sexta-feira, 22 de abril de 2011

A Paixão de Cristo - O martírio doloroso de Jesus Cristo descrito científicamente pelo médico-cirurgião francês Pièrre Barbet

O Dr Pierre Barbet, médico cirurgião francês, explica o martírio e a morte de Cristo detalhando como o corpo humano reage diante do sofrimento.

Dr. Pierre Barbet,

Sou um cirurgião e dou aulas há algum tempo. Por 13 anos vivi em companhia de cadáveres e durante minha carreira estudei anatomia a fundo. Posso portanto escrever sem presunção a respeito de uma morte como aquela.

Descrição científica do martírio doloroso de Jesus Cristo

Jesus entrou em agonia no Getsêmani e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra”. O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas. E o faz com a precisão de um clínico. O suar sangue, ou hematidrose, é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais: para que ele aconteça, é necessária uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo. O terror, o terror, susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produz o rompimento de finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas; o sangue se mistura ao suor e se concentra sob a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra.

Conhecemos a farsa do processo preparado pelo sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede e então ordena a flagelação de Jesus. Os soldados desp9ojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre os quais são fixadas bolinhas de chumbo e pequenos ossos. Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura. Golpeiam com chibatadas a pele, já dilacerada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra.


A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue.

Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os da acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo). Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, entrega-o para ser crucificado. Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da cruz  pesava uns 50 quilos. A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário. Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de pedregulhos.

Os soldados o puxam com a cordas. O percurso é de cerca de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé após outro; freqüentemente cai sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão cobertos de chagas. Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega e lhe esfola o dorso.

Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, mas sua túnica está colada nas chagas, e tira-la produz uma dor atroz. Quem já puxou uma atadura de gaze de uma grande ferida percebe do que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao ser retirada a túnica,  laceram-se as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas.

Os carrascos dão um puxão violento. Há risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não é o fim. O sangue começa a escorrer. Jesus é deitado de costas, as suas chagas se incrustam de pedregulhos.

Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com uma broca é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos. Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), apóiam-no sobre o pulso de Jesus. Com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente.

O nervo mediano foi lesado. Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado _ uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que um homem pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus, não.

O nervo é destruído só em parte. A lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego: quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo irá se esticar fortemente como uma corda de violino tensionada sobre a cravelha. A cada solavanco, um movimento, vibrará despertando dores dilacerantes.

Um suplício que durará três horas. O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; conseqüentemente fazem-no tombar para trás e o encostam na estaca vertical. Depois rapidamente encaixam sobre ela o braço horizontal da cruz.

Os ombros da vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas cortantes da grande coroa de espinhos penetram no crânio. A cabeça de Jesus inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro da coroa o impede de apoiar-se na madeira. Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor. Pregam-lhe os pés.

Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu corpo é uma mascar de sangue. A boca está semi-aberta, e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede. Um soldado lhe estende, sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em um líquido ácido, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz.

Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos se curvam. A isso os médicos chamam tetaia, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis; em seguida aquele entre as costelas, os do pescoço e os respiratórios.

A respiração se faz, pouco a pouco, mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido vai se tornando vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim cianítico. Jesus é envolvida pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem mais esvaziar-se. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem da órbita.

Mas o que acontece? Lentamente, com um esforo sobrehumano, Jesus toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial. Por que este esforço?

Por que Jesus quer falar: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Logo em seguida o corpo começa a frouxar-se de novo, e a asfixia recomeça. Foram transmitida sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que quer falar, deve elevar-se tendo como apoio o prego dos pés. Inimaginável! Atraídos pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de moscas zunem ao redor de seu corpo, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui.
Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que já dura três horas. Todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos lhe arrancam um lamento: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Jesus grita: “Tudo está consumado!” Em seguida, num grande brado, diz, “Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito”.
E morre. Em meu lugar e no seu.

Talvez nenhuma outra relíquia Cristã tenha sido tão investigada como o linho que cobriu o corpo de Jesus. Nos últimos tempos,  estudos científicos afirmam que o Santo Sudário é verdadeiro.

Ver em Santo Sudário  e  Como morreu Jesus?
Livro: Pierre Barbet -  “A Paixão de Cristo Segundo o Cirurgião” (Ed.Loyola, SP). 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Quinta-feira Santa - Missa dos Santos Óleos - A bênção dos Santos Óleos para os Sacramentos do Batismo, do Crisma e da Unção dos Enfermos



Bênção dos Santos Óleos
Na Quinta-feira Santa, acontece a Missa dos Santos Óleos. A  Santa Missa é oficiada pelo Bispo da Diocese local e nela participam os sacerdotes de todas as paróquias acompanhados de uma delegação de fiéis para expressar a união da comunidade eclesial.

Nessa Missa, após a homilia,  os padres fazem a Renovação das Promessas Sacerdotais diante do Bispo.  Em outro momento, dentro da Santa Missa, acontece a bênção dos santos óleos.

Óleo de oliva misturado com perfume (bálsamo) é consagrado pelo Bispo para ser usado nas celebrações dos Sacramentos do Batismo,  do Crisma, da Unção dos Enfermos e da Ordenação.  Sempre que houver celebração com óleo, deve estar à disposição do ministro uma jarra com água, bacia, sabonete e toalha para as mãos.

Sacramento do Batismo
"Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim ?" (Mt 3:14).
(São João Batista disse para Jesus Cristo)

O santo Batismo é o nascimento para a vida cristã. Como a criança que nasce depende dos pais para viver, também nós dependemos da vida que Deus nos oferece. No Batismo, a Igreja reunida celebra essa experiência de sermos dependentes, filhos de Deus. Pelo Batismo, participamos da vida de Cristo. Jesus Cristo é o grande sinal de que Deus cuida de nós.

O Batismo nos dá, pela primeira vez, a graça santificante, que é a amizade e a presença de Deus no nosso coração. Junto com a graça recebemos o dom da Fé, da Esperança e da Caridade, assim como todas as demais virtudes, que devemos procurar proteger no nosso coração. Apaga o pecado original. Apaga os pecados atuais e todas as penas ligadas aos pecados. Imprime na nossa alma o caráter de cristão, fazendo de nós, filhos de Deus, membros da Santa Igreja Católica e herdeiros do Paraíso.Nos torna capazes de receber os outros Sacramentos.


Óleo dos Catecúmenos 

Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da água. Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. A cor que representa esse óleo é a vermelha.

Sacramento do Crisma 

“Tendo ouvido dizer que a Samaria acolhera a Palavra de Deus, os Apóstolos, que estavam em Jerusalém, enviaram lá Pedro e João. Estes, descendo até lá, oraram por eles a fim de que recebessem o Espírito Santo. Pois Ele ainda não descera sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em nome do Senhor Jesus. Então começaram impor-lhes as mãos, e eles recebiam o Espírito Santo” (At 8,14-17).
O Crisma completa a obra do santo Batismo. É o sacramento que dá o Espírito Santo para enraizar-nos mais profundamente na filiação divina, incorporar-nos mais firmemente a Cristo, tornar mais sólida a nossa vinculação com a Igreja, associar-nos mais à sua missão e ajudar-nos a dar testemunho da fé cristã pelo ensinamento, acompanhado das boas obras.
O Crisma imprime na alma do cristão um sinal espiritual ou indelével; razão pela qual só se pode receber este sacramento uma vez na vida. No Crisma, o batizado reafirma sua fé em Cristo, sendo ungido durante a cerimônia, recebendo os sete dons do Espírito Santo.
A unção é feita pelo Bispo ou padre autorizado, com óleo abençoado na quinta-feira da Semana Santa. É um sacramento instituído para dar oportunidade à pessoa batizada de confirmar os compromissos assumidos no Batismo. Simplificadamente, a cerimônia consiste na renovação das “promessas do batismo”, mediante perguntas do Bispo, que em geral a preside, feitas em voz alta e do mesmo modo respondidas pelo crismando perante a comunidade. Como o batismo, o Crisma também imprime caráter, podendo ser ministrado apenas uma vez a cada pessoa.
Por ser um ato de afirmação de compromissos, a pessoa pode jamais receber o crisma ou, indo participar da cerimônia, deixar de confirmar esses compromissos. De qualquer modo, quem não foi crismado ou quem se recusou a renovar os compromissos do batismo, pode fazê-lo em qualquer tempo.

Óleo do Crisma 

Uma mistura de óleo e bálsamo, significando plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar "o bom perfume de Cristo". É usado no sacramento da Confirmação (Crisma) quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento do sacerdócio, para ungir os "escolhidos" que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus, conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.

Unção dos Enfermos

"Quando colocarem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados" (cf. Mt 16, 18).


 A unção dos enfermos é a cura. A doença nos mostra que somos limitados. A doença é também sinal de nossa falta de fraternidade, de nosso pecado. Deus cura a doença e a raiz da doença. Deus está presente em nosso esforço de arrancar o mal pela raiz. É o que celebramos na Unção dos Enfermos. A Unção dos Enfermos é o sacramento da salvação total, do corpo e do espírito ao mesmo tempo. É o sacramento da esperança, porque ajuda o doente a entregar-se confiante nas mãos de Deus.
Óleo dos Enfermos
É usado no sacramento da Unção dos Enfermos. Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. A cor que representa esse óleo é a roxa.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

5a. Feira Santa - Jesus lava os pés de seus discípulos


Um momento solene
No 13º capítulo do seu Evangelho, João fala sobre Jesus fraco, pequeno, que terminará sendo condenado e morto na cruz como um blasfemador, um fora da lei ou um criminoso. Até então, Jesus parecia tão forte, havia feito tantos milagres, curado doentes, ordenado que o mar e o vento se acalmassem e falado com autoridade para os escribas e os fariseus. Ele parecia ser um grande profeta, quem sabe até o Messias. O Deus do poder estava com Ele. Mais e mais pessoas estavam começando a segui-lo, esperavam que Ele os libertasse dos romanos, resgatando assim, a dignidade do povo escolhido. O tempo da páscoa estava próximo. A multidão e os amigos dele pensavam: "Será que Ele vai se revelar na páscoa? Então, todos acreditarão nele." Todos esperavam que algo extraordinário acontecesse. No entanto, em vez de fazer algo fantástico, Jesus tomou o caminho oposto, o da fraqueza, o da humilhação, deixando que os outros o vencessem. Este processo de humilhação teve início quando o Verbo se fez carne no seio da Virgem Maria, e continuou visível para os discípulos no lava-pés. Terminará com a agonia, paixão, crucifixão e morte.

O começo deste capítulo é muito solene: "Antes do dia da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado aos seus, que estavam no mundo, amou-os até ao extremo. Começada a ceia, tendo já o demônio posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a determinação de o entregar, sabendo que o Pai tinha posto em suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, depôs o manto, e apegando uma toalha cingiu-se com ela." (Jo 13,1-4).
Estas palavras são muito fortes: "Jesus, sabendo que o Pai tinha posto em suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, depôs o manto..." Então, Ele se ajoelhou diante de cada um de seus discípulos e começou a lavar-lhes os pés, em uma atitude de humilhação, fraqueza, súplica e submissão. De joelhos ninguém pode se mover com facilidade nem se defender.

João Batista havia dito que ele não era digno nem de desatar as sandálias de Jesus (Mc 1,7). No entanto, Jesus se ajoelha em frente a cada um de seus discípulos.

Os primeiros cristãos devem ter cantado o mistério de Jesus, que se desfez da sua glória e se fez fraco, como encontramos nas palavras de S. Paulo aos Filipenses: "O qual, existindo na forma (ou natureza) de Deus, não julgou que fosse uma rapina o seu ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens e sendo reconhecido por condição como homem. Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte, e morte de cruz! (Fl 2,6-8)

Nós estamos frente a um Deus que se torna pequeno e pobre, que desce na escala da promoção humana, que escolhe o último, que assume o lugar de servo ou escravo. De acordo com a tradição judia, o escravo lavava os pés do senhor, e algumas vezes as esposas lavavam os pés do marido ou os filhos lavavam os do pai.

Jesus tira o manto
Jesus lava os pés dos discípulos não antes da refeição, o que poderia ser apenas um costume judeu de se purificar antes da refeição, ele lavou-os durante a refeição. Imaginemos a surpresa dos discípulos ao verem Jesus se levantar da ceia, tirar o manto, isto no meio da ceia pascal, um momento particularmente solene. Eles devem ter se olhado confusos "o que é que Ele está fazendo agora?" Era muito estranho!

A roupa é normalmente significativa. Ela identifica a posição ou função de alguém na vida: soldados, prefeitos, médicos, juizes, atletas e padres todos usam roupas que revelam sua função na sociedade. As roupas geralmente expressam uma certa identidade, dignidade e autoridade - ou a falta destas. A roupa pode significar o status ou o lugar que alguém ocupa na sociedade. Os ricos usam determinado tipo de roupas, os pobres usam outro, os pedintes outro.

Talvez Jesus tenha tirado o manto simplesmente porque era mais fácil lavar os pés dos discípulos sem o manto. Usando a túnica ele estava vestido para o trabalho. Porém, parece haver um sentido mais profundo neste gesto. Isto é indicado no Evangelho de João da forma como ele esconde e revela o mistério. As palavras que ele usa são: "ele depôs o manto" e Ele "o pegou de novo". Estas palavras depôs e pegou são as mesmas que Jesus usa em Jo 10, 11.15.17.18, quando Ele fala em dar a sua vida e tomá-la novamente. Isto parece indicar que tirar o manto significa dar a vida Dele.

Ao tirar o manto Jesus se despiu de qualquer função ou status social. Claro que Ele tinha poder, autoridade pois era um judeu, um profeta e um mestre. Porém, aqui, Jesus queria ser apenas uma pessoa, um amigo de seus discípulos. Antes de ser o Senhor e o Mestre, Jesus era um coração que procurava outros corações, um amigo ansioso por estar em comunhão com seus amigos, alguém que queria viver no coração dos amigos.
No final de nossas vidas seremos julgados pela maneira como amamos, não pelas roupas que usamos ou pelas máscaras que a sociedade nos forçou a usar. Seremos julgados pelo que realmente somos, não pelo nosso papel na sociedade ou nosso emprego.

Ao tirar o manto, Jesus quer demonstrar que está retirando tudo que possa ser um obstáculo à comunhão dos corações.
Jesus lava os pés dos seus discípulos
"Ele pegou uma toalha e cingiu-se com ela. Depois colocou água numa bacia, e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido"(Jo 13, 4-5). Os discípulos resistem. Pedro reage fortemente. Ele expressa o que provavelmente está no coração de cada um dos discípulos. A mesma resistência que talvez esteja em cada um de nós. O que diríamos nós se Jesus, Nosso Senhor, aparecesse diante de nós e começasse a lavar nossa roupa ou limpar nossa casa? Não ficaríamos acanhados e chocados? Nós certamente diríamos a Jesus para sentar na sala de estar e serviríamos tudo que Ele desejasse. Ele chegou junto a Pedro e este disse "Senhor, vais lavar os meus pés? E Jesus respondeu: "Tu não sabes o que estou fazendo, depois irás compreender." Pedro então respondeu: "Jamais lavarás os meus pés." Jesus respondeu "se eu não os lavar não terás parte comigo" (Jo 13,6-9).

Apesar de ter uma atitude humilde e submissa diante de Pedro, Jesus mantém sua autoridade. Ele fala seriamente "se eu não lavar os teus pés não terás parte comigo". Estas são palavras fortes que em uma linguagem simples significam: "se eu não posso lavar teus pés não serás mais meu amigo, meu discípulo. Não poderás entrar no meu reino e receber a minha herança. Tudo entre nós está terminado, podes ir embora." Ter os pés lavados por Jesus não é uma opção, é uma condição essencial para ser seu amigo entrar no seu reino de amor. Pedro não consegue entender isto.

Pedro percebe a seriedade e a gravidade da resposta de Jesus e fica trêmulo. Talvez isto o tenha feito lembrar-se das palavras de Jesus ao chamá-lo de Pedro (A Pedra - "sobre esta pedra edificarei a minha igreja), e ao chamá-lo de Satanás, depois que se lamenta ao ouvir de Jesus o anúncio do seu sofrimento e morte (Jesus, voltando-se para Pedro, disse: "Retira-te de mim, satanás; tu serves-me de escândalo, porque não tens a sabedoria das coisas de Deus, mas das coisas dos homens". Mt 16,23). Palavras duras! Porque Jesus falou tão fortemente? Esta dureza esconde uma urgência e grande vulnerabilidade. Jesus está vulnerável. Aceitar o caminho da dor e do sofrimento, dar a própria vida, aceitar com humildade, como um escravo, sem direitos, ficar no último lugar: tudo isto vai contra o desejo normal do coração humano. Nosso desejo é ser alguém, mostrar quem somos através de nossas origens, qualidades, capacidades e direitos básicos. Estar disposto a renunciar a tudo isto não é fácil para Jesus, pois Ele permanece humano, como todos nós, exceto em uma coisa, o pecado. Este, no entanto, é caminho do amor que é dado a Ele pelo Pai no qual Ele viverá a total comunhão com o Pai e revelará seu amor radical por seus amigos, "até o fim." Pedro tem que entender isto urgentemente.

Frente a dureza da resposta de Jesus "Se eu não lavar os teus pés, não terás parte comigo", Pedro cede. Ele se abre para Jesus, mesmo sem entender porque ele não aguentaria se separar de Jesus. Então ele grita: "Senhor, lava não somente meus pés mas também minhas mãos e minha cabeça!" Talvez ele pensasse que Jesus estava criando um novo ritual de purificação. Mas Jesus afirma que não é isto, "aquele que se lavou não tem necessidade de lavar senão os pés, pois todo ele está limpo. Vós estais limpos, mas não todos. Porque Ele sabia qual era o que ia traí-lo, por isso ele disse: Não estais todos limpos" (Jo 13,10-11).

Vocês devem fazer como eu tenho feito com vocês
"Depois que lhes lavou os pés e que tomou seu manto, tendo retornado à mesa, disse-lhes: compreendeis o que fiz? Vós chamais-me Mestre e Senhor e dizeis bem, porque o sou. Se eu, pois Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu dei-vos o exemplo, para que, como eu vos fiz assim façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo. O servo não é maior que o seu senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou. Se compreendeis estas coisas, bem-aventurados sereis se as praticardes."(Jo 13,12-17)

Se Jesus lava os pés de seus discípulos, ele quer demonstrar seu amor por cada um e mostrar a todos que a humildade e o serviço são o centro de sua mensagem. Pedro reage fortemente, ele não quer admitir que Jesus se ajoelhe diante dele: "Tu nunca lavarás os meus pés!"

Jesus insiste e diz que eles não só devem deixá-lo lavar-lhes os pé mas também devem lavar os pés uns dos outros. Ele está dando o exemplo. Então, da mesma forma que deixar que Jesus lhes lave os pés não é opcional para os discípulos também não é opcional lavar os pés dos irmãos.

Vejamos que esta é a única parte do Evangelho onde Jesus diz: "Eu vos dei o exemplo." Jesus é nosso modelo. Em outras ocasiões Ele nos pede que aprendamos com Ele ou que façamos certas coisas como Ele as fez. Aqui ele insiste que se nós quisermos ser seus discípulos, ser parte do seu reino, nós temos que seguir seu exemplo e lavar os pés uns dos outros. Nós temos que fazer coisas que parecem ir a além do bom senso, costumes e tradições culturais.

É claro que Jesus está nos pedindo acima de tudo para termos certas atitudes para com os outros. Não é apenas uma questão de lavar os pés. O lava-pés é um sinal e um símbolo. Jesus nos pede que ajamos sempre com um coração humilde e cheio de amor em relação aos outros. Mas ao mesmo tempo Jesus insiste na importância de lavarmos e tocarmos os pés uns dos outros.

Conclusão
A imagem de Jesus ajoelhado aos pés da humanidade, está na minha mente há algum tempo. Jesus se abaixando para limpar e curar as feridas e para lavar os pés, sem dizer nenhuma palavra, mas com lágrimas escorrendo pelo rosto. Como é diferente da imagem de um Deus que julga, condena e pune; um Deus que vê os seres humanos como culpados. Por muitos séculos, as pessoas tiveram esta imagem de Deus. Mas Jesus nos diz: "Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei" (Mt 11, 28).

Hoje as pessoas estão exaustas. Há muito que fazer, muitas coisas a aprender. A competição está em toda parte, poucos são os vencedores e muitos os perdedores. A vida é uma luta constante pela sobrevivência. Muitas pessoas têm que usar máscaras para esconder sua falta de coragem, as dores do seu coração, seu desespero, sua falta de senso de dignidade, porque às vezes eles não têm trabalho.

Outras pessoas estão cansadas de tantas horas de viagem para o trabalho e para casa, suas agendas superlotadas, compromissos, metas a alcançar e todos os problemas sociais ainda não resolvidos e os problemas do mundo. Quando as pessoas estão muito cansadas e fragmentadas, elas perdem a energia e o desejo de celebrar, de agradecer. Elas não têm mais tempo para as outras pessoas, especialmente para os pobres e marginalizados, elas não têm tempo para abrir o coração.

Jesus ao lavar os pés dos discípulos nos mostra como Deus ama, e como seus discípulos, naquela época e hoje também, são chamados a amar e a "amar até o fim".

Finalmente, o lava-pés é um mistério como muitos outros atos de Jesus. Nós entramos neste mistério gradativamente, através de momentos em que sofremos perdas e nos tiram mais e mais o que possuímos. Quando Jesus diz a Pedro que ele entenderá 'mais tarde' Jesus está dizendo aos seus discípulos que é somente depois da longa noite do desconhecimento, e somente por um novo dom do Espírito Santo, que podemos penetrar este mistério e vivê-lo.

Jesus convida seus amigos a tirarem as roupas que lhes dão um status especial, a retirar as máscaras e a se apresentar perante os outros humildemente, vulneravelmente, com toda a sua pobreza. Para se tornar pequeno e humilde é necessário um coração cheio de amor, purificado dos seus medos e da segurança humana, pronto para amar até o fim, a fim de dar a vida aos outros.

Como Jesus quer que o imitemos? Jesus nos convida a seguí-lo na caminho da pequenez, do perdão, da confiança, da comunhão a da vulnerabilidade - sem abandonar em outros momentos nosso papel de responsabilidade onde exercemos autoridade com força e justiça, bondade e firmeza. Jesus nos convida a viver a loucura do Evangelho, não julgar os outros, mas sermos compassivos, perdoar e amar até o fim, e até amar aos nossos inimigos. Isto é impossível a menos que retiremos nossas vestes e nos tornemos pobres e desnudos perante Deus, para que estejamos totalmente "revestidos de Cristo."

Algumas pessoas, inspiradas pelo Espírito Santo, vivem mais profundamente a bênção do lava-pés, de sentar e comer com o pobre, o manco, o aleijado e o cego. Outros que têm importantes papeis na sociedade são tocados pelo sermão da montanha e pelo seu exemplo de vida. Eles anseiam por seguí-lo mais de perto. O rei Luís IX da França - S. Luís - costumava lavar os pés os doentes, todo ano na Quinta-feira Santa. Ele gostava de receber mendigos em sua casa e os servia na mesa. Um dia, enquanto ele caminhava com um acompanhante, eles ouviram o sino que avisava a aproximação de um leproso. Seu acompanhante correu, com medo de ter contato com o leproso. Luís no entanto, foi ao encontro do leproso e beijou-lhe a mão. Mahatma Ghandi quando visitava uma cidade, sempre procurava ficar com os "intocáveis" (os que pertencem as mais baixas castas da sociedade indiana), Ghandi passou a chamá-los de harijans, "filhos de Deus". Na sua própria vida na comunidade, no ashram onde ele vivia, mesmo quando tinha um importante papel na política, ele fazia questão de lavar os banheiros - e continuou a fazer isto até o final de sua vida. Desta forma, Ghandi testemunhava Jesus, pobre e humilde, Jesus o servo, que ele tanto admirava.

Depende de cada um de nós descobrir como somos chamados a ser mais "revestido de Cristo," a fim de servirmos nossos irmãos e irmãs com amor, bondade e humildade. Depende de cada um se aproximar mais daqueles que estão "abaixo", ajudá-los a se levantar, ouvi-los, pedir seus conselhos, aceitá-los como são, com todas as suas diferenças, ser um deles.

Jesus insiste para que os discípulos lavem os pés uns dos outros. Ele diz a Pedro que é absolutamente necessário que ele lhe deixe lavar os pés, caso contrário, ele não terá parte com Jesus. Jesus afirma que ao fazer isto, ele está nos dando um exemplo a ser seguido, e que isto é uma bem-aventurança e uma benção. Tudo isto é porque Jesus quer que tenhamos uma atitude interior de humildade e serviço em todas as ocasiões. Mas ele também está afirmando a importância de realmente lavarmos os pés uns dos outros. Este ato de humildade expressa de forma concreta o nosso amor e respeito pelos outros.

A Igreja Católica Romana realiza na Quinta-feira Santa a cerimônia do lava-pés, quando o padre lava os pés de doze membros da comunidade, como um sinal de obediência a Jesus. Não está Jesus pedindo que todos os membros das comunidades cristãs, de todas as famílias cristãs, lavem os pés uns dos outros em uma cerimonia bem preparada, em espírito de oração, serviço e comunhão?

Lavar os pés de um irmão ou irmã em Cristo, permitir que alguém lave os nossos pés, é um sinal de que juntos nós queremos seguir a Jesus, tomar o caminho da pequenez, para encontrar a presença de Jesus no pobre e no fraco. Isto não é um sinal de que queremos viver um relacionamento de coração com os outros, encontrá-los como uma pessoa e um amigo, e viver em comunhão com eles? Não é isto um sinal de que desejamos ser homens e mulheres de perdão, desejamos ser curados e purificados para curarmos e purificarmos os outros e então vivermos em maior comunhão com Jesus? 

Os objetivos e os financiamentos internacionais para o aborto


CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Sessão: 058.1.52.OHora: 18:06Fase: GE
Orador: ELIMAR MÁXIMO DAMASCENO, PRONA-SPData: 28/04/2003


O SR. ELIMAR MÁXIMO DAMASCENO (PRONA-SP. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em primeiro lugar, quero agradecer a Deus a graça de estar nesta tribuna.
Também quero agradecer à Justiça Eleitoral do Estado de São Paulo pela nossa vitória. Meus parabéns ao Tribunal Eleitoral de São Paulo pela vitória concedida a este Parlamentar na quinta-feira passada.
Muitos confiam nos homens, no poder do dinheiro, no poder político e em outras forças. Eu tão somente confiei no Senhor. Está aí a resposta através dos juízes de São Paulo.
Deus seja louvado!
Sr. Presidente, a sociedade brasileira espera de seus representantes nesta Casa trabalho coerente com os anseios do nosso povo.
Como representante de uma parcela dessa comunidade, desejo expor meus pontos de vista e discorrer sobre o trabalho que me confiaram meus eleitores.
Entre minhas preocupações, destaco a defesa da vida, em todos os momentos de sua existência, e da família, instituição tão ameaçada nos dias de hoje. 

Em verdade, o aborto, a eutanásia, a esterilização em massa de homens e mulheres, a educação sexual hedonista constituem atentados à vida. Enquanto a desestruturação e as várias formas afetadas de família, defendidas por organizações e grupos deletérios, constituem ameaças à família legalmente constituída.
Por outro lado, o desenvolvimento científico no campo da reprodução e da genética trouxe preocupação para os estudiosos da bioética. Essa preocupação diz respeito à reprodução médica assistida, ao descarte de embriões, à redução embriológica, à clonagem de seres humanos, à criação do útero artificial e às experiências de cruzamento de espermatozóide humano com animais inferiores. Tudo isso é motivo de preocupação para os que defendem a vida e a família.
Mas a que devemos essas ameaças à vida e à família? Será isso resultante de um simples desenvolvimento científico ou de uma evolução social? Trata-se de um progresso? Acontecem por acaso esses atentados?
Essas perguntas é que pretendo responder durante este meu pronunciamento.
Em verdade, estão por trás desses atentados três principais interesses, quais sejam: 1) interesses de melhoria da raça humana; 2) interesse político no controle da população no Brasil; 3) interesse de investimentos em recursos para o controle da população no Brasil.
No item 1, interesses de melhoria da raça humana, primeiramente analisemos a filosofia dos defensores da eugenia. 

Algumas organizações estão preocupadas com o que denominam de melhoria da raça humana. Uma das principais representantes dessa filosofia foi a Sra. Margareth Sanger, fundadora da IPPF — International Planning Parenthood Federation (Federação Internacional de Planejamento Familiar), organização com sede em Londres e 142 filiais em todo o mundo. Entre nós, a Sociedade Civil Bem-Estar Social — BEMFAM é uma dessas suas filiais. 
Margareth Sanger acreditava que o mundo seria melhor se habitado por pessoas de raças de puro sangue. Para ela, pobres, mulatos e negros constituem sub-raças e o Estado deve submetê-los a rígido controle de natalidade. Em seus trabalhos, aconselhava o confinamento e a esterilização dessa população.
Vejamos algumas das idéias defendidas por Sanger e escritas no livro Pivot of Civilization (Pivô da Civilização) e em publicações em sua revista Birth Control Review (Revisão de Controle de Natalidade):
"1) Os seres sadios devem procriar abundantemente e os ineptos devem abster-se. Este é o principal objetivo do controle da natalidade.
2) Controle de natalidade — mais filhos dos saudáveis, menos dos incapazes.
3) Controle de natalidade — para criar uma raça de puro sangue.
4) Nenhuma mulher ou homem terá o direito de se tornar pai ou mãe sem licença para a paternidade.
5) Os filântropos que dão recursos para atendimentos nas maternidades encorajam os sãos e os grupos mais normais do mundo a igualar o fardo da irracional e indiscriminada fecundidade de outros, que trazem com eles, sem nenhuma dúvida, um peso morto de desperdício humano. Em vez de reduzir e tentar eliminar as espécies que mais comprometem o futuro da raça e do mundo, eles tendem a tornar essas raças dominantes numa proporção ameaçadora.


Em sua obra Plano para a Paz, recomendava Margareth Sanger:
"a) Impedir a imigração de certos estrangeiros cuja condição é conhecida como prejudicial ao vigor da raça, tal como os débeis mentais;
b - aplicar política severa e rígida de esterilização e segregação à parcela da população mestiça ou cuja hereditariedade seja tal que os 
traços indesejáveis possam ser transmitidos a sua descendência;
c - proteger o País contra futuro peso da manutenção de famílias numerosas, tais como aquelas de pais débeis mentais, aposentando todas as pessoas com doenças transmissíveis que aceitem voluntariamente a esterilização;
d - conceder aos grupos que deterioram a raça opção entre a segregação ou esterilização;
e - destinar terras e habitação rural para aquelas pessoas segregadas e que seriam treinadas para trabalhar sob supervisão de instrutores competentes pelo resto de suas vidas.
f fazer levantamento dos grupos secundários, tais como analfabetos, indigentes, desempregados, criminosos, prostitutas e toxicômanos, separá-los em departamentos com assistência médica e segregá-los em fazenda o tempo necessário ao seu fortalecimento e desenvolvimento da conduta moral".

Margareth Sanger declarou claramente (Pivot of Civilization) seu fundamento lógico de controle de natalidade, lembrando àqueles membros da sociedade que são auto-suficientes, econômica e moralmente, o alto custo e o tremendo peso para eles suportarem os que são dependentes. Ela defende a tese de que seria lógico gastar dinheiro público somente com crianças, que, por sua constituição genética, fossem capazes de se beneficiar da educação. O pobre, que obviamente seria geneticamente inferior, não deveria se beneficiar de tal ajuda e simplesmente deveria ser eliminado. É o que acha Margareth Sanger.

Ainda a revista Veja publicou comentário dos defensores dessa tese no livro A Curva Norma", no qual se diz:

"Os negros são intelectualmente inferiores aos brancos e, por isso, menos vocacionados ao sucesso na vida.
Isso é determinado por vários fatores, mas o predominante é genético. Há pouco o que fazer.
O Governo não deveria gastar bilhões de dólares na manutenção de caríssimas escolas experimentais para negros e pobres. Elas não conseguirão elevar intelectos que a biologia comprometeu.
O correto seria investir no aprimoramento da elite cognitiva, majoritariamente caucasiana, abençoada por uma natureza superior".

Vejam, senhores, que ainda hoje existem os defensores do nazismo, preocupados em aperfeiçoamento genético da raça humana. E pior, muitos, no Brasil, desavisadamente, contribuem com esses grupos, agindo de boa-fé.
A IPPF, fundada por Sanger, com apoio do Population Council — Conselho da População — é hoje a maior organização privada no mundo atuando em controle de população, com milhões de dólares distribuídos entre suas filiais em todo o mundo. Sua política de controle de população é dirigida a setores específicos da sociedade. Só para sua filial brasileira a BEMFAM destina quase 2 milhões de dólares anuais. A BEMFAM mantém 12 clínicas próprias e centenas de convênios com Municípios em todo o País. Notadamente o Nordeste é seu campo de maior atuação. Utilizando-se de eufemismos e meias verdades, essa organização vem atuando livremente entre nós, defendendo os pseudodireitos da mulher brasileira.
Inicialmente, Sanger denominava seus programas de Controle de População. Depois da Segunda Guerra Mundial, em 1952, com receio de identificação de sua atividade com o nazismo, passou a denominá-los eufemisticamente de Planejamento Familiar. Estamos falando sobre a farsa do planejamento familiar: abortos, esterilização, educação sexual e homossexualismo. Estamos vendo o que está por trás de tudo isso. Falamos dos interesses eugênicos.
Vamos agora falar sobre interesses políticos.
A preocupação dos países ricos do norte com o crescimento demográfico dos países pobres e em desenvolvimento levou o Conselho de Segurança do Governo dos Estados Unidos a produzir um documento intitulado Implicações do crescimento da população mundial para a segurança e os interesses externos dos Estados UnidosEsse documento, classificado de confidencial, datado de 24 de abril de 1974, e mantido por 15 anos sob o código NSSM 200, só foi liberado pela Casa Branca em 3 de julho de 1989.
Vejamos alguns extratos desse relatório:

"As conseqüências políticas das atuais tendências populacionais nos países menos desenvolvidos — rápido crescimento, migração interna, elevada percentagem de jovem, pouca melhoria nos padrões de vida, concentrações urbanas e pressões para migrar para o exterior — são danosas para a estabilidade interna e relações internacionais dos países em cujo progresso os EUA estão interessados, criando assim problemas de segurança nacional para os EUA. Em sentido mais amplo, há considerável perigo de prejuízo grave para os sistemas econômicos, políticos e ecológicos mundiais e, se esses sistemas se enfraquecerem, haverá danos para os nossos valores humanitários" . 

Concentração nos países chaves:
"A assistência para o controle populacional deve ser empregada principalmente nos países em desenvolvimento de maior e mais rápido crescimento, onde os EUA têm interesses políticos e estratégicos especiais. Esses países são: Índia, Bangladesh, Paquistão, Nigéria, México, Indonésia, Brasil, Filipinas, Tailândia, Egito, Turquia, Etiópia e Colômbia.
O Brasil, como a Nigéria, claramente domina o continente latino-americano demograficamente, com uma população provavelmente igual à dos Estados Unidos no fim do século."

Como estratégia para ação, propõe o relatório que se use a mulher e, por conseguinte, os movimentos feministas para sucesso dos planos de controle de população. 

E segue o relatório:
"A condição e a utilização das mulheres nas sociedades dos países subdesenvolvidos são particularmente importantes na redução do tamanho da família. Para as mulheres, o emprego fora do lar oferece uma alternativa para um casamento e maternidade precoces, e incentiva a mulher a ter menos filhos após o casamento. A mulher que tem de ficar em casa para cuidar dos filhos tem de renunciar à renda que ela poderia ganhar fora do lar. As pesquisas mostram que a redução da fertilidade está relacionada com o trabalho da mulher fora do lar (pág. 151)".

Essa estratégia explica o porquê da recomendação de incluir Planejamento Familiar nos programas de saúde e, em especial, nos de assistência integral de saúde da mulher.
Vejam com que cinismo e menosprezo somos tratados:

"Prestar serviços de planejamento familiar integrado aos serviços de saúde de maneira mais ampla ajudaria aos EUA a combater a acusação ideológica de que os EUA estão mais interessados em limitar o número de pessoas dos países menos desenvolvidos do que em seu futuro e bem-estar (NSSM 200, pág. 177).
Há também o perigo de que alguns líderes dos países menos desenvolvidos vejam as pressões dos países desenvolvidos na questão de planejamento familiar como forma de imperialismo econômico e irracional; isso bem poderia gerar um sério protesto 
(pág. 109)". 
E continua o cinismo:
"Para assegurar aos outros de nossas ('boas') intenções, devemos mostrar nossa ênfase no direito de cada pessoa e casal determinar livremente e de maneira responsável o número e o espaçamento de seus filhos e no direito de terem informações, educação e meios para realizar isso, e mostrar que nós estamos sempre interessados em melhorar o bem-estar de todos ( Pág. 22, parágrafo 34)".
Observe-se que essa citação do Relatório Kissinger guarda semelhança com o §7º do art. 226 da nossa Constituição:
"Art. 226. ...................................................................
§ 7º - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas."

O Relatório Kissinger estabelece o limite de dois filhos por casal, e esse número já está na mente dos brasileiros.

"Para que a AID (Agência Internacional de Desenvolvimento) estimule campanhas específicas a fim de desenvolver meios de educar as crianças de idade escolar primária a abraçar o ideal da família de dois filhos e para que a UNESCO seja solicitada para tomar a liderança mediante educação formal e informal (pág. 159).
Além de criar o clima para o declínio da fertilidade, conforme indicado numa seção anterior, é indispensável fornecer técnicas eficientes e seguras de controle da fertilidade (pág. 168)."

Faz ainda as seguintes recomendações:
"A esterilização de homens e mulheres tem recebido ampla aceitação em várias regiões onde um método simples, rápido e seguro é prontamente disponível. A esterilização feminina tem sido aperfeiçoada por avanços técnicos como laparoscópios, colposcópios, e principalmente pelas simplificadas técnicas de cirurgia abdominal.
Os aperfeiçoamentos também com grampos tubais, métodos transcervicais e técnicas mais simples oferecem considerável chance de melhor segurança e aceitabilidade" 


Quanto ao aborto, o relatório, descaradamente, menosprezando nossas leis, menciona que:
"Embora os órgãos que estão participando desse estudo não tenham recomendações específicas para propor com relação ao aborto, acredita-se que as questões seguintes são importantes e devem ser consideradas no contexto de uma estratégia global de população.
Certos fatos sobre o aborto precisam ser entendidos: nenhum país já reduziu o crescimento de sua população sem recorrer ao aborto; as leis de aborto de muitos países não são estritamente cumpridas, e alguns abortos por razões médicas são provavelmente tolerados na maioria dos lugares. É sabido que, em alguns países com leis bastante restritivas, pode-se abertamente conseguir aborto de médicos, sem interferência das autoridades.
Sem dúvida alguma, o aborto, legal ou ilegal, tem-se tornado o mais amplo método de controle da fertilidade em uso hoje no mundo." 

Finalmente, propõe o relatório um intenso programa de incentivo e educação, com o uso dos meios de comunicação existentes e tradicionais, inclusive a utilização de imagens via satélite.
Interesse de investimentos em recursos para o controle de população no Brasil.


Para colocar em prática as recomendações do Relatório Kissinger, foram assegurados fabulosos recursos financeiros destinados ao Ministério da Saúde e às ONGs, a maioria delas surgidas após aquele relatório.
É importante observar que, além das doações de organismos internacionais, o Banco Mundial coloca recursos no País sob a forma de empréstimos, onerando ainda mais nossa dívida externa. Pagamos juros para o controle de nossa população que nos são impostos pelos países do norte.

Esses recursos, denominados eufemisticamente "recursos para o planejamento familiar", são destinados a vários programas. Entre eles estão: recursos para formação de pessoal médico e paramédico em práticas de contracepção e esterilização; recursos destinados ao 
lobby no Congresso Nacional para a elaboração e aprovação de leis que permitam o cumprimento dos objetivos de controle populacional; compra e distribuição de contraceptivos para a população pobre; aquisição de equipamentos como laparoscópios, destinados à esterilização de mulheres; propaganda e veiculação de notícias nos meios de comunicação; formação de professores e introdução de programas de educação sexual nas escolas.

A título de exemplo, vejamos alguns desses recursos: 

Fundo de População das Nações Unidas, 15 milhões de dólares; Banco Mundial, 610 milhões e 600 mil dólares; International Planned Parenthood Federation, 1 milhão, 773 mil dólares; Fundação Ford, 452 mil 380 dólares; Fundação MacArthur, 300 mil dólares, por intermédio do CFEMEA — Centro Feminista de Estudos e Assessoria; Pathfinder International, por intermédio do BEMFAM — Centro de Serviços de Planejamento Familiar do Nordeste, 795 mil dólares; IPAS, 300 mil dólares; Program for Appropriate Tecnology in Health, 350 mil dólares por meio da CEMICAMP e do CFEMEA.

Além desses interesses políticos e eugênicos, há interesses ligados à comercialização de peças fetais resultantes de aborto. Nos Estados Unidos, a empresa LDI — Life Dynamics Incorporated publica seu catálogo de preços de partes do corpo de bebês abortados. Entre as peças estão: rim, baço, cérebro, glândula pituitária, ossos da medula.


Preocupam-nos ainda, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, procedimentos de reprodução médica assistida. Inúmeros embriões encontram-se congelados, aguardando o destino que lhes será dado. São seres humanos como nós. Todos nós já fomos um embrião. Essas vidas humanas encontram-se ameaçadas de extermínio. É vida, sim, e não um pré-embrião, como querem alguns. 

O ilustre geneticista Prof. Jérôme Lejeune, descobridor da Síndrome de Down (mongolismo), já dizia:

"No princípio do ser há uma mensagem. Essa mensagem contém a vida e essa mensagem é a vida. E se essa mensagem é uma mensagem humana, essa vida é uma vida humana."
Esse discurso foi proferido no Auditório Petrônio Portela, no Senado Federal.
Por outro lado, os ataques à família são demonstrados nas diversas tentativas de considerar família o ajuntamento de pessoas de maneira informal, do mesmo sexo ou não.

As investidas para a legalização de união entre pessoas do mesmo sexo sugiram durante os trabalhos da Constituinte. Sabiamente nossos representantes, naquela época, incluíram no texto constitucional o art. 226, § 3º, que diz:
"Art. 226...............................................................
§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento
."

Sr. Presidente, no mandato que me foi concedido pelos eleitores, farei um trabalho persistente em defesa da família e dos valores éticos e morais da sociedade brasileira. Jamais transigirei com ideologias antinatalistas e contrárias ao interesse nacional.
Ouço, com prazer, o nobre Deputado Professor Irapuan Teixeira.

O Sr. Professor Irapuan Teixeira Nobre Deputado Elimar Máximo Damasceno, congratulo-me com V.Exa. porque, como companheiro do PRONA, sei da seriedade com que trata questões como o aborto, que preocupa não só aos médicos, mas a todo cidadão. Parabenizo V.Exa. pela vitória obtida no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, que restabeleceu a verdade, anulando a sentença que transitava naquela Corte. Congratulo-me mais uma vez com V.Exa. O seu pronunciamento mostra a postura ética e a seriedade com que trata questões que, atualmente, parece, melindram as pessoas. Parece que se tem medo de abordar determinados assuntos. V.Exa., com muita propriedade, aborda nesta Casa assuntos que muitas vezes são tratados como tabu. Muitas pessoas acreditam ser o abortamento um fato normal, e por isso uma voz precisava se manifestar em defesa do ser humano. O ser humano existe não somente quando fora do útero. Desde a concepção, sabemos, o ser humano já tem potência de ser e, assim sendo, devemos defender sua existência. Assim como aqui estamos nos expressando e em trânsito no mundo, também devemos permitir que aqueles que o Criador determinou que viessem ao mundo tenham a sua permanência, o seu trânsito entre nós. Obrigado.

O SR. ELIMAR MÁXIMO DAMASCENO Obrigado, Deputado Professor Irapuan Teixeira, e parabéns pelo aparte.

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, voltarei a esta tribuna todas as vezes em que houver atentados à soberania nacional, principalmente no que se refere às questões demográficas, atentados à vida e à família.
Agradeço a Deus pela oportunidade. 
Deputado Elimar Máximo Damasceno (PRONA-SP)
Fonte: Câmara Federal
Livro: DAMASCENO, Elimar M. Em defesa do Cristianismo, da Pátria, da Cultura e da Família. Brasília: 2005.

Acentos da ética civil (Dom Walmor Oliveira de Azevedo)

Dom Walmor

Tem crescido, mas ainda é necessário dar prioridade e investir em entendimentos no campo da ética civil. É determinante e preciosa a dimensão moral para a vida em comum. Em questão está o modo de viver e de formular os princípios éticos e morais norteadores da vida nessa sociedade secular e pluralista. Não pode mais ser adiado o tratamento do rol de vulnerabilidades que afetam os rumos da sociedade, comprometem o discernimento e a eleição de prioridades, retardando soluções de demandas básicas que se arrastam e perpetuam cenários vergonhosos e deploráveis.

A porosidade da ética civil, que sustenta fluxos e dinâmicas na sociedade, pode explicar atrasos, desvarios e absurdos de cenários e condutas, e até de fatos cruéis como o massacre de crianças e adolescentes numa Escola de Realengo. Esses acontecimentos exigem que se ponha a mão na consciência para que haja antecipação de encaminhamentos e providências que darão rumo diferente a esta sociedade enferma. Do contrário, corre-se contra o tempo, numa tentativa de apenas minimizar prejuízos, muitos deles fatais e irreversíveis na vida de indivíduos, famílias e comunidades. Há, sem dúvida, na sociedade contemporânea, um pluralismo moral que não dispensa a construção de convergências até para garantir a insubstituível dinâmica democrática como questão de civilidade. O que caracteriza a ética civil não pode prescindir do que vem da moral cristã - contribuição indispensável, tanto pela solidez de seus princípios quanto pela missão que têm os que creem em Cristo, no sentido de contribuir e participar da confecção e manutenção do tecido determinante na vida da sociedade.

Por um lado considera-se a diversidade que emoldura a postura moral na sociedade pluralista. Por outro, o atendimento da demanda na configuração da ética civil não pode virar as costas para o acervo inesgotável que é a ética cristã. Essa é uma luta missionária da Igreja Católica, considerando-se a gravidade desse desafio. Desafio muito maior e mais significante, como tarefa - salvo melhor juízo - do que simplesmente o que pode impressionar na realidade do trânsito religioso, quando se considera o vai e vem de crentes. Não se pode, é claro, assistir de braços cruzados o processo de configuração, por vezes de deterioração, da ética civil, indispensável no sustento da sociedade contemporânea. A sustentabilidade é um âmbito que não pode apenas considerar números, rendimentos, a conservação da natureza e outros itens também importantes para a vida no planeta. Em toda e qualquer sociedade, a moralidade é uma alavanca de sustentação para a qual não há substitutos.

A corrupção, a indiferença, os interesses cartoriais e outras dinâmicas perversas prejudicam a vida social e política. Diariamente, os noticiários, em diferentes meios, preenchem a maior parte do tempo tratando questões desse âmbito, revelando as origens dessas vulnerabilidades comprometedoras. É verdade que a ética civil tem leito próprio em relação à confessionalidade. Ora, a vida social não é dirigida por uma determinada profissão de fé. Reporta, pois, ao tema da laicidade, que é entendida como racionalidade e não como confessionalidade.

Ainda sobre o âmbito das distinções, compreende-se que ética civil não se confunde com civismo. O civismo é a expressão da convivência cidadã ajustada aos usos convencionais, enquanto a ética civil refere-se ao universo da responsabilidade e dos valores morais. O termo civil não pode ser entendido como contraposição ao que é militar, ou eclesiástico, ou mesmo ao social e profissional, embora nestes tenha uma grande e importante incidência. A ética civil é, pois, a referência à instância moral da cidadania e da civilidade. Essa instância moral não pode ser esgarçada e diluída sob pena de prejuízos sérios, como se pode constatar na dimensão moral da vida humana, com repercussão na convivência social e cidadã em geral.

A amplitude desse campo de abordagem - com suas peculiaridades - merece, entre outros pontos de constante reflexão, a preocupação com as vulnerabilidades dos limites humanos. Esses limites têm nomes como o interesse exagerado pelo dinheiro, que faz deste o ponto determinante de negociações, impedindo, muitas vezes, a permanência de projetos de grande importância para a sociedade. Não menor é a vulnerabilidade que se constata pelo descompasso da estatura adquirida na competência profissional e humana, impedindo muitos de aguentar desafios, de fazer sacrifícios e de permanecer nas ‘trincheiras’ por altruísmo. Atitudes que não permitem que questões menos relevantes os levem à condição de desertores bem no auge da batalha. Esse é um enorme desafio emoldurado pela carência de entendimentos no âmbito da ética civil.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Fonte: Arquidiocese

Prevenir ou proibir? (Dom Antonio Augusto Dias Duarte)

Dom Antonio A .Dias Duarte
Recentes e dolorosos acontecimentos vividos por adolescentes, seus pais e parentes, seus professores, bem como por policiais, religiosos e políticos envolvidos nesses momentos difíceis da Cidade Maravilhosa, conduzem o povo e toda a sociedade brasileira às necessárias e inadiáveis interrogações abaixo escritas.

O que está acontecendo no meio social para que tanta violência nunca acabe? Será uma falta de maiores proibições, seja por meio de leis mais claras e exigentes, seja por ações policiais mais repressivas? 



Será que só campanhas de desarmamento da população, motivadas por emoções momentâneas, resolverão toda essa violência?

Essas perguntas certamente suscitarão variadas e discutíveis respostas que não cabem nessas linhas, mas cabe à Igreja Católica, como Mãe e Mestra, ir ao encontro dessas interrogações e dar a cada uma delas um giro de 180º.

A maternidade espiritual e a pedagogia milenar da nossa Igreja conduzem nessas horas de dor e de questionamentos a uma posição sábia e serena, partindo de umas palavras do seu divino fundador, Jesus Cristo.

Diante das mortes violentas acontecidas no seu tempo, Jesus não as questionou como se elas fossem castigo de Deus para os falecidos por esses serem pecadores, mas advertiu aos que lhe levavam essa questão dolorosa e misteriosa no sentido que eles – e a humanidade ao longo dos tempos – se convertessem, pessoal e profundamente, para que também não perecessem.

A conversão de uma sociedade onde a violência acontece dar-se-á na medida em que os homens e as mulheres que a constituem se convertam, não só dos seus pecados, mas principalmente se tornem pessoas capazes de perceberem os sinais de desordens afetivas, psíquicas e sociais dentro das famílias, das escolas e dos ambientes de trabalho e de diversão.

Geralmente, os desequilíbrios humanos são “anunciados” no tempo devido e poderiam ser preventivamente vigiados, cuidados e até mesmo curados, se nas famílias, nas escolas, nas comunidades, houvesse pessoas convertidas em cidadãos responsáveis pelo futuro da sociedade, especialmente pelo futuro da infância e da adolescência brasileira.

Dizem – nem sempre é regra geral – que os brasileiros só trocam as fechaduras das portas depois que suas casas são assaltadas, e vão à procura de “soluções mágicas” para os problemas de sempre. Acontece que uma prevenção de desequilíbrios comportamentais pode ser uma “solução mágica”, desde que as famílias brasileiras tenham consciência de que não são simples moradias, mas lares onde se tornam realidades projetos divinos a favor dos homens, começando pelo principal projeto: ser uma família onde a única lei é a do amor gratuito, generoso, concreto e fiel.

Os desajustes sociais e os desequilíbrios mentais se desenvolvem, geralmente, em pessoas que nasceram e cresceram em lares frios, violentos, desajustados emocionalmente, onde o amor não existia ou só era reclamado e não vivido pessoal e familiarmente.

A Igreja Católica, Mãe e Mestra e perita em humanidade, deseja ser mais ouvida e valorizada quando, a serviço de todas as pessoas, independentemente de suas crenças e condições sociais, anuncia que a família tem sua fundação no casamento entre um homem e uma mulher, tem seus momentos de equilíbrio e ajuste das relações humanas no amor, no perdão, na reconciliação e na prevenção a partir da percepção de sinais significativos de desequilíbrios.

Não são suficientes as “soluções mágicas” procedentes de segmentos políticos e de segurança pública extrafamiliares, se “as portas da vida”, que é a família bem constituída e sadia, emocional e socialmente, continuarem sem as medidas políticas, econômicas e educacionais favoráveis e eficazes para um correto desenvolvimento psíquico, ético e social do ser humano, dentro da normalidade do amor dos pais, dos irmãos, dos colegas de escola, numa palavra, dentro do valor insubstituível do amor-respeito pelos diferentes ou pelos que vivem carentes de paz interior.

Será que as tragédias só são capazes de despertar emoções que são instantâneas e com pouca inteligência para resolvê-las?

A Igreja Católica deseja que com prevenções mais racionais e vigilantes se possa despertar os corações humanos para que se criem famílias melhor assistidas, para que se desenvolvam políticas educacionais mais amplas e que incluem valores religiosos e cívicos suficientemente fortes para dar equilíbrio humano às crianças e aos jovens, para que haja projetos de comunicação social, cada vez mais benéficos à humanidade, especialmente para essas partes do mundo tão queridas por Deus, como são a infância e a adolescência.

Oxalá esses dramas humanos recentemente vividos no Rio de Janeiro conduzam à prevenção justa e amorosa e não só a leis repressivas projetadas e depois aprovadas pelo Congresso Nacional!


17.04.2011 
Dom Antonio Augusto Dias Duarte 
Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro
Fonte: - Arquidiocese-RJ

terça-feira, 19 de abril de 2011

Vaticano: Bento XVI completa seis anos de pontificado


Últimos doze meses forma de grande atividade para o Papa alemão, de 84 anos

D.R. | Bento XVI na celebração do domingo de Ramos, 17.04.2011
Lisboa, 19 abr 2011 (Ecclesia) – Bento XVI completa hoje seis anos de pontificado, com uma progressiva exposição mediática, por força das várias viagens e intervenções públicas que têm servido para redefinir a sua imagem inicial de Papa de transição.

O primeiro Conclave do terceiro milénio, no dia 19 de abril de 2005,elegeu Joseph Ratzinger como novo Papa, na quarta votação, duas semanas depois da morte de João Paulo II.

Os últimos doze meses do atual pontificado foram de grande atividade, com destaque para a publicação do novo volume do livro de Bento XVI sobre «Jesus de Nazaré», obra central do trabalho do teólogo e intelectual alemão, que se empenha numa luta pela credibilidade religiosa e histórica do cristianismo.

Outra obra de grande impacto foi o livro-entrevista, «Luz do Mundo», resultante de uma conversa com o jornalista alemão Peter Seewald, um registo inédito permitiu dar a conhecer Bento XVI e o seu pensamento sobre temas centrais para a Igreja e a sociedade.

Ainda no mesmo âmbito, o Papa vai estar na televisão pública italiana (RAI) para responder às perguntas de telespectadores, numa emissão que tem lugar a 22 de abril, sexta-feira Santa.

A questão dos abusos sexuais cometidos por membros do clero foi uma sombra permanente sobre Bento XVI, que lhe procurou fazer frente apelando, por diversas vezes, à necessidade de justiça e de reparação, no seio da Igreja, em colaboração com as autoridades civis.

De 11 a 14 de maio do ano passado, Bento XVI passou por Lisboa, Fátima e Porto, revelando capacidade de estar próximo das pessoas e de falar para lá das fronteiras da Igreja.

Se Portugal foi uma lição central para perceber o que pensa o Papa sobre o futuro da Igreja, a visita ao Reino Unido (16-19 de setembro) mostra o que deseja da relação entre a comunidade crente e um mundo crescentemente secularizado.

Em Santiago de Compostela e Barcelona (6-7 de novembro), Joseph Ratzinger retomou as suas preocupações sobre a Europa do século XXI, progressivamente afastada da fé em Deus, escolhendo dois símbolos mundiais: os caminhos de peregrinação, na Galiza, e a basílica de Gaudí, na Catalunha.

Também dentro da Itália se viveram momentos significativos, com a visita pastoral a Turim (2 de maio), diante do Santo Sudário, e viagem a Palermo, Sicília (3 de outubro), onde Bento XVI não teve medo de criticar abertamente a Mafia.

A viagem ao Chipre (4-6 de junho) funcionou como uma espécie de prelúdio para Sínodo dos Bispos para o Médio Oriente, que em outubro de 2010 levaria ao Vaticano as preocupações de várias comunidades ameaçadas pela pobreza, o fundamentalismo, a violência e a emigração em massa.

O tema da liberdade religiosa voltaria a estar em destaque na mensagem que o Papa escreveu para o Dia Mundial da Paz 2011, afirmando que os cristãos são as principais vítimas de perseguição por causa da fé, no mundo.

Para este ano, estão previstos acontecimentos como a beatificação de João Paulo II, a 1 de maio, e a reedição de do encontro inter-religioso de Assis (Itália) de 27 de outubro de 1986, no mesmo dia, este ano sobre o tema «Peregrinos da verdade, peregrinos da paz».

O calendário das viagens inclui visitas a quatro países - Croácia, Espanha, Alemanha e Benim -, para além de quatro deslocações a dioceses italianas.

Desde o início do pontificado, Bento XVI, que completou 84 anos de idade no último sábado, fez 18 viagens apostólicas fora da Itália. OC

Mulheres líbias são violentadas


As mulheres líbias ao Arcebispo Martinelli: "chega de bombas e violência contra os civis"
Trí­poli (Agência Fides) - "No final da celebração da Santa Missa, encontrei-me no final da igreja com uma dezenas de mulheres lí­bias, muçulmanas. Esta é a primeira vez em 40 anos de celebrações na Líbia. Elas chegaram à sacristia corando. Muitas por motivos de trabalho conheciam algumas religiosas católicas", disse à Agência Fides Dom Giovanni Innocenzo Martinelli, Vigá¡rio Apostólico de Trí­poli. " Essas mulheres repetiam continuamente: Padre, por favor, acabemos com essa guerra, com as bombas. Destruí­ram as nossas famí­lias, acabaram com a vida social, as crianças não vão à escola. Estamos devastadas".

Então elas me disseram o que está acontecendo em Misurata".
Disseram-me - continua Dom Martinelli, que as mulheres são estupradas e mutiladas, as famílias estão presas em suas casas."Vocês não tem ideia do que está acontecendo lá, disseram estas senhoras."

Relatei estes fatos num seminário através do telefone, organizado pelo Serviço de Ação Europeu Externa, do qual participara outras pessoas, alguns lí­bios residentes na Europa e no Egito. Foi discutido como fazer para levar ajuda humanitá¡ria à Lí­bia, após o fim do conflito. Eu reiterei que é preciso encontrar uma maneira de acabar com a guerra", disse o Vigário Apostólico de Trí­poli. 

Dom Martinelli acrescenta que "como nós escrevemos no documento das comunidades cristãs na Lí­bia (veja Fides 13/04/2011), devem ser exploradas as relações tribais. Kadafi teve o mérito de ter reunificado as vá¡rias cabila (tribos) da Lí­bia. Em nossa declaração sugerimos envolver os "anciãos" (os sábios, os idosos) para encontrar o caminho do diálogo entre os diferentes componentes da sociedade da Lí­bia". "É necessária um forma de diplomacia que respeite a realidade Lí­bia. Nesse sentido, apreciei a posição dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e Á frica do Sul, em sua última reunião rejeitaram o uso da força e reiteraram a necessidade de uma solução diplomática para a crise na Líbia). Parece-me muito sábia, porque dá¡ prioridade à ação diplomá¡tica e não o uso da força", concluiu Dom Martinelli. (L.M.)
(Agência Fides 16/4/2011)

STF: atalho fácil


O Pe.  Luiz Carlos Lodi da Silva, do Pró-Vida Anápolis mostra como está sendo usado o Supremo Tribunal Federal.  Assuntos que deveriam ser discutidos e votados na Câmara e depois no Senado, competentes para eleborar as leis, são resolvidos pelo Supremo Tribunal Federal, que não tem competência para legislar.

STF: o atalho fácil
(como legalizar aborto e “casamento” homossexual sem passar pelo Congresso Nacional)

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Dos que defendem coisas espúrias não se deve esperar honestidade. Os que defendem o aborto e o “casamento” homossexual pouco se importam com o meio empregado para obter seus fins. Se o Congresso Nacional, composto por representantes do povo, recusa-se a aprovar um projeto de lei que libere o aborto (como o PL 1135/91) ou a “união civil”, “parceria registrada” ou “casamento” de pessoas do mesmo sexo (PL 1151/95), recorre-se ao Poder Judiciário para que este se substitua ao legislador.

Não é à toa que há juízes e tribunais que, contrariando a lei, “autorizam” a prática do aborto de crianças deficientes (entre elas as anencéfalas) ou reconhecem a “união estável” entre pessoas do mesmo sexo. Os fautores da cultura da morte pretendem que o Supremo Tribunal Federal profira uma decisão de efeito vinculante que substitua a lei que os legisladores se recusam a aprovar.

A estratégia não é nova. Nos Estados Unidos o aborto foi “legalizado” mediante uma decisão da Suprema Corte (caso “Roe versus Wade”), de 22 de janeiro de 1973, que, por sete votos contra dois, declarou inconstitucional a legislação do Texas que incriminava o aborto.
“Foi mais adiante: afirmou, de fato, que qualquer lei estadual que proibisse o aborto para proteger o feto nos primeiros dois trimestres de gravidez — antes do sétimo mês — era inconstitucional. (...) De um só golpe, em Washington, um tribunal de nove juízes que haviam sido nomeados e não eleitos para seus cargos, e que nem foram unânimes em sua decisão, mudara radicalmente as leis de quase todos os cinquenta estados norte-americanos”.[1]
No Brasil, o Supremo Tribunal Federal é composto de onze ministros. Nenhum deles foi eleito pelo povo. Seis foram nomeados por Lula. Um (Luiz Fux) foi nomeado por Dilma. Ao todo, sete ministros que devem sua nomeação a um governo petista. É verdade que o nome indicado pelo Presidente da República deve ser aprovado pela maioria absoluta do Senado Federal, após uma arguição pública (art. 101, parágrafo único, CF). Mas o Senado já demonstrou sua subserviência quando não foi capaz de impedir em 2009 a escandalosa nomeação por Lula do “companheiro” Dias Toffoli, militante petista que atuava como advogado-geral da União.

Atualmente, o instrumento preferido para obter, via Judiciário, o que não se consegue obter via Legislativo é a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). Descobre-se (ou cria-se) determinado “preceito fundamental” que estaria sendo violado por alguma lei e pede-se que essa lei seja “interpretada” de tal modo a defender esse preceito. 

ADPF 54
Para a liberação do aborto de bebês anencéfalos, foi proposta em 2004 a ADPF 54 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS). O pedido foi que se (re)interpretassem “conforme a Constituição” os artigos do Código Penal que incriminam o aborto, de modo a não incluírem o aborto de anencéfalos. Proibir uma mãe de matar seu filho anencéfalo em gestação seria, na opinião do advogado Luis Roberto Barroso, violar o direito da gestante à “liberdade”, à “saúde” (em sentido amplo de completo bem-estar físico, mental e social) e à “dignidade humana”. Aliás, tal aborto não seria um aborto, mas uma simples “antecipação terapêutica de parto” (ATP)!

Em 27/04/2005, a Ministra Ellen Gracie [foto] em seu voto denunciou a deslealdade do uso da ADPF para legislar:

“Parece-me profundamente antidemocrático pretender obter, por essa via tão tortuosa da ADPF, manifestação a respeito de um tema que, por ser controverso na sociedade brasileira, ainda não logrou apreciação conclusiva do Congresso Nacional, ainda que registradas tantas iniciativas legislativas em ambas as Casas. Não há o Supremo Tribunal Federal de servir como “atalho fácil” para a obtenção de resultado — a legalização da prática do abortamento — que os representantes eleitos do povo brasileiro ainda não se dispuseram a enfrentar”[2].

Por esse motivo, a Ministra não conheceu a ADPF 54. Seu bom senso, porém, não foi acompanhado por todos os colegas. Por sete votos contra quatro, o Supremo declarou cabível o uso dessa via esdrúxula para a liberação do aborto eugênico. Falta agora a apreciação do mérito.

O julgamento foi adiado por anos e anos, uma vez que se previa uma derrota do aborto. Uma grande perturbação na causa abortista foi causada pela menina anencéfala Marcela de Jesus Ferreira [na foto com seus pais], nascida em Patrocínio Paulista (SP) em 20/11/2006 e falecida em 01/08/2008, após 1 ano, 8 meses e 12 dias! Marcela fez cair por terra o argumento de que “no caso de feto anencefálico, há certeza científica de que o feto não tem possibilidade de vida extrauterina”[3].

Finalmente em 27/02/2011 o relator Ministro Marco Aurélio resolveu inserir o processo na pauta. A matéria será apreciada na pauta n.º 6 de 2011[4]. 

ADPF 132
O “casamento” de homossexuais não conseguiu ser aprovado no Congresso Nacional desde quando em 1995 a então deputada Marta Suplicy (PT/SP) apresentou o Projeto de Lei 1151/95 dispondo sobre a “união civil” (mais tarde “parceria registrada”) de pessoas do mesmo sexo. Obstruído o caminho do Legislativo, os homossexualistas optaram pelo “atalho fácil” do Supremo Tribunal Federal.

Em 2008, o então governador do Estado do Rio de Janeiro Sérgio Cabral ajuizou a ADPF 132, requerendo que seja reconhecida a “união estável” entre duas pessoas do mesmo sexo. A negação desse “status” às duplas homossexuais, segundo ele, violaria o direito à“igualdade”, à “liberdade” e à “dignidade da pessoa humana”. Para entendermos quão estranho é o pedido formulado na ADPF 132, vejamos o que diz o Código Civil sobre a figura da “união estável”:

Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família.

Esse artigo, que diz “entre o homem e a mulher”, reflete a mesma expressão usada na Constituição Federal:

Art. 226, § 3º. Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.

Ora, o que pretende a ADPF 132 é que o artigo 1723 do Código Civil seja interpretado “conforme a Constituição”, a fim de que o regime jurídico da “união estável” seja aplicado também às duplas homossexuais (“relações homoafetivas”). Mas como? Não é a própria Constituição que restringe a união estável a algo “entre o homem e a mulher”? Como querer usar a Constituição para defender o que ela não reconhece? Será que o governo do Rio de Janeiro acha que certos artigos da Constituição não são “constitucionais”?


Por incrível que pareça, há quem se incline por ver algum cabimento nesse pedido. O relator Ministro Ayres Britto em 10/03/2011 determinou a inclusão do processo na pauta. A matéria será apreciada na pauta n. 9 de 2011[5].

O Supremo e o absurdo
A filosofia nos ensina que Deus pode tudo, menos o absurdo. O princípio de não contradição não pode ser violado nem por virtude divina.

Se o Supremo Tribunal Federal conhecer e julgar procedente a ADPF 132, ficará patente que essa Corte pode tudo, até o absurdo! Em tal caso, aqueles onze ministros se sentirão com o poder até de declarar inconstitucional algo da própria Constituição!

Será o sacrifício da razão humana em favor de uma ideologia. E tudo pela desestruturação da família. Deus se compadeça de nós!

Anápolis, 15 de abril de 2011.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis

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[1] Ronald DWORKIN. Domínio da vida, São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. 7.
[2] Ellen GRACIE. Voto em questão de ordem na ADPF 54, 27 abr. 2005, p. 16. Destaque nosso.
[3] ADPF 54. Petição inicial, folha 15 dos autos.
[4] Diário de Justiça Eletrônico n. 43, divulgado em 03/03/2011. Publicado em 04/03/2011.
[5] Diário de Justiça Eletrônico n. 51, divulgado em 17/03/2011. Publicado em 18/03/2011.