sábado, 20 de agosto de 2011

Bento XVI: “A Universidade tem sempre sido a casa onde se busca a verdade própria da pessoa humana”


Sua Santiade manteve um encontro com 1000 professores, na Basílica de SanLorenzo de El Escorial, onde sublinhou que “não é uma casualidade que tenha sido a Igreja quem promoveu a instituição universitária”

Como professor entre os demais, o Papa pediu aos professores que transmitiam o ideal universitário aos seus alunos …

“Os jovens necessitam autênticos mestres, pessoas abertas à verdade total nas diferentes áreas do saber” declarou o Sumo Pontífice

O cardeal Rouco Varela, assegurou que o Papa é a luz que os guiará no desenrolar cristão da sua tarefa intelectual e educativa.

Madrid, 19 agosto de 2011 – A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Madrid 11 saiu da cidade por umas horas que a acolhe, para se transladar um pouco mais para norte, para o Real Sitio de El Escorial, um lugar que não é desconhecido para o Papa, que já o visitou, em 1989, como perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Num ambiente festivo e colorido, com togas e capelos de diferentes disciplinas, teve lugar o encontro do Papa com mais de 1000 professores e investigadores de todo o mundo. Este encontro tem a marca do constante empenho do Santo Padre para contribuir para a reflexão entre a ciência e a fé (com precedentes em Ratisbona, na Alemanha, do encontro dos Bernardinos em Paris ou em Westmister Hall). No evento estive presente o ministro da Educação, Ángel Gabiondo que cumprimentou o Papa à entrada da Basílica.

Durante este encontro com jovens docentes, Bento XVI defendeu o papel que tem a instituição universitária hoje em dia. “A universidade foi, e está chamada a ser sempre, a casa onde se busca a verdade própria da pessoa humana”. Nesse sentido, o pontífice deixou claro que “não é casualidade que fosse a igreja quem promoveu a instituição universitária, pois a fé cristã fala-nos de Cristo como o Logos por quem tudo foi feito (cf. Jo 1, 3)”.

Além disso, o Papa assegurou que “a universidade encarna um ideal que não se deve desvirtuar nem por ideologias fechadas ao diálogo racional, nem por servilismos a um lógica utilitarista de simples mercado, que olha para o homem como mero consumidor”.

Por outro lado, o Papa convidou aos docentes a que transmitam esse ideal universitário de propor e acreditar na fé perante a inteligência dos homens, enquanto os advertiu que não basta ensiná-lo mas também vivê-lo. “Os jovens precisam de mestres autênticos: pessoas abertas à verdade total nos diversos ramos do saber, capazes de escutar e viver, dentro de si mesmos, este diálogo interdisciplinar”. Seguidamente, usou Platão como exemplo: “«Busca a verdade enquanto és jovem, porque, se o não fizeres, depois escapar-te-á das mãos» (Parménides, 135d)”.

O Santo Padre quis animá-los “a não perder jamais tal sensibilidade e encanto pela verdade, a não esquecerdes que o ensino não é uma simples transmissão de conteúdos, mas uma formação de jovens a quem deveis compreender e amar.” Para Bento XVI, “não podemos avançar no conhecimento de algo, se não nos mover o amor; nem tão pouco amar uma coisa em que não vemos racionalidade”. Nesse sentido, pediu aos professores que sejam humildes. “Na actividade intelectual e docente, a humildade é também uma virtude indispensável, pois protege da vaidade que fecha o acesso à verdade.”

Para finalizar, motivou-os a voltar sempre a olhar para Cristo e fez uso do tema da JMJ “Radicados n’Ele, sereis bons guias dos nossos jovens.” E concedeu-lhes a sua bênção.

Antes do discurso de Bento XVI, o Cardeal Arcebispo de Madrid Antonio María Rouco Varela manifestou a gratidão de variados sectores da vida universitária, especialmente de Espanha, pela decisão do Papa de incluir este encontro no programa da JMJ. Esta é a primeira vez que sucede na história das Jornadas.

Rouco assinalou que “os jovens universitários, que acolheram com tanto calor e afecto, estão muito conscientes que a Palavra do Papa será para eles, nestes momentos tão críticos para a humanidade, luz que os guiará no desenvolvimento cristão da sua tarefa intelectual e educativa.”

Também tomou a palavra em nome de todos os professores, Alejandro Rodrígiues de la Peña, doutorado em história, vice-reitor da Universidade San Pablo CEU e director do Colégio Mayor de San Pablo de Madrid. Rodriguez de la Peña agradeceu ao Papa o “fecundo magistério sobre a vocação universitária e, em particular, entre a ciência e a fé, e sobre o lugar vital da religião revelada na sociedade actual.” Além disso, afirmou que a “recente beatificação do cardeal John Henry Newman foi para todos os católicos um sinal eloquente da importância que vossa Santidade atribui a dimensão intelectual da vivência cristã”.

Neste encontro participou a Escolania del Monastério, que interpretou a “Avé Maria” do compositor e celebre polifonista do renascimento espanhol, Tomás de Vitoria
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Fonte: JMJ

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