sábado, 22 de janeiro de 2011

Bispo recusa comenda do Senado Federal

Bispo recusa comenda do Senado em protesto contra reajuste
21 de dezembro de 2010 • 15h21 Terra - CLAUDIA ANDRADE - Direto de Brasília

Em sessão especial realizada na manhã desta terça-feira, o Senado Federal entregou a cinco pessoas a Comenda de Direitos Humanos Dom Hélder Câmara. Ou tentou entregar, porque um dos vencedores se recusou a receber a homenagem.

O bispo de Limoeiro do Norte, no Ceará, Dom Manuel Edmilson da Cruz, recusou a comenda, em protesto contra o aumento de 61,8% aos parlamentares aprovado pelo Congresso Nacional na última semana.

Depois de criticar o não pagamento de precatórios, o baixo valor das aposentadorias, os salários mínimos "que crescem em ritmo de lesmas", o bispo lembrou o aumento dos parlamentares e o efeito cascata que a decisão deverá impor nos Estados e municípios.

"O povo brasileiro, hoje de concidadãos e concidadãs, ainda os considera Parlamentares?", indagou. "Quem assim procedeu não é Parlamentar. É para lamentar".
"A Comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Hélder Câmara. Desfigura-a, porém. Sem ressentimentos e agindo por amor e com respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la. Ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão contribuinte para o bem de todos com o suor de seu rosto e a dignidade de seu trabalho".
Dom Manuel acrescentou que, se aceitasse a homenagem, estaria agindo contra os direitos humanos.

"O aumento a ser ajustado deveria guardar sempre a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e o da aposentadoria. Isso não acontece! O que acontece é um atentado contra os direitos humanos de nosso povo".

O discurso foi encerrado com um pedido para "se desfazer o erro". "Deve-se retroceder", concluiu o bispo, indicado para a premiação pelo senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), que justificou a escolha apontando a dedicação do bispo à defesa dos oprimidos.

Os outros homenageados foram Dom Pedro Casaldáliga, o deputado estadual no Rio de Janeiro Marcelo Freixo, e os defensores públicos Wagner de La Torre e Antônio Roberto Cardoso.
Enquanto a cerimônia ocorria no plenário do Senado, um grupo de estudantes protestava do lado de fora do Congresso também contra o aumento dos salários.

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