sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Dom Bergonzini tem a coragem de defender os valores de sua Igreja - Jornal do Brasil

POLÍTICA

"Dom Bergonzini tem a coragem de defender os valores de sua Igreja. Mas há quem se escandalize com isso"

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Publicado em 17/10/2010 pelo(a) Wiki Repórter mirna_cavalcanti_de_albuquerque, Rio de Janeiro - RJ
Brazão de Armas de Dom Luiz - DESCRIÇÃO HERÁLDICA - ESCUDO de Azul - estilo clássico - com frente partida em chefe, tendo na ponta um cordeiro em prata e em chefe à direita um livro aberto (bíblia) com as letras "Alfa" e "Ômega" e à esquerda um cesto de pães, símbolo eucarístico, em ouro sobre o fundo azul. ORNATO - O todo, encimado pelo chapéu prelatício em verde, com duas séries de borlas, colocadas uma, duas e três pendentes nos flancos. TIMBRE - Cruz pastoral de ouro, sobressaindo de um nó bem no centro da faixa onde está o lema episcopal. LEMA - "Oportet Illum Crescere" ("... é necessário que Ele cresça..." Jo. 3,30) em negro, sobre o fitão de prata. DESCRIÇÃO SIMBÓLICA O Escudo de S. Excia., na sua forma heráldica, lembra o escudo de Dom TomásVaquero, Bispo Emérito de São João da Boa Vista, que durante 28 anos foi o seu bispo. O fundo azul é símbolo de Maria que sempre esteve presente na vida do novo bispo: Lembra os seus seminários: "Maria Imaculada" de Ribeirão Preto (seminário menor) e "Imaculada Conceição do Ipiranga" (seminário maior). Orago da Diocese onde inicia o seu ministério episcopal (Imaculada Conceição).Sob proteção de Maria Imaculada Conceição coloca o novo bispo o seu ministério episcopal. O Cordeiro, retirado do escudo de sua terra natal, São João da Boa Vista, simboliza o local onde nasceu e passou toda sua vida de cidadão, cristão e sacerdote. O livro aberto (Bíblia), Cesto de Pães e Báculo, simbolizam as missões essenciais do Bispo: ensinar,santificar, governar. O livro significa o Cristo palavra que deve ser anunciado a todos sem distinção; O cesto de Pães lembra o Cristo Vida que é comunicado aos homens, de modo especial pelos sacramentos, tendo como ápice a Eucarístia; O Báculo significa o Cristo Pastor que orienta, protege e dirige as ovelhas, usando do cajado para protegê-las. O lema "Oportet Illum Crescere" ("... é necessário que Ele cresça...") (Jo. 3,30) define, usando palavras de São João Batista, a entrega total de sua vida à missão evangelizadora de fazer o Cristo conhecido, amado e servido, como fez oBatista, até mesmo com o sacrifício da própria vida, se preciso for ("...e que eu diminua"), procurando sempre promover o Cristo e nunca a si mesmo. (Mirna Cavalcanti de Albuquerque) - Foto: http://www.diocesedeguarulhos.org.br/miolo.asp?fs=menu&seq=72&gid=1Inserida por: Administrador fonte: Anuário 2003 - 2004
Governo atua para tentar dividir cúpula católica

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, nascido no dia 20 de Maio de 1936 em São João da Boa Vista, filho de Luiz Bergonzini e de Aristea Bruscato, ordenado presbítero aos 29 de Junho de 1959. Nomeado Bispo de Guarulhos por S.S. o Papa João Paulo II aos 4 de Dezembro de 1991. Ordenado Bispo em São João da Boa Vista aos 7 de Fevereiro de 1992. Posse em Guarulhos aos 23 de Fevereiro de 1992.

(*) http://www.diocesedeguarulhos.org.br/miolo.asp?fs=menu&seq=72&gid=1 


O Estadão de hoje traz uma reportagem sobre a divisão de bispos da Igreja Católica provocada pelo processo eleitoral. Leiam um trecho. Volto em seguida:

Por José Maria Mayrink:

A discussão da questão do aborto na campanha eleitoral, que está dividindo os católicos por causa do veto de alguns bispos à candidata petista Dilma Rousseff, provocou um racha no episcopado em nível nacional e deverá deixar sequelas na vida da Igreja, seja qual for o resultado do segundo turno, em 31 de outubro.

A polêmica terá também reflexos na eleição para a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em maio do próximo ano, quando um grupo conservador, contrário à atual linha de diálogo, tentaria tomar o poder para adotar uma posição mais dura de oposição ao governo. Pelo menos, na hipótese de Dilma vir a ser a vencedora.

A confusão foi armada pelo apoio dado pela direção do Regional Sul 1, que reúne as 41 dioceses de São Paulo, em 26 de agosto, a uma nota intitulada Apelo a Todos os Brasileiros e Brasileiras, da Comissão em Defesa da Vida, que recomendava aos eleitores que "independentemente de suas convicções ideológicas ou religiosas", dessem seu voto "somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalização do aborto".

O autor ou inspirador do texto foi o padre Berardo Graz, da diocese de Guarulhos, cujo bispo, d. Luiz Gonzaga Bergonzini, encampou o manifesto e citou, entre os vetados, o nome de Dilma. Passado o primeiro turno, d. Luiz Gonzaga reiterou sua posição, alegando que, embora a petista tenha feito uma profissão de fé em defesa da vida, não se podia acreditar nela. "Dilma, que se faz agora de santinha para dizer que é contra o aborto, já mudou de opinião três vezes."

Artigos e entrevistas de d. Luiz Gonzaga irritaram outros membros do episcopado paulista, principalmente porque grupos de católicos contrários ao aborto e à candidatura Dilma distribuíram milhares de cópias da nota do Regional Sul 1 de apoio ao manifesto da comissão coordenada pelo padre Berardo. A distribuição do material em paróquias de outras dioceses, à revelia de seus bispos, pôs mais lenha na fogueira. O texto se multiplicou também em mensagens pela internet, espalhando-se por todo o País.

Na Paraíba, o arcebispo de João Pessoa, d. Aldo Pagotto, gravou um vídeo, postado do YouTube, que encampava a nota do Regional Sul 1 e condenava explicitamente a candidata petista. Procurado na quinta-feira por telefone, d. Aldo mandou dizer por sua assessoria de imprensa que não falaria mais sobre o assunto. O arcebispo de Brasília, d. João Braz de Aviz, também criticou a petista. Aqui

Comento

Padres, bispos e outras pessoas ligadas à hierarquia católica - e o mesmo ocorre na maioria das igrejas - podem ter a posição política pessoal que acharem mais conveniente. Como todos nós, têm suas convicções ideológicas, sua visão de mundo para os assuntos da vida laica; assim, como cidadãos que também são, divergem sobre as qualidades deste ou daquele candidatos e os rumos do país.
Mas há algumas coisas que dizem respeito a princípios da Igreja à qual pertencem. E o repúdio ao aborto é uma delas. A Igreja Católica, infelizmente, está contaminada pela ideologia faz tempo - e isso, à diferença do que dizem os partidários do que chamo Escatologia da Libertação, mais a enfraquece do que a fortalece. Para voltar à imagem de Sobral Pinto - um católico tradicionalíssimo, que enfrentou a ditadura de Getúlio Vargas e a ditadura militar--, muitos setores trocaram a Cruz pela foice e pelo martelo. Em vez de Jesus Cristo, rudimentos de Karl Marx.
O tal manifesto a que dom Luiz Gonzaga Bergonzini deu apoio lembra os princípios da Igreja de que ele é bispo, fazendo um histórico das muitas vezes em que o PT atuou - porque atuou - em favor da descriminação do aborto. Cumpriu a sua obrigação de pastor. Se Dilma Rousseff, candidata do PT, estava - e estava - comprometida com essa luta, esse, sim, é um problema da política, não da religião.
Ocorre que ela tentou resolver a questão por meio da religião, não da política. O que quero dizer com isso? Dilma correu para tentar provar que a) havia mudado de idéia e se tornado uma católica exemplar; b) havia uma grande conspiração político-religiosa contra ela. Que tivesse a coragem de defender o seu ponto de vista, ora essa! Ninguém é obrigado a comungar dos valores cristãos. Nem deve fingir que comunga.
O governo federal, por sua vez, passou a atuar firmemente para rachar os bispos da Igreja Católica. O centro-avante da operação foi Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula,  ex-seminarista que tem seus interlocutores na Teologia da Libertação. Conseguiu levar a cizânia onde deveria haver consenso. E o consenso é pela condenação ao aborto - ou provem o contrário os adversários do manifesto.
Em uma carta aos bispos em que esclarece a sua posição, escreve d. Luiz Gonzaga Bergonzini:
"O meu comportamento é baseado em minha consciência e no Evangelho. E visa à discussão de valores com a sociedade. Seja qual for o resultado das eleições, filósofos, sociólogos, antropólogos, religiosos e a população já começaram a debater o que chamam de "agenda de valores". O relativismo na sociedade e na Igreja Católica, sempre lembrado pelo papa Bento XVI, também tem sido questionado: o meu sim é sim e o meu não é não."
O trecho é impecável! Uma eleição, se querem saber, sempre é decidida pela agenda de valores. E é preciso ter a coragem de distinguir o "sim" do "não".

Por Reinaldo Azevedo

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/este-homem-tem-a-coragem-de-defender-os-valores-de-sua-igreja-mas-ha-quem-se-escandalize-com-isso-governo-atua-para-tentar-dividir-cupula-catolica/
Fonte: Jornal do Brasil

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