sábado, 5 de novembro de 2011

Raymond Souza, presidente da Human Life International EUA apresenta as razões da premiação a Dom Luiz Bergonzini

Excelência Reverendíssima, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, digníssimo Bispo Diocesano de Guarulhos; Digníssimos senhores Arcebispos, bispos, sacerdotes e religiosos; Digníssimas autoridades civis, senhoras e senhores.

Sinto-me sumamente honrado por estar aqui, neste momento, representando a associação Human Life International, para entregar a Sua Excelência Dom Luiz Gonzaga Bergonzini o Prêmio Von Galen, em reconhecimento pelo heroico cumprimento de sua missão episcopal.

O Prêmio Von Galen foi instituído pela Human Life International para lembrar o bem-aventurado Cardeal Clemens August von Galen.  Ele foi o heroico bispo de Munster na Alemanha, que sob a perseguição do Nazismo, denunciou as injustiças gritantes do regime - injustiças muito semelhantes àquelas hoje cometidas por governos na maioria dos países ocidentais.

Em sua primeira carta pastoral, o Cardeal Von Galen denunciou aquela ideologia neo-pagã. Fez uma refutação científica do ideólogo principal do nazismo, Alfred Rosemberg, mostrando as falsificações e os erros históricos de sua obra "O Mito do Século Vinte".

Mostrou como o nazismo se colocava acima e além da moral, e como até mesmo desejava destruir os fundamentos básicos do Cristianismo - incrível como a história se repete, mesmo em países formados sob a influência benéfica do Evangelho.

Famosos foram seus sermões, nos quais levantou sua voz com força profética contra a eutanásia. Censurou fortemente a matança das pessoas assim camadas "improdutivas", consideradas hoje em dia como pessoas que tem uma "vida que não vale a pena viver".

Suas críticas ao nazismo foram feitas sem nenhuma concessão ao socialismo ou ao liberalismo. Estavam solidamente ancoradas no ensino perene da Igreja.

O testemunho heroico de Von Galen é um valioso incentivo e inspiração para os católicos de nossos dias, que estão comprometidos com o estabelecimento do Reino Social de Jesus Cristo, sem fazer nenhuma concessão aos erros do n osso tempo.

Este prêmio já foi concedido a outros prelados que se tem distinguido na defesa da vida e do ensinamento moral da Igreja Católica, como por exemplo, o Cardeal Alfonso Lopes Trujillo, ex-presidente do Conselho Pontifício para a Família;  o Cardeal Christian Tumi, de Duala, nos Camarões e o Arcebispo Antonio Arregui, de Guayaquyil, presidente da Conferência Episcopal do Equador, bem como a vários outros prelados na América do Norte.  O primeiro brasileiro a receber o prêmio  foi Dom Jopsé Cardoso Sobrinho, Arcebispo Emérito de Olinda e Recife.

Diante da iniquidade do crime do aborto, a Igreja não pode manter silêncio. Fazê-lo seria uma grave omissão, e, pior ainda, poderia ser interpretado como um assentimento tácito, que poderia levar muitos a pensar que a Sagrada Hierarquia está pactuando com a injustiça.

Dom Luiz, os ecos que nos chegam aos Estados Unidos de vosso trabalho episcopal aqui no Brasil tem confirmado que Vossa Excelência tem agido como um fiel sucessor dos Apóstolos, ao proclamar a verdade da sacralidade da vida. Deu corajoso testemunho de que o bem da vida que recebemos de Deus todo-poderoso é totalmente não-negociável, e que a vida de um inocente que ainda não nasceu, deve ser protegida, sempre e em todo lugar.

Vossa Excelência pregou e agiu segundo esta verdade, convencendo, repreendendo e exortando, assim como São Paulo, que foi exemplo para São Timóteo, seu discípulo e primeiro bispo de Éfeso.

Human Life Internacional faz suas as palavras iniciais do Dr. João Carlos Biagini, advogado da Mitra Diocesana, publicadas na revista Época a respeito dos cem brasileiros mais influentes: "Dom Luiz é o símbolo do sacerdote apaixonado pelo Evangelho e por Jesus Cristo. Para ele e para a Igreja Católica, a vida deve ser preservada desde a fecundação até a morte natural. As duas manifestações do Papa, sobre as eleições e a responsabilidade dos bispos, provaram que Dom Luiz está em sintonia com o Vaticano".

No trabalho educativo da Associação Human Life International que desempenho, eu mesmo tive a oportunidade de citar  Vossa Excelência em palestras públicas em vários países. Nos Estados Unidos, existe o mito de que o sacerdote ou o bispo não deve jamais falar de política, ou dar sua opinião nas eleições. É uma espécie de ídolo publicitário.

Mas vossos pronunciamentos mostraram que o ídolo tem pés de barro: "Devemos distinguir partido político de política. (...) A Igreja não tem o direito de fazer política? A Igreja tem o dever de a fazer! Como cidadão eu tenho o direito e, como bispo, como cristão, tenho o dever de fazer política, o dever de ser político. Não partidário. Não seguidor de uma sigla. Em nosso partido, o chefe é Jesus Cristo, e nossa arma, nossa lei, é o Evangelho!"


Esta distinção tão simples e tão verdadeira, excelência, tem sido de grande ajuda para muitos eclesiásticos americanos que começam a se dar conta de que enquanto cidadãos e contribuintes, elem tem o direito de falar, e enquanto pastores de almas eles têm o dever de clamar contra os lobos que querem destruir o rebanho a eles confiado.

Assim também se pronunciou o Santo Padre Bento XVI: "Quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem os pastores têm um grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas."


E Vossa Excelência ressaltou a necessidade de se ter caridade para com os que erram, dando oportunidade para se corrigirem. E acrescentou: "O correto é sim, sim; não, não! Não existem meias verdades. Ou é verdade ou não é! Mas, quando preciso, é "oportuno que imitemos Jesus Cristo que expulsou os vendilhões do Templo". É isso aí - dá-lhes!

Em resumo, Vossa Excelência merece todo louvor, porque vossos pronunciamentos em defesa do direito da vida forneceram um exemplo luminoso a ser seguido pelos vossos irmãos no Episcopado no mundo inteiro.

Este exemplo foi e é brilhante, porque, lamentavelmente, seja na América do Norte ou na do Sul, na Europa ou na Ásia, os bispos que têm coragem de falar com força e clareza em defesa da vida e da família, não são precisamente os mais numerosos.

Vossa Excelência também forneceu um sinal de esperança para o movimento pró-vida no mundo inteiro, porque é próprio dos leigos católicos, na sua militância em defesa da vida e da família, desejar ser liderados por bispos vigorosos.

Peço a Nossa Senhora da Conceição, padroeira da Catedral Diocesana de Guarulhos, que Ela interceda constantemente por Vossa Excelência, de modo a que recebe graças superabundantes para continuar vosso ministério pastoral em defesa da Vida e da Família.


Jorge Ferraz, Pe. Mateus Maria, Alexandre, Ernesto Mendonça e Wagner Moura:
blogueiros pró-vida com o premiado Dom Bergonzini
É com prazer que tenho a honra de convidar o padre Shenan Boquet, presidente da Human Life Internacional, para apresentar a Dom Luiz Gonzaga Bergonzini o Prêmio Cardeal Von Galen.

Raymond Souza
Human Life Internacional EUA.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Bispo brasileiro - Dom Luiz Bergonzini - recebe prêmio da Human Life International

Bispo Diocesano de Guarulhos Dom Luiz Bergonzini
recebe o prêmio das mãos do padre Shenan 
Human Life International (HLI) concedeu o Prêmio Cardeal Von Galen ao Bispo de Guarulhos (SP), Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, nesta quinta-feira, 3.


O reconhecimento é por sua atitude heroica no cumprimento do ministério episcopal, "ao enfrentar o desagrado de tantos que promovem a cultura da morte".

A entrega da homenagem aconteceu durante o II Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida pelas mãos do presidente da HLI, padre Shenan Boquet.

Acesse
.: PODCAST: Ouça entrevista com Dom Bergonzini


O Prêmio é concedido pela HLI, em nome de associações católicas pró-vida de mais de 80 países do mundo, a personalidades – especialmente bispos –  que se destacam na defesa da sacralidade da vida, conforme os ensinamentos católicos.

"É sempre uma ajuda, entusiasmo. Sou agradecido por essa homenagem e por perceber que o trabalho que a gente fez não foi em vão", afirma Dom Bergonzini.

O bispo destaca que está satisfeito com seu trabalho à frente da diocese paulista, missão que está prestes a concluir, ao completar 75 anos e, conforme o Código de Direito Canônico, pedir a renúncia ao Papa.

O Prêmio


O Prêmio leva o nome do Bem-Aventurado Clemens August von Galen (1878-1946), que foi Bispo de Münster (Alemanha) durante a era nazista. Levantou sua voz em defesa dos pobres e dos doentes, protestando contra a eutanásia, a perseguição dos judeus e a expulsão dos religiosos.

Por causa de sua coragem, ficou conhecido como o “Leão de Münster”. O lema que escolheu quando foi eleito bispo foi “Nem elogios nem ameaças me distanciarão de Deus”.

O cardeal Von Galen demonstrou coragem ao enfrentar os nazistas, desvelando a verdade sobre a ideologia do nazismo, defendendo a liberdade da Igreja e das associações católicas, bem como a educação religiosa. Acusou abertamente o nazismo de discriminação contra os cristãos, os quais eram encarcerados e assassinados. Condenou outros abusos do governo totalitário, lutou pelo direito à vida e denunciou de modo veemente o massacre das pessoas deficientes físicas e mentais consideradas “inúteis”.

O referido Prêmio é acompanhado de uma doação de mil dólares, para ajudar de algum modo o trabalho pastoral do agraciado.

O último brasileiro a receber a homenagem foi o Arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, em 2009.


Fonte: Canção Nova Notícias

NÃO à cultura da morte, SIM à cultura da vida


II congresso internacional pela Verdade e pela Vida
ROMA, quinta-feira 03, de novembro de 2011 (ZENIT.org) .- Começou hoje no mosteiro de São Bento de São Paulo o II congresso internacional promovido pela Human Life International. Traz como objetivos: compartilhar experiências sobre a defesa da vida no Brasil e no mundo; aprofundar aspectos concernentes à defesa da vida humana e à defesa da família; informar sobre as inúmeras pressões exercidas contra a dignidade da pessoa humana; e promover o diálogo entre as diversas entidades e associações existentes que trabalham em prol da Família.

Como palestrantes estão participando nomes como: Dom João Carlos Petrini (presidente da comissão Episcopal para a vida e a família), Raymond de Souza Mario Rojas, Padre Juan Carlos Chavez (sacerdote equatoriano), Mons. Sanahuja (jornalista e doutor em teologia pela Universidade de Navarra, Espanha), Dr. Jorge Scala, Pe. Luis Carlos Lodi e Pe. Paulo Ricardo de Azevedo (da arquidiocese de Cuiabá).
O evento, começado hoje, durará até o dia 6 de novembro e já pode ser acompanhado ao vivo pelo mesmo site do congresso http://congressoprovida.com.br

Ecumenismo: em busca da paz da humanidade, em Assis

"Queridos irmãos e irmãs, distintos Chefes e representantes das Igrejas e Comunidades eclesiais e das religiões do mundo, queridos amigos,

Passaram-se vinte e cinco anos desde quando pela primeira vez o beato Papa João Paulo II convidou representantes das religiões do mundo para uma oração pela paz em Assis. O que aconteceu desde então? Como se encontra hoje a causa da paz?

Naquele momento, a grande ameaça para a paz no mundo provinha da divisão da terra em dois blocos contrapostos entre si. O símbolo saliente daquela divisão era o muro de Berlim que, atravessando a cidade, traçava a fronteira entre dois mundos. Em 1989, três anos depois do encontro em Assis, o muro caiu, sem derramamento de sangue. Inesperadamente, os enormes arsenais, que estavam por detrás do muro, deixaram de ter qualquer significado. Perderam a sua capacidade de aterrorizar.

A vontade que tinham os povos de ser livres era mais forte que os arsenais da violência. A questão sobre as causas de tal derrocada é complexa e não pode encontrar uma resposta em simples fórmulas.

Mas, ao lado dos factores económicos e políticos, a causa mais profunda de tal acontecimento é de carácter espiritual: por detrás do poder material, já não havia qualquer convicção espiritual. Enfim, a vontade de ser livre foi mais forte do que o medo face a uma violência que não tinha mais nenhuma cobertura espiritual. Sentimo-nos agradecidos por esta vitória da liberdade, que foi também e sobretudo uma vitória da paz. E é necessário acrescentar que, embora neste contexto não se tratasse somente, nem talvez primariamente, da liberdade de crer, também se tratava dela. Por isso, podemos de certo modo unir tudo isto também com a oração pela paz.

Mas, que aconteceu depois? Infelizmente, não podemos dizer que desde então a situação se caracterize por liberdade e paz. Embora a ameaça da grande guerra não se aviste no horizonte, todavia o mundo está, infelizmente, cheio de discórdias. E não é somente o facto de haver, em vários lugares, guerras que se reacendem repetidamente; a violência como tal está potencialmente sempre presente e caracteriza a condição do nosso mundo.

A liberdade é um grande bem. Mas o mundo da liberdade revelou-se, em grande medida, sem orientação, e não poucos entendem, erradamente, a liberdade também como liberdade para a violência. A discórdia assume novas e assustadoras fisionomias e a luta pela paz deve-nos estimular a todos de um modo novo.

Procuremos identificar, mais de perto, as novas fisionomias da violência e da discórdia. Em grandes linhas, parece-me que é possível individuar duas tipologias diferentes de novas formas de violência, que são diametralmente opostas na sua motivação e, nos particulares, manifestam muitas variantes.

Primeiramente temos o terrorismo, no qual, em vez de uma grande guerra, realizam-se ataques bem definidos que devem atingir pontos importantes do adversário, de modo destrutivo e sem nenhuma preocupação pelas vidas humanas inocentes, que acabam cruelmente ceifadas ou mutiladas. Aos olhos dos responsáveis, a grande causa da danificação do inimigo justifica qualquer forma de crueldade. É posto de lado tudo aquilo que era comummente reconhecido e sancionado como limite à violência no direito internacional. Sabemos que, frequentemente, o terrorismo tem uma motivação religiosa e que precisamente o carácter religioso dos ataques serve como justificação para esta crueldade monstruosa, que crê poder anular as regras do direito por causa do «bem» pretendido. Aqui a religião não está ao serviço da paz, mas da justificação da violência.

A crítica da religião, a partir do Iluminismo, alegou repetidamente que a religião seria causa de violência e assim fomentou a hostilidade contra as religiões. Que, no caso em questão, a religião motive de facto a violência é algo que, enquanto pessoas religiosas, nos deve preocupar profundamente. De modo mais sutil mas sempre cruel, vemos a religião como causa de violência também nas situações onde esta é exercida por defensores de uma religião contra os outros.

O que os representantes das religiões congregados no ano 1986, em Assis, pretenderam dizer – e nós o repetimos com vigor e grande firmeza – era que esta não é a verdadeira natureza da religião. Ao contrário, é a sua deturpação e contribui para a sua destruição. Contra isso, objecta-se: Mas donde deduzis qual seja a verdadeira natureza da religião? A vossa pretensão por acaso não deriva do facto que se apagou entre vós a força da religião?

E outros objectarão: Mas existe verdadeiramente uma natureza comum da religião, que se exprima em todas as religiões e, por conseguinte, seja válida para todas?

Devemos enfrentar estas questões, se quisermos contrastar de modo realista e credível o recurso à violência por motivos religiosos. Aqui situa-se uma tarefa fundamental do diálogo inter-religioso, uma tarefa que deve ser novamente sublinhada por este encontro.

Como cristão, quero dizer, neste momento: É verdade, na história, também se recorreu à violência em nome da fé cristã. Reconhecemo-lo, cheios de vergonha. Mas, sem sombra de dúvida, tratou-se de um uso abusivo da fé cristã, em contraste evidente com a sua verdadeira natureza.

O Deus em quem nós, cristãos, acreditamos é o Criador e Pai de todos os homens, a partir do qual todas as pessoas são irmãos e irmãs entre si e constituem uma única família. A Cruz de Cristo é, para nós, o sinal daquele Deus que, no lugar da violência, coloca o sofrer com o outro e o amar com o outro. O seu nome é «Deus do amor e da paz» (2 Cor 13,11). É tarefa de todos aqueles que possuem alguma responsabilidade pela fé cristã, purificar continuamente a religião dos cristãos a partir do seu centro interior, para que – apesar da fraqueza do homem – seja verdadeiramente instrumento da paz de Deus no mundo.

Se hoje uma tipologia fundamental da violência tem motivação religiosa, colocando assim as religiões perante a questão da sua natureza e obrigando-nos a todos a uma purificação, há uma segunda tipologia de violência, de aspecto multiforme, que possui uma motivação exactamente oposta: é a consequência da ausência de Deus, da sua negação e da perda de humanidade que resulta disso.

Como dissemos, os inimigos da religião vêem nela uma fonte primária de violência na história da humanidade e, consequentemente, pretendem o desaparecimento da religião. Mas o «não» a Deus produziu crueldade e uma violência sem medida, que foi possível só porque o homem deixara de reconhecer qualquer norma e juiz superior, mas tomava por norma somente a si mesmo.

Os horrores dos campos de concentração mostram, com toda a clareza, as consequências da ausência de Deus.

Aqui, porém, não pretendo deter-me no ateísmo prescrito pelo Estado; queria, antes, falar da «decadência» do homem, em consequência da qual se realiza, de modo silencioso, e por conseguinte mais perigoso, uma alteração do clima espiritual.

A adoração do dinheiro, do ter e do poder, revela-se uma contra-religião, na qual já não importa o homem, mas só o lucro pessoal. O desejo de felicidade degenera num anseio desenfreado e desumano como se manifesta, por exemplo, no domínio da droga com as suas formas diversas.

Aí estão os grandes que com ela fazem os seus negócios, e depois tantos que acabam seduzidos e arruinados por ela tanto no corpo como na alma. A violência torna-se uma coisa normal e, em algumas partes do mundo, ameaça destruir a nossa juventude. Uma vez que a violência se torna uma coisa normal, a paz fica destruída e, nesta falta de paz, o homem destrói-se a si mesmo.

A ausência de Deus leva à decadência do homem e do humanismo. Mas, onde está Deus? Temos nós possibilidades de O conhecer e mostrar novamente à humanidade, para fundar uma verdadeira paz?

Antes de mais nada, sintetizemos brevemente as nossas reflexões feitas até agora. Disse que existe uma concepção e um uso da religião através dos quais esta se torna fonte de violência, enquanto que a orientação do homem para Deus, vivida rectamente, é uma força de paz. Neste contexto, recordei a necessidade de diálogo e falei da purificação, sempre necessária, da vivência da religião.

Por outro lado, afirmei que a negação de Deus corrompe o homem, priva-o de medidas e leva-o à violência.

Ao lado destas duas realidades, religião e anti-religião, existe, no mundo do agnosticismo em expansão, outra orientação de fundo: pessoas às quais não foi concedido o dom de poder crer e todavia procuram a verdade, estão à procura de Deus.

Tais pessoas não se limitam a afirmar «Não existe nenhum Deus», mas elas sofrem devido à sua ausência e, procurando a verdade e o bem, estão, intimamente estão a caminho d’Ele. São «peregrinos da verdade, peregrinos da paz». Colocam questões tanto a uma parte como à outra.

Aos ateus combativos, tiram-lhes aquela falsa certeza com que pretendem saber que não existe um Deus, e convidam-nos a tornar-se, em lugar de polémicos, pessoas à procura, que não perdem a esperança de que a verdade exista e que nós podemos e devemos viver em função dela. Mas, tais pessoas chamam em causa também os membros das religiões, para que não considerem Deus como uma propriedade que de tal modo lhes pertence que se sintam autorizados à violência contra os demais. Estas pessoas procuram a verdade, procuram o verdadeiro Deus, cuja imagem não raramente fica escondida nas religiões, devido ao modo como eventualmente são praticadas.

Que os agnósticos não consigam encontrar a Deus depende também dos que crêem, com a sua imagem diminuída ou mesmo deturpada de Deus. Assim, a sua luta interior e o seu interrogar-se constituem para os que crêem também um apelo a purificarem a sua fé, para que Deus – o verdadeiro Deus – se torne acessível.

Por isto mesmo, convidei representantes deste terceiro grupo para o nosso Encontro em Assis, que não reúne somente representantes de instituições religiosas. Trata-se de nos sentirmos juntos neste caminhar para a verdade, de nos comprometermos decisivamente pela dignidade do homem e de assumirmos juntos a causa da paz contra toda a espécie de violência que destrói o direito.

Concluindo, queria assegurar-vos de que a Igreja Católica não desistirá da luta contra a violência, do seu compromisso pela paz no mundo. Vivemos animados pelo desejo comum de ser «peregrinos da verdade, peregrinos da paz»

Embriaguez ao volante constitui crime, confirma STF

Dirigir embriagado é crime, independente de ter causado dano ou não. Este entendimento foi aplicado pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal ao rejeitar Habeas Corpus impetrado pela Defensoria Pública da União em favor de um motorista de Araxá (MG) denunciado por dirigir embriagado. O crime está previsto no artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro, mas o juiz de primeira instância absolveu o motorista por considerar inconstitucional o dispositivo, alegando que se trata de modalidade de crime que só se consumaria se tivesse havido dano, o que não ocorreu.

Citando precedente da ministra Ellen Gracie, o relator do HC, ministro Ricardo Lewandowski, afirmou ser irrelevante indagar se o comportamento do motorista embriagado atingiu ou não algum bem juridicamente tutelado porque se trata de um crime de perigo abstrato, no qual não importa o resultado. "É como o porte de armas. Não é preciso que alguém pratique efetivamente um ilícito com emprego da arma. O simples porte constitui crime de perigo abstrato porque outros bens estão em jogo. O artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro foi uma opção legislativa legítima que tem como objetivo a proteção da segurança da coletividade", enfatizou Lewandowski.    
A Defensoria Pública pedia ao STF o restabelecimento desta sentença, sob a alegação de que "o Direito Penal deve atuar somente quando houver ofensa a bem jurídico relevante, não sendo cabível a punição de comportamento que se mostre apenas inadequado", mas seu pedido foi negado por unanimidade de votos.
Com a decisão, a ação penal contra o motorista prosseguirá, nos termos em que decidiu o Tribunal de Justiça de Minas, quando acolheu apelação do Ministério Público estadual contra a sentença do juiz de Araxá. De acordo com o artigo 306 do CTB, as penas para quem conduz veículo com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 0,6 decigramas, é de detenção (de seis meses a três anos), multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor
Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.
HC 109.269

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Bento XVI: Carinho dos brasileiros "permanece indelével nas minhas lembranças"

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Bento XVI recebeu nesta segunda-feira o Embaixador do Brasil junto à Santa Sé, Almir Franco de Sá Barbuda, para a apresentação de suas credenciais.

Em seu discurso, o Pontífice recordou sua visita ao Brasil em 2007, afirmando que O carinho que recebeu dos brasileiros "permanece indelével" em suas lembranças. E agradeceu o apoio manifestado, seja do governo, seja da diplomacia brasileira junto à Santa Sé, para a organização da XXVIII Jornada Mundial da Juventude, "que se realizará, se Deus quiser, em 2013 no Rio de Janeiro".

Bento XVI recordou a fecunda história do nosso país com a Igreja Católica, iniciada na primeira missa celebrada em 26 de abril de 1500, e que deixou testemunhos em muitas cidades e monumentos, como é o caso do Cristo Redentor, que se tornou símbolo de identificação mundial do Brasil.

"Porém, mais do que construções materiais, a Igreja ajudou a forjar o espírito brasileiro caracterizado pela generosidade, laboriosidade, apreço pelos valores familiares e defesa da vida humana em todas as suas fases", afirmou o Papa.

O Pontífice citou o Acordo assinado entre a Santa Sé e o Governo Brasileiro em 2008. Bento XVI falou deste Acordo como a garantia que possibilita à comunidade eclesial desenvolver todas as suas potencialidades em benefício de cada pessoa humana e de toda a sociedade brasileira. Tendo em vista que a contribuição da Igreja não se limita a concretas iniciativas assistenciais ou humanitárias, mas, sobretudo, o crescimento ético da sociedade. Em especial, o Pontífice dedicou falou da contribuição da Igreja no campo da educação, cujo prestígio é reconhecido por toda a sociedade.

"É conveniente reafirmar que o ensino religioso confessional nas escolas públicas, tal como foi confirmado no referido Acordo de 2008, longe de significar que o Estado assume ou impõe um determinado credo religioso, indica o reconhecimento da religião como um valor necessário para a formação integral da pessoa."

Por fim, no campo da justiça social, Bento XVI recordou que o Governo brasileiro sempre poderá contar com a Igreja, principalmente nas iniciativas que visam a erradicação da fome e da miséria, ajudando os mais necessitados a livrarem-se da sua situação de indigência, pobreza e exclusão. (BF)

Segue na íntegra o texto do Papa Bento XVI:

Senhor Embaixador,

Ao receber as Cartas Credenciais que o designam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República Federativa do Brasil junto da Santa Sé, apresento-lhe respeitosos cumprimentos de boas-vindas e agradeço-lhe as significativas palavras que me dirigiu, nelas manifestando os sentimentos que lhe vão na alma ao iniciar esta sua nova missão. Vi com grande satisfação as saudações que me transmitiu da parte de Sua Excelência a Senhora Presidente da República Dilma Rousseff, pedindo ao Senhor Embaixador a amabilidade de fazer-lhe chegar a minha gratidão pelas mesmas e certificar-lhe dos meus deferentes votos do melhor êxito no desempenho da sua alta missão, bem como das minhas orações pela prosperidade e bem-estar de todos os brasileiros, cujo carinho experimentado na minha visita pastoral de 2007 permanece indelével nas minhas lembranças. Registro com vivo apreço e profundo reconhecimento a disponibilidade manifestada pelas diversas esferas governamentais da Nação, bem como da sua Representação diplomática junto da Santa Sé, para apoiar a XXVIII Jornada Mundial da Juventude que se realizará, se Deus quiser, em 2013 no Rio de Janeiro.
Como recordava o Senhor Embaixador, o Brasil, pouco tempo depois de despontar como Nação independente, estabeleceu relações diplomáticas com a Santa Sé. Isso nada mais era senão o desbordar da fecunda história conjunta do Brasil com a Igreja Católica, que teve início naquela primeira missa celebrada no dia 26 de abril de 1500 e que deixou testemunhos em tantas cidades batizadas com o nome de Santos da tradição cristã e em inúmeros monumentos religiosos, alguns deles elevados a símbolo de identificação mundial do País como a estátua do Cristo Redentor com seus braços abertos, num gesto de bênção à Nação inteira. Porém, mais do que construções materiais, a Igreja ajudou a forjar o espírito brasileiro caracterizado pela generosidade, laboriosidade, apreço pelos valores familiares e defesa da vida humana em todas as suas fases.
Um capítulo importante nesta frutuosa história conjunta foi escrito com o Acordo assinado entre a Santa Sé e o Governo Brasileiro, em 2008. Tal Acordo, longe de ser uma fonte de privilégios para a Igreja ou supor uma afronta à laicidade do Estado, visa apenas dar um caráter oficial e juridicamente reconhecido da independência e colaboração entre estas duas realidades. Inspirada pelas palavras do seu Divino Fundador, que mandou dar «a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus» (Mt 22,21), a Igreja exprimiu assim a sua posição no Concílio Vaticano II: «No domínio próprio de cada uma, comunidade política e Igreja são independentes e autônomas; mas, embora por títulos diversos, ambas servem a vocação pessoal e social dos mesmos homens» (Const. Gaudium et spes, 76). A Igreja espera que o Estado, por sua vez, reconheça que uma sã laicidade não deve considerar a religião como um simples sentimento individual que se pode relegar ao âmbito privado, mas como uma realidade que, ao estar também organizada em estruturas visíveis, necessita de ver reconhecida a sua presença comunitária pública.
Por isso cabe ao Estado garantir a possibilidade do livre exercício de culto de cada confissão religiosa, bem como as suas atividades culturais, educativas e caritativas, sempre que isso não esteja em contraste com a ordem moral e pública. Ora, a contribuição da Igreja não se limita a concretas iniciativas assistenciais, humanitárias, educativas, etc., mas tem em vista, sobretudo, o crescimento ético da sociedade, impulsionado pelas múltiplas manifestações de abertura ao transcendente e por meio da formação de consciências sensíveis ao cumprimento dos deveres de solidariedade. Portanto o Acordo assinado entre o Brasil e a Santa Sé é a garantia que possibilita à comunidade eclesial desenvolver todas as suas potencialidades em benefício de cada pessoa humana e de toda a sociedade brasileira.
Dentre estes campos de mútua colaboração, apraz-me salientar aqui, Senhor Embaixador, o da educação, para o qual a Igreja contribui com inúmeras instituições educativas, cujo prestígio é reconhecido por toda a sociedade. Com efeito, o papel da educação não pode se reduzir a uma mera transmissão de conhecimentos e habilidades que visam à formação de um profissional; mas deve abarcar todos os aspectos da pessoa, desde a sua faceta social até ao anelo de transcendência. Por esta razão, é conveniente reafirmar que o ensino religioso confessional nas escolas públicas, tal como foi confirmado no referido Acordo de 2008, longe de significar que o Estado assume ou impõe um determinado credo religioso, indica o reconhecimento da religião como um valor necessário para a formação integral da pessoa. E o ensino em questão não pode se reduzir a uma genérica sociologia das religiões, porque não existe uma religião genérica, aconfessional. Assim o ensino religioso confessional nas escolas públicas além de não ferir a laicidade do Estado, garante o direito dos pais a escolher a educação de seus filhos, contribuindo desse modo para a promoção do bem comum.
Enfim, no campo da justiça social, o Governo brasileiro sabe que pode contar com a Igreja como um parceiro privilegiado em todas as suas iniciativas que visam a erradicação da fome e da miséria. A Igreja «não pode nem deve colocar-se no lugar do Estado, mas também não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça» (Encíclica Deus caritas est, 28), pelo que a ela sempre se mostrará feliz em auxiliar na assistência aos mais necessitados, ajudando-lhes a livrar-se da sua situação de indigência, pobreza e exclusão.
Senhor Embaixador, ao concluir este encontro, renovo-lhe os meus votos de bom êxito na sua missão. No desempenho da mesma, estarão sempre à sua disposição os vários Dicastérios que formam a Cúria Romana. De Deus Onipotente, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, invoco as maiores Bênçãos para a sua pessoa, para os que lhe são caros e para a República Federativa do Brasil, que Vossa Excelência tem a honra, a partir de agora, de representar junto da Santa Sé.

Vaticano, 31 de outubro de 2011.
[Benedictus PP. XVI]

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Cardeal Scherer: Igreja não reconhece "casamento" homossexual

Dom Odilo Scherer
SÃO PAULO, 02 Nov. 11 / 10:15 am (ACI)

Em uma recente entrevista o Arcebispo da capital paulista, Cardeal Odilo Pedro Scherer, afirmou que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de autorizar casamento de duas mulheres preocupa aIgreja por equiparar união de pessoas do mesmo sexo à família. Para Dom Odilo o casamento e a família têm um papel antropológico e social insubstituível.

Conforme informou ACI Digital, a Quarta Turma do STJ reconheceu, em julgamento concluído na terça-feira, 25, o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Quatro dos cinco ministros decidiram autorizar o casamento de um casal de lésbicas gaúchas que vivem juntas há cinco anos e desejam mudar seu estado civil.

Segundo explicou o advogado Danilo Badaró à ACI Digital, a decisão do STJ não gera jurisprudência e não pode ser aplicada a outros casos, porém abre precedente para que tribunais de instâncias inferiores ou até mesmo cartórios adotem a mesma posição.

Foi a primeira vez que o STJ admitiu o casamento gay. Outros casais já haviam conseguido se casar em âmbito civil em instâncias inferiores da Justiça, esclarece uma nota lançada pelo portal Canção Nova Noticias.

Nesta entrevista, publicada pelo jornal arquidiocesano O São Paulo nesta terça-feira, 1º de novembro, Dom Odilo explica as razões da preocupação da Igreja diante de tal decisão: 


“De fato, a autorização dada pelo Superior Tribunal de Justiça, embora ainda não libere de maneira generalizada o reconhecimento da união homossexual como casamento, abre bem as portas para chegar a isso. Saem perdendo e ficam banalizados a família e o casamento, que têm um papel antropológico e social insubstituível. A união homossexual não cumpre o mesmo papel e não é justo equipará-la à família e ao casamento”.

Ao explicar a razão pela qual a Igreja é contrária ao chamado “casamento gay”, Dom Odilo afirmou que “isso é contrário à natureza e também, objetivamente, contrário à Lei de Deus e, por isso, a Igreja nunca poderia dar a sua aprovação”. 

“A diferenciação sexual tem um sentido e revela um desígnio de Deus, que nós devemos acolher e respeitar. A união de duas pessoas do mesmo sexo quebra esse sentido. Pode-se dar o nome que se queira, mas isso nunca será verdadeiro “casamento”. Usando o mesmo nome e conceito que se emprega para o casamento entre um homem e uma mulher, acaba sendo introduzida uma confusão antropológica, jurídica e ética muito grande”, frisou o cardeal.

Dom Odilo, explicou também que uma união homossexual “não se trata de verdadeira família, pois falta algo de importante para ter essa identidade". 

“Para coisa nova, nome novo. Se fosse usado um outro conceito, em vez de “casamento”, e uma outra convenção social para esses casos, em vez a da “família”, pelo menos a família e o casamento, no seu sentido verdadeiro, estariam preservados. Infelizmente, o Brasil está adotando a mesma confusão já introduzida em outros países. É lamentável e não creio que isso seja um passo adiante na civilização. O tempo dirá”, conclui o Cardeal Scherer.

Vaticano: Papa pede ao G20 que encontre soluções para um desenvolvimento «integral»


D.R. | Cimeira G20, 2010

Bento XVI lança apelo antes da cimeira de Cannes, marcada para quinta e sexta-feira



Cidade do Vaticano, 02 nov 2011 (Ecclesia) – Bento XVI lançou hoje um apelo aos líderes que integram o G20, pedindo que a sua próxima reunião procure soluções para a promoção de um desenvolvimento “integral”.

“Desejo que o encontro ajude a superar as dificuldades que, a nível mundial, criam obstáculos à promoção de um desenvolvimento autenticamente humano e integral”, disse, no final da audiência pública semanal, que decorreu no Vaticano, perante mais de 6 mil pessoas.

Na mensagem aos chefes de Estado e de Governo que se vão reunir entre quinta e sexta-feira na cidade francesa de Cannes, o Papa disse que estes responsáveis devem “examinar as principais problemáticas ligadas à economia global”.

Ainda a respeito da cimeira do G20, a CIDSE, rede internacional de agências católicas de desenvolvimento, pediu a criação de um “imposto global sobre as transações financeiras” para promover a luta contra a pobreza e as mudanças climáticas.


“Os líderes europeus devem continuar a promover o imposto no G20 e esperamos que os líderes que até agora se recusaram a perceber o seu potencial e urgência também o apoiem", afirma o presidente da CIDSE, Chris Bain, em comunicado enviado à Agência ECCLESIA.


A CIDSE refere que “os nove países em desenvolvimento que são membros do G20 representam 58 por cento dos pobres do mundo” e, mesmo nos países desenvolvidos, há um “grande número de pessoas a empobrecer que estão a devido à crise financeira global”.

"No entanto, o G20 continua a concentrar-se num modelo de crescimento ultrapassado que deixa os mais pobres na posição de não poderem beneficiar ou contribuir para a economia”, assinalam as 16 organizações católicas de desenvolvimento da Europa e da América do Norte, nas quais se inclui a Fundação Fé e Cooperação (FEC), de Portugal.

O comunicado assinala que “a ação conjunta das economias mais avançadas do mundo pode significar muito para os mais pobres, mas com a agenda errada só levará a mais pobreza e desigualdade”.
A CIDSE pede ainda que seja dada atenção à evasão fiscal, nomeadamente através do fim dos paraísos fiscais, e à “volatilidade dos preços dos alimentos”.

O grupo dos G20 é constituído pela África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos da América, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, União Europeia e Turquia.


Agência Ecclesia - OC

7 bilhões sobre a Terra: o bebê nasceu na Rússia

Moscou (RV) – Nasceu o anunciado bebê que nos faz somar 7 bilhões de habitantes sobre a Terra. Contrariando as primeiras previsões que apontavam a Índia, ele veio ao mundo na Rússia, mais especificamente em Kaliningrado - às margens do Mar Báltico – e recebeu o nome de Piotr. 
O bebê nasceu poucos minutos depois da meia-noite no Centro Perinatal de Kaliningrado. Ele é o terceiro filho da família, sua mãe tem 36 anos e seu nome foi escolhido pelo irmão mais velho. 

O Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) decidiu entregar o certificado de habitante 7 bilhões da Terra ao primeiro bebê que nascesse no dia 31 outubro em Kaliningrado. Em 1999, foi Sarajevo a cidade escolhida pela ONU para receber o habitante de número 6 bilhões do planeta.

Mas há controvérsias. Outra cidade russa reivindica o posto. As autoridades da região de Kamtchatka, no extremo oriente da Rússia, declararam que é seu o habitante número 7 bilhões, nascido à meia noite e 19 (10h19 de domingo no horário de Brasília) na cidade de Petropavlovsk-Kamchatsky.

"Nosso país começa em Kamtchatka, por isso consideramos que nosso bebê é o primeiro nascido na Rússia", afirmou o governador de Kamtchatka, Vladimir Ilykhin. Além de um certificado expedido pelas autoridades regionais, os pais de Aleksandr, como chamaram o bebê, receberam de presente um apartamento.

A respeito do crescimento da população mundial e das emergências a serem enfrentadas, a Rádio Vaticano entrevistou o Diretor do Departamento de Estatística da Universidade Bicocca de Milão, Prof. Giancarlo Blangiardo. 

Segundo ele, as mudanças populacionais variam de acordo com a região do mundo, e não só na quantidade, mas na estrutura. Cita como exemplo a estrutura por idade da população, muito diferente nos países desenvolvidos e nos em desenvolvimento. 

Prof. Blangiardo explica que a África Subsaariana é a região considerada a mais problemática em termos de demografia. Contudo, se esse crescimento populacional jovem receber investimento e for vista como força propulsora e de desenvolvimento social, essa região poderá decolar rapidamente. 

Portanto, o especialista ressaltou que “cada área tem o seu problema e nós devemos procurar intervir com instrumentos diversos para minimizar os problemas e maximizar os resultados, nos diversos países e nas diversas regiões do mundo”.

Também outro aspecto da demografia foi ressaltado, qual seja o envelhecimento da população europeia, a falta de vitalidade demográfica e o importante papel da imigração nesse contexto. 

“O problema não é o aumento populacional, mas a má distribuição de renda, dos recursos, dos investimentos, do auxílio a quem deve crescer. Devemos abandonar as velhas teorias já comprovadamente infundadas e concentrarmo-nos no ser humano”, destacou o Prof. Blangiardo. 

Questionado sobre o que significa investir no ser humano, ele respondeu: “significa reconhecer às pessoas, aos povos as suas capacidades em termos de saber fazer e poder fazer as coisas; dar oportunidade, possibilidade, suporte para que as pessoas possam realizar e contribuir”. (ED)
Fonte: Radio Vaticana

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Anencéfalo - Conferência da Procuradora-Geral da Justiça do Maranhão, hoje, às 21:00 horas

Procuradora Fátima Travassos
A questão do aborto de crianças anencefálicas (ausência de parte variável do encéfalo), que deve voltar brevemente à pauta de discussões no Supremo Tribunal Federal (STF), será abordada, hoje, em videoconferência com a procuradora-geral de Justiça do Maranhão, Fátima Travassos, às 21h(horário de Brasília), pelo canal especial de videconferências do II Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida (www.livestream.com/congressoprovida).

O evento, promovido 
pela Human Life Internacional (HLI), organização pró-vida presente em 105 países e cujo fundador, Rev. Paul Marx, O.S.B., foi chamado de “o Apóstolo da Vida” pelo beato Papa João Paulo II, será sediado no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, do dia 03 a 06 de novembro e desde o último sábado convida especialistas para videoconferências a respeito de temas importantes para a defesa da vida, no Brasil.

"O Brasil é signatário do Pacto de São José da Costa Rica que afasta a aplicação de qualquer dispositivo que venha a negar a personalidade do nascituro. É preciso que isso seja compreendido: os fetos anencefálicos não são descartáveis", diz a procuradora-geral de Justiça do Maranhão, Fátima Travassos, que falará, pela primeira vez, sobre a Argüição de Descumprimento do Preceito Fundamental nº 54 - que pode vir a legalizar o aborto de anencéfalos -, durante a videoconferência para a qual foi convidada.

A videoconferência da procuradora-geral maranhense será precedida por uma apresentação da jornalista catarinense, Fabíola Goulart, convidada pelo Congresso para falar à juventude sobre estratégias de promoção humana e defesa da vida por meio das redes sociais. "A vida humana é sempre um bem e as redes sociais são o lugar certo para ajudar que outros desenvolvam essa compreensão", diz a jornalista que representou a arquidiocese de Florianópolis nos últimos Seminários de Novas Mídias promovidos pela CNBB Regional Sul 4, em Santa Catarina.

Fabíola Goulart
 deve sua própria vida a um comprometimento corajoso de sua mãe: conduzida a um "abortadouro", a mãe da jornalista resistiu às pressões sociais e escolheu pela vida da filha jornalista cuja história pessoal emociona e gera conversões de ideias e pensamentos nos encontros  em que ela confere palestras.

Durante a videoconferência sobre redes sociais, que começará às 20h (horário de Brasília), haverá análise de casos do uso da internet na promoção de mensagens pró-vida no Brasil e mundo. "Trata-se de um verdadeiro aerópago digital fundamental para fortalecer a Cultura da Vida", diz Fabíola Goulart ao lembrar do incentivo do beato Papa João Paulo II para que todos estejam empenhados em uma cultura impregnada com valores que promovem a dignidade da pessoa humana.

O público poderá participar das videoconferências por meio de chat, Twitter e Facebook.
 As apresentações também serão transmitidas pela página web de ACI Digital: www.acidigital.com à partir das 20h (horário de Brasilia).

Serviço
O quê? Videoconferências II Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida
Quando? Hoje, terça-feira, 1 de novembro
Temas? "Redes sociais pela Verdade e pela Vida", apresentação da jornalista Fabíola Goulart, às 20h. "Anencefalia e Direito à Vida", apresentação da procuradora-geral de Justiça do Maranhão, Fátima Travassos, às 21h.

Site oficial do Congresso: www.congressoprovida.com.br

MALÍCIA, IRRESPONSABILIDADE E INGENUIDADE


Percival Puggina
 Em "Pombas e gaviões" aduzi, já na capa, o alerta que caracteriza os dez textos que nele se contêm: os ingênuos estão na cadeia alimentar dos mal intencionados. É uma preocupação que os últimos anos vieram acrescentar às que eu já tinha em relação ao futuro de nosso país. Com efeito, considero coisa certa, provada pelos fatos, que a única tese efetivamente abandonada pela esquerda para tomada do poder é a tese da luta armada. O camarada Gramsci acendeu um farol sobre a formação da hegemonia como estratégia alternativa e mais eficiente (anote aí à margem: fazer do ENEM porta única para entrada da universidade é parte disso).

            O Senado Federal aprovou, como se previa, a criação da tal Comissão da Verdade. Haverá prova mais contundente de que usam e abusam da ingenuidade alheia? E de que a encontram, no parlamento brasileiro, em quantidade suficiente para aprovar uma coisa dessas?

            A ideia original de Lula e dos seus era bem outra. Era abortar a anistia ainda em 1979. O jornalista José Nêumanne  (autor do livro "O que sei de Lula"), em entrevista ao jornal O Globo no dia 29 de agosto passado, contou ter sido procurado, entre 1978 e 1979, pelo então presidente da Arena, Cláudio Lembo, para cumprir uma missão solicitada pelo general Golbery do Couto e Silva. Golbery queria apoio de Lula para a volta dos exilados. A reunião, testemunhada pelo jornalista, ocorreu num sítio. Qual a resposta de Lula? “Doutor Cláudio, fala para o general que eu não entro nessa porque eu quero que esses caras se danem. Os caras estão lá tomando vinho e vêm para cá mandar em nós?…”. O elevado critério moral de Lula não prevaleceu, a anistia aconteceu em 1979 e foi constitucionalizada em 1988.

            Pois eis que coube ao próprio Lula, três décadas depois daquela reunião relatada por Nêumanne, enviar ao Congresso Nacional, no ano passado, o projeto da Comissão Nacional da Verdade. O mundo deu umas quantas voltas, é certo, mas em nada se comparam ao efeito giratório que as conveniências políticas determinam sobre a moral de certas pessoas. É esse projeto que foi aprovado pela Câmara dos Deputados e acaba de sair do forno do Senado. Como Lula não conseguiu abortar a anistia em 1979 e a tentativa de matá-la quando já tinha 31 anos foi inviabilizada pelo STF em abril do ano passado, restou a alternativa da Comissão da Verdade.

            Os ingênuos acreditam no que está estabelecido no parágrafo primeiro da lei que cria a Comissão, segundo o qual lhe caberá "efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional". No entanto, qualquer pessoa que junte "b" com "a" para fazer "ba" sabe que o julgamento pretendido pelos que queriam revogar a Lei de Anistia será substituído, agora, por mero linchamento sem processo nem direito de defesa. Durante dois anos (anote aí que isso será prorrogado pelo tempo que convier politicamente à esquerda) teremos uma Comissão de sete membros, escolhidos autocraticamente pela presidente Dilma, para investigar metade da verdade, posto que os crimes cometidos pelos guerrilheiros da luta armada não integram o escopo da Comissão, segundo se depreende do conjunto de suas atribuições. A própria presidente tem interesses diretos em que não se acendam luzes sobre roubos, assaltos e assassinatos praticados e cometidos pela organização comunista que integrava.

            A mim não me convence essa defesa dos direitos humanos com foco ideológico e com as refrações óticas determinadas pelo tempo. O SOS Tortura, telefone de denúncia instalado de outubro de 2001 a setembro de 2002, registrou 25 mil comunicações! Relativas a fatos da atualidade. Mas a única tortura que interessa à esquerda militante é a ocorrida num tempo em que esse tipo de crime, embora sempre repugnante e hediondo, sequer estava tipificado como tal no Código Penal brasileiro antes de 1997.

            Por fim, reitero: tortura é coisa de degenerados. Torturador é monstro que deve arder na cela mais quente do inferno. Junto com seus assemelhados do terrorismo. Mas a anistia pacificou e encaminhou o país para a normalidade institucional ao longo de três décadas. É importante que se acendam luzes sobre o passado, mas sem essas pretensões de linchamento público, de vender meia verdade como verdade inteira, ou de transformar em heróis da democracia aqueles que lutaram por um regime totalitário infinitamente pior do que o regime autoritário que combatiam.

            A verdade sobre períodos históricos nunca foi e jamais será determinada por uma comissão. Conceder autorização legal para que sete pessoas, nomeadas por uma oitava interessada, execute tal tarefa é ato legislativo para cuja aprovação se somam a inequívoca malícia de uns, a inaceitável irresponsabilidade de outros e a ingenuidade das pombas frente a voracidade dos gaviões.
______________
Percival Puggina (66) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

domingo, 30 de outubro de 2011

Brasil: bispos divulgam nota pedindo reforma política

Em coletiva, abordam temas como JMJ, mídia e ministério dos esportes
BRASÍLIA, sexta-feira, 28 de outubro de 2011 (ZENIT.org) – “Há mecanismos hoje para coibir a corrupção em nosso país, mas a Reforma política certamente poderá ajudar muito nessa questão”: está afirmação é do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal dom Raymundo Damasceno Assis, em coletiva de imprensa realizada na tarde desta quinta-feira, 27, último dia da reunião do Conselho Permanente da entidade.

Dom Damasceno reiterou a posição da CNBB que, através de uma nota intitulada “Reforma Política: urgente e inadiável!” defendeu uma reforma que ultrapasse o campo eleitoral. “Nós desejamos que não aconteça apenas uma reforma eleitoral, mas uma Reforma Política, como diz a nota que nós assinamos, que seja uma ‘reforma urgente e inadiável que deve ultrapassar os limites de uma simples reforma eleitoral porque sua função é coibir a corrupção que corrói as instituições do Estado brasileiro’, por isso, pedimos que a sociedade assuma essa bandeira”, sublinhou o cardeal.

Ainda sobre o tema Reforma Política, o presidente da CNBB afirmou que a impunidade deve ser combatida através da justiça e defendeu uma investigação profunda caso haja indícios de má conduta na vida pública. “No caso de indício de corrupção, a justiça deve ser acionada para que a investigação corra e busque os culpados. Se for comprovada a inocência daquele que é acusado ele deve recuperar o seu bom nome, a sua dignidade perante a sociedade, porém, uma vez comprovada sua culpa é necessário que seja punido. Quando a justiça não funciona a impunidade continua e estimula a corrupção”.

Outro ponto colocado pela presidência da CNBB durante a coletiva foi o Código Florestal brasileiro. Dom Damasceno disse que as discussões em torno do novo texto estão ocorrendo de maneira normal e destacou a possibilidade da Conferência apresentar uma emenda ao texto que beneficie de modo especial os pequenos agricultores.

“Creio que as discussões estão ocorrendo de maneira normal dentro do Congresso na Câmara e no Senado. Para dar a sua contribuição, a CNBB deverá apresentar alguma emenda ao texto, sobretudo tendo em conta os pequenos agricultores, aqueles que são mais pobres, de modo que nós queremos também tomar a sua defesa para uma política melhor, para a preservação do meio ambiente e para um desenvolvimento também sustentável”, destacou dom Damasceno.

Meios de comunicação, JMJ e Ministério dos Esportes
Questionado pelos jornalistas sobre as recentes posições e condutas de apresentadores em veículos de comunicação, dom Damasceno defendeu que os meios de comunicação devem ser “pautados pela ética, informando a população de maneira objetiva e de modo que contribuam para a formação e desenvolvimento do país”, disse o cardeal que completou. “Nós não podemos aprovar quando um veículo se posiciona de maneira inadequada. Esperamos que ele atenda  para o bem do nosso país, dos nossos jovens e crianças”, completou.

Jornada Mundial da Juventude 2013
Com relação à peregrinação dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a Cruz e o Ícone de Nossa Senhora, que teve início em 18 de setembro no Regional Sul 1 da CNBB (São Paulo), o cardeal disse que os bispos do Conselho Permanente estão contentes pela forma como a Igreja no Brasil está acolhendo a peregrinação. “Pelos depoimentos que tivemos, os bispos ficaram muito contentes porque tiveram realmente o comparecimento para acolher esses dois símbolos da JMJ, sobretudo de jovens. Onde esses sinais ficaram expostos, houve um afluxo de pessoas muito grande”, informou.

Ministério dos Esportes
Já sobre a escolha do deputado federal Aldo Rebelo para a pasta do Ministério dos Esportes, o cardeal fez suas considerações ressaltando a história de vida pública do novo ministro. “O deputado Aldo Rebelo é uma pessoa muito conhecida no país: foi presidente da Câmara dos Deputados, esteve na Casa Civil, hoje é deputado. É uma pessoa que merece nossa consideração, respeito, e desejamos que ele tenha uma responsabilidade muito grande no Ministério dos Esportes. Disse também que o Ministério deverá cumprir suas responsabilidades com foco na população. “Além de espaço para o esporte esse Ministério deve atender as necessidades do país em infraestrutura, principalmente para as populações mais pobres”.
(Com CNBB)