quarta-feira, 29 de junho de 2011

Bolsonaro não responderá a processo no Conselho de Ética


Conselho de Ética e Decoro Parlamentar decidiu não dar prosseguimento ao processo disciplinar contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Os deputados votaram contra o parecer preliminar do relator, deputado Sérgio Brito (PSC-BA), que defendia a admissibilidade do processo. Foram dez votos contrários ao relatório prévio, sete a favor e cinco ausências.

O processo foi provocado por uma representação do Psol, que acusa Bolsonaro de abusar das prerrogativas de parlamentar ao disseminar preconceito e estimular violência com declarações contra negros e homossexuais. A representação cita declarações do parlamentar e uma discussão entre ele e a senadora Marinor Brito (Psol-PA) no dia 12 de maio, durante debate sobre o projeto que criminaliza a homofobia (PLC 122/06, que tramita no Senado).


Segundo o Psol, o deputado teria ofendido a senadora. Já Bolsonaro afirma que ele é quem foi agredido verbalmente por Marinor.


Livre expressão
O principal argumento dos integrantes do conselho para rejeitar o processo foi o direito de expressão dos parlamentares. O deputado Vilson Covatti (PP-RS) disse que o conselho pode “concordar ou não com as ideias de um parlamentar, mas tem que respeitá-las, porque ele foi trazido aqui [ao Congresso] por essas ideias”.
Já o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) afirmou que “acima do Código de Ética vem a Constituição, que diz que os parlamentares são invioláveis, civil e penalmente, por opiniões, palavras e votos.”
Preconceito
O líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), disse que “há indícios de que Bolsonaro faz do direito de opinião, sagrado, o direito de agressão e estímulo ao ódio, à discriminação e ao preconceito, o que não tem nada a ver com manifestação de opinião.” Após o resultado, o líder afirmou que agora Bolsonaro irá ofender as minorias "com o aval da Câmara", que, com essa decisão, diz que o deputado pode dizer o que quiser.
Para o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), o princípio soberano da Constituição é o da dignidade humana, sem nenhuma forma de discriminação. “A liberdade de expressão é limitada à dignidade do outro, e o que o deputado vem fazendo sistematicamente é violar esse princípio”, argumentou.
A reunião do conselho foi encerrada.
29/06/2011 16:57
Reportagem - Maria Neves 

Edição - Daniella Cronemberger

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