sábado, 8 de janeiro de 2011

As eleições e a vida sacerdotal - Entrevista ao blog Comunidade Família de Deus

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini: A vida sacerdotal, para mim, sempre foi feliz
Publicado em 23/12/2010 por Comunidade Familia de Deus

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, Bispo de Guarulhos teve uma participação nas eleições muito importante; ele se levantou como uma voz firme e segura na defesa da vida, inclusive denunciando todas as ações abortistas do PT e orientando os católicos e pessoas de boa vontade a não votarem na Dilma. O seu posicionamento claro e toda a sua luta fez com que aumentassem a credibilidade das pessoas na Igreja Católica. Agora no último dia 19 lançou na sua Diocese projeto de lei estadual de iniciativa popular para garantir direito à vida desde a fecundação. Esta na lista das 100 personalidades mais importantes do Ano de 2010 indicada pela revista ÉPOCA. Gentilmente pode nos conceder esta entrevista:
Família de Deus: O que o sr. espera do Governo da Dilma Roussef?
Dom Luiz Gonzaga: Só Deus sabe o que acontecerá nesse governo. Lula quer mandar nela e no governo. É uma incógnita. Pode ser repetida a história de Maluf com Pita. Os brasileiros pagarão muito caro se isso acontecer. Os católicos rezam pelas autoridades constituídas, para que sempre decidam em favor do bem comum.
Família de Deus: Com que rosto o sr. acha que ela vai governar: com aquele, onde ela pede a despenalização do aborto já, como podemos ver registrado em tantas entrevistas; ou a do rosto que ela usou no segundo turno, dizendo ser a favor da vida e se “comprometendo” a não mexer na questão do aborto?
Dom Luiz Gonzaga: No final da eleição, ela se declarou devota de N.Sa.Aparecida, mas ela nunca disse que vetaria a liberação do aborto. Espero que, como devota de Nossa Senhora, ela governe com um coração de Mãe Amantíssima. E que permaneça, todos os dias, com o pensamento em Nossa Senhora Imaculada Conceição, mãe de Jesus, o Redentor dos Homens. E lembre-se que N.Sra. Imaculada Conceição e São José fugiram para proteger Jesus da morte. Espero que ela também fuja de antigas convicções e proteja a vida nascente dos futuros brasileirinhos, desde o momento da fecundação.
Família de Deus: Como o sr. vê o ano 2011 para todos aqueles que lutam pela defesa da vida?
Dom Luiz Gonzaga: O ano de 2011 será um ano de vitórias. A cultura da morte não pode prevalecer sobre a dádiva Divina da Vida. O povo brasileiro precisa somente de esclarecimento. A enquete do Diário de São Paulo, do dia 20.12.2010 mostrou que 68% assinarão o projeto de emenda à Constituição de São Paulo para proteger a vida, desde a fecundação. Os outros 32% se disseram contra porque não sabem que a vida começa na fecundação. Precisamos esclarecer essa parcela da população, para que todos sejam a favor da vida. O bispo de Limoeiro do Norte, no Ceará, Dom Manuel Edmilson da Cruz, mostrou quanta imoralidade existe entre o aumento exorbitante dos salários dos membros dos governos e dos legislativos e as migalhas oferecidas aos aposentados e aos beneficiados com o bolsa-família. A Igreja Católica mostrou que é necessário restabelecer a moral. Nem tudo que é legal é moral.
Família de Deus: O que vivemos nestas eleições podemos dizer que a Igreja no Brasil esta dividida, esta em crise? Como ajudá-la?
Dom Luiz Gonzaga: A Igreja Católica não está dividida. Pouquíssimos membros da Igreja estão equivocados e não seguem a orientação do Papa Bento XVI. Querem fazer política partidária em vez de evangelização. O Papa Bento XVI vem alertando, há muito tempo, sobre o relativismo e o secularismo.
Família de Deus: Podemos ver no episódio envolvendo Chalita, Canção Nova e Cia durante a Campanha Eleitoral sinais de fracasso da Renovação Carismática Católica no Brasil?
Dom Luiz Gonzaga: Dom Beni está lá orientando a Canção Nova e a Renovação Carismática. O Monsenhor Jonas Abib é um homem de oração. O episódio Chalita foi um acidente de percurso, gerado por ambições e vaidades pessoais. A Igreja Católica é muito maior que essas questiúnculas. Não existe fracasso na Igreja Católica. Jesus Cristo é vitória!
Família de Deus: O que o deixa mais triste e mais feliz como Bispo da Igreja Católica?
Dom Luiz Gonzaga: Nada me deixa triste. A vida sacerdotal, para mim, sempre foi feliz, pois me dediquei, exclusivamente, a ela. Este ano foi muito feliz, pois conseguimos esclarecer uma grande parte da população sobre o aborto. O Evangelho da Vida foi vencedor.
Família de Deus: O que o sr. falaria para um jovem que se sente chamado para o Sacerdócio?
Dom Luiz Gonzaga: Os jovens não precisam ter medo ou preconceito contra o sacerdócio. Estou na Igreja desde os meus dez anos e meio de idade. Os jovens que receberem o chamado de Deus podem aceitar. Se foram escolhidos por Deus, eles terão a companhia Dele por toda a vida. O Papa Bento XVI realçou a beleza do sacerdócio, ontem, 21.12.2010, dizendo o seguinte:
“Como é belo poder estar, com a força do Senhor, junto dos homens nas suas alegrias e sofrimentos, tanto nas horas importantes como nas horas negras da existência; como é belo ter na vida por missão não esta pessoa ou aquela, mas pura e simplesmente o ser mesmo do homem, procurando ajudar para que se abra a Deus e viva a partir de Deus
Família de Deus: O que ficou para o sr. do ANO SACERDOTAL?
Dom Luiz Gonzaga: A esperança de que muitos jovens venham para o sacerdócio. O Papa Bento XVI explicou a missão sacerdotal, na Meditação sobre o Ministério Sacerdotal, em 14.04.2010:
“Portanto, o sacerdote que age in persona Christi Capitis e em representação do Senhor; não age nunca em nome de um ausente, mas na própria pessoa de Cristo Ressuscitado, que se faz presente com sua ação realmente eficaz. Age realmente e realiza o que o sacerdote, como simples homem, não poderia fazer: a consagração do vinho e do pão, para que sejam realmente presença do Senhor, a absolvição dos pecados. O Senhor faz presente sua própria ação na pessoa que realiza estes gestos. Estas três funções do sacerdote – que a Tradição identificou nas diferentes palavras de missão do Senhor: ensinar, santificar e governar -, em sua distinção e profunda unidade, são uma especificação desta representação eficaz. Estas são, na verdade, as três ações do Cristo ressuscitado, o mesmo que hoje, na Igreja e no mundo, ensina e, assim, cria fé, reúne seu povo, cria presença da verdade e constrói realmente a comunhão da Igreja universal, santifica e guia.”

Família de Deus: Agradecemos muito as suas palavras e carinho conosco. Fique à vontade para encerrar esta entrevista com o que o sr. quiser nos falar como Pastor da nossa Igreja.
Dom Luiz Gonzaga: O Natal é a festa do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Exorto a todos para que se lembrem disso e tenham Jesus Cristo no coração. Que Maria, a Mãe Imaculada, e São José intercedam junto a Jesus Cristo para que Ele abençoe todas as famílias brasileiras. E desejo a todos os brasileiros e brasileiras um Santo Natal!
Deus os abençoe !

Malícia, Política e aborto

Malícia Política e Aborto - 10/11/2008 - 09:31
Cicero Harada
Político malandro é esperto. Seu olhar fisiológico não se desprega do próprio umbigo. Concorda sempre com o possível eleitor. Surfa nas ondas da contradição e leva o voto de pessoas de concepções mais díspares. Simpático, fala coisas bonitas, ri, chora, esbraveja, protesta, sempre segundo as circunstâncias. Afirma ou nega convictamente algo que lhe dê pontos. Humilde, reconhece ignorância diante de polêmica que lhe possa subtrair votos. Nega, olimpicamente, se for surpreendido em ações comprometedoras. Carrega uma aura de alva e comovente pureza. Diante dele, até a testemunha ocular da falcatrua chega a duvidar de seus sentidos. Se tudo está perdido, com ares de comovida indignação, esbraveja: “as coisas sempre foram assim desde que o mundo é mundo! Mas agora, nunca como antes, é por uma causa sublime!”

Digo isso, porque a Câmara dos Deputados fulminou o Projeto nº 1.135/91, que pretende a legalização do aborto no Brasil. Primeiramente, na Comissão de Seguridade Social e Família por unanimidade (33X0). Depois, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania por expressiva maioria (57X4). Nesta, o parecer aprovado, por força do Regimento da Casa, é terminativo, isto é, põe fim ao processo legislativo, salvo se houver recurso. Ocorre que o deputado José Genoíno (PT-SP) interpôs o recurso nº 201/2008 contra o parecer da Comissão de Constituição e Justiça. O apelo foi subscrito por ele e mais sessenta e dois deputados federais.

Três deputados, Carlos Santana (PT–RJ), Carlos Abicalil (PT–MT) e Vicentinho (PT–SP) apresentaram requerimento de retirada da assinatura do requerimento. Os pedidos foram indeferidos nos termos do artigo 102, §4º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, porque, uma vez publicado o recurso, não cabe a retirada da assinatura. Antes mesmo dos indeferimentos o assessor parlamentar Jaime Ferreira Lopes já o havia previsto. O fato pode ser comprovado aqui:
http://www2.camara.gov.br/proposicoes/chamadaExterna.html?link=http://www.camara.gov.br/sileg/prop_detalhe.asp?id=16299

Além dos deputados que desaparecem na hora do voto, eis aí outro álibi. Os eleitores a favor da vida são informados pela assessoria de que houve desistência e pedido de retirada da assinatura. A petição protocolada pode até ser apresentada ao embasbacado eleitor, mas o pedido de desistência não tem efeito jurídico algum. É um zero à esquerda.

Outros juram por tudo aos defensores da vida, que são contra o aborto, o assassínio de crianças não nascidas, que nunca votaram nada a favor da medida, até porque não fizeram parte de nenhuma daquelas comissões. Apenas subscreveram o recurso, a fim de que a matéria pudesse ser debatida em plenário. Notem bem: recurso é meio processual para os inconformados se socorrerem de instância superior, para combater e reformar uma decisão.

Será que alguém assinaria recurso para discutir a possibilidade de legalização do seu próprio assassínio? São tentativas de ficarem em cima do muro ou pura ingenuidade? Ignoram eles recente pesquisa do Datafolha de que só 3% das pessoas acham o aborto moralmente aceitável? Um dia, questionado por jovens, Ulysses Guimarães disse-nos que alguns parlamentares podem não ter formação superior ou acadêmica, mas lá na Câmara dos Deputados não há ingênuos, lá não há bobinhos. Todos têm muita experiência, já foram presidentes de empresas, de grandes entidades, foram governadores, ministros, prefeitos, secretários de Estado, senadores, deputados estaduais, vereadores. Se ainda assim concluirmos que o deputado não tem malícia, merecerá ele o nosso voto?

Matias Aires dizia que malícia é aquela inteligência ou ato que prevê o mal ou o medita, espécie de arte natural, que se compõe de combinações e conseqüências, sendo, por isso, virtude política. Fazia uma distinção importante: “tem malícia quem descobre o mal para o evitar, é malicioso quem o antevê para o exercer”. Também nós precisamos ter muita malícia e discernimento para não cair nas manobras dos maliciosos.

Cicero Harada
Advogado, Conselheiro da OAB-SP,
Presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia da OAB-SP,
foi Procurador do Estado de São Paulo.
cicero.harada@terra.com.br
(http://www.catolicanet.com/?system=news&action=read&id=50289&eid=301)

O projeto Tamar - Dr. Ives Gandra Martins

O Projeto Tamar

Decididamente, no Brasil, para alguns parlamentares, as tartarugas são muito mais importantes que os seres humanos. O denominado projeto Tamar protege a vida das tartarugas desde 1980, com equipe especializada monitorando todas as noites, de setembro a março, 1.100 praias no litoral, e de janeiro a junho, as ilhas oceânicas. Protege-se, desta forma 14.000 ninhos, algo em torno de 650.000 filhotes. Quem destruir um único ovo de tartaruga comete crime contra a fauna e poderá ir para a cadeia (Lei 9.605/93).

Escrevo estas linhas não para desmerecer o grande trabalho decorrente do elogiado projeto. É louvável a proteção dos ovos de tartaruga. O que, evidentemente, não é louvável é a destruição de seres humanos no ventre materno, conforme proposto pela eminente deputada Jandira Feghali, em qualquer circunstância, sob qualquer motivo -até o último minuto antes do parto- e sem qualquer punição para o médico, a mulher ou quem tenha colaborado com o aborto do nascituro.

O projeto de lei, que ainda se encontra em discussão na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, propõe, rigorosamente, o aborto sem limites, sem motivos e sem pena até os instantes finais da gravidez. Matar um ser humano, no ventre materno, um minuto antes do parto não seria crime. Um minuto depois seria homicídio qualificado!!!

No debate do qual participei, em audiência pública na referida Comissão, impressionou-me dois argumentos levantados, evidentemente, objetivando, à falta de outros, desqualificar os adversários do direito de matar nascituros.

O primeiro deles é de que a Constituição brasileira não admite qualquer participação dos que acreditam em Deus nas deliberações e comissões de estudos – foi este um dos motivos para a exclusão da CNBB da Comissão Tripartite do governo que propôs o direito ao aborto-, visto que o Estado é laico.

Ocorre que todo ordenamento jurídico brasileiro foi promulgado ”sob a proteção de Deus” (preâmbulo da Constituição) e o § 1º do artigo 210 da Lei Suprema impõe o ensino religioso nas escolas!!!

Como no I Seminário da Defesa da Vida patrocinado pela ”Frente Parlamentar” contra o direito de matar nascituros, estavam presentes representantes de todas as religiões, há de se admitir que se o aborto for aprovado – o que não acredito, porque a maioria esmagadora da população brasileira é contra – haverá um choque evidente entre o preâmbulo da Constituição e o direito de matar, que o Deus da vida não aprova!

Sugeriria neste caso, a alteração do preâmbulo para que dissesse a Carta Magna ”sem a proteção de Deus”, visto que Deus não pode proteger o homicídio uterino.

E o 2º argumento parece-me de um preconceito aristocrático e elitista sem precedentes. Somente podem decidir questões de Estado os agnósticos, os que não acreditam em Deus, que são os iluminados representantes da deusa ”Razão” robespierriana. Todos os que acreditam em Deus não podem, nem devem opinar porque o Estado é laico!!! Quem acredita em Deus é cidadão de 2ª categoria, enquanto que quem não acredita é de 1ª, só a estes cabendo as decisões sobre a vida e a morte de seres humanos. Renova-se o pior período da ditadura moscovita em que quem acreditava em Deus não podia aspirar a nenhum cargo público de relevo!!!

O bom senso dos parlamentares certamente não aprovará o projeto que defende o direito de matar, indiscriminadamente, o nascituro e que se origina no arraigado preconceito de que só quem é agnóstico e descrente pode conduzir os destinos do País. Compreende-se -em face desta mentalidade contra o Criador- porque as tartarugas são melhores tratadas que os seres humanos no Brasil.

(Publicado no “Jornal do Brasil”, Rio de Janeiro, em 29/12/2005)

* Dr. Ives Gandra Martins é Jurista - (http://www.gandramartins.adv.br)

Bispos brasileiros ameaçados de morte por defender a vida

A Rádio Vaticana noticiou as ameaças de morte aos bispos Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, de Guarulhos, Dom Benedito Beni dos Santos, de Lorena e Dom Nelson Westrupp, de Santo André

Home > Chiesa > notizia del 24/10/2010 13.56.07

Brasile: vescovo minacciato di morte per aver difeso la vita nascente

La Chiesa cattolica difende sempre la vita “in tutte le sue fasi e nelle varie dimensioni, sia quando la vita è minacciata, come quella dei popoli indigeni, oppure quella degli anziani”. Così il presidente della Conferenza episcopale brasiliana, mons. Geraldo Lyrio Rocha, si è espresso manifestando la propria solidarietà al vescovo di Guarulhos, Luiz Gonzaga Bergonzini, minacciato di morte per aver difeso il diritto alla vita e per aver parlato contro l’aborto durante la campagna elettorale. Il presule ha ricevuto anche l’appoggio del presidente Lula da Silva e del candidato alla presidenza, Dilma Rousseff, ma purtroppo non si tratta di un caso isolato: a ricevere minacce esplicite sono stati, riferisce l’agenzia Fides, anche il vescovo di Lorena, Benedito Beni Dos Santos, e il vescovo di Santo André, nonché presidente della Regione Sud 1, Nelson Westrupp. “Lo Stato è laico, ma la società brasiliana è profondamente religiosa: cattolica, evangelica, di culti africani o indigeni – ha incalzato il presidente dei vescovi – questo è il motivo per cui tutte le religioni possono e devono esprimere le loro opinioni su un determinato argomento”. Mons. Lyrio Rocha, inoltre, ha sottolineato che la procedura, in base alla quale il vescovo diocesano di Guarulhos si è espresso per il territorio di sua competenza, e non rivolgendosi all’intera nazione brasiliana, sia assolutamente regolare e nell’ambito del modo di agire della Chiesa, precisando, infine, che non ci sono opinioni contrastanti su questa materia all’interno dell’Episcopato brasiliano. (R.B.)
(http://www.radiovaticana.org/it1/Articolo.asp?c=433545)

Discussão sobre aborto é legítima

Ações de Dom Bergonzini estão “dentro da normalidade” indica presidência da CNBB
Acima do bispo só está o papa destacou Dom Geraldo.

BRASILIA, 22 Out. 10 / 02:40 pm (ACI).- Em uma entrevista coletiva concedida ontem na Sede da CNBB em Brasília, Dom Geraldo Lyrio Rocha, presidente da entidade afirmou sobre as recentes ações do Bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, que estas estiveram “dentro da normalidade”. Em julho deste ano o bispo de Guarulhos escreveu um artigo orientando os fiéis a não votarem por candidatos que proponham a liberação do aborto e chegou a ser ameaçado de morte. Dom Lyrio Rocha destacou que cada bispo tem o direito de orientar os fiéis de sua diocese como desejar e que a CNBB não tem qualquer poder de interferência em dioceses. “Acima do bispo no governo da Igreja só existe uma autoridade: o Papa”, afirmou o presidente da CNBB quem também desmentiu que haja uma ruptura no episcopado brasileiro sobre o tema do aborto.

Nesta quinta-feira (21) o presidente da Conferência, Dom Geraldo Lyrio Rocha, do secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa, deram uma entrevista coletiva em Brasília para apresentar o material da Campanha da Fraternidade 2011 e falar um pouco sobre o momento eleitoral. Neste contexto Dom Geraldo Lyrio Rocha, afirmou que cada bispo tem o direito de orientar os fiéis de sua diocese como desejar e que a CNBB não tem qualquer poder de interferência em dioceses. Dom Geraldo destacou também que "a CNBB não aponta candidatos nem partido, ela indica critérios para que o cidadão cristão, orientado nesses critérios, possa exercer o voto."

"Tenho uma admiração muito grande por Dom Luiz Gonzaga Bergonzini e os seus procedimentos estão dentro daquilo que a Igreja espera. Ele tem o direito e até o dever de, de acordo com sua consciência, orientar seus fiéis do modo que julga mais eficaz mais conveniente. Ele está no exercício de seus direitos como bispo diocesano de Guarulhos e cada instância fala só para o âmbito de sua competência, tanto que ele não se dirigiu à nação brasileira. Este procedimento está absolutamente dentro da normalidade no modo como as coisas da Igreja se encaminham", afirmou o presidente da CNBB.
“Acima do bispo no governo da Igreja só existe uma autoridade: o papa”, destacou.

O presidente da entidade considerou positivo que o tema do aborto esteja sendo discutido na eleição. Ele reconheceu que há posições "reduzidas" sobre o tema, mas afirmou que as discussões sobre "valores" não podia ficar fora da eleição. "Acho que a moeda sempre tem dois lados, se há inconvenientes de um lado, há uma vantagem enorme do outro. O tema (aborto) foi colocado em pauta e não se podia entrar em um processo eleitoral sem trazer à tona temas dessa natureza de máxima relevância".

Além disso, o arcebispo afirmou que o fato de o Brasil ser um "Estado laico" não impede o debate sobre temas ligados à religião nas eleições. "Estado laico não é sinônimo de estado ateu, antireligioso ou areligioso. O estado brasileiro é laico, mas a sociedade brasileira não é laica, é profundamente religiosa, não estou dizendo só católica, mas evangélica, afro, dos cultos indígenas".

Dom Geraldo ressaltou que a laicidade do Estado deve garantir à Igreja o direito de se pronunciar sobre quaisquer questões. “O argumento de que o Estado é laico, às vezes, é mal usado. Por que a Igreja não pode expressar o seu ponto de vista a respeito dessas questões? A Igreja está propondo à sociedade aquilo que é da sua convicção. Um Estado laico deve garantir que a Igreja Católica expresse sua posição, como também as outras religiões, porque se Estado Laico for confundido com o Estado que não permite posições discordantes, não vamos ter um Estado Laico, mas uma ditadura laica”.

“O Estado é laico, mas a sociedade brasileira é profundamente religiosa: católica, evangélica, dos cultos afros, indígenas. É por esse motivo que todas as religiões podem e devem expressar o seu ponto de vista sobre determinado assunto”, destacou Dom Geraldo.

O presidente da CNBB destacou que a Igreja defende a vida em todas as suas dimensões. A Igreja “defende a vida em todas as suas fases nas suas várias dimensões, seja a vida ameaçada, seja a dos povos indígenas ou a vida de idosos. Sobre isso não há discordância no episcopado. Os bispos estão unânimes nessa posição de defesa e respeito à vida”, desmentindo que o atual momento eleitoral tenha causado uma ruptura entre os prelados brasileiros.

“Em um país como o nosso que tem uma Conferência com quase 450 bispos e, sobretudo, em um clima de liberdade que a Igreja procura cultivar, é perfeitamente compreensível que aqui ou ali alguém dê acentuação maior num aspecto e noutro. Não é porque eu discordei de você que eu devo interpretar que está havendo um racha. Mesmo que tenha havido uma acentuação maior ali e outra aqui, esses temas (aborto) foram postos na pauta das eleições 2010. O estranho seria se nós chegássemos ao final do segundo turno sem que assuntos dessa gravidade tivessem entrado em pauta”, concluiu Dom Geraldo.

TAMAR E MATAR

O Projeto Matar e o Projeto Tamar: o Aborto – Cícero Harada*

Desde 1980, o Projeto Tamar protege a vida das tartarugas marinhas. É um esforço louvável em prol da vida. Nas áreas de desova, são monitorados 1.100 km de praias todas as noites durante os meses de setembro a março, no litoral, e de janeiro a junho, nas ilhas oceânicas, por pescadores contratados pelo TAMAR. São chamados tartarugueiros, estagiários e executores de bases. São feitas a marcação e a biometria das fêmeas, a contagem de ninhos e ovos. A cada temporada, são protegidos cerca de catorze mil ninhos e 650.000 filhotes.

Se alguém destruir algum desses ninhos ou apenas um único ovo de tartaruga, sim, unzinho só, comete crime contra a fauna, espécie de crime contra o meio ambiente (Lei nº 9.605/93).

Já, na Câmara dos Deputados, tramita o importante Projeto de lei nº 1.135/91 que pretende legalizar o aborto do nascituro, em qualquer fase, até o nascimento. Sim, até o nascimento, porque apesar de o substitutivo falar em direito ao aborto até a 12ª semana, o seu último artigo revoga os artigos 124, 126, 127 e 128 do Código Penal, ou seja, é um verdadeiro Projeto Matar. A decretação da morte sem culpa do ser humano em um momento de maior fragilidade, sem que se lhe dê o direito à defesa, é um dos maiores absurdos que esta “civilização” pode perpetrar.

Digo absurdo, mas poderia dizer burrice cavalar, má-fé assassina, egoísmo desenfreado, hedonismo perverso, eugenia imperial e vai por aí.

Não será preciso estudar embriologia para saber que, desde 1827, graças a Karl Ernest von Baer, ficou assentado que, a partir da concepção, existe uma nova vida. Uma criança em sua simplicidade e pureza encanta-se com as novas vidas que estão nos ovos das tartarugas tão protegidos nos ninhos pelo Projeto Tamar, encanta-se ao saber que em breve virá à luz seu irmãozinho ou irmãzinha, ainda no ventre materno.

Mas não importa a ciência, não importa o direito, não importa o encanto de uma nova vida. Importa a frustração, o medo do sofrimento, em geral, futuro, os traumas, a perfeição eugenista, a liberdade de matar o próprio filho ainda no ventre.

Quando uma “civilização”, em nome da liberdade e do puro positivismo jurídico, sobrepõe a liberdade ao direito à vida, tem início um perigoso processo. A esse filme nós já assistimos no século XX. A maioria decidindo quando, como e em que circunstância uma minoria pode morrer. É a liberdade para o holocausto. Se o seu país não quiser, não o faça, mas não impeça que outros o façam. Em Nuremberg, todos se defenderam escudados no direito positivo. É por isso que o Papa João Paulo II sentenciou, em seu último livro, que o direito à vida é um limite da democracia.

O Projeto nº 1.135/91, que legaliza o aborto, é inconstitucional, pois, atropela o princípio da inviolabilidade da vida, prescrito pelo artigo 5º da Constituição Federal, ao legalizar o assassinato de crianças no ventre da mãe. É, reitero, um verdadeiro Projeto Matar. Mas, dirão os defensores do aborto: a ciência não sabe quando começa a vida. Respondo: é imprescindível comunicar o Projeto Tamar desse fato, assim, não será preciso gastar tanto dinheiro do contribuinte à toa, defendendo ovos de tartaruga. Será necessário descriminalizar o aborto de ovos de tartaruga. Será que alguém terá, ainda, a coragem de me objetar que, no caso das tartarugas, é diferente porque elas não têm liberdade de escolha? Então, viva a liberdade!

*Procurador do Estado de São Paulo; conselheiro e presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia da Ordem dos Advogados do Brasil - São Paulo

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

"Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus"

Com esta frase Jesus definiu bem a autonomia e o respeito, que deve haver entre a política (César) e a religião (Deus). Por isto a Igreja não se posiciona nem faz campanha a favor de nenhum partido ou candidato, mas faz parte da sua missão zelar para que o que é de “Deus” não seja manipulado ou usurpado por “César” e vice-versa.
Quando acontece essa usurpação ou manipulação é dever da Igreja intervir convidando a não votar em partido ou candidato que torne perigosa a liberdade religiosa e de consciência ou desrespeito à vida humana e aos valores da família, pois tudo isso é de Deus e não de César.

Vice-versa extrapola da missão da Igreja querer dominar ou substituir-se ao Estado, pois neste caso ela estaria usurpando o que é de César e não de Deus.

Já na campanha eleitoral de 1996, denunciei um candidato que ofendeu pública e comprovadamente a Igreja, pois esta atitude foi uma usurpação por parte de César daquilo que é de Deus, ou seja o respeito à liberdade religiosa.

Na atual conjuntura política o Partido dos Trabalhadores (PT) através de seu IIIº e IVº Congressos Nacionais (2007 e 2010 respectivamente), ratificando o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) através da punição dos deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso, por serem defensores da vida, se posicionou pública e abertamente a favor da legalização do aborto, contra os valores da família e contra a liberdade de consciência.

Na condição de Bispo Diocesano, como responsável pela defesa da fé, da moral e dos princípios fundamentais da lei natural que – por serem naturais procedem do próprio Deus e por isso atingem a todos os homens -, denunciamos e condenamos como contrárias às leis de Deus todas as formas de atentado contra a vida, dom de Deus, como o suicídio, o homicídio assim como o aborto pelo qual, criminosa e covardemente, tira-se a vida de um ser humano, completamente incapaz de se defender.

A liberação do aborto que vem sendo discutida e aprovada por alguns políticos não pode ser aceita por quem se diz cristão ou católico. Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto. (confira-se: Ex. 20,13; MT 5,21).

Isto posto, recomendamos a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais “liberações”, independentemente do partido a que pertençam.

Evangelizar é nossa responsabilidade, o que implica anunciar a verdade e denunciar o erro, procurando, dentro desses princípios, o melhor para o Brasil e nossos irmãos brasileiros e não é contrariando o Evangelho que podemos contar com as bênçãos de Deus e proteção de nossa Mãe e Padroeira, a Imaculada Conceição.

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, Bispo de Guarulhos-SP - 01.07.2010

Entrevista à revista Veja comentada por Reinaldo Azevedo


Dom Luiz Bergonzini

23/10/2010
 às 5:13

Exclusivo - Petistas intimidaram e xingaram Dom Luiz, bispo de Guarulhos, que recebeu ameaças. Mas ele não se cala: “Recomendo voto contra Dilma por causa de suas idéias favoráveis ao aborto”

Dom Luiz: também ele sofreu intimidação por dizer o que o PT não quer ouvir
Dom Luiz: também ele sofreu intimidação por dizer o que o PT não quer ouvir
Vocês sabem o que penso. Entendo absurda a liminar concedida pelo ministro Henrique Neves, do TSE, que permitiu à polícia federal apreender o “Apelo a Todos os Brasileiros e Brasileiras”, em que a Comissão em Defesa da Vida, da Regional Sul I da CNBB, exortava os católicos a não votar em políticos que defendam a descriminação do aborto.
A impressão do texto foi encomendada por Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos. O PT tentou acusar uma espécie de conspiração, afirmando que se tratava de uma iniciativa do PSDB, já que uma das sócias da gráfica Pana é filiada ao partido. Os petistas só se esqueceram de informar, como noticiou este blog, a empresa imprimiu material de campanha para outros partidos - inclusive para o PT. Num deles, uma central sindical exortava seus filiados a votar em Dilma, o que é ilegal.
Pois bem. Dom Luiz concedeu uma entrevista ao repórter Kalleo Coura, da VEJA, em que desmoraliza mais uma farsa petista. Foi ele quem realmente encomendou a impressão do texto, não o PSDB. Sem receio de defender os princípios da Igreja de que é bispo, reafirma a sua posição contrária ao aborto, diz que se sentiu censurado e reitera que os fiéis não devem votar na petista Dilma Rousseff por causa de suas idéias, favoráveis à descriminação: “Agora, depois do primeiro turno, ela se manifestou muito religiosa, dizendo-se contra o aborto e contra a união de pessoas do mesmo sexo. Quer dizer: tudo aquilo que atrapalhou a sua eleição no primeiro turno, ela tirou da campanha. Você pode confiar numa pessoa que assume posições contraditórias? Ninguém muda de idéia deste jeito. O lobo perde o pêlo, mas não perde o vício. Ela não é confiável”.
Dom Luiz revela também que os petistas tentaram intimidá-lo: “Fui agredido por militantes do PT, que, há dez dias, fizeram um escarcéu debaixo da minha janela, às duas da manhã, com palavrões e rojões. Cheguei até a ser ameaçado”. Sem receio, Dom Luiz avisa: “Ninguém pode botar um cadeado, uma mordaça, na minha boca. Podem apreender um papel, mas nada altera minhas convicções”. Leia os principais trechos da entrevista..
VEJA - Foi o senhor quem decidiu imprimir dois milhões de cópias do “Apelo a todos os brasileiros e brasileiras”?
Dom Luiz - 
Sim. Fiz isso para tornar conhecida a minha posição política em defesa da Igreja e da vida. Essa publicação visava justamente defender a vida de seres humanos que não pediram para nascer e não têm condições de se defender. Trata-se de um documento oficial, assinado por três bispos. Não era um panfleto. É um documento autêntico da igreja.
O senhor se sentiu censurado com a apreensão dos folhetos?
Dom Luiz - 
laro que sim! Foi um ato totalmente antidemocrático, uma agressão à minha pessoa. Afinal de contas, eu tinha autorizado a publicação. Essa cassação impediu não só a impressão do documento como sua distribuição. Sinto que fui perseguido. O governo fala tanto em liberdade de expressão, mas esta apreensão foi um atentado a um princípio constitucional. A minha opinião foi censurada.
O senhor defende explicitamente que os fiéis não votem em Dilma Rousseff?
Dom Luiz - 
Minha recomendação é essa por causa das idéias favoráveis ao aborto que ela tem. Em 2007, numa entrevista, ela chegou a dizer que era um absurdo a não-descriminalização do aborto no Brasil. Então ela é favorável a isso. Agora, depois do primeiro turno, ela se manifestou muito religiosa, se dizendo contra o aborto e contra a união de pessoas do mesmo sexo. Quer dizer: tudo aquilo que atrapalhou a sua eleição no primeiro turno, ela tirou da campanha. Você pode confiar numa pessoa que assume posições contraditórias? Ninguém muda de idéia deste jeito. O lobo perde o pêlo, mas não perde o vício. Ela não é confiável.
O PT chegou a dizer que havia “indícios veementes” de participação do PSDB nas encomendas dos folhetos. Isso ocorreu?
Dom Luiz - 
Em circunstância nenhuma eu agi de acordo com orientações partidárias. Eu falei, repito, assino e afirmo: “Não tenho partido político”. Eu sou um ser político, sim, mas não partidário. Se tomei partido nesta eleição, não foi a favor do PSDB, foi contra o PT e a Dilma. As razões são claras: sou contra o aborto e a favor da vida. Não fui procurado por partido político nenhum! Fui apenas agredido por militantes do PT, que, há dez dias, fizeram um escarcéu debaixo da minha janela, às duas da manhã, com palavrões e rojões. Cheguei até a ser ameaçado.
Como foi isso?
Dom Luiz - 
Recebi cartas anônimas. Uma delas dizia: “O Celso Daniel foi assassinado, tome cuidado”. Fiz um boletim de ocorrência por causa disso, mas não tenho medo. Se fizerem qualquer coisa contra mim, será um tiro no pé. Será pior para eles.
É papel de um bispo se posicionar politicamente?
Dom Luiz - 
O papel do bispo é orientar os seus fiéis sobre a verdade, sobre a justiça e sobre a moral. Ele deve apresentar a verdade e denunciar o erro. Foi o que fiz. Tenho todo o direito - e o dever - de agir do modo que agi. Não me arrependo de ter falado o que falei. Faria tudo de novo! Se surgir um candidato que seja contra os princípios morais, contra a dignidade humana e contra a liberdade de expressão, irei me levantar de novo.
O senhor irá continuar distribuindo documentos similares aos apreendidos?
Dom Luiz - 
Se a Justiça liberar, vou. De qualquer forma, vou continuar manifestando minha opinião. Ninguém pode botar um cadeado, uma mordaça, na minha boca. Podem apreender um papel, mas nada altera minhas convicções.
Por Reinaldo Azevedo

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

PT e o aborto


O PT e o aborto



Publicamos o artigo de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo da Diocese de Guarulhos (SP), sobre a posição do PT sobre o aborto. O artigo foi extraido do jornal da mesma diocese Folha Diocesana.

No site do PT (http://www.pt.org.br/site/secretarias) pode-se ler a moção apresentada pela Secretaria Nacional de Mulheres e aprovada pela maioria dos delegados e delegadas do 13° Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores (08-05-06).

Se é justo que todos tenhamos um “posicionamento firme contra todas as injustiças e discriminações a que estão submetidas às mulheres na sociedade”, o que corresponde também às exigências de justiça do Evangelho, fazer disso um pretexto para levantar a bandeira da descriminalização do aborto é absurdo, incoerente e não corresponde à realidade.

Absurdo, porque, em nome da defesa da vida das mulheres que morrem por causa do aborto clandestino, se esquece completamente que o feto e o embrião, sacrificados no aborto, são também indivíduos humanos merecedores de todo o nosso respeito a começar pelo respeito à vida. Todas as vidas têm igual valor. Não existem vidas mais dignas e menos dignas. Aceitar esta distinção seria aceitar uma tremenda discriminação, contra a qual justamente o movimento feminista se insurge.

Incoerente, por dois motivos. O primeiro: pelo fato que fetos e embriões são também homens e mulheres já sexualmente definidos e a metade dos fetos e embriões abortados são de mulheres. Daí a incoerência desta moção que em nome do feminismo vai contra as próprias mulheres, a não ser que segundo as feministas, mulher é só quem seja adulta e sexualmente ativa, introduzindo assim uma discriminação a mais, que elas dizem combater. Segundo motivo: em nome da liberdade de decisão da mulher prejudica-se as próprias mulheres que praticam o aborto. O aborto, mesmo em caso de violência sexual e praticado nas melhores condições de assistência médica, é sempre prejudicial para a saúde psíquica da mulher, constituindo-se numa derrota de sua auto-estima, e ela carregará este trauma pelo resto da vida. Estatísticas de atestados de óbito mostram como, dentro do prazo de um ano do parto ou do aborto provocado, o número de suicídios das mulheres que provocaram o aborto é sete vezes maior do que o número de suicídios de mulheres que deram à luz. Que ajuda é esta que as feministas querem dar às mulheres, quando a própria psiquiatria moderna, alemã e italiana, aconselha para o bem estar psíquico da mulher a não interromper a gravidez, mesmo em caso de violência sexual?

Não corresponde à verdade. De fato se fala de milhares de mulheres que morrem em conseqüência do aborto mal feito, quando o Ministério da Saúde registrou nos últimos anos uma diminuição constante destas mortes, de 198 em 1995 descendo para 115 em 2002. Não é verdade que a descriminalização do aborto é causa direta da diminuição das mortes maternas. Causa direta desta diminuição é a assistência à gravidez ao parto e ao puerpério. De fato, Chile, Costa Rica e Uruguai, onde o aborto é proibido, tem uma mortalidade materna inferior à de Cuba, onde morrem 33 mulheres a cada 100.000 nascidos vivos e onde o aborto é legalizado há mais de trinta anos. Assim também Portugal, Irlanda e Polônia, onde o aborto é proibido, tem mortalidade materna inferior à dos EUA e da Inglaterra, onde o aborto é legalizado há muitos anos.

Mas a parte pior da moção em questão é que se exige que os parlamentares do PT (ao todo 14), que integram a Frente Parlamentar em Defesa da Vida – Contra o Aborto, retirem seu nome desse movimento. Aí aparece o rosto autoritário do PT, que respeita a liberdade de consciência quando esta não vai contra os planos do partido (pode-se votar contra o aborto quando o voto não muda os projetos do partido mas nunca quando este voto poderia prejudicar os planos partidários). De fato, nenhum membro do PT ousou apresentar, até hoje, um projeto de lei que proíba o aborto ou que fortaleça a família. Concluindo, fazemos nossas as considerações que apareceram num estudo publicado em 2002 no site do Providafamília de Brasília: abortistas encontramos em todos os partidos da direita e da esquerda... A diferença é que os demais partidos têm abortistas, enquanto o PT é abortista. Sendo esta a posição do PT, é bom lembrar a recomendação do Apocalipse aos cristãos que moravam em Babilônia (ou seja em Roma): “Saí dela (no nosso caso dele), ó meu povo, para que não sejais cúmplices dos seus pecados (no nosso caso do desrespeito à vida e aos direitos humanos fundamentais, entre os quais o respeito à liberdade de consciência)” (Ap 18,4).
Fazemos votos que, em se tratando de uma moção, a direção do partido corrija os absurdos nela contidos e, de qualquer forma, parabenizamos os 14 deputados petistas, que integram a Frente Parlamentar em Defesa da Vida e Contra o Aborto, pela sua coerência e coragem.
                                                             Dom Luiz Gonzaga Bergonzini


Bispo Diocesano de Guarulhos, SP

Publicado em 09/06/2006 - 08:01
Fonte: CNBB SUL-1 (este texto estava publicado neste link, mas foi retirado)