sexta-feira, 17 de junho de 2011

A violência no estupro e a gravidez indesejada


Amor ao próximo“Ame ao seu próximo como a ti mesmo”(Mt 22,39) e "Não matarás" (5º.Mand.) são preceitos que devem ser seguidos por todos os cristãos. A Igreja Católica não concorda com nenhum tipo de violência e não aceita nenhum tipo de aborto, mesmo nos casos de estupro previstos na lei penal. Já nos posicionamos nesse sentido  e há vários vários textos publicados neste blog  - (Gravidez Feliz) - (Rede Cegonha) em defesa da vida e dos direitos da mulher.

Vida. A vida é o bem primordial. Deus criou o homem à sua imagem e semelhança (Gn 1,26). A violência é sempre condenável, especialmente contra a mulher, que recebeu de Deus o dom para gerar a vida humana. Todos os assassinatos - aborto, eutanásia, tiros, facadas, atropelamentos, bala perdida, falta de saúde pública (IBGE)- interrompem a vida de algum ser humano.

Estupro. O estupro  (Estupro-e-aborto-sao-crimes-hediondos) é um dos crimes mais violentos e condenáveis de todos os praticados e, por isso, foi elevado à categoria de crime hediondo pela lei penal, em 2009.

Criminoso culpado. Só um insano diria que a mulher é culpada pelo estupro. A violência contra a mulher é mostrada diariamente pela imprensa. As mulheres, de qualquer idade, são atacadas, brutalmente violentadas e assassinadas por maníacos sexuais em praças, vias públicas, locais mal iluminados e até em casa. A lei presume a violência em crimes de estupro praticados contra menores e pessoas especiais. Jamais afirmamos que a mulher não é a vítima. O criminoso é o culpado pelo crime que ele cometeu.

Abortistas. Organizações e partidos defensores do aborto usam o estupro, um crime hediondo e aterrorizador, para justificar seus objetivos, fornecendo números espantosos – milhões de estupros e abortos por ano - para assustar e induzir o povo a concordar com a liberação do aborto.

Indesejada. A gravidez indesejada somente ocorre no estupro porque praticado com violência, grave ameaça ou outro meio de coação contra a mulher e nos casos de violência presumida previstos na lei penal, e porque a relação sexual não é consentida. 
Nesses casos, a lei autoriza o aborto mediante ordem judicial. 


Inesperada. Na maioria dos casos, a gravidez é inesperada, pois ocorre em relações sexuais consentidas – isso é uma realidade. Depois, a mulher, por razões diversas, busca o aborto. Nesses casos não há nenhuma justificativa para o assassinato da vida humana em gestação. 

Excomunhão. A excomunhão é prevista no Código Canônico: "Cân. 1398 - Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae". A pessoa estará automaticamente excomungada se praticar ou colaborar na prática de um aborto.

Pena de morte. Nossa intenção é impedir os assassinatos de seres humanos gerados nas relações sexuais consentidas. Não basta à mulher chegar ao hospital, dizer que foi estuprada e o médico fazer o aborto. Se isso acontecer, o autor do crime é absolvido sem um processo para julgá-lo e o ser humano inocente e indefeso, o bebê,  cumpre a pena de morte.

Governo. O governo Lula liberou o aborto através de Norma Técnica do Ministério da Saúde, ao dispensar autorização judicial para sua realização. Bastaria à mulher chegar ao hospital e dizer que foi estuprada. Essa situação nos obrigou a apresentar um pedido ao Ministério Público, para esclarecer aos médicos que as orientações do Ministério da Saúde não podem ser seguidas, e informá-los que o aborto só pode ser praticado após decisão judicial.

Direito de nascer. A vida digna para todos, desde a fecundação, é um imperativo. Há meios suficientes para deixar nascer o ser humano em gestação, o bebê, que não tem nenhuma responsabilidade pelo crime hediondo cometido. Por exemplo, auxílio psicológico, acompanhamento médico, bolsa família, auxílio maternidade e até a criação de uma legislação que facilite a adoção nesses casos.

Defesa da mulher. Jesus defendeu a mulher que seria apedrejada. Defender a mulher de todos os tipos de violência é uma obrigação. Defender a vida das crianças em gestação, inocentes e indefesas e impedir que sejam assassinadas através dos abortos também. 



Disse Jesus: "Eu vim para que todos tenham vida. (Jo 10,10)

Que todos tenham direito à vida! 

Dom Luiz Bergonzini
Bispo de Guarulhos

Palestra de Dom Luiz Bergonzini, em defesa da família e da vida humana inocente


Palestra de Dom Luiz Bergonzini, em defesa da família e da vida humana inocente

No próximo dia 20 de junho temos um compromisso. O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira está promovendo mais um importante evento, com o objetivo de coligar forças em defesa da vida humana inocente e da família.
A cultura da vida contra a cultura da morte
Cristãos, não tenhais medo: mobilizemo-nos em defesa da vida e da família.
Temos visto, ao longo dos últimos anos sobretudo, uma investida internacional para implantar o aborto em todos os países e destruir a família, com projetos de “casamento” homossexual, “lei da homofobia”, entre outros.
No Brasil a agenda abortista está encontrando vigorosas reações, e aí está nossa esperança.
Uma das vozes que se levantaram a nível nacional contra a lei do aborto foi Sua Excelência Reverendíssima, o Bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini.
Por esta razão o convidamos para tratar do assunto, e da importância da mobilização para impedir que o aborto seja imposto em nossa Pátria.
De fato, ou ficamos de guarda e avançamos, ou as manobras sorrateiras, tão utilizadas pelos movimentos pró-aborto, vão acabar empurrando essa prática ignominiosa no Páis inteiro.
E essa mobilização depende de cada um de nós. Eventos, palestras, campanhas, abaixo-assinados, tudo deve formar um conjunto que vá fortalecendo nossa posição.
Conto, então, com sua valiosa presença no dia 20 de Junho, às 19h, no auditório
do Colégio e Faculdade São Bento
, no centro de São Paulo, próximo ao metrô
São Bento.
Há estacionamento dentro do próprio colégio para os que forem de automóvel.
No fim será servido um cocktail para que os assistentes possam se conhecer,
trocar idéias e combinar ações.
Espero sua presença, e de toda sua família.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Carta a um professor petista


  Três décadas neste mister de emitir opinião me habituaram a e-mails de aprovação e de reprovação. Pela primeira vez, no entanto, um leitor me escreve não para comentar determinado texto, mas para atacar "o conjunto da obra". Ele topou com algo que escrevi e acessou meu blog. Sentindo-se ferido em seus brios petistas, partiu para o ataque. Decidi responder-lhe através de um artigo. É o que segue. Primeiro diz ele e, em seguida, respondo eu.

            Diz ele que meu único motivo ao escrever é avacalhar o PT e que atribuo ao PT e ao comunismo (que segundo ele "já não existe") todos os males do mundo.

            Respondo eu. A lista dos adversários que combato, professor, é extensa. Eu aponto erros, critico e ironizo, entre outros, o PT, a Teologia da Libertação, a chamada Igreja Progressista, as práticas revolucionárias do MST e movimentos assemelhados, o relativismo moral, a deseducação sexual, a complacência com o crime, a corrupção, o péssimo modelo institucional brasileiro, o corporativismo nos menores e nos maiores escalões, a doutrinação política nas escolas, a perda da soberania nacional para as nações indígenas, a influência das ONGs estrangeiras nas políticas brasileiras, a estatização, a concentração de poderes e de recursos em Brasília, a carga tributária, a partidarização do Poder Judiciário, a destruição da instituição familiar, a gratuidade do ensino superior público para quem pode pagar por ele. Combato, mas não avacalho. Mas se os petistas enfiam todas essas carapuças, o que eu posso fazer, professor?
            Por outro lado, o maior sucesso dos comunistas nunca foi alcançado no plano das realizações pretendidas ou prometidas, mas em fazer crer que não existia. Não se diga isso, contudo, para alguém que dezenas de vezes por ano é chamado pela mídia para debater com defensores do regime cubano, ou do regime de Chávez, ou do mito Guevara, muitos dos quais usando distintivos com foice e martelo, ou com estrelinhas vermelhas. Dizer-me que comunismo não existe vale tanto quanto bater pé insistindo que Papai Noel existe.


            Diz ele que jamais reconheço qualquer mérito ao PT ao longo dos oito anos do governo Lula, que desprezo os 84% de brasileiros que lhe atribuíram conceitos de aprovação, que não levo em conta os milhões de egressos da miséria durante sua gestão e que os governos dos partidos que eu apoio jamais fizeram isso.

            Respondo eu. Reconheço méritos no governo Lula, sim. Muito escrevi a respeito do principal desses méritos, que foi o de chutar para longe a maior parte das bobagens que cobrava e das propostas tolas e demagógicas com que se apresentou à sociedade durante duas décadas. No entanto, ao descartar aquela plataforma irresponsável, em vez de se desculpar perante a nação, Lula simplesmente afirmou que "a gente quando está na oposição faz muita bravata". Que vergonha, professor! Durante vinte anos o partido dele cresceu deformando a opinião pública e afirmando que o paraíso estava poucos passos além das bravatas com que acenava para buscar votos.
            Felizmente, a despeito das duríssimas campanhas contra elas movidas por Lula e o seu partido, os governos anteriores ao do PT implantaram e deram continuidade a importantes políticas. A saber: a) o Plano Real, que os petistas chamavam de estelionato eleitoral; b) a Lei de Responsabilidade Fiscal, que chamavam de arrocho imposto pelo FMI; c) a abertura da economia brasileira, que chamavam de globalização neoliberal; d) o fim do protecionismo à indústria nacional, que chamavam de sucateamento do nosso parque produtivo; e) as privatizações, que chamavam de venda do nosso patrimônio; f) o cumprimento das obrigações com os credores internacionais, que chamavam de pagar a dívida com sangue do povo; g) a geração de superávit fiscal, que chamavam de guardar dinheiro para dar ao FMI; h) o Proer, que chamavam de dar dinheiro do povo para banqueiro; e i) o fortalecimento da agricultura empresarial, que queriam substituir por assentamentos do MST.
            Em momento algum os governos anteriores ao de Lula receberam dos endinheirados do país e de suas entidades representativas as manifestações de estima e consideração que ele colecionou enquanto dava bolsa família para os pobres e bolsa Louis Vuitton para os ricos.

            Diz ele que sou um defensor de privilegiados e que nenhum outro presidente brasileiro foi tão bem entendido pelo povo.

            Respondo eu. De fato, Lula se revelou um craque na comunicação social. Fazia parte dessa estratégia ter um discurso diferente para cada auditório e não manter hoje o menor compromisso com o discurso de ontem.  Para sorte dele, a grande imprensa sempre o protegeu, inclusive no episódio do Mensalão. E a ninguém ocorreu apresentar à CUT o que ele dizia quando falava à CNI. Nem mostrar à CNI o que ele dizia na CUT. Ademais, quem defende privilegiados é o PT. Que o digam os banqueiros e os financiadores de suas campanhas e as grandes corporações. O senhor não lê jornais, professor? Por outro lado, se lê o que escrevo sabe que não há sequer uma frase de minha autoria em defesa de qualquer privilégio ou de qualquer privilegiado.

            Diz ele que os governos militares torturaram, exilaram, brasileiros durante mais de vinte anos.

            Respondo eu. Não foi só durante os governos militares que houve tortura no Brasil. A tortura era uma prática institucionalizada no aparato policial brasileiro e ainda não está extinta, como frequentemente se fica sabendo e como, muito mais frequentemente, não se fica sabendo. Portanto, debitar a prática da tortura aos governos militares é desprezar todos os outros torturados, de ontem e de hoje, para canonizar os guerrilheiros e terroristas que possam ter sido vítimas dessa deplorável e criminosa forma de ação investigatória.

            Diz ele, referindo-se às minhas severas restrições à Campanha da Fraternidade (CF) deste ano, que eu não sou ninguém para criticar uma pessoa do porte do Leonardo Boff. Lembra que São Francisco falava em irmão lobo e irmã água e que, por extensão, o Poverello também diria "mãe terra". Na sequência, reafirma a frase do hino da CF, segundo a qual nosso planeta é a "mais bela criatura de Deus".

            Respondo eu. Não faz qualquer sentido, para mim, como católico, ficar com Leonardo Boff contra a orientação de dois papas da estatura espiritual e intelectual de João Paulo II e Bento XVI. Por outro lado, presumir que São Francisco, ao falar em "irmão lobo" e "irmã água", também poderia falar "mãe terra" (expressão inserida na CF deste ano) é uma  demasia não autorizada. Mais grave ainda foi o equívoco da CF quando afirmou que o planeta é a "mais bela criatura de Deus". Para um católico, agregam-se aqui dois conceitos inaceitáveis. Designar o planeta como "mãe terra" é próprio do paganismo e do panteísmo. E a mais bela criatura de Deus, professor, é o ser humano, ápice da Criação! Nas palavras do Gênesis: Deus o criou "à sua imagem e semelhança; criou-o homem e mulher". A qualquer pessoa é lícito achar que não. Qualquer um pode considerar a Cordilheira dos Andes, a Amazônia ou o tigre de Bengala mais belos. Mas a CNBB, a Campanha da Fraternidade e os católicos não podem corroborar isso. Tal desapreço à dignidade da pessoa humana, em seu principal fundamento, é próprio dos totalitários.

            Diz ele (certamente referindo-se ao meu artigo "Os donos da Educação") que, como professor de português, sempre ensinou seus alunos não haver certo e errado mas adequado e inadequado.

            Respondo eu. Ensinar que não existe certo e errado mas adequado e inadequado em língua portuguesa é usar o relativismo, que tanto estrago faz na moral social e na conduta dos povos, para corroer o idioma e a capacidade de ascensão social dos alunos oriundos de famílias incultas. Duvido que algum professor de português adote essa pedagogia com seus próprios filhos.

            Diz ele que as piores ditaduras foram as de direita (e cita como exemplo o nazismo e o regime militar de 64), mas que a direita tem a chamada grande imprensa do seu lado.

            Respondo eu. O senhor devia pedir perdão aos cem milhões de vítimas do comunismo, por minimizá-las ante os rigores dos governos militares brasileiros. Nem o Paulo Vannuchi teve coragem de afirmar tamanho disparate. De outra parte, a grande imprensa, como qualquer organização empresarial, está com quem tem o dinheiro. E o dinheiro - 24% do PIB nacional - bem como as maiores contas de publicidade do país estão sob gestão do seu partido. Então, não me tome por tolo com esses bordões da esquerda. Eles talvez lhe sirvam à consciência, mas não convencem ninguém com um mínimo de bom senso. Como professor, o senhor deveria saber, também, que a doutrina do nacional-socialismo (nazismo) não era e não é de direita (conforme adverte o próprio site desse partido no Brasil). Ao contrário, o nazismo é uma doutrina de esquerda, tão totalitária, coletivista e estatizante quanto o comunismo. O fato de terem sido adversários políticos não os leva para campos ideológicos opostos. Uns e outros são filhos do mesmo ventre coletivista.
            Observe, por fim, que eu só escrevo. Não grito, não agrido, não invado, não depredo, não vaio, não calunio, não difamo, não redijo panfletos caluniosos, não especulo sobre a honra de quem quer que seja. E o senhor sabe muito bem quem é useiro e vezeiro nisso. Atentamente
            Percival Puggina
Twiitter: @percivalpuggina 

Percival Puggina - arquiteto, escritor, titular do blog www.puggina.org e autor de "Crônicas contra o totalitarismo"; "Cuba, a tragédia da utopia" e "Pombas e Gaviões"

No aniversário da cidade, o Bispo de San Juan diz que não se deve mais tolerar a corrupção, 'câncer social'

“Quando a vida social se baseia no princípio ético do bem, a sociedade amadurece na paz cidadã e viver assim é prazeroso. Ao contrário, quando nos esquecemos da justiça e da verdade,   resta apenas a volatilidade, que dura pouco embora pareça bela”. São as palavras do Arcebispo de San Juan de Cuyo, Dom Alfonso Delgado, proferidas na celebração dos 449 anos da fundação da cidade de San Juan.


O Arcebispo destacou que "uma sociedade sem Deus não tem fundamento moral para crescer na liberdade e enfrentar o mal; fica sem forças para viver na dignidade". Em seguida, prosseguiu: "Deus constrói quando os construtores, os cidadãos, constroem com o respeito de todos, na solidariedade, com responsabilidade, lealdade e no serviço a todos os homens, sem exceção; quando suas vidas refletem honestidade, integridade e lealdade. Deus constrói a casa grande da nação abençoando os representantes do povo que gozam da legitimidade social e civil de seus eleitores".


Igreja Católica na Plaza San Lorenzo
San Juan - Porto Rico
Dom Delgado destacou que "se constrói em areias movediças quando permitimos que a grande doença, que chamamos de 'câncer social' penetre na sociedade. Inicialmente não a vemos, mas se não a localizarmos e curarmos precocemente ela pode invadir todo o corpo. Eu me refiro à corrupção, que pagamos todos, principalmente os mais vulneráveis, à qual se soma a inflação, que é o imposto cobrado aos mais pobres. Ao lado da droga, são os grandes flagelos de vários países da América Latina, inclusive o nosso". 


Enfim, Dom Delgado acrescentou: "a pátria é de todos; é herança de todos os filhos. Queremos deixar uma casa e uma cidade melhores, com a benção de Deus, com o amor dos cidadãos e com a responsabilidade dos legítimos representantes do povo". 
(CE) (Agência Fides, 14/06/2011) - San Juan de Cuyo - Porto Rico 

A Constituição "conforme" o STF - Dr. Ives Gandra Martins

Dr. Ives Gandra Martins
Escrevo este artigo com profundo desconforto, levando-se em consideração a admiração que tenho pelos Ministros da Suprema Corte brasileira, alguns com sólida obra doutrinária e renome internacional. 


Sinto-me, todavia, na obrigação, como velho advogado, de manifestar meu desencanto com a sua crescente atuação como legisladores e constituintes, e não como julgadores. 


À luz da denominada "interpretação conforme" estão conformando a Constituição à sua imagem e semelhança e não àquela que o povo desenhou por meio de seus representantes.


Participei, a convite dos constituintes, de audiências públicas e mantive permanentes contatos com muitos deles, inclusive com o relator, Senador Bernardo Cabral e com o presidente, Deputado Ulisses Guimarães. Lembro-me que a idéia inicial, alterada na undécima hora, era a de adoção do regime parlamentar. Por esta razão, apesar de o decreto-lei ser execrado pela Constituinte, a medida provisória, copiada do regime parlamentar italiano, foi adotada. 


Por outro lado, a fim de não permitir que o Judiciário se transformasse em legislador positivo, foi determinado que, na ação de inconstitucionalidade por omissão (art. 103, 2o.), uma vez declarada OMISSÃO DO CONGRESSO, o STF comunicasse ao Parlamento o descumprimento de sua função constitucional, sem, entretanto, fixar prazo para produzir a norma e sem sanção, se não a produzisse. NEGOU-SE, assim, AO PODER JUDICIÁRIO, a competência para legislar. 


E, nesse aspecto, para fortalecer mais o Legislativo, deu-lhe, o constituinte, o poder de sustar qualquer decisão do Judiciário ou do Executivo, que ferisse sua competência (art. 49, inc. XI).


No que diz respeito à família, capaz de gerar prole, discutiu-se se seria ou não necessário incluir o seu conceito no texto supremo - entidade constituída pela união de um homem e de uma mulher e seus descendentes (art. 226,  1o., 2o., 3o., 4o. e 5o.), - e os próprios constituintes, nos debates, inclusive o seu relator, entenderam que era relevante fazê-lo constar, para evitar qualquer outro tipo de interpretação, como, por exemplo, a de que o conceito pudesse abranger a união homossexual. 


Aos pares do mesmo sexo, não se excluiu nenhum direito, mas, decididamente, sua união não era - para os constituintes - uma família. 


Aliás, idêntica questão foi colocada na Corte Constitucional da França, em 27/01/2011, que houve por bem declarar que cabe ao Legislativo, se desejar mudar a legislação, fazê-lo, mas nunca ao Judiciário legislar sobre uniões homossexuais, pois a relação entre um homem e uma mulher, capaz de gerar filhos, é diferente daquela entre dois homens e duas mulheres, incapaz de gerar descendentes, que compõem a entidade familiar. 


Este ativismo judicial, que fez com que a Suprema Corte substituísse o Poder Legislativo, eleito por 130 milhões de brasileiros - e não por um homem só -, é que entendo estar ferindo o equilíbrio dos Poderes e tornando o Poder Judiciário o mais relevante dos três, com força para legislar, substituindo o único poder que reflete a vontade da totalidade da nação, pois nele situação e oposição estão representadas. 


Sei que a crítica que ora faço poderá, inclusive, indispor-me com os magistrados que a compõem. Mas, há momentos em que, para um velho professor de 76 anos, estar de bem com as suas convicções, defender a democracia e o Estado de Direito, em todos os seus aspectos, é mais importante do que ser politicamente correto.

Sinto-me como o personagem de Eça, na "A ilustre casa de Ramires", quando perdeu as graças do monarca: "prefiro estar bem com Deus e a minha consciência, embora mal com o rei e com o reino". 


Autor: IVES GRANDRA DA SILVA MARTINS - Advogado, Professor Emérito das Universidades Mackenzie, INIFMU, UNIFIEO, dio CIEE/O Estado de São Paulo e das Escolas de Comando e Estado Maior do Exército-ECEME em Superior de Guarra-ESG, Presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomércio-SP e do Centro de Extensão Universitária-CEU. 
Fonte: Jornal Carta Forense - seção Opinião - junho 2011

STF libera “marcha da maconha”


Em decisão unânime (8 votos), o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou a realização dos eventos chamados “marcha da maconha”, que reúnem manifestantes favoráveis à descriminalização da droga. Para os ministros, os direitos constitucionais de reunião e de livre expressão do pensamento garantem a realização dessas marchas. Muitos ressaltaram que a liberdade de expressão e de manifestação somente pode ser proibida quando for dirigida a incitar ou provocar ações ilegais e iminentes.
Pela decisão, tomada no julgamento de ação (ADPF 187) ajuizada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o artigo 287 do Código Penal deve ser interpretado conforme a Constituição de forma a não impedir manifestações públicas em defesa da legalização de drogas. O dispositivo tipifica como crime fazer apologia de "fato criminoso" ou de "autor do crime".
O voto do decano da Corte, ministro Celso de Mello, foi seguido integralmente pelos colegas. Segundo ele, a “marcha da maconha” é um movimento social espontâneo que reivindica, por meio da livre manifestação do pensamento, “a possibilidade da discussão democrática do modelo proibicionista (do consumo de drogas) e dos efeitos que (esse modelo) produziu em termos de incremento da violência”.
Além disso, o ministro considerou que o evento possui caráter nitidamente cultural, já que nele são realizadas atividades musicais, teatrais e performáticas, e cria espaço para o debate do tema por meio de palestras, seminários e exibições de documentários relacionados às políticas públicas ligadas às drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas.
Celso de Mello explicou que a mera proposta de descriminalização de determinado ilícito penal não se confunde com o ato de incitação à prática do delito nem com o de apologia de fato criminoso. “O debate sobre abolição penal de determinadas condutas puníveis pode ser realizado de forma racional, com respeito entre interlocutores, ainda que a ideia, para a maioria, possa ser eventualmente considerada estranha, extravagante, inaceitável ou perigosa”, ponderou.
Mesmo acompanhando o relator, o ministro Luiz Fux achou necessário estabelecer parâmetros para a realização das manifestações. Fux ressaltou que elas devem ser pacíficas, sem uso de armas e incitação à violência. Também devem ser previamente noticiadas às autoridades públicas, inclusive com informações como data, horário, local e objetivo do evento.
Ele acrescentou ser “imperioso que não haja incitação, incentivo ou estímulo ao consumo de entorpecentes” durante a marcha e deixou expresso que não pode haver consumo de entorpecentes no evento.
Por fim, ressaltou que crianças e adolescentes não podem ser engajados nessas marchas. “Se a Constituição cuidou de prever a proteção dos menores dependentes químicos, é corolário dessa previsão que se vislumbre um propósito constitucional de evitar tanto quanto possível o contato das crianças e dos adolescentes com a droga e com o risco eventual de uma dependência”, afirmou.
Nesse ponto, o ministro Celso de Mello observou que o dispositivo legal que estabelece o dever dos pais em relação a seus filhos menores é uma regra que se impõe por si mesma, por sua própria autoridade. Ele acrescentou que demais restrições impostas a eventos como a “marcha da maconha” estão determinados na própria Constituição.
A ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha acompanhou o voto do relator citando a seguinte afirmação de um jurista americano: “Se, em nome da segurança, abrirmos mão da liberdade, amanhã não teremos nem liberdade nem segurança”. Ela manifestou simpatia por manifestações de rua e lembrou que, há 30 anos, sua geração era impedida de se expressar pela mudança de governo na Praça Afonso Arinos, contígua à Faculdade de Direito, em Belo Horizonte (MG), onde a ministra se formou.
Segundo Cármen Lúcia, é necessário assegurar o direito de manifestação sobre a criminalização ou não do uso da maconha, pois manifestações como essas podem conduzir a modificações de leis.
Liberdade de reunião
O ministro Ricardo Lewandowski fez questão de chamar atenção para o ponto do voto do ministro Celso de Mello que tratou do regime jurídico da liberdade de reunião. Para Lewandowski, esse trecho do voto é uma notável contribuição do decano da Corte para a doutrina das liberdades públicas. Após fazer uma análise sobre o que seria droga, tanto hoje quanto no futuro, o ministro disse entender não ser lícito coibir qualquer discussão sobre drogas, desde que respeitados os ditames constitucionais.
Já o ministro Ayres Britto afirmou que “a liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade, que é tonificada quando exercitada gregariamente, conjuntamente, porque a dignidade da pessoa humana não se exaure no gozo de direitos rigorosamente individuais, mas de direitos que são direitos coletivamente experimentados”.
A ministra Ellen Gracie, por sua vez, lembrou aos colegas que integra comissão internacional que estuda a descriminalização das drogas. “Sinto-me inclusive aliviada de que minha liberdade de pensamento e de expressão de pensamento esteja garantida”, disse.
Para o ministro Marco Aurélio, as decisões do Poder Judiciário coibindo a realização de atos públicos favoráveis à legalização das drogas simplesmente porque o uso da maconha é ilegal são incompatíveis com a garantia constitucional da liberdade de expressão. “Mesmo quando a adesão coletiva se revela improvável, a simples possibilidade de proclamar publicamente certas ideias corresponde ao ideal de realização pessoal e de demarcação do campo da individualidade”, disse.
Último a votar, o presidente do Supremo, ministro Cezar Peluso, salientou que a liberdade de expressão é uma emanação direta do valor supremo da dignidade da pessoa humana e um fator de formação e aprimoramento da democracia.
“Desse ponto de vista, (a liberdade de expressão) é um fator relevante da construção e do resguardo da democracia, cujo pressuposto indispensável é o pluralismo ideológico”, disse. Ele acrescentou que liberdade de expressão “só pode ser proibida quando for dirigida a incitar ou provocar ações ilegais iminentes”.
Por fim, o ministro advertiu que “o Estado tem que, em respeito à Constituição Federal e ao direito infraconstitucional, tomar, como em todas as reuniões, as cautelas necessárias para prevenir os eventuais abusos”. Mas ressaltou: “Isso não significa que liberdade em si não mereça a proteção constitucional e o reconhecimento desta Corte”.
Quarta-feira, 15 de junho de 2011
Redação/AD - Notícias do STF - 

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Assembleia Nacional da França rejeita “casamento” homossexual em votação histórica


PARIS, França, 14 de junho de 2011 (Notícias Pró-Família) — Legisladores da França rejeitaram um projeto de lei para legalizar o “casamento homossexual” hoje numa votação decisiva na Assembleia Nacional, a Câmara dos Deputados da França.
Catedral Notre Dame - Paris
Os deputados da Assembleia votaram contra o projeto de lei, proposto pelos socialistas, por uma maioria de 293 a 222. 
A votação ocorreu depois de uma decisão em janeiro dada pelo mais elevado tribunal da nação, o Conselho Constitucional, declarando que o “casamento” homossexual não é um direito constitucional.
Embora uma recente pesquisa de opinião pública, que vem sendo muito citada, tivesse revelado que a maioria dos eleitores franceses, 58 por cento, favorece a criação do “casamento” homossexual, Michel Difenbacher do Partido da União por um Movimento Popular (UMP), que é o principal partido, disse que não acha necessário “ir com a maré nem ceder a um modismo” com relação à questão.
“Somos contra a homofobia, mas não queremos alterar a imagem e função do casamento” dentro da sociedade, disse Difenbacher.
Christian Vanneste e Brigette Bareges, também do UMP, foram mais duros em sua avaliação negativa do projeto de lei. Vanneste chamou tais uniões de “aberrações antropológicas”, enquanto Bareges perguntou: “Por que não também casamento com animais, ou poligamia?”
O fato de que a Assembleia Nacional rejeitou o projeto de lei representa uma ambivalência para com o movimento ideológico homossexual na sociedade francesa. Embora tivesse sido o primeiro país a criar uniões civis para homossexuais, uma medida aprovada em 1999, a França vem de modo firme resistindo à redefinição do casamento.
Nicolas Sarkozy, presidente da França, que se descreve como campeão dos valores cristãos tradicionais, vem exigindo a legalização mundial da sodomia. Contudo, Sarkozy também se opôs ao projeto de lei de “casamento homossexual”, provocando acusações de mudança súbita de direção pelos legisladores socialistas, que dizem que ele havia prometido aprovar tal projeto em 2007.

Magno Malta garante que deixa Senado se PL 122 for aprovada

Senador Magno Malta vai interpelar deputado federal por
declarações caluniosas
A declaração foi feita pelo próprio Senador Magno Malta durante entrevista a revista Comunhão
No mandato anterior, durante mais de cinco anos, o senador Magno Malta (PR/ES) com convicção própria, lutou contra o projeto de lei 122/06 de autoria da ex-senadora Fátima Cleide (PT/RO), que visa tratar como crime a opinião divergente ao comportamento homoafetivo, conseguindo apoio para arquivá-lo no final da legislatura. Comum nas adversidades do campo político, o enfrentamento em defesa de princípios pessoais voltou à tona com a iniciativa da Senadora Marta Suplicy (PT/SP) de ressuscitar a polêmica que se dispõe a cercear o direito constitucional de liberdade de expressão. “A PL 122 já voltou morta e sepultada”, resumiu em poucas palavras o senador presidente da Frente Parlamentar Mista Permanente em Defesa da Família Brasileira.

Legitimando a ciência da formação das aspirações e convicto do dever de legislar em favor da grande maioria, Magno Malta, com consciência da responsabilidade das palavras, tornou público o mais nobre gesto de coragem de um homem público sério. 



“Se o Projeto de Lei 122, que excita a criação de um terceiro sexo, for aprovado, com dignidade de cristão, renuncio do mandato de Senador da República”.

Para o senador Magno Malta, “criar castas, mudar costumes enraizados pela própria natureza e proteger a minoria com privilégios são fatos reais que ferem a justiça social em toda conjuntura. Preconceito é cegueira moral, não aceito nem a intolerância e conceito imparcial. Não estou legislando em causa própria, mas no mais legitimo dever de defender a família estruturada, o futuro de uma geração e de forma geral a vida na sua essência divina”.

“Legislar em causa própria, com preconceito e calúnia é grave e não faço e nem aceito. Vou interpelar judicialmente o deputado federal Jean Willis (PSOL/RJ) que tem declarado para a imprensa que sou de má fé ao relacionar homossexualismo com pedofilia. Nunca afirmei tal comparação. Pelo contrário, defendi o Vaticano mostrando a realidade dos fatos como comportamentos distintos e sem relação na grande maioria das vezes”, revelou Magno Malta, eu presidiu a CPI da Pedofilia.

Por várias vezes na imprensa nacional e também durante o Seminário do Direito homoafetivo, realizado na Ufes, Jean Willis gravou a denúncia e foi imediatamente repudiado pelo senador Magno Malta. “Nunca afirmei tal relação. De minha boca não saiu tal declaração. Eu respeito à opção sexual de cada cidadão. No meu partido, temos o vereador Moacir Sélia, o Moa, um travesti de muito respeito. Fizemos campanha juntos, lado a lado. É meu amigo. Por isso, não fico calado só escutando sem agir olhando nos olhos da pessoa. É o eu vou fazer com o Deputado Jean, quero saber dele qual comprovação ele tem para afirmar que estou agindo de má fé”, concluiu Magno Malta.

Segundo pesquisa encomendada recentemente pelo Ministério da Educação, a polêmica da homossexualidade incomoda 87% da população. A grande maioria não aceita mudanças radicais no comportamento da sociedade. A pauta hoje ficou restrita aos interessados e ao parlamento, a sociedade não foi ouvida e prefere manter o assunto também sepultado. “Por isso, em defesa dos verdadeiros valores agregados no coração da família brasileira, renunciarei meu mandato se a PL 122 for aprovada”. Finalizou Magno Malta.

Fonte: Assessoria de Imprensa - www.magnomalta.com.br

Kirchner revela que cigarro a fez abortar


BUENOS AIRES — A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, confessou nesta segunda-feira - ao promulgar uma lei antifumo - que sofreu um aborto espontâneo no sexto mês de gravidez em 1984, quando era fumante, e que só depois de deixar o cigarro é que conseguiu ser mãe novamente.
"Cheguei a fumar dois maços de cigarro por dia e meu companheiro (o falecido ex-presidente Néstor Kirchner), quatro maços", revelou a presidente durante ato na Casa de Governo.
"Não sei se teve algo a ver, mas recentemente escutei o (ministro da Saúde, Juan) Manzur dizer que o cigarro afeta o sistema reprodutivo também".
Kirchner se declarou uma "fumante convertida" e criticou o hábito de fumar durante o ato em que firmou a lei que proíbe o fumo em lugares públicos no país.
A nova lei restringe a publicidade do tabaco e obriga os fabricantes a incluir mensagens de alerta sobre os efeitos nocivos do cigarro para a saúde.
A presidente tem dois filhos, Máximo, de 34 anos, e Florencia, 21, e o aborto aconteceu entre o nascimento dos dois.
"Durante a gravidez de Máximo jamais toquei num cigarro. Nesse sentido, tive uma disciplina prussiana desde que soube que estava grávida, mas depois que ele nasceu voltei a fumar".
Segundo Cristina, o bebê abortado era um menino. "Naquela época a medicina neonatal não era tão avançada e os médicos não foram capazes de salvá-lo".
Depois da experiência ela tentou engravidar outras vezes, mas encontrou dificuldades e foi então que tomou a decisão de abandonar o vício.
"Em 31 de dezembro de 1988, à meia-noite, deixei de fumar. Neste dia, fumei um cigarro atrás do outro, até que apaguei o último cigarro. Em novembro do ano seguinte fiquei grávida de Florencia", disse.
Na Argentina, quase 33% da população adulta é fumante e as enfermidades vinculadas ao consumo de tabaco provocam mais de 40.000 mortes por ano, segundo o Ministério da Saúde do país.
Fonte: AFP

Cingapura - Crescem os blogueiros e a "mídia social", uma oportunidade para difundir os valores cristãos


Catedral de Santo André - Cingapura
O crescimento das "mídias sociais" e blogs, em Cingapura  dá à igreja local uma oportunidade para difundir os valores cristãos e testemunhar o Evangelho. 

Conforme relatado à Agência Fides por Joan O'Reilly Fix, novo Diretor do Departamento de Comunicação Social da Arquidiocese de Cingapura, "se notam sinais positivos de abertura na comunicação e na sociedade da ilha: existe um maior envolvimento das pessoas e mais iniciativa pessoal, principalmente devido aos meios de comunicação social e  web.

 "Nas últimas eleições, realizadas em maio, por exemplo, "as pessoas debateram sobre os programas políticos e candidatos, trocaram opiniões, e até mesmo a oposição teve voz nas redes sociais". Nesse desenvolvimento da comunicação, "a comunidade católica está presente e se insere para promover a difusão dos valores cristãos".

Na diocese nasceu em janeiro de 2011 o Instituto das Comunicações Sociais, que publica um boletim informativo em inglês e Chinês, e pretende organizar uma comissão diocesana envolvendo sacerdotes, religiosos e leigos.

"Dentre os planos para o futuro, disse à Fides Joan O'Reilly Fix, está o de estabelecer um 'Social Communication Award', reconhecimento que poderá premiar os comunicadores no mundo da Internet, aberto não só para os cristãos, mas para todos aqueles que são promotores de valores".

Dom Nicholas Chia, Arcebispo local, por ocasião do Dia Mundial das Comunicações (5 de junho de 2011) escreveu uma mensagem que baseada no conteúdo da Mensagem de Bento XVI "Verdade, anúncio e autenticidade da vida na era digital", e recorda:

 "A mídia social torna cada um de nós um comunicador. A esta liberdade de expressão está ligada a uma responsabilidade". "A nossa 'presença virtual', o nosso 'perfil digital', oferecem oportunidades ilimitadas para espalhar a nossa fé", acrescentou o Arcebispo, observando "o aspecto missionário da comunicação social, que representa um novo tipo de presença pastoral na Internet". Neste campo infinito os fiéis são chamados a difundir os "valores cristãos como amor, gentileza, humildade e caridade". Reconhecendo o enorme potencial das novas mídias, o Arcebispo concluiu: "Oramos para que possamos fazer escolhas sensatas em nossas comunicações. Escolhendo educar e não alienar; construir pontes e não se fechar em nós mesmos".

Segundo estatísticas oficiais, em Cingapura  (aqui), com 5 milhões de habitantes, a taxa de penetração da Internet é de 72,4%. Fazem uso do social network 30% dos adolescentes de 15 e 24 anos e 19% dos jovens entre 25 e 34 anos, e esses dados revelam um aumento constante. Na cidade se realiza anualmente o encontro asiático do "Social Media WorldForum",  previsto para a próxima edição de 1º e 2 de setembro de 2011. (PA) (CINGAPURA - Agência Fides 13/6/2011)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A fé do bispo contra os partidos

OBS: Sobre estupro leia AQUI


Estupro-e-aborto-sao-crimes-hediondos
Cristiane Agostine | De São Paulo – Valor Econômico 
                                        Luis Ushirobira/Valor




“A ditadura gay não vai poupar ninguém, nem mesmo nossos filhos”. Da sede da diocese de Guarulhos, o bispo dom Luiz Gonzaga Bergonzini prepara um texto para publicar em sua página na internet. A frase é o título de um artigo divulgado em seu blog, que fala dos “riscos” que as famílias correm com o “kit gay”, que seria distribuído em escolas pelo governo da presidente Dilma Rousseff. “Se [o kit] não é assédio, aliciamento e molestamento sexual pró-sodomia, então o que é?”, questiona o documento compartilhado pelo religioso na internet. O bispo usa o site para se comunicar com as famílias católicas e alerta, em outro texto: “Conspiração da Unesco transformará metade do mundo em homossexuais”.
Dom Luiz Gonzaga Bergonzini criou o blog no ano passado (www.domluizbergonzini.com.br), quando ficou conhecido nacionalmente por defender o voto contra Dilma e o PT. À frente da diocese da segunda cidade mais populosa de São Paulo (1,3 milhão de habitantes), o religioso ajudou a colocar o aborto na pauta eleitoral. Há um ano, antes do início oficial da campanha, publicou um artigo no site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em que dizia que os “verdadeiros católicos e cristãos” não poderiam votar na candidata petista. No decorrer da campanha, articulou a distribuição de folhetos em igrejas defendendo o voto anti-PT.
A pregação de dom Bergonzini se dá além dos limites da diocese. O religioso considera o blog “um instrumento da voz do Reino de Deus”, como registra em um dos textos publicados em sua página na internet, e expressa suas ideias no jornal “Folha Diocesana”, do qual é fundador e jornalista responsável. O bispo, com 75 anos, é jornalista profissional, com registro adquirido por atuar na área desde seus tempos de padre.
“Tenho bom relacionamento com petistas mas não aceito o PT, é o partido da morte”
Pela internet, o bispo mostra sua influência em decisões que extrapolam o foro íntimo dos fiéis. No início do mês, dom Bergonzini recebeu na diocese o presidente da Dersa (empresa estadual responsável pela manutenção das rodovias), Laurence Casagrande Lourenço, para discutir o traçado do Rodoanel Norte. A obra é vitrine da gestão do governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB). Tudo foi noticiado no blog.
No mês passado, o religioso mobilizou sua base católica e uniu-se a evangélicos em duas lutas: contra o kit anti-homofobia, preparado pelo governo federal para ser distribuído em escolas, e contra o projeto de lei 122, que criminaliza a homofobia. O “kit gay” abriu novas frentes de protesto contra Dilma e o governo teve de recuar e reformular o material. Já o PL 122, que tem a petista Marta Suplicy (SP) como relatora no Senado, é considerado “heterofóbico” por religiosos.
O resultado do engajamento é contado pelo bispo com um sorriso. Em 2010, depois de sua pregação contra a “candidata a favor do aborto”, Dilma perdeu no segundo turno em Guarulhos, apesar de ter ganho no primeiro turno no município. “Antes das eleições, Dilma falou que era um atraso o Brasil ainda condenar o aborto. Bati firme, deu segundo turno e ela perdeu. E olha que a tradição aqui é petista”, diz. “Isso dá uma ideia de como o artigo funcionou.” A cidade é comandada há três gestões pelo PT e em 2002 e 2006 o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou lá nos dois turnos.
Dom Luiz Bergonzini lembra de outro caso em que sua intervenção foi sentida nas urnas. Em 1996, se revoltou com declarações do ex-prefeito Pascoal Thomeu, candidato à prefeitura de Guarulhos, e partiu para o ataque. Thomeu teria ofendido a igreja em um comício e o bispo chamou os católicos a boicotar o ex-prefeito. O religioso publicou um artigo no jornal da diocese contra o político e o texto foi distribuído pelos opositores do candidato. “Ele perdeu redondamente”, diz, ao recordar do ex-prefeito do PTB, morto em 2006.
 Reprodução do blog
 O blog do bispo: internet é uma das principais trincheiras do bispo contra a homossexualidade e a descriminalização do aborto
 Em pelo menos outros dois episódios o bispo usou sua influência contra candidatos. Quando era vigário em sua cidade natal, São João da Boa Vista, no interior paulista, diz que também “derrubou” o prefeito ao tomar atitudes semelhantes, sem recordar em que ano foi nem quem era o prefeito. Na campanha de 1985 pela Prefeitura de São Paulo, engrossou o coro contra Fernando Henrique Cardoso, depois que o candidato gaguejou ao ser questionado sobre a existência de Deus. Naquela eleição, FHC foi taxado de “ateu”.
O bispo relata as ameaças que sofreu. Na campanha de 2010, depois do primeiro turno, foi acordado numa madrugada por barulhos de rojões e gritos de que iria ser morto. “Não fiquei com medo. Se acontecesse qualquer coisa comigo seria uma alta propaganda contra o PT”, comenta. “Não arredei o pé.”
Dom Bergonzini não gosta do PT e diz que nunca votou no partido. “Todo radicalismo é exagerado e o PT sempre foi um partido radicalista”, comenta. Para o religioso, é o “partido da morte”. O motivo? “Em dois congressos o partido fechou questão a favor da liberação do aborto. Em vez de promover a vida, promovem morte”, diz. Os petistas, segundo ele, foram “contaminados”. “Tenho um bom relacionamento com petistas, mas não aceito o partido”, declara. Cita como exemplo o prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida. “Eu o respeito e nos entendemos muito bem, mas lamento que seja do PT. Posso aceitar a pessoa, mas não posso apoiar um petista.”
Sentado em sua sala na diocese, o religioso ajeita os cabelos com as mãos, ajeita o crucifixo no peito e começa a frase com um “minha filha”, ritual que repete quando demonstra incômodo.
“Não aceito nenhum partido; Sou contra todos eles”, diz. “Minha filha, já falei mal do partido A, B, C. Não me prendo a nenhum”. Para o bispo, as legendas não deveriam nem existir depois das eleições.
Os partidos e lideranças locais cortejam o religioso, que já foi convidado três vezes para disputar para a prefeitura: duas vezes em Guarulhos e uma em São João da Boa Vista. Não aceitou. O bispo não diz quais siglas o convidaram, mas afirma que não foi o PT.(Estupro-e-aborto-sao-crimes-hediondos) (ESTUPRO E VIOLÊNCIA LEIA ANTES AQUI )   Vamos admitir até que a mulher tenha sido violentada, que foi vítima… É muito difícil uma violência sem o consentimento da mulher, é difícil”, comenta. O bispo ajeita os cabelos e o crucifixo. “Já vi muitos casos que não posso citar aqui. Tenho 52 anos de padre… Há os casos em que não é bem violência… [A mulher diz] “Não queria, não queria, mas aconteceu…”", diz. “Então sabe o que eu fazia?” Nesse momento, o bispo pega a tampa da caneta da repórter e mostra como conversava com mulheres. “Eu falava: bota aqui”, pedindo, em seguida, para a repórter encaixar o cilindro da caneta no orifício da tampa. O bispo começa a mexer a mão, evitando o encaixe. “Entendeu, né? Tem casos assim., do “ah, não queria, não queria, mas acabei deixando”. O BO é para não facilitar o aborto”, diz.A pressão do religioso contra o PT intensificou-se durante o governo Lula. Em 2005, o Ministério da Saúde editou uma norma técnica para os casos de aborto permitidos por lei e determinou que a vítima de estupro não precisaria apresentar um Boletim de Ocorrência (BO) para fazer o aborto, com base no Código Penal. Para o bispo, foi uma ação para flexibilizar a prática e tornou-se uma brecha.
O bispo continua o raciocínio. “A mulher fala ao médico que foi violentada. Às vezes nem está grávida. Sem exame prévio, sem constatação de estupro, o aborto é liberado”, declara, ajeitando o cabelo e o crucifixo.
O religioso conta de uma ação para dificultar o aborto em Guarulhos. Sua mobilização fez com que o Ministério Público notificasse o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo e o sindicato dos profissionais de saúde de Guarulhos, Itaquaquecetuba e Mairiporã sobre a proibição da prática sem o BO, inquérito policial e autorização judicial.
Dom Bergonzini acha que “a pessoa que se julga vítima” tem de fazer o BO e apontar o nome do agressor. “Filha, não existe nada debaixo do sol que não seja conhecido. É muito difícil. Se a pessoa fizer questão mesmo, vai fazer exame de espermatozoide, etc, vai descobrir [quem é agressor]. A Justiça tem de ir atrás.” Para o bispo, com essa ação em Guarulhos, a igreja “deu um passo à frente, embora, mesmo nesses casos, o aborto seja inaceitável”.
A discussão sobre o aborto logo voltará ao centro do debate no país e o bispo diz estar preparado para orientar os fiéis. Em agosto, o Supremo Tribunal Federal deve julgar a jurisprudência dos casos de anencefalia fetal.
Dom Bergonzini argumenta que a ciência não é infalível e, por isso, nada garante que o bebê nascerá sem cérebro. O bispo diz conhecer um caso em que foi diagnosticado anencefalia e recomendado o aborto, mas que a criança nasceu “perfeitamente sã”.
A profissão de fé do bispo, jornalista e blogueiro é a luta pela “defesa da vida, contra o aborto”. O tema é um dos mais abordados em seu blog. Na internet, os textos “em defesa da vida” são os que levam sua assinatura. Os artigos que debatem o homossexualismo são assinados por terceiros.
Dom Bergonzini lembra que durante a campanha de 2010 recebeu mais de mil e-mails. “Nem 10% foram de críticas. As pessoas me falavam parabéns. Escreviam: “ainda bem que o senhor teve coragem de falar”, “nós temos um bispo que usa calça comprida”, nessa linha”, relata.
O artigo de sua autoria, contra o PT, chegou à Espanha, Portugal, Bélgica, Alemanha e Holanda, segundo o bispo. “Apanhei, mas bati bastante.”
A maior polêmica se deu com os mais de 20 mil folhetos distribuídos em igrejas de vários Estados, reforçando o voto anti-PT. Antes do primeiro turno, o texto foi escrito por um padre da diocese de Guarulhos, assinado por três bispos e impresso pela regional Sul 1, da CNBB de São Paulo. A fama, no entanto, ficou com dom Bergonzini, que assumiu a autoria do texto. O conteúdo reiterava o que o religioso já tinha publicado no jornal da diocese. Os folhetos foram apreendidos pela Polícia Federal e mesmo depois de a distribuição ser proibida, o texto circulou entre católicos.
A polêmica fez com que parte da CNBB fizesse ressalvas à atuação do bispo e dissesse que não era a opinião da igreja. O religioso discorda. “Não é a minha posição. É a posição da igreja que eu defendo. Está no Evangelho.”
A atuação religiosa de dom Bergonzini se mistura com suas intervenções em temas políticos. Ainda padre em São João da Boa Vista, foi diretor-responsável de um jornal local. “Escrevia sobre a cidade e quando tinha problema religioso, escrevia sobre isso também”, conta. Anos depois de chegar a Guarulhos, em 1992, fundou o jornal da diocese, que publica artigos com temas ligados à igreja e com sua opinião.
O bispo analisa que é natural a igreja indicar para seus fiéis, nas eleições, quem são os bons candidatos. “Minha filha”, diz, “a igreja tem obrigação de defender a fé e a moral, então tem que alertar o povo na eleição”, discorre. “Os políticos não fazem isso? Se eles têm o direito de falar mal de um partido, por que a igreja e um padre não podem manifestar sua opinião? É questão de coerência.”
O Chalita pra mim é pessoa não confiavel
Os seis primeiros meses de governo Dilma não arrefeceram o ânimo de dom Bergonzini contra a presidente. A qualquer momento, diz, o governo tentará avançar em direção ao aborto. Em sua análise, Dilma escolheu para a equipe uma “abortista confessa”, que tentará emplacar mudanças, sem citar um nome. ” É a história do macaco que queria tirar uma castanha do fogo, mas, para não se queimar, pegava a mão do gato e tirava a castanha”, explica. “Dilma está fazendo isso. Ela não quer botar a mão lá, porque se queima”.
Nas próximas eleições, o religioso não pretende sair da linha de frente dos debates envolvendo a igreja e a política, apesar de estar prestes a se aposentar. Pelo menos um político já está na mira: o deputado federal Gabriel Chalita. Eleito com a segunda maior votação em São Paulo, Chalita é ligado à igreja carismática e é pré-candidato à Prefeitura de São Paulo. “O Chalita – pode colocar isso porque já falei na cara dele, não tenho medo – para mim não é pessoa confiável. Em questão de meses pertenceu a três partidos. A escolha que ele faz é de interesse próprio, não da comunidade”, diz. No início do mês, o deputado migrou do PSB para o PMDB, depois de já ter passado pelo PSDB. “Ele usou a Canção Nova para se eleger e provocou uma cisão por lá ao apoiar Dilma. Isso contrariou a nossa filosofia religiosa”, afirma. Só a campanha contra coaduna com sua doutrina.
Dom Bergonzini deve deixar o cargo de bispo às vésperas da eleição de 2012. Ao completar 75 anos, em 20 de maio, pediu aposentadoria ao papa Bento XVI, como é a praxe, e ficará na função até seu sucessor ser nomeado. O prazo médio é de um ano. Depois, será nomeado bispo emérito e não comandará mais a diocese. O religioso, no entanto, quer continuar em Guarulhos.
Licenciado em filosofia e teologia, dom Bergonzini está há 30 anos na cidade, dos quais 19 anos como bispo. “Celebro missa desde que fui ordenado, comungo desde o dia de minha primeira comunhão, 23 de outubro de 1940″, diz. O religioso ressalta que pode “e deve” continuar rezando missas, mesmo aposentado. E ameaça: não vai sair de cena.
Cristiane Agostine | De São Paulo – Valor Econômico
Atualizado 17:52 
OBS em 17.06.2011