terça-feira, 19 de abril de 2011

Mulheres líbias são violentadas


As mulheres líbias ao Arcebispo Martinelli: "chega de bombas e violência contra os civis"
Trí­poli (Agência Fides) - "No final da celebração da Santa Missa, encontrei-me no final da igreja com uma dezenas de mulheres lí­bias, muçulmanas. Esta é a primeira vez em 40 anos de celebrações na Líbia. Elas chegaram à sacristia corando. Muitas por motivos de trabalho conheciam algumas religiosas católicas", disse à Agência Fides Dom Giovanni Innocenzo Martinelli, Vigá¡rio Apostólico de Trí­poli. " Essas mulheres repetiam continuamente: Padre, por favor, acabemos com essa guerra, com as bombas. Destruí­ram as nossas famí­lias, acabaram com a vida social, as crianças não vão à escola. Estamos devastadas".

Então elas me disseram o que está acontecendo em Misurata".
Disseram-me - continua Dom Martinelli, que as mulheres são estupradas e mutiladas, as famílias estão presas em suas casas."Vocês não tem ideia do que está acontecendo lá, disseram estas senhoras."

Relatei estes fatos num seminário através do telefone, organizado pelo Serviço de Ação Europeu Externa, do qual participara outras pessoas, alguns lí­bios residentes na Europa e no Egito. Foi discutido como fazer para levar ajuda humanitá¡ria à Lí­bia, após o fim do conflito. Eu reiterei que é preciso encontrar uma maneira de acabar com a guerra", disse o Vigário Apostólico de Trí­poli. 

Dom Martinelli acrescenta que "como nós escrevemos no documento das comunidades cristãs na Lí­bia (veja Fides 13/04/2011), devem ser exploradas as relações tribais. Kadafi teve o mérito de ter reunificado as vá¡rias cabila (tribos) da Lí­bia. Em nossa declaração sugerimos envolver os "anciãos" (os sábios, os idosos) para encontrar o caminho do diálogo entre os diferentes componentes da sociedade da Lí­bia". "É necessária um forma de diplomacia que respeite a realidade Lí­bia. Nesse sentido, apreciei a posição dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e Á frica do Sul, em sua última reunião rejeitaram o uso da força e reiteraram a necessidade de uma solução diplomática para a crise na Líbia). Parece-me muito sábia, porque dá¡ prioridade à ação diplomá¡tica e não o uso da força", concluiu Dom Martinelli. (L.M.)
(Agência Fides 16/4/2011)

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