quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Política, democracia e religião

No ano passado, após termos publicado um artigo neste mesmo jornal “Folha Diocesana” (abril-2010) recebi muitos apoios e também contestações. Uma dessas contestações era que a Igreja não deveria se manifestar politicamente.
Essas manifestações demonstram claramente o desconhecimento do que seja: Política (com “P”maiúsculo) e do que seja Igreja. Senão, vejamos:
Política é a ciência do Bem Comum e portanto abrange todos os cidadãos, independentemente de sua raça, cor, religião, condição social etc... cabendo a todos o direito de se manifestar. Habitualmente confunde-se Política com partidos políticos. Partido político uma agremiação que, de acordo com o modo de pensar, agir ou governar, os seus membros obedecem (ou deveriam obedecer) os critérios específicos, da orientação política desse partido. Infelizmente, no Brasil, de modo geral, os partidos passam por uma crise de identidade e isso já há algum tempo. Nem todos partidos, é verdade. Os políticos em sua maioria, excetuadas raríssimas exceções, filiam-se a partido que favorece seus interesses pessoais ou de grupos, não tendo em vista o Bem Comum. Basta verificar como os políticos mudam de partido, até mesmo aderindo a partido(s) por eles mesmos criticados, condenados em eleições passadas...!!! Infelizmente esses casos não são tão raros.
Igreja. É uma sociedade com características próprias, imutáveis e válidas em todos os tempos, lugares e pessoas. Isto porque se trata de uma sociedade divina e humana. Divina porque seu fundador e cabeça é o próprio Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ao criar o ser humano, a pessoa, Deus dotou-o com as faculdades de inteligência vontade e liberdade e para sua felicidade. A Igreja constituída de homens livres tem direito de se manifestar, mesmo politicamente. Uma associação que agrupa um numero limitado de sócios, de acordo com a sua classe, não pode se manifestar? Quem lhes nega esse direito? Perguntamos: por que a Igreja que se chama “Católica”, que significa universal, não pode se manifestar principalmente em defesa de princípios que defendem os direitos que competem a esses membros, por serem cidadãos que têm todos os direitos de qualquer cidadão? Estão completamente equivocados os que negam à Igreja e aos seus Pastores, o direito de exercerem sua cidadania.

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini
Bispo de Guarulhos
13/01/2011

Nenhum comentário: