quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Bebês e mães mais felizes, com menos riscos de mortalidade para ambos

A matéria publicada no sitio da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo mostra que a redução da mortalidade de bebês em gestação ou de recém-nascidos caiu 25%, de 18,5 para 13,8 bebês por mil, entre os anos de 2000 e 2009.

76,1% das gestantes passaram por 7 consultas durante a gestação, o que resultou na redução dos riscos para o bebê e para a mulher.

Os dados estatísticos confirmam o estudo do IBGE, já publicado no post "Aborto: defender a vida humana é ser progressista." Repito aqui:
Falta de assistência médica. O IBGE, no estudo “Nascimentos no Brasil: o que dizem as informações ?”, indica que a falta de assistência médica é a principal causa dos abortos. Diz o documento; “O acesso à assistência pré-natal é considerado uma condição sine qua non que a gestação transcorra sem problemas tanto para a mãe quanto para o filho, ou, pelo menos, que haja um acompanhamento médico para as situações de risco. Alguns estudos mostram que a maioria das mortes por causas maternas são evitáveis, se ações que objetivam a qualidade da assistência perinatal e o acesso aos serviços de saúde da gestante forem tomadas (BRASIL...,1997; ALMEIDA; BARROS,2005).” Acrescenta: “A avaliação por Unidades da Federação para o ano de 2006 mostra as desigualdades regionais, no que se refere à assistência pré-natal. Enquanto em São Paulo e no Paraná o total de nascidos vivos cujas mães realizaram sete ou mais consultas foi superior a 70%, no Amapá essa proporção não atingiu 25%.” O essencial é dar assistência médica, psicológica e material para todas as gestantes, desde a fecundação, com pelo menos sete consultas, para manter as vidas das crianças e das mulheres.

A seguir a publicação dos resultados pela Secretaria da Saúde:

Mortes de recém-nascidos atingem menor nível da história em SP
As mortes bebês em gestação ou de recém-nascidos no Estado de São Paulo atingiram o menor índice da história. É o que aponta o mais recente balanço da Secretaria de Estado da Saúde, produzido em parceria com a Fundação Seade.
Segundo o novo boletim, a taxa de mortalidade perinatal, que se refere aos óbitos fetais a partir da 22ª semana de gestação (quando o peso do nascimento é de cerca de 500 gramas) até sete dias completos após o nascimento caiu 25% em 10 anos no Estado. O índice, que era de 18,5 por mil nascidos vivos e nascidos mortos no ano 2000, passou para 13,8 em 2009. Isto significa uma vida salva a cada quatro gestações ou nascimento, na comparação com o início da década, ou 4,7 mil vidas salvas neste período.
A mortalidade perinatal vem caindo gradualmente no Estado, com estabilidade em alguns anos. A comparação, neste caso, deve ser entre longos períodos, assim como na mortalidade infantil.
Em 2001 o índice foi de 17,7. Em 2002, 17,4. Em 2003, 15,7. Em 2004, 15,8. Em 2005 a taxa passou para 14,5. Em 2006, 14,4. Em 2007 e 2008 o índice ficou em 14,0, caindo para 13,8 no ano seguinte.
A taxa de mortalidade perinatal é considerada um importante indicador de saúde pública, uma vez que com a acentuada queda na mortalidade entre o período de sete dias e o primeiro ano de vida, cerca de metade das mortes infantis concentram-se na primeira semana após o nascimento.
Em relação aos valores de 2000 houve queda na mortalidade perinatal em todas as regiões de saúde do Estado. As maiores diminuições foram observadas nas regiões de São José do Rio Preto, Grande São Paulo e Bauru.
Ainda segundo o levantamento, a redução da mortalidade perinatal no Estado pode ser atribuída, principalmente, à queda do número de óbitos considerados reduzíveis por diagnóstico e tratamento precoces de doença ou por adequada atenção ao parto, além de medidas de controle da gravidez.
“Os dados apontam a correção das políticas públicas de saúde que São Paulo vem adotando. O desafio, agora, é aprimorar este indicador e suprir eventuais carências regionais, proporcionando suporte para que os municípios possam aperfeiçoar cada vez mais a assistência à gestante, ao parto e aos recém-nascidos”, diz Giovanni Guido Cerri, secretário de Estado da Saúde de São Paulo.
Nos últimos três anos, a Secretaria adotou o Advanced Life Support in Obstetrics, idealizado pela American Academy of Family Phisicians e ministrado no país pela Also Brasil, com objetivo de qualificar médicos e enfermeiras-obstetras para o atendimento de emergências obstétricas. Também houve treinamento específico de pediatras da rede pública, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria, com enfoque em reanimação neonatal.
A assistência às gestantes também vem sendo aperfeiçoada ao longo dos anos. Levantamento da Secretaria aponta que 76,1% das grávidas do Estado de São Paulo passam por pelo menos sete consultas de pré-natal nas Unidades Básicas de Saúde, superando o mínimo de seis atendimentos recomendados pelo Ministério da Saúde e o de quatro estabelecidos pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
Essa cobertura, referente a 2008 (último ano disponível) é 41% superior ao registrado no ano 2000, quando 53,8% das gestantes recebiam pelo menos 7 consultas de pré-natal no Estado.
A redução da mortalidade perinatal no Estado e por região

Valores em porcentagem(%)
Índices por mil nascidos vivos + nascidos mortos
Autoria: Assessoria de Imprensa - 17/02/11

Concluindo. A questão do aborto se resume na melhoria da assistência médica às gestantes, desde o momento da fecundação. Se a mulher for assistida e passar por todos os exames médicos, ela e seu bebê terão os riscos reduzidos e serão mais felizes. A sociedade será mais feliz porque não precisará carregar o peso dos assassinatos dos seres humanos em gestação.

Talvez seja melhor ir reclamar com o papa - Jornal Guarulhos Hoje

Talvez seja melhor ir reclamar com o papa
Ernesto Zanon    29/10/2010 09:10


Independentemente dos resultados das urnas no próximo domingo, quando os brasileiros irão escolher entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) o novo presidente da República, todo o embate político vislumbrado ao longo desta campanha serve para revelar a verdadeira face de determinados políticos que mudam de postura conforme a conveniência do momento. 

A sociedade, independentemente de sua preferência partidária, deveria se levantar em defesa do bispo diocesano de Guarulhos, dom Luiz Gonzaga Bergonzini, que vem sofrendo pesados ataques por parte de lideranças petistas, como o ex-prefeito Elói Pietá, pelo simples motivo de ele defender uma causa que entende ser um preceito religioso: a vida. Ainda mais que as mesmas pessoas que agora atacam o bispo são exatamente as mesmas que, durante a campanha para prefeito de Guarulhos, em 1996, o defendiam com unhas e dentes pelo mesmo motivo: por defender os interesses de sua igreja. 

Nesta semana, o ex-prefeito chamou os jornais amigos da administração petista para desfiar um rosário de críticas a dom Luiz. Usou as páginas dos periódicos para denegrir a imagem do líder religioso que, em diversos momentos, vem a público sugerir a seus fiéis que evitem votar em candidatos não comprometidos com a vida. 

O bispo não se convenceu da mudança de postura da candidata petista, que agora diz que não levará em consideração o programa de governo de seu partido, que defende a descriminalização do aborto. 

Sem entrar nesta discussão, vale salientar que não deveria mais caber na sociedade democrática tal tipo de manifestação contra alguém que não comunga de suas ideias. Talvez, essa realmente seja a intenção desses grupos. Cercear o direito de manifestação e pensamento daqueles que buscam caminhos diferentes que o deles. 

Para desespero desses grupos, o papa Bento XVI, em discurso a religiosos brasileiros no Vaticano, afirmou que os bispos têm o dever de emitir juízos morais, mesmo em matérias políticas. O papa não se referiu diretamente ao segundo turno da eleição presidencial brasileira. Mas garantiu ser dever dos fiéis leigos trabalharem por uma ordem social justa e como cidadãos livres e responsáveis, se empenharem para contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural. Ao continuar a argumentação, Bento XVI citou o aborto e a eutanásia. 

“Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até a morte natural", disse. 

Desta forma, mais uma vez, fica evidente que, concordando ou não com sua postura, a posição de dom Luiz Gonzaga Bergonzini é legítima e deve ser respeitada. Àqueles que se dizem cristãos, mas mudam de opinião conforme as conveniências partidárias de momento, não resta outra saída que não seja ir reclamar com o papa.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SHALOM - EXEMPLO DE MOYSÉS - CELIBATO, ABORTO e IGREJA CATÓLICA

Uma missão pela paz
O fundador do Shalom começou evangelizando em lanchonete. Era um caminho até os jovens. Hoje, são milhares de missionários

Não dá para falar na história do Shalom sem contar a história do Moysés. E o contrário também vale. É indissociável. A biografia de Moysés Azevedo tem como principal marco a fundação do movimento Shalom, comunidade da renovação carismática da Igreja Católica. Mas não é só isso – e isso já é muito.

Moysés é o único homem dos filhos. Foi dos mais esperados, desejados e queridos. A mãe queria muito um menino. Mas veio logo uma menina. Assim como a segunda. Seguida da terceira, da quarta e da quinta. A mãe rezava, pedia a São Francisco e, em troca, o faria padre. Até que o sexto filho foi Moysés.

Mas de igreja, de missa, de padre, ele nem queria saber. Foi um encontro de jovens que mudou a vida do adolescente de 15 anos. Sentiu-se tocado pela graça divina. Sentiu a experiência do amor de Deus, como ele repete. E a partir daí, quis dar de graça o que de graça recebeu – como também enfatizou várias vezes na nossa conversa. Conversa em que fala dos trabalhos do Shalom, da dedicação dos missionários, da servidão à Igreja. Moysés, a propósito, se admite um apaixonado pela Igreja e pelos princípios da instituição, apesar dos desafios, dos pecados. Cita o respeito à vida ao atacar o aborto; lista o amor ao defender o celibato. Ele, celibatário que não quis ser padre, acredita que a descoberta do amor divino é capaz de transformar a vida de qualquer um. Assim como aconteceu com ele.

O POVO - Como foi o início da sua vida na igreja?
Moysés - Eu nasci numa família tradicionalmente católica. Quando meus pais se casaram, minha mãe queria muito um filho homem. E ela dizia que o consagraria a Deus. Nasceram cinco meninas. Com ela aos 44 anos, finalmente eu nasci. As mais velhas já estavam casando. Fui praticamente criado com os meus sobrinhos. Quando eu era adolescente, eu não gostava dessa história, porque as amigas da minha mãe diziam: “Cadê o meninozinho que vai ser padre?”. Eu não queria ser padre.

O Povo - Você estudava onde?
Moysés - No Cearense, o Marista. E quando tinha 15 anos, uma amiga me convidou pra participar de um encontro de jovens da Arquidiocese de Fortaleza. E eu: “Tô fora”. Não me atraía. Para mim, naquele tempo, Deus era uma coisa distante, tradicional. Ela insistia. Pra mim, a igreja não era um lugar pra jovem. Fim de semana pra mim era festa, diversão. Mas aquele fim de semana mudou a minha vida.

O Povo - Por quê?
Moysés - Porque, pela primeira vez, eu tive uma experiência pessoal e forte com a pessoa de Jesus Cristo. Pra mim, Deus era uma ideia. Jesus Cristo era um cara legal. Mas, naquele encontro, eu pude experimentar que Deus é vivo, é uma pessoa real e que tocou a minha vida. Eu
descobri que Deus me amava, de uma maneira muito pessoal, única e que ele podia encher de sentido a minha vida. E essa descoberta mudou a minha vida, meus valores, meu modo de pensar, de agir.

O Povo - E você parou de ir às festas?
Moysés - (risos) Não, mas passei a vivê-las de forma diferente. Continuei um jovem igual aos outros, mas eu não buscava a felicidade no álcool; não buscava a felicidade simplesmente numa pessoa, achando que ela ia me fazer feliz e pronto. Eu não buscava mais a felicidade numa sexualidade desordenada, que me dava um momento de prazer, mas que não traria paz no coração. Eu descobri que a paz é uma pessoa viva, Jesus Cristo.

O Povo - Mas você não quis ser padre.
Moysés - Não. Eu quis, sim, dar de graça o que de graça o que eu recebi. Descobri um amor maior, um amor divino. Se o amor humano é capaz de transformar a vida de uma pessoa, imagina o amor divino, que ultrapassa todos os sentidos de entendimento. Não podemos ficar com isso só pra nós.

O Povo - E onde é que a renovação carismática se diferencia aí?
Moysés - Eu não diria a renovação carismática, mas a igreja como um todo. E estamos falando do Shalom, como comunidade. Eu não sei onde ele se diferencia, eu sei quais são as nossas propostas. Quando eu comecei a me engajar no movimento de jovens da Arquidiocese, comecei a
frequentar os grupos de jovens, que eu até então desconhecia.

O Povo - Igreja era só pra velho, né?
Moysés - Igreja, pra mim, era só pra gente velha, careta, que não dizia nada pra mim. E eu comecei a descobrir a igreja de uma face diferente, com um rosto jovem. Eu não posso ficar com essa experiência só pra mim.

O Povo - Mas você não sabia como.
Moysés - Mas eu não sabia como fazer isso. Exatamente. Havia grupos de jovens, a gente fazia uns encontros, mas como ir ao encontro daqueles jovens, como falar de Deus, da verdade, de Jesus Cristo, do amor? Foi quando, em 1980, o papa João Paulo II veio ao Brasil. E veio encerrar o Congresso Eucarístico Nacional em Fortaleza. E na época, dom Aloísio Lorscheider, cardeal arcebispo de Fortaleza, me disse para, em nome dos jovens, dar um presente ao papa. Fiquei muito feliz, honrado e me pus em oração. “Vou ofertar a minha vida e a minha juventude para
evangelizar”. Fiz uma carta, uma espécie de compromisso. Chegou o dia, 9 de julho de 1980. Na missa, na hora do ofertório, eu entregaria a minha carta ao papa. Como eu estava na comissão de organização, trabalhando, eu já tinha visto algumas vezes o papa passando ali. Tudo normal. Mas quando eu estava na fila, chegou a minha vez e estava ali o papa João Paulo II. Nem sei mais o que foi que aconteceu. (risos)

O Povo - Do que você se lembra?
Moysés - Eu não conseguia nem falar. Fui andando, me ajoelhei diante dele e entreguei a carta. Eu não disse nada. Duas coisas ficaram muito fortes: o olhar do papa, eram uns olhos que procuro um azul igual àquele e não encontro. E como ele gostava de fazer, me tocou o rosto, me aproximou dele e, a segunda coisa que eu nunca vou esquecer, me abençoou. Esse olhar do papa João Paulo II e a mão dele sobre a minha cabeça é algo que eu percebi que tinha recebido uma graça e uma graça
que eu não sabia o que era. E eu percebi que não era só – não era só, mas já era muito – João Paulo II que me olhava, que me abraçava e que me abençoava. Era Cristo também, era a igreja também.

O Povo - E a construção do Shalom?
Moysés - Eu só percebi que tinha recebido uma graça. Não identifiquei qual. Continuei rezando e começou a vir uma inspiração. Via que o jovem que estava distante, que não estava na igreja, não aceita convite de ir à missa, mas come um lanche. E daí, a inspiração: por que não fazer uma lanchonete pra evangelizar? Os jovens entrariam ali e nós poderíamos testemunhar, conversar, um diálogo franco, aberto e testemunhar aquilo que aconteceu na nossa vida. Aí, a gente montou uma
lanchonete. Apresentávamos logo o cardápio e os sanduíches, as pizzas tinham os nomes bíblicos. As pessoas perguntavam: ‘O que é ágape?’. É o amor de Deus. Então, era um início de um diálogo respeitoso.

O Povo - Você imaginou que se transformaria nesse movimento?
Moysés - Jamais. Nunca pensei em fundar nada. Na frente, era uma lanchonete. Atrás, tinha uma capelinha com o Santíssimo Sacramento exposto em adoração.

O Povo - Como era sua relação com dom Aloísio?
Moysés - Muito boa. Dom Aloísio foi um pai pra nós, me acolheu como um jovem que queria servir a Cristo e à igreja. E acreditou no nascimento da obra Shalom, que era uma coisa muito diferente, nós éramos leigos, não tínhamos padres. Hoje, nós temos padres na comunidade, famílias, consagrados.

O Povo - O movimento ordena padre?
Moysés - Hoje, o movimento tem um reconhecimento pontifício da Santa Sé, com o papa Bento XV, em 2007. Já teve o reconhecimento diocesano, quando dom Cláudio era arcebispo de Fortaleza. Somos a primeira comunidade no Brasil que recebeu o reconhecimento pontifício. Temos sacerdotes formados na comunidade, mas são ordenados pelo arcebispo de Fortaleza, dom José Antônio, que é também um pai para nós. Estão a serviço da missão da comunidade.

O Povo - A igreja católica não tem perdido fiéis?
Moysés - Houve esse período. Nos anos 70, nos anos 80, no começo dos anos 90, houve um pouco essa defasagem. Hoje, ao contrário, com os novos movimentos, os movimentos eclesiais, a renovação carismática, o neocatecumenal, Focolare, as novas comunidades, como Shalom, Canção
Nova, esses movimentos são respostas do espírito para os desafios do tempo de hoje. Não é só simplesmente perder fiéis, o que existe no mundo de hoje é um grande desafio até de indiferença religiosa. As pessoas creem em Deus, mas vivem como se ele não existisse.

O Povo - Não é o medo do desapego?
Moysés - Eu não acredito que é o medo do compromisso. É a falta da experiência do amor de Deus. Quando nós nascemos, nós recebemos o batismo na Igreja Católica. Depois, fizemos a primeira comunhão. Acabou-se. A gente estuda matemática, física, química, biologia, história. No campo humano, a gente desenvolve. Mas no campo da fé, a gente fica com a fé de uma criança de 10 anos.

O Povo - Mas a renovação carismática não mostrou a igreja de uma outra forma?
Moysés - Também. É um carisma. A comunidade Shalom tem um carisma. OP - E o que é o carisma?
Moysés - É um dom de Deus, dom do Espírito Santo, que derrama sobre pessoas na igreja para atualizar o evangelho, para renovar a igreja.

OP - A liturgia é a mesma, mas as músicas são mais animadas. Isso não vai no sentido contrário?
Moysés - É uma renovação. Pra que existem os cantos? A celebração é viva, onde Deus está presente. A missa não é um espetáculo, não é um show aonde a gente vai se divertir. Os cantos precisam ser atualizados pra cultura de onde nós estamos.

O Povo - Mas as pessoas comentam que, nos arredores do Shalom, o barulho é grande.
Moysés - Isso é verdade.

O Povo - Não há exagero?
Moysés - No Shalom, seguimos todas aquelas prescrições da lei da poluição sonora. Claro que a gente pode melhorar. O ambiente é aberto, ressoa um pouco, mas tem a seriedade da nossa parte de não sair do horário. Por exemplo, o Halleluya, a gente fazia no Parque do Cocó, a gente sabia que incomodava aquelas pessoas por ali. A gente foi pro CEU (Condomínio Espiritual Uirapuru). Nós queremos aproximar as pessoas da igreja, não afastar.

O Povo - E o público do Shalom? É muito mais classe A e B?
Moysés - Se você for a uma missa de quinta-feira (a missa de cura), quero que você me responda isso. A nossa rádio atinge um público enorme. No Halleluya, tem gente de todo tipo, todos os lugares.

O Povo - O que impediu você, então, de ser padre?
Moysés - Tem uma passagem do Evangelho que João Batista diz “Ninguém pode se atribuir a algo que não recebeu do céu”. Deus não me chamou a ser padre. Deus me chamou a consagrar. Eu sou celibatário. Namorei,noivei, senti o chamado de Deus.

O Povo - Mas ter uma família não impediria de você fazer isso.
Moysés - Não e sim. Não impediria de se dedicar. E sim, da forma como eu me dedico. O celibato, que muitas vezes é tão questionado por aí, é um dom. Eu sou celibatário e nem sou padre. O sacramento do matrimônio é um grande dom. Mas existe um outro dom, que é o celibato que o mundo
não entende.

O Povo - E como a igreja explica?
Moysés - A sexualidade é um dom de Deus que nos dá, a capacidade de amar. O celibatário é alguém que reúne toda essa sua capacidade de amar e oferta essa capacidade de amar a Deus. E essa comunhão de amor se transforma em uma fecundidade explosiva em favor dos outros e da humanidade. O celibatário se une a Deus de uma forma espiritual e Deus se une a ele.

O Povo - Você não acha que a igreja poderia rever alguns princípios?
Moysés - Eu sou um homem que acredita na vida, que a vida é capaz, mesmo nas situações mais difíceis e dolorosas, de renovar. Eu sou um apaixonado pela igreja. Onde há os que sofrem e não têm como se defender, a igreja levanta sua voz pra defender.

O Povo0 - Você fala do aborto?
Moysés - Também, também. Por exemplo, uma criança que já foi concebida, que é uma vida, quem vai dizer por ela? Ela tem direito de viver. A igreja é a voz de quem não tem voz. Rever esses pensamentos seria rever a sua própria natureza.

O Povo - Como é a sua relação com outras igrejas?
Moysés - De respeito. Minha posição é a posição da igreja. Em relação aos nossos irmãos protestantes, temos a relação do ecumenismo, do diálogo, ver aquilo que nos une, em vez de ver aquilo que nos separa. Já passou o tempo dos conflitos, agora é o tempo da comunhão.

O Povo - Como o Shalom se mantém?
Moysés - Quando um projeto é de Deus, Deus cuida. Temos que trabalhar. As pessoas são generosas e partilham. Fazem suas ofertas, suas partilhas. Através dos nossos benfeitores, nossa comunidade se mantém.

O Povo - Como o Shalom observa a política?
Moysés - É um lugar onde se deve viver o Evangelho e a caridade de Cristo. A caridade é o amor atuante. É dever dos fiéis leigos participar da vida política. A sociedade tem razão de reclamar, mas não de se omitir.

O Povo - Tem quem use o movimento para se eleger?
Moysés - Pode existir. Por isso, temos que estar muito atentos. Temos que ajudar a formar a consciência de todos os membros do movimento. Outro papel é formar lideranças cristãs que possam atuar na vida pública. Ninguém vai lançar candidato... Nosso papel não é apresentar “esse é o ungido, o candidato do Shalom”.

O Povo - Vocês são procurados nas eleições?
Moysés - Sem dúvida.

O Povo - E qual é a reação?
Moysés - Dizer que o movimento não apoia oficialmente ninguém. Oferecer dinheiro, nunca recebi proposta. Acho que ninguém tem coragem. Pedem apoio. Não estou dizendo que são pessoas desonestas. Mas nossa posição é de formar, educar e de gerar. Na hora que você toma partido, você divide.

O Povo - Por que o Shalom deu certo?
Moysés - Porque não é uma obra humana, é uma obra de Deus. O Moysés passa. Mas essa obra, como é de Deus, não passará.

O Povo - E qual é o desafio de hoje?
Moysés - Às vezes, a gente quer transformar o mundo. E precisa. Mas só há um caminho: mudando o coração do homem. Se a gente muda, constrói, transforma o coração do homem, a gente muda o mundo. Acho que é essa a nossa missão.

Perfil - Moysés Louro de Azevedo Filho tem 51 anos. Nasceu em Fortaleza. É fundador e moderador-geral da Comunidade Católica Shalom, que foi criada em 1982. O movimento está hoje no Brasil inteiro e em 15 países. Surgiu com uma lanchonete na Aldeota, onde hoje funciona o Shalom da Paz. Em 2007, a comunidade recebeu o reconhecimento pontifício da Santa Sé, pelo papa Bento XVI. Moysés é consultor do Pontifício Conselho para os Leigos, também nomeado pelo papa Bento XVI. Começou a estudar Geologia, mas deixou dois anos depois. Quis cuidar do sofrimento humano e se formou em Fisioterapia. Mas não exerce. Não quis ser padre - contrariando o desejo inicial da
mãe. Celibatário, mora na comunidade e dedica o tempo totalmente à evangelização e aos trabalhos do Shalom. De línguas estrangeiras, fala italiano, espanhol, um pouco de francês e de inglês.3 mil membros fazem parte da Comunidade de Aliança do movimento Shalom. 40 mil pessoas são ligadas ao movimento de alguma outra forma.

Fonte: Jornal "O Povo", do Ceará - 14.02.2011| 02:00
Repórter: Daniela Nogueira - danielanogueira@opovo.com.br

A morte do Atanásio Brasileiro

A morte do Atanásio brasileiro (o Bispo Emérito de Anápolis, Dom Manoel Pestana Filho)
Atanásio significa imortal. É o nome do Bispo de Alexandria, Doutor da Igreja (300-373), que se destacou na defesa da divindade de Cristo, professada pelo Concílio de Niceia (325) contra a heresia do presbítero Ário, que reduzia Cristo a uma criatura de Deus. A firmeza doutrinal de Santo Atanásio custou-lhe a perseguição dos arianos por toda a vida. Por cinco vezes foi obrigado a abandonar sua cidade, transcorrendo 17 anos no exílio e sofrendo pela fé.

* * *

No início de 1988 (provavelmente em fevereiro), o monge Dom Marcos Barbosa, do Mosteiro de São Bento (Rio de Janeiro) irradiava em seu programa Encontro Marcado (Rádio Jornal do Brasil) uma pequena palestra intitulada “Um novo Atanásio”. Eram tempos difíceis aqueles. A “teologia da libertação” marxista tinha o apoio de vários bispos. Leonardo Boff era defendido contra o Papa João Paulo II, que lhe impusera silêncio por causa da obstinação em seus erros teológicos.

Dom Marcos Barbosa, ao afirmar que a CNBB não era mais confiável “por estar criando uma Igreja paralela (sic)”, fazia uma ressalva de vários bispos fiéis, entre os quais Dom Eugênio Sales (Rio de Janeiro), Dom Luciano Cabral Duarte (Aracaju), Dom José Freire Falcão (Brasília), Dom José Veloso (Petrópolis), Dom Boaventura Kloppenburg (Novo Hamburgo) e Dom Lucas Moreira Neves (Salvador)[1]. O herói da crônica, porém, era o Bispo de Anápolis, Dom Manoel Pestana Filho, em quem o monge beneditino descobrira “a ortodoxia e a fibra de um novo Atanásio”.

Leia-se o trecho da seguinte carta (citada por Dom Marcos Barbosa) de 20 de janeiro de 1988 enviada por Dom Pestana ao presidente da CNBB Dom Luciano Mendes de Almeida:
“Creio que já ultrapassamos os limites do tolerável. Nem mais seríamos canes non valentes latrare[2], responsáveis diante de Deus e da Igreja pelas inimagináveis consequências do nosso silêncio no meio do sofrido povo de Deus, se, estupidificados pelo engodo da ‘unidade’, continuássemos engolindo a infidelidade e apostasia que escorrem do alto. Não é apenas a fumaça de Satanás que entrou na Igreja, por alguma fenda oculta, como lamentava o Santo Padre Paulo VI: é, transpondo triunfalmente os portões, o diabo inteiro, presente nos mais altos postos, através de seus fiéis seguidores.
Um Cardeal, que depois de comunicar que nem tomaria conhecimento da passagem da imagem de Fátima pela sua Arquidiocese, pronuncia-se, na televisão, a favor da abolição do celibato eclesiástico – ou melhor, declara-o contra o direito – e defende o homossexualismo; a CNBB que assume oficialmente, para espanto dos Constituintes que ainda respeitam a Igreja, a posição do sinistro Frei Betto pela despenalização do aborto, como em vão propugnou Dom Cândido Padim em Itaici, na Comissão da Constituição e em plenário; a imposição prática de um texto da Campanha da Fraternidade, complementado pelo que a AEC, avançando ainda mais, preparou para os pobres colégios católicos, em que não sobra nem fraternidade nem fé; os cursos de lavagem cerebral para Bispos que, apenas transferidos de Itaici para o Embu, são agora apresentados como ‘cursos para bispos novos’ – e V. Exa. sabe muito bem quais são os seus organizadores e professores – TUDO ISSO claramente indica que o caminho que estamos seguindo não leva a Jerusalém nem muito menos a Roma: vai direto a Sodoma e Gomorra, que já não estão muito longe.

Revendo, para um curso de férias, as peripécias do Arianismo, Nestorianismo e Monofisitismo, pus-me a refletir no acerto de Franklin: ‘Não me importa o que hoje pensam de mim, mas o que dirão de mim daqui a cem anos’... E assusta-me a responsabilidade perante o presente e principalmente o futuro, que vamos alegre e levianamente assumindo”.

Em 19 de fevereiro de 1988, Dom Pestana enviou nova carta a Dom Luciano (citada por Dom Marcos Barbosa no mesmo programa):

“Agradecendo-lhe o envio de parabéns e a garantia de orações pelo aniversário de minha consagração episcopal, peço-lhe a caridade de ouvir-me ainda uma vez.

A situação eclesial brasileira se deteriora a olhos vistos, dia a dia. Lembra-me o espantoso processo de autodemolição de que falava Paulo VI. Um incrível masoquismo estéril e suicida, com graves danos para o Reino de Deus. O Sr. tem uma posição privilegiada nesse contexto. Pelo amor de Deus, pare um pouco. A velocidade embriaga. E há gente demais ligada ao seu desempenho.

Não se pode mais aceitar como conselheiros e mestres nas Assembleias da CNBB, muito menos como representantes da CNBB na Constituinte, tipos como Plínio da Arruda Sampaio, que vota pelo aborto e pelo divórcio; ou Hélio Bicudo que, conhecido por posições opostas aos princípios cristãos, ameaça de público levar o Papa ao Tribunal de Haia; ou outros confessadamente trotskistas (já os tivemos em Itaici), marxistas, etc, como, em livro, acaba de confirmar antigo assessor da Conferência.

Seria bem mais vantajoso desligar-me, acomodado, se a paralisia não fosse consciente e dolorosa. Veja nisto, desajeitada que pareça, a contribuição que posso oferecer para que a situação, que nos querem fazer irreversível, seja superada energicamente, enquanto é tempo.

Sei que muitos não creem em Fátima. Problema deles. Entretanto, o que vem acontecendo, ademais da atitude do Magistério eclesiástico autêntico, me leva a confiar, apreensivo, na Senhora da Mensagem, como chamou João Paulo II. E muita coisa diz respeito ao que agora se está vendo...”
* * *

A fama do Atanásio brasileiro chegou até o Rio de Janeiro, em cujo seminário eu estudava. Atraído por ele – assim como tantos outros de toda parte do Brasil e do mundo – transferi-me para a Diocese de Anápolis (GO), onde terminei meus estudos. Recebi de suas mãos a ordem sacerdotal em 31 de maio de 1992, festa da Visitação de Maria a Isabel (o encontro de duas mães com seus bebês no ventre).

Estaria, porém, totalmente enganado quem pensasse que Dom Pestana era irascível, autoritário e intolerante. Ao contrário, a mansidão, a simplicidade e o bom humor eram constantes em sua fisionomia. De espírito aberto, contentava-se com a unidade, mas não exigia a uniformidade. Dava-se bem com os mais diversos movimentos, inclusive com a Renovação Carismática Católica. Dizia frequentemente: “Não devemos apagar a mecha que ainda fumega” (cf. Is 42,3; Mt 12,20). Habitualmente celebrava a Missa de Paulo VI (Novus Ordo Missae), mas não se importava se algum sacerdote quisesse usar a forma extraordinária (Missa de São Pio V). Em sua prática pastoral, adotava o lema do grande reformador São Carlos Borromeu: “omnia videre, multa tolerare, pauca corrigere” (ver todas as coisas, tolerar muitas, corrigir poucas). Se nas cartas acima, ele se mostrou tão inflamado, foi porque – conforme dissera – já haviam sido ultrapassados “os limites do tolerável”. O escândalo causava nele – como em Jesus – uma santa cólera. Podia dizer com São Paulo: “Quem é escandalizado, que eu não me inflame?” (2Cor 11,29). Seu amor aos pequeninos fazia com que ele se consumisse de indignação contra o aborto. Rezava continuamente “pela inocência das crianças, pela pureza dos jovens e pela santidade das famílias”. Na esteira do Concílio Vaticano II, que chamou o aborto de “crime abominável”[3], Dom Pestana cunhou a jaculatória: “Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto”.

Sua militância pró-vida foi ao ponto de participar de uma “operação resgate” em frente a uma clínica de abortos em Nova Orleans (EUA). Em 1989, após a visita a Anápolis do grande Mons. Ney Sá Earp (coordenador do Movimento em Defesa da Vida do Rio de Janeiro) acompanhado de um grupo de militantes da Human Life International (Vida Humana Internacional), fundou o Pró-Vida de Anápolis, que se tornaria, no dizer de seu sucessor Dom João Wilk, “referência nas ações de defesa da vida e da dignidade da pessoa humana”[4]. Mesmo após o seu longo episcopado à frente de Anápolis (1979-2004), já como Bispo Emérito, Dom Pestana não se cansava de se dedicar à causa pró-vida. Em 11 de agosto de 2010, pressentindo a proximidade da própria morte e o perigo iminente de um terceiro governo petista, escreveu um apelo ardente aos Bispos, que circulou pela Internet:

“Caros irmãos no Episcopado,

Suportem-me, que o menor dos irmãos lhes possa dirigir uma palavrinha amiga, mas angustiada de quem se prepara, temeroso, para partir.

Pelo amor de Deus! Estamos diante de uma situação humanamente irreversível. A América Latina, outrora “Continente da Esperança”, como a saudava João Paulo II, hoje mergulha na antecâmara do terrorismo vermelho, aliás, como prenunciava aos pastorinhos de Fátima a Senhora do Rosário.

Podem parecer, a essa altura, resquícios de uma idade de trevas, mas tudo acontece como se ouviu em dezembro de 1917 (“a Rússia comunista espalhará seus erros pelo mundo, com perseguições à Igreja, etc.”). Assusta-me a corrupção dentro da Igreja, o desmantelamento dos seminários, a maçonização de Cúrias e Movimentos.

Horroriza-me a frieza com que olhamos tal estado de coisas. Somos pastores ou cães voltados contra as ovelhas? Somos ou não, alem disso, cúmplices de uma política atéia empenhada em apagar os últimos traços da nossa vida cristã?

Perdoem-me, mas não poderia deixar de falar, sem me sentir infiel à minha consciência e à minha Igreja.

Parabéns a Dom Luiz Gonzaga Bergonzini e a Dom Henrique Soares da Costa”.

O apelo de Dom Pestana não ficou sem frutos. Uma reação inédita contra o aborto surgiu de vários Bispos brasileiros. Não, porém, suficiente para impedir a eleição da candidata do PT. Angustiado pela vitória de Dilma Rousseff, Dom Pestana ainda encontrou forças para enviar-me uma mensagem de ânimo no dia 17 de novembro de 2010:

“Carissimo Pe Lodi:
Deus Nosso Senhor o abençoe sempre; Nossa Senhora o acompanhe e defenda a cada momento, para não nos vermos privados da sua lucidez e coragem.
O seu pronunciamento acerca do O poder da oração e uma vitoria da cultura da morte representa um estimulo para aqueles que sabem que uma batalha perdida não é uma guerra desperdiçada.
Quando se luta por Deus, a nossa fé não pode vacilar.
Cristo garantiu-nos que os poderes da morte do pecado não hão de vencer, e o Senhor nos pede não a vitória, mas a luta.
Ai daqueles que vacilam e baixam a guarda!
É aí que os inimigos avançam.
Muito obrigado pelo seu testemunho de verdadeiro apóstolo.
Continuamos rezando: é a nossa força”.

No dia 8 de janeiro de 2011, Dom Pestana faleceu em Santos (SP), sua terra natal, aonde tinha vindo visitar seus parentes e amigos, vítima de um enfarto do miocárdio. Entre os 84 padres por ele ordenados, um já é bispo e curiosamente se chama Atanásio: É Dom Atanásio Schneider, Bispo auxiliar em Karaganda, Casaquistão.

Os dois atanásios: Dom Manoel Pestana Filho e Dom Atanásio Schneider




A morte de Dom Pestana foi o coroamento de sua missão pró-vida. Afinal, “se o grão de trigo que cai na terra não morrer, permanecerá só; mas se morrer, produzirá muito fruto” (Jo 12,24). Ele morreu como vítima, oferecida com Cristo em nosso favor. Agora, ganhamos um intercessor junto ao Pai. Enquanto seu corpo, sepultado na Catedral do Bom Jesus em Anápolis, aguarda a ressurreição, desde já experimentamos os frutos imortais de sua caridade.

Anápolis, 8 de fevereiro de 2011.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis


[1] Hoje, graças a Deus, a Comissão Vida e Família da CNBB tem-se empenhado na defesa da vida humana, contra a despenalização do aborto.

[2]Cães incapazes de latir (Is 56,10).

[3] Gaudium et Spes, 51

[4] http://www.diocesedeanapolis.org.br/novo/noticia-detalhe.php?id_noticia=385

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A escolha de Victoria: entre o câncer e o aborto

Grávida atrasa tratamento de câncer para não abortar

Victoria Webster, de 33 anos, decidiu não passar pela quimioterapia e hoje comemora o nascimento da filha.

Diagnosticada com leucemia durante um exame de sangue de rotina, quando estava com 21 semanas de gravidez, a britânica Victoria Webster foi alertada de que o medicamento da doença com a quimioterapia poderia levar ao aborto.

Apesar dos riscos (e do choque da notícia), a futura mãe decidiu atrasar o seu tratamento e deu à luz uma menina saudável, a Jessica.

“Para mim, não houve decisão a tomar. Eu já tinha me apegado ao meu bebê enquanto ele estava crescendo dentro de mim. Como sua mãe, eu tinha que protegê-lo”, disse ao jornal britânico Daily Mail.

Victoria contou, ainda, que passou a sentir cansaço e tonturas logo que ficou grávida, até que foi chamada para conversar com os médicos depois de um exame de sangue de rotina. Os resultados revelaram que ela tinha leucemia mieloide crônica. Isto é, câncer do sangue - extremamente raro em pacientes abaixo de 50 anos.

"Quando o médico me disse que era câncer, curiosamente, o meu primeiro sentimento foi de alívio. Eu pensei que eles iam me contar que havia algo errado com meu bebê”, revelou.

Como se recusou ao tratamento, os médicos optaram por um processo alternativo. Seu sangue foi drenado do corpo e "lavado" em uma máquina especial, antes de ser bombeado de volta para suas veias. Esse processo foi feito a cada semana durante os três últimos meses de gestação. Para espanto dos médicos, Victoria, que teve total apoio do marido em sua decisão, apresentou ótimos resultados.

“Eu nunca vou me arrepender de ter continuado com minha menina e atrasado o tratamento. Eu poderia ter arriscado a minha vida por ela, mas valeu a pena", contou.
Fonte:http://www.correiodoestado.com.br/noticias/gravida-atrasa-tratamento-de-cancer-para-nao-abortar_98983/ - 10/02/2011, 22h00

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Álcool dobra risco de aborto e causa doenças no bebê


Gestantes podem consumir bebidas alcoólicas?

As gestantes devem evitar completamente o consumo de álcool, pois durante a gestação o álcool atravessa a placenta da mãe e pode trazer inúmeros prejuízos ao bebê. O seu consumo está relacionado com deficiências mentais, retardo no crescimento e anormalidades comportamentais no bebê, tais como hiperatividade, déficits de atenção, de aprendizado e de memória.

Aborto espontâneo e trabalho de parto prematuro são algumas das complicações estimuladas pelo álcool na gravidez, mesmo em pequenas quantidades. Na verdade, o risco de aborto espontâneo praticamente dobra quando a gestante bebe álcool.

A mais grave das consequências relacionadas ao consumo de álcool durante a gestação é a Síndrome Fetal Alcoólica - SFA. A criança com SFA apresenta algumas anormalidades faciais e exibe déficit intelectual, além de problemas cognitivos e comportamentais. A Organização Mundial da Saúde estima que a cada ano 12 mil bebês, no mundo, nascem com a Síndrome Fetal do Álcool ou Síndrome do Alcoolismo Fetal.

Sabe-se, atualmente, que os riscos para o feto aumentam com o nível de consumo e a frequência de uso. Em decorrência disso, como prevenção, a melhor atitude para as gestantes é excluir o consumo de álcool do período gestacional. É preciso deixar de lado alguns conselhos e crendices populares, tais como “consumir cerveja preta para fortificar e aumentar a produção de leite para o bebê que vai chegar...”. Esta é uma atitude corretiva em benefício da gestante e do bebê.

A gestante deve ter uma alimentação saudável e equilibrada para cada etapa do período gestacional. A hidratação é fundamental, porém, não pode contar com as bebidas alcoólicas. Brindar em uma comemoração, só se for com coquetéis sem álcool. São saborosos, elegantes e não comprometem a futura mamãe e nem o se bebê.Este período tão especial requer escolhas saudáveis.

Texto revisado por Paulo Daher -27/10/2009
http://queroviverbem.com.br/materias.php?c=alcool&f=mais-votadas&p=1&e=118

Álcool é uma das principais causas de morte no Brasil

As bebidas alcoólicas estão na base de vários problemas sociais brasileiros, em especial a violência no trânsito, nas casas de bebidas e até em casa.

A constatação é da Organização Mundial de Saúde, que aponta o Brasil dentre os mais afetados pelas bebidas alcoólicas. A paz social e a defesa da vida e da dignidade humanas passam pelo exame e solução desse problema.

Leia a matéria sobre a pesquisa:

Álcool mata mais que Aids, tuberculose e violência, diz OMS
DA REUTERS

O álcool causa quase 4% das mortes no mundo todo, mais do que a Aids, a tuberculose e a violência, alertou a OMS (Organização Mundial da Saúde) nesta sexta-feira.

O aumento da renda tem provocado o consumo excessivo em países populosos da África e da Ásia, incluindo Índia e África do Sul. Além disso, beber em excesso é um problema em muitos países desenvolvidos, informou a agência das Nações Unidas.

No entanto, as políticas de controle do álcool são fracas e ainda não são prioridade para a maioria dos governos, apesar do impacto que o hábito causa na sociedade: acidentes de carro, violência, doenças, abandono de crianças e ausência no trabalho, de acordo com o relatório.

Cerca de 2,5 milhões de pessoas morrem anualmente por causas relacionadas ao álcool, disse a OMS em seu "Relatório Global da Situação sobre Álcool e Saúde".

"O uso prejudicial do álcool é especialmente fatal em grupos etários mais jovens e beber é o principal fator de risco de morte no mundo entre homens de 15 a 59 anos", afirma o relatório.

Na Rússia e na CEI (Comunidade dos Estados Independentes), uma em cada cinco mortes ocorre devido ao consumo prejudicial, a taxa mais elevada do planeta.

A bebedeira, que muitas vezes leva a um comportamentos de risco, agora é prevalente no Brasil, Cazaquistão, México, Rússia, África do Sul e na Ucrânia, e está aumentando entre outras populações, segundo a OMS.

"Mundialmente, cerca de 11% dos consumidores de álcool bebem bastante em ocasiões semanais; os homens superam as mulheres em quatro a cada uma. Eles praticam constantemente um consumo de risco em níveis muito mais elevados do que as mulheres em todas as regiões", disse o relatório.

Em maio passado, ministros da Saúde dos 193 países-membros da OMS concordaram em tentar conter o consumo excessivo de álcool e de outras formas crescentes do uso excessivo por meio de altos impostos sobre bebidas alcoólicas e restrições mais rígidas de comercialização.
UOL - 11/02/2011 - 11h45