quarta-feira, 13 de abril de 2011

A morte cede lugar à vida!

Jesus Cristo e Lázaro

Nosso coração está de luto! Foi escrita uma página inesquecível na última quinta-feira: a chacina na Escola do Realengo. Não entro em detalhes, mas com certeza uno-me a milhões de pessoas que ficaram extremamente chocadas e questionando o sentido da vida e da morte; da sanidade e loucura…

Mais de uma dezena de crianças precocemente tiveram a vida tirada, sonhos interrompidos, projetos ficaram por realizar… Dor no coração de quem ficou para sempre curar; cicatrizes que para sempre ficarão. Lembranças torturantes de quem passou ou não…

E, é exatamente num contexto de dor, sofrimento, lágrimas, luto como o que estamos vivendo que o profeta Ezequiel enfrentou o exílio, a deportação, a desolação, com o desafio de plantar a esperança no coração de quem em nada mais crê, nada mais espera…
O que são “ossos ressequidos” se não a sinalização de que já não há esperança? Mas não! Como Ezequiel, o Apóstolo Paulo na segunda leitura e o próprio Senhor no Evangelho, ressuscitando Lázaro, reacendem em nós a esperança, pois o Espírito de Deus tudo vivifica.

Muitas vezes em nossa existência passamos por situações de desespero em que tudo parece ruir, a vida parece perder todo o seu sentido. Pode ser a morte de alguém muito querido, o enfraquecimento de laços familiares, a indesejável e sofrível traição de um amigo ou alguém que tenhamos em alta estima, a perda de um emprego, a solidão devoradora que se prolonga com as horas, a falta de perspectivas e objetivos, o vazio da alma, o desencanto com o outro… e outras inúmeras situações com “matizes sepulcrais”…

Quando parece não haver mais esperança, Deus lança a mais preciosa semente da vida e tudo então se renova, floresce, frutifica. Em Deus e com Deus há esperança de que as coisas novas virão: a morte cederá lugar à vida; a violência à paz; a dor ao prazer; o luto à Ressurreição; o sacrifício, acompanhado de eternos louvores, à eternidade! É preciso sair do sepulcro e avançar, dando um decidido passo ao encontro da Vida Plena que só Jesus pode nos oferecer.

Tão inspiradoras para nós neste momento são as palavras do Papa Bento XVI para este domingo, conforme sua Mensagem Quaresmal:

“Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: «Eu sou a Ressurreição e a Vida… Crês tu isto?» (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: «Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim nEle. A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança”.

É em Jesus que esta promessa se cumpre, é nEle que somos arrancados das sepulturas da vida e da sepultura da morte; é no Seu Espírito Santo, derramado sobre nós, que o Pai nos vivifica. Jesus devolve-nos o sentido derradeiro de nossa existência. Não podemos sucumbir, curvar-nos diante da morte e muito menos nos fecharmos num sepulcro sem futuro e sem esperança, como o Papa belissimamente nos disse.

Bem sabemos que vivemos num mundo que procura desesperadamente a vida, a felicidade…

Numa época como a nossa, em que se tem sede de um sentido para a existência, Jesus se nos apresenta como a própria Vida, como a Ressurreição; e esta é uma pessoa com coração, rosto, voz e Amor sem fim!
Pe. Otacílio Ferreira de Lacerda - Blog do Pe. Otacílio
Pároco da Paróquia Santo Antonio - Gopoúva - Guarulhos

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