segunda-feira, 28 de março de 2011

Pedofilia. Desmantelada a maior rede internacional


Pedofilia. Desmantelada a maior rede internacional de sempre


por Rosa Ramos, Publicado em 17 de Março de 2011  

Três anos de investigação culminaram com a detenção de 184 pedófilos que partilhavam filmes e fotos na internet
Na lista de pedófilos figuram nomes de agentes da polícia e até de professores. 
A Europol anunciou ontem o desmantelamento da maior rede internacional de pornografia infantil de sempre - que culminou com quase 700 suspeitos identificados, 184 detenções e 230 crianças vítimas de pedofilia. 
A operação, denominada "Resgate", implicou três anos de investigação e a cooperação das polícias de pelo menos 30 países - a maioria da Europa e nos quais, garantiu ao i a Polícia Judiciária (PJ), Portugal não está incluído

Segundo a Europol, a rede actuava através de um site com servidor alojado na Holanda -boylover.net -, que promovia o sexo entre adultos e crianças e que já contava com 70 mil membros.

"O site funcionava como uma espécie de fórum de debate, onde os membros partilhavam os seus interesses sexuais por crianças, sem cometerem nenhum delito específico", explicou ontem, numa conferência de imprensa em Haia, Peter Davies, o coordenador do Centro para a Protecção da Internet e Exploração de Crianças do Reino Unido. Só que, apesar de no fórum não serem cometidos crimes, o que acontecia, acrescenta a Europol, é que "muitos participantes criavam canais privados e contas de correio electrónico, através dos quais trocavam fotos e filmes de crianças a sofrerem abusos sexuais".

No total, a Europol conseguiu identificar 670 suspeitos. Desses, 184 já foram detidos. O trabalho das polícias permitiu ainda "identificar 230 crianças vítimas de pedofilia", quantificou o director europeu da Europol, Rob Wainwright. "Trata-se de uma das operações mais bem sucedidasde entre as realizadas nos últimos anos e contra o que provavelmente será a maior rede de pedofilia através da internet do mundo", acrescentou o investigador.
Veja reportagem aqui
Entre os detidos estão um homem de 84 anos e pelo menos uma mulher. Outro dos suspeitos, detido em Espanha, trabalhava com crianças em acampamentos de Verão e é acusado de ter abusado de mais de 100 menores só nos últimos cinco anos. Contudo, sublinha a Guardia Civil espanhola, "a maioria dos suspeitos abusava de crianças da família, amigas ou vizinhas".

Já o director europeu da Europol explicou que os suspeitos não têm um perfil específico. Não existe "uma regra determinada quanto à idade ou ao estilo de vida" de cada um, adiantou, reforçando que "não há um perfil que possa ser encarado como uma ameaça concreta para as crianças".

Para conseguir desmantelar a rede, a Europol redigiu mais de 4200 relatórios sobre a actividade dos membros do site em 30 países, entre os quais figuram Espanha, Bélgica, Austrália, Canadá, Grécia, Islândia, Itália, Holanda, Nova Zelândia, Polónia, Roménia, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Tailândia e Canadá. Terá sido esse trabalho que permitiu localizar os pedófilos e as respectivas vítimas.

O dono do site A investigação prolongou-se por três anos e, no último ano e meio, foi conduzida pela Europol. Para conseguirem provar os crimes, os investigadores fizeram-se passar por pedófilos - para se infiltrarem nos fórum e, dessa forma, reunir informações e provas.

Só no Reino Unido terão sido identificados 240 suspeitos, com idades compreendidas entre os 17 e os 82 anos. Na lista, revelou a polícia, figuram nomes de agentes da polícia e mesmo de professores.

Ontem, a imprensa holandesa, através da agência ANP, avançava que a rede seria comandada por um holandês, Amir I., que já foi detido. O homem, de 37 anos, controlava toda a rede de pedófilos, promovia e mantinha contactos, além de partilhar dados e conteúdos digitais.

Amir deverá agora ser julgado em Haarlem. A imprensa local escrevia ontem que o Ministério Público holandês já deduziu a acusação - e que vai pedir uma pena de três anos e meio de cadeia, além de tratamento psicológico. O chefe do site será também suspeito de ter abusado de menores no Brasil, através de um esquema em que trocaria sexo por privilégios virtuais, como o acesso gratuito a contas de jogos de computador.

O que os suspeitos faziam online, sublinhou Peter Davies na conferência de imprensa, acabou por se virar contra eles próprios - já que o facto de obterem prazer na troca de ficheiros com crianças permitiu à polícia a obtenção de meios de prova para que possam ser condenados. "Tudo o que faziam online, todas as pessoas com que falavam e tudo o que partilhavam foi passado a pente fino e permitiu-nos seguir as suas pegadas digitais", explicou o investigador.

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