sábado, 14 de maio de 2011

BISPOS DENUNCIAM TRÁFICO DE PESSOAS

Dom José Luiz Ascona
Aparecida, 13 mai (RV) - Na penúltima coletiva de imprensa, da 49ª Assembleia Geral da CNBB, ontem no centro de eventos Padre Vitor Coelho, em Aparecida (SP), o bispo da prelazia de Marajó (PA) Dom José Luiz Azcona falou sobre o tráfico de seres humanos na região Norte/Nordeste do Brasil. Já o bispo de Nova Iguaçu (RJ), Dom Luciano Bergamin, destacou a escalada de violência que aflige o país, em destaque o estado do Rio de Janeiro.

Uma pesquisa realizada em 2007 por três países, Brasil, Espanha e Portugal sobre tráfico de mulheres, mostrou que existe uma rede internacional poderosa atuando no Suriname, Brasil, República Dominicana e Guiana. Segundo Dom José Luiz Azcona, não apenas o tráfico seres humanos, a região é marcada também pelo tráfico de armas e drogas.

“Há um espaço de 300 km, da ponta do Amapá, até o Pará, onde não há presença da marinha brasileira. Então é por ali que se entram armas e drogas e saem mulheres, jovens para a Guiana e para todas as partes do mundo. Outra rota internacional que se conhece sai de Marajó, passa por Belém e chega até Guarulhos, e depois até Madri”, explicou Dom Azcona.

“Existem pessoas na Comissão Justiça e Paz, do Regional Norte 2 da CNBB (Amapá e Pará), que trabalham ajudando essas pessoas exploradas, que são ameaçadas de morte. Se não for com a ajuda da Igreja, principalmente a católica, essas pessoas não teriam aporte nenhum, estariam entregues totalmente a essas redes internacionais, que repito, são fortíssimas, pois o Governo não faz e nunca fez nada para protegê-las”, destacou Dom José Luiz Azcona, lembrando da atuação da Igreja no Pará e na Ilha de Marajó.

Segundo o bispo de Marajó, que é um dos ameaçados de morte, seu trabalho cotidiano é combater “a maior degradação e a maior ferida humana”, que é a venda de seres humanos, para retirada de órgãos ou prostituição. “Meu trabalho envolve minha vida. A morte é minha companheira cotidiana, mas se tiver que dar a minha vida em prol das pessoas que ajudamos, farei isso sem nenhum ressentimento”, explicou o bispo prelado, destacando que a maior parte das pessoas que estão envolvidas com pedofilia, tráfico de seres humanos, de drogas e de armas, são gente de alto escalão dos diversos segmentos da sociedade civil, incluindo parlamentares, juízes, desembargadores, delegados e comando das polícias.

“Para criarmos uma cultura de paz devemos valorizar alguns setores da sociedade. O primeiro deles é a família. Se a família vive a cultura de paz, 50% de mais importante já foi feito, se não, se se vive a cultura de violência, aí começamos a degradação humana total”, destacou o bispo de Nova Iguaçu, Dom Luciano Bergamin, afirmando o valor da família como pilar na contenção da violência no país.

O bispo apresentou três fatores, que em sua visão, são essenciais para a criação da cultura da paz. “Primeiro, na família que se começa a não violência. Segundo, as escolas. Eu acho que as escolas têm um papel muito importante na valorização da vida. E dentro da escola, o ensino religioso deveria formar cidadãos, ou seja, gente que se ama e que ama a terra. Terceiro, as religiões. As religiões não devem ser pautadas na conquista de fieis, mas sim no propósito do amor de cristo, que morreu na cruz para nos salvar”, explicou.

Dom Luciano reiterou a proposta enviada ao Congresso Nacional de desarmamento. “O Brasil é um país sem guerras, mas é o que mais morre pessoas no mundo vítimas da violência. Os números giram em torno de 50 mil ao ano. Não basta apenas declarações de repúdio, de marchas e caminhadas contra a violência, precisamos de ações mais concretas, pois, a violência é implacável. Por isso precisamos de uma educação para a paz. O desarmamento social deve ser uma ação concreta. E o maior desarmamento deve vir do coração”, disse.
(CM-CNBB)



Fonte:  Rádio Vaticano -13/05/2011 12.32.11

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