sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Jovem religiosa defende o uso público do hábito desafiando a Cristofobia


Oblata de São Francisco de Sales dando aula em Paris,
de hábito completo
A Irmã Ana Verônica, oblata de São Francisco de Sales em Paris, foi convocada juntamente com vários outros professores de Filosofia ao Liceu Carnot, da capital francesa. O objetivo da reunião era combinar a correção de muitas provas da matéria que tinham ficado sem corrigir no fim do ano escolar.   
Ela se apresentou como de costume: com o hábito completo do instituto religioso a que pertence. Sua presença foi pretexto para um rebuliço. Professores laicistas e socialistas exigiram das autoridades do Liceu a expulsão da religiosa. Pretextavam que ela ofendia a laicidade e, de forma caricata e ofensiva, compararam seu hábito com o véu islâmico. As autoridades nada fizeram, pois sabiam que o procedimento da religiosa era irrepreensível do ponto de vista legal. Os professores laicistas exigiram que ela tirasse o hábito. “V. poderia ser mais discreta!”, desabafou uma professora laicista.
Propaganda cristofóbica caricata não adiantou
- “Eu não posso fazer melhor nem pior. Eu devo levá-lo”, respondeu a jovem religiosa. Os jornais fizeram estardalhaço com o fato e o secretariado geral do ensino católico exigiu que a irmã Ana Verônica desse prova de “juízo” e comparecesse usando roupas civis. Com tom sereno e respeitoso, mas firme, a freira respondeu a seus detratores em carta publicada pelo jornal parisiense “La Croix”, de 13-07-2011: “Nós repetimos claramente que jamais tiraremos nosso hábito. ... “Um hábito religioso é o sinal da resposta a um chamado para se consagrar a Deus, que nem todos os batizados recebem. “Desde 8 de setembro de 2004, data de minha entrada na vida religiosa, minha vida mudou muito e o hábito não é mais que a expressão visível disso. “Comparecer agora de outra maneira, sem o hábito religioso, é uma coisa impossível para mim, pois eu não uso mais outros vestidos que não sejam os de minha consagração religiosa.“Eu não sou religiosa por horas.“Fazemos a profissão para viver seguindo Cristo até a morte.“Esta consagração religiosa inclui todas as dimensões de nosso ser: corpo, coração, alma e espírito. “O jovem homem rico do Evangelho recuou diante do apelo de Jesus para segui-Lo, quando Ele posou seu olhar sobre ele.
Religiosas em procissão na Polônia
“Isso significa que a decisão de se consagrar a Deus não é fácil de tomar. Ela pressupõe certas renúncias... “O hábito religioso é sinal desse fato. Ele pode, portanto, ser um sinal de contradição. Nós sabemos que nosso hábito não deixa indiferentes as pessoas. Ele é um testemunho da presença de Deus. “Por meio dele nós relembramos, de modo silencioso mas eloqüente, que Deus existe neste mundo que se obstina a não querer pensar nem sequer na possibilidade da transcendência divina. “Mas, Jesus nós diz no Evangelho que o servidor não é maior que seu mestre. Vós conheceis a continuação? “Se eles me perseguiram, eles vos perseguirão também” (Jn 15, 20). “E Jesus acrescentou: “As pessoas vos tratarão assim por causa de Mim, porque eles não conhecem Aquele que me enviou” (Jn 15, 21). A carta da corajosa irmã Ana Verônica causa viva impressão na França.
Colaboração de José Sérgio Costa

Prole do mensalão dá as cartas


Sen. Demóstenes Torres
O escândalo do mensalão legou ao Brasil uma prole cevada na pilhagem. Cristalizou-se a certeza de que o crime compensa. E, se o desfalcado foi o Erário, compensa muito mais.
Todos continuam ricos e soltos. Quem perdeu o mandato já está à margem da liberdade para nova eleição. A papelada em poder do Supremo Tribunal Federal não assusta a pessoas desse jaez, useiras em ser acossadas à luz da lei.
O mensalão, portanto, é o pai da série de escândalos no governo da mãe do PAC.
À época dos episódios que redundaram na CPI dos Correios, Dilma Rousseff era ministra de Minas e Energia. O resultado de seu trabalho na área é outro aumentativo, o apagão.
Suas digitais ficaram fora do pagamento de mesada a parlamentares, mas foi um presente e tanto para Dilma. O vácuo político surgido com a saída de José Dirceu gerou a proximidade dela com Lula e, em consequência, o comando do primeiro escalão.
Daí para a candidatura foi um pulo no escuro. Em resumo, o mensalão é pai também da mãe do PAC, que aproveitou o método, beneficiou-se dele e vê os valores sendo inflacionados.
Com Dilma mandando, coincidentemente, ocorreu um rito de passagem, dos batedores de carteira para os que carregam o cofre. Foi-se o tempo dos trocados (a filmagem pioneira mostrava um servidor dos Correios recebendo R$ 3 mil), começou a era do bilhão (soma das malfeitorias nos Transportes e suas siglas).
Fim dos disfarces: para que ir a agência bancária receber cinquentinha se pode montar um escritório no andar de licitação do ministério? É outra filha do mensalão, a impunidade, aparecendo com uma neta, a tese do “foi o outro”.
Surge o porém de ser impossível fugir da responsabilidade. Os casos que explodem com Dilma presidente foram gestados com Dilma ministra. Se hoje está à frente de tudo, antes estava por trás de cada ação, como se vangloriava junto com o criador.
Sua gestão na Casa Civil deu-lhe a Presidência, sua administração na Presidência só podia dar em manchetes ruins. Ao lê-las, sequer as confronta, por sabê-las irrefutáveis: demite uns antes de a revista chegar aos leitores.
Quer a imagem de caçadora de corruptos, mesmo que a mão de exonerar seja a mesma que nomeou. Com partidos mais poderosos contemporiza.
Ao contrário do que desejam os estrategistas do Planalto, mais inflacionada que o volume dos desvios é a exigência da população. Havia a ilusão de o público se contentar com a queda do número 2 da pasta, do chefe da empresa, enfim, de um semidesconhecido.
A fila andou. Para derrubar ministro, a presidente usa o critério Lula. Capitão da Casa Civil é subjugado pelos fatos? Proteja-o enquanto puder e promova saída festiva, com discursos melosos.
Eis o sistema Dilma: falou a verdade sobre colegas, é demitido; passou vergonha em todos pela quantidade de suspeitas, pede demissão. A outros poupa, de acordo com suas conveniências.
A vontade é manter distância para a lama que os nocivos exalam, não enodoar-lhe as vestes. A artimanha, de sucesso com Lula, se esgotou.
Junto com a integridade da própria pele, a presidente tem de salvar a verba pública, pois os que desviam esta não se importarão em arrancar aquela. Estão pouco ligando para execração, desde que não tenham de devolver dinheiro, pois contam com o esquecimento.
Paulo Okamotto, um dos 40 filhos da lista original do mensalão, ficou tão à vontade em escapar que já foi escalado por Lula para pegar R$ 10 milhões com empresários.
Mas o tempo que premiou o chefe dele habita o passado. A sucessora nem precisa contar com tamanha facilidade, até porque mais uma crise bate-lhe à porta, fala inglês e derruba mercados.
Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM/GO)
Fonte: Blog do Noblat - Enviado por Demóstenes Torres - 
10.8.2011
 | 16h08m

O novo PT de sempre


- Estado de S.Paulo -      

"O PT sempre foi muito cioso na defesa da aplicação correta dos recursos públicos e do combate à corrupção." Essa afirmação do presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, deputado Ruy Falcão, em declarações à TV Estadão, é um espanto. Na entrevista concedida para dar conta das decisões da reunião do diretório nacional do partido realizada no último dia 5 no Rio de Janeiro, a frase de efeito de Falcão é coerente com o discurso que vem sendo feito pelos petistas desde a fundação do partido, há mais de 30 anos. 
E foi com esse discurso que o lulopetismo chegou ao poder em 2002. Mas a realidade que transparece depois de dois mandatos presidenciais consecutivos, e se apresenta hoje como uma verdadeira herança maldita para a presidente Dilma Rousseff, é que o PT no poder, em nome de uma capciosa governabilidade, rebaixou ao nível do mais baixo fisiologismo o jogo político e a arquitetura do arco de alianças que desde a ascensão de Lula dá apoio ao governo.
O resultado está, diariamente, no noticiário: uma sucessão sem fim de denúncias de corrupção nos mais altos escalões da máquina administrativa e uma inevitável "faxina" que, pelo andar da carruagem, não poderá ficar restrita ao Ministério dos Transportes. A afirmação de Ruy Falcão é, portanto, apenas retórica. O mesmo tom, aliás, permeia todo o documento do diretório nacional do PT, numa clara tentativa de resgatar a imagem de partido "ideológico" que se dissipou ao longo de dois mandatos presidenciais marcados pelo pragmatismo nas alianças políticas. Como no plano nacional a situação política é delicada, o documento preferiu dar ênfase às questões internacionais. Sob o título geral O Brasil frente à crise atual do capitalismo: novos desafios, a primeira parte do documento se dedica a questões menos incômodas do que as sucessivas crises que o governo petista tem enfrentado. "A crise internacional - que é o subtítulo dessa primeira parte - está associada ao ideário e ao programa neoliberal", cujos defensores são "setores da oposição, da mídia e dos setores do grande capital, especialmente o financeiro".
Nenhuma referência, é claro, ao fato de toda a política econômico da administração petista ter-se baseado nos mesmos fundamentos "neoliberais" que promoveram o fim da inflação e a estabilidade econômica nos governos Itamar e FHC. O foco, com o maniqueísmo de sempre, está no combate ao Mal, com extrapolações que desviam as atenções para bem longe da realidade brasileira: "O PT expressa sua solidariedade aos jovens, aos trabalhadores, aos migrantes e a todos os setores que combatem o neoliberalismo e repudia o nacionalismo de extrema direita, que mostrou sua verdadeira face no atentado ocorrido recentemente na Noruega".
Em sua segunda parte, o documento petista desembarca, finalmente, no País. E, desde logo, deixa claro a que vem: "O programa de desenvolvimento do País levado a efeito pelo governo Lula projetou o Brasil no mundo, na medida em que se constituiu em alternativa efetiva às políticas neoliberais". E vai em frente mencionando as medidas "necessárias à ampliação das condições de financiamento do Estado"; diz que "parte do processo de democratização do Estado brasileiro depende, em grande medida, da realização da Reforma Política" - que não detalha - e sinaliza que o "controle social" da mídia ainda é meta a ser atingida: "Vem aí, neste segundo semestre, o debate sobre o novo marco regulatório dos meios de comunicação. Para o PT e para os movimentos sociais, a democratização dos meios de comunicação no País é tema relevante e um objetivo comum com os esforços de elaboração do governo Lula e os resultados da I Conferência Nacional de Comunicação".
Finalmente, nas duas últimas de suas 201 linhas, o documento faz rápida menção aos escândalos de corrupção que o governo petista enfrenta no momento: "O Diretório Nacional do PT manifesta, por fim, seu apoio às medidas que o governo Dilma - dando continuidade ao que fazia o governo Lula - adota contra a corrupção". E basta. 
Fonte: Estadão  - 10 de agosto de 2011 | 0h 00

Este Brasil corrupto é expressão do jeito Lula de fazer política. E ele ainda acha pouco!


Este Brasil que manda a política para a página de polícia é uma criação genuína de Luiz Inácio Lula da Silva. Não! O lulo-petismo não inventou a corrupção. Mas foi o Babalorixá de Banânia quem a transformou numa categoria de pensamento, numas das formas do “ser político”, num “fazer” supostamente respeitável, num verdadeiro “saber” que se transmite às gerações futuras. Mais perverso do que ter transformado a corrupção num método, Lula fez dela uma forma de “resistência política”, contra supostas elites que estariam a espreitar a verdadeira revolução que ele diz ter feito no Brasil.
Essa visão de mundo ganhou adeptos, gerou peroração acadêmica, contaminou o jornalismo. Não se leu há dias na imprensa uma análise segundo a qual o que falta a Barack Obama nos EUA é justamente um PMDB? A corrupção seria dotada, assim, de uma virtude saneadora, que amaina os espíritos, que arredonda as agudezas ideológicas, que faz convergir para o centro os extremos, que desarma os espíritos, que transforma a convicção que divide na conveniência que une. E se dá a isso o nome de “governabilidade”. E Lula, como veremos, se mobiliza para que a lambança tenha longa duração.
Pouco importa, nessa perspectiva, o grau de comprometimento pessoal do próprio Apedeuta com a corrupção. Interessa aqui o modelo que ele erigiu de modo meticuloso, sistemático, organizado. Ele foi o arquiteto dessa forma de exercício de poder, mas o grande engenheiro da obra, justiça se faça, foi mesmo José Dirceu. Os dois transformaram o partido que não se coligava com ninguém no partido que se une ao capeta se o rabudo, afinal de contas, aceitar fazer a genuflexão - pelo que será regiamente recompensado. É isto: o PT é o partido que seduziu o diabo; normalmente, é o chifrudo que seduz os incautos. E, antes que continue, uma nota esclarecedora à margem: eu não estou afirmando que os petistas aprenderam maus costumes na convivência com os PMDBs e PRs da vida, não! Não há nada que essa gente possa ensinar a um petista que este já não saiba de berço - refiro-me ao berço partidário. O que estou afirmando é que os petistas profissionalizariam o saque ao poder. Perto do que se tem hoje, ícones de certo modo de fazer política, como Adhemar de Barros, Paulo Maluf ou Fernando Collor, revelam-se amadores primitivos. Fim da  nota à margem. Sigamos.
A bagunça partidária brasileira e isso que chamam “presidencialismo de coalizão” facilitam o saque. Como explicar, por exemplo, a um estrangeiro que não conheça direito a realidade brasileira que o maior partido do país, o PMDB, concorreu com candidato próprio à Presidência da República uma única vez depois da redemocratização, em 1989? Não obstante, está no poder desde o fim do Regime Militar, em 1985.
Os petistas tomaram uma dura lição em 1994 e 1998. Derrotados pelo Plano Real, que combateram com unhas e dentes, entenderam que FHC teve de liderar uma coligação forte para vencer, governar e implementar a sua agenda. O PT fez uma leitura peculiar do processo. Também ele se abriria à adesão de quem quisesse aderir, mas, dado certo déficit de credibilidade no establishment político - embora contasse com amplo apoio do eleitorado -, teria de pagar um prêmio maior do que pagava “o outro lado”, o adversário. Lula venceu a disputa em 2002 e foi às compras. O principal alvo foi justamente o PMDB, que se coligara com o tucano José Serra. Essa foi a costura mais importante feita, então, por José Dirceu, o “homem forte” do regime que se iniciava ali.
Políticos antes hostis ao PT, empresários, o setor financeiro, o baixo-claro do Congresso, críticos ferrenhos do partido… Todos descobriram um Lula de uma formidável generosidade, como, de fato, nunca antes… Ele, sim, sabia negociar e fazer concessões. A conversa era franca, sem medo, com aquele pragmatismo sindical de que o líder tanto se orgulhava. Para as massas, afinal, ali chegava o redentor, o que viria mostrar o valor do povo, combater as elites etc e tal. Vocês conhecem a cascata. Tudo, então, era permitido. É evidente que o mensalão, por exemplo, não foi um desvio, uma vacilo, um erro, uma transgressão. Era um método. Não por acaso, estão envolvidos na lambança o presidente do partido, o tesoureiro, o presidente do Câmara e o chefe da Casa Civil. Até o marqueteiro de campanha foi pago com dinheiro confessadamente ilegal.
Nunca antes na história destepaiz um presidente havia sido tão generoso e, em muitos aspectos, verdadeiramente “descentralizador”. Garantida a fidelidade exigida, Lula, vamos dizer assim, liberou as “forças fisiológicas”. Cada aliado fizesse em seu feudo o que bem entendesse, atendidas algumas pequenas exigências. A conjuntura favorável - e vou me dispensar dos detalhes agora - favoreceu a consolidação do seu modelo de gestão, que persiste até agora.
Reforçando…Ontem, Lula almoçou no Palácio das Laranjeiras, no Rio, residência oficial do governador Sérgio Cabral (PMDB). Estavam presentes parlamentares, ministros e secretários estaduais e municipais de diversos partidos da base: PT, PMDB, PDT, PSB, PC do B, PSC e PRB. O Babalorixá mandou um recado: se todos estiverem unidos em 2012, ele estará no palanque. Vai ficar longe das cidades em que os partidos da base se dividirem. Como se nota, ele força a mão para que candidatos sejam verdadeiros chefes de uma arca de Noé, reunindo um pouco de tudo. Foi assim que impôs, por exemplo, que o PT do Maranhão, adversário histórico dos Sarneys, apoiasse a candidatura de Roseana ao governo do Estado.
Ora, aonde isso leva? Sob o guarda-chuva do lulo-petismo, abrigam-se, então, os mais diversos interesses. Não se constroem candidaturas com uma proposta, uma agenda, um programa, um rumo. Faz-se um amontoado para ganhar a disputa e, depois, dividir o poder. Não é um condomínio, mas um cortiço, em que cada casa de cômodo segue as suas próprias regras. A realidade política brasileira, reitero, com suas dezenas de partidos e uma espantosa indefinição ideológica, já predispõe o país à corrupção. O “modelo Lula” leva isso ao paroxismo.
O PR e o PMDB, por exemplo, estão magoadíssimos e prometem retaliação - se possível, “retalhação” também… - a quem queira ouvir. Sentem-se traídos. Não foi isso o que Lula lhes prometeu. Não é esse o acordo, vamos dizer, histórico feito com o PT. Afinal, o combinado é que cada um tenha o “seu” pedaço, desde que colabore, é evidente, com o governo federal.
ATENÇÃO! ESSES PARTIDOS PROMETERAM FIDELIDADE AO GOVERNO, NÃO VERGONHA NA CARA! ISSO NÃO ESTAVA NO COMBINADO. ISSO NÃO ESTAVA NO PREÇO. E não que o PT esteja fazendo tais exigências, entendam bem. Mas essa imprensa, vocês sabem como é… Se bem se lembram, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, afirmou que ela não contribui para a “formação cidadã” - ou porcaria do gênero.
A pouca-vergonha a que assistimos é a expressão do mais puro modo lulista de conduzir a política. Os larápios saltaram da margem para o centro do poder. Passaram a dar as cartas em ministérios. E, como se conclui da reunião havida no Rio, Lula tenta dar sobrevida ao modelo. Continua disposto a juntar todos os “patriotas” numa grande frente para tomar de assalto as cidades. Depois é só dividir o conteúdo do cofre. O presidencialismo de coalizão pode até colaborar com a governabilidade. Já o lulismo de coalizão está desgovernado.
Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

ALEMANHA - Infância Missionária financia 2.785 projetos para crianças em todo o mundo


Crianças da Somália
A Infância Missionária Alemã (Die Sternsinger) registrou em 2010 um aumento de 9,9% nas doações, perfazendo um total de 73 milhões de euros. Destes, quase 41 milhões foram recolhidos com a iniciativa "Cantores da Estrela 2009/2010". O restante provém de doações de pessoas físicas e iniciativas pastorais ou de grupos da Infância Missionária. 
Com as doações coletadas, foram financiados 2.875 projetos em 121 países em todo o mundo. "Isto foi possível graças às doações de benfeitores alemães. Somos muito gratos" - diz Dom Klaus Krämer, diretor nacional das Pontifícias Obras da Alemanha e Presidente da Infância Missionária alemã. "As doações do ano passado foram feitas no rastro da comoção suscitada pelas catástrofes naturais no Haiti e no Paquistão" - destaca o Diretor nacional. A estes dois países, com a ajuda de parceiros locais, foram enviadas ajudas de emergência. Segundo Dom Kramer, são necessários ainda projetos de reconstrução em longo prazo..
"No centro de nosso empenho está a promoção do desenvolvimento integral de crianças em todo o mundo. A prioridade nos financiamentos é dada a projetos no setor da instrução" - ressalta Dom Krämer. Além da instrução, os programas mantidos pela Infância Missionária na África, América Latina, Ásia, Oceania e na Europa do Leste se referem à nutrição, integração social, trabalho pastoral e saúde.
(MS) (Agência Fides 09/08/2011)
Links: STERNSINGER - INFÂNCIA MISSIONÁRIA
Relatório anual Infância Missionária 2010

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sustentabilidades

Dom Walmor
No quadro dos tratamentos adequados para a realidade contemporânea, à luz de responsabilidades sociais e políticas, tendo em vista seus inadiáveis e demandados avanços, situa-se o tema pertinente em torno das sustentabilidades.
    
É um imprescindível capítulo para todo e qualquer projeto e programa. Sua abordagem e efetivação são uma obviedade que se configura como exigência determinante no que se faz e para quem se faz. Não se pode fazer por fazer, simplesmente por querer ou sem razões plausíveis em vistas de atendimentos de necessidades e prioridades, com uma competência traduzida na inteligência da sustentabilidade. Assim, sustentabilidade é questão de inteligência e, ao mesmo tempo, de exigência e de respeito à integridade da vida, da natureza e ao conjunto da sociedade nos seus funcionamentos balizados pelos serviços prestados a todos, particularmente aos mais pobres e excluídos. 

A abordagem da sustentabilidade em todos os seus capítulos e diversificadas nuances é um luzeiro que permite diagnósticos importantes na vida social e política de sociedades e nações. Não é, portanto, uma questão que se restringe a uma única dimensão, tal como aquela da economia. Quando, pois, se percorre os diversos cenários que configuram a sociedade contemporânea – como, por exemplo, a nossa, brasileira, tratando basicamente o que a mídia oferece a cada dia -, pode-se chegar à conclusão importante de que as sustentabilidades não são restritas ao que diz respeito à natureza no seu funcionamento, às necessidades humanas na sua sobrevivência ou à manutenção de projetos e programas com seus impactos e influências para a vida chamada moderna.

Vale aqui fazer um rápido percurso nestes cenários contemporâneos bem próximos de todos para detectar uma imprescindível sustentabilidade entre as sustentabilidades, pensadas na sua sofisticação própria de ciência e de estratégia quando se defronta com o mal endêmico da corrupção na sociedade. Referência, por exemplo, ao pedreiro laranja ou ao vendedor, que se descobriram empresários e donos de fortuna, vítimas do uso criminoso de seus nomes em favor de beneficiários que assaltaram os cofres públicos, trazendo enormes prejuízos. 

Na esteira destes absurdos estão aqueles que multiplicam seu patrimônio no exercício de mandatos governamentais. E os dribles dados na Receita Federal? As auditorias de órgãos competentes revelam sobejamente irregularidades de contratos que pesam desafortunadamente aos cofres públicos em detrimento do urgente atendimento de necessidades básicas da população carente, passando fome, subnutrida e enjaulada pela condição abominável de não ter moradia decente. Privada de uma participação digna na vida da sociedade na qual está inserida também como cidadã.

Percorrendo os bastidores da vida política, de encontro ao seu sentido próprio e de grande importância como coluna sustentadora da sociedade, se conhece o fluxo de disputas felinas por cadeiras, poder, domínio de fontes de dinheiro, ainda quando na contramão de uma mínima coerência ideológico-partidária.

É um enorme desafio. Até inexplicável no âmbito da realidade da infraestrutura na sociedade brasileira, em se considerando as demandas existentes como transporte, moradia, saúde e trabalho, a lentidão dos fluxos nas respostas e incompetências contracenando com as possibilidades econômicas, sem deixar de fazer menção ao que já se conquistou. Do bojo deste âmbito determinante para a vida da sociedade surgem escândalos de corrupção, os atrasos advindos das burocracias que revelam má vontade e até preguiça, envenenando a nobreza do altruísmo e do sentido de cidadania, com o usufruto imoral do que pertence ao erário publico e com destinação própria.

Destas questões grandes, hospedadas em cenários que compõem a sociedade contemporânea, se chega facilmente aos desvios de condutas que revelam cidadanias comprometidas - fruto de mesquinhez e de maldades, impedindo uma participação com maior dignidade e nobreza no que diz respeito à edificação da sociedade em maiores ou menores proporções. Desde o que está no seio de uma família, passando por projetos pequenos, mas importantes, até a honestidade esperada nos gestos e nas palavras de cada pessoa, nos âmbitos públicos e privados.

Esta ladainha de descalabros nas suas contas intermináveis produz um prejuízo material incalculável. Atrasos centenários, sacrifícios intoleráveis e um desgosto que desfigura o mais precioso da vida de cada um: o sentido de viver. Este mal não é sanado apenas pela inteligência e pela ciência de sustentabilidades outras, senão, ao tudo que tem a ver com a sustentabilidade que advém da moralidade.

A moralidade é um investimento urgente e permanente sob pena de comprometer, com desarranjos e preponderância da tendência natural de desorganização, a inviabilização de outras pretendidas sustentabilidades.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Saúde na UTI é o problema das mortes das mulheres e das demais pessoas


Aparelhos de ultrassom em SP têm ociosidade de 40%; espera é de 3 meses

Problema de gestão também foi constatado pelo Tribunal de Contas do Município nos equipamentos de ressonância magnética, tomografia, mamografia e densitometria óssea de 35 das 52 unidades da rede municipal; secretaria diz que treina mais profissionais

09 de agosto de 2011 | 0h 00

Karina Toledo - O Estado de S.Paulo
Quem depende da rede municipal de saúde tem de esperar em média de dois a três meses para fazer um exame de ultrassom, segundo dados do Tribunal de Contas do Município (TCM). No entanto, auditoria realizada pelo órgão no ano passado apontou ociosidade em quase 40% dos aparelhos da rede. O problema de gestão também foi constatado nos equipamentos de ressonância magnética, tomografia, mamografia e densitometria óssea.
Paulo Liebert/AE-4/8/2011
Paulo Liebert/AE-4/8/2011
Espera. Fabiana Ribeiro com o filho Gabriel; ela aguardou mais de um ano por um ultrassom e acabou pagando pelo exame
A auditoria foi feita em 35 das 52 unidades da rede. No caso do ultrassom, a principal causa da ociosidade foi a falta de médicos especialistas na realização do exame. O Hospital Municipal e Maternidade Professor Mário Degni, na zona oeste, por exemplo, conta com dois aparelhos e apenas um médico para operá-los. Na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Campinas, zona sul, só há profissionais para operar o ultrassom às segundas e quartas-feiras.
Já a ociosidade dos equipamentos de ressonância (cujo tempo médio de espera é de 2,1 meses), tomografia (2,2 meses), densitometria (3,5 meses) e mamografia (espera não verificada) é atribuída pelo TCM a falhas na regulação das vagas por parte da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Segundo o relatório, há unidades da rede municipal que realizam um número de exames muito abaixo da média, embora os equipamentos estejam em boas condições e haja médicos para fazer os exames.
O documento aponta que a secretaria desconhece os equipamentos da rede e não monitora a produção das unidades.
"Cada unidade da rede é uma ilha. Não há monitoramento do conjunto para que se possa atuar nos pontos críticos. A coisa corre solta", diz Maurício Faria, conselheiro do TCM responsável pela área de saúde. Para ele, isso pode ser explicado pelo fato de que o Sistema Integrado de Gestão e Assistência à Saúde (Siga-Saúde) - software que permite o agendamento de consultas, exames e cirurgias na rede municipal - não é utilizado adequadamente. "Muitas UBSs ainda adotam o método de "contabilidade de padaria": anotam o nome do paciente num papel e dizem que vão dar o retorno quando conseguirem encaixá-lo."
Demanda real. Segundo Faria, isso impossibilita que se tenha noção da real demanda por exames e consultas na rede e em quais unidades a oferta poderia ser ampliada. A solução, diz o conselheiro, é garantir que em cada unidade exista ao menos um funcionário treinado e disponível para usar o sistema. "Em julho de 2010, o TCM deu prazo de seis meses para que esse problema fosse sanado. Até hoje nada foi feito", diz Faria.
A reportagem procurou o Ministério Público Estadual, que foi acionado pelo TCM para que tomasse providências, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Em nota, a SMS diz que iniciou treinamentos e capacitações para toda a rede municipal de saúde, determinando a utilização adequada do Siga-Saúde. Em relação à falta de médicos, a pasta afirmou ser este um "problema nacional" e informou que a quantidade de profissionais aumentou 58% nos últimos seis anos.
A nota, no entanto, não faz menção a outra falha grave apontada no relatório do TCM: 40% dos 79 equipamentos verificados na auditoria não passam por manutenção preventiva. Segundo o relatório, isso diminui a vida útil do equipamento e representa "risco para os usuários, pois a realização dos exames pode sofrer interrupções".
Efeitos. Em uma rápida visita a um hospital municipal, foi possível constatar os efeitos práticos das falhas de gestão apontadas pelo TCM. São casos como o da auxiliar de enfermagem Sueli Chacon, de 52 anos, que sofreu um derrame e aguarda há dez meses por uma tomografia.
E também da estudante de enfermagem Fabiana Ribeiro, de 26 anos, portadora de hérnia umbilical. Há mais de um ano, Fabiana espera por um ultrassom e acabou optando por pagar pelo exame em um laboratório particular. "Agora aguardo para fazer a cirurgia sem nenhuma previsão de quanto tempo vai demorar. Enquanto isso, tenho de aguentar as dores toda vez que faço esforço físico."
PARA LEMBRAR
Exame é pago, mas não é feito
Em reportagem publicada na semana passada, o Estado revelou que a Prefeitura está pagando à Fundação Instituto de Pesquisa e Diagnóstico (Fidi) - organização social (OS) ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - por exames mesmo quando eles não são feitos. No ano passado, a OS recebeu recursos para a realização de 27,9 mil exames de mamografia nos quatro centros que administra na zona sul, mas só conseguiu fazer 16,4 mil exames - 59% do previsto. A meta para ressonância magnética era de 10,4 mil exames, mas só foram feitos 6,8 mil (65%). Em todos os casos, a OS foi remunerada pela meta definida no contrato. A SMS atribui o não cumprimento das metas ao absenteísmo.
Fonte: Estadão 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Vítimas de estupro poderão ter prioridade em programas sociais

A Câmara analisa o Projeto de Lei 797/11, da deputada Lauriete (PSC-ES), que inclui entre os programas sociais e financeiros do governo federal um programa específico de apoio médico, psicológico e financeiro à mulher e à adolescente nos casos de má formação do feto e de estupro que resulte em gravidez.
A proposta estabelece, para esses casos, que a inclusão nos atuais programas do governo será feita com prioridade, com pagamentos mensais dos benefícios até o nascimento da criança, podendo ser prorrogados até o limite máximo de um ano.
De acordo com o texto, a mulher vítima de estupro e a gestante nos casos de comprovada má formação do feto passam a ter direito e acesso prioritário a programas de atendimento psicológico, social e ao pré-natal oferecidos na rede pública de saúde e de assistência social da União, dos estados e dos municípios. Ainda segundo o projeto, a assistência será oferecida durante todo o período da gravidez e, após o parto, pelo período indicado por médico especialista.
Para a autora, o projeto vai garantir o apoio necessário às mulheres e evitar o crescimento das estatísticas ligadas à prática do aborto. Segundo ela, um documento produzido pelas universidades de Brasília (UnB) e do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), denominado Aborto e Saúde Pública, mostra que mais de 70% das mulheres que recorrem à prática do aborto no País já são mães, sendo o Cytotec – medicamento de venda controlada – o principal método abortivo utilizado pelas brasileiras.
Segundo o estudo, pelo menos 3,7 milhões de brasileiras entre 15 e 49 anos já realizaram aborto. Desse número, menos da metade acessou o Sistema Único de Saúde (SUS).
Pela proposta, a União, os estados e os municípios estabelecerão órgão específico para gerir a implementação do programa.
Atualmente, o Código Penal (Decreto-Lei 2.848/42) não pune o aborto praticado por médico em dois casos: quando necessário para salvar a vida da gestante (aborto necessário) e se a gravidez resulta de estupro (aborto sentimental).
Tramitação 
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Pierre Triboli



domingo, 7 de agosto de 2011

Funai pressiona e Câmara esvazia projeto de combate ao infanticídio

Mudança elimina possibilidade de processar servidores por omissão de socorro em aldeias

Prática de abandonar ou enterrar bebês resistiria em cerca de 20 etnias; governo federal não se manifesta sobre o tema 
Folha,  São Paulo - Domingo, 07 de agosto de 2011
Fotos Lula Marques/Folhapress
A índia Iganani, que virou símbolo da disputa no Congresso 

BERNARDO MELLO FRANCO
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA

Sob pressão do governo, a Câmara esvaziou um projeto de lei que previa levar ao banco dos réus agentes de saúde e da Funai (Fundação Nacional do Índio) considerados "omissos" em casos de infanticídio em aldeias.
A prática de enterrar crianças vivas, ou abandoná-las na floresta, persistiria até hoje em cerca de 20 etnias brasileiras. Os bebês são escolhidos para morrer por diversos motivos, desde nascer com deficiência física a ser gêmeo ou filho de mãe solteira.
A Funai se nega a comentar o assunto. Nos bastidores, operou para enfraquecer o texto com o argumento de que ele criaria uma interferência indevida e reforçaria o preconceito contra os índios.
Do outro lado da discussão, ONGs e deputados evangélicos acusam o governo de cruzar os braços diante da morte de crianças e defendem que o Estado seja obrigado por lei a protegê-las.
A polêmica chegou ao Congresso em 2007, quando o deputado Henrique Afonso (PV-AC) apresentou projeto que previa punir servidores que não tomem "medidas cabíveis" para impedir o ritual.
Eles responderiam por crime de omissão de socorro, cuja pena varia de multa a prisão por até um ano. O texto ainda classificava o "homicídio de recém-nascidos" como uma "prática nociva".
Antropólogos, indigenistas e assessores da Funai pressionaram a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que adiou a votação da proposta por quatro anos.
Em junho, os deputados decidiram substitui-la por uma versão alternativa da relatora Janete Pietá (PT-SP), que seguiu para a Comissão de Constituição e Justiça e pode ser transformada em lei até o fim do ano.
O novo projeto elimina todos os pontos controversos e descarta a possibilidade de processar autoridades ou servidores pela morte de crianças nas aldeias.
Em lugar de punições, diz que o governo deve oferecer "oportunidades adequadas aos povos indígenas de adquirir conhecimento sobre a sociedade em seu conjunto" em casos de infanticídio, estupro e maus-tratos.
"O texto ficou muito fraco. Vai permitir que o governo continue omisso diante dessas mortes", diz Márcia Suzuki, da ONG Atini, que acolhe mães que fugiram de suas aldeias para proteger os filhos (leia texto abaixo).
"As tradições dos povos indígenas devem ser respeitadas, mas o direito à vida é um valor universal e garantido pela Constituição", afirma o deputado Henrique Afonso.

AUTONOMIAResponsável pelas mudanças, Janete Pietá diz ter atuado em defesa da autonomia dos povos indígenas.
"Não precisamos de lei, e sim de convencimento. Em vez de penalizar, devemos conversar com as mulheres e fazer campanhas educativas", afirma a deputada.
"A tradição de sacrificar crianças é mantida por poucas comunidades. O Brasil tem mais de 200 povos indígenas. Se isso ainda ocorrer em 20, são apenas 10%."
O Conselho Indigenista Missionário, da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), também pressionou contra o projeto original.
Segundo o secretário-adjunto do órgão, Saulo Feitosa, a prática seria "residual".
"Ninguém defende o infanticídio, mas não podemos aceitar que vendam uma imagem de que todos os índios são selvagens e sacrificam suas crianças."
As autoridades evitam emitir posição oficial ou mesmo divulgar dados sobre o infanticídio nas aldeias.
A Funai informou que não se manifestaria e negou pedido de entrevista com o presidente Márcio Meira.
A Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, criada em outubro de 2010, respondeu que o tema não cabe a ela e afirmou não ter nenhum levantamento sobre as causas da mortalidade infantil de índios.

Fonte: Folha de São Paulo