sábado, 22 de outubro de 2011

IVONE GEBARA, a mulher de muitos deuses

Não poderíamos deixar passar em branco uma agressão tão grave ao Papa Bento XVI, aos Bispos, entre os quais eu me incluo, e à Igreja Católica. A senhora Ivone Gebara, fundamentada em ideologia política, ataca a todos, como se estivesse querendo se vingar de algum ato praticado contra ela pela Igreja Católica, tal a agressividade de suas palavras.

No dia 21 de agosto de 2011, ela publicou um artigo com o título “Dois pesos e duas medidas: o Papa perdoa o aborto em Madri”, para atacar o Papa Bento XVI, os Bispos e a Igreja Católica. No texto, ela tenta colocar todos os católicos e, principalmente, todas as mulheres católicas contra a Igreja, por causa da absolvição do pecado concedida às mulheres que se confessaram, se arrependeram e se comprometeram a não mais praticar o aborto, em Madri.

A senhora Ivone Gebara, que se diz adepta de muitos deuses, portanto não é católica, declara que é formada em Filosofia pela Universidade Católica de São Paulo e em Ciências Religiosas pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica.

É bastante conhecido o provérbio “o dia do benefício é o da véspera da ingratidão.” Significa que, muitas vezes, recebemos benefícios e, já no dia seguinte, demonstramos nossa ingratidão. Muitas pessoas receberam e recebem muitos benefícios da Igreja Católica, mas retribuem com a ingratidão. A gratidão é difícil de ser praticada. Jesus curou dez leprosos, mas somente o estrangeiro, o samaritano, voltou para agradecer: “Então Jesus lhe perguntou: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” E disse a ele: “Levante-se e vá. Sua fé o salvou.” (Lucas 17: 17-19)

Além da ingratidão, a inimizade também pode brotar dentro de nossa própria casa. No Evangelho de São Mateus também está escrito: "Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa". (Mt 10:36). Os mal agradecidos e os inimigos que se formam dentro de nossa própria casa, começam a nos atacar. Ainda se o fizessem com a verdade, para corrigir possíveis falhas humanas, estariam dando uma contribuição. Mas não! No caso da Igreja Católica, os mal agradecidos e inimigos espalham informações distorcidas para criar animosidade e enganar pessoas com o propósito de afastá-las da Igreja Católica.

Vamos responder aos questionamentos dela, abaixo. Preambularmente, devemos esclarecer que:

a) Teologia ( do Grego, Theos -Deus+ logos-palavra, estudo) é o estudo de Deus. O texto da autora não é teológico, mas de pura ideologia política. Se fosse um texto teológico poderia questionar porque Jesus Cristo pode ou não perdoar o pecado do aborto através do Papa Bento XVI, dos Bispos e dos padres.

b) Jesus Cristo foi o primeiro a defender, proteger e perdoar as mulheres. Duas passagens bíblicas, para relembrar os atos de Jesus Cristo e o compromisso da Igreja Católica com todas as pessoas humanas.

Mulher adúltera (Jo 8: 3-10) Chegaram os doutores da Lei e os fariseus trazendo uma mulher, que tinha sido pega cometendo adultério. Eles colocaram a mulher no meio e disseram a Jesus: “Mestre, essa mulher foi pega em flagrante cometendo adultério. A Lei de Moisés manda que mulheres desse tipo devem ser apedrejadas. E tu, o que dizes?” Eles diziam isso para por Jesus à prova e ter um motivo para acusá-lo. Então Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo. Os doutores da Lei e os fariseus continuaram insistindo na pergunta. Então Jesus se levantou e disse: “Quem de vocês não tiver pecado, atire nela a primeira pedra.” E, inclinando-se de novo, continuou a escrever no chão. Ouvindo isso, eles foram saindo um a um, começando pelos mais velhos. E Jesus ficou sozinho . Ora, a mulher continuava ali no meio. Jesus então se levantou e perguntou: “ Mulher, onde estão os outros? Ninguém condenou você?” Ela respondeu: “Ninguém, senhor.” Então Jesus disse: “Eu também não a condeno. Pode ir, e não peque mais.”

Mulher curada ao sábado (Lc 10:17) - Um dia de sábado, ensinava Jesus numa sinagoga. Estava lá certa mulher doente por causa de um espírito, há dezoito anos: andava curvada e não podia endireitar-se completamente. Ao vê-la, Jesus chamou-a e disse-lhe: «Mulher, estás livre da tua enfermidade.» E impôs-lhe as mãos. No mesmo instante, ela endireitou-se e começou a dar glória a Deus. Mas o chefe da sinagoga, indignado por ver que Jesus fazia uma cura ao sábado, disse à multidão: «Seis dias há, durante os quais se deve trabalhar. Vinde, pois, nesses dias, para serdes curados e não em dia de sábado.» Replicou-lhe o Senhor: «Hipócritas, não solta cada um de vós, ao sábado, o seu boi ou o seu jumento da manjedoura e o leva a beber? E esta mulher, que é filha de Abraão, presa por Satanás há dezoito anos, não devia libertar-se desse laço, a um sábado?» Dizendo isto, todos os seus adversários ficaram envergonhados, e a multidão alegrava-se com todas as maravilhas que Ele realizava.

Somente essas duas passagens bíblicas são suficientes para demonstrar que não há nada de errado, nenhuma incoerência no perdão concedido às mulheres que abortaram, se confessaram, se arrependeram e prometeram não pecar mais.

c) Na Primeira Carta de São João 1: 9, está escrito: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. E no número 986 do Catecismo: “Pela vontade de Cristo, a Igreja possui o poder de perdoar os pecados dos batizados e o exerce por meio dos Bispos e dos presbíteros de maneira habitual no sacramento da Penitência. “Na remissão dos pecados, os presbíteros e os sacramentos são meros instrumentos dos quais Nosso Senhor Jesus Cristo, único autor e dispensador de nossa salvação, se apraz em se servir para apagar nossas iniqüidades e dar-nos a graça da justificação.”

Como assentado no Evangelho e no Catecismo, para obtenção do perdão, de qualquer pecado, há necessidade da confissão e é Jesus Cristo quem perdoa os pecados, através dos Bispos e padres, que são meros instrumentos do Poder Divino.

d) a autora do texto se diz adepta de muitos deuses, conforme último parágrafo: “Somos essa mistura, expressão de nosso eu, de nossos deuses, dos espinhos em nossa carne convidando-nos e convocando-nos a viver para além das fachadas atrás das quais gostamos de nos esconder”

Sendo ela adepta de muitos deuses, ela não é católica. A incoerência é dela que, através de ideologia política, ao questionar a Igreja Católica sobre o perdão, está questionando diretamente nosso Senhor Jesus Cristo, que a instituiu e é quem perdoa os pecados.

e) Jesus Cristo deixou a missão evangelizadora aos seus seguidores: Disse Nosso Senhor: "Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 28: 19-20).

Portanto, uma pessoa que foi batizada na Igreja Católica, que fez Teologia em Universidade Católica, poderia ser uma missionária evangelizadora, segundo os preceitos de Jesus Cristo, e não pregar contra Ele. Uma pessoa que fala contra o Papa Bento XVI, sucessor de Pedro,, está claramente se opondo contra o ensinamento de Jesus Cristo. A autora do texto, adepta de muitos deuses, está pregando contra Jesus Cristo.

Feitas essas observações importantes, vamos aos comentários sobre o indigitado artigo.

1) ARTIGO: É com muito constrangimento que muitas mulheres católicas leram a notícia publicada em vários jornais nesse último final de semana de que a Arquidiocese de Madri com a aprovação papal autorizou a concessão do perdão e indulgência plenária às mulheres que confessarem o aborto por ocasião da visita do papa. A impressão que tivemos é que o papa, o Vaticano e alguns bispos gostam de brincadeiras de mau gosto com as mulheres. Não sabemos em que mundo esses homens vivem, quem pensam que são e quem pensam que somos!
RESPOSTA: Constrangimento e brincadeira de mau gosto é ler um artigo como esse, embasado em ideologia política, com intenção subliminar de propagar o aborto e tornar as mulheres assassinas de seus próprios filhos, pregando contra Jesus Cristo e Sua Igreja.
2) ARTIGO: Primeiro, concedem o perdão a quem pode viajar para assistir a missa do papa e passar pelo “confessionódromo” ou pelo conjunto de duzentos confessionários brancos instalados numa grande praça pública de Madri chamada “Parque do Retiro”. O perdão deste “pecado” tem local, dia e hora marcada.
RESPOSTA: É de absoluta má-fé dizer que o perdão do pecado somente pode ser concedido a quem viajar e assistir à missa celebrada pelo Papa Bento XVI. O perdão dos pecados é dado por Jesus Cristo e não tem dia e hora marcada, como quer a autora do texto. Não é correto dizer que o perdão do pecado de aborto só é concedido pelo Papa. Todo Bispo Diocesano (que esteja à frente de uma Diocese, investido do tríplice poder, inclusive o judiciário) tem o poder de absolver o pecado e crime de aborto àquelas que tenham cometido o pecado e crime, desde que haja arrependimento sincero de ter cometido essa prática e com a disposição de não reincidir no mesmo pecado e crime. O Bispo pode delegar aos padres a faculdade de absolver esse pecado. Na Diocese de Guarulhos, delegamos aos padres essa faculdade, quando de sua nomeação. Basta aos católicos comparecerem perante um padre, realizarem a confissão, se arrependerem e receberem o perdão.
3) ARTIGO: Custa apenas uma viagem a Madri para estar diante do papa! Quem não faria o esforço para tão grande privilégio? Basta ter dinheiro para viajar e pagar a estadia em algum hotel de Madri que o perdão poderá ser alcançado. Por isso nos perguntamos: que alianças a prática do perdão na Igreja tem com o capitalismo atual? Como se pode viver tal reducionismo teológico e existencial? Quem está tirando benefícios com esse comportamento?
RESPOSTA: A autora do texto tenta misturar a Igreja, por realizar a Jornada Mundial da Juventude em Madri, com ideologia política. Se ela fala contra o capitalismo, presume-se que defenda o marxismo, comunismo ou socialismo. As ditaduras baseadas em ideologias políticas comunistas ou socialistas – Stalin, Pol Pot, Fidel Castro - mataram mais de 100 milhões de pessoas e os não comunistas mataram outras tantas. (AQUI) O partido é uma parte de pessoas unidas contra todas as outras partes contrárias. Os regimes autoritários e totalitários defendem somente os interesses do partido e de seus filiados. A Igreja Católica defende o Bem Comum e não de uma parte das pessoas. O Papa Bento XVI marcou a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, no Rio de Janeiro. Há a possibilidade de, em 2013, a autora produzir outro texto atacando a Igreja Católica, porque o evento é no Brasil.
4) ARTIGO: Segundo, têm o desplante de afirmar que o perdão deste “crime hediondo” como eles costumam afirmar, é dado apenas por ocasião da visita do papa que nessa mesma ocasião as fieis pecadoras obtenham “os frutos da divina graça” confessando o seu pecado. Como entender que uma falta é perdoada apenas quando a autoridade máxima está presente? Não estariam reforçando o velho e decadente modelo imperial do papado? Quando o Imperador está presente tudo é possível até mesmo a expressão da contradição em seu sistema penal.
RESPOSTA: O aborto é um crime hediondo, porque é um homicídio de uma pessoa. Esse crime pode absorver todas as agravantes do artigo 121 do Código Penal, “matar alguém”:
Agravante do §2º., inc. I: mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; II: por motivo fútil;
· Matar uma criança no útero, sob alegação de que não tem condições financeiras para cuidar dela é um motivo torpe ou fútil. Além da possibilidade de adoção, hoje, o Estado fornece leite, bolsa-família, remédios, auxílio maternidade e há os alimentos gravídicos (Lei 11.804/2008). Não há mais motivos para assassinar uma criança que está por nascer. Vejam-se os casos de Steve Jobs, o gênio da informática (AQUI), e da Deputada Fátima Pelaes. (AQUI)
Agravante do §2º. Inc. III: com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou que possa resultar perigo comum;
· O assassinato de crianças no útero da mãe é realizado por meios cruéis ( a criança tem as pernas e os braços cortados com tesoura e a cabeça esmagada, para que esse pedaços possam ser “sugados” pela cânula utilizada no assassinato; ou, é utilizado veneno líquido, para asfixiá-la e dissolvê-la, para facilitar a sucção para fora do útero.
Agravante do §2º. Inc. IV: à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido:
- A criança que está no útero é absolutamente indefesa. Ela é surpreendida por uma tesoura ou pelo veneno, que lhe causa grande sofrimento.
Agravante do §2º. Inc. V: para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime.
-  Se existe um crime de estupro, ele precisa ser apurado. Se o aborto é realizado sem a denúncia, o objetivo é ocultar e proteger o criminoso, para que ele fique impune.
Portanto, o aborto é um assassinato de um ser humano e pode ser classificado como crime hediondo. O Código Penal mostra isso. Não são eles que “tem o desplante de afirmar” que o aborto é um crime hediondo. É a realidade do assassinato.
(AQUI ESTUPRO E ABORTO)
5) ARTIGO: Não quero retomar os argumentos que muitas de nós mulheres sensíveis às nossas próprias dores temos repetido ao longo de muitos anos numa breve reflexão como esta. Mas esse acontecimento papal madrilenho, infelizmente, só mostra mais uma vez, um lado ainda bastante vivo no Vaticano, ou seja, o lado das querelas medievais em questões que estão absolutamente sem peso na vida humana eram discutidas. E mais, demonstra desconhecer as dores femininas, desconhecer os dramas que situações de violência provocam em nossos corpos e corações.
RESPOSTA: Jesus Cristo foi crucificado pelas dores de toda a humanidade. A Igreja Católica conhece e sofre as dores da humanidade – 105 mil cristãos são assassinados por ano (AQUI) -, não só as das mulheres. Todas as pessoas tem dores, físicas ou psicológicas. Ao que parece, o ponto colocado subliminarmente neste trecho é o aborto. A autora defende a liberação do aborto, “as situações de violência...em nossos corpos e corações”. A Igreja Católica e nós somos absolutamente contra o aborto, em qualquer situação, por ser assassinato de uma criança inocente. Existe uma vida, dádiva Divina, no útero da mulher. Também entendemos que devem ser tomadas providências para que não aconteçam estupros, contra nenhuma pessoa.
6) ARTIGO: Ao conhecer o perdão ao “crime” do aborto na linguagem que sempre usaram, de forma elitista revelam o rosto ambíguo da instituição religiosa capaz de ceder ao aparato triunfalista quando sua credibilidade está em jogo. Podem abençoar tropas para matar inocentes, enviar sacerdotes como capelães militares em guerras sempre sujas, fazer afirmações públicas em defesa da instituição condenando pobres e oprimidas, abrir exceções à regra de seus comportamentos para atrair jovens alienados dos grandes problemas do muito ao rebanho do Papa. A lista dos usos e costumes transgressores de suas próprias leis é enorme...
RESPOSTA: Acima está demonstrado que o aborto é um crime e não é uma linguagem elitista. É a linguagem do Código Penal. Quanto à questão de abençoar pessoas e indicar capelães militares, deve-se lembrar que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, para que fosse do bem. A mãe e o pai de quatro filhos, por exemplo, tem para si que todos eles serão bons, solidários e honestos. No entanto, dois podem ter as características que os pais pensaram para eles e dois podem ser invejosos, desonestos e assassinos, podendo, inclusive, matar seus próprios irmãos, como aconteceu com Abel e Caim. A Igreja Católica não tem como proibir, nem como impedir, as guerras provocadas pelos homens. “Deus deixou o homem nas mãos de sua própria decisão (Eclo 15,14), para que pudesse livremente aderir a seu Criador e chegar, assim, à feliz perfeição.”(Cat.1743) O homem, por seu orgulho, sua vaidade, seu egoísmo, sua ambição, provoca guerras, por suas próprias decisões. E Jesus Cristo não abandona ninguém e não pode abandonar os homens nas situações mais difíceis. Se agisse da maneira como prega a autora do texto , a Igreja teria que negar Jesus Cristo e abandonar os criminosos, os assassinos, os prisioneiros, porque eles cometeram ou poderão cometer crimes.
7) ARTIGO: Por que reduzir a vida cristã a pão e circo? Por que dar espetáculo de magnanimidade em meio a corrupção de costumes? Por que criar ilusões sobre o perdão quando o dia a dia das mulheres é cheio de perseguições e proibições às suas escolhas e competências?
RESPOSTA: A Vida Cristã, felizmente, não está reduzida a pão e circo. Está fundada em Doutrina sólida e indiscutível. A magnanimidade está em viver Jesus Cristo. Somente a Igreja Católica e uma parte dos cristãos estão combatendo a secularização, a relativização e a corrupção dos costumes. Os valores morais começaram a ser debatidos novamente, graças a Deus, a partir das eleições presidenciais de 2010, no Brasil. A Igreja Católica, os cristãos e os brasileiros do bem lutarão, com todas as suas forças do bem, contra a corrupção moral e as iniquidades propostas por ideologias políticas.
8) ARTIGO: Somos convidadas a pensar no aspecto nefasto da posição do papa e dos bispos que se aliaram a ele. O papa não concedeu perdão e indulgência total e plena “urbi et orbi”, isto é, para todas as mulheres que fizeram aborto, mas apenas àquelas que se confessaram naquele momento preciso e por ocasião da visita do papa à Espanha. Não é mais uma vez a utilização das consciências especialmente das mulheres para fins de expansionismo de seu modelo perverso de bondade? Não é mais uma vez abrir concessões obedecendo a uma lógica autoritária que quer restaurar os antigos privilégios da Igreja em alguns países europeus? Não é uma forma de querer comprar as mulheres confundindo-as diante da pretensa magnanimidade dos hierarcas?
RESPOSTA: Nós, católicos, somos convidados a pensar no aspecto nefasto que essas “opiniões teológicas” podem causar nas pessoas que as lêem e não percebem que o texto não está de acordo com a Doutrina Cristã. O Papa Bento XVI, os Bispos e os padres não poderiam conceder o perdão para as mulheres que, conscientes desses crimes, não se confessassem, não se arrependessem e não se comprometessem a não pecar mais. Sem o arrependimento sincero e a confissão auricular, não há possibilidade de perdão.
9) ARTIGO: Será que as autoridades constituídas na Igreja Católica e de outras Igrejas são ainda cristãs? São ainda seguidoras dos valores éticos humanistas que norteiam o respeito a todas as vidas e em especial à vida das mulheres?
RESPOSTA: A Igreja Católica Apostólica Romana é Cristã, seguidora de Jesus Cristo, que a instituiu. Sua Doutrina está escrita, é acessível a todos, é clara e não muda. Os valores pregados por Jesus Cristo respeitam todas as vidas, igualmente, sem dividir as pessoas em categorias ou classes sociais, como quer a autora do texto.
10) ARTIGO: Creio que mais uma vez somos convocadas a expressar publicamente nosso sentimento de repúdio à utilização da vida de tantas mulheres como pretexto de magnanimidade do coração papal. Somos convidadas a tornar pública a corrupção dos costumes em todas as nossas instituições inclusive naquelas que representam publicamente nossas crenças religiosas. Somos convidadas a ser o corpo visível de nossas crenças e opções.
RESPOSTA: A Igreja Católica não engana ninguém e a magnanimidade é de Jesus Cristo. Jesus Cristo é invisível, mas está sempre presente e convida todas as pessoas para que o sigam. Não há imposição para ninguém ser católico. Deus deu o livre arbítrio a todas as pessoas. Para ser católica, a pessoa precisa ser batizada, professar sua fé num único Deus, Jesus Cristo, e seguir seus preceitos. Não há nenhuma corrupção na concessão do perdão de Deus às mulheres que se confessaram em Madri.
11) ARTIGO: Fazendo isso, não somos melhores do que ninguém. Somos todas pecadoras e pecadores capazes de ferir uns aos outros, capazes de hipocrisia e mentira, de crueldade e crueldade refinada. Mas, também somos capazes de dividir nosso pão, da acolher a abandonada, de cobrir o nu, de visitar o prisioneiro, de chamar Herodes de raposa. Somos essa mistura, expressão de nosso eu, de nossos deuses, dos espinhos em nossa carne convidando-nos e convocando-nos a viver para além das fachadas atrás das quais gostamos de nos esconder”
RESPOSTA: A Igreja Católica está fundamentada na Doutrina e no Evangelho e não se esconde “atrás de fachadas”. A Igreja Católica não é só o Papa e os Bispos. São freiras, frades, monges, Irmã Dulce, Madre Tereza de Calcutá, Santo Inácio de Loyola e todos os outros Santos, Beato João Paulo II, padres, outros religiosos e religiosas, os leigos e leigas, hospitais, maternidades, santas casas, escolas, universidades, casas de aidéticos, casas de recuperação de viciados, Pastoral da Criança, Pastoral da Saúde, Pastoral Social e tantos outros movimentos, uma multidão trabalhando pela PAZ e pelo BEM COMUM. (AQUI)      Todos os membros da Igreja Católica são diferentes da autora, pois são fiéis única e exclusivamente a JESUS CRISTO, VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM.

Concluindo, não somente os que participaram do Encontro Mundial de Jovens em Madri foram beneficiados pelo perdão, desde que tenham tido o arrependimento sincero e a firme disposição de não reincidir nesse crime, como a Sra. Gebara afirmou.  O que o Papa fez foi incentivar a condenação desse crime, estimulando a juventude a, em hipótese alguma, cometê-lo. Dizer que só o Papa e só em Madri os sujeitos desse crime poderiam ser absolvidos, é uma grande falsidade, denotando que a autora do texto, apesar das faculdades (Universidades) por ela cursadas, demonstra desconhecimento da Teologia Moral.

Para encerrar, devemos repetir e seguir o que Jesus Cristo nos disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo: 14,6).

Dom Luiz Bergonzini
Bispo Diocesano de Guarulhos
domluizbergonzini@gmail.com

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Igreja Católica socorre imigrantes na Casa do Migrante


Edição do dia 14/10/2011
15/10/2011 00h35 - Atualizado em 15/10/2011 01h23

Butaneses presos em aeroporto de SP 


conseguem refúgio no Brasil


Bishwas Raj e Ganesh Raj foram admitidos até que Conselho Nacional para Refugiados 

consiga identificá-los e decida sobre a permanência deles. Eles passaram duas semanas

numa ala do aeroporto de Guarulhos.

Depois de duas semanas morando no aeroporto de Guarulhos, sem poder entrar nem sair do Brasil, os dois homens que vieram do Butão, um pequeno país da Ásia, finalmente conseguiram refúgio.

Com a voz fraca depois de quase um mês dormindo pouco e quase sem comida, Ganesh Raj diz que quer viver no Brasil porque o país é seguro, não tem guerra.

Ele e o sobrinho, Bishwas Raj, são do Butão, um pequeno país asiático entre a China e a Índia, mas nos últimos 20 anos, viviam como refugiados no Nepal.

Bishwas, que tem 21 anos, conta que saíram de lá para fugir da perseguição étnica. Iam para os Estados Unidos, mas no aeroporto de Guarulhos, o guia pegou dinheiro e documentos. Eles esperaram por cinco dias.

O guia não apareceu mais e os dois se apresentaram à imigração. Sem passaporte não podiam entrar no Brasil. Sem passagens não conseguiam voltar. Ficaram mais de 20 dias no conector, um setor de transferência para passageiros em trânsito.

No cinema, o ator Tom Hanks viveu o papel de um estrangeiro na mesma situação, num aeroporto dos Estados Unidos. O personagem podia circular dentro do aeroporto, mas não podia sair, o que provocou episódios engraçados.

A história de Bishwas e Ganesh não teve graça. Eles dormiram no chão, sentiram frio e fome. Dizem que chegaram a ficar cinco ou seis dias sem comer.

O Jornal da Globo mostrou o drama dos dois na segunda-feira. O perigo que a presença de estrangeiros sem identificação representa para o aeroporto.

Durante um depoimento tomado pela Polícia Federal, os butaneses pediram refúgio no Brasil e finalmente conseguiram sair do aeroporto. Eles foram admitidos temporariamente até que o Conselho Nacional para Refugiados consiga identificá-los oficialmente e decida sobre a permanência deles no país. Até lá, os dois ficam na Casa do Migrante, uma ação social da igreja católica que recebe pessoas que chegam a São Paulo.

“Para não cair na rua, nós acabamos acolhendo e dando toda a assistência, desde a jurídica, social e psicológica”, fala a coordenadora da Casa do Migrante, Carla Aguilar.

Agora a Casa do Migrante está em contato com a Cáritas, que é responsável por ajudá-los a regularizar a situação deles como refugiados. Esse processo costuma levar de seis a oito meses. Enquanto isso, eles continuam morando junto com vários outros estrangeiros, na mesma situação.

Os quartos têm capacidade para 105 pessoas, mas está com 116 hóspedes. Apenas oito deles são brasileiros. Em 2002, 25% das vagas eram preenchidas por estrangeiros. Esse ano são 84%.

Segundo a Cáritas, São Paulo tem hoje 2.052 estrangeiros, de 75 nacionalidades, que pediram ou já conseguiram refúgio no país. São homens, mulheres e crianças que, como Ganesh e Bishwas, olham para o Brasil e sonham em viver em paz, trabalhar, ter um futuro melhor.

Veja o vídeo - Jornal da Globo

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Cardeal Cañizares: É recomendável comungar na boca e de joelhos

Cardeal Antonio Cañizares Llovera
Em entrevista concedida à agência ACI Prensa, o Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos  Sacramentos no Vaticano, Cardeal Antonio Cañizares Llovera, assinalou que é recomendável que os católicos comunguem na boca e de joelhos.

Assim indicou o Cardeal espanhol que serve na Santa Sé como máximo responsável, depois do Papa, pela liturgia e os sacramentos na Igreja Católica, ao responder se considerava recomendável que os fiéis comunguem ou não na mão.

A resposta do Cardeal foi breve e singela: "é recomendável que os fiéis comunguem na boca e de joelhos".

Do mesmo modo, ao responder à pergunta da ACI Prensa sobre o costume promovido pelo  Papa Bento XVI de fazer que os fiéis que recebam dele a Eucaristia o façam na boca e de joelhos, o Cardeal Cañizares disse que isso se deve "ao sentido que deve ter a comunhão, que é de adoração, de reconhecimento de Deus".

"Trata-se simplesmente de saber que estamos diante de Deus mesmo e que Ele veio a nós e que nós não o merecemos", afirmou.

O Cardeal disse também que comungar desta forma "é o sinal de adoração que necessitamos recuperar. Eu acredito que seja necessário para toda a Igreja que a comunhão se faça de joelhos".

"De fato –acrescentou– se se comunga de pé, é preciso fazer genuflexão, ou fazer uma inclinação profunda, coisa que não se faz".

O Prefeito vaticano disse ademais que "se trivializarmos a comunhão, trivializamos tudo, e não podemos perder um momento tão importante como é o de comungar, como é o de reconhecer a presença real de Cristo ali presente, do Deus que é amor dos amores como cantamos em uma canção espanhola".

Ao ser consultado pela ACI Prensa sobre os abusos litúrgicos em que incorrem alguns atualmente, o Cardeal disse que é necessário "corrigi-los, sobre tudo mediante uma boa formação: formação dos seminaristas, formação dos sacerdotes, formação dos catequistas, formação de todos os fiéis cristãos".

Esta formação, explicou, deve fazer que "celebre-se bem, para que se celebre conforme às exigências e dignidade da celebração, conforme às normas da Igreja, que é a única maneira que temos de celebrar autenticamente a Eucaristia".

Finalmente o Cardeal Cañizares disse à agência ACI Prensa que nesta tarefa de formação para celebrar bem a liturgia e corrigir os abusos, "os bispos têm uma responsabilidade muito particular, e não podemos deixar de cumpri-la, porque tudo o que façamos para que a Eucaristia se celebre bem será fazer que na Eucaristia se participe bem".

REDAÇÃO CENTRAL, 27 Jul. 11 / 01:27 pm (ACI/EWTN Noticias)
Colaboração José Tiago Fernandes Monteiro

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

95,5% das mortes maternas são causadas por falhas, em BH


Há tempos estamos afirmando que abortos e mortes maternas não são questões religiosas, mas humanitárias e, também, que elas acontecem por absoluta falta de assistência médica competente.
As abortistas, para enganar as mulheres, dizem que a morte materna acontece porque a gestante é pobre. As gestantes morrem por falta de assistência médica adequada.

A matéria abaixo prova isso: 95,5% dos casos de óbitos poderiam ter sido evitados com assistência adequada à saúde.
Saúde Zero é o principal programa do governo, que provoca tantas mortes. Leia o que acontece em Belo Horizonte.


Taxa de mortalidade materna cresce 42% em BH entre 2009 e 2010
Em 2010, mais da metade das gestantes que morreram em BH eram negras e solteiras. 95,5% dos casos de óbitos poderiam ter sido evitados com assistência adequada à saúde

A taxa de mortalidade materna em Belo Horizonte aumentou em 42% entre 2009 e 2010, de acordo com relatório elaborado pela Comissão Perinatal da Secretaria Municipal de Saúde. A razão de mortalidade materna na cidade, que era de 50 óbitos/100 mil nascidos vivos, em 2009, saltou para 71,1 óbitos/100 mil nascidos vivos em 2010. Essa taxa significa, em números absolutos, que 22 mulheres morreram por causas relacionadas à gravidez ou ao parto no ano passado.
De acordo com a coordenadora da Comissão Perinatal da Secretaria Municipal de Saúde, Sônia Lansky, os dados colocam a instituição em alerta porque a tendência de queda da mortalidade materna, que vinha se verificando em Belo Horizonte nos últimos anos, não prevaleceu. De janeiro a agosto deste ano já foram contabilizadas 13 mortes maternas, taxa semelhante ao mesmo período no ano passado.

 As causas
Síndromes hipertensivas, hemorragias, complicações do aborto e infecções foram as principais causas de morte materna em Belo Horizonte no ano de 2010. No entanto, dos 22 óbitos que aconteceram no município, “21 (95,5%) foram classificados como evitáveis”, de acordo com o relatório.
Segundo dados da Comissão Perinatal, em quase 70% dos casos de óbitos foram detectadas falhas na abordagem da saúde sexual e reprodutiva da mulher e em mais de 70% houve problemas no pré-natal.
Metade das gestantes que faleceram haviam feito menos de sete consultas. O momento do nascimento também é decisivo: em mais de metade das gestantes que tiveram parto e faleceram em 2010 foram registradas falhas da assistência no momento do nascimento.
De acordo com a coordenadora do Programa de Sobrevivência e Desenvolvimento Infantil do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Cristina Albuquerque, planejamento reprodutivo, pré-natal de qualidade, atenção ao momento do parto e acompanhamento da mulher no período de puerpério – os 42 dias depois do parto – são requisitos para a redução da mortalidade materna. “Com certeza uma mulher que tem um pré-natal bem feito, um parto bem conduzido e é acompanhada no puerpério tem reduzido a uma porcentagem ínfima o risco de morrer”, enfatiza Cristina.
A taxa belorizontina de 71,1 óbitos maternos/100.000 nascidos vivos é próxima à razão nacional de mortalidade materna, que está em 75. Para Cristina Albuquerque, o Brasil tem realizado esforços para reduzir a taxa de mortalidade materna, mas, em razão da complexidade desse desafio, será muito difícil para o país alcançar o Objetivo 5 dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da Organização das Nações Unidas, até 2015. A taxa teria que ser reduzida em três quartos entre 1990 e 2015, o que significa chegar a uma razão de 35 óbitos/100 mil nascidos vivos. A integrante da Rede Feminista de Saúde, Eliete de Paula, acredita que para reverter esse quadro é preciso um esforço de formação de redes de proteção à saúde da mulher gestante, com participação de movimentos sociais, conselhos e grupos profissionais.
Quem morre mais?Mais da metade das mulheres que faleceram eram negras e solteiras. “Estamos com uma dívida social enorme com a população mais vulnerável que é onde se concentra esses óbitos, o que é um reflexo da desigualdade social no país, e em Belo Horizonte não é diferente”, pontua Sônia.
E os hospitais públicos e privados não estão tão distantes assim quando o assunto é morte materna. Os dados apontam que o índice é maior no setor público, com 80,5 óbitos maternos/100 mil nascidos vivos, mas o setor privado não fica muito atrás, com taxas de 63 óbitos/100 mil nascidos vivos. Esse paradoxo coloca em questão outro fator: a prática de cesariana desnecessária.
De acordo com os dados da Secretaria Municipal de Saúde, quase 80% dos partos realizados em hospitais particulares de BH são cesarianas. No setor público, a taxa está próxima a 30%. “Toda cesárea impõe riscos para a mulher e para o bebê. Aumenta em 1,2 vez o risco de mortalidade neonatal, que é a do bebê, e em sete vezes o da mulher, como a literatura cientifica mostra”, destaca Sônia. De acordo com o relatório da Secretaria, pelo menos dois dos 22 óbitos maternos do ano passado aconteceram em casos de cesariana sem indicação técnica.

A prioridade da ética

Dom Walmor 
Dois tipos de manifestações estão surgindo no coração da sociedade como reclamações urgentes. De um lado, estão se encorpando os protestos contra a corrupção. Não se pode calar diante de desmandos e de atos que corroem o bem de todos. Por outro lado, cresce a reclamação diante da avalanche legislativa enlouquecedora. Noticia-se que, nas últimas duas décadas, foram criadas 4,2 milhões de leis no Brasil. O grande número, junto com as dificuldades de interpretação que podem ser explicadas pela predominância de um texto excessivamente rebuscado, prejudica o usufruto da legislação. Também dificulta o próprio respeito às regras pelos cidadãos.

Apesar de todo esse arcabouço legislativo, sente-se falta de procedimentos legais que regulamentem esferas de grande importância para a vida em sociedade e possam garantir a indispensável transparência, remédio contra corrupção. Por exemplo, pergunta-se por que está parada a tramitação da lei de transparência que obriga o governo a divulgar as informações sobre a execução de contratos com empresas privadas. Sem uma resposta, é possível concluir que o sistema tem leis em abundância, mas, ao mesmo tempo, carece de regulamentação. Uma necessidade evidente ao se considerar a complexa e múltipla realidade contemporânea, com suas marcas globais e com suas múltiplas possibilidades de intercâmbio e participação.

Voltando, no entanto, ao movimento de combate à corrupção, contracenando com a avalanche legislativa, um desafio para a interpretação e a prática, parece sempre oportuno remeter a reflexão à questão da ética. Ora, não se pode dispensar o foro privilegiado da consciência presidindo condutas, garantindo respeito aos direitos, o sentido de legalidade e a exigência primeira de fidelidade à verdade, à justiça e ao amor. Não se pode pensar que toda a estrutura legislativa por si só será suficiente para a conquista da transparência e o combate à corrupção. É preciso priorizar a dimensão ética. A relativização dessa prioridade nos processos formativos, de diferentes níveis e para os diversos públicos, certamente compromete o exercício da cidadania.

O raciocínio é que a formação técnica, por exemplo, para atender demandas do mercado de trabalho, com suas diferentes expertises - possibilidades interessantes e indispensáveis - não pode ser considerada como suficiente. A ética é uma aprendizagem necessária que precisa ser priorizada no contexto sócio-político contemporâneo. É composição insubstituível na configuração dos processos educativos. Não se consegue manter o controle apenas porque existe uma lei. As leis são muitas, mas o respeito à legislação não tem sido proporcional à conta amarga que se paga pelos atentados contra o erário público e a vida, não raramente de modo irreversível.
Há um núcleo que precisa ser cuidado. É o núcleo recôndito da consciência. A formação da consciência é uma demanda fundamental. Do contrário, mesmo com as leis - tantas gerando dificuldades de interpretação, execução e, consequentemente, respeito - se legislará sempre mais e se avançará muito pouco. Será mais difícil a conquista da dignidade, do decoro ético e do apreço a uma conduta pautada pela verdade, fiel à palavra dada, aos valores e princípios básicos.

O sucateamento da educação - particularmente no âmbito da escola pública - que ocorre junto com o avanço da dependência química, da violência, do atentado contra vida - entre outros horrores - assim como a crise na vida familiar e profissional, não serão revertidos sem que a ética se torne prioridade. Não se trata apenas de apresentação de narrativas sobre valores e princípios. O investimento se refere à opção fundamental de cada indivíduo.

Uma decisão que brota do centro da personalidade, do coração - com a força de condicionar todos os outros atos, com uma densidade tal que, abrangendo totalmente a pessoa, orienta e dá sentido à sua vida. Essa opção fundamental é a expressão básica da moralidade, que se aprende e se cultiva. Não se localiza simplesmente do lado de fora, na objetividade legislativa ou nos indispensáveis mecanismos de controle. Há uma vida moral que precisa ser sempre almejada e pode ser conquistada, quando a ética torna-se prioridade.
14/10/2011
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Mártires de Cristo lá e cá

Por Dom Henrique Soares

Nenhum outro grupo religioso tem sofrido tantas perseguições quanto os cristãos. E ninguém liga, ninguém grita por eles... Agora mesmo, estamos vendo os cristãos do Egito sofrendo por parte dos muçulmanos. Mas, não é só no Egito não: há os vários países islâmicos, há o governo ateu da China, há até mesmo regiões budistas e hinduístas onde somos perseguidos... E como machuca, como dói, como é triste...


Mas, existe um outro tipo de perseguição, mais silenciosa e camuflada: aquela das nossas sociedades ocidentais, que procuram desacreditar a nossa fé, que faz de tudo para nos marginalizar e ridicularizar, que exalta tudo quanto seja anticristão. Um pequeno exemplo? Na Austrália e na Inglaterra já se pensa seriamente em eliminar a expressão “antes de Cristo” e “depois de Cristo” para identificar os anos e séculos... Cristo deve desaparecer – e ai dos cristãos.


A perseguição aberta, física, cria resistência, fortalece a fé de muitos, faz com que os perseguidos renovem a consciência de que pertencem ao Senhor e não ao mundo. O mártir de Cristo toma consciência plena de que o mundo nos odeia, como odiou o nosso bendito Senhor. Mas, a perseguição velada, camuflada, tende a nos enfraquecer, a nos acovardar, a nos render ao mundo. Quantos cristãos vão aderindo ao modo mundano de viver, sem perceber que o mundo mundano nos despreza e ridiculariza. Dá pena certas ilusões de que se pode dialogar com certo mundo!


Nosso critério não é o diálogo, mas a verdade de Cristo. E a verdade de Cristo não é uma teoria, mas o próprio Cristo e o caminho que ele percorreu. Nesse sentido, como não recordar aquelas palavras perturbadoras da Epístola aos Hebreus? “Corramos com perseverança na competição que nos é proposta, com os olhos fixos em Jesus, que vai à frente da nossa fé e a leva à perfeição. Em vista da alegria que o esperava, suportou a cruz, não se importando com a infâmia, e assentou-se à direita do trono de Deus. Pensai, pois, naquele que enfrentou uma tal oposição por parte dos pecadores, para que não vos deixeis abater pelo desânimo. Vós ainda não resististes até ao sangue, na vossa luta contra o pecado” (Hb 12,1b-4). Palavras deveras perturbadoras! Um convite claro a seguir nosso Jesus, a fazer nossa a sua experiência, a colocar nossos passos nos seus passos: ele é o autor e consumador da nossa fé – e não se pode crer nele sem seguir o caminho dele. Em vista de uma existência humana gloriosa da glória do mundo – aquela que Satanás lhe propôs nas tentações -, ele prefere a fiel obediência ao Pai e, suprimido deste mundo por artimanha dos pecadores, suportou a cruz e triunfou na lógica de Deus!


Não, Irmão! Nosso caminho não pode ser diferente! Não somos iguais ao mundo, não podemos pensar como o mundo! Não somos melhores nem piores, mas somos diferentes: nosso critério é Cristo, nossa esperança é Cristo, nossa vida é Cristo! Nossa referência nunca poderá ser o mundo, na tentativa de agradá-lo ou parecer-lhe simpático, na ilusão de que isso o atrairia a Cristo. Essa imitação do mundo somente nos faz fracos, ambíguos e ridículos. Cristo nos chama a correr com ele a corrida da fé, a combater com ele o combate de ser fiel ao Pai. O Senhor nos convida a resistir, a não ter medo das piadinhas, a não vacilar ante as tentativas de ridicularizarem nossa fé, a não fazer concessões ao pecado... Ante um mundo secularizado e anticristão, somos chamados a olhar Jesus e sermos cada vez mais fieis a ele, sem meios termos, sem “mas” nem “porém”.
Que o Senhor socorra com a força potente do seu Espírito os cristãos perseguidos de morte e de modos diversos nos vários pontos deste mundo. Uma coisa é certa: sua palavra: “No mundo tereis tribulações! Tende coragem: eu venci o mundo!”

 



 Escrito por Dom Henrique às 01h48

O LULISMO AMORDAÇOU O BRASIL

Percival Puggina
É preciso reconhecer. A mitificação de Lula no nível que alcançou só poderia ocorrer mediante o invulgar conjunto de circunstâncias que alia características pessoais do líder; notáveis estratégias de poder e de comunicação social; circunstâncias internacionais favoráveis à economia brasileira; manutenção, durante boa parte de seu governo, das políticas de responsabilidade fiscal iniciadas com Itamar Franco; dotação de significativos recursos para o programa Bolsa Família; simpatia internacional ao perfil do "operário no poder cuidando dos pobres". E por aí vai.

Oitenta e tantos por cento de aprovação no mercado interno, a condição de celebridade internacional e a louvação da mídia mundial compõem um irresistível quadro de mitificação que colocam Lula num altar onde só se pode depositar flores. Critique quem quiser no país, mas não faça isso com Lula. Pega muito mal e retira de você credibilidade para qualquer outra coisa que pretenda dizer. É inútil mostrar que o governo petista se encaminha para fechar uma década com o país ostentando os piores indicadores, seja entre os membros do BRIC, seja entre nossos vizinhos da América Ibérica: a economia que menos cresce, a maior taxa de juros, a menor taxa de investimento, a maior inflação e a maior carga tributária. E as funções essenciais do governo (Educação, Saúde, Segurança e Infraestrutura) numa precariedade que ninguém, em sã consciência, deixará de reconhecer. São afirmações inúteis. Tudo se passa como se, depois de oito anos no poder, Lula nada tivesse a ver com isso. A ele, apenas créditos.

No entanto, há débitos pesados na conta do lulismo instilado ao país. Em artigos anteriores, tenho afirmado que a política exige senso de realidade, que os bons estadistas são pessoas realistas, são pessoas afastadas de utopias e devaneios e interessadas em respostas corretas para duas interrogações essenciais: qual é o problema? qual é a solução? Nesse sentido, reconheça-se, ao romper com os delírios esquerdistas do PT, Lula conseguiu acertos e afastou-se de muitos erros. Mas na política, o realismo de Lula tornou-se cínico, desprovido de restrições de ordem moral. Abrigou à sombra do poder as piores figuras da política nacional. Não apenas as acolheu. Foi buscá-las para compor a base do governo. Entregou-lhes poder, cargos, fatias do orçamento e poderosas empresas estatais. Teve olhos cegos e ouvidos moucos para as patifarias que proliferaram do topo à base da pirâmide do governo. Seu partido, quando na oposição, brandia indignações morais, pedia CPI para carrocinha de cachorro quente e levantava suspeições sobre a honra de quem se interpusesse no seu caminho. No poder, foi o que se viu, o que ainda hoje se vê, e o quanto já veio à superfície nos primeiros meses da presidente Dilma, sob silêncio conivente das instrumentalizadas organizações sociais cuja boca foi emudecida por cargos e recursos públicos.

A corrupção, casada em união estável e comunhão de bens com a impunidade, alcançou níveis sem precedentes. Estudo da Fiesp adverte para o fato de que ela consome algo entre 1,4% a 2,3% do PIB e custa cerca de R$ 69 bilhões nas contas da gatunagem fechadas a cada réveillon. A nação chegou ao fastio e à náusea dos escândalos de cada dia. Há uma indignação silenciosa. Ensaiam-se mobilizações de repulsa à corrupção. Mas elas são escassas, pequenas e de utilidade duvidosa. Por quê? Porque a corrupção pode ter filiais até na mais miserável prefeitura do país, mas a matriz está onde está a grana grossa, no poder central da República, para onde convergem todos os cargos, todas as canetas pesadas, todas as decisões financeiras, todos os contratos realmente significativos. E 23% do PIB nacional. O resto é resto.

Mas não há como apontar o dedo nessa direção sem atingir em cheio o peito de quem, durante oito anos, desempenhou a mesma função de seus antecessores. E a estes, Lula, seu partido e fieis seguidores, sistematicamente, responsabilizavam por toda desonestidade existente no país. Quem quer que sentasse para governar, logo vinha o "Fora Collor", o "Fora Sarney", o "Fora FHC". Alguém sabe me dizer por que, de repente, a corrupção não tem nome próprio nem governo definido? Eu sei. O lulismo amordaçou a moralidade nacional.
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* Percival Puggina (66) é titular do blog www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

Cristofobia: primavera árabe se transforma em outono bárbaro contra cristãos no Egito


Manifestação copta é violentamente reprimida
Por Robert Cheaib
ROMA, sexta-feira, 14 de outubro de 2011 (ZENIT.org) – Até o domingo passado, continuava brilhando nos olhos da juventude a imagem dos egípcios, muçulmanos e cristãos unidos num grito despertado pelos desejos mais nobres: liberdade, justiça e a esperança de um futuro melhor.

Até o domingo passado. Porque a imagem de carros blindados esmagando de modo bárbaro os manifestantes paralisados afoga o sonho e abre os olhos para um horizonte que escurece a primavera árabe. O sonho, cujos protagonistas eram os muçulmanos e os cristãos do Egito, reunidos como um só povo na praça Tahrir, se desvanece sob a máquina da violência e se transforma em pesadelo, com um cenário imprevisível.

Uma manifestação pacífica terminou com cenas de violência inaudita descritas pelo jornal sauditaAl-Hayat como “o acontecimento mais sanguinário depois da revolução de 25 de janeiro, que levou à queda da ditadura de Hosni Mubarak”. O número das vítimas, segundo o Ministério da Saúde egípcio, é de 24 mortos e 212 feridos.

Tudo começou no domingo 9 de outubro, com um protesto dos cristãos coptas, indignados com o ataque recente contra uma igreja em Assuan, no sul do país. Os manifestantes repudiavam o silêncio das autoridades. Os coptas pediam a renúncia do governador da província de Assuan, Mustafa As-Sayyed, acusando-o de causar o ataque. As-Sayyed declarou, segundo o jornal Tariq Al-Akhbar, que a igreja era ilegal, porque o edifício tinha sido transformado em igreja através da manipulação de autorizações. Os extremistas, com base nessas declarações, incendiaram o lugar de culto cristão.

No dia seguinte ao ataque, As-Sayyed, em vez de condenar a violência, afirmou que “não houve ataque algum porque em Assuan não existem igrejas”, segundo o site cristão Coptreal. Tais declarações fomentaram a indignação copta que levou ao protesto. Os manifestantes partiram do bairro de Shabra rumo à sede da televisão nacional, pedindo a tutela do estado para os lugares de culto cristão e a paridade de direitos para todos os cidadãos. Os manifestantes pediam também a renúncia de As-Sayyed, acusando-o de apoio aos extremistas islâmicos. A multidão, constituída também por muçulmanos que apoiam os direitos dos cristãos, deplorava ainda a linha parcial adotada pela televisão estatal, que incentiva sentimentos anticristãos.

Durante a manifestação, alguns vândalos começaram a jogar pedras e a disparar contra a multidão. Os coptas responderam com mais pedras. As forças da ordem e o exército agiram então com violência, reprimindo os manifestantes inclusive com veículos blindados. Um sacerdote copta, o padre Daoud, declarou ter visto um carro blindado arrastar cinco manifestantes.
A situação degenerou em caos, com o exército e a polícia disparando gases lacrimogêneos e balas de borracha contra os manifestantes, que revidaram jogando tudo o que estivesse ao seu alcance. A televisão estatal declarou que os manifestantes conseguiram queimar alguns carros da polícia.

O exército está impondo toque de recolher desde a manhã da segunda-feira, 10 de outubro.
France Press informou sobre os feridos e os mortos no hospital copta do Cairo, relatando ter visto diversos cadáveres totalmente desfigurados. O Al-Hayat relata que, à noite, um grupo de muçulmanos pacíficos marchou até o hospital copta manifestando solidariedade aos cristãos.

Reação da Igreja copta
Em comunicado a Zenit, o Conselho dos Patriarcas e bispos católicos do Egito comentou os acontecimentos, pedindo ao conselho militar e ao governo egípcio que “assumam suas responsabilidades nacionais e gerenciem a situação custodiando a justiça e tutelando a dignidade de todos os cidadãos, sem discriminações”.
Os prelados egípcios católicos afirmaram ainda que a Igreja católica no Egito “eleva suas orações a Deus para proteger o Egito e seu povo” e assegura a oração pelas vítimas dos últimos episódios de violência.
O Egito foi cenário de crescentes tensões inter-religiosas nos últimos meses. Diversas igrejas cristãs foram alvo de ataques terroristas. As novas autoridades mudaram algumas leis discriminatórias que impunham severas restrições à construção de lugares de culto cristãos, mas enfrentam grande resistência de correntes fundamentalistas que aspiram ao poder presidencial nas eleições deste novembro.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

"Ano da Fé" anunciado por Bento XVI


Papa anuncia a celebração de um "Ano da Fé", de outubro de 2012 a novembro de 2013, pelos 50 anos do início do Concílio Vaticano II
(16/10/2011) Nos 50 anos da abertura do Concílio Ecuménico Vaticano II, a partir de 11 de Outubro 2012, a Igreja celebrará um “Ano da Fé”. Anunciou-o o Papa na Missa celebrada em São Pedro, no final do encontro com pessoas “empenhadas, em muitas partes do mundo, nas fronteiras da nova evangelização”: 

“Decidi proclamar um ‘Ano da Fé’, que terei modo de ilustrar com uma Carta Apostólica. Terá início a 11 de Outubro de 2012, no quinquagésimo aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, e concluir-se-á a 24 de Novembro de 2013, solenidade de Cristo Rei do Universo. Será um momento de graça e de empenho para uma cada vez mais plena conversão a Deus, para reforçar a nossa fé e para anunciá-Lo com alegria ao homem do nosso tempo”.


Comentando as leituras deste domingo, Bento XVI começou pelo texto de Isaías, que “nos diz que Deus é uno, é único; não há outros deuses para além do Senhor, e mesmo o potente Ciro, imperador dos persas, faz parte de um projeto maior, que só Deus conhece e conduz”. Esta Leitura – fez notar o Papa – “dá-nos um sentido teológico da história: as mutações epocais, o suceder-se das grandes potências encontram-se sob o supremo domínio de Deus; nenhum poder terreno pode ocupar o seu lugar”


“A teologia da história é um aspeto importante, essencial, da nova evangelização, porque os homens do nosso tempo, após a nefasta época dos impérios totalitários do século XX, têm necessidade de reencontrar um olhar abrangente sobre o mundo e sobre o tempo, um olhar verdadeiramente livre, pacífico”.


Trata-se – sublinhou o Papa – daquele olhar que o Concílio Vaticano II transmitiu nos seus Documentos, e que Paulo VI e João Paulo II ilustraram com o seu magistério.


Prosseguindo depois com a segunda Leitura, Bento XVI fez notar que o apóstolo Paulo, “o maior evangelizador de todos os tempos”, escreve que o seu Evangelho “não se difundiu apenas por meio da palavra, mas também com a potência do Espírito Santo e com plena certeza. 


“Para ser eficaz, a evangelização tem necessidade da força do Espírito, que anime o anúncio e infunda em quem o transmite aquela plena certeza de que fala o Apóstolo”.


A palavra grega usada por Paulo para “certeza” não exprime tanto o aspeto subjetivo, psicológico, mas antes a plenitude, a fidelidade, a totalidade. “Para ser completo e fiel, o anúncio há-de ser acompanhado de sinais, de gestos, como a pregação de Jesus. Palavra, Espírito e certeza – assim entendida – são portanto inseparáveis e concorrem para fazer com que a mensagem evangélica se difunda com eficácia”.

Relativamente ao Evangelho, a propósito da expressão usada pelos fariseus, na sua abordagem insinuante de Jesus - “tu ensinas o caminho de Deus, com verdade”, o Papa observou que “de facto o próprio Jesus é este “caminho de Deus”, que estamos chamados a percorrer”. Ele é “o caminho, a verdade e a vida”.


“Os novos evangelizadores estão chamados a caminhar por este caminho que é Cristo, para fazer conhecer aos outros a beleza do Evangelho que dá a vida. E nesta Via não caminhamos sozinhos, mas acompanhados. Uma experiência de comunhão e de fraternidade oferecida a todos os que encontramos, para lhes participar a nossa experiência de Cristo e da sua Igreja”.


É o testemunho unido ao anúncio – insistiu o Papa – que pode abrir o coração de quantos andam à procura da verdade, para que possam alcançar o sentido da vida.
Finalmente, sobre a questão do tributo a César, Bento XVI sublinhou que a Igreja, como Jesus, não se limita a recordar aos homens a justa distinção entre o âmbito político e religioso:


“A missão da Igreja, como a de Cristo, é essencialmente falar de Deus, fazer memória da sua soberania, recordar a todos, especialmente aos cristãos que perderam a própria identidade, o direito de Deus sobre tudo o que lhe pertence, isto é, a nossa vida”.

Ao meio-dia, nas palavras dirigidas à multidão de fiéis congregados na Praça de São Pedro para a recitação do Angelus, Bento XVI falou de novo do Ano da Fé que decorrerá a partir de 11 Outubro de 2012, quinquagésimo aniversário da abertura do Vaticano II, informando que sairá já nos próximos dias a Carta Apostólica destinada a ilustrar as motivações, finalidades e linhas orientadoras desta iniciativa. 


“Também o servo de Deus Paulo VI promulgou um idêntico ‘Ano da Fé’, em 1967, por ocasião do XIX centenário do martírio dos Apóstolos Pedro e Paulo, e num período de grandes abalos culturais.Considero que, decorrido meio século desde a abertura do Concílio, ligada à memória do Beato João XXIII, é oportuno recordar a beleza e a centralidade da fé, a exigência de a reforçar e aprofundar a nível pessoal e comunitário, fazendo-o não tanto numa perspetiva celebrativa, mas antes missionária, na perspetiva da missão ad gentes e da nova evangelização”. 

Fonte: Rádio Vaticana

ONU: Secretário é homenageado pela defesa da vida de mulheres e crianças


14 de outubro de 2011 - 00:00
Divulgação/Stockdisc
Secretário é homenageado por liderar saúde da mulher e da criança
Ban Ki-moon diz que aceitou o prêmio em nome de todos que trabalham para salvar milhões de mulheres, recém-nascidos e crianças
Secretário é homenageado por liderar saúde da mulher e da criança
PRN
NOVA YORK, 14 de outubro de 2011 /PRNewswire/ - (South-South News): O primeiro-ministro Winston Baldwin Spencer, de Antígua e Barbuda,  e o embaixador Francis Lorenzo, presidente da South-South News, concederam ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon,  um prêmio de reconhecimento, em almoço oficial de membros de estado hoje em Nova York, por seu compromisso e liderança na promoção da Estratégia Global para a Saúde da Mulher e da Criança. 

"Obrigado por me escolher a homenagear com este grande prêmio. Aceito este prêmio em nome dos homens e mulheres em todo o mundo trabalhando para salvar milhões de mulheres, recém-nascidos e crianças," disse o secretário-geral em seus comentários.
Secretário Geral da ONU Ban Ki-moon com o prêmio

Liderada pelo Secretário-Geral, a Estratégia Global para a Saúde da Mulher e da Criança é um roteiro que traça uma abordagem para a colaboração global e multissetorial e identifica as mudanças necessárias em finanças e política, bem como as intervenções críticas urgentemente necessárias para melhorar a prestação de serviços e salvar as vidas de milhões de mulheres e crianças ao redor do mundo.


O embaixador Francis Lorenzo, presidente da South-South News disse, "Este é um ano vital para as Nações Unidas e para a comunidade internacional para alavancar os esforços e acelerar o progresso rumo aos ODMs 4 e 5 de Mortalidade Infantil e Saúde Materna, com base na iniciativa do Secretário-Geral Ban Ki-moon para uma "Estratégia Global para a Saúde da Mulher e da Criança"."

"Esperança é sinônimo do que representam os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, esperança para hemisfério sul, esperança para as mulheres e crianças dos países em desenvolvimento que são o presente e o futuro," disse a gerente geral da South-South News, Mildred Espinoza em seus comentários iniciais.

O almoço destacou a importância de se priorizar a saúde das pessoas mais negativamente atingidas pela crise e pobreza: as mulheres e crianças.

O primeiro-ministro Baldwin Spencer também enfatizou a necessidade de cooperação global em lutar contra a doença e apoiar as mulheres e crianças em todo o mundo, expressando uma urgência semelhante. 

"Hoje reconhecemos o seu esforço considerável para colocar a questão da saúde materna e infantil no topo da agenda de desenvolvimento, o seu incansável compromisso de destacar a importância de se investir nas mulheres e meninas para atingir os ODMs, o seu compromisso com a autonomia das mulheres, que devem assumir a liderança e, finalmente, sua equipe comprometida em fazer todo o possível para garantir que a organização, a qual o Sr. tão habilmente dirige, faça sua parte e alcance o objetivo de todos os interessados de saúde e um futuro melhor para todas as mulheres e crianças," disse o primeiro-ministro de Antígua e Barbuda em seu discurso de encerramento.

Juntamente com a South-South News e a Missão Permanente de Antí¬gua e Barbuda para as Nações Unidas, o almoço também foi apoiado pelos governos do Tajiquistão, El Salvador, Quênia, Bangladesh, Fiji, Dominica, Zâmbia, Ruanda e Nigéria, bem como pelo Miami Children"s Hospital and Foundation.

O almoço foi coroado pelo Secretário-Geral, que pediu aos seus convidados para não esquecerem o motivo da reunião, exortando-os a manter as mulheres e as crianças no topo da lista de prioridades na realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
Original em Inglês: South-South News

domingo, 16 de outubro de 2011

IGREJA VIVA NA AMÉRICA LATINA


AMÉRICA - "A Igreja na América Latina é viva, apesar da difícil situação em vários países": entrevista a Dom Carlos Aguiar Retes, Presidente do CELAM
Roma (Agência Fides) - De 6 a 12 de outubro, os membros da Presidência do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), liderados por seu Presidente, Dom Carlos Aguiar Retes, Arcebispo de Tlalnepantla (México), estiveram em Roma para encontrar-se com o Santo Padre e os responsáveis de diversos dicastérios do Vaticano (veja Fides 28/9/2011), a quem apresentaram o plano pastoral dos próximos 4 anos e os aspectos principais da vida da Igreja na América Latina. Na conclusão da visita, o Presidente do CELAM concedeu à Agência Fides a seguinte entrevista:


O documento de Aparecida propôs a Missão Continental como guia para as comunidades de todo o continente. Como este compromisso se insere no plano global de trabalho dos próximos 4 anos?

As orientações são oferecidas pelas diretrizes definidas em maio passado. Alguns de seus pontos principais foram propostos para o plano pastoral de nosso mandato, ou seja, até 2015. Para o plano global dos próximos quatro anos tomamos como guia de trabalho a segunda parte do slogan de Aparecida: "Para que nEle nossos povos tenham vida" ("Para que nuestros pueblos en EL, tengan vida"). Visto que a atuação da primeira parte do slogan, "discípulos missionários", isto é, como fazer que os cristãos de nossas comunidades sejam autênticos discípulos de Cristo, já alcançou a sua meta, agora temos que "dar testemunho", pois ao testemunharmos de Cristo, temos uma vida digna e plena, nEle e graças a Ele.

Pensamos também em dois textos bíblicos como referência: a parábola da videira e dos ramos, que encontramos no Evangelho de João, e uma expressão da primeira carta de João:

"Tudo o que vimos e ouvimos... o anunciamos, para que nossa alegria seja plena".

O discípulo missionário não pode se satisfazer com o que encontra, mas o deve transmitir a outros, principalmente em situações adversas. Este foi o espírito da Igreja em todos os tempos, o motivo da Missão ad Gentes, o dever da transmissão da fé a outras culturas: jamais com a intenção de fazer proselitismo, apenas com o desejo de apresentar a verdade, e com a verdade, o caminho para a vida, a verdadeira vida.

Atualmente, na América Latina, existem situações muito difíceis para difundir o Evangelho, alastramento da violência e conflitos armados. Como a comunidade eclesial reage? 

Sim, existem situações de alto risco e os Bispos as conhecem bem. Todavia, o povo se consola ao ver o comportamento de seus pastores.

As pessoas se dirigem às autoridades, aos governadores e prefeitos para tentar resolver situações difíceis, mas quem lhes responde são os párocos: com sua presença, a presença da Igreja se mantém.

Consequentemente, o povo permanece com eles, não emigra, as cidades não se esvaziam porque seu pastor permanece, há quem celebre a Missa, administre os sacramentos, pregue e fale de esperança, apesar da violência e de outras graves dificuldades. Estas situações nos entristecem humanamente muito, mas nos fortalecem espiritualmente.

São João Maria Vianey
O martírio sempre enriqueceu a vida da Igreja, não nos deve assustar mesmo que nos entristeça ver que muitos que ofereceram serviços generosos à Igreja são assassinados. Não devemos nos esquecer que nesta Igreja, somos como peregrinos e o modo em que nossa vida termina deve ser a última de nossas preocupações. Temos que pensar no céu e com esta esperança devemos olhar a estas situações, caso contrário nos desesperamos. Naturalmente aconselhamos sempre a prudência e convidamos os sacerdotes a utilizar o clergyman, já que até a delinquência organizada os respeita.

Qual é o perfil da Igreja Latino-americana e como contribui nestas situações?

A partir de Aparecida, tem aumentado em meio a pastores, sacerdotes, bispos e agentes pastorais a consciência de ser Igreja na América Latina; sente-se a necessidade de reforçar a identidade católica.

A contribuição da Igreja não pode ser formar exércitos ou grupos de segurança organizados, isto não faz parte de nosso trabalho. Não temos forças armadas, mas temos uma força moral tão grande que quando as sementes começarem a germinar, como desejamos vivamente, haverá a paz social, que traz consigo a paz com o Senhor, com Cristo. Para nós, este é o caminho e por isso, estamos comprometidos pela família e com ela, pela vida e com ela, pois o futuro de nossa sociedade está justamente ali.

Gostaria de frisar que a Igreja na América Latina é sempre viva, e apesar das situações difíceis em vários países, hoje as comunidades cristãs são autônomas: temos os nossos sacerdotes, nossas estruturas, as vocações... É uma Igreja que consegue viver sozinha graças à contribuição de seus fiéis, e que consegue responder com muita generosidade a iniciativas como o Dia das Missões (Domund), para ajudar a Missão Ad Gentes. Atualmente, a América Latina não é mais uma área de Missão Ad gentes, mas tornou-se uma região de plena vida eclesial. (CE) (Agência Fides, 14/10/2011)

Nossa Senhora de Guadalupe e a Ciência

N.S. Guadalupe
A Virgem de Guadalupe: desafio à ciência moderna

Para o ateu moderno, acostumado a dar valor só ao que julga provado pela ciência, o milagre de Guadalupe, no México, é no mínimo constrangedor. Pois a ciência prova que houve milagre!

Valdis Grinsteins

Uma pessoa não totalmente atéia, mas profundamente contaminada pelo pensamento moderno, dizia-me que aquilo que não é provado cientificamente não existe. Mas — típica contradição da alma humana — não queria falar do Santo Sudário de Turim, pois as descobertas científicas sobre ele a abalavam; e se fosse obrigada a olhar o assunto de frente, teria de negar o valor da ciência ou... converter-se.

Vejamos o problema do ponto de vista desses amantes indiscriminados da ciência. Para eles, tudo aquilo que não se demonstra em laboratório entra para o domínio da fantasia. Ciências, com C maiúsculo, são para eles a Física, a Química, a Biologia, etc. Já a História lhes parece suspeita, pois é irrepetível e muito subjetiva, ao depender de testemunhas. Muito mais ainda se for história eclesiástica, e o auge do suspeito lhes parecem as histórias dos milagres. São como o Apóstolo São Tomé, que precisou ver para crer. Para esse tipo de almas incrédulas, que havia até entre os Apóstolos, Nosso Senhor realiza certo tipo de milagres, de forma que não possam alegar a falta de provas. E uma dessas provas é a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, no México.(1)

Breve resumo da história

Os problemas para eles começam com o fato de ter-se conservado o manto de Juan Diego, no qual está impressa até hoje a imagem. Esse tipo de manto, conhecido no México como tilma, é feito de tecido grosseiro, e deveria ter-se desfeito há muito tempo. No século XVIII, pessoas piedosas decidiram fazer uma cópia da imagem, a mais fidedigna possível. Teceram uma tilma idêntica, com as mesmas fibras de maguey da original. Apesar de todo o cuidado, a tilma se desfez em quinze anos. O manto de Guadalupe tem hoje 475 anos, portanto nada deveria restar dele.No dia 9 de dezembro de 1531, na cidade do México, Nossa Senhora apareceu ao nobre índio Quauhtlatoatzin — que havia sido batizado com o nome de Juan Diego — e pediu-lhe que dissesse ao bispo da cidade para construir uma igreja em sua honra. Juan Diego transmitiu o pedido, e o bispo exigiu alguma prova de que efetivamente a Virgem aparecera. Recebendo de Juan Diego o pedido, Nossa Senhora fez crescer flores numa colina semi-desértica em pleno inverno, as quais Juan Diego devia levar ao bispo. Este o fez no dia 12 de dezembro, acondicionando-as no seu manto. Ao abri-lo diante do bispo e de várias outras pessoas, verificaram admirados que a imagem de Nossa Senhora estava estampada no manto. Muito resumidamente, esta é a história, que foi registrada em documento escrito. Se ficasse só nisso, facilmente poderiam os céticos dizer que é só história, nada há de científico.

Uma vez que o manto (ou tilma) existe, é possível estudá-lo a fim de definir, por exemplo, o método usado para se imprimir nele a imagem. Comecemos pela pintura. Em 1936, o bispo da cidade do México pediu ao Dr. Richard Kuhn que analisasse três fibras do manto, para descobrir qual o material utilizado na pintura. Para surpresa de todos, o cientista constatou que as tintas não têm origem vegetal, nem mineral, nem animal, nem de algum dos 111 elementos conhecidos. “Erro do cientista” — poderia objetar algum cético. Difícil, respondemos nós, pois o Dr. Kuhn foi prêmio Nobel de Química em 1938.(2) Além do mais, ele não era católico, mas de origem judia, o que exclui parti-pris religioso.

No dia 7 de maio de 1979 o prof. Phillip Serna Callahan, biofísico da Universidade da Flórida, junto com especialistas da NASA, analisou a imagem. Desejavam verificar se a imagem é uma fotografia. Resultou que não é fotografia, pois não há impressão no tecido. Eles fizeram mais de 40 fotografias infravermelhas para verificar como é a pintura. E constataram que a imagem não está colada ao manto, mas se encontra 3 décimos de milímetro distante da tilma. Para os céticos, outra complicação: verificaram que, ao aproximar os olhos a menos de 10 cm da tilma, não se vê a imagem ou as cores dela, mas só as fibras do manto.

Convém ter em conta que ao longo dos tempos foram pintadas no manto outras figuras. Estas vão se transformando em manchas ou desaparecem. No caso delas, o material e as técnicas utilizadas são fáceis de determinar, o que não acontece com a imagem de Nossa Senhora.

Os olhos da imagem

    Um olho da Imagem visto de perto
Talvez o que mais intriga os cientistas sobre o manto de Nossa Senhora de Guadalupe são os olhos dela. Com efeito, desde que em 1929 o fotógrafo Alfonso Marcué Gonzalez descobriu uma figura minúscula no olho direito, não cessam de aparecer as surpresas. Devemos primeiro ter em vista que os olhos da imagem são muito pequenos, e as pupilas deles, naturalmente ainda menores. Nessa superfície de apenas 8 milímetros de diâmetro aparecem nada menos de 13 figuras! O cientista José Aste Tonsmann, engenheiro de sistemas da Universidade de Cornell e especialista da IBM no processamento digital de imagens, dá três motivos pelos quais essas imagens não podem ser obra humana:

• Primeiro, porque elas não são visíveis para o olho humano, salvo a figura maior, de um espanhol. Ninguém poderia pintar silhuetas tão pequenas;

• Em segundo lugar, não se consegue averiguar quais materiais foram utilizados para formar as figuras. Toda a imagem da Virgem não está pintada, e ninguém sabe como foi estampada no manto de Juan Diego;

• Em terceiro lugar, as treze figuras se repetem nos dois olhos. E o tamanho de cada uma delas depende da distância do personagem em relação ao olho esquerdo ou direito da Virgem.

Esse engenheiro ficou seriamente comovido ao descobrir que, assim como os olhos da Virgem refletem as pessoas diante dela, os olhos de uma das figuras refletidas, a do bispo Zumárraga, refletem por sua vez a figura do índio Juan Diego abrindo sua tilma e mostrando a imagem da Virgem. Qual o tamanho desta imagem? Um quarto de mícron, ou seja, um milímetro dividido em quatro milhões de vezes. Quem poderia pintar uma figura de tamanho tão microscópico? Mais ainda, no século XVI...

Tentativa de apagar o milagre
Assim como meu conhecido não desejava falar do Santo Sudário, outros não querem ouvir falar dessa imagem, que representa para eles problemas insolúveis. O anarquista espanhol Luciano Perez era um desses, e no dia 14 de novembro de 1921 colocou ao lado da imagem um arranjo de flores, dentro do qual havia dissimulado uma potente bomba. Ao explodir, tudo o que estava perto ficou seriamente danificado. Uma cruz metálica, que ficou dobrada, hoje se conserva no templo como testemunha do poder da bomba. Mas... a imagem da Virgem não sofreu dano algum.

E ainda ela está hoje ali, no templo construído em sua honra, assim como uma vez esteve Nosso Senhor diante do Apóstolo São Tomé e lhe ordenou colocar sua mão no costado aberto pela lança. São Tomé colocou a mão e, verificada a realidade, honestamente acreditou na Ressurreição. Terão essa mesma honestidade intelectual os incrédulos de hoje? Não sei, porque assim como não há pior cego do que o que não quer ver, não há pior ateu do que o que não deseja acreditar. Mas, como católicos, devemos rezar também por esse tipo de pessoas, pedindo a Nossa Senhora de Guadalupe que lhes dê a graça de serem honestas consigo mesmas.

E-mail do autor: valdisgrinsteins@catolicismo.com.br

Notas :
1. Para a elaboração deste artigo, utilizamos o material publicado no sitehttp://www.reinadelcielo.org/estructura.asp?intSec=1&intId=42, ao qual remetemos os leitores interessados em mais dados.
2. http://nobelprize.org/chemistry/laureates/index.html