sexta-feira, 7 de outubro de 2011

117 milhões de mulheres abortadas na Ásia


06/10/2011 - 20h01

Exames de ultrassom diminuem número de mulheres na Ásia, diz ONU

O acesso maior à tecnologia que permite que os pais saibam o sexo de seus filhos antes do nascimento reduziu em 117 milhões o número de mulheres na Ásia, principalmente na China e Índia, anunciou a ONU nesta quinta-feira.

Essa tendência deve influenciar os países afetados por mais de 50 anos, principalmente por meio de uma redução do número de noivas para os homens chineses e indianos, apontaram especialistas durante uma conferência organizada por ONU e Vietnã em Hanói.

"Essa queda do nascimento de meninas reflete a preferência por meninos e o acesso maior à nova tecnologia de seleção de sexo", como o ultrassom, assinala um paper do UN Population Fund. Muitos pais recorrem a "abortos seletivos", destacou o demógrafo francês Christophe Guilmoto.

Na maioria dos países, a proporção é de 104 a 106 nascimentos de meninos para cada 100 nascimentos de meninas, "mas esse nível aumentou gradativamente nos últimos 25 anos em vários países asiáticos, principalmente na China e Índia", informou a ONU.

"A discriminação pós-natal --expressa no excesso de mortes de crianças do sexo feminino-- ainda não foi eliminada totalmente em vários países, e reflete a negligência dos pais envolvendo as filhas mulheres", diz Guilmoto no paper.

Segundo a ONU, a preferência por meninos reflete as influências socioeconômicas e tradições em que apenas os homens herdam propriedades e cuidam dos pais em sua velhice, enquanto as mulheres requerem dotes e deixam a família quando se casam.

Guilmoto assinalou que, mesmo se a proporção de nascimentos de ambos os sexos voltar ao normal dentro de dez anos, os chineses e indianos continuarão tendo dificuldade para encontrar uma esposa durante décadas. "Esse desequilíbrio também levaria a um aumento rápido do número de solteiros, uma mudança importante em países onde quase todo mundo costumava se casar."

Na China, a maioria dos pais são proibidos de ter mais de um filho. "Lidar com as consequências demográficas do desequilíbrio entre os sexos e seu impacto na sociedade pode se tornar, em breve, o próximo desafio para os governos", indicou Guilmoto.

Heeran Chun, da Universidade Jungwon, da Coreia do Sul, disse que seu país foi o único a reduzir para níveis próximos da normalidade a proporção de nascimentos de homens e mulheres.
Colaboração: Silva Lemes

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