nosso País, através do abortismo, da anticoncepção, da pornografia, do homossexualismo, da ideologia de gênero, do controle populacional, da manipulação da linguagem e da reengenharia cultural que pretende minar o conteúdo da nossa fé cristã.

• Reconhecemos que devemos intensificar nosso trabalho como Igreja, no campo da defesa da vida e da promoção da família segundo o projeto divino e o magistério da Igreja, que insiste nos princípios inegociáveis enunciados pelo Santo Padre Bento XVI, a quem expressamos gratidão e fidelidade.

• Saudamos o trabalho de muitos grupos pró-vida, que desenvolvem ações louváveis de esclarecimento e instauração da cultura da vida.

• Reconhecemos que o nosso povo brasileiro é sensível à defesa da vida, porém constatamos a necessidade de uma melhor formação e mais informações sobre as circunstâncias atuais das práticas perversas de muitos organismos transnacionais que influenciam nossos governos para implantar políticas contrárias à cultura da vida e da família.

• Propomos, para fomentar a unidade e a efetividade das nossas ações, criar uma rede informativa que contribua para uma maior difusão de estratégias e iniciativas a favor da vida e da formação católica do nosso povo.

• Também propomos incluir dentro da formação inicial e permanente do clero os temas relativos à defesa da vida e da família.

• Urgimos que todos os participantes deste encontro exijam dos seus representantes parlamentares que trabalhem efetivamente para a aprovação do Estatuto do Nascituro reconhecendo-o como pessoa desde a fecundação, garantindo-lhe assim todos os seus direitos.

• Repudiamos as ingerências do Supremo Tribunal Federal em decisões que ferem a Carta Magna em matéria de vida e família, extrapolando as suas competências, invadindo a área de atribuições do legislativo.

• Como uma iniciativa imediata, animamos a que todos colaboremos com as ações necessárias para que a Constituição Paulista inclua em seu texto o reconhecimento do nascituro como pessoa desde o momento da fecundação, servindo de exemplo para o resto do Brasil e do mundo.

• Exortamos os grupos pró-vida a continuar trabalhando com ânimo e com fé no Senhor da Vida, sob o patrocínio da Virgem de Guadalupe, imperatriz das Américas, para que seja instaurada a cultura da vida e cesse a cultura de morte.


São Paulo, 06 de novembro de 2011
Human Life International Comissão organizadora

Júlia, a anencéfala que deixou saudades

Os pais resistiram à pressão para praticarem um aborto 

Com a proximidade da sessão em que o Supremo Tribunal Federal votará a ADPF 54 (aborto de anencéfalos), convém assistir ao comovente depoimento dos pais de Júlia, uma criança anencéfala nascida em Anápolis (GO) em 04/03/2010 às 7h30min. Batizei-a logo após o parto. A mãe foi trazida em uma maca para se despedir de sua filha, conforme desejava. A criança morreu cerca de uma hora após o nascimento. Sabiamente, os pais de Júlia tomaram a decisão de amá-la até o último momento, rejeitando a “solução” do aborto que lhes fora proposta. Na transcrição a seguir, procurou-se conservar a linguagem falada, entrecortada por emoções.


Carla, mãe de Júlia:
Descobri no quinto mês de gravidez o problema da Júlia. Quando eu descobri o problema dela, a médica me explicou que poderia ser feito um aborto. Perguntei à médica se poderia continuar com a gravidez. Ela disse que poderia, mas que não tinha necessidade, que eu iria sofrer muito se prosseguisse com a gravidez. E se eu fizesse um aborto, […] iria evitar mais sofrimento para mim. Eu já estava decidida a continuar com a gravidez. Procurei o Pró-Vida de Anápolis para me orientar de alguma coisa. Foi no Pró-Vida que eu descobri o problema de minha filha, que eu entendi o problema dela. Eu sabia que ela não tinha formado o crânio. Até então era só isso. E que não tinha chance nenhuma de vida. Foi através do Pró-Vida que eu vi o relato de outras mães, que eu vi fotos de bebês anencéfalos, e entendi o problema da minha filha. E eu tive uma orientação e uma força muito grande para poder continuar coma minha gravidez. Eu tive um apoio muito grande.
Eu tinha um bebê de quatro meses [de nascido] quando descobri que estava grávida. E no início foi um susto muito grande. Eu estava tão feliz com a gravidez anterior que eu desejava muito essa criança. E ao mesmo tempo eu tinha que me preparar para o desfecho que teria esta outra filha que eu estava esperando. Tentei aproveitar ao máximo a minha gravidez. Pedi muito a Deus que eu queria vê-la antes de ela morrer. Era o meu maior desejo. Poder dar o Batismo para ela, ficar com ela pelo menos um momento que fosse...
Consegui levar minha gravidez até o final. Minha filha morreu uma hora depois do parto. Conheci minha filha. Vi ela viva ainda. É um sentimento que não tenho como explicar. Hoje eu penso nela... Eu queria ter mais tempo ainda com ela. Cada minutinho que eu passei com ela compensou todo o sofrimento que eu tive. Quando eu vi o rosto dela, foi a melhor sensação que eu já tinha sentido na minha vida.
Tenho outros dois filhos. Não tem como explicar. Quando eu olho as fotos da minha filha, quando eu me lembro dela, do meu parto… Como que as pessoas querem tirar... abortar uma criança que... tem tudo? Ela só não ia viver. Eu só não ia ver a minha filha. Mas durante a minha gravidez ela mexia muito, como a minha outra filha, às vezes até mais... [...] Ela morreu uma hora depois do parto. Eu fui para a Santa Casa ganhar neném. Olhar as fotos dela, lembrar dela… Nunca, nunca na minha vida, é uma coisa que não tem como nem pensar a questão de aborto. Não tem como pensar nisso. Como é que uma pessoa consegue?
Quando me cogitaram a ideia de fazer aborto — e foram várias vezes que minha médica tentou — eu não consigo imaginar palavras... Como eu poderia estar hoje se eu tivesse feito aborto da minha filha? É um sentimento, uma coisa que eu não consigo passar pela minha cabeça. Para mim não existe. É uma coisa que não existe.
Mas se tivesse [feito aborto], não me ajudaria em nada. Só iria piorar o sentimento que eu estava. O que ajudou muito foi o tempo que eu passei com minha filha... [...]
Mas tudo que eu pudesse imaginar se eu tivesse tirado... não iria me ajudar em nada e sim [teria] piorado muito mais a minha situação.
Como mãe, a maior satisfação que eu tenho foi o dia em que minha filha nasceu, que eu olhei para ela, que todo o amor que eu tinha por ela, quando eu olhei nela, aquilo me valeu a pena. Valeu e eu viveria tudo de novo se eu pudesse estar mais tempo com ela.
Eu não me arrependo, em momento nenhum de não ter feito aborto. [...] Mãe, ela está aqui para dar a vida e não para estipular uma hora e nem que esse filho tem que viver até aqui e pronto. Ela está dando a vida pelo filho... Se ele tem saúde, se ele vai viver ou não, independente do tempo que ele vai viver, ela vai dar a vida para ele; agora, tirar não.
Eu não me arrependo novamente de não ter feito o aborto. [...]. Eu acho que não tem como uma mãe estipular uma hora até que o filho tenha que viver. Uma mãe nunca vai se arrepender de carregar o filho, passar por uma gravidez, por qualquer dificuldade que seja. A dificuldade maior é saber que eu estipulei até uma hora de meu filho viver: “ele vai viver até aqui porque não vai ser bom para mim”.
Eu acho que a satisfação de uma gravidez, da hora de um parto, independente da hora que o filho vai viver, isso apaga qualquer sofrimento que uma mãe passa.  

Kleber, pai de Júlia:
Graças a Deus, a gente conduziu até o final essa gravidez [...].
O aborto é um crime na verdade. As pessoas falam como se fosse uma coisa banal, e não é.
A gente conduziu até o final, graças a Deus, com a ajuda de Deus.
No dia que ela nasceu, a Carla ficou internada, eu acompanhei o enterro da minha filha. E depois que teve o desfecho do enterro, a sensação era de um dever cumprido, consciência limpa, graças a Deus. Acho que a principal lição foi essa: de consciência limpa perante a sociedade e perante Deus principalmente, de não ter feito alguma coisa de errado.

 Carla (chorando):
Eu sinto saudade da minha filha... [...] Não tem nada que preencha o espaço dela. Eu tenho dois filhos, mas o lugar dela para mim está lá. Ela é minha terceira filha. Para mim não tem nada que preencha o lugar dela. É a minha filha. É alguém que... Hoje ela estaria com quatro meses. Então a gente lembra: “Hoje ela estaria com um mês, dois meses... E se ela estivesse aqui, como seria?...” A gente se lembra dela como alguém lá em casa. Ela tem um lugar dela para mim e nenhum dos meus filhos substitui ela. A gente pensa como ela estaria hoje... o tamanho com que ela estaria crescendo...

Primeira parte:
Segunda parte:
Anápolis, 13 de agosto de 2011.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis

"O silêncio não vai ajudar a Igreja", diz padre Paulo Ricardo

Paulo Ricardo de Azevedo Júnior é um padre no sentido pleno da palavra. E não apenas por usar batina. Eis um padre que segue o catecismo, o missal e a doutrina católica. Um padre que defende a Igreja e o papa. Um padre estudioso e com grande domínio da palavra. Um padre que conhece profundamente as questões canônicas. Um padre que fala de vida espiritual. Um padre que não ignora este mundo, mas sem jamais esquecer o outro. Um padre que não se furta a criticar outros sacerdotes, sobretudo o chamado "clero progressista", ligado à teologia da libertação. Um padre à maneira antiga - tão antiga quanto os 2 mil anos da Igreja Católica.

Com todas essas qualidades, o padre Paulo Ricardo está fazendo um grande sucesso com seu trabalho de evangelização na internet. Através do site padrepauloricardo.org, ele diz o que pensa para um público cada vez mais amplo - e constituído em grande parte por jovens.

Nascido em novembro de 1967, o padre Paulo Ricardo foi ordenado em 1992, pelo papa João Paulo II. É bacharel em Teologia e mestre em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). Membro do Conselho Internacional de Catequese, nomeado pela Santa Sé, pertence à Arquidiocese de Cuiabá (Mato Grosso). É autor de diversos livros e apresenta o programa semanal "Oitavo Dia", pela Rede Canção Nova de Televisão.

Durante uma visita do padre Paulo Ricardo por Londrina e região, em setembro, o JL realizou a seguinte entrevista. Entre os assuntos abordados, o papel dos cristãos na sociedade contemporânea e uma relação especial com a cidade de Londrina.

Jornal de Londrina: Em 2005, o sr. passou por uma experiência pessoal muito importante em Londrina. O que aconteceu? E de que forma essa experiência o marcou?

Padre Paulo Ricardo: Há seis anos, eu estava vindo de São Paulo e o avião fazia escala em Londrina, indo para Cuiabá. Aconteceu que o avião atrasou, tivemos que ir para o hotel. Depois voltamos para pegar o avião outra vez. Uns cinco minutos depois da decolagem, houve um estouro na turbina direita. Trinta segundos depois, um novo estouro. Ninguém sabia o que estava acontecendo. O pessoal ficou apavorado. O avião continua estável, o que se via claramente. Fiquei pensando: vou observar. Se eu notar que vai ocorrer o pior, dou a absolvição coletiva.

Enquanto eu não sabia o que estava acontecendo, fiz meu ato de contrição, pedi a Deus perdão do meu pecado - e esperei. Enquanto esperava, pensei que havia sido prudente inutilmente. Agora eu estaria me apresentando diante de Deus, Deus iria pedir conta do meu ministério, e eu fui prudente a vida inteira, porque queria ser bispo, queria fazer carreira, não queria me queimar. Dali para frente aquilo marcou. Dali para frente eu vi que era um homem morto. Deus me disse assim: "O que eu havia previsto para você eram somente estes anos de sacerdócio, agora você vai morrer, acabou, e você não deu conta do recado. Você escondeu seus talentos".

Dali para frente resolvi me considerar um homem morto. Porque Deus estava me dando uma segunda chance. Eu não poderia mais me colocar numa situação de prudência, pensando no futuro. O bom soldado, quando vai para a guerra, não tem que se preocupar em voltar para casa. Ele tem que se preocupar em sobreviver o maior tempo possível para fazer o maior estrago para o inimigo. O soldado sabe que um dia vai levar um tiro e um dia vai sair de ação.

Esse foi meu exame de consciência: o sacerdócio é um dom, e um dom não é algo para ser guardado. Dali em diante, eu vi que a minha batina não é um enfeite, ela é uma mortalha. O sacerdote é um homem que deveria ter morrido para o mundo; se ele não morreu para o mundo, o que está fazendo aí? Afinal de contas, a Igreja e o sacerdócio ou servem para o Céu, ou não servem para nada, podem fechar as portas.

Jornal de Londrina: E de que maneira a Igreja Católica pode assumir a sua verdadeira missão?

Padre Paulo Ricardo: A grande dificuldade é que a Igreja, nas últimas décadas, introjetou a acusação dos marxistas - de que "a religião é o ópio do povo". Ela se sente culpada de falar do Céu, de salvação eterna, de felicidade futura. E tenta desconversar com uma suposta doutrina social. Você vai para a Igreja e dizem que a finalidade da religião é "fazer um mundo melhor". Ora, mas essa não é a finalidade da Igreja! Bento XVI, na encíclica "Spe Salvi", que houve uma imanentização da esperança cristã. A esperança cristã era voltada para o Céu, agora a gente espera a coisa aqui na Terra. A gente espera um mundo ideal, um mundo melhor, em desfavor da transcendência.

Paulo Briguet: Foi a partir desse episódio que o sr. iniciou o trabalho de evangelização na internet?

Padre Paulo Ricardo: Na verdade, a coisa foi gradual. O episódio do avião foi em 2005. Existem conversões fulminantes, como a de São Francisco - o homem que um dia era pecador, no outro era virtuoso. Comigo não foi assim. Ou melhor: comigo não está sendo assim - porque ainda não terminou. Sempre fui um menininho comportado, conservador, usava traje social, camisa de manga comprida... Quando entrei no seminário, logo veio a tentação da carreira. Eu me saía melhor nos estudos; era apreciada pela maneira como falava; comecei a pensar numa carreira dentro da Igreja. Fui para Roma, fiz Teologia lá. Vivia mais no Vaticano do que Universidade, sempre metido com cardeais e gente importante. Quando fui ordenado padre pelo papa João Paulo II, passei a desempenhar algumas funções menores na Santa Sé, nada muito importante. Minha pretensão era voltar ao Brasil, servir a diocese por um tempo e depois fazer carreira no Vaticano. Mas aconteceu que em 1997, tive uma experiência de conversão. Uma experiência com Santa Teresinha. Ali eu comecei a perceber que não poderia ser padre sem abraçar uma cruz. Não poderia transformar o sacerdócio numa carreira. Entendi que o sacerdócio não era um homem, mas o sacrifício de um homem. Passei a me voltar mais para Deus, para a espiritualidade. Eu já era padre há cinco anos. Em 2002, eu conheci pela internet o filósofo Olavo de Carvalho e comecei a ler tudo que ele escrevia. Foi como se escamas caíssem dos meus olhos. Você descobre por que apanhou a vida inteira: você descobre por que lutava numa argumentação, vencia os debates, mas nada mudava. A partir disso, passei a ver que as razões verdadeiras não eram as razões apresentadas em discussões. Tem sempre algo debaixo da mesa. Tem sempre a má intenção por trás - o que é típico da mentalidade revolucionária. Em 2005, houve o episódio do avião. De 2005 para frente, eu passei a ser muito mais claro no que dizia. A partir daí comecei a realizar uma pregação mais clara contra a corrente geral.

Jornal de Londrina: Como o sr. definiria hoje o seu papel na Igreja?


Padre Paulo Ricardo: Hoje eu vejo que não nasci para ser bispo. Que nasci para ser pai de bispo, ou seja, formar uma geração de novos padres - e, um dia, um deles será bispo. Um dia algum deles vai ajudar a Igreja no episcopado. Para mim, o importante é saber agora que o silêncio não vai ajudar a Igreja. A gente vê no jovem a gratidão imensa quando você fala.

O filósofo Eugen Rosenstock-Huessy, pouco conhecido no Brasil, analisa as doenças da linguagem. Uma delas é a guerra; outra é a crise. O que caracteriza a guerra? A guerra é quando eu não quero ouvir o meu inimigo. Já a crise é o contrário: é não falar ao amigo. Meu amigo precisa de minha ajuda, eu sei onde está a solução, mas por conveniência eu calo. Assim a sociedade entra em crise.

A sociedade está em crise porque os líderes morais que poderiam dar uma orientação às pessoas estão calados. Alguém tem de pagar o preço de falar. Mesmo sabendo que, ao falar, a pessoa vai sofrer o martírio dos tempos modernos, como o papa Bento XVI descreve com muita clareza, até porque ele mesmo é vítima desse processo.

O martírio dos tempos modernos é o assassinato da personalidade. É transformar o sujeito em não-pessoa. É a calúnia, a perseguição. Você vai sendo fritado. Então, hoje nós precisamos na Igreja do Brasil de padres e bispos mártires. Uso sempre a palavra profético, mas a palavra mais adequada seria mártir. Martyrios em grego quer dizer testemunha. Alguém que crê tanto no Reino do Céu que está disposto a desprezar o reino dos homens.

Jornal de Londrina: Há uma guerra cultural em curso no Brasil de hoje, à semelhança do conflito que Peter Kreeft identificou na sociedade norte-americana?

Padre Paulo Ricardo: Existe uma guerra cultural incipiente no país. Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, a esquerda brasileira conseguiu a hegemonia da mídia. Em todos os âmbitos. Qualquer um que seja oposição só tem um espaço de militância atualmente, que é a internet. Basicamente esse é o espaço que nos concedem - ainda. A esquerda diz que a revolução só pode ser alcançada se houver um período que a precede, chamado de acumulação de forças. Nós estamos no período de acumulação de forças. Ainda não existe guerra de fato. Guerra supõe exército dos dois lados. O que existe é um exército que invadiu e ocupou o país. Nós temos uma ocupação hegemônica da esquerda. Mas a geração está sendo formada. Bento XVI, nesse sentido, foi o homem da Providência para a Igreja e para o Brasil. É preciso recomendar que o cardeal Joseph Ratzinger foi o homem que condenou a Teologia da Libertação. Antes, quando se citava o cardeal Ratzinger, tudo quanto era bispo e padre aqui no Brasil dizia que isso era uma "visão radical". Hoje em dia, cita-se Bento XVI e todos têm que ficar calados, porque não podem dizer que o papa é radical. O papa nos deu carta-branca. Está servindo como escudo para que a gente possa agir. Dentro do meu ministério, eu sempre tenho como diretriz lutar as lutas que o papa está lutando. De tal forma que o bom católico veja que eu não estou seguindo uma ideologia; eu estou seguindo a fé da Igreja de 2000 anos. A hegemonia esquerdista no Brasil é tal que a pessoa que pretende ser católica se sente um peixe fora d'água. A oposição ao pensamento do papa é tão grande que a maior parte dos jovens se sentiria fora da Igreja. A esquerda católica nos acusa - a nós que somos fiéis a Bento XVI - de estarmos fora da Igreja. Mas já que o papa está ao nosso lado e nós estamos ao lado do papa, eles não podem mais dizer isso.

Jornal de Londrina: O sr. sempre diz que no Brasil tenta-se impor uma minoridade social aos católicos. Em que consiste esse processo?

Padre Paulo Ricardo: É a chamada ideologia do Estado laico. Segundo essa ideologia, qualquer pessoa que tenha uma visão religiosa do mundo deve guardá-la para sua vida privada. Para os defensores dessa ideologia, a religiosidade não tem espaço público, não tem cidadania. Uso essa expressão - minoridade - para dizer que nós somos cidadãos brasileiros como os menores de idade. Mas nem todos os nossos direitos são reconhecidos. Os menores de idade não podem votar, não podem dirigir carro, têm direitos e responsabilidades limitadas. Há um grupo que se apossou da "classe falante" e não nos dá direito de falar e expressar nossas opiniões - porque nós somos religiosos. O fato é o seguinte: o ateísmo é uma atitude tão religiosa quanto o catolicismo, pois vê o mundo a partir de um prisma religioso, a não-existência de Deus. Não existe alguém indiferente ao problema religioso. Se você varre do espaço público qualquer manifestação religiosa, não está colocando o Estado nas mãos de uma visão religiosamente isenta; você está impondo uma religião que se chama materialismo ateísta. Os ateus não são cidadãos de primeira categoria e nós não somos cidadãos de segunda categoria. Eles são tão cidadãos quanto nós; têm o direito de ser ateus. Só que, numa democracia, quem dá o tônus do ambiente cultural é a maioria. A maioria esmagadora da população brasileira é extremamente religiosa. Portanto, nós não temos por que ficar amordaçados por uma minoria de ateus militantes.

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Por Paulo Briguet - Jornal de Londrina

Cardeal católico critica sermões “insossos e cansativos”. E está certíssimo!

O cardeal Gianfranco Ravasi, ministro da Cultura do Vaticano, resolveu botar o dedo naquela que é, entendo, uma das chagas abertas da Igreja Católica, que é a minha igreja. Leiam o que informa a France Presse. Volto em seguida.
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Os sermões feitos por padres católicos tornaram-se “insossos”, denunciou nesta sexta-feira o cardeal Gianfranco Ravasi, ministro da Cultura do Vaticano, pedindo a eles que não temam dizer palavras que “perturbem, questionem e causem preocupação”. O cardeal falou sobre o assunto durante um ciclo de conferências organizado em Roma pelo Instituto francês –Centro São Luís, aberto na quinta-feira na Universidade dos Jesuítas, a Gregoriana. O cardeal italiano convidou os sacerdotes a levarem em conta as novas linguagens para atrair a atenção dos fiéis, além de não temerem o “escândalo” causado pelas palavras da Bíblia.
“Devemos reencontrar esta dimensão da Palavra que ofende, que inquieta, que julga”, afirmou o prelado. É preciso notar que a Bíblia pode “preocupar e, às vezes, desconcerta” o que, segundo ele, é “indispensável”. O cardeal também convidou os padres a acompanharem a “revolução na comunicação”. “A informação transmitida pela televisão e a informática, explicou o ministro da Cultura do Vaticano, demanda ser incisivo, recorrer ao essencial, à cor, à narração”.
A comunicação pode passar também pelo Twitter, o que “obriga a transmitir alguma coisa fulgurante, essencial”, recomendou o prelado que envia ele mesmo mensagens diárias no Twitter. As críticas de Monsenhor Ravasi a homilias ‘mornas” dos padres e a vontade de encontrar uma linguagem adaptada ao mundo moderno representam uma preocupação do papa Bento 16 de revitalizar a mensagem do cristianismo, numa época de descristinização em massa.
Voltei. As palavras de Ravasi são oportunas. E estão certíssimas. Sempre é bom ir com cuidado, claro!, para não se ter a tentação de ensinar a uma instituição de mais de dois mil anos como ela deve se comportar. Mas a crítica é, obviamente, procedente.
Todo católico sabe que o ritual da missa é mais ou menos o mesmo em qualquer lugar do mundo: no ano passado, num intervalo de menos de 30 dias, assisti a celebrações quase idênticas, língua à parte, numa igrejinha onde cabiam 30 pessoas, numa vila aqui no Brasil, e na St. Patrick’s Cathedral, em Nova York. Isso espelha a existência de uma hierarquia e de um comando, que parte do Vaticano. É um dado positivo.
A Liturgia da Palavra já compreende hoje o momento da “Homilia”, que é, vamos dizer, o espaço criativo do sacerdote — dentro, é evidente, dos princípios da fé que ele abraça. É nesse ponto que as coisas vão muito mal nos rituais católicos. Os padres, a exemplo de boa parte dos professores universitários que andam por aí — tudo, afinal de contas, é magistério! —, são, no geral, de uma triste mediocridade, com uma formação intelectual precária. A mensagem católica sofre, de um lado, o assédio dos herdeiros da Escatologia da Libertação, que quer se passar por teologia, e, de outro, dos que confundem a missa com espetáculo circense.
“Devemos reencontrar esta dimensão da Palavra que ofende, que inquieta, que julga”, afirma Ravasi. É isso! O “provoca” certamente traduz melhor o pensamento do cardeal do que o “ofende”. Os sacerdotes católicos, no geral, se contentam com a gestão quase burocrática da Palavra de Deus, ignorando que ela pode e deve ser “palavra aplicada”, a ser vivida.
Convém não confundir isso com “modernização da Igreja”. Ao contrário: eu diria que ela deve voltar a seus primórdios, com uma perspectiva realmente militante, de defesa incondicional de seus princípios, sem abrir mão, obviamente, dos meios de comunicação contemporâneos.
Por Reinaldo Azevedo - 04/11/2011- às 19:33

Texto original em Inglês



Vatican wants 'boring' sermons spiced up(AFP) – 8 hours ago  VATICAN CITY — The Vatican's top cultural official on Friday hit out at sermons he said were too often dreary and bland and urged Catholic priests not to shy away from spicing up their preaching.Speaking at a conference organised by a French institute, Cardinal Gianfranco Ravasi said preaching in churches "was so dull and vapid that it had become quite meaningless."To yank drowsy church-goers to attention, the Italian cardinal urged priests to jazz up their vocabulary and not be afraid of letting the "scandal" contained in the Bible erupt from the pulpit.Ravasi argued that priests needed to be in sync with their time and adapt to a high-paced, tech-savvy world."The advent of televised and computerised information requires us to be compelling and trenchant, to cut to the heart of the matter, resort to narratives and colour," he said.He praised micro-blogging site Twitter as a tool that "forces to deliver something in a flash, something primal."

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Igreja deve arregaçar as mangas e lutar pela vida, diz Dom Beni

Canção Nova Notícias - Leonardo Meira - Enviado especial a São Paulo


Arquivo / Clarissa Oliveira / CN
O Bispo da Diocese de Lorena, Dom Benedito Beni

II Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida, promovido pela Human Life International no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, nestes dias 3 e 4, reúne palestrantes de renome internacional.


O Bispo da Diocese de Lorena, Dom Benedito Beni dos Santos, acompanhou parte dos trabalhos e destaca. "A Igreja ainda têm muita força e temos que arregaçar as mangas e lutar. E esse Congresso é um ponto muito importante para esta luta".


Acesse
.: PODCAST: Ouça entrevista com Dom Beni


Na opinião do prelado, a defesa da vida, desde a fecundação até seu fim natural, é sempre muito importante. "Neste Congresso, diversos conferencistas vêm não só com grande competência, mas também muita experiência. Isso será muito útil para nós, aqui no Brasil, principalmente se esses resultados forem divulgados".


Estes dois primeiros dias do evento são direcionados especialmente a sacerdotes, seminaristas e religiosos. O grande número de seminaristas chamou a atenção de Dom Beni:


"É necessário que os futuros padres estejam a par do que a Igreja ensina e depois se empenhem em defender isso de fato. Creio que, se os católicos lutarem de fato, o aborto não será aprovado", ressalta.

Fonte: Canção Nova notícias
Quinta-feira, 03 de novembro de 2011, 16h05

Pe. Lodi sobre o estatuto do nascituro: ainda é preciso reconhecimento explícito como pessoa

Pe. Luiz Carlos Lodi
SÃO PAULO, 07 Nov. 11 / 06:01 pm (ACI)

O Pe. Luis Carlos Lodi, líder do Pró-vida de Anápolis, concedeu uma entrevista exclusiva à ACI Digital destacando os principais os desafios para a defesa da vida e da família no Brasil e asseverou que no projeto do Estatuto do Nascituro ainda falta o reconhecimento explícito deste como pessoa.

A entrevista foi concedida no contexto do II Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida da Human Life International em São Paulo, no dia 05 de novembro, ocasião na qual o sacerdote sublinhou a necessidade do “emprego de uma única linguagem pró-vida”.

Falando em entrevista exclusiva a ACI Digital, o Padre Lodi falou sobre os futuros desafios para a defesa da vida e da família no Brasil.

“O principal desafio seria nós colocarmos explicitamente na nossa constituição a inviolabilidade do direito à vida desde a concepção até a morte natural como uma emenda do artigo 5º Caput da nossa carta magna, isto já foi tentado algumas vezes sem sucesso, mas hoje como temos a maioria esmagadora pró-vida na população, no eleitorado, isto se tornou uma idéia popular entre os parlamentares”, afirmou.

“Embora tenhamos um governo de partido pró-aborto, uma emenda constitucional não passa pelas mãos do presidente para ser sancionada. Ela é resolvida entre a câmara e o senado, então independe da vontade do presidente da república, isto seria algo pelo qual valeria a pena um esforço muito grande”.

Para o sacerdote pró-vida o outro projeto interessante no campo da defesa do não-nascido é o estatuto do nascituro. A respeito deste projeto de lei, o sacerdote assinalou que só deve ser aprovado com uma condição sine qua non: a de reconhecer que o nascituro é pessoa, sem a qual todos os outros direitos dele serão considerados simplesmente meras expectativas de direitos e não direitos reais.

“O reconhecimento do nascituro como pessoa implicaria a revogação da primeira parte do artigo 2º do código civil, que diz que a personalidade só começa com o nascimento com vida”.

“Então a revogação explicita deste dispositivo que já se operou por força do pacto da Costa Rica que o Brasil assinou e ratificou, seria necessário que se tornasse lei por via legislativa para não dar margem a interpretações dúbias”, disse.

O padre denunciou também que o grande problema é que a lei é interpretada pelos juízes e ultimamente “as cortes constitucionais, há algumas décadas têm abusado do seu poder de legislador negativo de expurgar do ordenamento jurídico as leis que sejam incompatíveis com a constituição e têm invadido o campo do legislador reformando a constituição, dando uma interpretação esdrúxula fazendo a constituição dizer coisas que os constituintes jamais sonharam”.

Como exemplo disto o sacerdote mencionou a sentença Roe vs. Wade nos EUA que em 1973 aprovou o aborto nos EUA e que o padre considerou um verdadeiro golpe de estado e citou o caso da decisão do Supremo Tribunal Federal que este ano reconheceu a união civil de pessoas do mesmo sexo contrariando o “texto explícito da constituição que falava entre o homem e a mulher”.

O padre Lodi também disse que há o temor fundado que os legisladores brasileiros apoiando-se em decisões de exceção venham a aprovar também o aborto no caso de anencefalia, protagonizando outro “espetáculo de abuso de poder”.

Falando mais explicitamente à ACI Digital sobre o estatuto do nascituro, o sacerdote comentou que “se o relator do estatuto do nascituro resolver colocar um substitutivo ou uma emenda nele, reconhecendo que o nascituro é pessoa. Eu creio que tudo que nós fizermos para ajudar ainda será pouco”.

Porém se esta emenda não for feita o padre afirma que “estes esforços talvez nem valham a pena”.

AO MENOS DEIXEM OS PREGOS

Reafirmo meu pessimismo: mais cedo ou mais tarde, como vem ocorrendo com todas as teses provenientes desses segmentos ideológicos e políticos, os crucifixos serão arrancados das paredes. E o resíduo cultural cristão ainda persistente continuará cedendo lugar a um humanismo desumano, destituído de alma e avesso a Deus. Avesso ao Deus cuja proteção é invocada na Constituição. Não guardo ilusões. Quando se encontra com a omissão de muitos e a ingênua tolice de outros tantos, a malícia passa por cima e impõe o que pretende com quase nenhuma resistência. 

Aparentemente é uma questão simples. Afinal, se o Estado é laico, os espaços públicos ou sob responsabilidade do Estado não deveriam ser isentos de qualquer religiosidade, como banheiros de estação? O crucifixo, na parede de uma repartição, seria, nessa perspectiva, um atropelo à equidade, um agravo à Constituição e à Justiça. Remova-se, então. Mas tenha-se a coragem de assumir perante a história o registro do que foi feito: preserve-se o prego! Preserve-se o prego para que todos reconheçam o extraordinário serviço prestado. Para que todos saibam que ali havia um crucifixo, e que ele foi removido por abusivo, ofensivo, intolerável às almas sensíveis que, em nome da Justiça, se mobilizaram contra ele. 

Observe de onde procedem os ataques aos crucifixos. Nem todos os que tocam nessas bandas são contra os crucifixos e nem todos o são por malícia. Mas todos os que se opõem aos crucifixos tocam nessas bandas. Tocam numa certa esquerda e numa certa direita. Ajudam-se mutuamente no processo de destruição dos valores. A cara da utopia da igualdade é o focinho da utopia da liberdade sem limites. Quando discorrem sobre seus motivos em relação aos crucifixos, transmitem a ideia de estarem jungidas a um imperativo constitucional - o Estado, mesmo não sendo ateu, é laico. Não tem religião própria. E os ingênuos abanam a cabeça em concordância: afinal, se há lugar para um crucifixo, por que não revestir as paredes com os símbolos de todas as outras religiões e crenças existentes? Ou tem para todos, ou não tem para ninguém. Com tanta coisa contra que lutar, escalam como adversário Jesus de Nazaré... 

O crucifixo na parede da repartição não é peça publicitária. Não é elemento de proselitismo religioso. Não transforma o espaço em local de culto. É referência a um patrimônio de valores universais sem similar na iconografia humana: amor a Deus e ao próximo mesmo se inimigo, solidariedade, justiça, misericórdia, paz. Se tirar o crucifixo, fica o prego. 

Por outro lado, percebam todos ou não, a mobilização pela remoção é apenas mais um ato da longa empreitada do relativismo, do hedonismo e do materialismo visando à deliberada destruição das bases da civilização ocidental. Apenas mais um gesto. Querem a prova? O mesmo argumento que pretende a remoção do crucifixo (o mesmíssimo argumento!) quer silenciar os cristãos sempre que se debatem aspectos morais de propostas legislativas ou decisões judiciais. "O estado é laico e os argumentos baseados numa moral de origem religiosa não podem ser admitidos!", proclamam com enfatuada sabedoria. Ou seja, admitem-se nos debates as opiniões de ateus, de movimentos sociais, de sindicatos, de homossexuais, de partidos políticos, de endinheiradas ONGs, do que for. Admite-se opiniões do Além, psicografadas. Vale, até, opinião de quem não tem moral alguma. Mas não se toleram opiniões coincidentes ou fundadas na moral cristã. Pasmem os leitores: com esses argumentos de almanaque, com essa lógica de gibi, se consideram gênios da retórica, porta-estandartes da equidade. E não faltam ingênuos para aderir a essa conversa mole! 

No entanto, saibam quantos lerem este artigo: o comunismo, ao refletir sobre suas dificuldades para expandir-se na Europa Ocidental, concluiu que seus maiores obstáculos estavam propostos pelas bases cristãs da cultura vigente. Desde então tem sido o que se viu. E só não percebe quem não se importa em servir de pomba para a refeição dos gaviões. 
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* Percival Puggina (66) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.