terça-feira, 10 de maio de 2011

Feticídio feminino dizima população de mulheres na Índia

As mulheres na Índia não enfrentam apenas a violência e a discriminação social, política e trabalhista, já que são desprezadas antes mesmo de nascer, o que faz com que no país existam 32 milhões de homens a mais que mulheres.

No país, que há 40 anos teve uma das primeiras chefes de Governo da história, o sexo feminino continua sendo considerado de segunda ordem e o feticídio feminino dizima as mulheres no país.



Segundo as organizações de defesa da mulher, o desenvolvimento econômico não foi acompanhado de uma  melhora significativa da situação da mulher nem conseguiu acabar com o aborto seletivo de bebês do sexo
feminino, que afeta cerca de 500 mil fetos ao ano, apesar de a determinação do sexo antes do nascimento ser proibida.

"O feticídio feminino está aumentando no país porque se transformou num crime organizado", disse hoje Puneet Bedi, ativista dos direitos da mulher e ginecologista.



Na Índia, o número de meninas com menos de 6 anos por cada mil crianças é de 933, mas, em alguns estados, esse número é muito menor, como no pequeno território de Daman e Diu, onde só há 710 meninas a cada mil crianças, o que fez com que o Governo comece a considerar o problema "alarmante".


O caso de Délhi é um exemplo do agravamento do problema, já que em 1991 a razão era de 915 meninas para cada 1.000 crianças, e, dez anos depois, caíra para 865 (segundo o último censo oficial), o que obrigou as autoridades a aumentarem a vigilância nas clínicas que praticam abortos e fazem ultra-sonografias.
Trata-se de um problema cultural que não melhora nem com o desenvolvimento do país, pois diversos estudos indicam que, quanto maior o nível educacional, maior a probabilidade de uma mulher abortar ao saber que está grávida de uma menina.


O problema, segundo Bedi, é que as famílias vêem nos filhos homens um meio para aumentar sua riqueza,  enquanto as filhas supõem uma despesa adicional, pois, ao se casarem, devem dispor de um suntuoso dote. 
As leis que favorecem o homem na questão da herança e o fato de eles renderem mais no trabalho rural, num país onde cerca de 70% da população vive da agricultura, também influenciam o feticídio. Mas, além disso, há uma grande tolerância social na rejeição das filhas.


"Abortar um feto feminino é uma prática aceita pela sociedade", explica Bedi.


Entre as áreas mais afetadas pelo problema estão os povos do estado ocidental de Punjab, na fronteira com o Paquistão, onde as meninas são metade do número de meninos, como em Dhanduha, onde no último ano só
nasceram três meninas, contra 12 meninos.



Em Nai Majara, outro povo de Punjab, um estudo feito em fevereiro mostrou que só havia 437 meninas para cada mil crianças menores de um ano, enquanto na próxima Gobindpura havia apenas 416. 
Brinda Karat, do Partido Comunista da Índia (Marxista),acha que o Governo fracassa na criminalização do aborto feminino: "Embora exista uma lei, esta não é cumprida".


Porém, é muito difícil pôr abaixo as estruturas sociais que estão por trás de tal prática. 


"Tenho duas filhas e minha sogra ameaça buscar outra mulher para seu filho se eu não lhe der um menino", disse aos jornalistas Kulwinder Kaur, dona de casa que no ano passado se submeteu a um aborto para não
dar à luz outra menina. "Já tenho uma menina e não posso ter outra. É muito difícil casá-las porque os homens exigem dotes muito altos", declara Siram, professora universitária, que confessa já ter feito cinco abortos "porque todas eram meninas": "Agora não sei se poderei voltar a engravidar".

08 de março de 2006 • 09h22 - Terra -
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