quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Pedofilia e Igreja Católica

O crime de pedofilia é o assunto do momento.
E, por causa do envolvimento de pouquíssimos
padres, chegaram a atribuir à Igreja Católica a responsabilidade pelos crimes.

É comum ouvirmos posições e julgamentos simplistas. Deste tipo:fulano de tal, da pastoral, me ofendeu, não volto mais para a Igreja. O padre tal foi mal educado, vou mudar de religião. O padre tal cometeu um erro qualquer, o Bispo não fez nada. A Igreja não toma atitudes. Essa posição simplista, de generalizar tudo, é um grande erro.

A Igreja Católica, fundada por Jesus Cristo, não comete erros. Quem comete erros são as pessoas. A Ordem dos Advogados não comete erros. Quem comete erros são alguns advogados. O Conselho de Medicina não comete erros. Quem comete erros são alguns médicos. No Brasil, há cerca de 18.000 padres. Há uma meia dúzia de acusados e presos por pedofilia.

Os erros não são da Igreja Católica, cujas regras e mandamentos devem ser seguidos por todos os católicos, sejam padres ou leigos. O erro, o pecado, é individual. O crime de pedofilia praticado por um padre, por um pai, por um padrasto, por um amigo, é pessoal e individual. A responsabilidade por um crime é de quem o pratica. E a penalidade, a punição cabe somente a ele. O crime não se transfere às instituições, como a Igreja, a Ordem dos Advogados, o Conselho de Medicina.

Estabelecido isso, vem a questão da punição. O que podem o Bispo, o Presidente da Ordem dos Advogados, o Presidente do Conselho de Medicina fazer ? As legislações internas de todas essas instituições permitem, no máximo, a suspensão do direito de continuar atuando na área. O médico deixa de ser médico, o advogado deixa de ser advogado e o padre volta ao laicato.

As instituições não têm o poder de polícia ou justiça. Não podem prender ninguém nem mandar uma pessoa para a cadeia. Então, fica parecendo que os representantes das instituições não fizeram nada. Fica parecendo que o Bispo não fez nada, que o Presidente da OAB não fez nada e que o Presidente do CRM não fez nada. A questão criminal deve ser apurada pela Polícia e julgada pela Justiça.

No âmbito interno, o Papa Bento XVI determinou que sejam apuradas, em qualquer parte do mundo, desde os anos 40, todas as denúncias que forem levadas à Igreja. No Brasil, os Bispos responsáveis pelos padres acusados de pedofilia os afastaram imediatamente. Os padres serão julgados pela Justiça.

Existem aspectos negativos e positivos desses fatos. É um fato negativo ter um padre cometendo um crime. Mas, para a sociedade, há um aspecto positivo. O fato de ter um padre denunciado é um motivo para toda a imprensa – jornal, rádio, televisão - divulgar a existência do crime de pedofilia, muitas vezes com o objetivo de atingir a Igreja. Mas, também noticia outros casos. Outro dia, foi denunciado um homem que mantinha a sobrinha, de 13 anos, presa num porão há 5 anos, com dois filhos dele, no meio de ratos, com sarna, numa situação de indignidade total. A mulher do denunciado tinha conhecimento. Os vizinhos fizeram a denúncia. Diariamente, estão surgindo novos casos, de pais, padrastos, vizinhos, cometendo crimes contra crianças, sejam do sexo masculino ou feminino.

A grande maioria desses crimes é cometida dentro da família. Embora a Igreja Católica não seja a responsável por atos criminosos de alguns de seus membros, ela está servindo de luz para iluminar e livrar muitas crianças desses crimes horrorosos.

A Igreja Católica está sofrendo com a existência de crimes até dentro dela. Mas, também, está sendo instrumento de alerta aos católicos e a todas as pessoas do mundo: é preciso vigiar e cuidar das crianças, com muito mais atenção, em qualquer ambiente que elas estejam.

E, também, denunciar todas as pessoas que estiverem cometendo crimes, independentemente de serem pais, professores, padres, médicos, advogados, políticos ou de qualquer outra identidade social.

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