terça-feira, 19 de julho de 2011

Opção por Cristo orienta exercício da comunicação

Dom Cláudio Maria Celli
Chefe vaticano para as comunicações participa de evento no Rio de Janeiro


Até que ponto eu estou disposto a dar a minha vida para que a justiça prevaleça e a verdade ilumine o meu caminho? 

O desafio foi proposto pelo presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, Dom Cláudio Maria Celli, durante a entrevista coletiva concedida à imprensa nesse domingo, na abertura do 7º Muticom, que acontece até o dia 22 de julho, na PUC do Rio de Janeiro.

“Acredito que quando um jornalista faz uma sólida opção por Jesus Cristo em sua vida, certamente essa experiência vai orientar, sustentar e iluminar o seu trabalho”, disse o arcebispo, segundo refere o portal da arquidiocese do Rio de Janeiro.

“Quem já encontrou Jesus Cristo e reconhece que o Senhor é a verdade, tem um caminho a seguir. A busca pela verdade precisa ser uma tarefa contínua de todo comunicador”, afirmou.

Dom Celli também destacou as dificuldades enfrentadas especialmente pelos repórteres católicos que trabalham em empresas jornalísticas laicas.

Ele assinalou que, em grandes empresas jornalísticas, o jornalista não escolhe os títulos e subtítulos das matérias que escreve. E que, normalmente, somente as manchetes são lidas pela grande maioria da população.

“Uma ampla profissionalidade deve corresponder a uma grande profundidade. É preciso saber quem você é e o que move o seu coração, para conseguir dialogar com os outros nessa pluraridade cultural. O jornalista católico é chamado a ser testemunha de Cristo”, disse Dom Celli.

Rede

Já o presidente da Comissão da CNBB para a Comunicação, Dom Dimas Lara Barbosa, destacou – na mesma coletiva de imprensa – a importância da Pastoral da Comunicação trabalhar em rede.

“Nós já conquistamos muito e, a partir de agora, precisamos aprender a trabalhar em rede. É comum acontecer a Assembleia dos Bispos e uma declaração aprovada e assinada por todos os bispos não é repercutida nos nossos boletins diocesanos, nos sites e portais”, disse.

Dom Dimas considera que o 7º Muticom tem uma característica específica, porque começou logo após o 1º Seminário de Comunicação para os Bispos do Brasil (SECOBB), realizado entre os dias 12 e 16 de julho, no Centro de Estudos do Sumaré, no Rio.

“Reunir cerca de 70 bispos para refletir sobre a comunicação é um fato inédito no Brasil. Nós acreditamos que iremos dar um grande salto de qualidade na Pastoral da Comunicação, porque a consciência sobre a importância da Pascom está crescendo. Nossa prioridade será também investir na formação e qualificação permanente dos agentes”, afirmou Dom Dimas.

Painel

Na manhã desta segunda-feira, aconteceu o primeiro Painel do Muticom, intitulado “Concepção, filosofia, estruturas e modalidades da Comunicação na Igreja e a imagem da Igreja na mídia”.

O secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, OFM., destacou que Deus é essencialmente comunicação e que a beleza dessa comunicação de Deus é porque Ele se comunica através do amor.

“Toda a obra da comunicação é falante de Deus. É cheia de Deus. Nós sempre achamos que estamos comunicando aquilo que vimos e ouvimos, mas São João Boaventura vai dizer que vimos e ouvimos porque Deus nos amou primeiro. Primeiro nós fomos vistos e ouvidos”, disse.

“Que a pessoa humana perceba Deus como o Tu, singelo, próximo, pequeno. Que através do nosso computador, das nossas mensagens, de todos esses meios de comunicação, a gente consiga sussurrar a presença de Deus”, indicou.

Em seguida, o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, falou sobre sua percepção da comunicação na Igreja, tendo em vista os oito anos que passou como presidente da Comissão da CNBB para Cultura, Comunicação e Educação.

“Uma das constatações que tive é que, diferentemente da nossa fama em geral de sermos centralizadores, na comunicação somos descentralizados. Cada veículo que temos trabalha sozinho. Temos uma presença multifacetada e precisamos buscar a unidade”, afirmou.

Dom Orani acrescentou que a unidade é necessária para fazer uma presença forte da Igreja. “Muitas vezes os católicos não sabem o que está acontecendo na própria Igreja. Se não conseguimos nos comunicar para dentro, quanto mais para fora”, disse.


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