terça-feira, 10 de maio de 2011

Falta de assistência médica mata milhares de mães e bebês no Mundo


A guerra muitas vezes esquecida das mães que morrem em decorrência do parto
Agência Fides 

Na África, todos os anos morrem 4,5 milhões de crianças com menos de cinco anos e 265 mil mães. Grande parte dessas mortes está relacionada à gravidez e ao parto e poderia ser evitada garantindo assistência de saúde de base. 

Segundo o relatório da ong Save the children sobre a "Situação das Mães no Mundo", 48 milhões de mulheres todos os anos dão à luz sem qualquer assistência profissional e, talvez, sem ter recebido qualquer controle durante a gravidez. 

Dois milhões de mulheres dão à luz ao próprio filho completamente sozinhas, seja pela ausência ou pela falta de estruturas de saúde, seja por causa da proibição - por motivos culturais e religiosos - de pedir ajuda a pessoas externas ou de sair de casa para ter o seu bebê. 

As porcentagens mais altas de partos "solitários" se registram na Nigéria, onde uma mulher a cada cinco ganha bebê sozinha. As cifras sobre o trágico fenômeno das mortes maternas são alarmantes. Na Itália, a cada 100 mil crianças que nascem, 12 mães morrem por diversos motivos. No sul do Sudão, os óbitos são 2.054, em Serra Leoa 2.100, no Níger 1.800, no Chade 1.500...

No mundo, todos os anos 358 mil mulheres perdem a vida em consequência da gravidez ou do parto (por hemorragias, por exemplo) e cerca de 800 mil crianças morrem ao nascer (por dificuldades respiratórias, asfixia ou sepsia). 

A esses números, se acrescentam aqueles que perdem a vida no primeiro mês, num total de três milhões de mortos no breve arco de tempo que vai desde o nascimento até os 30 dias. 

Na grande parte, seja para as mães que para os recém-nascidos, se trata de mortes por complicações e patologias que podem ser prevenidas e tratadas. 

Os últimos dados do Unicef de 2005 falam de 536 mil mães mortas após o parto, a metade na África, 99% nos países em desenvolvimento.
A ong calculou que se todos os partos ocorressem em presença de obstetras ou de pessoal especializado na área, todos os anos se poderia salvar a vida de 1.3 milhões de recém-nascidos e de milhares de mulheres. 

Afeganistão, Níger, Guiné-Bissau, Iêmen, Chade, República Democrática do Congo, Eritréia, Mali, Sudão, República Centro-Africana são os 10 países onde os níveis de saúde materno-infantil e as condições de mães e crianças são os piores no mundo. 

Do lado oposto, os 10 países onde o bem-estar de mães e crianças é o melhor são Noruega, Austrália, Islândia, Suécia, Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia, Bélgica, Países-Baixos e França. 

A distância entre a primeira da lista, Noruega, e o último país classificado, Afeganistão, é abissal: na Noruega, todo parto ocorre na presença de profissionais, enquanto no Afeganistão isso acontece somente em 16% dos partos. Uma mulher norueguesa a cada 175 perderá seu filho antes de completar cinco anos, enquanto no extremo oposto, no Afeganistão, toda mulher sofrerá a perda de um filho no arco de sua vida. 

Examinando outros países com baixa classificação, as comparações continuam dramáticas: uma mulher a cada 14 no Chade e na Somália pode morrer durante a gravidez ou no parto. Na Itália, o risco de mortalidade materna é inferior a uma mulher a cada 15.000. (AP) (7/5/2011 Agência Fides)

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