sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Igreja Católica socorre imigrantes na Casa do Migrante


Edição do dia 14/10/2011
15/10/2011 00h35 - Atualizado em 15/10/2011 01h23

Butaneses presos em aeroporto de SP 


conseguem refúgio no Brasil


Bishwas Raj e Ganesh Raj foram admitidos até que Conselho Nacional para Refugiados 

consiga identificá-los e decida sobre a permanência deles. Eles passaram duas semanas

numa ala do aeroporto de Guarulhos.

Depois de duas semanas morando no aeroporto de Guarulhos, sem poder entrar nem sair do Brasil, os dois homens que vieram do Butão, um pequeno país da Ásia, finalmente conseguiram refúgio.

Com a voz fraca depois de quase um mês dormindo pouco e quase sem comida, Ganesh Raj diz que quer viver no Brasil porque o país é seguro, não tem guerra.

Ele e o sobrinho, Bishwas Raj, são do Butão, um pequeno país asiático entre a China e a Índia, mas nos últimos 20 anos, viviam como refugiados no Nepal.

Bishwas, que tem 21 anos, conta que saíram de lá para fugir da perseguição étnica. Iam para os Estados Unidos, mas no aeroporto de Guarulhos, o guia pegou dinheiro e documentos. Eles esperaram por cinco dias.

O guia não apareceu mais e os dois se apresentaram à imigração. Sem passaporte não podiam entrar no Brasil. Sem passagens não conseguiam voltar. Ficaram mais de 20 dias no conector, um setor de transferência para passageiros em trânsito.

No cinema, o ator Tom Hanks viveu o papel de um estrangeiro na mesma situação, num aeroporto dos Estados Unidos. O personagem podia circular dentro do aeroporto, mas não podia sair, o que provocou episódios engraçados.

A história de Bishwas e Ganesh não teve graça. Eles dormiram no chão, sentiram frio e fome. Dizem que chegaram a ficar cinco ou seis dias sem comer.

O Jornal da Globo mostrou o drama dos dois na segunda-feira. O perigo que a presença de estrangeiros sem identificação representa para o aeroporto.

Durante um depoimento tomado pela Polícia Federal, os butaneses pediram refúgio no Brasil e finalmente conseguiram sair do aeroporto. Eles foram admitidos temporariamente até que o Conselho Nacional para Refugiados consiga identificá-los oficialmente e decida sobre a permanência deles no país. Até lá, os dois ficam na Casa do Migrante, uma ação social da igreja católica que recebe pessoas que chegam a São Paulo.

“Para não cair na rua, nós acabamos acolhendo e dando toda a assistência, desde a jurídica, social e psicológica”, fala a coordenadora da Casa do Migrante, Carla Aguilar.

Agora a Casa do Migrante está em contato com a Cáritas, que é responsável por ajudá-los a regularizar a situação deles como refugiados. Esse processo costuma levar de seis a oito meses. Enquanto isso, eles continuam morando junto com vários outros estrangeiros, na mesma situação.

Os quartos têm capacidade para 105 pessoas, mas está com 116 hóspedes. Apenas oito deles são brasileiros. Em 2002, 25% das vagas eram preenchidas por estrangeiros. Esse ano são 84%.

Segundo a Cáritas, São Paulo tem hoje 2.052 estrangeiros, de 75 nacionalidades, que pediram ou já conseguiram refúgio no país. São homens, mulheres e crianças que, como Ganesh e Bishwas, olham para o Brasil e sonham em viver em paz, trabalhar, ter um futuro melhor.

Veja o vídeo - Jornal da Globo

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