sexta-feira, 2 de setembro de 2011

BOTE FÉ! JMJ RIO-2013: É A NOSSA VEZ!

Por Cardeal Odilo Scherer


Cardeal Odilo Pedro Scherer
SÃO PAULO, sexta-feira, 2 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) da Espanha mal terminou e já estamos envolvidos na preparação da próxima jornada, que acontecerá no Brasil em menos de dois anos! Mais exatamente de 23 a 28 de julho de 2013, no Rio de Janeiro. Antes disso, porém, haverá os dias da pré-jornada, envolvendo, de alguma forma, o Brasil todo, com jovens vindos de numerosos países de todo o mundo, a serem acolhidos em nossas dioceses e paróquias. Na Espanha, vinham de 170 países!



De fato, a próxima Jornada já começa no próximo dia 18 de setembro, quando serão acolhidos os sinais da JMJ, a Cruz e o ícone de Nossa Senhora em nossa cidade, como ponto de partida para sua peregrinação por todo o Brasil. Com a presença desses dois sinais da JMJ, as juventudes das dioceses e comunidades locais poderão se preparar para sua peregrinação, finalmente, ao Rio de Janeiro, em julho de 2013.

Para o dia 18 de setembro, está sendo preparado o evento chamado Bote Fé, no Campo de Marte, com cantores, celebrações, testemunhos e várias outras iniciativas e atrações, para envolver a juventude e também os adultos e crianças, das 9h às 21h; a Cruz da JMJ será acolhida festivamente às 16h no local; em seguida, haverá a missa. É a hora de manifestarmos nossa fé, carinho e apoio à juventude. Paróquias, famílias, grupos, movimentos, pastorais, organizações juvenis, escolas, todos estão convidados! O êxito do evento dependerá do envolvimento de todos nós, católicos paulistanos e paulistas!
De fato, a preparação e a realização da JMJ-Rio 2013 será uma “tempo favorável”, uma graça especial para a juventude em nosso país. É ocasião para não se perder e para aproveitar desde o primeiro momento, que será, justamente, a acolhida da Cruz em São Paulo, no dia 18. Em seguida, ela permanecerá em nossa Arquidiocese por alguns dias, em várias igrejas e locais, para que muitos tenham a oportunidade de venerar esses sinais, que já emocionaram milhões de jovens nas jornadas.
Para nossa alegria, o papa Bento 16 já definiu o tema da JMJ-Rio 2013: “Ide, pois, fazei discípulos entre todas as nações!” (Mt 28, 19); está na continuidade do tema da JMJ de Madrid: Estar “firmes na fé, enraizados e edificados em Cristo”, deve levar espontaneamente e organizadamente a “fazer discípulos” de Cristo. A fé, quando verdadeira, não fica guardada somente para si, mas torna-se contagiosa! Está na continuidade também dos temas que movem a evangelização na América Latina, depois da Conferência de Aparecida (2007): “discípulos missionários de Jesus Cristo, para que, nele, nossos povos tenham vida”.
No final da JMJ de Madrid, o papa Bento 16 convidou os jovens a retornarem aos seus 170 povos diversos, para contar aos outros o que viram e ouviram durante aqueles dias memoráveis... Não é diverso daquilo que Jesus mandou os discípulos fazerem, ao enviá-los em missão entre todos os povos. Os cristãos têm muito para anunciar aos povos! E também têm bons motivos para convidar outras pessoas para irem ao encontro de Cristo, deixando-se envolver e encantar por ele... A festa que está sendo preparada para o dia 18 de setembro, no Campo de Marte, já será uma boa ocasião para fazer isso!
Publicado no jornal O SÃO PAULO, edição de 30/08/2011
Cardeal Odilo Pedro Scherer é arcebispo de São Paulo

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

HOJE, MARCHA PELA VIDA - ZIMBALDI: é preciso garantir os direitos civis daquele que está para nascer


25/08/2011 16:45

Marcha quer entregar abaixo-assinado pró-Estatuto do Nascituro na quarta-feira

Saulo Cruz
Salvador Zimbaldi
Zimbaldi: é preciso garantir direitos civis daquele que está para nascer.
Na próxima quarta-feira (31), será realizada na Esplanada dos Ministérios a 4ª Marcha Nacional da Cidadania pela Vida – a concentração terá início às 15 horas, em frente ao Museu Nacional. O movimento pretende entregar ao presidente da Câmara, Marco Maia, um abaixo-assinado com 50 mil assinaturas em defesa da proposta do Estatuto do Nascituro (PL 478/07), que estabelece proteção jurídica à criança que ainda vai nascer. Nascituro é o ser humano concebido, mas ainda não nascido.
Organizada pelo Movimento Nacional da Cidadania pela Vida - Brasil sem Aborto, a marcha foi lançada ontem na Câmara e conta com o apoio da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Vida - Contra o Aborto.

O coordenador do colegiado, deputado Salvador Zimbaldi (PDT-SP), ressalta que a passeata quer mobilizar a população: "Atualmente, um indivíduo que está sendo gerado no útero é um cidadão sem direitos, porque ele pode ser abortado, pode ser assassinado, sem que tenha direito à defesa. O objetivo da marcha neste ano é fazer com que o Congresso Nacional e a sociedade se mobilizem pela aprovação do Estatuto do Nascituro, ou seja, para garantir os direitos civis daquele que está para nascer".
A proposta define que a vida começa na concepção. O objetivo é estender ao nascituro direitos que hoje são garantidos apenas aos já nascidos, como o direito à vida, à saúde, à honra, à integridade física, à alimentação e à convivência familiar. 
O projeto também concede direito à doação, como defende a cantora Elba Ramalho, participante do movimento. "Tenho três filhas adotadas. Quando a primeira nasceu, disseram que ela ia ter problemas, mas não quis saber e a adotei do mesmo jeito. Minha filha é inteligente, linda, não tem nada, sua saúde é perfeita. Não dá para se desfazer de um filho”, afirma a artista.
A secretária nacional do Movimento Brasil Sem Aborto, Damaris Alves, acredita que, por meio do Estatuto do Nascituro, políticas públicas serão incentivadas para que a mulher grávida seja mais bem assistida no País. "O Brasil tem uma história de estatutos. Temos o Estatuto do Idoso, o da Criança, está sendo construído o Estatuto do Deficiente, e temos até o Estatuto do Torcedor. Por que não o Estatuto do Nascituro, né?", diz.
Substitutivo
A marcha defende o substitutivo da deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), que foiaprovado em maio do ano passado pela Comissão de Seguridade Social e Família. O substitutivo não altera o artigo 128 do Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40), que autoriza o aborto praticado por médico nos casos de estupro e de risco de morte para a mãe. 
Em caso de estupro, o texto prevê assistência pré-natal, com acompanhamento psicológico para a mãe, e o direito de o filho ser encaminhado à adoção, caso a mãe concorde. Identificado o genitor do nascituro ou da criança já nascida, este será responsável por pensão alimentícia e, caso ele não seja identificado, o Estado será responsável pela pensão.
Ao nascituro com deficiência, a proposta garante todos os métodos terapêuticos e profiláticos existentes para reparar ou minimizar sua deficiência, haja ou não expectativa de sobrevida extrauterina.
O projeto original proibia a manipulação, o congelamento, o descarte e o comércio de embriões humanos, com a única finalidade de serem suas células transplantadas em adultos doentes. O substitutivo retirou essa proibição.
A proposta ainda precisa será votada pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de seguir para o Plenário.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto/Rádio Câmara
Edição – Marcelo Oliveira

Corrupção: “direito”

Dom Aldo Pagotto
Recebi uma preciosa reflexão de autoria da filósofa Ayn Rand, de origem judaica russo-americana, fugitiva da revolução comunista, fixada nos EUA na década de 1920. Eis sua visão sobre a realidade sócio-política:

“Quando você perceber que para produzir precisa obter autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia com favores e não com bens; quando perceber que muitos ficam ricos por suborno e influência, mais que pelo trabalho; que as leis não nos protegem, ao contrário, (corruptos) estão protegidos contra você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade converte-se em (sacrifício) imolação de si próprio; então poderá afirmar sem temor de errar que a sua sociedade está condenada”.

A reflexão de Ayn Rand desmascara o expediente da corrupção. A corrupção torna-se um “direito” se for utilizada como estratégia comum de governabilidade democrática. Absurdo. A presidente Dilma tenta enfrentar a desfaçatez de ministros e chefes de comando lotados em cargos de confiança, acusados de corrupção ativa e passiva. A reação deles foi de protesto, retirando-se da base de sustentação do governo. O chamado do feito à ordem desestabiliza a governabilidade democrática brasileira.

A atitude da presidente Dilma provocou a ira e a vingança por parte de aliados oportunistas. Na verdade eles buscam cargos de confiança para se locupletar, sem demonstrar interesse pelo bem da coletividade ou pelo desenvolvimento da população. Ora, eles colocam em jogo não somente a arte das coalizões dos partidos políticos, bem como a continuidade do mandato da presidente. A democracia participativa demonstra a sua fragilidade e insuficiência se não defender seus próprios ideais.

A democracia representativa sofre um processo de desmoralização devido ao expediente costumeiro da corrupção, qual fosse um “direito”. Homens incumbidos da gestão da “res pubblica” ora respondem às graves acusações de prevaricação que devem ser apuradas com rigor. Que se evitem jogos de influências e apadrinhamentos politiqueiros. Corruptos sejam responsabilizados a devolver ao erário o que foi surrupiado. Abandonem a política, hoje comparada a um balcão de negócios rentáveis.

Não obstante o regime político no Brasil seja presidencialista, nossa Constituição Federal de 1988 é parlamentarista. Ante as crises e impasses como atualmente em cartaz, nossa Constituição prevê uma eventual consulta direta aos cidadãos. Por certo isso não acontecerá, pois falta regulamentação à disposição constitucional. Nossa Carta Magna dispõe de poucos instrumentos participativos, tais como o plebiscito revogatório de mandato, o veto popular de leis ou os referendos de iniciativa popular.

O regime parlamentar resolve impasses como o da atual instabilidade governamental brasileira. O regime parlamentar não admite resultados fantasmas que resultariam na queda de governo ou na dissolução do Congresso, seguindo-se novas eleições. Entanto, o presidencialismo dispõe de manobras, sobretudo de acomodação, é o famoso “jeitinho brasileiro”. Como cidadãos e cidadãs, eleitores(as) conscientes, corresponsáveis, cabe-nos cobrar dos nossos governantes os resultados dos programas e dos projetos políticos apresentados durante as campanhas eleitorais.
A pergunta do povo é: o que esperar dos partidos políticos e da política brasileira? A sucessão de escândalos encarrega-se de desmotivar o povo, descrente de tudo. É triste admitir a incapacidade de organização e mobilização dos partidos de coalizão, deixando de apresentar ao povo um projeto de nação, com propostas de transformação real.

Dom Aldo Pagotto
Arcebispo da Paraíba
Artigo de Dom Aldo para o Correio da Paraíba (28/08/2011 )

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Pará: Governador firma "Pacto do bem" com bispos católicos


“Um pacto pelo bem” foi estabelecido pelo governador Simão Jatene e a Igreja Católica no Estado, durante reunião nesta segunda-feira, 29, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional Norte 2. No encontro, além do governador, a coordenadora do Pro Paz, Izabela Jatene, os secretários de Estado de Segurança Pública (Segup), Luiz Fernandes, e de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), José Acreano, discutiram sobre assuntos como segurança e educação com os 16 bispos católicos no Pará, que expuseram as principais dificuldades observadas pelos religiosos.

Gov. Simão Jatene, Dom Alberto Taveira, Bispos e membros do governo
“Se a Igreja se dispuser a integrar esse pacto, posso garantir que o Estado estará junto com vocês por uma Cultura de Paz. O que pudermos fazer para resolver os problemas sociais, os senhores podem ter no governo do Estado um parceiro. Sem duvida teremos muitos desafios e não vai ser fácil, mas sei que nós vamos inaugurar uma experiência única, em um pacto pelo bem”, garantiu Simão Jatene.
Para o presidente da CNBB Norte 2, Dom Jesus Cizaurre, a parceria tem tudo para render frutos. “Nosso objetivo é fazer com que a sociedade tenha confiança de que é possível mudar essa cultura de violência e que o Estado pode sim ajudar a promover a transformação social. E acreditamos nisso”, declarou, ressaltando que um dos grandes empecilhos encontrados pela Igreja, até mesmo para apoiar ações do governo, era em não ter um canal de comunicação com o mesmo.
Izabela Jatene, por meio do Pro Paz, foi escolhida para ser esse canal. “Na questão de violência e da educação, por exemplo, reconhecemos que são problemas de difícil solução, mas entendemos que eles se agravam quando a sociedade não tem canais de comunicação com o governo, porque assim as necessidades não chegam até o governador. A escolha da Izabela (Jatene) como nossa intermediária, tanto nos problemas ligados a questão da violência, sobretudo juvenil, quanto na questão da educação acredito que, objetivamente, é o saldo mais positivo dessa reunião”, avalia Dom Jesus.
Segundo Izabela, a interlocução do governo do Estado, através do Pro Paz, com a CNBB, vem em um momento fundamental. “Nós sabemos o quanto ela é uma instituição forte e o quanto dispõe de capilaridade, que muitas vezes consegue chegar onde nós não conseguimos, com organizações institucionais tradicionais e burocráticas, que é a nossa lógica governamental. O que sempre digo é que as igrejas tem um papel fundamental na transformação social, desde que elas estejam apoiadas por outra rede executiva institucional. E com essa reunião, essa rede está estabelecida”, afirmou.
O próximo passo deverá ser dado pelos bispos, que deverão elencar e repassar os temas prioritários e suas propostas de atuação. “O que mais queremos é colaborar”, garantiu Dom Jesus. De acordo com Izabela Jatene, ainda nesse primeiro momento, um plano será elaborado para que nas ações “se trabalhe de forma organizada e conjunta”.
Amanda Engelke - Secom

Papa indica o segredo para se realizar


Palavras ao rezar o Angelus com os peregrinos

Bento XVI indicou neste domingo, ao rezar o Angelus com os peregrinos em Castel Gandolfo, o “segredo” para se realizar na vida: “perder a si mesmo” no seguimento de Cristo crucificado, para “encontrar a si mesmo na doação pessoal”.

Comentando o evangelho dominical, o Papa destacou que “quando a realização da própria vida está voltada exclusivamente para o êxito social, o bem-estar físico e econômico, já não se pensa segundo a vontade de Deus, mas segundo os homens”.

Pensar segundo o mundo é deixar Deus à parte, não aceitar seu desígnio de amor, é quase impedi-lo de cumprir sua sábia vontade”, disse.

Citando o primeiro volume de seu livro “Jesus de Nazaré”, o Papa explicou que O Senhor ensina que “o caminho dos discípulos é segui-Lo, o Crucificado. Mas nos três Evangelhos, este segui-lo no sinal da cruz... como o caminho do ‘perder-se’, que é necessário para o homem e sem o qual é impossível encontrar a si mesmo”.

O Papa atualizou este ensinamento para os batizados de hoje: “Como aos discípulos, também a nós Jesus dirige o convite: ‘Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me’”.

O cristão segue o Senhor “quando aceita com amor a própria cruz – embora aos olhos do mundo isso aparece como um fracasso e uma ‘perda da vida’ –, sabendo que não a leva sozinho, mas com Jesus, partilhando seu mesmo caminho de doação”.

Colaboração Luiz Turatti

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ARGENTINA - Os Bispos pedem que a discussão sobre a descriminalização do aborto não divida a sociedade e seja livre de violência e agressão


Catedral de Bueno s Aires
A Igreja na Argentina confirmou a sua posição com um documento a favor do direito à vida, rejeitando os projetos de lei que promovem a legalização do aborto, e também solicitou que a discussão sobre esta delicada questão não provoque "divisão na sociedade argentina", mas deve eliminar "todas as formas de violência e agressão". 


Num comunicado da Comissão Permanente da Conferência Episcopal, presidida pelo Cardeal Jorge Bergoglio, 


Arcebispo de Buenos Aires, os bispos reiteraram que "o aborto nunca foi uma solução" e destacou que "quando uma mulher está grávida, não fala de uma vida, mas de duas " e " ambas devem ser preservadas e respeitadas".

Os bispos, reunidos na semana passada, na declaração julgam positivamente a decisão do governo de estender os benefícios da "Contribuição Universal para o filho" (apoio à criança) para as mulheres grávidas a partir do terceiro mês, e a interpretam como um gesto para em defesa do valor da vida humana". Congratulamo-nos com as recentes iniciativas para a proteção da vida nas mulheres grávidas. Esta é uma prioridade absoluta para proteger as mulheres grávidas, especialmente aquelas que estão num estado de exclusão social, ou de dificuldades graves no momento da gravidez" - lê na declaração dos Bispos intitulada "Não uma vida, mas duas".

Para evitar a repetição de um clima de conflito como o que caracterizou o debate sobre a lei do "casamento homossexual", a Igreja pede que os termos utilizados na discussão sobre a descriminalização do aborto "devem ter o maior respeito, eliminando todas as formas de violência e agressão, uma vez que estas atitudes não estão à altura do valor e da dignidade que promovemos".

Mostrando-se dispostos a "ouvir, acompanhar e entender cada situação," os bispos afirmam que "uma decisão legislativa, que considera como positiva a descriminalização do aborto teria conseqüências legais, culturais e éticas". Além disso, a lei como a base do sistema jurídico, tem "um sentido pedagógico para a vida da sociedade".

(CE) (Buenos Aires - Agência Fides, 27/08/2011)
Links: Documento dos Bispos da Argentina (em espanhol)
http://www.fides.org/spa/documents/159cp_episcopado_argentino.pdf

Reação judaica à JMJ: fala David Hatchwell

Entrevista ao vice-presidente da Comunidade Judaica de Madri

“Êxito absoluto”, “gente saudável”, “energia positiva”, “retorno aos valores”: é com esta contundência que se expressa, nesta entrevista, David Hatchwell, vice-presidente da Comunidade Judaica de Madri (www.cjmadrid.org), ao falar sobre a Jornada Mundial da Juventude.


ZENIT: Você deu seu apoio à JMJ antes de que ela fosse realizada. Por que esta aliança com um evento católico de envergadura?

Hatchwell: Quem pensa as mesmas coisas precisa estar junto. Os católicos, como outros grupos, têm direito de expressar-se, ainda que haja protestos contra isso. Têm direito a acreditar no que acreditam e, por este motivo, temos esta proximidade, porque nós, os judeus, sabemos bem o que significa ser menosprezados. Entendemos o que é ser deslegitimados e eu vivo isso constantemente.

Sou muito sensível e não me preocupam somente, mas me incomodam as tendências a deslegitimar as pessoas. Uma pessoa pode não concordar com alguém, mas não deve haver ataques a coletivos de maneira injustificada e fora de contexto. Neste sentido, nosso apoio a um ato como a JMJ é claro. Comemoro o fato de que esta JMJ tenha se realizado e daí vem a proximidade com o evento.

ZENIT: Percebi que você gostou do encontro.

Hatchwell: Sem dúvida, esta viagem do Papa foi um êxito absoluto. É o maior acontecimento das últimas décadas, eu não me lembro de ter visto algo assim. Ver Madri com todo tipo de gente jovem nas ruas, pessoas muito sudáveis, com energia positiva, foi incrível, uma delícia. A avaliação só pode ser positiva.

Todos os dias, na grande variedade de eventos que ocorreram, demonstrou-se que o que se queria era um momento espiritual muito potente, e isso aconteceu.

ZENIT: Houve críticas também.


Hatchwell: Foi só um incidente de poucas pessoas, quando do outro lado havia quase dois milhões. Infelizmente, alguns meios de comunicação descontextualizam e mostram o fenômeno marginal. Mas, para mim, foi um êxito absoluto.

Do que li, me consta que uma empresa internacional – a Price Waterhouse Coopers – faz uma auditoria, o que me parece muito sensato por parte da Igreja, essa transparência.

Além disso, as JMJ contribuíram muito para a cidade de Madri, e por isso não entendo essas tentativas de criticá-la. Muito além de informações de manchetes, o que está claro é que Madri esteve no mapa do mundo vários dias e isso foi muito positivo para a Espanha.

ZENIT: Que aspecto da mensagem do Papa mais chamou sua atenção?


Hatchwell: Sem dúvida, a mensagem foi muito importante, especialmente a reconexão com uma série de valores. Esse apelo transcende um credo específico, não somente mensagens cristãs, mas universais.

O Papa pediu aos jovens que sejam muito valentes com suas convicções. Estamos diante de um relativismo ético muito profundo, com uma tendência a tirar valor das coisas que muita gente tem como princípios básicos da sua educação.

Nisso, estamos totalmente de acordo com o Papa: em uma sociedade moderna, são necessários valores para enfrentar o relativismo e continuar acreditando nas convicções morais que as pessoas têm.

Outro aspecto chamativo da mensagem foi que não vivemos na tirania do indivíduo, não existe um “eu” absoluto, mas hoje há valores comuns coletivos espirituais e o serviço ao outro.

ZENIT: Esses valores são compartilhados entre judeus e cristãos?


Hatchwell: Absolutamente. Judeus e cristãos compartilham valores comuns troncais. Jesus era judeu e os primeiros cristãos também: daí os valores compartilhados que, sem dúvida alguma, continuam sendo os mesmos.

ZENIT: Desde o Concílio Vaticano II, as relações entre a Igreja Católica e o judaísmo melhoraram substancialmente.


Hatchwell: Sabemos que, durante séculos, a relação entre a Igreja e o judaísmo não era em absoluto o que temos agora; melhorou há 40 anos. Eu me sinto privilegiado por viver hoje em dia, em um momento no qual a Igreja percebe de maneira totalmente diferente os judeus.

ZENIT: Os jovens judeus têm encontros como a JMJ?


Hatchwell: Encontros sim, mas não tão grandes. Há reuniões de jovens do mundo inteiro, da Rússia, Etiópia, Estados Unidos, nas quais se reúnem e compartilham valores comuns. Refletem sobre a vida, sobre o serviço ao outro, assumem responsabilidades.

Os jovens são muito importantes na nossa tradição. Os idosos têm mais conhecimentos e experiência, mas o presente e o futuro é dos jovens: é preciso investir sempre neles para que conheçam a base da nossa tradição, vivam-na e possam transmiti-la, pois, se não fazemos esforços com as pessoas jovens, em 30 anos, os números podem mudar.

É preciso dar um elemento cultural básico aos jovens. No meu caso, tenho a sorte de viver em um país democrático, onde tenho direito de observar meu culto; e ficaria feliz se meus filhos o seguissem assim como eu, meus pais e assim por diante. Quero mostrar-lhes que não são responsáveis somente pelo seu microcosmos, que tenham uma vida feliz e plena, com êxito, o que é bom, mas servindo os outros, não somente a comunidade judaica, mas que sejam boas pessoas, altruístas.

Neste sentido, cristãos e judeus, novamente, compartilham valores. Pensemos que o judaísmo nasce como a primeira religião monoteísta, em um momento em que não havia o direito à vida para todos; se a pessoa era escrava, não tinha os mesmos direitos, havia muitos sacrifícios humanos... Os direitos humanos são parte do DNA do judaísmo e foram configurando a sociedade atual, como o cristianismo também.


MADRI, sexta-feira, 26 de agosto de 2011 (ZENIT.org)

(Miriam Díez i Bosch) 

Dois milhões x três mil... E uma saudade

Multidão acompanha Bento XVI na Espanha
Na Espanha, cerca de três mil pessoas protestaram por nada... 


Reclamaram de modo violento, intolerante e irracional do dinheiro público presumivelmente gasto pelo governo espanhol na Jornada Mundial da Juventude. Não houve emprego de dinheiro público; tudo foi pago com o dinheiro das inscrições e doações de empresas. 

Injuriaram e caluniaram o Santo Padre: chamaram-no de fascista e até de pedófilo... Gritaram, ameaçaram, fizeram caretas contra os jovens que se dirigiam ao encontro com Bento XVI. Interessantes, esses tolerantes e democratas, que gritam por respeito e liberdade, desde que sejam para si os que pensam como eles... Os meios de comunicação deram ampla cobertura... Cerca de dois milhões de jovens foram ver o Papa, rezar com o Papa, com o Papa professar sua fé em Cristo, único Salvador do mundo, única esperança da humanidade. Sobre isto, os meios de comunicação quase não falaram ou falaram com superficialidade aviltante...

Interessante: grita-se o tempo todo que Deus morreu, que Cristo passou, que a Igreja já não é levada a sério... E, no entanto, os fatos desmentem tudo isto a cada viagem do Santo Padre. Os inimigos da religião, da Igreja, de Deus, do Papa, se agastam, fazem caretas... Não! Deus não morreu, a religião não será nunca obsoleta. 

Ainda que vinte jovens estivessem esperando o Papa, Deus está vivo e o coração humano não sossegará nunca enquanto nele não descansar!

O ateísmo é artificial: tem que ser incutido o tempo todo, explicado teoricamente, incutido praticamente com mil dispersões e superficialidades... A fé, não: é o estado normal e natural do ser humano, feito para o infinito. Tudo que o ateísmo pode fazer é criar uma pseudofé, uma maldita e ridícula religião secular, caricatura de Deus e da experiência religiosa, que humilha o homem e frustra sua sede mais profunda e a razão maior de sua dignidade: diviniza-se o consumo, o prazer, o próprio eu, o poder... Afinal, que é o homem? O que o define em última análise? O pensar? O ser livre? Não! Ainda não! Sua maior peculiaridade é a capacidade de acolher o Infinito, de tender para ele, de dele ter sede! 

O que é o homem? O ser, bicho que não se contenta com nada menor que o infinito, com nada menos que o infinito! Eis o homem: o ser capaz de Deus, saudoso da comunhão com ele! 

Dom Henrique Soares

Bispo auxiliar em Aracaju-SE.
Fonte: Gazetaweb.globo.com - 28.08.2011 | 14h04