sábado, 20 de agosto de 2011

Vaticano II ? Sim, mas qual ? e Bento XVI, Papa.


Vaticano II ? Sim! Mas, qual ?
Seg, 25 de Janeiro de 2010 15:16
Dom Henrique Soares
Muita gente interpretou e interpreta o Concílio Vaticano II como uma ruptura com o passado. É comum até mesmo em salas de aula de cursos de teologia encontrar professores ridicularizando gostosamente a Igreja "pré-conciliar". Segundo essa mentalidade, antes do Concílio tudo era imperfeito e a Igreja era um museu: autoritária, alienada e afastada do mundo...  Após o Concílio, ao invés, tudo é maravilhoso, tudo se faz novo e deve ser fazer de novo! Certamente, tal interpretação é totalmente equivocada. Bento XVI a chama de hermenêutica da descontinuidade. Segundo o Papa, o modo correto de compreender o Vaticano II é a hermenêutica da reforma: na força do Espírito Santo a Igreja viva vai sendo sempre e gradualmente reformada... O Vaticano II é apenas mais um evento desse contínuo processo que vai de Cristo até o fim dos tempos. O Concílio não rompeu com o passado, mas o relê e o reinterpreta no presente... Vejam só algumas frases de Bento XVI, no seu discurso de final de ano à Cúria Romana neste 2005:

“Por um lado, dá-se uma interpretação que gostaria de chamar de 'hermenêutica da descontinuidade e da ruptura'; com freqüência pôde servir-se da simpatia dos meios de comunicação, e também de uma parte da teologia moderna. Por outra parte, dá-se a 'hermenêutica da reforma', da renovação na continuidade do único sujeito-Igreja, que o Senhor nos deu; é um sujeito único do Povo de Deus em caminho”.
“A hermenêutica da descontinuidade corre o risco de acabar em uma ruptura entre a Igreja pré-conciliar e a Igreja pós-conciliar. Afirma que os textos do Concílio como tal não seriam a autêntica expressão do espírito do Concílio. Seriam o resultado de compromissos nos quais, para alcançar a unanimidade, teve-se que lutar contra muitas coisas velhas que hoje são inúteis. No entanto, o verdadeiro espírito do Concílio não se revelaria nestes compromissos, mas nos impulsos para o novo que estão subentendidos nos mesmos: só estes representariam o verdadeiro espírito do Concílio e partindo deles e em conformidade com eles haveria que seguir adiante. Precisamente porque os textos refletiriam somente de maneira imperfeita o verdadeiro espírito do Concílio e sua novidade, seria necessário ir corajosamente mais além dos textos, deixando espaço à novidade na que se expressaria a intenção mais profunda, ainda que todavia não clara, do Concílio. Em uma palavra, não haveria que seguir os textos do Concílio, mas seu espírito…”
Depois de criticar duramente essa hermenêutica da descontinuidade, o Papa alerta para a necessidade de interpretar e viver o Concílio no espírito de continuidade com a grande Tradição da Igreja. Nesta perspectiva, sim, o Vaticano II já deu e continuará dando inúmeros e preciosos frutos à Igreja de Cristo!
O discurso do Santo Padre pode ser lido neste mesmo site, no link "Bento XVI". O Papa faz também um belíssimo elogio a João Paulo II Magno. Acho que vale a pena dá uma olhada...

Bento XVI, Papa
Sáb, 02 de Maio de 2009 21:30
Côn. Henrique Soares da Costa
            Habemus Papam! – Anunciou o Cardeal Proto-diácono da Igreja Romana. E, para a surpresa de muitos – a minha foi enorme! – o escolhido para ser o Sucessor de Pedro foi o Cardeal Ratzinger. Surpreendente também o nome que adotou: Bento. Da eleição para cá já se disse de tudo sobre o novo Papa. A maioria da mídia trata-o de modo depreciativo e totalmente injustificado. Sugiro ao meu caro leitor alguns pontos para reflexão. 


(1) A eleição de um Papa não é uma jogatina política. Um radialista de nossa Capital chegou a dizer que o conclave era um conchavo. A ignorância desculpa tudo; o “douto” radialista está desculpado. O conclave que elegeu o atual Papa não foi uma armação. Muito pelo contrário: o Cardeal alemão não queria ser Papa, não fez campanha... Tanto durante as reuniões preparatórias quanto na homilia da Missa de abertura do próprio conclave, externou com clareza seu pensamento, sem meias palavras, sem se camuflar - como fazem os candidatos, sem procurar agradar. Os cardeais não são trapaceiros; são homens de fé; têm consciência da responsabilidade de seu cargo e de que prestarão contas a Deus. Neste conclave foi surpreendente a rapidez da eleição, o que indica uma convergência de pensamento por parte dos cardeais. Por incrível que pareça, Joseph Aloisius Ratzinger, com suas idéias claras e firmes, fez convergir para si o pensamento dos eleitores. 

(2) Muitos estão dizendo: esse Papa é sem carisma; não é comunicativo, é conservador. Mas, que é um papa? Seria um comunicador pop? Não! É o Bispo de Roma, escolhido para ser o pastor maior da Igreja de Cristo, testemunhando o Senhor diante do mundo. A única pergunta que Jesus fez a Pedro, antes de confirmá-lo no seu ministério foi esta: “Tu me amas?” Não perguntou ao Pescador da Galiléia se tinha jeito com o povo, se falava mais de um idioma, se era conservador ou progressista... O que os católicos esperam do Santo Padre, o que a Igreja espera, é que seja fiel ao Evangelho e à Tradição Apostólica perenemente guardada pela Igreja sob a guia do Espírito do Ressuscitado. É este Evangelho, crido, guardado e anunciado na Igreja e pela Igreja que ilumina o mundo com a luz de Cristo. 

(3) Também é preciso cuidado com os rótulos! Chamam, sem mais, este Papa de conservador. É sempre falsa uma qualificação de alguém de modo tão simplista. É verdade que há na Igreja sensibilidades diversas; mas não é verdadeiro que essa diversidade chegue, atualmente, ao ponto da contraposição. Pode-se dizer que o pensamento do Papa atual é conservador, no sentido em que ele prioriza no seu pensamento a manutenção dos grandes valores humanos e cristãos. Neste sentido, ele é igual a João Paulo II. Mas, não é correta a afirmação que ele é um radical, um reacionário ou um homem duro, sem visão e sem caridade. Isso é mentira. Mentira – é a palavra! Ratzinger é um homem manso, humilde, afável e tímido. É um homem que sabe escutar e argumentar. Muitos dos sabidões que vi criticar o novo Papa na televisão é que só dialogam com quem pensa como eles... Na verdade, o grande problema desses senhores amigos do mundo é que desejam uma Igreja sem convicções, uma Igreja que não faça mais que correr atrás do mundo, não para evangelizá-lo com a luz do Cristo, mas para paparicá-lo, justificando tudo aquilo que, na sua auto-suficiência ele decreta ser correto e verdadeiro. Mas, uma Igreja assim, um papa assim, serviriam ainda para alguma coisa? Teriam ainda algo de cristão? Nesta quarta-feira, em sua primeira Missa como Papa, apresentou suas prioridades: ecumenismo, as diretrizes do Concílio Vaticano II, a missão, os jovens, a colegialidade episcopal. Prioridades de um homem aberto ao presente e ao futuro. Aliás, conheço um pouco o pensamento do atual Papa, pois minha tese de mestrado foi sobre sua teologia. Bento XVI vai surpreender a muitos: seu pontificado será fecundo para a Igreja. 

(4) Os católicos estão contentes. Rezamos, pedindo ao Senhor um Papa. Ele no-lo deu. Para nós, não é importante se ele é alemão ou brasileiro, se é jovem ou idoso, se é conservador ou progressista. Nossa fé nos ensina que ele é o Sucessor de Pedro, pastor universal da Igreja de Cristo, a quem devemos amar e ouvir. É uma questão de fé naquele que entregou a Pedro e a seus sucessores as chaves do Reino dos Céus. Um católico deve ter o cuidado para não cair na armadilha dos critérios dos meios de comunicação, que se fundamentam em idéias simplesmente humanas e superficiais, alheias à vivência madura da nossa fé. O mundo deseja show e novidade; nós – e todos os homens e mulheres de boa vontade – queremos profundidade e seriedade que nos ajudem a caminhar em meio a uma existência tão complexa como a atual. 

(5) Pessoalmente, emocionei-me e senti imenso orgulho de ser católico, quando escutei o nome do Cardeal Ratzinger. Achei encantador que os cardeais não tivessem nenhum medo do que iam pensar, do que iam dizer aqueles que sempre criticaram o antigo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Aliás, a imprensa gosta de recordar que esta Congregação é a antiga Inquisição. É mentira. É o antigo Santo Ofício. Também não é verdade que o Cardeal Ratzinger expulsou da Igreja o ex-frade e ex-teólogo católico Leonardo Boff. Como Prefeito da Congregação para Doutrina da Fé, o Cardeal simplesmente cumpriu o seu dever: chamou o teólogo para explicar-se por causa de um livro que escreveu com idéias contrárias à fé católica. Ante a recusa do teólogo em obedecer às orientações da Igreja, Ratzinger determinou um ano de silêncio, sem dar aulas, palestras ou escrever, para repensar suas afirmações teológicas. Não adiantou. Mesmo assim, não houve outra punição. Poderia ter havido, pois nenhum teólogo católico pode ensinar coisas contrárias à fé da Igreja. Boff deixou o ministério porque quis e por outras razões, de ordem pessoal. Hoje, Boff não é mais teólogo católico, como também Hans Küng, que nutre ódio doentio pelo novo Papa. Esses senhores não têm muito a nos dizer sobre a Igreja. Suas palavras são cheias de amargura, recalque e espírito de desforra. Nada disso vem de Deus. Só os que não amam a Igreja dão valor ao que tais pessoas dizem... 

(6) Uma última observação. Quando escuto esses “doutores” tão entendidos em teologia e vida da Igreja, ponho-me a perguntar: Mas, esse pessoal reza? Esse pessoal procura combater seus vícios e crescer na virtude? Esse pessoal se confessa? Comunga? Ama Jesus de verdade? Porque, sinceramente, muitos falam de um modo que se vê claramente que pensam as coisas com o espírito do mundo e não passam disso. 

Quanto aos católicos e todas as pessoas de boa vontade, alegremo-nos pelo novo Papa. Que ele seja o que o seu nome significa: Benedictus, Bendito, Abençoado. 
Dom Henrique Soares
Bispo Auxiliar de Aracaju

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