sábado, 28 de maio de 2011

As mentiras do relatório Kinsey são a base da ideologia gay



O relatório Kinsey: conseqüências de uma difusão mundial de mentiras

Por Belén Vendrell
A aceitação pouco crítica dos resultados do chamado “Relatório Kinsey” teve muita influência na cultura e nas políticas públicas das últimas décadas. Como mostra a autora dessa apertada síntese – um resumo da sua exposição num Congresso realizado em 2001 –, a “revolução sexual” iniciada por Kinsey – que ainda hoje perturba a vida de muitas pessoas e famílias – exige como resposta uma vigorosa afirmação do verdadeiro significado da sexualidade humana.

UM “RELATÓRIO” SOBRE A SEXUALIDADE HUMANA

Os resultados publicados pelo biólogo norte americano Alfred C. Kinsey entre 1948 e 1953, sobre o comportamento sexual de homens e mulheres, o famigerado Relatório Kinsey (*), contribuíram muito para desencadear a chamada “revolução sexual” que se deu a partir dos anos 60 <1>.
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(*) Convencionou-se chamar de “Relatório Kinsey” o conteúdo dos livros: KINSEY, Alfred C., POMEROY, Wardell B. e MARTIN, Clyde E. Sexual Behavior in the Human Male, W.B. Saunders Co., Philadelphia and London, 1948 e KINSEY, Alfred C., POMEROY, Wardell B., MARTIN, Clyde E. e GEBHARD, Paul H. Sexual Behavior in the Human Female, W.B. Saunders Co., Philadelphia and London, 1953.
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Kinsey defendeu que todos os comportamentos sexuais considerados anômalos são na verdade normais, e ao mesmo tempo afirmou que ser exclusivamente heterossexual é anormal: é fruto de inibições culturais e de condicionamentos sociais, contrários à natureza do homem. Ele compartilhava a opinião dos que afirmam que os cristãos herdaram o comportamento sexual quase paranóico dos judeus.

Após 40 anos, durante os quais deu-se um crédito quase absoluto aos dados publicados por Kinsey – com terríveis conseqüências morais e intelectuais para a Sociedade –, cientistas de vários países demonstraram a falsidade das conclusões do “relatório” e o seu escasso rigor científico. Para dar um exemplo disso, podemos mencionar o recente estudo intitulado “Sexo na América: uma pesquisa definitiva” <Sex in América: a Definitive Survey, Warner Books, 1995>, dos pesquisadores norte-americanos John H. Gagnon, Robert T. Michael e Edward O. Laumann, da Universidade de Chicago, e da repórter do The New York Times, Gina Kolata, que desfez grande parte dos mitos criados pelo relatório do biólogo.

Os dados estatísticos de Kinsey parecem ter sido manipulados, já que a amostra era claramente viciada (era alto o percentual de presidiários, exibicionistas, pedófilos e “turistas” sexuais) e a metodologia incluía maus-tratos e estimulação sexual de crianças e até de bebês de poucos meses por parte de adultos <2>.

Kinsey e seus colaboradores pretenderam mudar os valores morais tradicionais empregando a seguinte estratégia:

a) Defender a idéia de que a bissexualidade é a orientação sexual própria de pessoas normais e desinibidas.Isso encorajaria pessoas heterossexuais a praticarem atos homossexuais, já que a heterossexualidade seria apenas mais uma opção num amplo leque de condutas sexuais. Assim seria alterada a norma da sexualidade heterossexual, e com ela a estrutura familiar tradicional, os valores e os padrões de comportamento sexual convencionais.

b) Propor um plano para que as crianças fossem educadas na bissexualidade e treinadas por membros da geração precedente. Essas teorias tiveram influência na Sociedade e na Ciência, contribuindo decisivamente para que a homossexualidade desaparecesse do catálogo de patologias mentais, salvo o caso de distonia (caso em que a pessoa com inclinações homossexuais sente-se mal por isso).

Por outro lado, é importante assinalar que até mesmo cientistas da escola de Kinsey, apesar de manifestarem abertamente que a conduta homossexual é normal e plenamente aceitável, dizem que “é de importância vital que todos os profissionais no campo da saúde mental tenham presente que o homem ou a mulher homossexual é homem ou mulher por determinação genética e tem tendências homossexuais por preferência adquirida” <3>. Isso corroboraria a hipótese de que as inclinações homossexuais não são inatas no indivíduo. O psiquiatra L. J. Hatterer chega até a afirmar rotundamente: “Os psiquiatras chegaram finalmente à conclusão de que os fatores genéticos, hereditários, constitucionais, glandulares e hormonais não têm nenhuma importância como causa da homossexualidade” <4>.

Cada dia é maior o número de especialistas que não renunciaram à terapia de restauração da identidade sexual, considerando a inclinação homossexual como um transtorno psíquico de tipo neurótico – adquirido ao longo da infância ou da adolescência – que pode ser tratado <5>.

Além do mais, Kinsey utilizou o termo dependência para referir-se às relações maritais que preservam a fidelidade da união conjugal, como se ser fiel ao cônjuge fosse alguma espécie de vício.

Infelizmente, as conclusões de Kinsey continuam sendo levadas em conta quando se tomam decisões sobre políticas de saúde sexual e/ou reprodutiva, e constituem boa parte do conteúdo dos programas educativos em matéria de sexualidade em todo o mundo.

As conseqüências mais diretas de tais divulgações científicas foram:

– a separação (que se tenta justificar eticamente) entre a atividade sexual e a procriação;

– o exercício da sexualidade fora do matrimônio (o chamado “amor livre”);

– e a separação entre a atividade sexual e o amor.

SEXO, PROCRIAÇÃO E FAMÍLIA

Com o rápido surgimento dos primeiros métodos anticoncepcionais nos anos 60 e com a adoção de um conceito antinatural de Planejamento Familiar por parte dos órgãos oficiais de Saúde Pública, a fertilidade – entendida como dimensão constitutiva da sexualidade e como capacidade de procriação – começou a ser encarada como uma ameaça à Humanidade.

Diante dessa crítica situação, o Papa Paulo VI apresentou em 1968 a sua profética Encíclica Humanae Vitae sobre o amor humano e sobre a “paternidade responsável”, na qual opunha-se valentemente à já mencionada visão deformada da sexualidade e à utilização de métodos anticoncepcionais que impeçam a reta regulação da fertilidade. Paulo VI desenvolve nesse texto um belo projeto sobre a decisão e realização da procriação, respeitando a dignidade dos esposos e a vocação à doação própria do amor esponsal. Ele exortou os cientistas a esforçarem-se por encontrar, dentro do âmbito da sua competência, soluções para os problemas nessa matéria, convencidos de que não pode haver contradição entre a Ciência e a Fé <6>.

No fim da década de 70, em defesa do direito de decidir sobre a capacidade de procriação, foram desenvolvidas e implantadas as técnicas de Reprodução Assistida, que envolvem a separação entre a procriação e a sexualidade (procriação sem atividade sexual). Em 1978, obteve-se o nascimento do primeiro bebê de proveta (com a transferência do embrião) e nos anos 80 a técnica – conhecida como FIVET (Fertilization In Vitro with Embryo Transference) – foi aperfeiçoada. O passo mais recente é a clonagem, desenvolvida já nos anos 90.

Nos últimos anos – dentro de um processo que poderíamos chamar de gradual desestruturação cultural e humana da instituição familiar –, vem sendo proposta a separação entre identidade sexual e gênero: Ser homem ou mulher não estaria determinado fundamentalmente pelo sexo, mas pela cultura.

Tal mentalidade ataca as próprias bases da família e das relações interpessoais. Se a questão do gênero é cultural e se a pessoa não se identifica com o sexo à hora de projetar-se como masculina ou feminina, então porque a mãe não pode fazer o papel de pai e vice-versa?

Neste início do novo milênio, uma profunda crise da paternidade em todos os níveis – biológico, ontológico, educativo e funcional – levou a Sociedade a aceitar como normal a separação entre procriação e paternidade. O pai já não é mais necessário para procriar. Está sendo estudada até mesmo a reprodução a partir de duas mulheres. A Sociedade ideal deveria conduzir à indiferenciação sexual. As pessoas com inclinações homossexuais teriam amparo jurídico e social para as suas situações sexuais e os filhos perderiam definitivamente a figura do pai.

O pai desaparece quando o que se pretende é que o filho dependa unicamente da decisão individual da mulher, às vezes até de maneira homossexual, em nome de uma biologização solitária da filiação. O pai é afinal privado do seu filho e destituído da sua função. As conseqüências de tudo isso pertencem ao campo da Ética e, portanto, da Bioética, já que estamos falando da vida do Homem.

Como diz o Professor Anatrella, não basta apenas fabricar carne humana: a filiação deve ser estabelecida partindo da diferença de sexo entre pai e mãe e da sucessão de gerações, e deve ser instituída de modo a poder desenvolver-se e reproduzir-se na História. Uma Antropologia que negue essa realidade – e que portanto sirva de base para uma Ética e para uma Bioética igualmente distorcidas – contradiz a verdade sobre o Homem <7>. As palavras do Papa João Paulo II, ditas há 20 anos na Familiaris Consortio, foram realmente proféticas: “é necessário esforçar-se para que se recupere socialmente a convicção de que o lugar e a tarefa do pai na e pela família são de importância única e insubstituível” <8>.
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NOTAS
<1> Cfr. TARASCO, M. “Consideraciones sobre la Influencia del Reporte Kinsey” in Cuadernos de Bioética nº 4, Grupo de Investigación en Bioética de Galicia, Santiago de Compostela, 1997.
<2> Cfr. REISMAN, Judith. Kinsey, Crimes & Consequences, The Institute for Media Education, Crestwood, KY, 1998 e REISMAN, Judith e EICHEL, Edward. Kinsey, Sex and Fraud: The Indoctrination of a People, Lafayette, LA, Huntington House, 1990.
<3> MASTERS, W.H. e JOHNSON, V.E. Homosexuality in Perspective, Little, Brown and Company, Boston, 1979. ( Citado por VAN DEN AARWEG, G. Homossexualidade e Esperança, Diel, Lisboa 2002, p.57 )
<4> HATTERER, L.J. Changing Homosexuality in the Male, McGraw-Hill, New York, 1970. (citado por VAN DEN AARWEG, G. Homossexualidade e Esperança, Diel, Lisboa 2002, p.58 )
<5> “A homoxessualidade é justamente um tipo de neurose. A pessoa que sofre este complexo leva dentro uma certa ´criança que se auto-compadece´“. VAN DEN AARWEG, G. Homossexualidade e Esperança, Diel, Lisboa 2002, p.94
<6> Cfr. PAULO VI, Encíclica Humanae Vitae, nº 24.
<7> Cfr. ANATRELLA, T. “Las consecuencias psicológicas de la disfunción del sentido de la paternidad en la sociedad actual” em Familia et Vita, edição espanhola, ano IV, nn. 2-3, 1999.
<8> JOÃO PAULO II, Exortação Apostólica Familiaris Consortio, nº 25.

Fonte:Quadrante

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