domingo, 18 de dezembro de 2011

Nossa Senhora Desatadora dos Nós

Maria desatadora de nós

Nossa Senhora Desatadora de Nós
A antiga igreja de São Peter am Perlach (1067), no coração da cidade de Augsburg, Alemanha, abriga um precioso tesouro espiritual: o quadro "Maria desatadora de nós". Obra barroca, pintada, provavelmente, em meados do ano de 1700. Infelizmente, seu autor é desconhecido. O artista concentrou, na tela, um grande número de pensamentos com o objetivo de doação de fé e encorajamento. Quem observa o quadro pela primeira vez, fica surpreendido pela representação incomum. Não se trata de mais uma interpretação pictórica de Nossa Senhora; pelo menos não é a consueta Mãe de Deus com o menino. Observamos, então, esta Nossa Senhora da Imaculada Conceição: Ela se encontra entre o Céu e a Terra, simbolizando o novo início, o grande sinal da Salvação. Da plenitude da luz de Deus desce o Espírito Santo, sustendo-se no ar a irradiar em luz: "Tu és cheia de graça". Sua cabeça, coroada, portanto, com 12 estrelas, símbolos dos dons de Deus. Trata-se mesmo do Espírito da obediência que ama e ensina; é Ela, a clamar: "Abbá, ó Pai! Seja feita a Tua vontade, eu sou a Virgem do Senhor". Seu manto, em movimento, é agitado por Aquele que dá a vida: eis a Esposa do Espírito Santo! Aquela que ficou imune ao pecado original se resguarda de culpa pessoal. Segura, pousa os pés sobre a cabeça da "Antiga Serpente", que se enrola em torno da Lua, sinal da volubilidade. Vence o espírito da desobediência, da indignação e o das trevas que, com raiva e ódio, explode num grito. Observamos Maria Desatadora de Nós! Esta comparação é extraída da obra de Santo Irineu de Lion (falecido em 202), bispo e mártir: "Contra as heresias" (III, 22, 4). O quadro não chega a ter trezentos anos, mas este pensamento, esta idéia estimulou a cristandade a refletir, há mais de 2000 anos, sobre a participação de nossa amada Mãe, à obra de redenção do Seu Filho. Atrás desta imagem cheia de luz, encontra-se a dura realidade da crucificação. O Concílio Vaticano II, na sua "Constituição da Igreja" (nº. 56), revalorizou a referida tela: "O Pai de cada misericórdia queria que, antes da encarnação de Seu Filho, a Mãe predestinada pronunciasse o "sim", o Fiat (seja feita a Sua vontade, a vontade de Deus), para que, deste modo, uma mulher, Eva, tendo contribuído para a morte, assim uma mulher, a Virgem Maria, contribuiu para a Vida... O nó da desobediência de Eva é desatado em virtude da obediência de Maria. O que Eva ligou mediante a incredulidade (ligado, estreitado, isto é, o nó da culpa), Maria desatou em virtude da Fé. Pelo nosso agir cheio de erros - pecados aos Seus olhos - Deus quis, como expiação, como indenização, a obediência do Seu Filho e, junto à dEle, a obediência da Sua e Nossa Mãe e a obediência de todos os Seus filhos e filhas. Nosso Senhor celebrou, na plenitude dos tempos, como desatadora de nós (de dificuldades) a Missa solene aos pés da cruz. Naquele caso, Ela também estava próxima como diácona da salvação, como desatadora dos nós, dos pecados e do mal. Para nós todos, trata-se do mesmo serviço que se completou sobretudo no martírio da cruz e que nós repetimos toda vez que voltamos a viver o sacrifício da Eucaristia, na graça da nossa vida na Fé, na Esperança e no Amor. Podemos ver Maria, igualmente, como Mediadora, Medianeira da Graça, o que Ela, uma vez recebeu em forma de bens, ora os distribui. Ela é a Salvação dos doentes, o amparo dos pecadores, Consoladora dos aflitos e dos oprimidos, Socorro dos cristãos, Mãe do bom conselho, desatadora de todos os nós e de todas as dificuldades. Um dos dois anjos, o que se apresenta mais elevado, está a Lhe oferecer uma fita com grandes e pequenos nós, constituída de nós únicos ou de entrelaçamentos de muitos nós. Aqui é representado o pecado original com todas suas conseqüências, enodando a nossa vida. Nós na vida pessoal, na vida profissional, em cada vida da sociedade, assim como naquela dos povos, nós entrelaçados pela nossa geral e humana caducidade e insuficiência, além dos fios em voltas resistentes, geradas por nossas culpas, fruto da nossa desobediência, sempre a causar novos nós. A Graça não pode escorrer ao longo da fita - fio da nossa vida - por causa da sua resistência; mas a Magda (servidora) do Senhor nos incita à obediência, em virtude de Suas mãos benevolentes, a desatar um nó após o outro. E, assim, a fita, sobre a qual se reflete a luz da misericórdia e da santificação, é passada para o outro anjo, o que está ajoelhado, que a mostra - olhar eloqüente - a quem rezou e foi atendido: "Olhe o que você conseguiu novamente, em virtude da intercessão da Santa Mãe!" Por isso os bons anjos nos devem levar até Ela, que é a Rainha deles e nossa. O desatamento de um nó particular é mostrado na cena exposta no plano inferior da obra: na semi-obscuridade, um anjo e um homem, seguidos por um cão, estão a percorrer uma estrada, rumo a uma igreja longínqua. A história descrita pelo O Arcanjo Rafael conduz Tobiaartista é clara: o Arcanjo Rafael conduz o jovem Tobias à sua futura esposa, Sara (Tobias 6, 13-19). O originário tema da noiva torna-se, para muitos fiéis, o símbolo do casamento. Pela intercessão de Maria os futuros esposos se encontrarão, ou os esposos atuais devem encontrar-se, na paz matrimonial. Quantos nós se devem desatar, para que sejam doadas a paz e a harmonia aos corações! Podemos coligar nosso quadro com o ciclo litúrgico da Igreja: a solene festa da Imaculada Conceição da Virgem Maria, Mãe de Deus, o início bendito da Sua vida; o Aniversário das sete dores de Maria, em memória da Sua sempre nova dedicação, pela Fé, até aos pés da Cruz do Seu amado Filho; a solene Festa da Assunção de Maria aos Céus, e a Sua coroação como nossa mediadora. Cada uma destas festividades nos mostra, a Mãe Santíssima e Sua imagem, em luzes sempre novas. Até a tríplice coroa de rosas aparece, neste quadro, com profundo significado. Muitos habitantes de Augsburg fazem-Lhe silenciosa visitação, vão até Ela, em peregrinação, para saudá-La e pedir-Lhe a Sua intercessão. O que um guia muçulmano expôs para um grupo de turistas estrangeiros, no verão de 1965, na "Casa da morte da Mãe de Deus", em Éfeso, Turquia, vale igualmente aqui: "Se você está preocupado, acenda uma vela diante de Maria. Dizem que ajuda". Em virtude da benção de Deus e da fé dos crentes, Sua imagem tornou-se a imagem de Graça. Se nós já A chamamos de nossa querida Madona de Scheppach ou de Kobel, podemos recorrer a Ela suplicando, igualmente: "Maria, desatadora de nós de Augsburg, rezai por nós!".
P. Waldemar Moll SJ Observação do quadro e significado, tradução de Edoardo Pacelli

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