segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A ética social cristã é uma exigência para todos

Par. N. S. Fátima Vila Fátima
Neste mês quero refletir com vocês sobre ética. Hoje se fala muito em ética. Na verdade fala-se mais sobre a falta dela.

O que significa a palavra ética ?  A palavra vem do grego  ethos e significa caráter, espírito e atitude de uma determinada pessoa ou povo. Uma pessoa de caráter, que age sem fazer mal a si e aos outros demonstra ter ética, ou seja, um mode de se comportar positivo. Da mesma forma, um político que não aceita suborno revela possuí-la. Um fiscal da prefeitura que não cobra propina atua com ética profissional.

A ética é um modo de viver. É algo que resulta de nossa educação e que revelamos em nossa maneira de ser. Diz mais respeito à nossa vida interior, ou seja, à nossa subjetividade; é ela que nos motiva a agir de uma determinada maneira.

A referência ética que deve nortear a vida dos cristãos, e principalmente dos cristãos que ocupam cargos públicos, é a palavra e a prática de Jesus.

Todos sentem que, de alguns anos para cá, os costumes da sociedade mudaram muito. Está havendo um novo modo de pensar, de agir e viver, fora dos princípios éticos há pouco tempo respeitados e aceitos, é o que se chama de "crise ética". Pior ainda é a crise ética, isto é, a tendência a se considerar como "natural" essa nova situação, como se não houvesse normas para reger os atos humanos, tanto particulares como públicos.

A crise atual está gerando duas atitudes predominantes, ambas criticáveis: de um lado, o apego ao que é tradicional, por ser tradicional, gerando o fundamentalismo.

A outra atitude, mais difundida, é marcada pelo individualismo, tendência estimulada pela dinâmica da sociedade atual, que faz com que cada pessoa se coloque no centro das decisões.  Cada um faz sua  escolha como se estivesse em um supermercado, isto é, o critério fundamental passa ser o gosto pessoal, na linha do "bom é o que eu gosto", "o que importa é que seja bom para mim".  As decisões deixam de ser tomadas, pois, em função de valores objetivos ou universais; predomina o "eu acho que...", "eu penso que...", "eu prefiro que...".

Desaparecem a comunhão e a fraternidade; multiplicam-se ilhas, pois cada qual se fecha em seu mundo; surgem pessoas inseguras e inconstantes, insatisfeitas e egocêntricas. Crescem, portanto, propostas de felicidade, realização pessoal, em prejuízo do bem comum e da solidariedade.

Por outro lado, cresce a consciência de que é preciso tomar uma posição clara diante de certos comportamentos ou atitudes, por exemplo, diante daqueles que, ocupando cargos públicos, guiam-se em função de seus próprios interesses,  são pouco ou nada transparentes no agir, envolvem-se em corrupção e abuso de poder. Ou de legisladores, que aprovam leis que terão repercussão negativa sobre a família, a vida em todas as suas manifestações e sobre a natureza e o meio ambiente.

Quase todos os dias ouvem-se notícias de corrupção na política, no futebol e na polícia.

Corremos o perigo de nos acostumarmos com essas notícias, de nos tornarmos insensíveis diante delas, e quando aparecer denúncias de corrupção, dizermos: "é mais um caso".

Está na hora do povo brasileiro reagir e se mobilizar contra a corrupção. Aliás, já estão acontecendo algumas manifestações em alguns lugares do Brasil, mas é pouco, tímido esse movimento diante da gravidade dessa corrupção que impede o justo uso do dinheiro público, em políticas públicas para a saúde, a educação, a segurança pública, etc.

Nós devemos nos tornar fiscais de nossos políticos, não permitindo que eles usem o dinheiro público a serviço deles ou a serviço de interesses corporativistas.

É necessário criarmos uma verdadeira consciência dos valores éticos que devem nortear nossa vida e a vida da sociedade.

A ética social cristã não é opção de alguns, mas exigência para todos. Ela é contribuição própria da Igreja para a construção de uma sociedade fundamentada na verdade, na justiça e na solidariedade. 

Deus nos abençoe e nos guie no caminho de uma ética animada pelo amor.

Padre Tarcísio Anatólio de Almeida
Pároco da Paróquia N. S. de Fátima
Vila Fátima - Guarulhos - SP 

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